Assassinos da verdade: a reles campanha de difamação contra Olavo de Carvalho

Foto: Mauro Ventura

João Corrêa Neves Junior*

À grande mídia, não interessa saber quem realmente é Olavo de Carvalho e o conteúdo de sua obra filosófica. Estão fartos de ouvir o nome deste que dizem que “tem razão” e querem dele a maior distância possível. Olavo deve pagar o preço por dizer o óbvio, enquanto defende no processo, o bom, belo e verdadeiro.

“Quid Est Veritas?”. O que é verdade? A questão colocada para Jesus Cristo há cerca de dois mil anos por Pôncio Pilatos, é uma das mais famosas – e mais importantes – questões já feitas em todos os tempos. Desafiadora, a questão já despertou o interesse de filósofos como Francis Bacon, Friedrich Nietsche, Mikhail Bulgakov e John Austin. “O que é verdade?” trata-se de uma questão que não apenas deve ser feita, como deve também ser respondida. Além disso, não deve ser feita com desdenha, como o fazem pensadores relativistas, como se tratasse de algo intrinsecamente irrespondível e, portanto, sem sentido. Nem é a verdade sinônimo de opinião. Verdade e opinião são duas coisas distintas: uma opinião pode ou não ser verdadeira, mas a verdade, por outro lado, é sempre verdadeira e não pode ser outra coisa. A verdade é sinônimo de realidade; é o ponto de partida por meio do qual a opinião é testada. Se a opinião falhar no teste da verdade, a opinião deve ser abandonada.

Em sua busca pela verdade, poucos pensadores na história foram tão hostilizados por seus contemporâneos – especialmente por seus compatriotas – como o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho. A campanha reles de difamação do pensador perpetrada pelos meios de comunicação em conjunto com a militância organizada, transformou a arena do debate filosófico, cultural e político em um circo de horrores, uma espécie de “The Jeremy Kyle Show” à brasileira, onde fofocas e a esculhambação total do indivíduo servem para alimentar a fome insaciável pela destruição de reputação alheia. De persona non-grata, ofuscado e ostracizado pela grande imprensa até praticamente meados das últimas eleições, Olavo de Carvalho “surge do nada” para dominar headlines e capas de revistas, em um sleight of hand midiático que lembra um mágico de quinta categoria. O pensador torna-se em poucos meses, uma das figuras mais odiadas pela imprensa brasileira e seus parceiros da imprensa mundial. O escritor, autor best-seller, filósofo e professor Olavo de Carvalho, com décadas de participação e influência no debate cultural brasileiro, como uma obra bibliográfica invejável e um legado educacional singular, torna-se o “guru”, o “astrólogo”, o “mentor”. Rótulos muito ricos para uma mídia acostumada a passar vergonha diante de seus leitores e espectadores.

Falamos da mesma mídia que deu ao leitor “os britânicos jamais votarão para sair da União Europeia”, negligenciando uma revolta popular que Olavo de Carvalho já abordava desde pelo menos 2003, treze anos antes do referendo de junho de 2016. Falamos da mesma mídia que nos deu “Trump jamais vencerá as eleições dos Estados Unidos”, um dos maiores vexames jornalísticos de todos os tempos, um upset anunciado com precisão cirúrgica por Olavo de Carvalho meses antes das eleições americanas ocorridas em novembro de 2016. Trata-se da mesma mídia que nos trouxe “Venezuela é uma democracia”, um tema que dispensa comentários. E não podemos nos esquecer se tratar da mesma mídia que nos deus “Bolsonaro nunca chegará ao segundo turno”, um fracasso jornalístico que acabou por sepultar a reputação da imprensa brasileira em momento em que não apenas Olavo soube analisar com anos de antecedência os fenômenos os quais presenciávamos, como de fato teve participação direta no resultado final das eleições que tiraram do poder o Partido dos Trabalhadores e sua estrutura de cleptocrata impregnada em todo sistema político brasileiro há décadas. Alguém precisa explicar estes acertos: ou o homem sabe do que ele está falando, ou temos aqui um caso impossível de self-fulfilling prophecy, afinal, ninguém poderia sugerir em sã consciência que as análises certeiras de Olavo, sobre eventos sem precedência histórica, enquanto todos os outros erraram, trata-se de uma questão de “sorte” ou mera “coincidência”.

Por que, então, perguntaria o leitor, uma campanha de difamação contra Olavo de Carvalho? Em sua busca pela verdade, Olavo cometeu um crime para o qual não há perdão para os veículos de comunicação e o mundo dos “intelectuais”: Sobressair-se do nível da mediocridade uniformemente aceitável pelos demais. Sair para fora do nível de pobreza intelectual considerado padrão pelo establishment e expor durante este processo, a ignorância e a má fé da dita intelligentsia e da media mainstream. E por este crime senhoras e senhores, não há no mundo filosofia, fatos, evidências ou análises que possam sanar o desejo vil de destruir sem nenhuma chance de defesa a imagem do infrator. Quando os fatos e a verdade são postos sobre a mesa, a única coisa que interessa aos que sofrem o peso da desmoralização pública, é pedir a cabeça de quem ousou dizer a verdade. Não pediu Salomé a cabeça de João Batista servida em um prato, quanto este expôs a natureza imoral do relacionamento de Herodíade com Herodes, o que nada mais era do que a verdade? Esperar autorreflexão, aguardar que tenham a humildade de seguirem os conselhos de Mano Brown – “Volta pra base!” – ou que reavaliem suas estratégias como forma de devolver à imprensa a dignidade jornalística e à classe intelectual algum resquício de respeito, é pedir demais. Pelo crime de veritas, Olavo de Carvalho é imperdoável.

As mais de dez mil páginas escritas pelo filósofo, em livros e em cursos, não interessam. O que interessa são suas intrigas familiares. Os milhares de alunos que se beneficiaram do conhecimento oferecido pelo autor, abrindo portas para autores jamais abordados dentro do território nacional? Irrelevante: “Olavo estudou astrologia”. Os elogios, o reconhecimento e o prestígio de Olavo entre personagens como Bruno Tolentino, Jorge Amado e Wolfgang Smith? “Je ne comprend pas.” O fato de Olavo de Carvalho ter trazido para o debate com décadas de antecedência, temas até então desconhecidos pela imprensa e o grande público, como a hegemonia dos pensamentos das esquerdas no ambiente educacional e jornalístico, por exemplo; ou a distorção do telos do ensino superior, que abandonou a busca pela verdade para engajar no que hoje se conhece, sobretudo nas universidades americanas, como “social justice”, tornam o autor uma espécie de monstro nos moldes do filme The Village: Olavo é “one of  those we do not speak of”. A não ser, claro, se for para denegrir.

O fato de Olavo ter estado a frente de alguns dos maiores pensadores do mundo quanto à existência de fenômenos como “doutrinação ideológica” – Olavo de Carvalho prefere o conceito de Engenharia Social – e o emburrecimento do intelecto nas áreas das artes e humanidades, temas hoje abordados por nomes como Dr. Jordan Peterson, Professor da Universidade de Toronto, um dos mais importantes pensadores da atualidade; o jovem comentarista político judeu, Benjamin Shapiro; Peter Thiel, empreendedor do Vale do Silício, conhecido por ser o criador do PayPal; Dennis Prager, fundador da Prager University; dentre outros; nada disso entra em pauta. Abordam imbecilidades como “Olavo é agente da CIA”, ou bobagens de trollers de Youtube como “Olavo acredita na Teoria da Terra Plana”, além de todo tipo de vigarice editorial que objetiva, exclusivamente, desqualificar o caráter individual do autor.  Tentam assassinar a reputação do ser humano, para que se ostracize do ambiente do debate, tanto o próprio indivíduo quanto todo o seu corpo intelectual e sua obra bibliográfica. Não me admiraria que propusessem muito em breve, a queima dos livros de Olavo. “Queima! Queima!”

O fenômeno do ostracismo de homens que se elevam, no entanto, não é moderno. Aristides, à quem deve-se o mérito de vitórias épicas em batalhas como Maratona e Salaminas durante as Invasões Persas à Grécia, e que foi apelidado “O Justo” por sua conduta exemplar perante os demais membros da sociedade e até perante os inimigos, foi ostracizado e exilado pelos cidadãos de Atenas. Plutarco, que registrou a votação do ostracismo de Aristides, relata o voto de um homem iletrado que perguntado pelo próprio Aristides, a quem ele não conhecia pessoalmente, se este lhe havia feito algo de mal que o fizesse votar a favor do seu ostracismo, foi respondido: “Não. Eu sequer o conheço, mas estou farto de ouvir o nome deste que chamam de “O Justo””. Aristides, sendo justo, escreveu o próprio nome na ostraka e colocou-a no pote. À grande mídia, não interessa saber quem realmente é Olavo de Carvalho e o conteúdo de sua obra filosófica. Estão fartos de ouvir o nome deste que dizem que “tem razão” e querem dele a maior distância possível. Olavo deve pagar o preço por dizer o óbvio, enquanto defende no processo, o bom, belo e verdadeiro.

A história tem esse curioso efeito de se repetir variadas vezes, com diferentes personagens em diferentes épocas. Em 1865, o republicano Charles Sumner foi espancado a pauladas pelo democrata Preston Brooks no plenário americano na frente de todos os outros legisladores por defender o fim da escravidão. Como ousa alguém afirmar que um ser humano não pode ser propriedade de outro ser humano! Naquele mesmo ano, Abraham Lincoln foi covardemente morto com um tiro na nuca na frente de sua esposa, Mary Todd, por John Wilkes Booth, um simpatizante da causa escravista do Partido Democrata. Lincoln ousou abolir a escravidão nos Estados Unidos com base na verdade, como constada na própria constituição americana. A verdade de que “todos os homens são iguais, dotados pelo Criador de direitos inalienáveis como a Liberdade…”. De fato, o próprio Deus feito em carne, a Verdade em Si, foi imolado e pregado em uma cruz no calvário. “Crucifica-o!”

O “curioso” sobre a pergunta de Pilatos, “quid est Veritas?”, é que trata-se de um anagrama, uma espécie de jogo de letras ou de palavras que reordenadas, produzem uma outra frase. O anagrama de “Quid Est Veritas?” consiste em “Est vir qui adest”, que significa “Aquilo/Aquele que está na sua frente”. Como lidar com o fato de que Olavo de Carvalho, um sujeito que “nem curso superior tem”, como dizem seus detratores – como se Aristóteles fosse um alumni da USP – ter compreendido tão bem e tão claramente os fatos, a Verdade, enquanto toda a mídia e todo establishment fracassou de forma humilhante, permitindo, entre outras coisas, a eleição do Presidente da República Jair Bolsonaro, exatamente por conta da presença de fenômenos sociais e políticos descritos com precisão por Olavo de Carvalho e totalmente ignorados pelo establishment? Como pode Olavo de Carvalho expor tudo o que foi negligenciado ou escondido da população, quer por ignorância, quer por má fé – ou ambos – e sair por cima, ileso? Para os ditos “intelectuais”, acostumadas a esbaforar sob palmas desde os seus pedestais de superioridade moral, assistirem ruir todo o aparado leftista construído com décadas de trabalho árduo e domínio completo de todas as instituições, por um cidadão atuando sozinho, de longe, com nada mais do que suas palavras e a busca pela Verdade, Olavo cometeu um crime para o qual não existe neste mundo ação benevolente capaz de o absolver. Aliás, há sim: a conversão à seita leftista poderia aboná-lo de todas às suas heresias contra o partidão.

É interessante lembrar que Lenin compreendia a importância de “Verdade”, porém, claro, não da mesma forma como a temos nós, seres humanos. Não por menos, o cafajeste deu o nome de Pravda – “verdade” em russo – ao seu periódico de propaganda comunista infestado de todo o tipo de mentiras, mentiras que desafiavam aquilo que todos os cidadãos russos viam com seus próprios olhos: a catástrofe e a miséria da revolução comunista, um pesadelo que durou sete décadas. Mas a Verdade sempre vence. Caiu o Pravda, caíram as máscaras, e caiu a própria União Soviética, pela Verdade. Verdade exposta por homens como Alexandr Solzhenitsyn, que como testemunha viva da barbárie das Gulags, expôs como ninguém em clássicos como Gulag Archipelago (1973) e Prussian Nights (1974), a natureza demoníaca do socialismo, sofrendo por isso o peso da perseguição, da difamação, da calunia e do ostracismo.

A campanha de difamação contra Olavo de Carvalho ocorre porque Olavo é para o socialismo da América Latina, o que Alexandr Solzhenitsyn é para o socialismo da União Soviética: um peso incomodo contra o qual, não existe defesa. Contra a Verdade, não há argumentos. Uma vez expostos os fatos, não há como voltar atrás. No entanto, como nem a mídia e nem os intelectuais podem exilá-lo – Olavo não depende da benção dos mídias nem dos intelectuais brasileiros, já dispõe de residência legal nos Estados Unidos por seus próprios méritos – ou expulsá-lo como fizeram os russos com Alexandr Solzhenitsyn, farão com a imagem do autor o que fizeram fisicamente com Solzhenitsyn, com Summer ou com Lincoln: espancamento e assassinato. Pelo crime do saber e por partilhar o conhecimento amparado por fatos, Olavo de Carvalho, com seu humor de senhor de idade, com seu carisma paterno e sua erudição quase sobre-humana, não merece um lugar entre os paladinos da democracia “ateniense”. Ali não é lugar nem para vida inteligente, nem para justos, muito menos para veritas. “Ostracisa-o!”

*João Corrêa Neves Junior é defensor da liberdade e do “rule of law”. Reside no Reino Unido, atua na área administrativa no mercado formal e é mestrando na área de História pela Universidade Nova de Lisboa.


 
 

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