A vida pautada pelos jornais

Texto de subsídio ou introdutório ao curso Como Ler as Notícias

A vida segundo os jornais não é a vida real

Há alguns anos, uma pesquisa indicava que era o brasileiro aquele que mais acreditava no problema global das mudanças climáticas, no aquecimento global e, consequentemente, na necessidade das medidas políticas, econômicas e mudanças comportamentais que salvariam o planeta. A cobertura midiática sobre o assunto foi ampla e gigantesca, influenciando entidades governamentais, movimentos e empresas a aderirem a um novo modo de ver o mundo, de fazer seus negócios e divulgar seus serviços. É verdade que isso aconteceu no mundo todo. Mas só no Brasil, ao que indicava a pesquisa, as premissas ambientalistas alcançavam tanta confiabilidade.

Esse fato basta como exemplo de como somos influenciados pelas notícias. Na verdade, pautamos não só a nossa compreensão da vida pública como vamos um pouco além: é com base nas notícias e no seu ritmo de escrita, estrutura textual, que muitas vezes somos levados a ver nossa própria vida, seja no cotidiano ou nas crenças mais profundas, em nossos momentos de lazer e na leitura de entretenimento.

O jornalismo imita a vida ou a vida imita o jornalismo?

Originalmente, a forma atual de se fazer notícia não foi projetada para corresponder à totalidade dos interesses humanos. Ela passou a existir para orientar politicamente e socialmente os cidadãos. O ser humano, porém, é muito mais do que um cidadão e a gradual perda dessa compreensão deu origem ao fenômeno da “massificação”, referido por Ortega y Gasset, no seu clássico A rebelião das massas.

Outra causa do fenômeno massivo foi a mudança da matriz de interesse humano da necessidade para o desejo, algo que foi construído conscientemente por meio de técnicas da psicanálise. Os símbolos de desejo atuam de maneira mais profunda em nossas mentes, de modo que temos poucas chances de sobrepô-los à percepção objetiva de nossa necessidade. Isso produziu efeitos catastróficos na personalidade contemporânea e deu origem à nossa atual “crise de sensibilidade”, nas palavras de Tiago Amorim em seu recente livro O coração do mundo. Se essa crise tem diversas e inabarcáveis causas, é porque a poucas delas foi dada a devida atenção. Poucos foram os autores que buscaram a influência do ritmo das notícias neste processo.

Afinal, é fácil observar como somos lenientes para ler um livro, um romance ou poesia, contemplar a música sacra, a música erudita etc. Não vemos muito sentido nessas coisas, mas dizemos que gostamos porque captamos facilmente a esfera estética mais superficial, aquela que associa certas coisas a um status social ou à imagem distante do que acreditamos ser a transcendência ou elevação. Mas é muito raro darmos a essas coisas o seu peso verdadeiro, dado em outras épocas. Instalamo-nos no confortável reino do subjetivo e momentâneo, como aquilo nos parece, ao quê nos evoca, em geral para que julguemos eficientemente alguém ao buscarmos, com certo custo, desvendar uma personalidade na sua identificação ou não com a nossa. Afinal, nosso desejo de sociabilidade muitas vezes extrapola nossa verdadeira necessidade.

Muito disso se deve ao ritmo das notícias, à avalanche de informações que nos soterra, que nos oprime. É fato que precisamos nos informar. E muito dos temas tratados pelas notícias são assuntos de nosso interesse, embora não tudo. O que fazer?

Qual o meu critério para ler as notícias?

Primeiro, é preciso que saibamos de uma vez por todas: somos expostos a uma quantidade de informação que vai muito além do interesse genuíno de qualquer ser humano. Não há nada que justifique tamanha quantidade de informação para uma pessoa, mesmo que ela desempenhe funções ou cargos de decisão muito abrangentes. De tudo o que é publicado necessitamos realmente de uma parcela ínfima e isso nos devia assustar. Afinal, a verdade é que dificilmente paramos para nos perguntar o que de fato nos aflige, o que precisamos mortalmente saber.

Somos levados pela informação que gritar mais alto, que brilhar mais forte ou apresentar-se com mais cores, sabores adocicados, ritmos frenéticos ou velocidade de dados

Como podemos nos orientar em um mundo como esse?

Existe uma grande quantidade de critérios disponíveis. Dentro deles, subcritérios, premissas e conclusões provisórias a que podemos chegar para eleger, sem tantos filtros, aquilo que mais nos importa. Mas não é o caso aqui de nos aprofundarmos na orientação pessoal mais específica para a vida e sim, como já dissemos, de fazê-lo por meio da compreensão dos critérios jornalísticos, sobre os quais pesam critérios econômicos, políticos, ideológicos e até religiosos. Compreendendo-os, podemos chegar mais próximo do encontro com o nosso interesse mais profundo, extraído da necessidade e do desejo mais autênticos.

Esse processo é não só necessário como urgente para o que quer que necessitemos fazer, seja a produção de conteúdo para a internet, seja a orientação pessoal como cidadãos ou, por exclusão daquilo que nos externaliza, buscar a mais profunda vocação pessoal. A tudo isso podemos chegar apenas olhando para aquilo que não nos interessa e rejeitando, sem culpa, aquilo que nos afasta da verdade. Afinal, para saber amar é preciso, primeiro, saber rejeitar. É para isso que precisamos saber cada vez mais como ler as notícias.

Como a grande mídia quer converter o “fake news” em dinheiro e poder

Estrutura que fornece serviço de “fact-checking” pertence a entidade controlada pelo milionário George Soros, que tem como membros o Facebook e a Folha de São Paulo

Recentemente, uma matéria da Folha de São Paulo dava conta de que o jornal estava se retirando do Facebook que, segundo eles, estava sendo invadido por “fake news” enquanto o jornalismo profissional vinha perdendo espaço. A desistência das redes sociais por parte da Folha se deve menos à perda real de seguidores do que à sua aposta em uma nova forma de renda: o fact-checking, serviço prestado por uma estrutura subsidiada por bilionários como George Soros e Warren Buffet.

Há algum tempo, o Facebook anunciou a criação de uma estrutura de checagem de “fake news”, chamado IFCN (International Fact-Checking Network). A IFCN seria uma organização isenta, responsável por avaliar as notícias e informações na rede social que, ao detectar sites considerados Fake News retirar do ar imediatamente. O problema é que a IFCN é uma iniciativa criada pelas organizações e National Endowment for Democracy e Omidyar Network, em parceria com a Open Society Foundations, entidade de George Soros.

Entidades e ONGs brasileiras prestam “serviço” de espionagem de blogs, perfis e páginas para bilionários extrangeiros

Apenas em 2016, a fundação de George Soros e a Omidyard injetaram 1,3 milhão de dólares na IFCN para regular as “fake news”. Para operar, a IFCN conta com dezenas de parceiros em vários países do mundo. No Brasil, seus parceiros são a Agência Pública, Agência Lupa e a empresa “Aos Fatos”.

A organização “Aos Fatos” atua no Brasil há alguns anos, tendo atuado na checagem de dados nas eleições de 2016. Para as eleições de 2018, contará com um robô de checagem de Fake News, na parceria com Facebook.

Já a Agência Pública deixa clara em sua página “Transparência”, que é financiada pelas Fundações Oak e Ford. A Pública é notória militante da esquerda e não se preocupa em aparentar qualquer neutralidade. A agência dá grande foco em campanha de legalização do aborto, por exemplo, e não poupa esforços para propagar a causa. Em artigo recente, supostamente interessado em apontar a ocorrência de Fake News sobre o tema do aborto, a Pública afirmou que “o aborto ilegal leva à morte milhares de mulheres no Brasil todo ano”, embora dados do SUS sejam categóricos ao indicar que ocorrem, na verdade, em torno de 40 a 60 óbitos ao ano por aborto clandestino no país. O número correto de óbito materno por aborto ilegal, no Brasil, não só é público e disponível no site do SUS, como também já foi objeto de ofício de esclarecimento do Ministério da Saúde, diante do questionamento feito pelo Dep. Diego Garcia, em 2017, após uma manchete publicada pelo site da Folha que trazia outros números falsos. No ofício, o Ministério deixou claro: 55 óbitos em 2014. Este é um exemplo da atividade de sites como esse.

A Agência Lupa é uma área do site da famosa revista de esquerda “Piauí”, também parte do grupo da Folha e UOL.

Informações do Relatório Estudos Nacionais (fev.2018): “Relações entre grandes grupos de mídia e redes sociais”, em breve disponível para download.

A reportagem completa sobre o assunto você acompanha na segunda edição da Revista Estudos Nacionais, lançada em março de 2018.

Quem é Mark Weinstein, criador do MeWe – parte 1

revista estudos nacionaisCriador da nova rede social MeWe, Mark Weinstein, escreve em  veículo ligado a George Soros e diz que sua rede não possui anúncios, monitoramento, captação de dados e manipulação.

Após muitas reclamações e acusações de censura e exposição no Facebook, um sujeito chamado Mark Weinstein, profissional na criação de redes sociais, resolveu criar um site especialmente direcionado para zelar pela segurança e privacidade dos usuários. O MeWe não possui anúncios, nem monitoramento dos usuários ou captação de dados.

Weinstein já era conhecido nos Estados Unidos por ser um grande especialista em privacidade cibernética. Inclusive, já deu entrevistas para o USA Today e para CNN, escrevendo também para o The Huffington Post sobre o tema. Mark Weinstein também possui diversas críticas contra o monitoramento e uso de dados realizado por empresas como o Facebook e o Google, acreditando que a privacidade é algo essencial e veio a se tornar um bem de muito valor no mundo atual, constituindo um dos principais motivos para que as pessoas deixem de usar redes sociais.

Fatos importantes sobre o criador do MeWe
Chama atenção o fato de Mark ser colunista de um site abertamente de esquerda,  The Huffington Post, que inclusive conta com apoio de George Soros. Em sua coluna, fala sobre sua especialidade, privacidade nas redes sociais. Alguns de seus textos tratam a “problemática da Fake News” no Facebook, em suposição de uso de Fake News pelo Presidente Donald Trump, citando por exemplo, o caso da certidão de nascimento do ex-presidente Obama (que na visão de Weinstein, é fake news).

Weinstein também trabalhou em um projeto criado pelo ex-presidente Barack Hussein Obama, fundado em 2011,  chamado National Strategy for Trusted Identities in Cyberspace (NSTIC). Este comitê, ligado diretamente à Casa Branca, foi criado com objetivo de melhorar a privacidade e segurança na internet, em parceria com setor privado, movimentos, terceiro setor,  governos e outras organizações. Não há como negar que o criador do MeWe entende de segurança online.

precisamos-falar-sobre-aborto-livro-pacote-1-exemplarEm outro artigo, Mark Weinstein analisa recentes problemas de censura no Facebook, descrevendo como uma grande violação de privacidade e censura o fato do Facebook ter retirado tópicos conservadores da linha do tempo de usuários, propositalmente, por conter uma equipe de liberais administrando suas políticas de privacidade. Mas pondera a importância do tratamento de Fake News de forma distinta.

Em seu Twitter, Mark Weinstein faz propaganda de que sua rede social não contém manipulação de linha do tempo, fake news, anúncios, reconhecimento facial e truques, mostrando que a nova rede social aposta na falência da credibilidade do Facebook e na insatisfação dos usuários diante destes problemas.

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Segundo o criador do MeWe, ele poderá ultrapassar o número de usuários do Facebook, uma vez que o mesmo estaria perdendo usuários continuamente. No último ano, por exemplo, houve uma queda de 21% de engajamento, ou seja, na comunicação entre amigos na rede. O Facebook só se preocupa com a receita deles, algo ainda crescente, entretanto, há sempre espaço para a próxima grande coisa. O WhatsApp, Snapchat e Instagram provaram isso, entretanto, o Facebook comprou as marcas, não conseguindo, apenas, comprar o Snapchat.

Diante de ligações de Mark Weinstein com The Huffington Post (e consequentemente George Soros), surgem dúvidas a respeito da propaganda utilizada pelo fundador da nova rede social. Afinal, o melhor upgrade para um  programa de manipulação será sempre a proposta ou alegação da libertação do sistema manipulador descoberto, no caso, o Facebook.

Em tempos de Fake News (rótulo descredibilizador), a reconquista da credibilidade da internet parece ter tirado o sono daqueles que ganham bilhões manipulando mentes, movimentos sociais e governos.


Por: Marlon Derosa, Cristian Derosa e Raul Effting, em Estudos Nacionais, 08 de fev. 2018.

Fontes:Huffington Post – Mark Weinstein; media research center

EUA: Senado reprova lei que proíbe aborto em gestações superiores a 20 semanas

Os Estados Unidos é um dos únicos países do mundo que permite aborto tardio, junto com China, Coréia do Norte, Vietnã, Canadá, Holanda e Cingapura

revista estudos nacionaisNa madrugada de domingo (28), o Senado americano reprovou projeto de lei que visava para proibir realização de abortos após 20 semanas de gestação, uma vez que diversos lugares dos Estados Unidos promovem abortos em gestações após 5, 6 ou 7 meses de gestação.

A Lei, chamada de ‘Lei de Proteção ao Nascituro Capaz de Sentir Dor” (trad. livre) patrocinada pelo senador Lindsey Graham Olin, da Carolina do Sul, proíbe abortos em bebês com idade superior a 20 semanas (22 semanas de gestação) com base na ciência da dor fetal.

O projeto de lei ainda contém falhas, permitindo que bebês concebidos em estupro ou incesto continuassem a ser abortados, independentemente da capacidade de sentir dor.

Às 20 semanas, o bebê não nascido é do tamanho de um tablet, inclusive, as mães já conseguem sentir seus bebês chutando, ou seja, já são indivíduos humanos. Por exemplo, quando as mães fazem operação no útero durante esse período de gestação, já é prática padrão do médico dar anestesia aos bebês.

Ainda é legal desmembrá-los em abortos violentos e dolorosos, posto que a Lei ainda precisa da assinatura de Donald Trump. De acordo com o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), em 2013 havia pelo menos 5.770 abortos tardios nos EUA por ano, em bebês com mais de 20 semanas de idade.

Assista o vídeo abaixo e veja como é um bebê que nasce com 22 semanas de gestação:

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Marjorie Dannenfelser, presidente da ONG Susan B. Anthony Lista (SBA List), disse que “Votar para manter a brutalidade do aborto tardio legal não é apenas moralmente abominável, mas desafia o consenso nacional e é uma grande responsabilidade política”, continuou Marjorie.


Escrito e traduzido por: Raul Effting.

Fontes:

[1] LifeSiteNews

[2] Daily Caller

 

 

História: como a Teologia da Libertação fez a cabeça de gerações

A relação promíscua da hierarquia católica com as ideologias da esquerda tem produzido um fenômeno assustador: o avanço das pautas culturais dessa esquerda, como ideologia de gênero e aborto, entre fieis cristãos.

Desde os anos 1960, padres, bispos e leigos da Igreja Católica têm aderido a idéias políticas e propostas de tipo ideológico, aliando-se a partidos, grupos políticos e até terroristas, com a desculpa da luta pelos pobres, pelos povos oprimidos. Pelos frutos da fundação do PT, responsável direto pela implantação das políticas de aborto e da ideologia de gênero no Brasil, conheceremos os padres e bispos que terão de arcar com um pesado fardo em seus ombros.

revista estudos nacionaisRecentemente, um evento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), o 14º Intereclesial de Bases, ocorrido em Londrina, teve o tom claro de um comício político, quando o ideólogo do PT, Frei Beto, resolveu fazer um minuto de silêncio em desagravo ao julgamento do ex-presidente Lula, que ocorria naquele momento em Porto Alegre (RS).

O público presente era composto de militantes. Ativistas pertencentes a todos os tipos de movimentos sociais de esquerda, MST, CUT, entre outros, ocasião em que foi distribuída uma cartilha sobre educação, na qual se defendia a necessidade da conscientização a respeito de direitos, como aborto e educação sexual. Tudo com a presença do arcebispo de Londrina, Dom Geremias Steinmetz. Diante de ataques de internautas, devido o caráter declaradamente partidário e ideológico do evento, o arcebispo chegou a pedir que retirassem as faixas que mencionavam o Partido dos Trabalhadores, mas foi vaiado pelos militantes.

A relação promíscua da hierarquia católica com as ideologias da esquerda tem produzido um fenômeno assustador: o avanço das pautas culturais dessa esquerda, como ideologia de gênero e aborto, entre fieis cristãos. O resultado completo dessa catástrofe veremos nos próximos anos, mas a história do movimento da teologia da libertação pode ajudar a explicar como o seu avanço foi tão rápido e efetivo na destruição das bases morais e espirituais da religião cristã, algo que ameaça a própria estrutura da Igreja Católica.

Antecedentes históricos da Teologia da Libertação

O movimento social-eclesial da teologia da libertação oficialmente surgiu no contexto da interpretação do Concílio Vaticano II, após um compromisso assinado por 500 bispos do mundo todo, conhecido como o “Pacto das Catacumbas”, uma cerimônia discreta ocorrida em uma catacumba, em Roma. O contexto do pacto era a influência do livro do padre peruano Gustavo Gutierrez, intitulado A teologia da libertação. Mesmo com condenações vindas da alta hierarquia da Igreja, o movimento cresceu assustadoramente. Isso porque a sua base estava calçada em antecedentes muito poderosos, como as articulações da União Soviética em torno do objetivo para a expansão da ideologia socialista na América Latina.

O general romeno Mihai Pacepa, ex-chefe da polícia secreta da Romênia comunista, conta, em entrevista, como se deu a influência da KGB, a polícia secreta soviética, na criação e expansão da teologia da libertação pelo mundo. Segundo ele, Nikita Khrushchev queria marcar seu governo como aquele que expandiu o socialismo pelo mundo, especialmente América Central e do Sul. De acordo com Pacepa, “a Romênia era o único país latino no bloco soviético e Khrushchev queria envolver os ‘líderes latinos’ na sua nova guerra de ‘libertação’”. Esse processo faz parte do mesmo conjunto de ações práticas que levaram o comunismo a Cuba, a partir de 1958.

Segundo Pacepa, o nome teologia da libertação foi cunhado pela própria KGB, a linha de outros movimentos da época:

Durante esses anos, a KGB teve uma tendência pelos movimentos de “Libertação”. O Exército de Libertação Nacional da Colômbia (FARC –sic–), criado pela KGB com a ajuda de Fidel Castro; o Exército de Libertação Nacional da Bolívia, criado pela KGB com o apoio de “Che” Guevara; e a Organização para Libertação da Palestina (OLP), criado pela KGB com ajuda de Yasser Arafat, são somente alguns movimentos de “Libertação” nascidos em Lubyanka – lugar dos quartéis-generais da KGB.

Para tornar tudo isso possível, o governo soviético sabia que precisava influenciar desde dentro diversos movimentos e até criar alguns. É o caso da Conferência Cristã pela Paz, ocorrida em Praga, capital da então Tchecoslováquia, hoje República Tcheca. Praga é hoje considerada a capital internacional da espionagem e guarda um museu internacional da KGB.

Foi preciso, segundo Pacepa, uma influência interna no Conselho Mundial das Igrejas (CMI), fundado em 1948, em Amsterdã, na Holanda. O CM é fruto de uma longa articulação ecumênica que nasceu do verdadeiro anseio pela discussão da crise moral do mundo moderno. Mas seus eventos e congressos foram, desde o início, marcados pela presença de agentes de transformação cujo objetivo real era integrar os tópicos ecumênicos na lógica da desconstrução de dogmas para o enfraquecimento das convicções morais e, por fim, sabotagem global da espiritualidade cristã, grande obstáculo para a socialização mundial, algo sabido desde os escritos de Engels.

O percurso dos conselhos ecumênicos globais que culminaram na criação da CMI é longo e começou em Edimburgo, em 1910. Depois, também em Estocolmo (1925) e Lausanne (1927). Por fim, o Concílio Vaticano II ficou conhecido como a adesão da Igreja Católica aos princípios ecumênicos.

CMI, CMP e o poder secreto soviético

Fundado oficialmente em 1948, o CMI experimentou, segundo eles próprios, “uma crescente tendência ao comprometimento com questões ligadas ao papel dos cristãos e cristãs no debate e nas ações no campo da ética social”. Depois do Vaticano, o CMI tem sido a maior organização global de cristãos, considerando as outras denominações, presente em 120 países. O controle secreto desta entidade pela KGB foi essencial, segundo Pacepa, para o crescimento e expansão da teologia da libertação na América Latina e Caribe.

Após uma influência discreta na CMI, era preciso uma entidade religiosa intermediária, com maior controle dos líderes soviéticos. Tem início, em Praga, a Conferência Cristã pela Paz, com o objetivo de disseminar a teologia da libertação pelo mundo, dirigida pela KGB e subordinada ao Conselho Mundial da Paz, também com sede em Praga, fundado em 1949.

Pacepa conta a sua própria experiência:

Durante meus anos como líder da comunidade de inteligência do bloco soviético, dirigi as operações romenas do Conselho Mundial da Paz (CMP). Era estritamente KGB. A maioria dos empregados do CMP eram oficiais de inteligência soviéticos acobertados. Suas duas publicações em francês, “Nouvelles perspectives” e “Courier da Paix”, estavam também dirigidas pelos membros infiltrados da KGB –e da romena DIE2–. Inclusive o dinheiro para o orçamento da CMP chegava de Moscou, entregue pela KGB em dólares, em dinheiro lavado para ocultar sua origem soviética. Em 1989, quando a URSS estava à beira do colapso, o CMP admitiu publicamente que 90 por cento do seu dinheiro chegava através da KGB3.

Conferência de Medelín

Em 1968, membros da Conferência Cristã pela Paz conseguiram convencer um grupo de bispos latino-americanos, signatários do Pacto das Catacumbas, a pautar sua Conferência de Bispos na mesma direção de uma “luta contra a pobreza e a opressão”, com o foco na “violência institucionalizada”, mirando os governos e aparatos do estado burguês, na linguagem marxista. Era a Conferência de Medelin, na Colômbia. Era o momento de viabilizar os objetivos do Pacto das Catacumbas.

Encerrado o Concílio (1965), o episcopado latino-americano começou a organizar encontros a fim de interpretar os documentos conciliares à luz da especial problemática revolucionária latino-americana. Reunidos em Medellín, em 1968, os bispos, com o apoio romano do Papa Paulo VI, produziram um documento para sustentar a ação dos “católicos progressistas” em todo o continente nos próximos tempos.

O resultado destes eventos foram vistos nos anos seguintes, quando a “igreja dos pobres”, verdadeira igreja dentro da Igreja, infiltra-se nos movimentos sociais do Brasil, por meio de encontros que firmaram ainda mais a relação entre bispos e padres com movimentos revolucionários, inclusive terroristas.

Leia o estudo completo na segunda edição da Revista Estudos Nacionais, a ser lançada em março.

 

Quase metade das cirurgias de “troca de sexo” terminam em tentativas de suicídio, diz estudo

Pesquisa aponta que 41% dos que fizeram a troca de sexo já tentaram o suicídio

revista estudos nacionaisMédicos, psicólogos e educadores, que subscrevem a chamada teoria de gênero ou ideologia de gênero, insistem em recomendar as cirurgias de mutilação e os perigosos tratamentos hormonais, que destroem fisicamente os jovens.

Mas uma verdadeira epidemia de suicídios entre essas pessoas que se submetem a este tipo de tratamento tem sido ignorada, tornando-se uma tragédia silenciosa. A maior parte das pessoas que se submete a esses processos acaba admitindo grande arrependimento e alegam que a mutilação dos órgãos sexuais não trouxe o sentimento esperado.

Um estudo feito pela Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio e do Instituto Williams, publicado em agosto de 2015, e divulgado pelo LifeSiteNews, chocou a comunidade médica, e mais ainda os movimentos LGBT, ao redor do mundo. O documento relatou, através de diversas entrevistas, que “pessoas que sofrem de ‘confusão de gênero’ são estimuladas pela cultura atual a ‘serem elas mesmas’, rejeitando o próprio sexo com que nasceram e partindo para uma cirurgia reparativa” e que, isso “está causando uma epidemia de depressão e suicídios entre essas pessoas”. E continua o relatório:

“Mais de 41% das pessoas ‘transgêneros ativas’ (que realizou a troca de sexo) tentam se matar. Isso corresponde a taxa média de suicídio da população (4,6%) multiplicado por dez. E este estudo não é a única prova de que aqueles que procuram viver como se fossem do sexo oposto estão de fato, matando-se. Mais de uma dúzia de outros inquéritos em todo o mundo encontraram as mesmas assustadores taxas de suicídio.

Uma pesquisa nacional com mais de 6.500 pessoas trans perguntou: ‘Você já tentou se suicidar?’. 41% respondeu: ‘sim’.”

Os sintomas que acometem pessoas que tentam mudar de sexo são, principalmente:

– níveis cronicamente elevados de estresse;

– ansiedade;

– e depressão.

“Muitas vezes, ainda, as pessoas relatam que se automutilam com cortes, uma vez que isso aliviaria as dores emocionais.”

Em depoimento ao Fantástico, da Rede Globo, um transexual brasileiro chamado ‘Léa T’, serve de alerta. Mesmo diante da insistência da repórter em mostrar que o transexual estaria muito feliz após o procedimento cirúrgico, o que ficou claro é que ‘Léa T’ está sentindo uma completa amargura e infelicidade. Leia trechos da entrevista, feita pela repórter Renata Ceribelli:

precisamos-falar-sobre-aborto-livro-pacote-1-exemplarCeribelli: “A Lea T. fez a cirurgia de troca de sexo em março de 2012, mas só agora, quase um ano depois, ela se sente à vontade para falar sobre o assunto. Por quê?”

Lea: Porque a cirurgia é uma cirurgia complicada, não é uma cirurgia simples. É uma coisa muito íntima. Estou meio sensível, estou meio voada em algumas coisas, tentando entender algumas coisas. Mas eu acho que agora eu tô começando a conseguir falar a respeito dessa cirurgia, a respeito dessa pequena e grande mudança que eu fiz.

Ceribelli: Quanto tempo você ficou no hospital?

Lea: Eu fiquei no hospital um mês e meio.

Ceribelli: Em algum momento você falou: ah, eu não devia ter feito isso?

Lea: Eu fiquei um mês, sentindo dor, pensando nisso. Eu não aconselho essa cirurgia pra ninguém. Eu achava que a minha felicidade era embasada na cirurgia. Mas, não foi. Não é isso.

Ceribelli: Me lembro da nossa entrevista, bem antes de você fazer a cirurgia, você dizia que não se sentia uma mulher completa sendo uma mulher no corpo de homem. Depois da cirurgia, hoje você já diz: eu sou uma mulher completa?

Lea: Não, não!

Ceribelli: Você continua com o seu lado masculino?

Lea: Eu continuo. Eu tenho minha parte masculina. Eu calço 42. Eu tenho uma mão enorme, eu tenho o ombro largo. Eu tenho umas coisas masculinas no corpo.

E a entrevista prossegue mais um pouco.

Lea: eu entendi que isso tudo é uma bobeira.

Ceribelli: Você hoje é 100% mulher?

Lea: Não. Eu nunca vou ser 100% mulher.

No Brasil

No Brasil, o ‘tratamento’ para troca de sexo é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde agosto de 2008, conforme a publicação da Portaria Nº 457 e até o ano de 2014, foram realizados mais de 6.724 procedimentos ambulatoriais e 243 procedimentos cirúrgicos pelo SUS.

O procedimento padrão, antes da cirurgia, é realizar um acompanhamento ambulatorial com assistência integral no processo transexualizador. A idade mínima para os procedimento ambulatoriais é de 18 anos, os quais incluem acompanhamento multiprofissional e hormonioterapia. Para procedimentos cirúrgicos, a idade mínima é de 21 anos.


Escrito e traduzido por: Raul Effting. 


fontes:

[1] Life Site News

[2] O Povo

[2] Brasil.gov

Novo projeto nuclear de Donald Trump permite respostas imediatas

Um novo projeto nuclear está prestes a ser revelado pela administração Trump. O sistema chamado Hawkish incorpora o desenvolvimento de ogivas pequenas e simples

O novo projeto será informado no documento oficial sobre a postura nuclear do país frente a outras nações, o Nuclear Posture Review (NPR), a ser publicado após o mês de janeiro. É a primeira edição do relatório oficial nos últimos oito anos. Criado em 1994, o NPR costuma informar o número de ogivas e o poderio nuclear total dos Estados Unidos, assim como as metas de produção e projetos.

De acordo com Jon Wolfsthal, ex-assistente especial de Barack Obama no controle de armas e não-proliferação, o último rascunho do projeto Hawkish, continha sugestões bem agressivas, apesar das mais poderosas terem sido descartadas.

“No início, o projeto era muito radical, mas não está mais tão terrível quanto originariamente. Mas ainda é agressivo”, disse Wolfsthal.

Uma das principais mudanças da nova política militar americana está na consideração de possíveis ataques nucleares. Diante do novo NPR, qualquer ataque nuclear contra os EUA poderia desencadear uma resposta rápida e violenta.

Novas ogivas

O governo Trump também quer desenvolver novos tipos de ogivas nucleares. Uma delas poderiam ser usadas em mísseis balísticos Trident D5, utilizados por submarinos, fazendo com que o resultado da explosão apresentasse menor abrangência, úteis para ataques em pequena escala.

A justificativa declarada pelo governo para o desenvolvimento de novos tipos de armas é que, caso a Rússia entre em conflito com membros da OTAN, na Europa Oriental, presumivelmente usaria armas nucleares táticas logo de início, esperando que os EUA hesitem em usar suas armas nucleares mais poderosas em resposta, por medo da repercussão.

No entanto, a postura nuclear russa defende que o país apenas usaria seu arsenal nuclear caso fosse atacada por armas de destruição em massa ou que ataques ameaçassem a existência da Rússia como estado soberano. Segundo o documento russo, a nação usaria armas nucleares táticas contra a OTAN apenas se a OTAN iniciasse uma guerra para derrubar o governo de Moscou.

O documento sobre a postura russa foi atualizado em 2014, em meio a crescente tensão com a OTAN, e alega que as armas nucleares táticas são apenas uma forma de equilibrar a supremacia da aliança internacional com a Rússia.

Wolfsthal questionou a necessidade de se desenvolver ogivas de menor abrangência, alegando que os EUA já possuem tais armas em seu arsenal, sob a forma de bombas de gravidade B61, algumas das quais estão estacionadas na Europa em forma de mísseis cruzeiro lançados pelo ar.


fonte: Infowars

O ativismo da pedofilia: origens intelectuais dos movimentos por trás da “quebra dos tabus”

(Foto: À direita, Magnus Hirschfeld, fundador da Liga Mundial para a Reforma Sexual)

Em 1886, o psiquiatra alemão Richard von Krafft-Ebing, no livro Psychopathia Sexualis, foi o primeiro a categorizar homossexualidade e pedofilia igualmente como perversões ou psicopatias sexuais que podiam ser tratadas, incluindo aí o sadismo, zoofilia, necrofilia etc. Descreveu-as como “excitação da vida sexual por estímulos inadequados”. Alguns anos depois, em 1898, o médico e psicólogo britânico Havelock Ellis, deu uma outra abordagem para as perversões sexuais. Ele questionava abertamente a ideia de normalidade sexual, assinalando que as perversões provêm daquilo que chamamos normalidade. “Enquanto ignoramos os limites da sexualidade normal, não somos capazes de fixar regras razoáveis para a sexualidade”, dizia em seu livro Inversão sexual (1898).

revista estudos nacionais

Embora tratasse a pedofilia, junto do homossexualismo, zoofilia, necrofilia etc, como perversões doentias e perigosas, já começava a questionar os padrões de normalidade, o que o faz ser considerado um dos patronos da ideologia de gênero. Ellis pode ser considerado um impulsionador de uma série de movimentos contemporâneos, além do ativismo gay, mas também do ativismo contraceptivo, ao inaugurar a abordagem da sexualidade deslocada do seu caráter reprodutivo. O objetivo dos estudos dessa época era a descriminalização da homossexualidade mediante a sua consideração de anormalidade patológica, apesar de já estar presente o questionamento do conceito de normalidade, algo que viria a crescer no século seguinte.

 

O ativismo gay já existia por meio de seitas secretas como a Ordem de Queroneia, presidida por George Cecil Ives, que visava unir os homossexuais na luta por direitos civis e proteção contra a perseguição policial de então. A seita existe ainda hoje e conta como um dos seus objetivos a destruição da moral tradicional. Ives foi também o fundador da Sociedade Britânica para o Estudo da Psicologia do Sexo, da qual faziam parte Havelock Ellis e George Bernard Shaw.

Ao longo do século XX, muitos foram os estudos sobre o problema da pedofilia aliado ao homossexualismo. As abordagens, como a de Freud, buscavam a análise puramente cientifica e funcional da sociedade, apontando tais práticas como nocivas e prejudiciais à saúde social. Ao mesmo tempo, Freud deu início a um processo de sexualização da infância, que mais tarde começou a tomar forma através de seus seguidores. Paralelamente, no final da década de 1920, ocorriam as reuniões da Liga Mundial para a Reforma Sexual, para a qual o próprio Freud foi convidado e contou com a presença de Bertrand Russell e Dora Russell, um movimento mais ligado à eugenia e ao controle de natalidade. Tais reuniões criaram as bases do que hoje é aplicado em matéria de Educação Sexual e era organizado por ativistas como o médico Magnus Hirschfeld, ativista homossexual. Os defensores da ideia da “reforma sexual” ligavam-se às escolas funcionalistas e neomalthusianas. Tinham o claro objetivo da “racionalização” da atividade sexual, separando-a da função procriativa, em um contexto histórico de preocupação com avanço populacional.

A primeira abordagem de defesa da pedofilia veio por meio de um colaborador do dr. Freud, que se tornou quase um patrono da educação mundial: Wilhem Reich, membro do Partido Comunista Alemão. Em seu livro People in Trouble, no capítulo chamado Organizando a política sexual na Alemanha, Reich estimou existir na Alemanha daquela época aproximadamente oitenta organizações independentes estudando o tema sexual, com cerca de 350 membros. Em geral, reivindicavam direito ao aborto, controle de natalidade e fim da repressão ao homossexualismo. Reich percebeu que essas organizações falhavam no tratamento do problema da sexualidade na juventude e erravam ao não direcionar uma abordagem crítica radical nas estruturas de instituições como o casamento e a família.

Havia um embate entre duas correntes de pensamento muito influentes no início do século XX: funcionalistas e marxistas. Os funcionalistas, adeptos do conceito de reforma sexual, herdeiros dos neomalthusianos. Era a linha reacionária e cientificista, moderna, cujo objetivo estava no controle populacional, na racionalização da vida e administração funcional da sociedade. De outro lado, os marxistas propunham a abordagem da crítica total, da modernidade, da família, interessados na revolução social com fins na sociedade igualitária. Para isso, muitos (como Reich) acreditavam que a derrubada da superestrutura burguesa só poderia se dar por meio da destruição do conceito de família, já que, como dizia Engels em seu livro célebre A origem da família, da propriedade privada e do estado, o pátrio poder familiar, tal como a estrutura familiar tradicional, era a base real, o lastro, da propriedade privada e, com isso, do poder estatal burguês. Funcionalistas e marxistas se confrontavam em uma guerra que caminhava, dialeticamente, na mesma direção. Reforma sexual de um lado, revolução sexual de outro.

Em 1933, no livro Charater Analysis, Reich defendeu que a liberação sexual era o único caminho para haver saúde sexual, sem as quais, nenhuma reforma política teria êxito. De acordo com Anthony Giddens, “embora defendesse a igualdade da expressão sexual para as mulheres, [Reich] deu particular atenção aos direitos sexuais das crianças e dos adolescentes. Deve ser dado às crianças o direito de se envolver em jogos sexuais com outras crianças e também o direito de se masturbar; devem também ser protegidas do domínio de seus pais. Os adolescentes devem ter a oportunidade de satisfazer as suas necessidades sexuais sem qualquer controle, para que possam ser os agentes da futura mudança social”.

Reich era radicalmente contra a monogamia, defendendo “relacionamentos amorosos não orientados pela lei, mas pelo amor”. As crianças deviam ser criadas por comunidades estendidas, que as libertassem das “neuroses de seus país biológicos”.

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Outros tópicos da reportagem completa, na revista:

  • Alfred Kinsey;
  • Marcuse e a Revolução Sexual;
  • Ocultismo e a pedofilia
  • Ativismo pedófilo na universidade;
  • O ativismo na política;
  • A ideologia de gênero e a sexualização das crianças

 

Redações em espiral: a sociologia do jornalismo

Em uma época em que o reforço psicológico, a auto afirmação, fazem as vezes de valores morais, não há maior apóstolo da credibilidade jornalística do que o próprio jornalista. Ele é, portanto, a vítima mais indefesa e mais submetida às forças psicológicas que se distribuem pela sociedade contemporânea. E, portanto, a quem menos se deve dar crédito.

Toda a vida moderna gira em torno da socialização, do afago a egos cada vez mais sedentos de confirmação, autoimagens hiper sensíveis e à beira do pânico diante da possibilidade de rejeições, medo do isolamento que representaria a morte social. O autoengano, neste sentido, torna-se uma prática diária de sobrevivência. O sociólogo David Riesman diagnosticou esse fenômeno em sua obra A multidão solitária, publicado na década de 1950, no qual destacava a ascensão de um novo caráter social que chamou de alterdirigido, isto é, dirigido pelo outro. Desde a época das suas primeiras observações a respeito, o foco no ambiente social aumentou drasticamente. Hoje, ninguém pode estar totalmente imune ao juízo público. Nas palavras da politóloga Elisabeth Noelle-Neumann, quem mostra-se indiferente à opinião pública é ou um louco ou um santo.

Se estamos todos individualmente submetidos a essa pressão latente, um dos principais veículos responsáveis por disseminar a homogeneização das opiniões e crenças é a grande mídia, representada especificamente pelos meios noticiosos ou pretensamente informativos. Esses meios possuem, eles próprios, um ambiente no qual são produzidas as informações como atividade profissional, mas também social. Assim como nas ruas, nas repartições, no ponto de ônibus, na fila do banco ou no caixa do supermercado, as redações dos jornais fornecem um ambiente social especialmente fértil à transmissão de comportamentos e condutas imitativas. O jornalista está sujeito às mesmas forças que o restante da opinião pública, mas carrega consigo muito mais motivos para depositar credibilidade no seu próprio trabalho, pelas mesmas razões psicológicas presentes no restante da sociedade: a auto-afirmação, o desejo mimético de pertencimento à classe dos informadores e a solidariedade da categoria. Mas há algo mais.

Universidade: onde tudo começa

Formado por pessoas oriundas das universidades, locais em que hoje vigora o vício em álcool, drogas como maconha e opiniões superficiais, o jornalista chega à redação com crenças tanto mais firmes e convictas quanto menos fundamentadas em fatos ou experiências. O ambiente universitário, especificamente o do jornalismo, fundamenta-se na disseminação de uma imagem de sociedade que independe de experiências ou vivências reais. Pelo contrário: toda experiência real deve, por força e pressão do pertencimento à nova classe, ser moldada e ressignificada dentro das categorias presentes na imagem ideológica de sociedade que foi aprendida em sala de aula. E a força persuasiva dessa imagem não está de forma alguma na força dos seus postulados, no rigor da observação, tampouco na credibilidade intelectual ou pessoal do professor. A maior força de persuasão está no próprio compartilhamento das crenças pelos membros do grupo, uma vez que isso fortalece, não a crença ou conjunto de crenças em si mesmos, mas o pertencimento do indivíduo àquela comunidade pretensamente pensante.

O fator catalizador das ideias e opções ideológicas e idealistas está, sem sombra de dúvida, na permanente e onipresente socialização a que o estudante universitário se vê submetido desde a entrada às portas daquilo que crê ser o “templo do conhecimento”. Hoje as universidades estão rodeadas de bares e cervejarias, bem o contrário do que um ingênuo observador poderia supor ao imaginar um campus circundado por livrarias, cafés e museus. A vida universitária de nossas cidades foi, já há algumas décadas, reduzida àquilo que antes era reservado aos estratos mais baixos da vida urbana, às periferias não apenas geográficas mas morais. O mundo ordinário do estudante há muito deixou de ser o das letras e das artes para precipitar-se à mais baixa escala de existência. Uma mudança deste tipo, de graves consequências para milhares de vidas individuais, não pode ser deixado de fora quando tentamos compreender o conteúdo abjeto de notícias advogando crimes como pedofilia, uso de drogas e assassinatos. Também não nos deve impressionar uma decadência deste tipo.

Cada vez mais estudos apontam para uma verdadeira epidemia de depressão e ansiedade em estudantes universitários. Até mesmo casos de esquizofrenia e surtos psicóticos não são raros. A exposição a drogas e socialização constante produz evidentemente um aumento nos níveis de ansiedade e demandas maiores por atividade social, o que no meio universitário é facilmente confundido com estudo, atividade social, ativismo e uma gama de coisas vistas hoje somente em seu caráter positivo.

A redação

Chegada a formatura, o jornalista recém formado se crê no direito de ser contratado pelos jornais proeminentes e, tão logo o consiga, sabe que tem o dever de transformar a sociedade naquilo que seus professores o ensinaram. Mas, chegado ao ambiente social da redação, tudo muda. Até mesmo o idealismo universitário pode ser deixado de lado em nome da adaptação social ao novo grupo. O chefe, o colega, os “famosos” da redação, os exemplos dos quais todos falam, aquele repórter premiado que passa na redação distribuindo brincadeiras íntimas sem, no entanto, aceitar muita proximidade. O recém chegado adoraria ser amigo dele. Eis o objetivo profissional inicial e imediato. Tão logo se tornar aceito e integrante daquelas brincadeiras, será notado pelo editor-chefe. Este é o critério inicial e a demora ou incapacidade de perceber isso pode representar a ruína ou o ostracismo editorial: ser relegado à diagramação ou a algum outro setor já previamente estigmatizado como depósito de inúteis sociais. O inútil social é alguém que não foi capaz de conquistar o sorriso do chefe (ou dos colegas que o fizeram) ou não atraiu para si qualquer interesse ou simpatia, o que indicaria a submissão às ordens dadas sempre em tom de confiança. Ordens estas que significam obviamente opções muito claras em direção a políticas editoriais vindas de cima. Em suma: todos precisam demonstrar afabilidade e flexibilidade extremas, que beiram o puxa-saquismo e a tolerância com humilhações, para comprovar a sua utilidade a um sistema de obediência absurdamente rígido, mas que aparenta ser apenas um jogo social necessário ou inevitável.

O problema por trás do que chamamos muito genericamente de “militância esquerdista nas redações”, não é uma questão ideológica. O que viabiliza toda a transmissão de ideias é, na verdade, a submissão psicológica, a dependência social em que indivíduos são cooptados não em nome de ideais, mas da sua sobrevivência social e profissional. Uma minoria dos jornalistas e repórteres possuem crenças fixas e convictas. A grande massa disforme de profissionais está apenas sujeita a uma rede de ameaças emocionais que forma um sistema psicótico de produção de histéricos em série. Nada disso pode ser possível sem aquela dependência longamente construída na universidade, regada a muito álcool, drogas e uma vida moral pautada pela imitação de comportamentos, incrementos à hipersensibilização, distanciamento da realidade e confusão entre realidade e mundo social abstrato.

Imagem: “O mundo é governado pela opinião”. Gravura publicada em 1641, representando a opinião pública regada pelos jornais, comandada pelo governante.

Cura para o fake news: como funciona a guerra da informação

Manchetes da última semana chegaram a contradizer objetivamente a realidade, dando exemplo de uma manipulação intencional e ideológica contra a atividade profissional dos psicólogos e, principalmente, às custas do sofrimento de seus pacientes. O que o jornalismo tem a ver com isso?

A grande mídia brasileira foi responsável, nessa semana, por mais um episódio do grande ‘case de fake news‘: a chamada”cura gay”. A expressão surgiu há alguns anos para caracterizar o projeto de lei que possibilitava o tratamento psicológico de homossexuais que desejassem deixar de sê-lo, o que vinha sendo proibido por órgãos como o Conselho Federal de Psicologia, sob acusação de preconceito. O assunto morreu por algum tempo, enquanto o projeto permanece parado. Voltou a partir de uma ação popular impetrada contra o CFP, e da liminar de um juiz permitindo o tratamento de homossexuais que tivessem interesse.

Mas na última semana, as manchetes chegaram, em diversos casos, a contradizer objetivamente o que de fato ocorreu, mostrando claramente, como que em um exemplo didático, como é feita a guerra da informação por meio do fake news.

O tratamento dado pela mídia acaba sendo um preconceito com as pessoas homossexuais que se encontram em estado de sofrimento com a sua condição. Em nome de uma agenda de “orgulho gay”, a imprensa age de modo irresponsável promovendo mais sofrimento a essas pessoas e negando-lhes o direito de serem tratadas como gostariam.

A alegação central, manifestada em muitos títulos e manchetes da mídia, acusa a decisão de considerar o homossexualismo uma doença que precisa ser curada. Esquecem que quem falou em “cura” foram eles, justamente na tentativa de acusar quem quer que falasse no assunto de preconceituoso. Uma manobra que revela o modo de ação das milícias ideológicas espalhadas pelas redações.

Vejamos os títulos das matérias de cada grande jornal, lembrando que o título é um excelente termômetro do viés midiático, uma vez  que ele permite discernir o tom e a ideia central que o veículo quer imprimir na mente do público.

O tempo – Justiça Federal permite tratar homossexualidade como doença
Veja – Justiça permite tratar homossexualidade como doença
G1 – Justiça gera polêmica: permite tratar homossexualidade como doença
Folha – Justiça concede liminar que permite tratar homossexualidade como doença
F5 – Famosos se manifestam contra a decisão de tratar homossexualidade como doença
Estadão – Juiz libera cura gay por psicólogos

O uso do termo “cura gay” também foi encontrado em diversos veículos, tentando passar a ideia de que a decisão judicial seria preconceituosa e discriminatória:

Época(Globo) – Cura gay: “Reorientar gays é como embranquecer negros contra o preconceito”, diz psicólogo
Correio Braziliense – Ex-alunos de juiz que permitiu cura gay criticam posicionamento do docente

Mas o que diz a decisão do juiz?

O juiz teve o cuidado de declarar em sua decisão que: “a homossexualidade constitui variação natural da sexualidade humana, não podendo ser, portanto, considerada como condição patológica” (grifo nosso).  Portanto, a decisão judicial que motivou o fenômeno midiático, começa mostrando claramente que NÃO cabe falar em “cura gay” ou “homossexualidade enquanto doença”.

A ação foi movida para atender o anseio de pessoas que são homossexuais ou estão confusas e desejam ter auxílio psicológico. Contudo, devido a uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), os psicólogos estavam impedidos de auxiliar esse pacientes.

Por isso, a decisão judicial foi enfática e pontual ao deliberar que não se pode “privar o psicólogo de estudar ou atender àqueles que, voluntariamente, venham em busca de orientação acerca de sua sexualidade, sem qualquer forma de censura, preconceito ou discriminação”. Ou seja, a decisão visa dar um direito aos homossexuais que desejam ter esse tipo de tratamento.

Apesar disso, a esmagadora maioria das manchetes, no início dessa semana, dizia o contrário. Como é o caso da matéria da Exame, no dia 18, redigita como: Justiça do DF permite tratar homossexualidade como doença

 

Artilharia de Fake news perde terreno e dá o braço a torcer

Após gerar grande polêmica na internet, muitas pessoas foram até a decisão judicial e perceberam que a mídia estava forçando a barra. Até mesmo gays, ex-gays e transexuais se manifestaram na internet mostrando que as manchetes estavam completamente fora de contexto. Assim, alguns dias depois do estouro das manchetes, começaram a surgir matérias em grande sites de notícia amenizando o tom e contando com alguma objetividade.

Exame (21/09): Juiz diz que decisão não trata homossexualidade como doença
UOL (21/09): Juiz que autorizou “cura gay” diz que decisão teve interpretação “equivocada”
Diário de Pernambuco: ‘Cura gay’: Juiz afirma que em ‘nenhum momento’ considerou homossexualidade como doença

Fake News e guerra informativa

O funcionamento da mentira, no jornalismo, conta com uma excelente estrutura de justificativas. Os jornais se sentem muito à vontade para afirmar que reportaram “a primeira impressão” e, com isso, repercutir a parte mais sensacionalista, isto é, mais apelativa de um fato. Depois, feito o estrago, trata de aprofundar a questão, dando ares de objetividade e análise crítica. Obviamente, o efeito disso é que, na segunda fase, o público já perdeu o interesse pelo assunto, ficando apenas a sensação inicial, do escândalo da primeira impressão. Esse processo formata, na opinião pública, uma imagem do fato e dos envolvidos, um estereótipo, como diria Lippmann, que em futuras referências ao tema, voltará com toda a força, motivado pela necessidade de simplificação dos personagens e fatos.

Daqui há seis meses, quando por algum motivo os jornais voltarem ao assunto, os leitores recorrerão à imagem mais simplificada da questão, motivados a encaixá-la em um novo episódio da narrativa dada, e não à expressão mais complexa e objetiva do final da cobertura, que seria mais difícil articular. A simplificação, como vemos, é a chave da manipulação e gera uma adequação do leitor à mensagem simplificada e estereotipada, o que facilita todo o processo.

É fácil, portanto, justificar tudo isso como sendo parte da atividade jornalística, o que de fato é verdade. Isso porque os jornalistas internalizaram a técnica e o processo e conseguem usá-lo para os fins da sua agenda ideológica e gostos particulares.

As agendas internacionais se tornaram pauta jornalística garantida desde o final dos anos 1990, quando a atividade jornalística precisou do aporte financeiro do chamado Terceiro Setor, vendo-se refém não mais de venda de produtos dos seus anunciantes, mas da venda das ideias da rede global de ONGs pelo mundo. É o que chamam globalização da comunicação.

 

Colaborou: Marlon Derosa