Democracia no Reino Unido em risco: Parlamento Britânico rejeita acordo do Brexit de Theresa May

Theresa May durante voto na House of Commons, 12 -03 - 2019. PRU/AFP/GETTY IMAGES

LONDRES: O parlamento britânico rejeitou agora pouco o acordo que possibilitaria a saída do Reino Unido da União Europeia, proposto pela Primeira Ministra Theresa May. O impasse em torno de como se daria o divórcio conhecido como Brexit pode colocar em risco a democracia britânica, uma vez que o voto popular obtido no referendo de Junho de 2016, pode acabar por ser adiado, corrompido ou mesmo revertido.

Faltando pouco mais de duas semanas para a data oficial marcada para a saída do Reino Unido da União Europeia, 29 de março, o país que nos deu a Magna Carta, John Locke, Adam Smith, Peter Burke, o pensamento conservador e Winston Churchill, encontra-se em uma encruzilhada política digna de país de terceiro mundo.

A nação que se preza pelo pragmatismo, pelo respeito com as instituições e com a democracia; com projeto e programação; não sabe se dentro de pouco mais de 15 dias ainda será parte da União Europeia, se estarão divorciados, se haverá uma extensão ao prazo de negociações diante do impasse no parlamento britânico, se haverá um segundo referendo – e se voto popular terá sido traído – ou se todo o processo não terá passado de uma aventura para testar o conformismo ou a rebeldia da população.

Enquanto o Partido Conservador de Thereza May se despedaça para entregar um Brexit que não atende nem o voto popular nem os objetivos de seu próprio partido, o Partido dos Trabalhadores – Labour – do socialista Jeremy Corby, mal consegue se levantar para lidar com as acusações pesadas de antissemitismo que assolam o partido e que nas últimas semanas já causou a saída de uma dúzia de parlamentares, enquanto os remanescentes tentam forçar um novo referendo, rejeitando o resultado popular.

No meio desta encruzilhada, os britânicos que por maioria decidiram em votação em junho de 2016 pela saída do Reino Unido da União Europeia no referendo colocado para o voto popular pelo então primeiro ministro David Cameron, cumprindo uma promessa de campanha de um tema com anseio popular, vê as chances de sua manifestação democrática se concretizarem cada vez mais reduzidas.

Ou escuta-se as vozes dos cidadãos ou força-se sobre eles aquilo que o Estado e seus grupos aliados afirmam ser o melhor para as pessoas? O fato de Reino Unido de Winston Churchill – o homem que derrotou o Nacionalista Socialista Adolf Hitler – não saber como lidar com esta situação, releva o estado deprimente das democracias no ocidente.


 
 

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