Críticas à Igreja e crise política marcam visita do Papa a Chile e Peru

Críticas à Igreja e crise política marcam visita do Papa a Chile e Peru

15/01/2018 0 Por Estudos Nacionais

Diversos ataques a igrejas católicas ocorreram nos últimos dias na capital Santiago, desde que foi anunciada a visita do Papa Francisco ao país. Um dos ataques incluía um explosivo e um aviso: “Francisco, a próxima bomba estará na tua túnica”. O governo chileno garante, porém, toda a segurança do líder da Igreja Católica. As visitas ao Chile e ao Peru ocorrem em plena onda de protestos pela nomeação do padre Juan Barros como bispo de Osorno, apesar das acusações de que facilitou e encobriu os abusos sexuais a adolescentes do sacerdote e do seu antigo mentor Fernando Karadima. No Peru, o pontífice também aparece em um momento delicado: a crise política desencadeada pelo indulto do presidente Pedro Pablo Kuczynski a Alberto Fujimori.

O pontífice deve chegar nesta segunda-feira (15) à capital Santiago, onde se reunirá com a atual presidente Michele Bachelet e o presidente recém eleito Sebastián Piñera. O Chile é o país da região mais afetado pelas denúncias de crimes sexuais de padres e isso afetou a credibilidade da Igreja – que era elevada pela defesa da justiça e dos direitos humanos durante a ditadura de Pinochet (1973-1990). A recente nomeação do bispo Juan Barros como bispo de Osorno, causou enorme indignação entre os chilenos e grandes protestos. Diante dos protestos, o próprio Papa chegou a manifestar que os habitantes da cidade de Osorno estão dando ouvidos a políticos.

Uma sondagem do Latinobarómetro revelou que o número de chilenos que se consideram católicos caiu para 45% no ano passado face aos 74% em 1995.

No Peru a situação não é melhor. Recentemente, o Vaticano assumiu o controle de uma entidade católica cujo fundador, o leigo Luis Figari, é acusado de abusos sexuais e físicos a menores e antigos membros da entidade.

Mas a crise política que ocorre no país foi desencadeada pelo indulto do presidente de direita Kuczynski ao antigo presidente Fujimori. O ex-presidente, com 79 anos, cumpriu menos de metade da condenação a 25 anos por corrupção e crimes contra os direitos humanos durante os seus mandatos (1990-2000). Foi indultado por razões de saúde na véspera de Natal pelo presidente, depois de este escapar a um processo de destituição no Congresso por ligações com a construtora brasileira Odebrecht (que distribuiu subornos pela região). O indulto foi possível graças à abstenção de dez deputados fujimoristas. Muitos peruanos ainda apoiam o ex-presidente, considerando que ajudou a pacificar o Peru e recuperou a economia.