Britânica de 19 anos perde cidadania ao ir para a Síria apoiar o ISIS

João Corrêa Neves Junior

LONDRES – Em um ato de suprema coragem, há muito estranha ao cotidiano britânico em tempos de relativismo moral, o Ministro do Interior do Reino Unido, Sajid Javid, do Partido Conservador, destituiu a cidadania da jovem Shamima Begum, que em 2015 deixou o Reino Unido e partiu para a Síria para apoiar o grupo terrorista ISIS.

Begum desejeva retornar ao Reino Unido, em um momento em que o califado Islâmico se esfaçela. A jovem de 19 anos havia pedido, por meio de emissoras de TV, a “simpatia” e a “compaixão” dos britânicos, os quais segundo Begum deveriam recebe-la de volta no Reino Unido para que ela pudesse viver junto de seu filho recém-nascido, já que o marido teria sido capturado por soldados sírios.

A decisão do Ministro Sajid Javid parece ter sido uma das poucas medidas governamentais recentes – em um momento em que o Reino Unido se divide sobre a questão do Brexit – que consegue unir uma vasta camada da população britânica, que já vinha manifestando repudio diante da possibilidade do retorno da jovem apoiadora da organização terrorista, sobretudo por conta da forte campanha publicitária, que contou com grandes grupos de comunicação, e que transformara a jovem Begum em uma espécie de “sweetheart inglesa” que merecia o resgate e o acolhimento do país o qual abandonou para se radicalizar na Síria.

Por de meio de seu ministério, Sajid Javid oficializou a entrega dos avisos formais aos familiares e ao advogado de Begum, Tasnime Akunjee. Em suas entrevistas para as emissoras de TV, a jovem não esboçou nenhum tipo de remorso face ao seu apoio ao Estado Islâmico.

Begum admitiu que sabia que o grupo estava realizando decapitações e execuções antes de deixar o Reino Unido, acrescentando que ela considerava as ações “aceitáveis”, incluindo do ponto de vista “religioso”. Na segunda feira, as comparações de Begum sobre o ataque suicida na Arena Manchester, que vitimou quatro pessoas inocentes – Courtney Boyle, Philip Tron, Chloe Rutherford e Liam Curry – com os bombardeios na Síria, que tinham como alvo os terroristas islâmicos, causou grande revolta e comoção popular em todo o país, ainda em luto pelos atentados que assolaram o Reino Unido nos últimos anos.

Apesar de o advogado de Begum ter anunciado que irá recorrer, de acordo com o “Ato de Nacionalidade Britânica de 1981”, uma pessoa pode ser privada de sua cidadania se o ministro do Interior estiver convencido de que o indivíduo possa ser “ameaça ao bem público”, e se a mesma não vier a se tornar apátrida como resultado, o que seria o caso de Begum, que nasceu em Londres, mas é de origem de Bangladesh.

Um porta-voz do Ministério do Interior disse:

“Nos últimos dias, o secretário do Interior afirmou claramente que sua prioridade é a proteção e a segurança da Grã-Bretanha e das pessoas que moram aqui”.

O Ministro Savid Javid disse aos parlamentares no início desta semana que mais de 100 cidadãos binacionais já haviam perdido sua cidadania britânica após viajar em apoio a grupos terroristas.

No ano passado, dois homens britânicos, acusados de serem membros de uma célula do IS apelidada de “The Beatles”, foram destituídos de sua cidadania após serem capturados na Síria.


 
 

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