Livro usado pelo MEC ensina a falar errado

Há uma corrente neo-construtivista da educação que defende a tolerância com a “norma popular” da língua falada. Este livro do MEC vai mais longe, ele fundamenta e defende a não necessidade da norma culta para o português e ensina as crianças como falar errado.

ULTIMO SEGUNDO – PODER ON LINE | Livro didático de língua portuguesa adotado pelo MEC (Ministério da Educação) ensina aluno do ensino fundamental a usar a “norma popular da língua portuguesa”.

O volume Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender, mostra ao aluno que não há necessidade de se seguir a norma culta para a regra da concordância. Os autores usam a frase “os livro ilustrado mais interessante estão emprestado” para exemplificar que, na variedade popular, só “o fato de haver a palavra os (plural) já indica que se trata de mais de um livro”. Em um outro exemplo, os autores mostram que não há nenhum problema em se falar “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”.

Ao defender o uso da língua popular, os autores afirmam que as regras da norma culta não levam em consideração a chamada língua viva. E destacam em um dos trechos do livro: “Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para norma culta como padrão de correção de todas as formas lingüísticas”.

E mais: segundo os autores, o estudante pode correr o risco “de ser vítima de preconceito linguístico” caso não use a norma culta. O livro da editora Global foi aprovado pelo MEC por meio do Programa Nacional do Livro Didático.

Inclusão

Os autores cunham o termo “preconceito lingüístico” almejando criar uma “classe” de exluídos, dominados e dominadores com base nas normas lingüísticas. Parece almejarem criar mais um conflito na sociedade, entre os da norma culta e os da norma popular, para fomentar, como sempre, uma luta de classes em escala cultural.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
3 respostas
  1. Sanderley Lobato
    Sanderley Lobato says:

    A violência intelectual é até mais grave que a física. Esse livro aprovado pelo Ministério da (des)Educação é um acinte para todos os usuários da língua portuguesa (os lusófonos). É por isso que o Brasil vai de ladeira abaixo, na questão da educação. Alguém deve estar ganhando muito com isso. Parafraseando Boris Casoy: isso é uma VERGONHA.

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  2. Joao Marcos
    Joao Marcos says:

    Tal obra aprovada pelo MEC é uma demonstração nada sutil de que os (des)Governantes querem, cada vez mais, criar pessoas manipuláveis pelo sistema. Se no passado as pessoas eram vilipendiadas pela falta de instrução, com um pequeno avanço na educação demonstrada pelo INEP (que por sinal é do MEC) nos últimos anos, a população ganharia mais força, o que é ruim para o Estado manipulador. Estamos retroagindo, transformando o Estado Democrático de Direito numa ferramenta dos poderosos, re-transformando o país em capitanias hereditárias.

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