A carta da esposa de Ustra, os livros do coronel e o depoimento de uma atriz socialista

A carta da esposa de Ustra, os livros do coronel e o depoimento de uma atriz socialista

24/09/2018 11 Por Estudos Nacionais

Desde que o Dep. Jair Bolsonaro votou em favor do impeachment de Dilma dedicando seu voto à memória do Coronel Brilhante Ustra, o livro “A verdade sufocada” passou a ser conhecido e a história recente do Brasil passou a ter duas versões. Até então, para o grande público, apenas uma versão era contada – a versão daqueles que estavam do lado comunista.  Além do livro A Verdade Sufocada, disponível para download na internet, o Cel. Ustra escreveu  também o livro Rompendo o Silêncio, em 1987.

O livro Rompendo o Silêncio começa com uma carta da esposa do Cel. Ustra para suas filhas, datada de 1985. Em seguida, traz interessante texto do Coronel, em que o militar manifesta grande desalento por ter sido vítima de calúnias por parte da atriz e então Deputada Federal Bete Mendes. Segundo o Coronel, não houve qualquer tipo de tortura, mas pelo contrário, houve muito humanismo. Segundo a atriz, aos prantos, alega ter sido cruelmente torturada.

Quem estaria com a verdade? No site Pragmatismo Político é dado por verdade a versão da atriz.  Estaria o Coronel mentindo descaradamente? ou estaria Bete Mendes e os demais comunistas e socialistas mentindo?

bete-mendes-foi-torturada-por-brilhante-ustra-idolo-de-bolsonaroBete Mendes, na entrevista ao “Pragmatismo Político”, declara-se socialista: “Sou cidadã, atriz, socialista. O socialismo se constrói todo dia.”  A atriz admite também, que entrou no VAL Palmares, que ela mesma define como “organização revolucionária contra a ditadura militar”, mesmo grupo que participou Dilma Rousseff. Inspirava-se em uma literatura que vincula-se aos movimentos comunistas mais autoritários, como Mao e Lênin: “Em bibliotecas públicas ou pegando livros emprestados lia tudo: Rousseau, Marx, Mao, Lênin, Gorki, Aristóteles. Depois, adotei o codinome de Rosa em homenagem a Rosa Luxemburgo.”  Ao mesmo tempo, a atriz acusa os jovens de hoje que são simpáticos a acreditar na versão de Brilhante Ustra de nazistas.  Em quem acreditar?

A entrevista dada ao Pragmatismo Político, agora em agosto de 2018, é publicada como forma produzir um efeito eleitoral prático, pois traz o título “Como Bete Mendes foi torturada por Brilhante Ustra, ídolo de Bolsonaro“, o que mostra que a versão da história pode servir à interesses políticos.

Além dos livros escritos por Brilhante Ustra e sua esposa, uma jornalista outra ex-revolucionária, que participara da guerrilha do Araguaia confessou recentemente que mentiu ter sido torturada. Em artigo de 2015 na Gazeta da Semana, a ex-guerrilheira indica que de fato Ustra pode ter sido vítima de calúnia quanto as torturas.

Confira abaixo, na íntegra, dois textos introdutórios do livro “Rompendo o silêncio”, do Cel. Ustra. O primeiro, escrito por sua esposa e o segundo pelo próprio Ustra.


A REVOLTA DE UMA MULHER

Carta manuscrita por minha mulher, como introdução de um álbum organizado por ela para nossas filhas Patrícia e Renata.
Montevidéu, 02 de outubro de 1985
Patrícia e Renata
Este álbum é de caráter particular, exclusivamente para vocês, nossas queridas filhas. Nele pretendo, através de pesquisas, procurar saber o nome das organizações subversivo-terroristas que atuaram na época, de outubro de 1970 a dezembro de 1973, período em que o pai de vocês comandou o DOI/CODI de São Paulo. Os atos de terror destas organizações, como assassinatos de pessoas inocentes, atentados a bombas, assaltos a bancos, a quartéis, seqüestros, depredações e todo tipo de terror daquela época. Pretendo mostrar-lhes, se conseguir, com pesquisas em jornais, o caos que se tentava implantar no Brasil. Tentarei saber o que cada organização terrorista fez, os atos que praticou e a guerrilha urbana e rural que se implantou no país.
Estes terroristas obrigaram as Forças Armadas a se lançarem às ruas e aos campos, contra o inimigo desconhecido que se escondia na clandestinidade.
Os militares, para evitar danos maiores a inocentes, lutavam contra o tempo e o desconhecido. Eles, terroristas, lutavam contra o claro, o conhecido.
Deste combate participou o pai de vocês e lutou com honradez, honestidade e dentro dos princípios de um homem bom, puro e honesto, assim como muitos outros. Só quem passou pelo martírio de ter entes queridos envolvidos em uma luta que não iniciaram, nem procuraram mas que apenas cumpriram com seu dever, manter a ordem no país, pode saber, como eu, os momentos de medo, incerteza, terror que uma família passa. Só estas podem compreender a dor e o desespero de uma mãe e de uma esposa. Telefonemas anônimos, perseguições, ameaças, morte de amigos em combate, a dor dos entes queridos que, como nós, não tiveram a sorte de conservar com vida aqueles que amavam.
Sei e lamento que outras pessoas também passaram pelos mesmos sofrimentos de perder entes queridos, mas estes entes queridos, fanatizados, terroristas, começaram a guerrilha e os atos de terror.
Houve a guerra, e em uma guerra há mortos e feridos de ambos os lados, mas os militares não a queriam nem a iniciaram. Eles foram e são preparados para defender o Território Nacional. Foram chamados a agir e acabaram com o terrorismo no Brasil.
O terror era tanto que quando tu, Patrícia, foste para o Jardim de lnfância, eu passei todo o ano, no horário escolar, dentro do carro, na porta do colégio, pois não tinha condições psicológicas de ir para casa. Recebíamos ameacas de morte, de seqüestro e todo tipo de guerra de nervos. Tive amigos mortos e feridos em combate!
Assim mesmo, nos “porões da tortura”, como eles chamam, onde “se ouviam gritos e se mostravam presos mortos à pauladas” como eles dizem, participei e tu também, Patrícia, ainda que pequenina (3 anos) de uma pequena “obra assistencial” a algumas presas, mais ou menos seis, uma inclusive grávida. Íamos quase todos os dias. Tu brincavas com algumas enquanto eu, com outras, ensinava trabalhos manuais como tricô, crochê e tapeçaria. Passeávamos ao sol, conversávamos (jamais sobre política), levava tortas para o lanche feitas pela minha empregada. Enfim, as acompanhávamos.

Fizemos sapatinhos, casaquinhos, mantinhas para o bebê e com uma lista feita no DOI pelo “torturador” Ustra compramos um presente para o bebê. Ele nasceu no Hospital das Clínicas, se não me engano em outubro de 1973 ou 1972 (verificarei depois), tendo o “centro de torturas” mandado flores à mãe, e eu e tu, Patrícia, fomos vistá-los. Era um homenzinho lindo e forte.

Minhas filhas, os aniversários delas eram sempre comemorados com bolos e festinhas. Os Natais e Anos Novos jamais passamos em casa, durante os quatro anos que o pai de vocês comandou o DOI, sempre foram passados lá (o pai, eu e tu, Patrícia, Renata não era nascida). Tu, Patrícia, às vezes a pedido das presas, ficavas sozinha com elas. Daí o artigo que pode ser encontrado neste álbum “Brinquedo Macrabro” do jornalista Moacyr O. Filho, que diz que teu pai te deixava com as presas que acabavam de ser torturadas. Se fossem torturadas, como ele diz, como podiam ter bom relacionamento com os integrantes do órgão e como podiam aceitar, e não só aceitar, mas reclamar a nossa presença, quando por algum motivo, falhávamos um dia?
Pena que não tivessem os integrantes do órgão, a malícia dos terroristas!… Porque, se tivessem, fotografariam ou filmariam tudo, e casos como Bete Mendes (que não tive o desprazer de conhecer, enquanto presa) seriam comprovados como mentirosos.
Sinto o nome de uma família inteira: pais, mães, sogros, irmãos, mulher e filhas, enxovalhados, e como o militar não pode e não deve, por regulamento disciplinar do Exército, se defender, tomo eu, exclusivamente eu, a iniciativa de deixar para vocês, nossas filhas, este álbum, de caráter particular, com tudo que puder vir a reunir, além do Livro de Alteracões do pai de vocês, condecorações por arriscar a vida, elogios, para que, como eu, se orgulhem, acima de tudo, de se chamarem BRILHANTE USTRA.
Um nome, cujo único erro cometido, foi cumprir com seu dever e, principalmente, cumprir bem: com honra, com dignidade e humanidade, lutando sempre para evitar males maiores do que os que se passavam no momento.
Compartilho a dor dos pais, mães, parentes, enfim, dos que por infelicidade perderam seus entes queridos, fanatizados por ideais que não me compete julgar, e que não deviam ter usado a violência para tentar consegui-los, mas não posso deixar de me revoltar contra as calúnias jogadas sobre um homem bom, como o pai de vocês.
Beijos
Maria Joseíta S. Brilhante Ustra

ALÉM DE UMA CALÚNIA,
UMA INGRATIDÃO
A CALÚNIA

No dia 17 de agosto de 1985 todos os jornais do país, em manchete de primeira página, publicaram as violentas acusações feitas contra mim pela Deputada Federal Elizabeth Mendes de Oliveira, Bete Mendes. As televisões, nos horários nobres, sacudiram a opinião pública mostrando, num quadro chocante, aquela senhora chorando copiosamente enquanto era entrevistada. As principais revistas do país também se solidarizaram com a Deputada. Articulistas de renome condenaram-me com veemência.

Em carta encaminhada ao Presidente da República, Bete Mendes, além de afirmar taxativamente que fora por mim torturada, mostrava o seu constrangimento por “ter que suportá-lo seguidamente a justificar a violência cometida contra pessoas indefesas e de forma desumana e ilegal como sendo para cumprir ordens e levado pelas circunstâncias do momento”.
No Uruguai, onde eu exercia as funções de Adido do Exército junto à Embaixada do Brasil, o assunto também foi amplamente publicado pela imprensa.
A opinião pública estava estarrecida com o constrangimento a que uma Deputada Federal, como membro da comitiva oficial do Presidente da República, fora submetida quando encontrou-se, frente a frente, com o homem que, quinze anos antes, a “torturara”.
Em Montevidéu, fui obrigado a retirar minha filha, de 15 anos, do colégio onde estudava, devido ao clima de hostilidade que passou a sofrer.
Em Santa Maria, meu pai com 84 anos e minha mãe com 74 recebiam ameaças que levaram o meu irmão, Coronel Renato Brilhante Ustra, a deixar por alguns dias o Comando da Escola de Educação Física do Exército, a fim de dar a necessária assistência aos nossos pais.
A imprensa, parlamentares, movimentos em defesa dos Direitos Humanos, associações de classe, exigiram o meu retorno ao Brasil. Paralelamente, aqueles que combateram o terrorismo eram apresentados ao país como assassinos e corruptos. Ao mesmo tempo, os subversivos e os terroristas eram mostrados como pessoas indefesas que sofreram porque lutavam contra a ditadura.
Houve até o caso do ex-terrorista Theodomiro Romeiro dos Santos (Marcos), militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que foi recebido como herói quando regressou do exterior, onde se refugiara. Theodomiro fora condenado à morte (existia pena de morte naquela ocasião) porque matou com um tiro na nuca o Sargento da Força Aérea Brasileira, Valder Xavier de Lima, que ao volante de um jipe o transportava preso. Agora o nosso Sargento Valder, de vítima do terror passara a ser taxado de agressor de um indefeso.
Com a conivência e a participação da Deputada BETE MENDES fora montada uma das maiores farsas a que este pais já assistiu.
Para denegrir o Exército, dentre muitos que combateram o terrorismo, fui o escolhido. Um militar que lutou contra a Guerrilha Urbana em São Paulo, durante quatro anos.
Para a máxima repercussão, não poderia haver ocasião mais oportuna que o aproveitamento da visita do Presidente da República ao país onde eu exercia as funções de Adido do Exército junto à Embaixada Brasileira.
Nada melhor do que uma atriz para representar o papel de vítima. Nada melhor do que uma Deputada Federal para caluniar, escudada nas suas imunidades parlamentares.

Continue lendo o livro Rompendo o silêncio, disponível para download pelo site “A Verdade Sufocada”.