Os riscos da democracia

O senador Jarbas Vasconcelos (PMBD/PE), em seu pronunciamento do dia 13/03 afirmou que os senadores precisam reagir contra o autoritarismo do presidente Lula. “Ele tem uma formação autoritária”, disse o senador. Vasconcelos é um senador que raramente vai à tribuna, mas garantiu neste discurso, que vai aumentar a frequencia de suas aparições e recomendou maior empenho do Senado “para não chorar depois”.
Durante o pronunciamento, o senador amazonense Arthur Virgílio (PSDB) elogiou a atitude do senador Vasconcelos e reafirmou que as atitudes de Lula não são “de graça”. São premeditadas e têm o objetivo consciente de desmoralizar as instituições democráticas do País. O tucano alertou para o perigo de entrarmos “em uma noite de profunda escuridão, cujo nome nem falamos”, o que apontou como uma grande ameaça à democracia brasileira. Foi Virgílio que, durante a crise diplomática na América Latina, divulgou o relatório do site World-Check sobre o envio de 31 toneladas de armamento do Brasil para a Venezuela a bordo de aviões da TAM. Sua denúncia, no entanto, não foi explorada pela mídia nacional.
Enquanto isso nos EUA, o congresso aumenta a pressão para incluir a Venezuela na temida lista das nações-terroristas como a Síria, Irã e Coreia do Norte, outro assunto sonegado pela imprensa nacional, mesmo com a presença da secretária de Estado Condolezza Rice no Brasil.
Os senadores da República já percebem a gravidade do momento pelo qual passamos e sinalizam que é necessário bater de frente contra um inimigo que ainda não está declarado. Este inimigo é o autoritarismo. Mesmo que não seja dito abertamente, muitas declarações mostram que a maior preocupação está com a democracia. Até mesmo o presidente do Senado Garibaldi Alves, passou a apoiar a resistência ao que chamou de crescimento do Executivo, o culpado pelos constantes conflitos entre os poderes. Se o avanço do Executivo virou preocupação do presidente Garibaldi é porque o problema chegou a proporções ameaçadoras, pois o atual presidente, desde o início de seu mandato, tem mostrado conivência com o executivo de Lula, talvez devido ás preferências do Planalto pela sua nomeação.
O fato é que a democracia possui riscos tamanhos que não seria suficiente saber dos seus perigos imediatos. É necessário antevê-los por meio de mecanismos que façam parte da praxis democrática e adiantar-se conforme a prudência recomenda. Agora, em um momento em que o ditador possui tamanho apoio popular, parece meio tarde para fazer-se algo que permaneça dentro da praxis democrática. A esperança, no entanto, nos faz crer que o Brasil possui ainda uma legião de democratas escondida em algum lugar, que fará ressurgir das cinzas os ideais verdadeiramente democráticos. Talvez esteja aí a chance de criar-se no país uma autêntica corrente que represente os valores da ‘direita’, dominado por anos pela social democracia ou o mero ‘neo-liberalismo’.
Uma outra direita começa a ser desenhada para um futuro distante, mas por enquanto a única que existe é a representada pelo senador Jarbas Vasconcelos, a dos coronéis nordestinos de bengala. Essa direita não possui sustentação no mundo de hoje e, se não for substituida pelos verdadeiros conservadores, aqueles que poucas vezes existiram no Brasil, o futuro será negro. Quando o senador acusa o presidente Lula de ter uma ‘formação autoritária’, ele diz uma verdade que deve ser dita. Mas esquece que a sua direita está perigosamente associada á ditadura e, até por ter sido opositor dela, jamais terá coragem para denunciar os esquerdistas brasileiros pelos verdadeiros crimes que eles cometeram. Nunca terão fibra para se posicionarem a favor do ocorrido em março de 1964 quando a população pediu a intervenção do exército para neutralizar a ameaça comunista que se levantava. E não terá coragem, muito menos, que acusar os atuais dirigentes do país pelos crimes que eles cometeram enquanto faziam parte das guerrilhas comunistas, em seus assaltos, sequestros e mortes de pessoas inocentes, tudo pelo partido. O terrorismo na América Latina tem história. Uma história longa e de grandes feitos. Está nas mãos dos senadores e da ‘direita’ do Brasil, o futuro dessa epopéia sangrenta que se for deixada no poder, vai crescer e transformar-se na história vitoriosa do mal sobre o bem.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

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