ONGs e “sociedade civil organizada”

Jornal Ilha Capital – Novembro/2010

Não é de hoje que ambientalistas e ONGs lutam para barrar o desenvolvimento capitalista para depois acusá-lo de explorador da pobreza e ineficiente para combater as desigualdades sociais. O nascimento dessas organizações está ligado à queda do regime soviético e necessidade de ampliar e adaptar a linguagem socialista para um novo contexto.

Segundo os que lutaram contra o investimento da EBX em Santa Catarina, foi a “sociedade civil organizada” que manifestou a sua vontade, por meio das entidades que tão bem a representam.

O livro A Revolução Gramscista no Ocidente, do general Augusto Avelar Coutinho, mostra que a semelhança entre a militância socio-ambientalista e a ideologia comunista, que matou mais de 100 milhões de pessoas só na URSS, vai muito além das aparências.

Foi Antônio Gramsci, comunista italiano, que criou a expressão “sociedade civil organizada”, tão usada hoje no Brasil. Gramsci, que é a principal influência teórica do PT, defendia que, em lugar da luta armada, a revolução socialista para a implantação do comunismo poderia ser feita com a ocupação dos espaços públicos por revolucionários culturais, que atuariam sobre o senso comum coletivo, o que eliminaria os gastos e o desgaste com o patrulhamento ideológico policial. Esse patrulhamento é feito, então, através de grupos organizados de pressão que se dizem representantes de segmentos da sociedade, como sindicatos e entidades comunitárias (os “movimentos sociais”), e as organizações não-governamentais, a “socidedade civil organizada”.
Estas entidades geram novas necessidades e anseios desconhecidos da população em geral (dialética). Vem dessa estratégia o feminismo, o ambientalismo, o racialismo, o etnicismo, o gaysismo. Aparentemente inofensivas, ONGs recebem apoio financeiro internacional para atuar em benefício de uma causa internacionalista, como é o caso do Movimento dos Sem Terra – que sequer tem identidade formal -, que diz lutar pela reforma agrária mas luta, na verdade, pela eliminação da propriedade privada, um dos pilares do capitalismo (veja o site internacional: www.mstbrazil.org).

A forma atual das organizações não-governamentais é um arranjo feito especialmente visando a concentração de poder, aparentando descentralização. Causas como a ambiental, social ou em favor de minorias, representam retóricas de fachada, que pouco importam, pois servem a uma ideologia subterrânea e repressora, de planificação social.

Professor de Jornalismo da UFSC, Orlando Tambosi relembra a origem deste tipo de movimento: “Os náufragos do comunismo tentam reviver o ideário anticapitalista, antiliberal e antiindustrialista na doutrina politicamente correta e nas Ongs”. Tambosi diz ser raro o tema ambiental tratado cientificamente: “Oportunistas ideológicos são os que mais participam dos debates.” Para o professor, “enquanto a patrulha politicamente correta tenta censurar costumes, palavras e obras literárias, as Ongs tentam traçar a pauta mundial nas questões ambientais, das quais, aliás, se consideram proprietárias”. Orlando Tambosi destaca como “criam-se embaraços para a construção de hotéis, por exemplo, mas nenhuma Ong denuncia a ocupação desordenada de mangues e dunas por favelas” na Ilha de Santa Catarina. “Trata-se de uma retomada de ideais românticos do século 19, uma visão negativa da sociedade moderna”, afirma Tambosi.

Por essa razão é que lideranças e militância tratam como antagônicas e inimigas de suas causas as entidades vinculadas ao associativismo empresarial, não considerando-as como parte integrante dos movimentos sociais nem da sociedade civil organizada. A revolução cultural gramscista busca incutir na opinião pública a mentalidade de que empresas e empresários – a mola propulsora do capitalismo – são os bandidões da humanidade, “que colocam o lucro acima das necessidades das pessoas”, como se prosperar materialmente não fosse um dos anseios e direitos mais básicos do homem.

No artigo As Raízes Anti-Humanas do Movimento Ambientalista (que pode ser lido no site www.midiasemmascara.org), o comentarista político norte-americano Lew Rockwell, explica como o ambientalismo surgiu da macabra mistura entre socialismo e o exoterismo anti-cristão do século 19. Rockwell conclui que “o marxismo ao menos fingia ter alguma preocupação com seres humanos”.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

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