Observatório revolucionário

A imprensa se queixa o tempo todo da sua queda de credibilidade. O site do Observatório da Imprensa é um enorme muro de lamentações jornalísticas sobre a queda da venda de jornais impressos no mundo inteiro e a cada artigo publicado pelos seus colaboradores de plantão, reforça a idéia de que eles estão fingindo não saber de nada que acontece à sua volta. Tem sido comum neste país a disseminação da cultura do “observatório”, uma tradição relativamente nova criada para doutrinar mentes que procuram alento na esperança de uma identificação com a chamada Mídia Chique.

Os artigos publicados tratam e tudo. Tudo mesmo. Toda a realidade da mídia braslieira, começando por aquela realidade apontada, ora pela globo, ora pelas universidades comunistas brasileiras. Nenhuma palavra sobre o espetáculo midiático do Aquecimento, algo que sem sombra de dúvida, não só ainda vai dar o que falar na imprensa, mas também vai ficar na história do jornalísmo. Do mau jornalismo.

Nenhuma linha sobre quem foi Simon Bolívar, já que a expressão “bolivariana” está aparentemente na moda na mídia. Nenhum esclarecimento aos milhões de leitores brasileiros que lêem e ouvem essa expressão e fazem cara de inteligente tentando disfarçar a ignorância sobre o tema. Culpa do jornalismo brasileiro.

Ora, “bolivarianismo”, se é que existe, é algo simplesmente igual a comunismo. Mas não diga essa palavra proibida perto de um jornalista do Grande Eixo. O comunismo acabou junto com a Guerra Fria e ponto final, dizem. Querem acreditar ou fazer a imensidão brasileira crer que não existe mais trotskistas e leninistas entre nós. Mal sabem que eles estão em todos os lugares.

O bom jornalista do “Eixo” sabe que é justamente pelo fato de o povo não conhecer a expressão “revolução bolivariana” é que esta deve ser usada e abusada. Para subverter o senso histórico e dar legitimidade subliminar a uma ideologia considerada morta, ressucitam-na com outro nome e dão cara de “revolução das idéias” a uma ideologia cuja única mudança histórica foi nos nomes dos caciques, com excessão do Imperador Fidel Castro que viverá eternamente em nossos corações.

O Brasil não precisa de um “observatório”. Precisa apenas de senso de realidade e respeito pelo povo que massiçamente crê no bom senso dos jornais. mas tal preocupação vem sendo esquecida propositalmente em nome de um fim maior, a revolução.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

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