“O Brasil pede o terceiro mandato”

Está chegando o momento de o governo dizer a que veio. Aos poucos, a sociedade vai sendo preparada para as declarações que já estão planejadas para serem ditas. “Nós ficamos 26 anos sem crescer”, disse Lula para Bush. “Resolve a tua crise, meu filho”, diz ele. A fala do presidente, durante a presença de Hugo Chavez no Brasil, sinaliza ocultos significados, conhecidos somente pelos envolvidos. Com a visita do presidente da Venezuela, Lula finaliza um ciclo na América Latina e dá início a outro. Chama-o de “pacificador”, o que significa simplesmente apoio incondicional às ações do venezuelano.
Mas significados ocultos vão deixando aos poucos de ser ocultos, restringindo-se cada vez mais ás poucas acusações sérias que são sabiamente omitidas pelo noticiário. Em conluio com o golpe Lula, está toda a grande imprensa brasileira, em parte motivada por favores financeiros, em parte pelo comprometimento ideológico pessoal de cada editor, jornalista, reporter e pauteiro. É o que se chama de “hegemonia revolucionária”, mentalidade presente em cada célula das corporações empenhadas em colaborar para uma causa que porá fim às liberdades como as conhecemos.
Acusações sérias são feitas e desfeitas a todo instante, pois a verdade luta para impor-se diante da trincheira da “nova guerrilha” midiática da redação do Jornal Nacional, comandado por William Bonner e o seu “olhar 43”, o zoom dado nele em determinado momento do telejornal. É só acompanhar atentamente. Jornais on line se destacam, quase sempre, por uma maior independência, salientando o site do Terra, em alguns casos, simplesmente por ter rixas com a Globo. A Folha de São Paulo e seu equivalente digital também tem o seu momento de agente da revolução. Exemplifico: o prefeito do Rio Cesar Maia acusou o assessor para assuntos internacionais Marco Aurélio Garcia de estar presente em uma das fotos do computador das Farc, apreendido no início de março na operação colombiana que matou o lider guerrilheiro Raúl Reyes. O destaque da única matéria que saiu até o presente momento no site Folha On Line, é o que foi dito por Garcia, uma crítica ao governo municipal em referência à epidemia de dengue. Nada foi dito sobre essa séria acusação feita por Cesar Maia, nem na Folha, nem no Globo on line. Na TV muito menos.

Marco Aurélio Garcia é conhecidamente um militante da esquerda guerrilheira. Para quem conhece essa história isso não é novidade alguma e o suposto envolvimento com as Farc também não deixaria de ser, dessa forma, natural. Mas quando se trata de dizer isso em alto e bom tom para todos os brasileiros, a mídia faz um silêncio suspeito.

A oposição que se faz presente no Senado da República tampouco sabe o que atacar. Vê de todos os lados brotar os tentáculos do inimigo como uma grande besta ancestral que assola o país e enlouquece companheiros outrora aliados fazendo com que se ataquem entre si, obstrui votações, discussões, inviabilizando o exercício do legislativo. Uns poucos senadores dão-se conta do objetivo de desmoralização do Congresso. Mas de que adianta? Passados 16 anos da criação do Foro de São Paulo, a maior parte das providências para a revolução gramsciana já foram tomadas e resta pouco a fazer. O povo pede, nas ruas, ética na política. O PT oferece isso nos discursos do presidente, demonstrando a todos fatos e feitos que falam por si, e ditos da forma como o povo entende. A culpa é de quem? A direita omitiu-se? ou a esquerda jogou sujo?

A quem diga que tanto um quanto o outro erraram. A direita errou ao subestimar a esquerda, talvez o maior erro. O erro da esquerda consiste “somente” em jogar com “os fins justficam os meios”, uma forma de jogar pela qual esperamos que o futuro os condene. Todos esperam. Uns mais que outros. Mas há pessoas que não poderiam dar-se ao luxo de esperar. No entanto, vão ficar esperando, apoiados na bengala da convardia, fumando o cachimbo do despeito e a sensação de que devia ter feito algo. Não adianta mais chorar.

A frase do título é do vice-presidente José Alencar, um dos maiores industriais do ramo textil do Brasil.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

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