Notas liberais

O ensino de história no Brasil e no Ocidente de forma geral está fatalmente debilitado no quesito coerência de conceitos e princípios, mesmo se tratando dos conceitos desenvolvidos pela própria Civilização Ocidental Judaico-Cristã. Ainda que digam o que queiram, esta civilização foi a única até hoje a unir liberdade política, econômica e religiosa em um só sistema.

Isso aconteceu graças à invensão do chamado “Duplo-Gládio”, ou seja, a separação do poder do Estado e o da Igreja. Ao primeiro cabe o poder temporal ao passo que ao segundo cabe o espiritual. Desta forma, pôde-se criar regimes que respeitassem, ao mesmo tempo, os diferentes anseios do homem, tais sejam a acumulação de riqueza, o direito à propriedade, liberdade de culto, etc.

Em nossas salas de aula, tanto do sistema primário como do universitário, os alunos passam sem tomar conhecimento destes conceitos e da importancia que tiveram para o desenvolvimento de nossa política. Propositalmente, o ensino vem dizer-lhes da dicotomia entre dominante e dominados, exploradores e explorados. Isso é um conceito específico defendido por alguns teóricos (nunca todos) nomeadamente do século XIX, entre os quais circulam Marx, principalmente, mas há muitos outros.

Tantos quantos teóricos políticos que defendem a Teoria da Exploração, tão em voga hoje no hemisfério Sul das Américas, podem ser encontrados opositores respectivos que antes de defenderem uma ou outra conduta política ou militante, ensinam os reais valores que propiciaram o levante da Civilização Ocidental ante as demais formas políticas.

Ao Islamismo, por exemplo, não ocorreu semelhante processo de separação do tipo “Duplo-Gládio”, de forma que os sistemas políticos advindos desta religião baseiam-se unicamente nos valores religiosos e, portanto, fundamentalistas.

O liberalismo surge justamente quando da separação entre Estado e Igreja, sendo esse um sistema de valores cristãos essencialmente. É exatamente por isso que, conjuntamente aos ataques ao liberalismo (nomeando-o de neo-liberalismo, entre outras coisas), vem os ataques vorazes ao cristianimo e aos valores cristãos, pois é só de posse destes valores que o liberalismo mantém o pleno vigor e funcionamento social. Daí vêm as pressões por discussões morais com o homossexualismo, bioética, entre outros assuntos polêmicos que desgastam a fé e a crença. O objetivo estratégico é enfraquecer o poder de confiança da Igreja, uma vez que se pareça com um poder arcaico e anacrônico como a monarquia, por exemplo.

Para a Igreja, o Estado deve ser reduzido e ter o papel de convencer, pouco a pouco, o povo de que ele não precisa do Estado. Pequeno e ágil, o Estado é aquele que vai defender o povo dos ataques privados e estrangeiros. O poder temporal. À Igreja, então, caberia o poder espiritual e de autoridade moral do aconcelhamento. Disso depende o sistema econômico liberal e democrático e se isso perde força, perde força a garantia de liberdade. A Igreja acredita na liberdade individual, já que o indivíduo é único e indivisível de Deus, ou seja, inseparável dele mesmo e único no Cosmo.

Os opositores defendem o crescimento do Estado como força garantidora das liberdades coletivas que por sua vez garantem a vida em sociedade. O Estado Total é, segundo todas as formas, sejam práticas ou teóricas, a melhor alternativa dada para a evolução do homem e o melhor aproveitamento dos seus talentos. A luta pela sobrevivência, para os marxistas, é um desperdício de forças, pois podia estar o homem imbuído dos desenvolvimento dos seus atributos pessoais. É uma espécie de valor individual, mas que na prática não ocorre. Isso porque os mecanismos coletivistas e massificadores, utilizados para a criação do Estado Total, jamais deixariam uma força individual ganhar força.

Estas teorias já foram testadas na prática e deram orígem aos sistemas mais cruéis já vistos pelo homem. Alemanha, Itália, URSS, China, Cuba, sofreram com o resultado de pensadores como Marx. Seus defensores alegam não ter sido aplicada a verdadeira teoria marxista nestes exemplos (exemplos citados são somente os mais conhecidos). Mas o que acontece, em termos de realidade é que estes sistemas de governo baseados no coletivo mataram cerca de 100 milhões de pessoas.

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

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