Governo, Estado e Forças Armadas

Os que defendem a permanência do Exército Brasileiro nas favelas do Rio estão certamente pensando na segurança dos moradores e no problema da dependencia criada entre eles e os traficantes dos morros. O que acontece é que, dados os últimos acontecimentos, somados à evidências históricas incontestes, é perceptível a existência de uma campanha para desmoralizar as Forças Armadas brasileiras perante o povo e a opinião pública para, enfim, modificar a sua função de defesa da Nação para atuar em programas sociais criados pelo governo.

É necessário conhecer a básica diferença entre Estado e Governo, neste contexto. Estado é justamente o que o Exército representa e serve, é imortal e eterno, pois é fundido à idéia de Nação, que por sua vez, é o próprio povo. Governo é a simples organização de ministros e executores eleita para administrar o Estado naquele período histórico (mandato). O governo está sujeito à corrupção simplesmente por pertencer a uma classe que mantém poder periódico ou temporário. Porém ele dispõe de todos os braços do Estado para utilizar no seu projeto de administração pública, visando o bem da Nação.

Nunca é demais lembrar das palavras do eterno general Joaquim Manuel Osório, para elucidar a diferença entre as duas entidades e o papel do Exército:

“O exército que pode aprovar a atitude de um governo, poderá também o desaprovar”.

Neste caso, é preciso dizer que Osório se manteve contra a assinatura do apoio ao governo imperial, representado na época pelo presidente do Conselho de Ministros e não por D. Pedro II, que representava o Império do Brasil, ou seja, o Estado.

No caso da presença armada nos morros do Rio, o Exército está seguindo uma prerrogativa constitucional ao servir de braço armado para atividades sociais e de infraestrutura urbana. As tropas têm a ordem de não aceitar provocações e vinham cumprido á risca essa determinação até o ocorrido da última semana, quando dois jovens foram detidos por desacato e logo em seguida liberados, ocasião em que os soldados desacatados aproveitaram para largá-los na favela vizinha. Os jovens foram mortos por facções rivais.

A mídia alardeia estes fatos como prova de que, em outras palavras, “o exército só sabe mesmo é ser cruel, à moda do que fez no regime militar”. Mas quem é que desacata um militar? o que passa pela cabeça da pessoa que tenta desmoralizar verbalmente um membro do Exército do seu país? Na certa alguém educado em meio á bandidos adeptos das teorias baseadas unicamente na subversão da ordem estabelecida.

O governo brasileiro sabe muito bem que este comportamento, mais cedo ou mais tarde, seria alvo dos militares, normalmente donos de uma hierarquia que, se por um lado privilegia a população civil, por outro espera o respeito ou gratidão vindo destes. Os próprios militares ja advertiam para a possível corrupção das tropas e a conversão desta em mera milícia urbana de bairro e anti-narcotraficante. Tudo isso com o “oba-oba” da mídia que adora chamar milíco de torturador, general de “hitler”, enfim, não gosta da autoridade estabelecida, muito menos respeita os símbolos nacionais por considerar tal sentimento, um ato reacionário-nacionalista e, portanto, de “direita”.

A mídia finge ignorar que as Forças Armadas são a instituição mais confiável segundo o povo brasileiro e que a maioria do povo não tem qualquer “seqüela” dos tempos da ditadura, justamente porque naquele período estava trabalhando, ganhando a vida e não sequestrando e assassinando civis em nome de alguma revolução.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

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