Drauzio Varela e a institucionalização da vida

Drauzio Varella se tornou o arquétipo do guru ocidental, tal como Peter Washington descreve no livro O Baduíno de Madame Blavatsky. Amparado pela autoridade científica, o médico do Fantástico despeja em nós uma avalanche de normas e cuidados alimentares, psicológicos e até sexuais para que alcancemos a tão sonhada felicidade. A autoridade com que Drauzio Varella nos impõe esse modo de vida tão “sustentável” advém obviamente de sua condição de médico. Com isso, é a autoridade científica que ele toma emprestada. Mas há também todo um tom de voz, um gesticular paciente e compreensivo, enfim, uma imitação do conhecido jeito dos padres. Com isso, Drauzio também reclama para si uma autoridade eclesiástica e por que não dizer, divina, já que a ciência tem hoje o monopólio das explicações racionais. Mas será que a autoridade médica merece tanto assim a nossa confiança?

A medicina é a ciência que estuda a saúde humana. Tal como toda ciência, pode ser dividida em dois sentidos principais: ciência como método e como uma comunidade de cientistas. Quando o método é utilizado por uma mesma comunidade por muito tempo, acontece o que chamamos de consenso de teoria interpretativa, no qual uma determinada comunidade científica domina a interpretação de determinados fenômenos. A existência da comunidade interpretativa na ciência é equivalente à institucionalização de métodos interpretativos que, por consequência, produzem um consenso que se auto censura de modo a dissipar ameaças à integridade dessa instituição.

Institucionalização da medicina e suas consequências

A institucionalização da medicina fez da sociedade moderna a sua dependente química. Ivan Illich já dizia nos anos 1970 que a medicina institucionalizada era uma grande ameaça à saúde[1]. O termo iatrogenia, que se refere ao estado de doença ou complicação causada pelo tratamento médico[2], aparece pela primeira vez na obra de Illich e, segundo ele, pode aparecer em três aspectos:

O primeiro é a iatrogenia clínica, causada pelo cuidado médico, falta de segurança no uso de equipamento cirurgico ou determinada tecnologia, uso ou abuso de drogas médicas. O famoso erro médico ou de diagnóstico. Em segundo lugar, há a iatrogenia social, decorrente da crescente dependencia da população em relação ao uso de drogas que amenizam o sofrimento, tratamentos preescritos pela medicina em seus ramos preventivos, curativo, ambiental e industrial. Trata-se de um estabelecimento do papel do doente como ser passivo e que aguarda as soluções mágicas do medicamento, enquanto o médico salvador trará a tão sonhada cura. A dependência, neste aspecto, é a da autoridade médica que é uma extensão da autoridade científica. Este fenômeno real e que afeta inevitavelmente quase todo mundo, produz, por sua vez, um terceiro aspecto da iatrogenia que é a de feição cultural.

A iatrogenia cultural é a destruição potencial da capacidade de lidar com a enfermidade ou com a morte. A perda gradual de tudo o que as civilizações criaram como expedientes culturais eficazes para lidar com a vulnerabilidade da condição humana diante do inevitável, das contingências da vida. Todas as práticas culturais e tradicionais antigas foram substituídas pela figura do médico e da técnica profissional. Neste aspecto há o sonho, a perspectiva, da possibilidade da técnica estender indefinidamente a existência corporal humana, do fim último de todos os sofrimentos. Eis a salvação terrena.

Christine Maggiore, autora do livro E se tudo o que você sabe sobre Aids estiver errado?, é mãe e soropositiva. Christine vive bem e não usa medicamentos, o que intriga os médicos. Mas ela afirma que existem milhões de pessoas nessa situação e que os medicamentos nada ajudam para curar coisa nenhuma. “A AIDS não é uma nova doença”, diz Maggiore. “É um novo nome para uma lista – que cresce cada vez mais – de doenças antes conhecidas, não relacionadas, que incluem infecções por fungos, diarréia, tuberculose, salmonelose, algumas formas de pneumonia e de câncer. Essas doenças são chamadas de AIDS somente quando uma pessoa é soropositiva, mas todas elas também ocorrem em pessoas soronegativas. Todas têm causas bem conhecidas e seus tratamentos nada tem a ver com o HIV”[3]. Segundo a autora, não há relação científica entre a doença e o vírus. “Apesar de não existir um teste real de AIDS — testar positivo para HIV não é equivalente a ter AIDS — o termo errôneo “Teste de AIDS” se tornou parte do nosso vocabulário moderno. Nos Estados Unidos não é necessário estar doente para um diagnóstico de AIDS, e os testes de HIV não estão realmente mostrando o HIV”, explica Maggiore. Ela afirma ainda que os medicamentos contra o HIV podem causar a maioria dos sintomas relacionados à AIDS. Essa reflexão sobre a doença está tomando corpo a cada dia nos meios médicos independentes.

Em um artigo para o site Saúde na Internet[4], a enfermeira familiar e palestrante sobre o tema, Eleonora Vacilotto diz: “a crença de AIDS enquanto doença viral ainda não passa de uma hipótese científica que seria comprovada com o isolamento de seu agente causal (vírus HIV); como isto nunca aconteceu, o que é muito estranho em vista de todo avanço tecnológico com que contamos hoje, coloca-se ‘em chegue’ a existência desse vírus”.

Vários médicos têm denunciado as recomendações muitas vezes desnecessárias de todo o tipo de droga por parte da comunidade internacional e estes profissionais têm enfrentado grandes represálias por conta disso. O fato é que há mais desculpas do que repostas satisfatórias, quando não um silêncio mortal em torno do assunto. Em geral, a comunidade científica é intolerante à críticas e pune severamente com o ostracismo profissional. Colocar em cheque a eficiência das pesquisas médicas oficiais tem um preço. Mas por que tanto medo em revelar a verdade ou ao menos rever algumas pesquisas?

Só nos Estados Unidos, estima-se que morram 250 mil pessoas por ano em consequência de diagnósticos errados e erros médicos. Isso faz da medicina a terceira causa principal de mortes nos EUA[5]. Esta informação pode levar a crer que o sistema de saúde norte-americano é um desastre, mas o que isso quer dizer realmente é que no restante do mundo a coisa pode ser ainda pior, já que praticamente inexistem pesquisas desse tipo, por exemplo, no Brasil e em outros países subdesenvolvidos que acatam as ordens da OMS, por sua vez, inspirada no modelo norte-americano de saúde pública.

Pouco a pouco, vai-se cansando a retórica de médicos como Drauzio Varella, que tentam empurrar goela abaixo os seus diagnósticos que deixam pessoas reféns de drogas e de soluções mágicas, enfraquecendo almas por meio do terrorismo da boa saúde e boa forma, criando corpos saudáveis que só servem para carregar mentes doentias.


[1] Limites para a medicina (Nemesis Médica). Ivan Illich, 1975.

[2] Na farmacologia, o termo é usado para referir-se às complicações derivadas de efeitos colaterais de medicamentos.

[3] E se tudo o que você sabe sobre AIDS estiver errado? – Christine Maggiore.

Paulus Editora, São Paulo, 2000.

[5] Jornal da Associação Médica Americana, 2000.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

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