Definições perigosas

No site www.brasilescola.com, na seção destinada à sociologia, aparece a seguinte definição do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra:

Como forma de reivindicação e de fazer valer a reforma agrária, o MST ocupa os latifúndios e se mobilizam em massa de forma que os proprietários fiquem sem maneiras de reagir. Também adquiriu ao longo do tempo características absorvidas de outras lutas sociais em busca dos direitos humanos.

O MST a partir de sua manifestação impactante universalizou sua causa e tornou conhecida a necessidade de fazer valer o direito do homem de ter seu espaço para morar e promover seu sustento e ainda trouxe à tona a ocupação improdutiva de terras por pessoas que visam apenas terem posses.

Existem pessoas que se infiltram no movimento com a intenção de enganar o governo e os próprios manifestantes somente para obterem um pedaço de chão. Estes, de maneira alguma devem ser considerados integrantes sem-terra.

Como podemos observar ao final deste trecho, os Sem-Terra são divididos entre os verdadeiros e os falsos. Aqueles que buscam uma legítima “reforma agrária” e os meramente aproveitadores que se “infiltram” no movimento para então ganharem algum pedaço de terra ou simplesmente fazer oposição ao governo.

O texto finge ignorar a relação do movimento com os partidos que hoje estão no poder, relações essas que não só remetem ao passado como têm claras evidências de ainda existirem em franca vitalidade. Contra esse movimento o poder policial nada pode, pois ao governo tem cabido somente atender ás suas reivindicações.

Observe ainda o final do primeiro parágrafo. Nele é admitido claramente que o movimento em questão associa-se à outras causas e “lutas sociais” em prol dos “direitos humanos”. Isso quer dizer, mais claramente, que o movimento está em franca sintonia com as causas sociais e, mesmo sendo uma associação que oficialmente não existe (nem como ONG nem como qualquer outro tipo de entidade), recebe verbas do governo desde a década de 80.

O site do próprio movimento, no entanto, é bem mais claro quanto às suas intenções e idéias políticas:

Eis alguns dos seus compromissos:

“Contribuir na construção de todos os mecanismos possíveis de integração popular Latino-Americana, através da ALBA – Alternativa Bolivariana dos Povos das Américas. Exercer a solidariedade internacional com os Povos que sofrem as agressões do império; Nos comprometemos a seguir ajudando na organização do povo, para que lute por seus direitos e contra a desigualdade e as injustiças sociais”

Portanto, o MST se compromete a organizar a sociedade para que ela lute contra o neoliberalismo e o “império”. Dessa forma, a melhor forma de organização, segundo eles, está representada pela alternativa bolivariana de sociedade ou ainda “lutar por um limite máximo do tamanho da propriedade da terra. Pela demarcação de todas as terras indígenas e dos remanescentes quilombolas. A terra é um bem da natureza e deve estar condicionada aos interesses do povo”.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

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