Canadá: orientação sexual deve ter prioridade sobre liberdade religiosa

Canadá: orientação sexual deve ter prioridade sobre liberdade religiosa

03/10/2018 1 Por Julio Gonzaga

A Corte decidiu (7×2) contra a universidade cristã Trinity Western University, no sentido de sacrificar a liberdade religiosa em favor de “igualdade” e “diversidade” sexual, escreveu o The Daily Signal.

Trinity Western University é uma universidade cristã localizada na cidade de Langley, província canadense British Columbia. A instituição pretendia certificar seu curso de direito, mas foi barrada em razão de seu estatuto de leis internas prever valores cristãos contrários ao politicamente correto.

O estatuto estabelece uma comunidade cristã que se abstém da violência, reconhece o valor inerente de cada pessoa, proíbe a trapaça e bane o álcool. A cláusula que causou controvérsia e chegou às portas da Suprema Corte é intitulada “Sexualidade saudável”, que assim dispõe: “Além disso, de acordo com a Bíblia, a intimidade sexual é reservada para o casamento entre um homem e uma mulher, e dentro desse vínculo matrimonial, é intenção de Deus que seja desfrutada como um meio de intimidade conjugal e procriação .”

O órgão responsável por ratificar o curso de direito (The Law Society of British Columbia) recusou a certificação sob o pretexto de que a cláusula “Sexualidade saudável” discrimina os alunos LGBT.

Após o caso passar pelas cortes inferiores, acabou chegando à Suprema Corte do Canadá, que decidiu que “a sociedade com base na lei possui um interesse abrangente em proteger os valores da igualdade e dos direitos humanos.” A corte inclusive reconheceu expressamente que recusar a certificação do curso fere a liberdade religiosa; todavia, a crença da universidade era o que menos importava: a “diversidade sexual” prevalece sobre escolhas religiosas.

“Os dois juízes dissidentes argumentaram que impedir que a Trinity Western formasse uma faculdade de direito credenciada minaria a verdadeira diversidade na praça pública, medida que seria contrária à missão da Law Society of British Columbia. Eles (juízes) afirmaram corretamente: ‘O objetivo da política de admissão da TWU não é excluir as pessoas LGBTQ, ou qualquer outra pessoa, mas estabelecer um código de conduta que garanta a vitalidade de sua comunidade religiosa.’”, acrescentou o portal The Signal.

Embora com a pretensão de salvaguarda da “diversidade”, a decisão apenas relegou a um segundo plano opiniões e comportamentos que são, ironicamente, diversos da visão do estado sobre sexualidade, ou seja, uma visão que prioriza grupos ditos minoritários, como a comunidade LGBT.

“O Canadá estava apenas nove anos à frente dos Estados Unidos na redefinição do casamento. Se os EUA não mudarem de direção, poderemos seguir os passos do Canadá novamente, sacrificando a liberdade religiosa por uma falsa igualdade e diversidade.”, observou Emilie Kao, signatária da matéria e diretora do Centro de Religião e Sociedade Civil Richard and Helen DeVos da Heritage Foundation.