Estudo relaciona hiperatividade e deficit de atenção a escolaridade precoce

Um estudo encontra fortes evidências de que o atraso em colocar crianças no jardim de infância pode ser extremamente benéfico para a sua saúde mental, além de prevenir transtornos como déficit de atenção, hiperatividade, entre outros. O estudo recomenda ainda que crianças possam passar mais tempo em casa. Isso é o que mostra o mais recente estudo da Universidade de Stanford, nos EUA.

De acordo com o professor Thomas Dee, co-autor da pesquisa, atrasar em um ano, em relação à idade recomendada, pode aumentar significativamente a capacidade de concentração e de auto controle nos anos seguintes, o que pode garantir melhor desenvolvimento escolar da criança.

“Nós observamos que o atraso de um ano no envio das crianças para o jardim de infância reduziu 73% os casos de hiperatividade e deficit de atenção em crianças até 11 anos de idade”, diz o professor.

O início da vida escolar tem sido cada vez mais cedo no Brasil e em muitos países do mundo, em obediência a recomendações governamentais. Relatórios da UNESCO recomendam aos governos que implementem ações neste sentido para conter o analfabetismo e a evasão escolar. O estudo da Stanford, no entanto, demonstra que essas medidas podem não ser tão eficazes quando o assunto é saúde mental das crianças.

Transtornos comuns preocupam os pais

stanford estudo sobre deficit de atenção e hiperatividade crianças na escolaA hiperatividade e o deficit de atenção reduzem o autocontrole nas crianças, podendo ocasionar menor capacidade de aprendizagem. Estudo da Stanford mostra que as crianças que têm menores níveis de deficit de atenção ou de hiperatividade tiram melhores notas na escola.

Em países como a Alemanha, crianças iniciam o jardim de infância mais tarde e os dados coletados lá mostraram que as elas não ficam atrasadas por causa disso. Pelo contrário, demonstram melhor desempenho escolar nos anos seguintes.

Nos Estados Unidos, as crianças costumavam iniciar no jardim aos 5 anos de idade. Atualmente, 20% das crianças inicia o jardim aos seis anos. Essas crianças tem demonstrado, na média, melhores desempenhos e maior autoconfiança, reforçando dados da pesquisa.

Foco nos benefícios para a criança

O estudo não fornece provas definitivas sobre a relação entre a idade de início e o desempenho posterior, mas indica grande tendência. A pesquisa de Stanford focou nos possíveis benefícios para a saúde mental das crianças.

A pesquisa foi feita com bases de dados governamentais de crianças de 7 a 11 anos para delimitar a pesquisa. A partir desses dados iniciais, aprofundaram a pesquisa junto a 52.241 pais de crianças na faixa de 7 anos de idade; depois, junto a 35.902, foram pesquisados quando os filhos alcançaram 11 anos de idade, nos quais foi observado o seu desempenho em sala de aula.

“Esse estudo traz um conforto para esses pais”, diz o pesquisador. “E para os que ainda estão por tomar essa decisão, o estudo fornece importantes informações a serem consideradas”.

O pesquisador destaca contudo, essas decisões envolvem diversos outros fatores e esse estudo se concentra em uma única área.

Mais tempo em casa

O estudo indicou ainda que prolongar o tempo que as crianças ficam em casa antes de enviar para a escola também traz benefícios. Acredita-se que esses resultados podem servir de subsídio para um exame mais amplo sobre metodologias do jardim de infância e seus aspectos pedagógicos. Os dados podem apontar na direção de uma dinâmica mais voltada a brincadeiras do que a um ensino mais estruturado nos primeiros anos da infância.

Standford.edu, Quartz

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.
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