Jungman e Weber ameaçam investigar quem suspeitar das urnas

Jungman e Weber ameaçam investigar quem suspeitar das urnas

09/10/2018 6 Por Cristian Derosa

A votação ocorrida no domingo contou com um número incrível e assustador de denúncias de fraude e panes suspeitas nas urnas eletrônicas. Diante disso, o ministro de Segurança Pública, Raul Jungman, ameaçou investigar quem puser em dúvida o sistema eleitoral brasileiro.

As declarações, que são corriqueiras em países ditatoriais e parecem ter saído da boca de políticos da Coréia do Norte ou dos caudilhos latinoamericanos, foram ouvidas do ministro Raul Jungman, de Rosa Weber, algo que já vem sendo insinuado exaustivamente pelo jornalismo brasileiro da grande mídia. Juntos, humilham a sociedade de maneira escandalosa ao simplesmente ameaçar prender quem suspeitar do sacrossanto sistema eleitoral brasileiro.

Jungman devolve a acusação de fraude aos próprios acusadores, referindo-se também aos candidatos que reclamaram de prejuízos eleitorais devido inúmeros fatos suspeitos durante o pleito: “o político que tenta fraudar ou passar a noção de fraude [no sistema] está, em última instância, vulnerando o próprio fazer da política, procurando diminuir a democracia. Portanto, é alguém que, sem a menor sombra de dúvida, tem uma vocação antidemocrática”, disse o ministro.

A presidente do TSE, ministra Rosa Weber, criticou a veiculação das supostas fraudes pelas redes sociais, o que caracterizou de “fake news”. “A [veiculação de] notícias falsas se dirige [em última análise] contra a credibilidade da Justiça Eleitoral. Consequentemente, contra a democracia e as instituições. É preciso identificar quem as está propagando com a maior celeridade possível”, comentou a ministra.

Conduta de ministros e jornalistas é obviamente criminosa

O filósofo Olavo de Carvalho lembrou em um vídeo publicado no youtube, que as declarações dos ministros são criminosas ao ameaçarem e constrangerem cidadãos que denunciam a fragilidade do sistema. Obviamente, este tipo de constrangimento é mais comum em países ditatoriais, mas está se tornando regra no Brasil. O sistema eleitoral parece que não pode ser questionado, ao mesmo tempo em que se enaltece a democracia e a pluralidade. A grande mídia, igualmente, dá testemunho de condutas totalmente antidemocráticas ao optar pela tranquilização das suspeitas e jogá-las debaixo do tapete. Toda essa situação vai deixando tudo ainda mais suspeito.

Não há dúvidas de que a sociedade brasileira está sozinha contra uma turba de políticos e jornalistas autoritários, intransigentes e, no mínimo, totalmente ignorantes em matéria de pluralidade democrática, valores que enaltecem como quem idolatra palavras incompreensíveis.

Ao silenciarem sobre as denúncias da redes sociais, e acusando-as de farsas, os jornais, assim como os responsáveis do TSE, cometem uma série de crimes contra a sociedade, em uma conduta que humilha a população que é enganada por um sistema que exige credibilidade totalitária e sem perguntas, e ainda têm a deslavada audácia de imputar crime a quem suspeita da sua “credibilidade obrigatória”.