Globo e Folha da Manhã pagam R$ 398 mil a Datafolha e pesquisa não convence nas redes sociais

Globo e Folha da Manhã pagam R$ 398 mil a Datafolha e pesquisa não convence nas redes sociais

24/08/2018 2 Por Marlon

Pesquisa do Datafolha foi encomendada pela Globo e Folha da Manhã, serviço pelo qual as empresas pagaram quase 400 mil reais e apontava Lula em primeiro lugar, Bolsonaro em segundo, seguido por Marina Silva. Resultados continuam sendo vistos como suspeitos principalmente nas redes sociais

A polêmica inclusão de um presidiário como candidato à presidência nas pesquisas eleitorais e o surpreendente resultado apresentado têm sido alvo de críticas e questionamentos em todo o Brasil. A crise de credibilidade das instituições no Brasil chega a níveis insustentáveis e ao que tudo indica, vai piorar

Estamos falando da última pesquisa do Datafolha, que ao contrário do que está sendo disseminado em um vídeo que circula nas redes, foi sim registrado no TSE, sob o número 04023/2018. A pesquisa apontou 39% de intenção de voto para Lula, 19% para Jair Bolsonaro e 8% para Marina. O site do TSE informa que a pesquisa teria sido contratada pelas empresas Folha da Manhã, Globo Comunicação, TV Globo, Rede Globo, Globo.com e Som Livre, pagos com recursos próprios e teve amostragem de 8.300 entrevistados em escala nacional.

Há duas notas fiscais disponíveis sobre o serviço, ambas no valor de R$ 199.172,00. Uma delas destinada à Globo e outra à Folha da Manhã, com datas de 19/08 e 14/08, respectivamente. Ao que tudo indica, o custo total da pesquisa foi de R$ 398.344,00, pois no site do TSE constam apenas dois CNPJ como contratantes (o da Folha da Manhã e o da Globo).

O formulário de pesquisa contém 11 páginas, com um grande número de perguntas (Ver questionário).

A dificuldade de acesso aos mecanismos de checagem de tais dados pela população brasileira exige dela uma grande confiança nas instituições, justamente o que tem sido questionado. Até mesmo defensores do ex-presidente Lula por vezes mostram-se surpresos com o resultado da pesquisa de intenção de votos. Os eleitores de Jair Bolsonaro, assim como o próprio candidato desde a pré-campanha, declaravam desconfiança sobre as pesquisas de intenção de voto que mostravam Bolsonaro em primeiro lugar, mas com pouca vantagem.

Confronto entre resultados da pesquisa e percepção popular

Se por um lado o massivo apoio de milhões de pessoas na internet pode ser questionável, já que nem todos os perfis de eleitores estão nas redes sociais, o apoio nas ruas e nas calorosas recepções nos aeroportos indica adesão bem maior a Bolsonaro, que lota os locais por onde passa.

Conforme a opinião do profissional de marketing Ícaro de Carvalho, exposta em seu perfil no Facebook, é inescapável a conclusão de que Jair Bolsonaro detém maioria do apoio da população, já que manifestações de rua como as que têm sido vistas demandariam um custo elevadíssimo da campanha do candidato se não fossem espontâneas. As mobilizações públicas em apoio ao candidato, vistas em incontáveis vídeos espalhados pela internet, teriam um custo que, segundo Ícaro, nem todo o patrimônio e apoio financeiro da campanha de Bolsonaro seriam capazes de pagar.

Em tempos de fake news, o Brasil vive uma crise de credibilidade sem precedentes. Boa parte dessa crise envolve grandes veículos de comunicação. A Pesquisa FGV 2017-Relatório ICJ, mostra que a imprensa teve uma queda de 5% em sua credibilidade. A imprensa escrita detém 35% de confiança, em quarto lugar, atrás das Forças Armadas=56%, da Igreja Católica=53% e das Redes sociais(facebook e Twitter)=37%. O relatório ICJ da FGV não segregou imprensa escrita dos grandes veículos de comunicação na internet.

Segundo o Instituto Paraná Pesquisas, no tocante à orientação política, 38% da população se informa pelas redes sociais, enquanto apenas 6,3% busca os jornais impressos, meio tradicional das grandes empresas de comunicação.