Aborto não foi tema central de debate em TV católica

Aborto não foi tema central de debate em TV católica

21/09/2018 0 Por Estudos Nacionais

Brasileiros, católicos e não católicos, lamentaram que o tema do aborto não foi destaque e quase ficou de fora do debate dos presidenciáveis na TV Aparecida, na última quinta-feira (20/09).

A expectativa, para muitos telespectadores da TV Parecida, que é católica, era ver os candidatos serem questionados sobre posições morais contrárias à Igreja Católica.

Em uma das rodadas, jornalistas identificados como “de emissoras de inspiração católica”, escolheram temas para fazer perguntas aos candidatos. Nenhum jornalista “de inspiração católica” questionou os candidatos sobre temas não morais críticos para o público católico, como aborto e ideologia de gênero.

Na rodada dos bispos, eram sorteados os candidatos que cada bispo, em ordem pré-definida, faria a pergunta. Portanto, os bispos saberiam a quem direcionariam a pergunta apenas na hora de apresentar sua pergunta.

Apenas um dos sete bispos participantes perguntou sobre a questão do aborto e outro bispo, ao perguntar sobre saúde e educação, focou na questão da PEC de Gastos e não no problema da ideologia de gênero.

Veja um breve resumo das perguntas feitas pelos Bispos aos presidenciáveis

Dom Orani Tempesta, lembrando do tema da última campanha da Fraternidade, perguntou sobre a superação da violência no Brasil, ao Candidato Fernando Haddad.

Dom Orlando, Arcebispo de Aparecida, perguntou sobre agronegócio e agricultura familiar no Brasil, ao candidato Ciro Gomes, contextualizando sua preocupação com o meio ambiente.

Dom Darcini, arcebispo de Diamantina-MG, perguntou ao candidato Alvaro Dias sobre desigualdade social.

Dom Pedro, bispo de Mogi das Cruzes, perguntou para Marina Silva sobre a questão indígena, dando oportunidade para Marina defender o aumento da demarcação das terras indígenas.

Dom Guilherme, bispo de Lages-SC, perguntou para Geraldo Alckimin sobre a saúde e educação, tratando a PEC do teto de gastos. Questionou o candidato se é justo congelar gastos em despesas primárias (educação) e não congelar pagamento de juros da divida.

Dom João Bosco Barbosa, bispo da cidade de Osasco-SP, perguntou para Henrique Meirelles. O candidato, hesitante, diz-se favorável à vida mas também favorável ao direito da mulher, defendendo então, em situações que se justifique, que a mulher possa tomar a decisão pelo aborto.

Dom Francisco, bispo de Barra do Piraí e Volta Redonda-RJ, perguntou para Guilherme Boulos sobre polarização na política e governabilidade.

Frustração sobre a postura do clero e de organizações católicas no combate ao aborto e ideologia de gênero

Nas redes sociais houve repercussão por parte de muitos católicos leigos que expressam descontentamento com a falta de um posicionamento mais firme de uma parte representativa do clero e das organizações católicas, como CNBB e neste caso, TV Aparecida, contra a iminente possibilidade de legalização do aborto e os constantes avanços da pauta da ideologia de gênero nas escolas e organizações públicas.

Muitos católicos responsabilizam a Igreja por vir se omitido e até mesmo favorecendo a eleição de políticos favoráveis ao aborto legalizado, como ocorreu na era PT. Mas não só católicos tem lamentado, pessoas de outras religiões ou considerados sem religião, contrários ao aborto, lamentam que a instituição deixe de se posicionar firmemente neste tema tão sensível. Segundo pesquisa do Datafolha, 41% das pessoas que se declaram “sem religião” são contrárias a legalização do aborto e favoráveis à punição da mulher que faça um aborto. Portanto, a abordagem do tema no debate era algo esperado por grande parte da sociedade brasileira.

A eleição dos últimos presidentes petistas certamente foi determinante para a situação que o Brasil se encontra, com um Supremo Tribunal Federal (STF) ativista em prol de aborto, questões de gênero, casamento gay e até mesmo poliamor.

O apoio aos candidatos petistas Lula e Dilma por parte da Igreja Católica certamente é uma marca histórica e motivo de frustração os seus fieis. Apesar de Lula e Dilma terem, para evitar danos eleitorais, se comprometido não legalizar o aborto, a presença do PT no governo federal, que tem a legalização do aborto como meta no estatuto do partido, proporciona até hoje abortos facilitados na rede pública de saúde. Isso porque ao indicar ministros da saúde pró-legalização e o consequente, comissionamento de funcionários do ministério de mesma orientação bem como parceria com ONGs pró-legalização, surgiram ações como a norma técnica “Atenção Humanizada ao Abortamento”, que permite o aborto dito legal, em caso de estupro, mesmo sem qualquer comprovação da violência sexual, ocasionando uma grande brecha. Da mesma forma, a indicação dos Ministros do STF pelos presidentes petistas criou hoje uma turma de ministros no STF extremamente progressista, disposto a legalizar o aborto e a promover mudanças ainda mais radicais em um futuro breve.