Silêncio revelador sobre a morte de apoiador de Bolsonaro

Silêncio revelador sobre a morte de apoiador de Bolsonaro

25/10/2018 2 Por Cristian Derosa

A morte de um vendedor de livros apoiador de Bolsonaro, espancado por militantes petistas no último sábado (20), em Fortaleza (CE), não obteve até agora um mísero destaque da grande imprensa nacional, seja a Folha, Globo ou Band. Só o jornal digital O Povo, a Agência Caneta e alguns sites evangélicos publicaram a informação. Apesar disso, o comportamento violento e suspeito continua sendo associado a apoiadores de Bolsonaro na grande mídia.

O vendedor de livros Valdenir Mendes Cirino, eleitor de Jair Bolsonaro (PSL), morreu no último sábado (20) após ser espancado por petistas em Fortaleza-CE. O corpo foi sepultado no último domingo (21).

De acordo com a esposa, grávida de três meses, Valdenir saiu de casa no dia 11 de outubro para aproveitar algumas promoções de livros, mas voltou com vários hematomas. Ele relatou que foi abordado, na Avenida 13 de Maio, por um grupo de petistas que faziam panfletagem a favor de Fernando Haddad (PT). Após ter recusado o material de campanha e afirmado que votaria em Bolsonaro, o vendedor de livros teria sido espancado pelos petistas.

A Agência Caneta buscou informações oficiais do PT Ceará e realmente houve uma panfletagem no dia 11 de outubro, iniciada às 16:13, no Shopping Benfica, localizado na esquina da Avenida 13 de Maio com a Avenida Carapinima. O website oficial do PT Ceará também apresentava a informação, mas ela foi excluída; a cache do Google, entretanto, ainda possui a versão original.

No mesmo dia 11, Valdenir foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bom Jardim e ao Hospital de Messejana, mas as dores continuaram nos dias seguintes. Ele foi várias vezes à UPA e ao hospital, onde era atendido, liberado e voltava quando sentia dores novamente. O vendedor de livros chegou a passar por exames de raio-X, eletrocardiograma e hemograma, mas seguia sentindo dores no tórax desde o espancamento. De acordo com uma vizinha que ajudou no socorro, o nariz de Valdenir tinha constante sangramento e ele vomitava sangue. No último sábado (20), Valdenir foi novamente à UPA, mas teve uma parada cardiorespiratória e faleceu.

Valdenir chegou a pedir perdão à esposa pela discussão. As filhas do vendedor têm 6, 15 e 19 anos de idade e a renda da família vinha do trabalho dele como vendedor de livros. A companheira trabalha em casa, fazendo costuras. Valdenir frequentava a Igreja Universal do Reino de Deus e era contra a ideologia de gênero.

O clima daqueles que moram na rua da família, na periferia da cidade, é de medo por causa da motivação política do crime. “Aqui a gente não diz em quem vota. Tem as facções”, disse um morador. Membros de facções criminosas foram presos na cidade por ameaçarem eleitores de Bolsonaro.

Um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado no 34º Distrito Policial e a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o crime. Os policiais buscam testemunhas e imagens das câmeras de segurança para identificar os assassinos. “Mataram meu marido e ele disse que muitos bateram”, relatou a esposa da vítima.

A violência silenciosa da “extrema-imprensa”

Há duas semanas, toda a mídia deu ampla cobertura a uma suposta onda de violência vinda de apoiadores de Bolsonaro, incluindo a marcação de uma suástica no corpo de uma jovem, além de diversas pichações nazistas em igrejas e prédios públicos. Concentrados naquela semana fatídica, os ataques e eventos desapareceram misteriosamente nos dias seguintes. A jovem marcada com suástica retirou a queixa e, passada uma semana, peritos indicaram que houve automutilação, o que todo mundo já desconfiava.

Tudo nos leva a concluir que mesmo a cobertura do atentado conta Jair Bolsonaro, esfaqueado por um militante do PSOL, foi feita muito a contra gosto pela esquerda que domina o jornalismo. Se dependesse dos diretores dos grandes jornais do país, a facada teria sido ocultada do Brasil e substituída por uma série de reportagens sobre o ódio fascista nas redes sociais. Como não houve como esconder, fizeram a cobertura, mas não sem culpar o próprio esfaqueado pela agressão, creditando-o ao “discurso violento” do candidato. Até o momento, informações sobre os mandantes do atentado permanecem protegidas por segredo de uma investigação que nunca termina. Mais um silêncio que revela.

Valdernir, o vendedor de livros que os petistas não suportaram a existência, pode até ter o silêncio da mídia, mas não será esquecido. Em sua página “em memória” no facebook, centenas de mensagens de solidariedade dirigidas ao vendedor. Uma das últimas postagens feitas pelo evangélico assassinado por comunistas, traz uma frase de um pastor que admirava: “É no silêncio que Deus dá as melhores respostas”.

Informações “O Povo” e “Agência Caneta”