44% dos eleitores acreditam na vitória de Bolsonaro

44% dos eleitores acreditam na vitória de Bolsonaro

21/09/2018 0 Por Cristian Derosa

As intenções de voto têm a sua importância na previsão do resultado eleitoral. Mas a expectativa do eleitor, quando considerada independente da sua intenção de voto, pode ajudar a fazer previsões mais profundas e realistas.

Ouvimos o tempo todo a seguinte frase: “o melhor candidato é o(a)…, mas ele não ganha, então o jeito é votar no(a)…”

A percepção do clima de opinião pelos eleitores foi o tema central do estudo que deu origem à teoria da Espiral do Silêncio, de Elisabeth Noelle-Neumann. Segundo a autora, que trabalhava à frente de um instituto de pesquisas de opinião na Alemanha, em 1976, a expectativa da vitória pode definir uma grande quantidade de votos da última hora, motivados pelo desejo de não jogar o voto fora, ou seja, o medo do voto inútil, além de uma sensação de resultado irremediável. Ao mesmo tempo, a declaração de intenção de voto é feita levando em conta este fator, ao passo que a expectativa de vitória tende a ser mais sincera.

O clima de opinião, ou o que se percebe dele, é um grande definidor das opiniões individuais e a sua variação pode redefinir o resultado previsto pelas intenções de voto. Noelle-Neumann chamou isso de efeito “aposta no cavalo vencedor”, em uma analogia do voto como aposta e que, portanto, necessita “vencer”.

A expectativa de vitória influencia na Bolsa de valores, no dólar e em uma série de fatores que precisam ter previsões com base em uma “percepção da percepção”. É um fator muito sutil e importantíssimo medidor do clima de opinião para se fazer previsões acertadas, dividindo importância com a tradicional intenção de voto. Segundo o UOL, as ações da empresa de armas Tauros aumentaram 140% na última semana, diante da expectativa de vitória de Bolsonaro, que é favorável à indústria e à maior facilidade nos registros de armas para a legitima defesa.

Bolsonaro teve um grande crescimento na expectativa de vitória no mês de setembro, sendo mais perceptível logo após o atentado e depois enfrentou pequena queda. Este pequeno decréscimo, de um ponto percentual, pode ser explicado pela divulgação do crescimento de Haddad nas intenções de voto. Uma parte importante da decisão do voto depende da percepção do clima de opinião, o que influi também na declaração pública do voto, bem como na resposta às enquetes eleitorais. Quando um candidato começa a aparecer com menor intenção de voto, alguns eleitores temem declarar o voto nele, com medo da sensação de isolamento social.

O medo do isolamento aparece em diversas situações. A declaração do voto é uma delas. No atual clima eleitoral, marcado por ataques apelativos, acusações e até facadas, uma declaração de apoio a um candidato pode ser fatal para a popularidade e as relações de alguém. Isso aumenta fundamentalmente a atenção dos eleitores ao clima de opinião do seu entorno social. Estamos falando de um fator que influencia grandemente na declaração de intenção de voto, ao mesmo tempo em que é definida pela divulgação destas intenções. Um candidato bem cotado em ambas as pesquisas tende a ter eleitores mais militantes e mais convencidos, mais dispostos ao debate, como mostrou o estudo de Noelle-Neumann. Mas da mesma forma, uma militância mais viva pode passar a ideia de que o candidato está na frente, motivando indecisos a apostar no cavalo vencedor.

A sensação de certa harmonia com o seu tempo ou com valores caros à sociedade também influencia na declaração de intenção, assim como na expectativa de vitória. Enquanto alguém indignado por escândalos de corrupção, mas esperançoso, vota em Bolsonaro, alguém com a mesma indignação, mas bastante pessimista e indiferente, pode declarar voto nulo enquanto acredita que ele ganharia porque “o país não tem jeito”.

O antipetismo e a postura anticorrupção que caracterizaram as manifestações que ocorreram desde 2013 também devem pesar nas duas respostas.

Jair Bolsonaro cai apenas um ponto na expectativa de vitória após divulgação do crescimento de Fernando Haddad

 

O livro A Espiral do Silêncio pretendeu entender a relação entre a declaração de intenção e a sua efetivação no voto, tendo como base a influência da percepção do clima de opinião, isto é, a expectativa do eleitor em relação ao cenário político. Analistas têm dado pouca importância para este fato, mas a decisão do voto, na última hora, tende a ser definida por este fator de expectativa.