Parceria entre MEC e Instituto Ayrton Senna representa risco à proposta do Governo Bolsonaro na Educação

Segundo noticiado pelo Correio do Povo, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, teria se reunido na segunda-feira (22/04) com representantes do Instituto Ayrton Senna (IAS) para conversar sobre cooperação entre Ministério da Educação (MEC) e Instituto. O IAS atua como parceiro do MEC desde 1990, sendo parte da “velha proposta” da educação no Brasil com preceitos educacionais influenciados por organismos internacionais.

O encontro entre o ministro Abraham Weintraub teria ocorrido com Mozart Ramos e Viviane Senna. Segundo a imprensa, Mozart Ramos teria sido cogitado como possível nome a pasta antes da nomeação de Vélez, contudo, setores conservadores rejeitaram o nome devido a sua adesão a programas que envolvem concepções da velha proposta educacional, o que incluía até mesmo a ideologia de gênero.

O nome da presidente do Instituto, Viviane Senna, também havia sido conjecturado como possível nome para a pasta, na época da transição, por veículos de comunicação como a Folha de S. Paulo. A notícia da Folha, de novembro de 2018, fala em um suposto encontro secreto entre Onyx Lorenzoni, Viviane Senna e Mozart Ramos, e também falava em cooperação técnica entre governo e o Instituto.

Sobre a nova aproximação, houve tentativa de confirmar junto à assessoria de imprensa do MEC a ocorrência da reunião de segunda-feira 22/04 entre Abraham Weintraub e os representantes do IAS, já que o fato foi noticiado apenas no Correio do Povo. Infelizmente não obtivemos resposta até o fechamento desta reportagem.

Antigo parceiro do MEC e representante globalista tupiniquim

Segundo o próprio site do Instituto, na extensa lista de parceiros figuram grandes organizações já conhecidas por apoiar projetos de viés progressista ou por ter posturas progressistas como Itaú Cultural, Instituto Ipsos, Bayer (financiou Figo Rio 2018), Instituto Natura (claras posições pró-genero).

Mas a relação entre programas do Instituto Ayrton Senna e ações progressistas e classistas, com apoio de mecanismos internacionais, vêm de longa data e foram inclusive objeto de análise em uma dissertação de mestrado em 2010. Fazendo uso dessa referência, trazemos considerações relevantes para compreensão dos riscos da possível cooperação entre MEC e IAS considerando a proposta da nova gestão do governo federal.

A pesquisa de Michel (2010) destaca que “A Abong e o Instituto Ayrton Senna (IAS)” têm “em comum o mesmo discurso” e que ambas desfrutam “de amplo apoio internacional” e “apoio do Estado”, sendo responsáveis por promover “profundas transformações nos campos socioculturais, econômicos e ideológicos”. Explica ainda, como o Instituto Ayrton Senna vem desempenhando papel fundamental nas políticas públicas educacionais no Brasil, desde 1994, de forma alinhada aos princípios educacionais da UNESCO e Nações Unidas.

A dissertação em análise citou a Abong como sendo similar ao IAS, onde é importante fazer parêntese: se por um lado o viés ideológico do IAS pode ser considerado sutil para alguns desavisados, o da Abong não. A ONG tem parceria com Ongs como CFEMA para o projeto “Construindo a Resistência Democrática” e também articulou-se recentemente “contra medidas autoritárias de Bolsonaro”,  por conta da Medida Provisória que estabeleceu o monitoramento das ONGs na secretaria de Santos Cruz.

Michel (2010) conta que, em 1997, o Instituto Ayrton Senna recebeu mais dinheiro do MEC, para o Programa de Aceleração de Aprendizagem, do que todas as prefeituras do Brasil, no âmbito do mesmo programa. Enquanto as prefeituras receberam 1,4 milhão de reais, o Instituto recebeu 1,69 milhão.

Evidencia também que o IAS comunga de alguns dos preceitos defendidos e recomendados pelos organizações internacionais, havendo uma “filiação ideológica e convergência com as diretrizes internacionais”. Dentre as organizações internacionais mapeadas estão a Fundação Ford, Fundação Itaú Social, Fundação Lemann, Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, Fundação Odebrecht, Fundação W.K. Kellogg, Fundação Avina e outras.

Michel (2010) conta que “A disseminação de preceitos e recomendações” ocorre por meio do “fluxo de ideias, patrocinadas pelos organismos internacionais tais como: UNESCO, PNUD, UNICEF e o Banco Mundial”.  Analisa também que “todo o leque de agências multilaterais, cada qual a seu modo, está trabalhando arduamente para criar […] espaços para “privatização” e a participação do setor privado na prestação de serviços públicos, incluindo a educação”.  Especialmente por conta da adesão às diretrizes do Banco Mundial e Unesco, adere-se aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentáveis do Milênio, da ONU, dos quais, é sabido, incluem-se “promover a igualdade de gênero”, direitos sexuais e reprodutivos, onde também é sabido, escondem-se inúmeras abordagens ideológicas.

O autor destaca que o IAS, aderindo à agenda internacional, compôs parte da “agenda educacional brasileira nos anos 1990” e que foi no “governo do Presidente Lula o IAS” que ficou “mais fortalecido”. Para o autor, foi em 2003 que ocorreu de maneira mais clara a filiação das diretrizes do Instituto Ayrton Senna com os preceitos educacionais da ONU, Unesco e Banco Mundial, possibilitando “convergência ideológica do discurso do IAS” em relação aos organismos supranacionais.

Caso seja efetivada uma cooperação entre IAS e MEC, não há como negar que ela representa um maior espaço para a manutenção da velha política educacional de viés progressista. Seria claramente uma vitória para a esquerda e um afastamento da gestão federal das suas propostas de campanha.

Na época em que o nome de Mozart foi aventado para o MEC, o especialista e professor Felipe Nery alertou ao risco de que o nome representaria manter a “velha política” educacional na educação, em seu Facebook.


 
 

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