Ódio do bem?

Defesa de minorias, representação de grupos identitários, etc., todas essas bandeiras são lindas e perfeitas, porém não significa de – modo algum – que os sujeitos que as defendem estejam de “corpo e alma” sem lucrar um centavo sequer. Na maioria dos casos, tais sujeitos enriquecem por defenderem causas nobres, por propagarem a sua “bondade” e “empatia” com a humanidade.

O ódio do bem é uma espécie de hipocrisia pós-moderna. Está – praticamente – em todos os segmentos da vida social. Porém, a sua origem está registrada explicitamente nos documentos das políticas revolucionárias do século passado. Hitler, Fidel, Mao, Stálin, Lênin e Mussolini são exemplos de “líderes do bem”, onde direcionavam o ódio das suas filosofias não – apenas – em determinados grupos sociais (judeus, negros, estrangeiros, homossexuais, ciganos), mas a toda humanidade.

Nos dias atuais, em específico, no Brasil vemos como a intolerância é hegemônica na universidade brasileira, principalmente, se o indivíduo pensar de modo diferente do que o establishment  intelectual recomenda – uma nova forma do “ódio do bem”. Para tanto, trago alguns casos que ilustram, as diferenças daqueles que destilam o ódio e se intitulam do bem, daqueles que destilam o bem e são intitulados do mal:

Primeiro caso: os militantes universitários esquerdistas, por exemplo, possuem uma auto percepção do bem, ou seja, se identificam como seres humanos preocupados com o meio ambiente, com os negros, com os índios, com os gays, com as mulheres, com os pobres, contra a exploração tirânica neoliberal e conservadora, no entanto – desafio qualquer um! –, nunca vi nenhuma dessas pessoas “do bem” ajudando qualquer minoria. Seja uma alimentação, um auxílio psicológico, uma moradia etc. Sendo assim, a teoria – marxista – que se propõe a recriar e emancipar o mundo tornou seus militantes revolucionários em seres egoístas, apenas isso, utilizando a defesa das pautas identitárias como um discurso, uma propaganda, uma bandeira de luta, para arrecadar fundos às suas ONGs e partidos políticos, apenas!

Segundo caso: diferentemente dos esquerdistas já vi muitos grupos religiosos ajudarem pessoas que estão à margem da sociedade. Por exemplo, em Recife, há inúmeras iniciativas de pessoas que auxiliam – verdadeiramente – tais pessoas, seja com: roupas, alimentação, assistência psicológica, assistência antidroga dentre outros benefícios. É bem provável que o amor ao próximo esteja mais próximo desse caso do que o primeiro, obviamente.

Terceiro caso: no ambiente – interno – universitário encontramos pôsteres e cartazes dos revolucionários esquerdistas estampados nos grêmios estudantis. Em uma instituição superior – pública, de Recife – existe uma foto “bem legal” do líder Che Guevara, além dos jornalzinhos vermelhinhos – de meia tigela – que são distribuídos, gratuitamente, nas salas de aula. É até engraçado, mas Che foi um assassino. Outros alunos, ou melhor, ativistas, trazem fotos da Revolução Cubana ou Socialista. Dentre eles: Fidel, Marx e Lênin. Só é gente do bem. Sendo assim, esses revolucionários são tratados, como pessoas que dedicaram suas vidas a causas nobres; mesmo assim, a hipocrisia universitária esquece o morticínio gerado por esses ignóbeis revolucionários, e qualquer “engraçadinho” que discorde desses ideais esquerdistas ou levante uma bandeira conservadora ou votou em um candidato de Direita, é considerado fascista. Isto é, o ódio do bem!

Quarto caso: deparei-me com um catador de lixo e busquei uma sacola de pães para ele. Dei com todo carinho e atenção. Ele me agradeceu e seguiu “seu rumo”. A sensação – para mim – de ter feito uma boa ação foi excepcional, melhorou meu estado de espírito. Pude perceber, que naquele instante nunca haveria uma política pública suficiente para sanar todos os problemas da sociedade, porém havia algo que pode mitigar tais problemas da sociedade, e isso chamasse: amor ao próximo.

Nesse contexto, afetivo e honroso, lembrei-me de Roger Scruton ao afirmar que a sociedade, conforme Edmund Burke, é uma associação entre os mortos, os vivos e os que estavam por nascer. Tendo como princípio vinculativo o amor, pois ao vermos nosso lugar nas coisas como parte de uma corrente contínua de doações e recebimentos, não são nossas para destruirmos, mas para conservá-las e nos vermos como herdeiros dos benefícios que retransmitiremos.

Destarte: o ódio do bem gera – exclusivamente – rancor e ressentimento, que em longo prazo resulta em inimizades, brigas, mortes e sentimentos de destruição e divisão na sociedade. Isso corrobora com a frase do filósofo Luiz Felipe Pondé, no qual advoga a seguinte sentença: “Todo emancipado, no fundo, é um egoísta”.

Por outro lado, ao fazer o bem – verdadeiramente – e compreender a sociedade como uma comunidade, talvez, possamos construir uma nação mais justa e solidária.

 

 

 

Notas

Scruton, R. Como ser um conservador. Rio de Janeiro: Record, 2015. Disponível em: http://lelivros.cricket/book/baixar-livro-como-ser-um-conservador-roger-scruton-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/.

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