O ativismo da pedofilia: origens intelectuais dos movimentos por trás da “quebra dos tabus”

(Foto: À direita, Magnus Hirschfeld, fundador da Liga Mundial para a Reforma Sexual)

Em 1886, o psiquiatra alemão Richard von Krafft-Ebing, no livro Psychopathia Sexualis, foi o primeiro a categorizar homossexualidade e pedofilia igualmente como perversões ou psicopatias sexuais que podiam ser tratadas, incluindo aí o sadismo, zoofilia, necrofilia etc. Descreveu-as como “excitação da vida sexual por estímulos inadequados”. Alguns anos depois, em 1898, o médico e psicólogo britânico Havelock Ellis, deu uma outra abordagem para as perversões sexuais. Ele questionava abertamente a ideia de normalidade sexual, assinalando que as perversões provêm daquilo que chamamos normalidade. “Enquanto ignoramos os limites da sexualidade normal, não somos capazes de fixar regras razoáveis para a sexualidade”, dizia em seu livro Inversão sexual (1898).

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Embora tratasse a pedofilia, junto do homossexualismo, zoofilia, necrofilia etc, como perversões doentias e perigosas, já começava a questionar os padrões de normalidade, o que o faz ser considerado um dos patronos da ideologia de gênero. Ellis pode ser considerado um impulsionador de uma série de movimentos contemporâneos, além do ativismo gay, mas também do ativismo contraceptivo, ao inaugurar a abordagem da sexualidade deslocada do seu caráter reprodutivo. O objetivo dos estudos dessa época era a descriminalização da homossexualidade mediante a sua consideração de anormalidade patológica, apesar de já estar presente o questionamento do conceito de normalidade, algo que viria a crescer no século seguinte.

 

O ativismo gay já existia por meio de seitas secretas como a Ordem de Queroneia, presidida por George Cecil Ives, que visava unir os homossexuais na luta por direitos civis e proteção contra a perseguição policial de então. A seita existe ainda hoje e conta como um dos seus objetivos a destruição da moral tradicional. Ives foi também o fundador da Sociedade Britânica para o Estudo da Psicologia do Sexo, da qual faziam parte Havelock Ellis e George Bernard Shaw.

Ao longo do século XX, muitos foram os estudos sobre o problema da pedofilia aliado ao homossexualismo. As abordagens, como a de Freud, buscavam a análise puramente cientifica e funcional da sociedade, apontando tais práticas como nocivas e prejudiciais à saúde social. Ao mesmo tempo, Freud deu início a um processo de sexualização da infância, que mais tarde começou a tomar forma através de seus seguidores. Paralelamente, no final da década de 1920, ocorriam as reuniões da Liga Mundial para a Reforma Sexual, para a qual o próprio Freud foi convidado e contou com a presença de Bertrand Russell e Dora Russell, um movimento mais ligado à eugenia e ao controle de natalidade. Tais reuniões criaram as bases do que hoje é aplicado em matéria de Educação Sexual e era organizado por ativistas como o médico Magnus Hirschfeld, ativista homossexual. Os defensores da ideia da “reforma sexual” ligavam-se às escolas funcionalistas e neomalthusianas. Tinham o claro objetivo da “racionalização” da atividade sexual, separando-a da função procriativa, em um contexto histórico de preocupação com avanço populacional.

A primeira abordagem de defesa da pedofilia veio por meio de um colaborador do dr. Freud, que se tornou quase um patrono da educação mundial: Wilhem Reich, membro do Partido Comunista Alemão. Em seu livro People in Trouble, no capítulo chamado Organizando a política sexual na Alemanha, Reich estimou existir na Alemanha daquela época aproximadamente oitenta organizações independentes estudando o tema sexual, com cerca de 350 membros. Em geral, reivindicavam direito ao aborto, controle de natalidade e fim da repressão ao homossexualismo. Reich percebeu que essas organizações falhavam no tratamento do problema da sexualidade na juventude e erravam ao não direcionar uma abordagem crítica radical nas estruturas de instituições como o casamento e a família.

Havia um embate entre duas correntes de pensamento muito influentes no início do século XX: funcionalistas e marxistas. Os funcionalistas, adeptos do conceito de reforma sexual, herdeiros dos neomalthusianos. Era a linha reacionária e cientificista, moderna, cujo objetivo estava no controle populacional, na racionalização da vida e administração funcional da sociedade. De outro lado, os marxistas propunham a abordagem da crítica total, da modernidade, da família, interessados na revolução social com fins na sociedade igualitária. Para isso, muitos (como Reich) acreditavam que a derrubada da superestrutura burguesa só poderia se dar por meio da destruição do conceito de família, já que, como dizia Engels em seu livro célebre A origem da família, da propriedade privada e do estado, o pátrio poder familiar, tal como a estrutura familiar tradicional, era a base real, o lastro, da propriedade privada e, com isso, do poder estatal burguês. Funcionalistas e marxistas se confrontavam em uma guerra que caminhava, dialeticamente, na mesma direção. Reforma sexual de um lado, revolução sexual de outro.

Em 1933, no livro Charater Analysis, Reich defendeu que a liberação sexual era o único caminho para haver saúde sexual, sem as quais, nenhuma reforma política teria êxito. De acordo com Anthony Giddens, “embora defendesse a igualdade da expressão sexual para as mulheres, [Reich] deu particular atenção aos direitos sexuais das crianças e dos adolescentes. Deve ser dado às crianças o direito de se envolver em jogos sexuais com outras crianças e também o direito de se masturbar; devem também ser protegidas do domínio de seus pais. Os adolescentes devem ter a oportunidade de satisfazer as suas necessidades sexuais sem qualquer controle, para que possam ser os agentes da futura mudança social”.

Reich era radicalmente contra a monogamia, defendendo “relacionamentos amorosos não orientados pela lei, mas pelo amor”. As crianças deviam ser criadas por comunidades estendidas, que as libertassem das “neuroses de seus país biológicos”.

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Outros tópicos da reportagem completa, na revista:

  • Alfred Kinsey;
  • Marcuse e a Revolução Sexual;
  • Ocultismo e a pedofilia
  • Ativismo pedófilo na universidade;
  • O ativismo na política;
  • A ideologia de gênero e a sexualização das crianças

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

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