Educação brasileira: uma mistura de socialização marxista e igualitarismo radical

Encantei-me com a tese de Doutorado, intitulada “Literatura, Ensino e Educação Liberal”, do autor Fausto Zamboni. Na ministração das aulas de pedagogia, os professores na maioria das vezes rotulam essa educação – liberal –, como anacrônica, cafona, démodé, coisa de gente alienada, dentre outros adjetivos abjetos.

Enquanto isso, as correntes pedagógicas progressistas são celebradas em alto e bom som.

O Prof. Zamboni é enfático, ao afirmar que a educação liberal se baseia no estudo dos clássicos (obras literárias) –, pois a literatura é a base na qual se fundam a cultura e os outros conhecimentos.

Um autor que está presente na sua Tese é Leo Strauss. Para Strauss, a educação liberal é uma educação em cultura e/ou para a cultura. Isso se dá, pois na democracia ocidental há o advento da cultura de massa e, desse modo, nos questionamos como essa cultura poderá sobreviver?

Sendo assim, Strauss nos alerta que a educação liberal servirá como uma “escada” pelo qual saímos da democracia das massas à democracia em seu sentido original. Com isso, a democracia sobreviverá, pois terá um “norte” na sociedade a partir de: referências, heróis, símbolos, exemplos, modelos etc.

É sabido que a educação moderna privilegia a socialização escolar, que por meio de um igualitarismo radical produz o “o homem apequenado”. Aquele indivíduo mimado, desinteressado, fútil, alienado, que no final das contas, torna-se um “homem medíocre”.

Sob o aspecto da socialização, Olavo de Carvalho advoga que a educação de massas visa formar massas, não indivíduos, o que quer dizer que se trocarmos todos os alunos, não há diferença alguma. Entretanto, na educação verdadeira, cada indivíduo é precioso.

No igualitarismo radical é possível enxergar a “perda de autoridade” do professor, e o crescimento do “poder ilimitado” do aluno.

Essa igualdade exagerada pode gerar – e gerou – algumas consequências na educação – brasileira –, por exemplo:

(i) os estudos são nivelados por baixo, ou seja, não há diferenças intelectuais entre os alunos, pois qualquer competitividade no ambiente acadêmico é vista, como uma perigosa “relação de poder”;

(ii) pela busca incansável pela “igualdade”, o aluno brasileiro tornou-se o opressor e o professor o oprimido. Nessa lógica, basta ligarmos a TV ou acessarmos a internet para assistirmos os noticiários relatarem diversas matérias sobre a violência escolar. (Acerca desse assunto, uma pesquisa realizada, em 2011, com docentes do ensino fundamental em Corumbá, Mato Grosso do Sul, identificou que as causas do aumento da violência escolar são falta de limites dos alunos, desestruturação familiar, influência do contexto social do educando e uma visão equivocada do Estatuto da Criança e do Adolescente).

No contexto liberal, a prioridade da educação está na contemplação da literatura clássica, pois ela por si só torna-se um fundamento e base para o progresso de uma nação.

O peso do rico ambiente literário e do “clássico” em sala de aula torna-se um critério útil para a seleção dos conteúdos pedagógicos.

É nesse sentido que “o clássico” torna-se uma construção humana inerente nos homens do passado e do presente. E, conforme as palavras do filósofo Ângelo Monteiro, a tradição e a atualidade devem caminhar juntas.

Nos dias atuais, nossos jovens estão “mergulhados” nas redes sociais, porém deveriam navegar nos textos de Graciliano Ramos, Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Manuel Bandeira, Shakespeare, Dante, Oscar Wilde, Victor Hugo, Dostoiévski dentre outros. Mas para isso, os professores deveriam possuir uma melhor formação pedagógica indo além do caráter conteudístico e convencional, evitando – assim – a inserção dos educandos na “luta democrática”.

Distante desse cenário, temos uma educação ideológica e propagandista que preocupa-se em desconstruir tudo o que foi construído pela humanidade, depositando a autoridade num determinado grupo sexual, classista ou racial.

Sob o aspecto da “desconstrução”, Roger Scruton argumenta que as coisas admiráveis da sociedade, como: a paz, a lei, a ordem, a liberdade e a propriedade são facilmente destruídas, mas não facilmente criadas.

Uma alternativa de combate ao igualitarismo e socialização marxista está na utilização pedagógica do Homeschooling. Nele, as crianças se matriculam nas escolas, estudam em casa e no final do ano vão fazer a prova na escola. Além dos estudantes tirarem notas boas nas avaliações, as famílias protegem seus filhos contra ideologias danosas que estão presentes na escola pós-moderna, no qual a instituição educativa é “vítima” de grupos politicamente corretos, que na maioria das vezes, impõe uma agenda política obscura e totalmente descolada da realidade.

Nos dias pós-modernos, nossos jovens não podem nem expressar a suas emoções e “preconceitos”. Porque serão ‘elogiados’ de: racistas, machistas, opressores, sexistas etc. Além disso, são engajados – conforme exposição anterior – na “luta democrática” para mudar e transformar a sociedade em um “mundo melhor” e saber de cor o dicionário Politicamente Correto, popularizado pelos órgãos de mídia e universidade.

A partir de 2019 espera-se novas mudanças no âmbito educacional brasileiro – principalmente nos temas: alfabetização, leitura, formação de professores, tecnologias educacionais, matemática etc. –, pois nos treze anos “perdidos” da década petista, aconteceu uma verdadeira barbárie, conforme à narrativa – sábia – de Waldenio Porto:

“[…] a História está aí para ensinar: um povo enfraquecido intelectualmente não sobrevive. A ignorância e o despreparo são condição “sine qua non” para seu aniquilamento. A fim de que não tenha ânimo, força, autoestima para sobreviver como Nação”.


Notas

Carvalho, O. Educação Liberal. Disponível em: http://old.olavodecarvalho.org/palestras/2001educacaoliberal.htm

Costa, P. A. da S. Violência no cotidiano escolar: a visão de professores que atuam no ensino fundamental de escolas públicas do município de Corumbá-MS. 2011. 263 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2011.

Dalrymple, T. Em defesa do preconceito: a necessidade de se ter ideias preconcebidas. São Paulo: É Realizações, 2015.

Monteiro, Â. Arte ou desastre. São Paulo: É Realizações, 2011.

Porto, W. Discurso na sessão solene dos 105 anos da Academia Pernambucana de Letras, em 26 de janeiro de 2006. Revista da Academia Pernambucana de Letras: nos 2005 e 2006., n. 39, out., 2007, p. 235.

Saviani, D. Sobre a natureza e a especificidade da educação. In: COMUNICAÇÃO APRESENTADA NA MESA-REDONDA SOBRE A “NATUREZA E ESPECIFICIDADE DA EDUCAÇÃO”, 05., 1984, Brasília/DF. Anais… Brasília: INEP, 1984. Disponível em: http://ifibe.edu.br/arq/20150911214634120944442.pdf

Scruton, R. Como ser um conservador. Rio de Janeiro: Record, 2015.

Strauss, L. O que é educação liberal? Revista Ensino Superior Unicamp, p. 74-79, 2011. Disponível em: https://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/artigos/o-que-e-educacao-liberalij

Zamboni, F. J. da F. Literatura, ensino e educação liberal. 2011. 186 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual Paulista, São Paulo, 2011.


 
 

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