Cultura antinatalista agrava crise da previdência

Temos que admitir que esforços de entidades como a USAID e fundações internacionais, que fomentam ações pró-controle de natalidade, agravaram o panorama atual de crise da previdência, ao terem contribuído para as baixíssima taxas de fertilidade dos últimos anos no Brasil.

Inúmeros analistas financeiros e atuariais, debruçados no problema da crise da previdência que ameaça o Brasil e diversos países do mundo, tentam resolver o problema propondo alterações nas inúmeras variáveis que afetam a questão previdenciária, mas a taxa da fertilidade é, para eles, uma variável intocável, na verdade, “uma constante” (mas que diminui continuamente). Esquecem, contudo, que foi exatamente essa variável que foi alterada de forma provocada, por programas de incentivo de uma cultura antivida, antinatalistas e anti-família.

Causas do problema da previdência

O envelhecimento da população é visto como uma das causas, mas, na verdade, existe uma causa para o envelhecimento populacional: o aumento da expectativa de vida aliado à baixa taxa de fecundidade.

Se, por um lado, a maior expectativa de vida é reflexo do progresso técnico e científico das áreas de medicina, infraestruturas de saúde e inúmeras outras situações positivas e desejadas, a redução da taxa de fertilidade não é resultado de um progresso humano, mas é resultado de um plano orquestrado por grandes fundações e entidades, que têm históricas relações com movimentos eugenistas e planos de poder internacionais. Peço ao leitor, que não seja leviano de supor antecipadamente, que isso seja teoria da conspiração. Algumas das inúmeras provas do que afirmo estão disponíveis em pelo menos três, dentre diversos artigos (documentados) em que tratamos desse assunto. Seguem algumas sugestões para leitura, caso seja novo no tema: Artigo 1; Artigo 2 e artigo 3. Portanto, é fato que os planos para reduzir a natalidade em esfera mundial vêm sendo implementados desde 1950, em escala global, e principalmente, a partir da década de 1960 e 1970, tomaram contornos de programas internacionais de “colonização ideológica” com sistemáticos investimentos.

Apesar do fracasso, até o momento, na liberação do aborto no Brasil, a colonização ideológica tem apresentado sucesso em termos culturais. Seguindo as orientações de Kingsley Davis, foi possível mudar o desejo das mulheres para que elas preferissem a carreira do que se abrissem à maternidade. Ou ainda, para que se abrissem apenas para um filho, no máximo dois. O resultado não poderia ser outro.

Taxa de fertilidade

Em 1960, tínhamos a taxa de 6 filhos por casal e fomos para 2,91 em 1990, e agora temos míseros e inférteis 1,71. A taxa de fertilidade mínima para reposição da população é de 2,1. Desde 2004 estamos abaixo desse patamar e nada é feito ou pensado para resolver isso.

No gráfico abaixo vemos as taxas de fertilidade do mundo, da América Latina e do Brasil, todas em forte queda. Destaquei a taxa da Austrália, que após quedas culminantes com período pós-legalização do aborto (vejam só, mais uma prova de que ao legalizar o aborto o número de abortos aumenta e nascimentos caem), começou a estagnar e a sofrer incrementos, graças a incentivos pró-família.

Em 2001, a taxa de fertilidade da Austrália era 1,73 (praticamente a mesma do Brasil hoje) e, em 2007, foi para 1,93 bebês. Ainda precisa aumentar.

Basicamente, o governo passou a oferecer assistências especiais (financeiras) para famílias, a cada nascimento e nos primeiros anos de vida. Um verdadeiro “bolsa família”, no sentido de que “incentiva a concepção de famílias”. O governo australiano gasta em torno de 3,2 bilhões de dólares ao ano com o programa, mas pretende ter o retorno desse investimento, uma vez que espera aumentar o número cidadãos economicamente ativos em um futuro próximo, quando os idosos estiverem mais idosos, mas ainda vivos, graças ao contínuo aumento da expectativa de vida. Tudo isso, visa evitar o colapso da previdência.

Alguns podem argumentar que os níveis populacionais não têm relação com o PIB e, por isso, não necessariamente uma maior taxa de fertilidade resolveria o problema. Na verdade, essa afirmação foi feita na década de 1950 e 1960, diversas vezes, quando foi feita a comparação populacional e econômica entre países da África e América Latina versus países Europeus, Estados Unidos e Austrália. Ou seja, uma comparação indevida. É interessante notar também, que as camadas mais pobres da sociedade continuam com uma taxa de fecundidade mais elevada, e a redução é mais significativa entre classe média e classe alta. A redução da fertilidade é maior, portanto, entre a classe que, se tivessem um maior número de filhos, estes teriam alto potencial de serem jovens “geradores de renda per capita”, geradores de PIB. Embora devemos sempre rejeitar todo esse materialismo e utilitarismo, é irresistível não demonstrar essa contradição, essa miopia, compartilhada justamente por quem quer, frequentemente, colocar valor monetário na vida humana. Mas a contradição ocorre porque, no fundo, como manifestado no Relatório Kissinger e em inúmeros outros registros da história do movimento pró-controle populacional, a esperança deles é que as classes pobres se rendam aos recursos anti-natalistas como aborto, contracepção e ‘desestimulo da maternidade’, para assim, resolverem o problema da pobreza matando e evitando a procriação dessas classes.


 
 

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