O “Museu da honestidade” e a destruição da nossa história

O “Museu da honestidade” e a destruição da nossa história

05/09/2018 2 Por João Carlos Biagini

Pelo menos cinco símbolos da memória do Brasil foram queimados pelo fogo nos últimos anos, refletindo a indiferença pela história e a corrupção que queima como fogo todas as esferas da nossa sociedade.

O tema deste artigo seria outro. A ideia era continuar o anterior , mostrar as modificações da reforma trabalhista sobre os salários e o comportamento dos jornalistas da rede Globo na entrevista com o candidato.  Será publicado oportunamente, visto que não dá para deixar em branco o incêndio do Museu Nacional.

A culpa pelo incêndio do Museu Nacional está sendo atribuída à falta de dinheiro. Nosso dinheiro foi desviado para outros países. Nós ouvimos falar da Lei Rouanet, que permite a dedução do Imposto de Renda do valor arrecadado para o projeto cultural apresentado ao Ministério da Cultura. Para exemplificar, a peça de teatro “Conversando com mamãe”, através do projeto 90.121, de 30.04.2010, arrecadou R$365.000,00, e do projeto 90.125, de 30.06.2010, mais R$295.725,08. O projeto proposto, no caso a peça teatral, foi montada com o dinheiro do povo, mas o povo não a vê de graça, precisa pagar ingresso para vê-la no teatro.  Parece-nos falta de honestidade legal pagarmos duas vezes pelo mesmo produto.

Em 2012, participei de um evento onde um economista demonstrou que a corrupção brasileira atingia 69 bilhões de reais por ano, calculo para 2010.  Em 10 anos, seriam 690 bilhões. Vimos, através da Lava Jato, que a corrupção pode ter chegado a 4 trilhões de reais, aproximadamente 58 vezes mais a estimativa do economista para 2010.

Nos últimos anos, vários equipamentos culturais têm sido consumidos pelo fogo: 2008 – Teatro Cultura Artística, iniciado em 1.912; 2010 – Instituto Butantã, iniciado em 1.901; 2013 – Memorial da América Latina, iniciado em 1.989; 2014 – Liceu de Artes e Ofícios, iniciado em 1.873 e o Museu Nacional, iniciado em 1.818.  Além dessa sucessão de incêndios, as coincidências das datas me deixam com a pulga atrás da orelha: dia 2 de setembro de 1822 a princesa Leopoldina assinou o Decreto da Independência do Brasil e no dia 2 de setembro de 2018 o Museu Nacional pegou fogo. Com esse fogo todo nos equipamentos culturais e científicos, fica a pergunta: foram acidentais ou têm a finalidade de eliminar os registros históricos, científicos e culturais? Há honestidade no cuidado com os bens públicos?

Temos nos deparado com muita gente que despreza o passado, inclusive da sua família. Há muita gente tentando apagar o passado. O governo militar começou no Brasil em 1.964. A guerrilha comunista começou no Brasil em 1.961, com a ideia de implantar a ditadura do proletariado, baseada na ditadura comunista de Fidel Castro, de 1.959, com partido autoritário e único.  No Brasil, houve torturas e mortes dos guerrilheiros comunistas. Também houve assassinatos de inocentes e de soldados pelos guerrilheiros. Veja e história do Tenente Alberto Mendes Júnior, promovido a capitão post mortem, que, covardemente, teve a cabeça destruída a coronhadas. Uma pessoa que convive comigo relata a cerimônia da denominação da escola que estudava na época com o nome do “Capitão Alberto Mendes Júnior” e com a presença do pai e da mãe, ambos de luto, como um dos momentos mais tristes e desoladores de sua vida. Tentam apagar um lado dessa história.

Os bombardeios das guerras sobre museus, prédios de governos com arquiteturas irrepetíveis, igrejas, registros escritos e símbolos importantes para os países foram uma forma de apagar o passado. Para dominar o povo, tenta-se apagar o seu passado e impor a nova cultura e, se possível, a nova língua.

A busca pelo poder e pela dominação do homem pelo homem e sobre os outros homens não tem limites e abusa da desonestidade e da mentira. Todos os meios sórdidos são utilizados pelos homens ávidos de poder, para a dominação de uma cidade, de um estado, de uma nação ou até do mundo todo, como pretendem fazer na atualidade, com a globalização.

Temos conosco que do passado depende o futuro e que não precisamos repetir os erros passados para aprender no presente.  Precisamos respeitar o passado, aprender com ele e não cometer os mesmos erros. Temos o livre arbítrio, mas entendemos inaceitável o objetivo de apagar o passado e subjugar pessoas.

Deus estabeleceu para o homem dois compromissos: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito” (Mt 22,34) e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,39).  Todo homem deveria amar a Deus e buscar o bem comum. Política é a virtude e arte da busca do bem comum, que praticamos diariamente com nossas famílias.

Nossa força e segurança é saber que a honestidade e a verdade sempre prevalecerão e que serão “Felizes os que lavam suas vestes para terem poder sobre a árvore da Vida e para entrarem na Cidade pelas portas. Ficarão de fora os cães, os mágicos, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos os que amam ou praticam a mentira”(Ap 22, 14-15).

A humanidade e a política precisam se transformar no Museu da Honestidade.