Ideologia: A verdadeira cultura da violência

politicamente-corretoOuvimos falar de “cultura de estupro” na mídia. Dizem que há uma cultura violenta no ar, um tipo de tendência a discriminações irracionais e bárbaras. Os movimentos organizados que dizem lutar contra isso, falam em racismo, machismo, homofobia e uma série de palavras cada vez menos compreensíveis. Na verdade, entendemos bem do que eles falam e quais seus objetivos. Mas nos custa acreditar que não provém deles, na realidade, a cultura disseminada da violência, no seu insistente anseio por fazer valer os novos costumes e regras que eles creem tão mais humanos.

Há duas concepções básicas de mundo. Há outras, mas enumeremos duas, para os fins da nossa melhor compreensão. Há uma perspectiva realista e uma imanentista.

O realismo crê que o mundo exterior não depende de nossas mentes e que possui uma ordem preestabelecida. Como ignoramos ainda muita coisa deste mundo exterior, julgamos que essa ordem deva ser proveniente de uma Inteligência muito superior à do homem.

Já o imanentismo, considera que há realmente um mundo exterior, mas não o atribui qualquer ordem. Não havendo nenhuma ordem preexistente ao mundo, cabe ao homem ordená-lo. As coisas existem enquanto carentes de ordem e ao homem cabe a ordenação. O problema é quando este homem se torna, também ele, objeto de ordenamento de outrem. Caberia ao homem, portanto, dar sentido a si mesmo. Isso impõe uma classificação de homens bastante simples: a dos que não possuem sentido e não são capazes de orientar-se e os que não possuem sentido, mas são dotados de capacidades para dar sentido a si próprios e ao próximo. Não somente ao próximo, mas a toda a humanidade.

Evidentemente, uma árvore pode ser transformada em uma mesa. Mas o homem possui algo mais que a natureza física. Possui natureza humana. Mas para os imanentistas, esta também é produto de um sentido criado e, portanto, pode ser ressignificada e reordenada conforme o gosto do significador. Mas quem é este significador?

Alguns creditam este ordenamento a forças espontâneas como a cultura, a sociedade etc. Mas estas forças são na verdade controladas por seres humanos que podem, por sua própria conta, criar sentidos diversos ao restante da humanidade e impô-las pela violência. Basta-o os meios de ação. Estes sobram nas mãos de engenheiros sociais. Eis a gênese do totalitarismo e da verdadeira cultura da violência, contra a qual ninguém parece ter o direito de levantar-se.

Em nenhuma época se matou tantos cristãos no Oriente Médio, pelo simples fato de serem cristãos. Assim, um verdadeiro genocídio de bebês não-nascidos tem sido feito por meio do aborto. Nenhum destes fatos é creditado à cultura de violência, mas pelo contrário, a toda tentativa de impedir abortos ou à mera denúncia da morte de cristãos. Do mesmo modo, creem poder ordenar a sexualidade de crianças através de métodos de educação sexual nas escolas sem o consentimento dos pais. Isso igualmente não lhes parece violento, mas consideram gestos verdadeiramente humanitários.

A ideologia é a força integradora e ordenadora que provém da mente desequilibrada dos que se julgam mentores do mundo. Só um louco ordena-se pela missão salvadora de dar sentido a tudo e a todos. A ideologia é loucura.

O ideólogo que não cumpre a missão de dar sentido ao mundo sente-se gravemente omisso. Sua missão é sagrada e liga-se à salvação da humanidade. É por isso que esquerdistas e similares (todos os que optam por soluções mágicas na política ou nos costumes) se veem como salvadores da realidade e mais donos da razão quanto mais os contrariemos. Lembrá-los do sentido e da ordem preexistente nas coisas é não só ir contra suas concepções mas retirar deles o chão sobre o qual caminham.

Tentam, portanto, escravizar o mundo para satisfazer a sua própria falta de sentido. O ideólogo cansou-se de buscar sentido a si próprio e estagnou-se na missão salvífica de dar sentido ao mundo pela violência, seja física ou linguística, a que melhor lhe sirva para adequar sujeitos aos sentidos ou sentidos aos sujeitos.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

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