conservador que dorme a onda leva no Brasil

Conservador que dorme a onda leva

A Democracia é um equilíbrio de poderes que, em termos físicos, poderia ser traduzida mais ou menos como a Terceira Lei de Newton: os poderes forçam e são forçados. As leis promulgadas pelo Legislativo servem de baliza para o Judiciário e Executivo; os atos deste recaem sobre os outros dois, e assim segue a balança democrática. Mas o que vemos hoje no Brasil é justamente o inverso desse equilíbrio, com os três poderes coexistindo numa completa desarmonia, ou melhor, em uma harmonia submetida não a si mesma, mas a um quarto e externo poder, superior à própria Democracia. Logo, Democracia não há.

Assim é que, nesse descompasso, para que houvesse a substituição do mecanismo defeituoso, precisaria haver ainda um quinto poder para que os outros 4 fossem interrompidos, uma vez que o mecanismo está corrompido por inteiro. Ocorre que essa força alternativa é praticamente inexistente no país, porque a única força organizada, ainda que cambaleante, é precisamente a que descalibrou a balança, a saber: o eixo PT-PMDB-PSDB.

Não há organizações conservadoras expressivas. Não há mídia conservadora de grande circulação. Não há partidos conservadores disputando eleições. Não há liderança conservadora organizada dentro dos muros das Igrejas. Não há nada que pudesse substituir o mecanismo defeituoso de imediato. As únicas forças potenciais talvez fossem a família Bolsonaro e a Casa Imperial, mas ambas estão atrasadas em uns bons anos porque não construíram bases políticas que as possibilitassem intervir, imediatamente, no conserto.

Ora, Dilma foi expelida da presidência e o cetro não foi passado ao povo. Temer caminha para a mesma cova e não há registro de que o trono vá receber as nádegas populares. Enquanto isso, a Lava Jato emporcalha um pouco mais a velha carcaça política. Que restará nesse cemitério republicano? A meu ver, duas ossadas: a de Ciro e Marina – e mais a do PSOL. Dar-se-á, portanto, o que se deu na Itália pós Mãos Limpas: de 945 cadeiras do Congresso, 324 foram ocupadas pela antiga esquerda, cuja união gravitou em cima de um esquerdismo repaginado. Das demais, quase todas ficaram com a frente formada por Berlusconi que, dadas as devidas velhacarias, despontara como alternativa para recalibrar a balança italiana.

A conclusão possível é que o Brasil não tem uma solução a curto prazo, porque a única saída seria o Exército bater à porta da Casa Imperial para devolver a nação: “Boa tarde, por obséquio, o Príncipe de Orleans e Bragança se encontra? Viemos restituir o que tomamos”. A chance é remota, evidentemente, então resta-nos apenas clamar pela Divina Providência enquanto tomamos vergonha na cara para fazer aquilo que deveríamos ter feito três décadas atrás: ressuscitar a alta cultura no país. Sim, Olavo tem razão.

Estudante do curso de medicina pela PUC-SP, pesquisador de temas relacionados a saúde, drogas, política e colaborador do site Estudos Nacionais.
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