A autofagia esquerdista

Na mesma semana em que a transexual Duda Salabert se desfiliou do PSOL por constatar que há uma “transfobia estrutural” no partido – seja lá o que isso signifique – a lacrolância viveu mais um episódio da sua cada vez mais inevitável guerra civil.

David Brazil, um famoso promoter homossexual, que vive cercado de celebridades, cometeu o sacrilégio, a maldade, a canalhice de dizer, em resposta a um comentário sobre a importância da vida dos negros que, vejam só e tapem os narizes… “todas as vidas importam”.

Foi falar esse absurdo e toda uma horda de social justice warrior foi atrás do sujeito remenda-lo, censurá-lo e mesmo agredi-lo moralmente. E a grande líder do bando foi a distinta Preta Gil, filha do tropicaliano Gilberto que ainda vive em 68 e, pelo visto, instruiu a sua cria a também nunca mais sair de lá.

Preta sugeriu a Brazil, a quem ela considera um amigo, que fosse a sua casa para que o presenteasse com livros e preciosos ensinamentos sobre como nunca descontentar, um tiquinho que seja, a patrulha de livres pensantes e defensores do free speech.

Ato contínuo, os ataques virtuais se redobraram. E David bem que tentou se redimir diante dessa turma gente boa e tolerante. Pediu desculpas, concordou que as vidas dos negros importam – e as outras nem tanto – e tresjurou que não era racista – pois essa era acusação geral. Em vão. Não há remissão dos pecados para os caridosos esquerdistas. David é racista e ponto. Sendo assim, vai ter que pagar. E pagou.

Resultado: o sujeito acorda com seu carro caro todo riscado. Os dizeres: racista, racista, racista. A causa: David disse que todas as vidas importam.

 

Esse caso é interessante por ser representativo de toda uma tendência ideológica que predomina entre os nossos jovens. Na cabeça do esquerdista contemporâneo – o anti-racista, a feminista, o militante LGBT(não sei o resto da sigla), o indigenista, o ecologista (ciclista, vegano etc.) – eles representam, sempre e sem discussão, o Bem. Logo, tudo o que se desvie dos dogmas rezados na cartilha do seu grupo de referência é, por lógica, o Mal.

Acontece, porém, que a falta do que fazer, esse importante aspecto humano ignorado pelos socioólogos, é grande e, dia após dia, os SJW dão conta de apontar um novo detalhe, um novo ponto crítico, uma nova minoria, e o número de grupos e pautas a serem representadas sofre uma espécie de mitose imparável. Daí que ninguém, a não ser os estrategicamente desocupados, possa estar a par de cada novo acréscimo nessa lista sagrada das causas a serem bovinamente defendidas. Por consequência, mais cedo ou mais tarde, alguém vai pecar.

O cara é pró-índio, pró-drogas e “ele, não”, mas vai lá e tira foto ordenhando uma vaca. É contra os animais, um demônio. Como aconteceu com o Túlio Gadelha.

O sujeito é um artista negro militante, fala de ideologia de gênero, aborto e tudo mais. Porém, se casou com uma mulher branca. Sentença: é heteronormativo e racista (palmiteiro é o termo técnico). Como no caso do Emicida.

A mulher é feminista engajada, com direito a cabelo nas axilas pintado de verde fluorescente, entretanto é rica. Crime: é contra o feminismo negro periférico.

O David Brazil é gay, mas não defende a vida só dos negros. É racista.

O bom de tudo isso, para as pessoas normais, é que, vai chegar um tempo em que eles vão se devorar a si mesmos e o mundo, dali para diante, ficará menos louco.

 

 


 
 

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