Podemos confiar em pesquisas pagas por clínicas de aborto?

Podemos confiar em pesquisas pagas por clínicas de aborto?

18/09/2018 0 Por Marlon

Sobram recursos para pesquisa científica sobre a questão do aborto, desde de que as conclusões sirvam aos interesses de seus financiadores: as clínicas de aborto e as fundações internacionais.

O financiamento de pesquisas cria uma legião de militantes ansiosos por mais verbas e prestígio acadêmico, fornecendo mão de obra barata e abundante para justificar cientificamente agendas ideológicas.

Em 12 de agosto, o Dr. Raphael Câmara trouxe à tona, em artigo na Gazeta do Povo, um alerta sobre o “conflito de interesse ideológico” nas pesquisas científicas da área de saúde, em especial quando tratam de questões polêmicas e de grande interesses econômicos envolvidos como são os casos de agrotóxicos, mudanças climáticas, violência urbana, aborto etc.

A política e a ideologia passaram a utilizar como argumento de autoridade a palavra ciência e pesquisadores passaram a lucrar com isso. Com verbas milionárias de fundações e da indústria do aborto, por exemplo, são construídos e mantidos laboratórios inteiros, centros de pesquisa e universidades.

Como exemplificado no livro Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades (cap. 3-pag. 158-159), existem centros de pesquisa como o Bixby, da Universidade da Califórnia, que publica apenas pesquisas que dizem que o aborto não traz grandes males para a saúde das mulheres e que se deve, sempre, expandir o promover o acesso ao aborto. Com aproximadamente 40 pesquisadores Ph.D contratados, o Bixby tem como financiadores conhecidos promotores da pauta e incluindo clínicas de aborto como a Marie Stopes International (MSI) e a Planned Parenthood (IPPF).

Entenda como pesquisas subsidiam a militância: caso Bixby na Califórnia em busca de mão de obra barata para realização de abortos.

Dentre as conquistas comemoradas pelo centro de pesquisa Bixby, da Universidade da Califórnia, está a recente aprovação de uma lei no estado da Califórnia, que permite que parteiras, enfermeiros e médicos assistentes realizem abortos. A alteração legal se deu graças às pesquisas do centro universitário, realizado com financiamento das maiores clínicas de aborto. O laboratório da pesquisa de campo, obviamente, foi a própria clínica Planned Parenthood.

Na pesquisa citada como “base argumentativa” para a aprovação da lei, os pesquisadores compararam 11.487 procedimentos de aborto por aspiração feitos por médicos obstetras com 11.487 procedimentos de aborto feitos por parteiras, enfermeiros e médicos assistentes. Os resultados da pesquisa sustenta que o risco seria “praticamente equivalente”, servindo, portanto, como argumento para a aprovação da lei.

A estratégia de pesquisas aliadas à militância mostra como funciona a engrenagem. Também é possível verificar o porquê de tantas ONGs feministas pró-legalização do aborto estarem investindo na pauta do parto humanizado, aumento do papel das enfermeiras obstétricas, parteiras e doulas, em um movimento que em muitos casos, coloca o obstetra como vilão da cena de parto. No fundo, trata-se de uma estratégia que vem ao encontro da indústria do aborto: menor custo de mão de obra; maior abundância de profissionais aborteiros; maior velocidade na formação e capacitação de aborteiros, entre outras.

O debate no Brasil

No debate sobre a legalização do aborto, no Brasil, utiliza-se essencialmente dados de estudos pagos e elaborados pela militância pró-legalização, que não por acaso, apresentam diversos problemas metodológicos e de coerência, culminandos em argumentos úteis para os militantes da pauta do aborto. A conhecida metodologia AGI que estimou 1,2 milhão de abortos no Brasil foi financiada pelo Instituto Guttmacher, que é parte da indústria do aborto legal em escala global. As fragilidades dessa estimativa são bastante evidentes e já foram analisadas em outro artigo. Trata-se de instituto focado na militância.

Alguns trabalhos chegam a níveis de militância escandalosos, como é o caso de uma dissertação de mestrado que li outro dia, da área de psicologia, onde baseado em transcrições de relatos de mulheres que fizeram abortos clandestinos no Brasil concluía que todo o trauma, arrependimento, remorso ou angústias apresentados pelas mulheres se deviam ao fato do aborto ser um crime e não pela experiência do aborto em si; ainda que algumas diziam coisas como “foi bem difícil […] pelo fato de saber que é uma criança que já está formada ali”, dentre outras afirmações que mantém estreita semelhança com pesquisas internacionais que comprovam a gravidade dos traumas pós-aborto nos EUA e Canadá. Ou seja, não se trata de trauma gerados pelo legislação brasileira que proíbe o aborto, mas um trauma devido ao aborto.  A interpretação da mestranda (hoje mestre em psicologia) foi completamente descabida.

Conflito de interesses e o desequilíbrio no debate

O conflito de interesses coloca em xeque a credibilidade das instituições envolvidas neste debate. Pesquisadores agem, ora motivados por recursos para pesquisa, ora pela ideologia que aderiram, já que o resultado de décadas de investimentos milionários em pautas progressistas gera também uma legião de militantes dispostos a produzir pesquisas em prol da causa, mesmo sem grandes fortunas em troca. O resultado disso são milhares de pesquisas tendenciosas.

Alguns virão argumentar que de fato são necessários recursos para pesquisa. Claro que sim. Quem investe, algum interesse possui. Mas a equação não é tão simples. Os problemas que estamos verificando envolvem a degradação moral, a corrupção da inteligência e a politização das pautas em níveis extremamente graves, principalmente pelos setores progressistas.

Ao mesmo tempo, há uma notável assimetria desta guerra de informações e pesquisas, onde um lado possui milhões de dólares para investir em pesquisa, desde que venham ao encontro dos interesses dos financiadores. O contraditório, contudo, não possui grandes fontes de recursos. Este cenário faz com que a sociedade tenha apenas uma versão da história; e uma versão bastante tendenciosa, que busca benefício próprio. Com isso, o lado que detém a abundância de recursos para pesquisa é capaz de manipular legisladores, o judiciário e o poder executivo em todos os países, com apoio do terceiro setor e meios de comunicação, também beneficiados nesta indústria.

Em tese, uma pesquisa paga por uma determinada fonte de recursos não deveria causar escândalo, mas quando vemos que todas as pesquisas pagas por eles trazem resultados benéficos para seus negócios e possuem baixa qualidade, então temos um problema que precisa ser tratado.