Notas sobre leitura de jornais: como nos informamos

Como ler as notícias?

Muita gente pensa, fala e escreve sobre técnicas de manipulação utilizadas pela mídia e por organizações internacionais. Tudo isso existe e tentei dar conta da maioria delas em meu livro A transformação social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda. Essas artimanhas, no entanto, de nada adiantariam se não fosse pela natural e espontânea desvirtuação da atenção humana, ocorrida pela própria condição moderna da informação. O que vamos falar vem muito antes, e serve de base para qualquer técnica de manipulação. Porque o problema que tornou possível a transformação está na pouca compreensão de como ocorre a informação. Proponho aqui, portanto, começar um outro tipo de leitura, a leitura imaginativa e participativa. Vamos refletir juntos.

O que é a leitura informativa?

A leitura de notícias já é, por si só, um problema, já que adquirir informação é conectar-se com o que é novo e atual, palavras que buscam descrever um sentimento. O sentido de atual não é exatamente o de novo, novidade, mas de estar acontecendo, em ação, agindo, não apenas em potência ou possibilidade de ocorrer. Quando lemos as notícias, buscamos nos dirigir ao que é fato, ao que está de certa forma consumado e cuja existência irreversível produz efeitos no mundo. Se o mundo modifica-se, move-se, sentimos a necessidade de acompanhar este movimento, como se fôssemos levados por um ritmo. O que nos impele a seguir esse movimento é uma analogia, por nós nem percebida, com o movimento do existir e do ser. Quando nos sentimos parados ou isolados desse movimento, sentimos que não existimos, não somos.

Portanto, a leitura de enunciados informativos carrega sempre a expectativa de conexão com a ação que se reflete no mundo, o que pode variar em cada indivíduo, conforme a profundidade ou superficialidade da informação ou tema. A escolha do tema de interesse, na busca pela informação, segue uma propensão íntima e fiel a algum outro movimento da alma individual. O indivíduo busca uma orientação, que pode ser expressa nos diversos aspectos da realidade. O foco em determinado aspecto passa facilmente a obedecer a classificação mais conhecida desses aspectos, como futebol, política, economia, comportamento e tantos quantos possam ser enumerados por uma redação de jornal ou seções de sites especializados em oferecer informação o mais personalizável possível, dentro de suas estruturas. Essa esquematização, é claro, obedece a estrutura midiática e o modo como se pode organizar as informações conforme suas condições e necessidades econômicas e técnicas.

As categorias com as quais organizamos nossa atenção, portanto, muitas vezes são formadas a partir de classificações externas e alheias ao nosso próprio modo de ver e do funcionamento da nossa atenção. Acontece que a maioria das pessoas desconhece a própria forma de atenção, o próprio modo de conhecer, a maneira mais pessoal e própria de buscar a orientação.

Dessas categorias, classificações, depende em geral os critérios de atenção. As perguntas que devemos nos fazer e que, por meio de profundas reflexões, podemos um dia chegar a responder é: por que nos interessamos por determinada manchete no jornal? O que nos leva a gostar de determinado tema ou uma forma de abordagem? Isso tem relação com o nosso temperamento ou a nossa personalidade?

Algo que pode ajudar a visualizar a resposta para estas e outras perguntas é saber que, tendo-as em mãos, podemos não só nos orientarmos melhor no mundo, mas sem dúvida, orientar outros e criar métodos e critérios claros para a efetiva informação, formação, educação e conhecimento.

abortos forçados e danos psicologicos pos-aborto

Mulheres são pressionadas a abortar e sofrem danos psicológicos, diz estudo

A expressão “pró-escolha” perde completamente seu sentido diante do resultado da pesquisa publicada no ano passado pelo Journal of American Physicians and Surgeons (JP&S), que confirma pesquisas anteriores sobre a efetiva decisão da mulher em abortar e os traumas pós-aborto.

precisamos-falar-sobre-aborto-livro-pacote-1-exemplarA pesquisa analisou 987 mulheres que passaram por abortos e traz diversas informações importantes sobre a experiência do aborto em mulheres nos EUA, onde a prática é legalizada:

  • 13% das mulheres informou ter feito algum tipo de tratamento psicológico ou psiquiátrico antes do aborto e após o aborto 67,5% das mulheres haviam passado por tratamentos psicológicos.
  • 58,3% das mulheres informou que fez o aborto por ter sofrido algum tipo de pressão por pessoas próximas e 28,4% informou que teve medo de perder seu companheiro caso não fizesse o aborto.
  • 73,8% discorda de que a decisão do aborto tenha sido uma decisão exclusivamente dela, indicando haver sofrido pressões sociais.
  • 67,5% informou que se tratou da experiência mais difícil de suas vidas.

Leia também: Abortos forçados: a maior chaga do movimento “pró-escolha”

A pesquisa verificou diversos impactos na saúde mental das mulheres:

  • 14,4% passaram a sofrer sintomas de depressão relacionados ao aborto
  • 14% declarou sofrer sentimentos de culpa
  • 12,4% declarou ter tido perda de autoconfiança e sentimento de que não merece ser amada 9% informou ter passado a fazer uso de alcool e drogas
  • 7% declarou crises de ansiedade
  • 6,2% passou a ter pensamentos suicidas

Dentro da amostra da pesquisa, de 987 mulheres, 69,8% havia feito um aborto; 19,7% havia feito dois abortos, 7,6% havia feito três abortos e 2,9% havia feito quatro abortos ou mais. Setenta porcento delas fez o aborto com 21 anos de idade ou menos.

A pesquisa obteve relatos de mulheres de todos os estados dos Estados Unidos exceto o Havaí. A pesquisa foi realizada por um time de pesquisadores renomados que há muitos anos trabalha nessa área.

Os abortos forçados são vistos com menos frequência em países onde o aborto é crime, como o Brasil. A falta de apoio às gestantes para seguir suas gestações e terem seus filhos e o fácil acesso aos serviços de abortamento mostram-se elementos que podem contribuir para que as mulheres sofram pressão para abortarem, aumentando assim o número de mulheres que se expõe aos problemas psicológicos e físicos ocasionados por um aborto, quer seja ele legal ou ilegal.

O argumento de que as mulheres tem o direito de escolher sobre o seu próprio o corpo se mostra apenas um artifício retórico, em um contexto ideológico no qual a ideia de “empoderamento”  fortalece discursos políticos persuasivos.

Os dados da pesquisa vem confirmando constatações de diversos outros pesquisadores de outras universidades e de outros países. Milhares de mulheres podem estar sendo levadas a terríveis sofrimentos em nome de agendas políticas internacionais que governos são pressionados a aceitar.

 


Pesquisas científicas e experiências clínicas da psiquiatra Dra. Martha Shuping são detalhadamente apresentadas no livro Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades, em lançamento no Brasil pela Editora Estudos Nacionais. O livro já pode ser adquirido antecipadamente e a entrega será em março.

 


Referências:

Coleman et. al. 2017. Women Who Suffered Emotionally from Abortion: A Qualitative Synthesis of Their Experiences. Journal of American Physicians and Surgeons, Volume 22, Number 4, Winter 2017. Acesso ao artigo em inglês.
Madeira JL. Aborted emotions: regret, relationality, and regulation. Michigan J Gender & Law 2014;21:1-66.

Cohen, Susan A. Repeat abortion, repeat unintended pregnancy, repeated and misguided government policies. Guttmacher Policy Review 2007 10(2):8-12.
Centers for Disease Control and Prevention. (2013, November 29). Abortion Surveillance–United States, 2010 (see Tables 3 and 5).

 

A sabedoria segundo Tomás de Aquino

Robert M. Woods*

Frequentemente, durante uma discussão em sala de aula, ou até num discurso na igreja, o tema sabedoria costuma ser abordado. Geralmente, a definição é apresentada como uma prática ou como um ensinamento aplicado. Mas eu, particularmente, gostaria que a definição de sabedoria de Tomás de Aquino predominasse no dia-a-dia da civilização ocidental. Na verdade, as Artes Liberais teriam surtido um efeito muito melhor ao longo dos tempos, caso a definição tomista tivesse sido a única a ser ensinada e vivida.

Para Tomás e a maioria dos filósofos que precederam o mundo moderno, a filosofia era essencialmente o “amor à sabedoria”. Participar da prática filosófica consistia numa busca fiel pela sabedoria, onde quer que fosse encontrada. O entendimento primário da verdade era afirmar o que algo era realmente, ao invés de dizer aquilo que não era. Em um sentido mais amplo, a sabedoria significava uma profunda compreensão da verdade das coisas. A filosofia não era um olhar relativo, nem uma manipulação ideológica, mas uma busca diligente para entender o bem, o verdadeiro e o belo.

Tomás afirma na Suma Contra os Gentios I, 2:

“Entre os estudos humanos, o da sabedoria é o mais perfeito, o mais sublime, o mais útil e o mais alegre.

O mais perfeito, porque enquanto o homem entrega-se ao estudo da sabedoria já vai participando, de algum modo, da verdadeira beatitude. Por isso, diz o sábio: Feliz o homem que permanece na sabedoria (Eclo 14, 22).

O mais sublime, porque por ele o homem aproxima-se o mais possível da semelhança de Deus, o qual fez todas as coisas sabiamente (Sl 103, 24). E porque a semelhança é causa do amor, o estudo da sabedoria nos une de modo precípuo a Deus, pela amizade. Por esta razão se diz no livro da Sabedoria: A sabedoria é um tesouro infinito para os homens que, ao usarem dele, fazem-se participantes da amizade de Deus (Sb 7,14).

O mais útil, porque pela própria sabedoria chega-se ao reino da imortalidade, conforme se lê no mesmo livro: O desejo da sabedoria conduz ao reino eterno (Sb 6,21).

O mais alegre, finalmente, porque está também escrito neste livro: A sua companhia não é amarga, nem enfadonha é sua convivência, mas alegre e cheia de gáudio (Sb 8,16).”

 

Também vale a pena notar que, entre os maiores filósofos da tradição intelectual ocidental, não houve ninguém mais comprometido com a oração do que Tomás. Como grande exemplo, ele não apenas buscou a sabedoria como parte de seus esforços brilhantes e intelectuais, mas também rezou diariamente por sabedoria.

revista estudos nacionais

Isso pode surpreender a sociedade pós-iluminismo, saber que, antes do iluminismo, a sabedoria estava intimamente ligada ao divino. Para aqueles filósofos, raciocinar, refletir, imaginar, conjecturar, era parte do que significava agir fielmente em conformidade com a imagem de Deus. Sobre as quatro causas expostas por Aristóteles e aderidas por Tomás, a sabedoria era entendida como a compreensão da causa final (fim último). Infelizmente, quase tudo foi perdido na ciência e na filosofia de hoje.

É possível que uma das razões pela qual a Filosofia seja ridicularizada por tantos, hoje, como irrelevante e desatualizada, seja por ela ter perdido a direção há algumas centenas de anos e não ter encontrado o caminho de volta. Se filosofia ainda significasse a combinação entre o teórico e o prático, entre a reflexão e a ação moral adequada, pode-se imaginar que haveria muitos mais que a amariam e viveriam com sabedoria.

 

 

Tradução: Raul Effting

[*] Robert é Colaborador Sênior do site Imaginative Conservative. Ele é o diretor da Covenant School, em Dallas, Texas, e leciona no programa de pós-graduação da Universidade de Faulkner. Seus trabalhos são publicados em inúmeros periódicos e ele escreve regularmente em seu site Musings of a Christian Humanist.


Fonte: The Imaginative Conservative

Bestas rudes do novo conservadorismo

Por Victor Bruno

Qual besta rude, vinda enfim sua hora,
Arrasta-se a Belém para nascer?
— W. B. Yeats, “A Segunda Vinda”

 Intelectualidade no Sol e na sombra

É difícil se falar de um conservadorismo no Brasil. Não só pelos motivos que conhecemos bem (preconceito catedrático, censura ideológica, dominância política de esquerda etc.), mas também por motivos mais delicados e sutis que merecem destaque e estudo; aqui não posso dar senão uma breve pincelada.

As idéias têm a vantagem de poder se desenvolver na escuridão e aridez, como provam as experiências de vida de figuras como Viktor Frankl, o psicólogo judeu prisioneiro em Auschwitz, e Alexander Soljenítsin, o dissidente do comunismo que transformou seu cárcere nos gulags em obra-prima da literatura. Também não podemos esquecer que o mais influente pensador de esquerda do século passado, Antonio Gramsci, compôs o grosso do seu pensamento dentro da cadeia de Mussolini.

Portanto, a idéia de direita — e a idéia conservadora —, não importando o cerceamento ideológico que reina aqui no império tupinambá, também pode aqui criar corpo. O muito comentado, pouco lido e ainda menos entendido Sir Roger Scruton, por ter uma relação muito especial com os países da antiga Cortina de Ferro, nos conta no primeiro capítulo de How to Be a Conservative (lançado no Brasil com o título Como Ser um Conservador, pela Record) a história de intelectuais em países dominados pelo regime comunista que, em meio ao horror vermelho, se reuniam em porões e pequenos apartamentos para dar prosseguimento às suas atividades intelectuais. Intelectuais como Béla Hamvas (foto), que, expulsos da universidade, tiveram que ir trabalhar como mão-de-obra sem qualificação em usinas de energia ou na lavoura. Esses pensadores, diz Scruton, estavam perfeitamente conscientes de que havia um problema muito maior do que o caos político vigente, havia algo ainda mais doloroso e traumático — um trauma de consciência. Esse, assim acreditavam, podia ser atenuado (mas não excluído) se houvesse uma chama de sentido acesa quando os regimes de esquerda fossem derrubados. E assim foi feito. O trabalho de consciência prosseguiu mesmo sob a sobra comunista. A Hungria e a República Tcheca, países visitados por Scruton, fizeram exatamente isso e se deram muito bem. Se hoje não nos referimos a essas duas nações como grandes potências econômicas, tampouco ouvimos falar deles como epicentros de crises políticas ou culturais. Budapeste e Praga, ao contrário do que diz o prefeito londrino Sadiq Khan, são duas metrópoles que não têm o flagelo do terrorismo açoitando suas costas.

Conservadorismo é mais que anti-esquerdismo

A idéia do conservadorismo transcende o momento político presente. Russell Kirk e Titus Burckhardt, para citar dois exemplos, já avisavam que o debate político do dia era uma parcela muito reduzida da abrangência magnânima que a idéia conservadora carrega. Se não há essa noção de transcendência, o potencial conservador se transforma em mero reacionarismo atávico e babão — e reacionarismo, ao contrário do conservadorismo, não tem nem um sentido abrangente de trabalho de oposição e muito menos um aparato de ordem transcendente em seu arcabouço. As posições que o reacionarismo toma — apesar de poderem ser manifestações de conservadorismo — são muitas vezes as mais fugazes possíveis e levam aos paradoxos mais curiosos.

O Brasil tem um grande movimento de fundo conservador (vocalizado em geral pelos mais jovens, como aponta Francisco Escorsim em seu recente texto na Gazeta do Povo) que por várias razões se enrijece e esfarela em mero reacionarismo. Sabemos que, baseado nas pesquisas sobre desarmamento, aborto, na popularidade do findo governo do moribundo (mas ainda influente) Partido dos Trabalhadores e em praticamente todas as idéias defendidas pelos partidos e agentes políticos de esquerda, o Brasil tem uma população que, em sentido genérico, pode se considerar como “conservadora” (e, no fundo, qual não é?). Mas não há uma organização a esse espírito. A população de impulso conservador fica à mercê da impressão mais fugaz, à mercê de hipnotizadores carismáticos com tendências messiânicas. O senso comum — destacado do conhecimento que só a cultura pode oferecer — nada pode contra um vampiro político propulsado pela força da mídia.

E aí está a chave do enigma. Como o Prof. Olavo de Carvalho insiste há décadas, a memória cultural brasileira foi raptada e não sobrou ninguém para servir nem mesmo de baú ambulante no deserto da ideologia. Para citar Escorsim de novo, o povo brasileiro está divorciado da sua cultura e do diálogo com os seus antepassados. Isso perverte toda a possibilidade de um conservadorismo que transcenda o momento político, já que não é possível que se aprofunde a visão fugaz que o momento fugidio nos apresenta.

Um exemplo: num cenário conservador, veria-se o tratamento que a direita auto-intitulada dispensa a Jair Bolsonaro com reticência, pelo menos. Reticência porque ver Bolsonaro como o messias político que precisamos é retornar à década de 2000, quando o país olhava Lula e seu crescimento econômico como a nossa tábua de salvação. Reticência porque messianismo político é o primeiro pecado que os desesperados cometem e é o asfalto da histeria política. E reticência porque já era tempo de saber que não basta colocar uma pessoa “de direita” na presidência de um país para sanar o delicado problema da dominação ideológica num país. Na verdade, não basta nem mesmo para sanar aqueles mais profundos, como corrupção e desmantelamento da máquina estatal. Quem não sabe disso é dorminhoco ou é cínico.

Essa é uma breve imagem do nosso conservadorismo. Nos falta o senso histórico e nos falta o senso cultural. O drama do conservadorismo brasileiro não se concentra na falta de jornais e publicações conservadoras, ou na falta de um partido que carregue esse nome e essa bandeira. O que realmente nos falta é o preenchimento da imaginação, que é a própria essência do esforço conservador.

É preciso que se preencha o “guarda-roupa da nossa imaginação moral”, para usar o famoso termo de Sir Edmund Burke, com as coisas que valham a pena ser preservadas, e esse é, acredito, um esforço sagrado. Para que se componha o guarda-roupa da imaginação moral é preciso que tenhamos um mundo inteiro nas nossas cabeças, e isso significa que precisamos saber profundamente sobre a maior das obras de Deus: a própria Criação. E é exatamente por isso que o conservador preza tanto pela manutenção das coisas: que pecado imenso é se esforçar para compreender a majestade da obra divina, somente para deixar que alguém que acredita saber mais do que Deus a destrua?

Só que nós, homens, temos um handicap. Nós não podemos, como Deus, conhecer as coisas em sua totalidade, tanto as coisas do futuro como as do passado. O homem só conhece as coisas que já foram feitas. Ou seja, temos que viver o passado através das crônicas e dos relatos do que se passou naquele momento quando aquelas ações eram executadas. Temos que abrir uma porta perceptiva para que se realize uma conexão fundamental com o melhor da nossa história — tendo a certeza de que esse trabalho não é para ser finalizado agora.

Logo se vê, portanto, que a tarefa conservadora é infinitamente complicada. O conservadorismo não foi inventado por um “Grande Simplificador”, um teórico que inventa um sistema de crenças no qual todo o funcionamento ideal do mundo está contido; o conservadorismo não foi inventado por ninguém. Talvez por isso seja tão difícil anunciar uma idéia conservadora para as massas: o pensamento conservador não oferece soluções e nem tem um plano; ele se desenrola no tempo, puxando o que há de bom no passado, tomando os grandes feitos como exemplo e preservando a liberdade para as gerações futuras. Antes de ver o mundo horizontalmente, o conservadorismo vê o mundo verticalmente, de cima a baixo, desde o topo do Logos até as profundezas do anticristo. No campo de imaginação conservador há só o drama da humanidade.

Uma esperança

É justamente a ausência desse espírito de meditação e imaginação que mencionei que nos impede de construir uma mentalidade — ou mesmo uma intelectualidade — conservadora no Brasil. (Claro está que mesmo que tivéssemos o espírito meditativo e a imaginação moral, ainda não estaríamos garantidos de que teríamos um conservadorismo poderoso. Não há receituário para as coisas da vida.)

Não é minha intenção criar uma prescrição médica para o lançamento de um conservadorismo verdadeiro no Brasil — de um conservadorismo que seja mais do que um batido tupinambá de antipetismo, idéias liberais austríacas e de conservadorismo anglo-saxão. Minha intenção é somente apontar algumas impressões de um movimento que ainda está em estado latente em nosso país e que precisa superar o simples e recalcitrante antipetismo de última hora (por mais que esse tipo de ação política tenha se tornado extremamente lucrativo desde 2013).

Mas no fim das contas, há uma esperança. Talvez esse desejo imediatista que há no coração do brasileiro de hoje o leve a fazer esse trabalho de investigação da realidade; talvez, chegando a fazer essa investigação, se perceba que existe um senso moral em cada um de nós que transforma a vida humana numa sinfonia de desejos, ações, esperanças e sonhos. Que o destino do homem é servir ao próximo, perdoar e estabelecer um amanhã que não seja ideal, mas livre, e que dessa liberdade germine o melhor possível dentro das nossas capacidades e dentro do mundo que nossos pais deixaram.

Conservadorismo é mais que usar gravata e andar de barba feita: conservadorismo é um compromisso do indivíduo com a ordem transcendente da Criação. É a manutenção do contrato entre os vivos, os mortos e os que vão nascer. O conservadorismo é a própria preservação do sentido da Criação. Falta que entendamos isso e o caminho é terrivelmente longo. Ele não começa hoje: vem do ontem e vai para no fim dos tempos. Portanto, como somos parte — todos nós — do drama da humanidade, algumas coisas nunca mudam e preservam sua atualidade para sempre.

O que é pós-verdade?

Por Victor Bruno*

No final de 2016, seguindo seu costume, os Dicionários Oxford elegeram a palavra que mais descrevia aquele ano. 2016, se lembramos, foi um ano traumático — pelo menos no que tange as sensibilidades políticas e culturais de uma parcela significativa das elites mundiais. Para a venerável entidade lexicográfica, “pós-verdade” era a palavra que mais representava o ano do Brexit e, mais preponderantemente, a eleição do presidente americano Donald Trump.

Uma série de eventos seguiram-se à esteira da emergência disso que se chama “pós-verdade”. Para os inimigos políticos do presidente do Partido Republicano, a frase de Kellyane Conway, uma das suas assessoras, na qual ela dizia que oferecia “fatos alternativos” à narrativa que dizia que a presença de público na posse de Trump empalidecia ante aos números da posse de Barack Obama, foi um prato cheio. Isso foi no início de 2017. Em abril, um grupo de estudantes do Pomona College, na Califórnia, pediu a retirada do conceito de verdade do currículo acadêmico, alegando que o conceito nada mais é do que um “construto euro-ocidental profundamente enraizado no Iluminismo”. Logo, racista e colonialista.

Se nós estivéssemos em outra situação, talvez eu estaria aqui criticando o sistema de educação superior que, afogado no mar de pós-modernismo do século XX e em suas ramificações que entram segundo milênio a dentro, esquece de ensinar o básico da filosofia e o básico da história da filosofia. (Se “verdade” é um conceito iluminista, então Parmenides tinha o dom da profecia, ao falar do “âmago inabalável da Verdade bem redonda” e Cristo roubou para si algo que verdadeiramente pertenceria à Europa do século XVII.) Porém, não estamos em outra situação. À primeira vista, a noção de que a verdade é um conceito inexistente pode parecer perfeitamente absurda, mas quando olhamos mais demoradamente perceberemos que existe todo um sistema de rapto imaginativo e cognitivo que faz com que a unidade da existência — ou seja, a verdade — fique escondida por trás de uma névoa de confusão e paixões. No atual estado de coisas, essa névoa e essas paixões recebem o nome de “subjetividade” e, por ocuparem no atual termômetro cognitivo o posto da verdade (ou por antes de vermos a verdade olharmos essa névoa de confusão), a tal subjetividade é endeusada, e nada pode ocupar seu espaço.

É nesse contexto que entra o conceito de pós-verdade. A definição que o Oxford faz do conceito é altamente significativa (o que me deixa aliviado: se nas ciências humanas a Universidade de Oxford nada produz, parece que na lexicografia eles ainda são bons). Para eles, pós-verdade é um adjetivo que “denota circunstâncias em que fatos objetivos são menos influentes no talhar da opinião pública do que apelos à emoção ou a crenças pessoais.” Nesse paradigma, pós-verdade é o perfeito contrário da verdade. O prefixo “pós” indica algo que supera naturalmente o seu predecessor (no caso, a verdade). Mas o que se batizou de pós-verdade não é isso: é um conceito sintético produzido em laboratório que surge como algo que rivaliza com a realidade sensível da verdade. Verdade, tomada em si, não é “um construto”, como defendem o povo do Pomona College, mas uma realidade; um destino real ao qual muitas estradas já foram construídas na tentativa de se chegar lá. As estradas podem ser construtos; a verdade, o ápeiron, certamente não é.

Desse modo, podemos sublinhar as diferenças entre verdade e pós-verdade em tinta ainda mais carregada. Verdade é um todo, uma bola de existência ao redor da qual construímos as tentativas de apreendê-la. Pós-verdade, sendo sua paródia satânica, é uma situação que formamos à luz das nossas preferências e paixões para que a situação real se pareça mais com a medida da nossa existência (portanto servindo àquele desejo gnosticista de construir o mundo à nossa imagem e semelhança para que nele possamos liderar). Acontece que os nossos desejos e as nossas paixões não existem no mundo real, mas no campo da imaginação; são objetos imaginativos que, privados de hilomorfose (de encarnação, por assim dizer), só podem vir a ser quando falados. Nesse caso, a realidade das suas existências tem outra forma: são instrumentos de retórica.

Aqui a coisa fica mais explícita. Se a pós-verdade é algo que se constrói ao redor de ferramentas retóricas, então ela nada é além de mero discurso, de poder verbal, ou, como diria Paulo Francis, bafo de boca. Se usarmos uma velha formulação dos estudos de comunicação a realidade da pós-verdade se dá num processo em dois tempos, num circuito Emissor -> Receptor. Quer dizer, a pós-verdade é um elemento discursivo cuja construção se dá em duas etapas: primeiro ela se constrói no imaginário do Emissor e uma vez que o Emissor se convence que os seus desejos são a medida do mundo, ele os externaliza em discurso retórico para o Receptor. Mas, lembremos: se fatos objetivos não são importantes no paradigma da pós-verdade, a única coisa que o Emissor tem para convencer o Receptor é a fé na encarnação verbal das suas paixões. Essa fé é aquela fé que Eric Voegelin chamou de “esperança metastática”.

O que temos aqui, por fim, é o império do discurso retórico, do irracionalismo e da manipulação. O Prof. Olavo de Carvalho havia definido o discurso retórico como aquele que “[v]isa, essencialmente, a persuadir alguém a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa. . . .  A influência do discurso retórico é menos profunda, porém mais evidente e imediata, mais traduzível em ações exteriores” (grifos meus). Ou seja, é um discurso imperativo, que mira ações práticas — ações de transformação.

Dessa maneira, voltamos à praxis revolucionária, aquela que visa a transformação antes da compreensão. É o primado da 11.ª Tese contra Feuerbach. Mas uma coisa é certa: para todo aquele que se deixa seduzir pela sua própria névoa de desejo existe um líder maior que controla esse desejo.

 

[*] Victor Bruno é escritor e aluno do Curso Online de Filosofia
de Olavo de Carvalho
. Contribui ocasionalmente com textos
sobre política, filosofia e arte para publicações
como a VoegelinView, a Desistfilm e o
MUBI Notebook.

Censura: entenda o que está acontecendo nas redes sociais

Há muito se vem falando do crescimento da censura nas redes sociais, e acredite, ela realmente está acontecendo.

Pode-se dizer que a crescente censura é devido aos efeitos causados pela circulação de informação na internet, que abalaram as pernas de muitos poderosos ao redor do mundo, constituindo algo totalmente novo e inesperado. Por exemplo: através do Facebook, o povo Líbio se organizou para a derrubada do sangrento ditador Muammar al-Gaddafi, bilionário da indústria do petróleo; os brasileiros, através de páginas e grupos, deram início a inúmeros protestos que levaram ao Impeachment da ex-presidente Dilma Rouseff. Mas talvez o que mais enfureceu os globalistas e a mídia mundial tenha sido a sua grande derrota através da vitória do presidente americano Donald Trump, deixando mais do que claro o poder das redes sociais ao substituírem o próprio establishment midiático utilizando-se da divulgação de inúmeras notícias que são propositalmente ocultadas pelos jornais de propriedade dos bilionários.revista estudos nacionaisDe fato, o Facebook, o Youtube e a Google são empresas ligadas a esses bilionários, mas sua estrutura tomou proporções que fugiram do controle, levando a sua própria derrota. Então, surge a questão: ”como vamos controlar o negócio sem atrapalhar os nossos planos?”

Acontece que os métodos de controle já estão em ação. Basta perceber a quantidade de queixas e protestos de pessoas que acusam as mídias sociais, principalmente o Facebook,  de censurarem suas ideias, críticas, notícias e apagarem páginas e perfis pessoais.

Censura na Europa

Algo visível é o que está ocorrendo na Europa, não apenas os boicotes da União Europeia aos países que se recusam a receber imigrantes, mas a coordenação com os meios de comunicação para não mostrar ao mundo os efeitos da imigração.

Apenas para efeito de ciência, assista ao pequeno vídeo:

Parece que estamos na Síria, não é? Mas estamos na Alemanha, em Hamburgo!

E cenários como este não cessam de surgir:

Carros sendo incendiados em Paris.

Motim e confronto com a polícia em Paris.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O álbum é enorme e poderíamos mostrar centenas de fotos. Mas que parte disto está sendo noticiado por aí? Muito pouco ou, até mesmo, nada.

Talvez devêssemos voltar ao ano de 2015, quando, durante uma refeição, Mark Zuckerberg (CEO do Facebook) e Angela Merkel (Chanceler da Alemanha) foram pegos de surpresa com um microfone que gravou pequenos trechos de suas conversas.

Depois de Merkel ter perguntado a Zuckerberg sobre os posts ofensivos a respeito da crise dos refugiados, o CEO do Facebook disse: “precisamos trabalhar nisso”.

precisamos-falar-sobre-aborto-livro-pacote-1-exemplar“Você está trabalhando nisso?”, Perguntou Merkel.

“Sim”, o Sr. Zuckerberg teria respondido, antes que a transmissão fosse interrompida.

Também, no último dia 6 de  dezembro, o governo polonês, a fim de reivindicar sua autonomia, fez um vídeo informativo que, infelizmente, foi censurado pelo Youtube.

O vídeo aborda a crise vivida com os imigrantes e a falta e autonomia dos membros da União Europeia, posto que o bloco econômico está, literalmente, suprimindo as identidades nacionais dos países membros e chantageando-os para que recebam imigrantes. O título do vídeo é: “Europa, abra seus olhos e garanta o nosso direito” que, incrivelmente, foi marcado como “inadequado à idade”, e muitos recursos padrão do YouTube para o vídeo foram desativados, incluindo a seção de comentários, compartilhamento, incorporação de opções, contagem e avaliação do usuário.

Esse “estado limitado” do Youtube é conhecido como um purgatório virtual de conteúdo considerado “ofensivo” ou “extremista” pela grande mídia e meios de comunicação – como a “crise de refugiados” e toda a propaganda que a alimenta.

Concluindo: não são apenas pessoas que estão sendo censuradas, mas também as próprias nações, demonstrando que a situação é gravíssima.

coca-cola-ideologia-de-genero

Quem está por trás das campanhas da Coca-Cola com ideologia de gênero

Certamente a campanha de propaganda de final de ano da Coca-Cola que leva a imagem da drag queen Pabllo Vittar nas latas de refrigerante não agrada a grande maioria da população brasileira. A Coca-Cola fez outra campanha nessa linha no “Dia do Orgulho LGBT”, em junho desse ano, com a frase: “Essa Coca-Cola é Fanta sim, e daí?“. Diante desse tipo de postura empresarial, mais uma vez, surge a pergunta:

Por que uma empresa faria uma campanha de marketing que vai contra a matriz cultural de seu mercado alvo?

Lembro-me das aulas de marketing. A Coca-Cola foi analisada, em sala da aula, por ter grande sensibilidade com a cultura local dos diversos mercados em que atua. Certa vez, por conta do festival de Parentins, no estado do Amazonas, a empresa chegou a fabricar latas na cor azul, para ser agradável a uma parcela daquela comunidade. Essa e outras campanhas ilustravam uma máxima que deveríamos aprender, sobre estratégia empresarial: “pensar globalmente, agir localmente”.

Acionista chave da Coca-Cola

Warren Buffett possui nada menos do que 16.7 bilhões de dólares em ações da Coca-Cola.  Nos últimos anos tem ficado evidente quais são as agendas que Buffett busca incentivar. Em 2015, ele colocou 215 milhões de dólares em grupos pró-aborto. O LifeSiteNews conseguiu apurar que entre 2003 e 2014, Buffett subsidiou a Planned Parenthood, a maior clínica de abortos do mundo, em pelo menos 440 milhões de dólares. Também destinou 2.2 bilhões de dólares para a Fundação Bill e Melinda Gates, que atua na distribuição de medicamentos abortivos e contraceptivos em diversos países do mundo.

Buffet também tem sua própria fundação, que leva o nome de sua primeira esposa: Susan Thompson Buffett Foundation (Fundação Susan Thompason Buffett).

As ações desenvolvidas pela Fundação Susan Thompason Buffett fizeram Warren Buffett ser intitulado pela Bloomberg como o maior “ícone feminista”. Trata-se da terceira maior fundação dos Estados Unidos, atrás apenas de suas parceiras de agenda, a The Bill and Melinda Gates e a Ford Foundation. A Fundação Susan Thompson destaca-se também na distribuição gratuita, em escala global, de ‘contraceptivos’ DIU (Dispositivo Intrauterino). A Bloomberg destacou ainda o altíssimo investimento da Fundação em pesquisas acadêmicas nessa área.

Segundo o site InsidePhylanthropy, o mega-bilionário destina 99% de sua riqueza para causas filantrópicas. Desse montante, 83% se destina a Fundação Bill e Melinda Gates.  O motivo de destinar mais recursos para a fundação de Gates ao invés de suas próprias fundações é que Buffett teria ficado impressionado com a eficiência da Fundação Bill e Melinda Gates, na distribuição de medicamentos abortivos, contraceptivos e outras pautas da saúde reprodutiva ao redor do mundo, com foco especial na África.

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Para muitos empresários e profissionais bem intencionados, a frase “pensar globalmente e agir localmente”, aprendida na faculdade ou no MBA, significaria uma perspectiva de gestão que agrega uma visão estratégica integrada e internacional, com ações locais que permitam identificação dos valores de cada sociedade, para a satisfação das necessidades locais de cada país e sociedade, obviamente respeitando sua cultura. Tudo muito romântico e belo!
A verdade é que essa frase está longe de ser uma teoria de marketing. Trata-se de mais um slogan da estratégia globalista dos mega-capitalistas, que não estão nem um pouco preocupados com a satisfação das necessidades de cada sociedade ou com respeito de suas crenças, mas sim, com a engenharia social. Isso está evidente.

O verdadeiro significado desse slogan consiste em introduzir agendas globalistas em todas as sociedades, incluindo a expansão do acesso ao aborto, ideologia de gênero, feminismo, e consequentemente, obtém-se a destruição da família.

Tenho visto de forma recorrente como os livros de marketing tem servido, há décadas, aos objetivos de mega capitalistas e globalistas. Dentro de muitos livros, onde se esperaria encontrar teorias acadêmicas e conhecimento científico, encontram-se diversos produtos de marketing, vendidos como se fossem teorias acadêmicas e tendências a serem seguidas “para o bem dos clientes, das empresas e da sociedade“. O famoso guru Philip Kotler contribuiu sobremaneira para isso, e ficou fácil entender o porquê. Ele trabalhou por décadas para a Kellogg Foundation, que é outra fundação bastante envolvida em diversos movimentos políticos de esquerda, promotora da pauta dos “direitos sexuais”, aborto e gênero.

Leia o artigo: Quando as empresas não querem o feedback do cliente: o fim da era do marketing

Fundação Coca-Cola

A Coca-Cola também possui sua fundação. A The Coca-Cola Foundation (Fundação Coca-Cola) atua desde 1984, em mais de 122 países, focando em três principais áreas: Mulheres, Água e Bem Estar.
Seus programas tem um especial no “empoderamento feminino” e distribuição de medicamento para mulheres de países da África, América Latina e Ásia, atuando em parceria com outras fundações, conhecidíssimas como: Bill e Melinda Gates Foundation.

Para atuar em tantos países a Coca-Cola Foundation movimenta bilhões de dólares entre as diversas fundações e ONGs espalhadas e conectadas em todo o mundo. A lista das organizações, disponível no site da da Coca-Cola, relaciona 262 organizações cujo montante de doações passa de 72,6 bilhões de dólares somente no ano de 2016.  Na lista constam organizações como a Gay e Lesbian Victory Institute; Nulac Institute, que luta pela pauta de gênero e outras pautas na América Latina; Open Society Foundation, de George Soros.

Em entrevistas, em dez 2016, o CEO da Coca-Cola, Muhtar Kent, afirma que é feminista e que a pauta feminista faz parte da estratégia da Coca-Cola, porque “é boa para os negócios”.

Estratégia empresarial versus valores da população

atualização em 04.12.2017:    Em julho, época da campanha “Essa Coca-Cola é Fanta, e dai?“, a Coca-Cola havia anunciado a criação criado um Comitê LGBTI+. Segundo o líder desse comitê interno, “A diversidade está no DNA da Coca-Cola”. Para a empresa, “A criação do comitê LBGT+ foi um passo importante na cultura da empresa”.  Apesar disso, uma das fotos da campanha foi criticada na internet também por conter apenas homens brancos na foto.

Em tempos em que a população vive aflita pelas incessantes tentativas de incluir questões polêmicas de ideologia de gênero e sexualidade precoce no material escolar de crianças de 6 anos de idade, e em que Fátima Bernardes leva diariamente, em seu programa matinal, crianças com aparente disforia de gênero, buscando, evidentemente, quebrar tabus e trabalhar na normalização desses casos, a postura da Coca-Cola no incentivo dessas pautas traz ainda mais tensão ao ambiente atual.

Em evento recente no Instituto Coca-Cola, a Diretora Executiva do Instituto afirmou:

“Acreditamos que as empresas podem e devem atuar para além das fronteiras de suas políticas de recursos humanos, para além das paredes de seus escritórios e fábricas, como agentes incentivadores de transformações que rompam os padrões culturais e tornem a sociedade mais justa e igualitária. É por isso que essa parceria com a ONU Mulheres tem um papel tão importante para a promoção do empoderamento socioeconômico das mulheres em comunidades de todo o Brasil” (grifo nosso)

A empresa também lançou alguns vídeos defendendo o fim da estigmatização de atividades entre homens e mulheres e o empoderamento feminino.

Em um dos vídeos, chegam a usar o termo “fazer decisões sobre o próprio corpo”, decidindo se querem ser mães ou não.

A empresa mostra-se claramente voltada ao trabalho de transformação da sociedade, por meio da desconstrução de valores culturais. Neste contexto, não parece por acaso a utilização de uma drag queen como “garota” propaganda. Principalmente quando vemos quais são as pautas que Buffett, principal acionista, tem investido.

Controle populacional e pauta feminista: as fundações e projetos patrocinados pelo maior acionista da Coca-Cola tem diversos elementos em comum, dentre os quais podemos destacar o controle populacional. Contudo, eles sabem que o controle populacional não passa apenas por alternativas de contracepção e expansão do acesso aos serviços de aborto, mas também pela implantação de uma cultura anti-natalista e é nesse contexto que entra o grande foco no “empoderamento” das mulheres. A pauta feminista e de “empodeiramento” vem no sentido de desestimular a maternidade por meio de grandes estímulo à carreira e ao empreendedorismo.  Talvez por isso o programa The Coca-Cola Company’s 5by20 initiative tem como objetivo “empodeirar” cinco milhões de mulheres até 2020. O estímulo ao movimento gay por parte dessas fundações também parece vir ao encontro desses objetivos de controle populacional, uma vez que esperam, com um desestímulo da chamada “heteronormatividade”, reduzir o número de famílias tradicionais no futuro. Assim, parece conveniente incentivar e promover a imagem de um ídolo jovem drag queen.

Informações:

InsidePhylanthropy

Coca-Cola Company – annual report 2016

Coca Cola Company – Why Investing in women and girls will drive economic growth and sustainable development

Coca-ColaCompany.com – Gender and Macroeconomics: What is next

Fool.com

HuffpostBrasil.com/ – Warren Buffett Foundationdonation contraception…

Conheça parte do Comitê LGBT+ que está trabalhando a diversidade sexual na Coca-Cola Brasil

G1 Globo – Em ação contra homofobia, Coca-Cola estampa ‘É Fanta, e daí?’ em latas