Sem diferença ideológica, PT e PSDB se dividiram pelo poder

“PT e PSDB nunca se juntaram por disputa de poder, não por disputa ideológica”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à Folha de São Paulo, nesta quarta-feira (7/03), no Youtube do jornalista  Fernando Grostein Andrade.

“O PT tentou caracterizar o PSDB sempre como de direita. E não é verdade”, disse. “Agora abriu espaço para uma direita reacionária”. O ex-presidente afirmou, ainda, que gosta de Fernando Haddad (ex-prefeito de São Paulo pelo PT) e que ele é “uma pessoa correta”. Haddad é cotado como um dos candidatos que o Partido dos Trabalhadores pode lançar em substituição a Lula. Na entrevista à Folha, FHC se autointitulou “completamente liberal” no que chamou de “matéria de costumes”. “Acho que a diversidade tem que ser respeitada. O pessoal da direita reacionária não acha isso. E querem punir. Está errado! É perigoso”, opinou.

Não é novidade que FHC considera Lula “um grande líder”. Em 1993, Fernando Henrique apresentou Lula aos grandes investidores, pertencentes à elite econômica global, ocasião em que foi firmado o Diálogo Interamericano, pacto entre as esquerdas norte-americana/européia e a latino-americana para a cooperação no continente. A história foi descoberta e contada inicialmente por José Carlos Graça Wagner e registrada em detalhes no livro O eixo do mal latino-americano e a Nova Ordem Mundial, de Heitor de Paola, publicado em 2008.

O pacto entre elite econômica e o Foro de São Paulo

O Foro de São Paulo foi fundado em 1990, por Fidel Castro e Lula, como um comitê estratégico regional para fortalecer os partidos e organizações de esquerda, objetivando a chegada e manutenção do poder nos países do bloco continental. Já o bloco econômico é composto de diversas entidades globais, como por exemplo Clube Bilderberg, grupos como os Elders (do qual FHC faz parte, junto com Mandela, Kofi Anan e outros), além da elite das Nações Unidas, Unesco, Unicef e suas Ongs pelo mundo. As duas facções da esquerda mundial possuem diferenças, mas em 1993, reuniram-se para unir esforços pelos objetivos comuns.

Graça Wagner contou essa história em um e-mail aos congressistas brasileiros, em 2001:

[Em 1993] estavam presentes, nessa reunião, 112 organizações de esquerda de toda a AL [América Latina], além de observadores convidados de organizações de esquerda de outros continentes. Era o seu IV Encontro Internacional. A primeira, tinha sido quando da fundação em São Paulo, no Hotel Danúbio, nos inícios de 90, logo após a vitória de Collor sobre Lula, como estava previsto que deveria ser feito, se isso acontecesse, desde uma reunião em 8 de janeiro de 89, em Havana, também publicada no “Paraíso Perdido”, com a presença de Fidel, de Lula, Frei Beto, (atual assessor de Lula, residindo no Palácio do Planalto), de José Genoino, (atual presidente do PT), e do jornalista [Ricardo] Koscho, (atual assessor de imprensa do presidente Lula). A finalidade, nessa ocasião, era fixar as estratégias para as eleições nos países do continente, que iriam se realizar desde dos fins de 93, no México, até as eleições de inícios de 95, na Argentina, num total de 14. Estavam presentes, nesse IV Congresso, as organizações guerrilheiras e toda a cúpula do PC cubano, inclusive, logicamente, Castro, bem como toda a cúpula internacional do PT, com Lula à frente e, naturalmente, Frei Beto, que é o único que fala, praticamente de igual para igual, com Castro.

Após a vitória de Lula, em 2002, houve uma sucessão de vitórias dos partidos de esquerda em diversos países do continente, chegando ao domínio quase completo da esquerda latino-americana. Nada disso teria sido possível sem a ajuda do bloco financeiro da elite econômica progressista, comandada de dentro do Partido Democrata, nos EUA, que é submetido a grupos ainda mais internos de milionários e fundações filantrópicas que há décadas estão comprometidas com causas ligadas ao controle dos recursos mundiais (ecologia), da reprodução humana (controle populacional, aborto).

A esquerda latino-americana, por sua vez, tinha a função de apoiar as causas das elites milionárias que, em última análise, deseja submeter estados nacionais à autoridades supra-nacionais, como a ONU, Unesco, Unicef, entre outras. Este objetivo, embora em certa medida oposto ao do bloco econômico (já que as ditaduras latino-americanas visam certo fechamento econômico e político) auxilia a esquerda regional a ampliar a “integração” do continente em direção ao sonho da “pátria grande”, uma espécie de “União das Repúblicas Socialistas da América Latina” e realizar o objetivo declarado do Foro de São Paulo que era o de “restaurar no continente americano o que foi perdido no Leste Europeu”.

Informações: Folha de São Paulo e Boletim da liberdade

universidades criam disciplina sobre golpe de 2016

Não é Fake News: Universidades estão criando disciplinas chamadas ‘Golpe de 2016’

Universidades federais como a UFBA, UFAM e a UnB criaram disciplinas específicas sobre o suposto golpe de 2016. Iniciativas complementares, como livros e produção acadêmica também têm sido utilizados como forma de recaracterizar o fracasso do governo petista e os crimes de responsabilidade praticados, como sendo um golpe e perseguição política.

UFBA – Bahia
A disciplina criada chama-se “Tópicos especiais em história: o golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” e é ofertada pelo departamento de História da UFBA.

UFMA – Amazonas
A UFMA também criou a disciplina no departamento de História, abordando tópicos como “Golpe de Estado, corporativismo e o legado autoritário da Era Vargas”, “Golpes e contragolpes no breve período democrático (1945-1964)”, “O golpe civil-militar de 1964”, “O golpe de 2016: autoritarismo, perda de direitos e reação conservadora”, e será oferecida pelo professor César Augusto Balbolz.

Em nota ao site Manaus de Fato, o professor da disciplina na UFAM não aborda em específico o afastamento de Dilma mas sim, faz uma avaliação do governo Temer e do contexto político atual. Critica a Reforma Trabalhista e da Previdência e o crescimento das posturas conservadoras no Brasil, citando os protestos diante da “performance” realizada no MAM/SP e os protestos contra visita de Judith Butler. Pela nota do professor, têm-se a sensação de que seria a performance do governo Temer que se caracterizaria um golpe e não o processo em si de afastamento da presidente pelos crimes de responsabilidade.

revista estudos nacionaisOutra iniciativa relacionada é o lançamento do livro “O Golpe na Perspectiva de Gênero”, organizado pelo Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura da UFBA, publicado pela Editora da UFBA, contendo ensaios de diversos autores que analisam o afastamento de Dilma Rousseff. Segundo resenha da editora da universidade, “o livro destaca como o processo histórico de inserção das mulheres ao espaço político tem sido marcado por uma dinâmica de avanços e retrocessos” e também os “impactos da reforma trabalhista e previdenciária para as brasileiras”, sendo “um convite à reflexão sobre gênero no Brasil”.

Entre as autoras do livro estão ex-ministras de Dilma,  Nilma Lino Gomes e Eleonora Menicucci, uma senadora do PCdoB-AM além de professores e uma vereadora do PSOL-RJ.

A partir dessas iniciativas se vê novamente um movimento de caracterização da história do Brasil em viés político-partidário e ideológico. Possivelmente, diante de dificuldades em argumentar contra o processo de afastamento de Dilma Rousseff, o foco dessas disciplinas e publicações têm sido mais político do que histórico, tratando mais o desempenho do Presidente Temer do que o “Golpe” em si.


Informações:

UFBA vai oferecer disciplina ‘Golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil’

Editora da UFBA – edufba.ufba.br – “O Golpe na Perspectiva de Gênero” será lançado nesta terça-feira (01/03)

Vermelho.org – UFBA e UFAM também criam disciplina sobre o golpe

 

Fake news x jornalismo profissional

Como gostaria, o repórter da Folha, de estar praguejando contra o capitalismo e chamando de nazista quem o contrariasse!

Recentemente, a página do Facebook do jornal Folha de São Paulo encerrou suas atividades na redes social afirmando que, na internet, “o fake news ganha espaço enquanto o jornalismo profissional perde”. Mas afinal, o que se quer dizer com “fake news”? E quem é o “jornalismo profissional” que o diz?

Na década de 1930, dois tipos de jornalismo se digladiavam pela confiança do público: um era o sensacionalismo, a chamada “imprensa marrom” e o outro, o transformador da sociedade, que ganhou a batalha e o título de “jornalismo profissional”. O sensacionalismo, porém, não tem nada de melhor. Enquanto o sensacionalismo vivia do pessimismo e da desconfiança (e por isso facilmente relacionado à direita política), o outro, com ares profissionais, era otimista em sua missão primeiro pela moral e os bons costumes e, hoje, pela cidadania, responsabilidade social, ambiental, engajamento político e a democracia. O sensacionalismo sempre foi acusado de querer vender jornais, enquanto o profissional era visto como se não quisesse dinheiro e vivesse de suas inquestionáveis utopias de mundo melhor.

Temos diante de nós um debate antigo e muito conhecido no meio jornalístico, mas que não tem uma solução fácil, já que ambos os lados se utilizam, vez por outra, dos mesmos instrumentos para descredibilizar o outro, conforme determinadas conveniências. Mesmo oferecendo apenas uma troca de insultos, é possível compreendermos o significado deste embate, os sentidos, e o campo de batalha em que ocorre.

A afirmação vinda de um dos maiores jornais do país deveria nos fazer perguntar imediatamente: afinal, o que se quer dizer com “fake news”? Em termos gerais, convencionou-se chamar de fake news as “notícias falsas ou sensacionalistas”, a velha imprensa marrom. Mas o sensacionalismo não é necessariamente uma notícia falsa e sim, dada em uma linguagem, digamos, não apropriada ou, segundo uma descrição mais etimológica, escolhida ou escrita com apelação para os sentidos mais imediatos (medo, surpresa, lucro etc). Então temos dois sentidos possíveis para a mesma expressão: a mentira pura e a linguagem “suja”.

Dois sentidos: a mentira e a linguagem imprópria

Uma coisa é a mera informação falsa, que engana em busca do que quer que seja, servindo a interesses variados. Quem espalha mentiras pela internet pode ser preso. Portanto, alegar isso injustamente é crime de difamação. Quem acusa de mentir precisa provar que é mentira, mostrar a verdade. Já a informação dada em linguagem imprópria ou apelativa, o velho sensacionalismo, não é necessariamente criminosa, mas apenas reprovável e pode-se, caso seja necessário, pedir direito de resposta para uma interpretação mais fiel à realidade ou apenas um contraponto.

Até agora estamos falando do que a expressão tenta dizer literalmente, indicar de modo mais direto, sem considerar as intenções de quem a usa. Fake News, segundo dizem, parece estar espalhada pela internet. Mas há uma dificuldade em identificar os dois sentidos possíveis. A dificuldade está na categorização política em que se encontram. Afinal, é pretensamente a esquerda que diz praticar o jornalismo profissional, enquanto à direita restam os rótulos de fake news. Mas considerando os dois sentidos mencionados, é possível que os papéis se invertam.

Parece fácil encontrar, de fato, alguns exemplos. Os blogs e sites que pedem a intervenção militar, por exemplo, utilizam-se de recursos que podemos chamar de sensacionalistas, como o uso de letras grandes (caixa-alta), pontos de exclamação, títulos forçados (muitas vezes contendo informações falsas apenas para chamar a atenção, pois são desmentidas no curso dos textos, categorização específica com o uso de jargões. Mas seus blogs costumam falar para um grupo muito específico, com vocabulário próprio e informações que exigem uma imensa confiança em fontes obscuras, o que é comum em sites de partidos ou sindicados de cunho marxista-leninista. A grande mídia não parece, porém, querer referir-se a estes.

Da mesma forma que a extrema-esquerda pratica o mesmo sentido de sensacionalismo, a imprensa profissional, ao estereotipar com rótulo odioso aquilo que quer denegrir, pratica a notícia falsa, a difamação pura e simples. Crimes de difamação, assim, podem ser cometidos desde que feitos em linguagem jornalística e tom imparcial, neutro. O historiador Marco Antônio Villa tem a permissão, como de fato fez, de chamar de nazistas todos os eleitores de Jair Bolsonaro, pelo simples fato de que esta palavra, dita em um grande órgão de mídia, nunca terá a conotação difamatória, mas de classificação óbvia.

Da mesma forma, sites de esquerda falam em “matança de fascistas”, obviamente referindo-se aos que classificam como eleitores de Jair Bolsonaro ou “coxinhas”. Considerando os dois sentidos mencionados, é possível encontrarmos a fake news, a pós-verdade, em qualquer lugar, independente da matiz político-ideológica. A verdade é que a direita comete deslizes e estes estão aí para quem quiser ver. Comete por falta de conhecimento ou por maldade, em alguns casos. Mas a esquerda o pratica apenas por maldade. Para matar o adversário e torná-lo um monstro, jogando toda a sociedade contra ele e tomar o poder para nunca mais sair.

Se eu não posso dizer o que penso, ninguém pode!

Como gostaria, o repórter da Folha, de estar praguejando contra o capitalismo e chamando de nazista quem o contrariasse!

A grande mídia, acostumada ao que chama de jornalismo profissional como única linguagem possível, esquece-se de que existe um mundo real em que as pessoas exclamam suas opiniões como quem está contando uma notícia. O velho tiozão revoltado contra a “bandalheira” da política, tem plena confiança de que Lula será preso a qualquer momento. Ele acha perfeitamente normal que comece a contar sobre algum detalhe da Operação Lava-Jato com a frase “Lula preso amanhã”. Afinal, busca chamar a atenção de quem está apenas aguardando o fato mais esperado dos últimos anos. É irrelevante, na leitura da sua mensagem, saber se aquelas palavras estão dizendo o que dizem. O jornalista profissional não só defende o diploma que o custou tantos estudos (cervejas e baseados da faculdade), mas confunde propositalmente a expressão pessoal, em blogs, sites, páginas de facebook, com uma tentativa deliberada de tomar o espaço do jornalismo profissional. Um espaço que com tanto custo mantiveram e veem morrer, dia após dia, graças a uma habilidade conquistada na universidade: a de distorcer a realidade em favor da “transformação social”, da fundação da nova sociedade, cujas maravilhas só são conhecidas pelo ditadorzinho portador de um diploma.

Como, porém, a imensa maioria dos jornalistas da grande mídia escreve de maneira imparcial e asséptica apenas por estar aguilhoada a um cativeiro de normas de redação, procura e caça o “tiozão” que fala como quer, na tentativa de comprovar a lei universal e obrigatória que o impede de falar, nas páginas do jornal em que trabalha, como quem está em um churrasco com os primos, como gostaria. A diferença é que o jornalista da grande mídia, via de regra, adoraria estar gritando “Lula 2018!”, em letras garrafais. Mas o jornal (não o tiozão-jornalista) precisa fingir que respeita o leitor para poder convencê-lo, lá na frente e comedidamente, de que Dilma foi a primeira “presidenta” com ar de quem informa o tempo.

Nomeado por Dilma, Luiz Fux conduzirá processo eleitoral em 2018

revista estudos nacionaisHoje, dia 6 de fevereiro, o ministro do STF Luiz Fux assumirá o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Fux foi eleito pelos ministros do STF no dia 7 de dezembro de 2017 e substituirá Gilmar Mendes na presidência do TSE.

O TSE,  órgão que coordena todas as eleições brasileiras, é composto de no mínimo sete membros, sendo três juízes escolhidos dentre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), dois juízes dentre os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois advogados indicados pelo STF e nomeados pelo presidente da República. O presidente do TSE deve ser eleito dentre os três juízes do STF, cabendo a vice-presidência a algum dos outros dois. Vale lembrar que, além do STF basicamente controlar o TSE, todos os ministros do STF são nomeados pelo presidente da República e, todos os ministros atuais foram nomeados por Dilma, Lula e FHC, e estes três últimos são contrários à prisão de Lula e a favor da sua candidatura em 2018.

Quem é Luiz Fux?

A carreira de Luiz Fux como autoridade ministerial começou 2001, quando foi nomeado ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Já em 2011, foi indicado pela Presidente Dilma Rousseff para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).  Sua indicação foi amplamente defendida pelos políticos Sérgio Cabral Filho (ex-governador do Rio de Janeiro) e Antonio Palocci (ex-ministro chefe da Casa Civil), ambos, atualmente, criminosos sentenciados pela justiça e presos por corrupção.

Fux, apesar de ter feito propaganda a favor da Lei da Ficha Limpa, no dia 23 de março de 2011, votou contra a aplicação da mesma para as eleições de 2010, beneficiando diretamente vários candidatos cuja elegibilidade havia sido barrada por causa de processos na Justiça. Deste modo, a lei começou a valer apenas em 2012.

Leia mais em Polêmicas envolvendo TSE e apenas 5% das urnas eletrônicas com voto impresso

Ainda, como se já não bastasse a larga censura que ocorre nas redes sociais, Fux prometeu que, como presidente do TSE, combaterá às chamadas “Fake News”.

Mas o que é isso, Maria do Rosário?

A Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra da Secretaria dos Direitos Humanos e conhecida como ‘mãe dos marginais’, foi assaltada nesta quarta-feira (27) em Porto Alegre e teve seu carro roubado. O crime ocorreu por volta das 20h30, no bairro Chácara das Pedras.

Segundo o relato do Major Douglas Soares, do 11º batalhão da Polícia Militar, a deputada estava chegando em casa quando foi abordada por três indivíduos que acabaram levando o seu veículo.

A assessoria de imprensa da deputada também confirmou o ocorrido:

“Informamos que a deputada federal Maria do Rosário e seu esposo, Eliezer Pacheco, foram vítimas de assalto na tarde desta quarta-feira (27), em Porto Alegre.

“Além do carro, foram levados pertences pessoais. O boletim de ocorrência já foi realizado. Brigada Militar e Polícia Civil foram acionados e prestaram pronto atendimento.

“Rosário e Eliezer passam bem.”

revista estudos nacionaisMaria do Rosário, já citada em várias listas de delação como suspeita de corrupção, é famosa por defender bandidos e estupradores, assim como é crítica ferrenha da Polícia Militar, defendendo, inclusive, a desmilitarização da polícia. Entretanto, quando foi roubada, recorreu no mesmo momento aos militares.

A deputada também é famosa pela polêmica com o Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), o qual se tornou réu no STF por dizer que a deputada “não merecia ser estuprada”, o ocorrido se deu durante uma discussão, logo após uma sessão da câmara em que Maria do Rosário havia defendido o estuprador Champinha, dizendo que este não merecia ser preso por ser menor de idade e “não saber o que faz”.  Durante a discussão com Bolsonaro, a deputado gritava chamando-o de estuprador e o deputado respondeu: “não vou te estuprar porque você não merece”. Champinha, que chocou o Brasil com seu crime, sequestrou um casal em São Paulo e os levou até uma cabana na floresta, onde durante cinco dias violentou e estuprou Liana Friedenbach (16) em frente ao namorado Felipe Caffé (19),  terminando por degolar a menina com um facão.  Por fim, como disse o comediante Joselito Muller, falta Bolsonaro virar “réu no STF por dizer que a deputada não merecia ser assaltada”, ou melhor, poderíamos dizer que o automóvel da deputada foi ‘ocupado’ e socializado.

 


Fontes:

[1] G1

[2] Estadão

[3] Joselito Muller

 

 

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Foro de São Paulo: Descubra quem é o maior inimigo do Brasil

A organização mais perigosa da América Latina precisa ser identificada, como também é preciso revelar quem são os responsáveis pela sua criação e fomento


O Foro de São Paulo, além de ser a razão do governo do PT ter enviado bilhões de reais à Cuba, é fomentador do narcotráfico e da maior crise de assassinatos que já ocorreu no território brasileiro.

“Por quase duas décadas, os jornais e supostos oposicionistas brasileiros esconderam do grande público a existência do Foro de São Paulo, descoberto pelo advogado paulista José Carlos Graça Wagner, que o denunciou publicamente em 1º de setembro de 1997, e não faltou quem rotulasse seus denunciadores como “teóricos da conspiração”. De uns anos para cá, quando o Foro já tinha feito e desfeito governos em toda a América Latina, elegendo presidentes dos países do continente cerca de 15 membros da organização, seu nome começou a aparecer aqui e ali em reportagens, como se o Foro fosse apenas uma entidade como outra qualquer.” [1]

Breve História da Organização

Em setembro do ano de 1967, a ditadura cubana, com apoio da União Soviética, organizou, em Havana, um evento denominado Conferência Tricontinental dos Povos Africanos, Asiáticos e Latino-Americanos, que reuniu 83 grupos de mais de 20 países. O objetivo era “apoiar, dirigir, intensificar e coordenar operações guerrilheiras e terroristas nos três continentes”.[2]
A Resolução Geral, que fora aprovada naquele encontro, serviu de base para o projeto que, mais tarde, viria a ser chamado de Foro de São Paulo, onde foi explicitamente decidido que os males do universo deveriam ser o ‘imperialismo ianque’.
Assim, com o êxito da Conferência Tricontinental, foi criada a OLAS (Organización Latinoamericana de Solidaridad), composta por inúmeros movimentos comunistas e “anti-imperialistas” da América Latina, que compartilhavam dos ideais da Revolução Cubana.

 

Em sua primeira declaração, a OLAS apostou na luta armada e na guerra civil através de guerrilhas como forma de estender a revolução, porém, após as reações dos militares dos países do continente americano, seus planos foram esfriando até que, finalmente, fora decidido que o plano deveria ser abortado e deixado na reserva até que chegasse o momento oportuno de ressuscita-lo.
No ano de 1989, Lula perde as eleições presidenciais para Fernando Collor de Melo e de 31 de maio a 3 de junho de 1990, ocorre o VII Encontro Nacional do PT, quando Lula decide convocar, junto com Fidel Castro, um encontro com todos os partidos e organizações comunistas/socialistas da América Latina, em virtude da crise do comunismo no Leste Europeu, para planejar como poderiam reviver o movimento. O encontro se deu entre os dias 2 e 4 de julho de 1990, e hoje é conhecido por Foro de São Paulo, ainda em plena atividade e realizando reuniões periodicamente. [3]

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As Farc e o Foro de São Paulo

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), organização comunista que surgiu nos anos 60, é conhecida há muito tempo por ser a maior produtora de cocaína do mundo, movimentando, apenas no Brasil, R$ 15 bilhões por ano. Acontece que esta organização terrorista e criminosa, a convite de Fidel Castro e Lula, participou oficialmente do Foro de São Paulo e era possível encontrar o seu nome no site da própria organização, todavia, como a informação passou a vir à tona, ela foi ‘retirada’ do ar.

Entretanto, o próprio Hugo Chávez admitia o conluio com as FARC:

No vídeo, Chávez confessa ter conhecido o presidente Lula e um dos então comandantes das Farc, Raúl Reyes — cuja eliminação pelo Exército colombiano no nordeste do Equador ele lamenta e furiosamente critica — na reunião do Foro de São Paulo de 1995, em San Salvador, capital de El Salvador, na América Central:

“Recebi o convite para assistir, em 1995, ao Foro de São Paulo, que se instalou naquele ano em San Salvador. (…) Naquela ocasião conheci Lula, entre outros. E chegou alguém ao meu posto na reunião, a uma mesa de trabalho onde estávamos em grupo conversando, e lembro que colocou sua mão aqui [no ombro esquerdo] e disse: ‘Cara, quero conversar com você.’ E eu lhe disse: ‘Quem é você?’ ‘Raúl Reyes, um dos comandantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.’ Nós nos reunimos nesta noite, em algum bairro humilde lá de El Salvador. (…) E então se abriu um canal de comunicação e ele veio aqui (…) e conversamos horas e horas. Depois, em uma terceira e última ocasião, passou por aqui também.”

As Farc e o PT

Em entrevista à Folha de S. Paulo de 27 de agosto de 2003, Raúl Reyes, comandante das Farc, fez as seguintes declarações:

Folha — O sr. conheceu Lula?

Reyes — Sim, não me recordo exatamente em que ano, foi em San Salvador, em um dos Foros de São Paulo.

Folha — Houve uma conversa?

Reyes — Sim, ficamos encarregados de presidir o encontro. Desde então, nos encontramos em locais diferentes e mantivemos contato até recentemente. Quando ele se tornou presidente, não pudemos mais falar com ele.

Folha — Qual foi a última vez que o sr. falou com ele?

Reyes — Não me lembro exatamente. Faz uns três anos.

Folha — Fora do governo, quais são os contatos das Farc no Brasil?

Reyes — As Farc têm contatos não apenas no Brasil com distintas forças políticas e governos, partidos e movimentos sociais…

Folha — O senhor pode nomear as mais importantes?

Reyes — Bem, o PT, e, claro, dentro do PT há uma quantidade de forças; os sem-terra, os sem-teto, os estudantes, sindicalistas, intelectuais, sacerdotes, historiadores, jornalistas…

Folha — Quais intelectuais?

Reyes — [O sociólogo] Emir Sader, frei Betto [assessor especial de Lula] e muitos outros.” [4]

Cronologia Resumida – PT/FARC/FORO

“· Abril de 2001: O traficante Fernandinho-Beira Mar confessa que compra e injeta no mercado brasileiro, anualmente, duzentas toneladas de cocaína das Farc em troca de armas contrabandeadas do Líbano.

· 7 de dezembro de 2001: O Foro de São Paulo, coordenação do movimento comunista latino-americano, sob a presidência do sr. Luís Inácio Lula da Silva, lança um manifesto de apoio incondicional às Farc, no qual classifica como ‘terrorismo de Estado’ as ações militares do governo colombiano contra essa organização.

revista estudos nacionais

· 17 de outubro de 2002: O PT, através do assessor para assuntos internacionais da campanha eleitoral de Lula, Giancarlo Summa, afirma em nota oficial que o partido nada tem a ver com as Farc e que o Foro de São Paulo é apenas ‘um foro de debates, e não uma estrutura de coordenação política internacional’.

· 1º de março de 2003: O governo petista estende oficialmente seu manto de proteção sobre as Farc, recusando-se a classificá-las como organização terrorista conforme solicitava o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

· 24 de agosto de 2003: O comandante das Farc, Raul Reyes, informa que o principal contato da narcoguerrilha no Brasil é o PT e, dentro dele, Lula, Frei Betto e Emir Sader.

· 15 de março de 2005: Estoura o escândalo dos cinco milhões de dólares das Farc que um agente dessa organização, o falso padre Olivério Medina, afirma ter trazido para a campanha eleitoral do sr. Luís Inácio Lula da Silva. O assunto é investigado superficialmente e logo desaparece do noticiário.

· 2 de julho de 2005: Discursando no 15º. Aniversário do Foro de São Paulo, o sr. Luís Inácio Lula da Silva entra em contradição com a nota de 17 de outubro de 2002, confessando que o Foro é uma entidade secreta, ‘construída para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política’, que essa entidade interferiu ativamente no plebiscito venezuelano e que ali, em segredo, ele próprio tomou decisões de governo junto com Chávez, Fidel Castro e outros líderes esquerdistas, sem dar ciência disto ao Parlamento ou à opinião pública.

· 9 de abril de 2006: O chefe da Delegacia de Entorpecentes da PF do Rio, Vítor Santos, informa ao jornal O Dia que “dezoito traficantes da facção criminosa Comando Vermelho — entre eles pelo menos um da Favela do Jacarezinho e outro do Morro da Mangueira — vão periodicamente à fronteira do Brasil com a Colômbia para comprar cocaína diretamente com guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os bandidos são alvo de investigação da Polícia Federal. Eles ocuparam o espaço que já foi exclusivo de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar”.

· 12 de maio de 2006: O PCC em São Paulo lança ataques que espalham o terror entre a população. Em 27 de dezembro é a vez do Comando Vermelho fazer o mesmo no Rio de Janeiro.

· 18 de julho de 2006: O Supremo Tribunal Federal, sob a pressão de um vasto movimento político orquestrado pelo PT, concede asilo político ao falso padre Olivério Medina, agente das Farc.

· 16 de maio de 2007: O juiz Odilon de Oliveira, de Ponta-Porã, divulga provas de que as Farc atuam no território nacional treinando bandidos do PCC e do Comando Vermelho em técnicas de guerrilha urbana.

· 12 de fevereiro de 2007: As Farc fazem os maiores elogios ao PT por ter salvo da extinção o movimento comunista latino-americano por meio da fundação do Foro de São Paulo.

· Agosto de 2007: Nos vídeos preparatórios ao seu 3º. Congresso, o PT admite que seu objetivo é eliminar o capitalismo e implantar no Brasil um regime socialista; e fornece ainda um segundo desmentido à nota de Giancarlo Summa, ao confessar que o Foro de São Paulo é ‘um espaço de articulação estratégica’ (sic).

· 19 de setembro de 2007: Lula oferece o território brasileiro como sede para um encontro entre Hugo Chávez e os comandantes das Farc.” [5]

Discurso de Lula na celebração de 15 anos do Foro

Este discurso é, segundo Olavo de Carvalho, “a confissão explícita de uma conspiração contra a soberania nacional, crime infinitamente mais grave do que todos os delitos de corrupção praticados e acobertados pelo atual governo; crime que, por si, justificaria não só o impeachment como também a prisão do seu autor”:

“Em função da existência do Foro de São Paulo, o companheiro Marco Aurélio [Garcia] tem exercido uma função extraordinária nesse trabalho de consolidação daquilo que começamos em 1990… Foi assim que nós, em janeiro de 2003, propusemos ao nosso companheiro, presidente Chávez, a criação do Grupo de Amigos para encontrar uma solução tranquila que, graças a Deus, aconteceu na Venezuela. E só foi possível graças a uma ação política de companheiros. Não era uma ação política de um estado com outro estado, ou de um presidente com outro presidente. Quem está lembrado, o Chávez participou de um dos foros que fizemos em Havana. E graças a essa relação foi possível construirmos, com muitas divergências políticas, a consolidação do que aconteceu na Venezuela, com o referendo que consagrou o Chávez como presidente da Venezuela.

Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política.”

Ora, o resultado disso foi desastroso, pois hoje a Venezuela está nas mãos de uma ditadura socialista e, seu povo, enfrentando a fome e a escassez de recursos básicos, além dos assassinatos e perseguições políticas.

Uma pequena conclusão

Entre as ações coordenadas do Foro, não está apenas o levantamento de dinheiro, mas também as cartilhas de educação, de forma a uniformizar as consciências; a promoção da criminalidade; o desarmamento e a supressão das soberanias nacionais.

Assim, vale relembrar que a Constituição Federal ressalta inúmeras vezes que o Brasil é um país soberano e que qualquer interferência estrangeira na soberania da nação é ilegal, ou seja, a participação do PT no Foro já seria motivo para impeachment nos anos anteriores, extinção de diversos partidos e a prisão de diversos políticos, como o Sr. Lula. Vejamos alguns trechos da CF:

Dos Princípios Fundamentais:

“Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I – a soberania;”

Dos Partidos Políticos:

“Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:

[…]

II – proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes;”

Da Ordem Econômica e Financeira:

“Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:

I – soberania nacional;”

Por fim, acima estão alguns artigos básicos da Constituição, posto que há, também, inúmeras sessões do Código Penal e Leis que preveem os crimes contra a soberania.


[1] Veja – Conheça o Foro de São Paulo, o maior inimigo do Brasil

[2] “O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial”, De Paola, Heitor. 2ª Edição, Editora Observatório Latino, 2015, p. 155.

[3] “O Foro de São Paulo”, Salgueiro, Graça. 1ª Edição, Editora Observatório Latino, 2016, p.20. Disponível em Livraria Pius

[4] Folha de São Paulo – ”As Farc têm todo o tempo do mundo”, diz comandante

[5] O perigo sou eu – Olavo de Carvalho

Quem são e o que representam os presidenciáveis de 2018 para o Brasil de sempre

Bolsonaro e Lula são antagônicos porque representam algo de verdadeiro sobre o Brasil. Para ambos os lados, um representa o melhor e o outro, o pior. Dória e Huck, assim como Serra, Aécio, junto da maioria das opções apresentadas ao longo de nossa história, representam a doce mentira sempre usada para disfarçar nossa verdadeira face. Não há coisa mais insuportável para o brasileiro do que contemplar sua face no espelho.

A despeito do que tantos dizem e se perguntam sobre quem é o brasileiro, desde os patriarcas do Império, passando pelos tradicionalistas que se opunham aos modernistas de 1922, somos apenas portugueses com algo de franceses. Um pouco de América Latina ainda nos faz falta. Mas a nossa índole concreta tem pouco a ver com o Brasil que a mídia nos apresenta e nos ensina, que fomos ensinados inclusive a amar, desde o Estado Novo e a bossa nova. O país do novo, porém, sempre alegre e saltitante, tem mais da depressiva bossa nova do que dos alegres carnavais. A imagem de um palhaço triste na sarjeta combina melhor as duas nações que se digladiam dentro de nossas esperanças políticas. Brasileiro, como o português, resume-se num triste fado (ou tango), cuja lamentação nunca cessa e entorpece uma alegria fingida e tímida, em um otimismo falso que disfarça a profunda desilusão com este mundo. Digo isso para introduzir o entendimento da natureza verdadeira da nossa mentira e da nossa hipocrisia.

Toda campanha presidencial precisa pintar um líder, um guia da nação, um brasileiro típico, algo que pressupõe uma imagem da nação. Historicamente, essa imagem sempre foi um resumo de nosso próprio conflito: a resposta para a desilusão só pode ser uma solução total, final e triunfante. Mas se o triunfo não pode esperar, deveria ser preciso defini-lo. Mas uma definição nos poria no caminho de um realismo filosófico oposto ao oportunismo dos vendedores de soluções, que se nutrem da esperança e do sonho, marcas do nosso romantismo. Seja a vassorinha que vai varrer a sujeira (nem que seja para debaixo do tapete) ou o caçador de marajás, o romantismo ibérico se nutre de utopias estáticas e fora do tempo, cuja fronteira com o real se pode empurrar indefinidamente para a frente.

O suposto mito do conservadorismo português, que temeroso da entrada das ideias iluministas na colônia, empenhou alguns esforços contra a instalação de universidades por aqui, não é de todo infundado. Tem a seu favor não só uns tantos livros de história, mas a própria inexistência do pensamento reflexivo, o que os monarquistas militantes creditam somente ao monstro republicano. Ao baixo nível de instrução, some-se o sentimentalismo do nosso povo, ao mesmo tempo dócil e varonil.

Com uma vitória indefinida, o sentimentalismo de um país romântico e sem instrução só pode se fixar na emoção mais forte, o que evidentemente varia conforme os tempos, a estação do ano ou a lentidão do trânsito.

Nossos presidenciáveis sempre se dividiram entre dois tipos básicos de promessas: a do fim da corrupção e a do início do reinado do progresso

Assim como uma grande parte dos presidentes do século XX, Lula chegou ao poder prometendo o fim definitivo da corrupção e da concupiscência. Com o apoio da Igreja Católica, apelando ao moralismo da indignação, o Partido dos Trabalhadores apenas utilizou um mecanismo consagrado. A esquerda brasileira teve o mérito de compreender melhor a essência do brasileiro, enquanto a direita apenas obedecia os estímulos naturais. O conservadorismo nacional, como dito por Paulo Mercadante, é o da conciliação, do arranjo artificial dos poderes, em um país tradicionalmente comandado e dirigido pelas elites que dominam (ou usurpam) o Estado. O patrimônio nacional, da união, como propriedade do rei, do monarca, é sagrado, como o seu direito. Raymundo Faoro não nos deixa dúvidas quanto à tradição portuguesa monárquica no entendimento da propriedade, no Brasil. Tudo pertence ao Estado, portanto, tudo é sagrado assim como o Estado. Tudo pode e tudo nos convém, mas o roubo do dinheiro público merece a pena de morte.

Essa esquerda que se tornou o próprio estamento burocrático a pretexto de combatê-lo, desaprendeu, com o poder, a agir na realidade, porque acreditou na mentira midiática dos direitos infinitos e, assim, perdeu o fio que o conectava ao povo, à sua base popular. Mas Lula, com a força da sua personalidade, não representa a esquerda, mas o Brasil. Sua personalidade transmite algo de verdadeiro no brasilianismo: a sua malícia e ao mesmo tempo sua indignação emotiva e moral contra a injustiça. Assim como Bolsonaro.

Jair Bolsonaro representa o Brasil de sempre, aquele país que é comandado, não pela força da personalidade, mas pela personalidade de força. A força da ordem e do progresso é amalgamada na força da indignação. A indignação contra o “roubo do país” perpetrado pelo PT, a desilusão com Lula. A opção Bolsonaro tem a mesmíssima motivação da opção Lula de décadas atrás. Ambos pareciam opções radicais e absurdas à primeira vista, o que foi sendo modificado pelas contingências da situação atual. Ambos representam a imagem tipicamente brasileira e não oferece qualquer ameaça ao intelecto o brasileiro médio. Como lembra Olavo de Carvalho, o ódio do brasileiro ao conhecimento o faz partidário de qualquer pessoa cuja inteligência não o humilhe suficientemente para tornar o eleitor menor que o eleito. “Se ele, que é simples, pode, então eu posso me achar alguma coisa”. Como vemos, a tristeza depressiva e portuguesa do brasileiro não chega a ter o charme de um fado.

Ciro Gomes também simboliza essa natureza brasileira, embora de maneira mais ideológica. Mas é em Dória e Luciano Huck (surgido como opção de emergência), que aparece a cara da mentira midiática sobre a essência tupiniquim. A sugestão de Huck, logo descartada, provavelmente diante da percepção da impopularidade, demonstra justamente o desespero da tentativa de manutenção da mentira. Isso não significa, porém, que rumamos  ao reino da verdade. A mentira tem a perna curta, mas nunca cessa de dar os seus pulinhos.

Cultura brasileira na mídia: a cara do Brasil

Tanto Dória quanto Huck representaram, na verdade, tentativas de impedir o levante de Lula ou de Bolsonaro, justamente por estes representarem o desmoronamento das imagens erguidas sobre o país. Engana-se quem crê que a mídia foi, alguma vez, de fato, lulista. A mídia apenas exerceu seu tradicional papel conciliador com o poder. A imagem de Lula nunca foi agradável aos analistas políticos, embora corroborasse parte da imagem do brasileiro coitadinho que sempre se tentou fazer. Mas o coitadinho é uma imagem real usada e abusada pelas elites tipicamente brasileiras, mas que cataliza uma parte importante da essência do brasileiro. A imagem do brasileiro batalhador, alegre e de bem com a vida, popularizada hoje em dia pela Globo, é oposta ao coitadismo. Dória é o representante do que o brasileiro gostaria de ser, de como a mídia o pinta. Do mesmo modo, Huck é o Brasil Mulambo, do Esquenta, do espetáculo da pobreza, do palhaço e do caldeirão da alegria, que ajuda o pobre para mostrar que tem uma personalidade solidária, mas não sofre, não é pobre e é exemplo. É a diversidade das soluções para satisfazer o desejo brasileiro pelo pai dos pobres, o salvador da pátria.

Dória é o Brasil norte-americano, do empreendimento e da eficiência, algo que Ciro tenta utilizar com cara esquerdista. Bolsonaro é o Brasil da ordem e do progresso, do petróleo e do nióbio, país rico e soberano, braço forte e mão amiga! O inimigo agora é outro: a corrupção tomou a cara do socialismo e vice-versa. Mas a sua personalidade encanta o Brasil com a sinceridade e espontaneidade do seu jeito de falar. Apesar da personalidade cativante, para alguns, Bolsonaro conta com um contexto bem mais favorável em um país sensível às próprias emoções do momento. O contexto que Lula precisa pintar é o do golpe, do avanço da direita, algo compartilhado apenas pela esquerda, uma parcela muito pequena da população. Para a grande maioria, a única força de Lula é sua personalidade brasileira. Por isso, as opções para a esquerda estão acabando, fazendo-os retomar seus métodos tradicionais.

A luta contra um governante que encarne, de alguma maneira, a natureza do brasileiro (para o bem ou para o mal), motiva todo tipo de estratégia, buscando substitui-lo pelas opções que dialoguem com o mundo e suas novas utopias.

Clássico do estudo da opinião pública tem sua primeira edição brasileira

A Espiral do Silêncio, escrito em 1982 pela cientista política alemã, Elisabeth Noelle-Neumann, finalmente ganhou a sua primeira edição brasileira. Publicado pela editora Estudos Nacionais, em Florianópolis (SC), o livro, cujo subtítulo é Opinião pública: nosso tecido social, tornou-se um clássico a partir do estudo feito sobre as pesquisas eleitorais nas eleições gerais alemãs de 1976. Diante da discrepância entre o que diziam as pesquisas de opinião e o resultado final das eleições, a autora empenhou seu instituto a compreender o que havia acontecido. Sua hipótese inicial, chamada de hipótese da espiral do silêncio, era a da influência de outros fatores na tomada de posição política, como a percepção do clima de opinião e o medo do isolamento social.

Não foi a primeira vez que se buscou explicar as opiniões a partir de fatores psicológicos e sociais, mas a pesquisa de Neumann deve seu ineditismo à longa pesquisa que buscou confirmar os limites da sua hipótese, fazendo entrevistas com milhares de pessoas e aliando a isso uma incrível e abrangente revisão teórica sobre o tema da opinião pública, a recorrência histórica da expressão e os sentidos em que foi utilizada. O objetivo foi localizar, na história das teorias que se debruçaram sobre a opinião pública, qual delas melhor se prestava à realidade que estava sendo observada.

Importância e atualidade do tema

É conhecido o poder que têm as pesquisas de intenção de voto na influência do eleitorado, sugestionando-o para a opção que parece vencedora. Em alguns países, a pesquisa de intenções de voto é proibida após determinada data das eleições. Isso vem justamente da percepção do seu potencial uso para gerar uma falsa imagem da opinião pública, o que fatalmente influenciaria na direção de uma espécie de “aposta no vencedor”.

Mas além da pesquisa eleitoral, há uma série de crenças sociais, estigmas e preconceitos, tabus e comportamentos ditos normais, vigentes como normalidade, que produzem a ameaça virtual do isolamento social. Fugir desses estigmas faz parte da conduta de quem quer sobreviver em sociedade, já que o isolamento, para o homem moderno e democrático, representa uma espécie de “morte social”.

Em tempos de politicamente correto, vemos muitas condutas vistas como aceitáveis, enquanto que a crítica ou mera contestação de um comportamento pode pôr a baixo uma reputação.

Uma das observações interessantes feitas pela autora é a de que os jornalistas, já naquela época, alinhavam-se prioritariamente à esquerda, enquanto o público geral era mais conservador (apoiavam o partido da União Cristã Democrata). Isso foi confirmado com a análise subsequente das opiniões do público e confrontado com matérias jornalísticas que, em linhas gerais, priorizavam o ponto de vista socialdemocrata (Partido Socialdemocrata e Liberal).

Traduzido e apresentado pelo jornalista e pesquisador Cristian Derosa, autor de A transformação social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda, lançado pela mesma editora, A espiral do silêncio volta a iluminar um tema bastante inconveniente para o mundo democrático: as influências psicológicas e involuntárias na formação da opinião pública, algo ainda visto com certa ressalva por quem prefere acreditar na segurança do modelo democrático.

O livro conta ainda com o prefácio de Alexandre Costa, autor do livro Introdução à Nova Ordem Mundial.

A Espiral do Silêncio – Opinião Pública: nosso tecido social, de Elisabeth Noelle-Neumann, pode ser adquirido no site da Livraria Pius.

Silêncio em espiral: o efeito do desconhecimento geral sobre a natureza da opinião pública

“Espiral do Silêncio” se tornou, no Brasil, uma expressão geralmente mal entendida e imprecisa, usada como adjetivo para fenômenos dos mais variáveis e contraditórios, ao sabor de discussões pouco aprofundadas e pautadas pelo desconhecimento do seu significado original. Este é o efeito de dois principais fenômenos: a dificuldade do brasileiro em ler outros idiomas e a ausência de uma edição brasileira da obra original. Este último, felizmente, está sendo remediado.

Para compreender o que, de fato, significa a tese da espiral do silêncio, primeiramente é necessário saber que se trata de um fenômeno, em princípio, natural, que se intensifica com a formação da sociedade de massas e se fortalece quanto mais a integração social, e o consequente medo do isolamento, passam a influenciar na formação das opiniões individuais.

Quase 40 anos depois da sua publicação original, Die Schweigespirale (A espiral do silêncio), escrito pela cientista política Elisabeth Noelle-Neumann, ainda espanta pelo realismo e atualidade da sua análise. Como toda grande descoberta, a tese de Neumann surgiu a partir da surpresa. Um sobressalto diante das discrepâncias entre as pesquisas de intenção de voto, nas eleições, e os votos reais, uma mudança repentina no clima de opinião que tomou o país de assalto às vésperas das eleições alemãs de 1976. Para descobrir o que estaria por trás dessa guinada no último minuto, a autora começou a procurar outros fatores que poderiam influenciar na mudança de opinião dos indivíduos. A sua hipótese, chamada então de espiral do silêncio, era a de que, além do tema das opiniões, as pessoas mantinham sua atenção voltada também ao “clima de opinião” do entorno social. Mas teria, esse clima de opinião, um tamanho poder persuasivo ao ponto de determinar as opiniões finais e, por fim, o voto de um indivíduo? E por que este entorno era assim tão importante? A resposta de Neumann foi confirmada pelo conjunto dos seus estudos: o temor do isolamento social.

Neumann percebeu a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre o conceito de opinião pública, empreendendo uma verdadeira jornada pela história do uso da expressão e suas variações de significado, passando por intelectuais que viam a opinião pública como uma força positiva, negativa, irrelevante ou importantíssima. Com isso, visava se aproximar da natureza verdadeira da opinião pública, como apêndice social, força motriz de pressão e reforço, constrangimento e medo, atuante para a determinação de comportamentos e opiniões. Um estudo como este só podia se tornar um clássico do estudo da opinião pública.

O uso desse conhecimento para a manipulação

O uso corrente da expressão “espiral do silêncio”, como sinônimo de manipulação, embora uma imprecisão grosseira, não deixa de conter algum fundamento, mas de forma indireta. Trata-se do seu desenvolvimento mais avançado, pressupondo obviamente a sua compreensão profunda e consequente uso estrutural e generalizado, algo que, em situações normais, seria difícil de se estabelecer. Acontece que, dado o desconhecimento geral desses fatores, somados à pouca tradição do estudo do tema, no caso do Brasil, sobre a natureza da opinião pública e os fatores formadores das opiniões e comportamentos, o estabelecimento de sistemas de manipulação baseados no controle da opinião pública ficam enormemente facilitados.

O Brasil tem pouca tradição de bons estudos na área da opinião pública, exceto algumas valiosas traduções de manuais de propaganda e relações públicas que enfatizam a natureza mais funcional da transmissão de opiniões e do modo como circulam as ideias entre as pessoas na sociedade de massa. Esses só encontraremos em sebos. O que vem sendo lançado, em profusão, são os manuais de transformação social, que mais valem como cartilhas que ensinam a fazer propaganda de ideias através da mobilização social, cultural etc. A verdade é que o Brasil se tornou um “país alvo” para aplicação de itens essenciais das agendas internacionais e isso explica a ausência de bibliografia aprofundada sobre a natureza real da opinião pública, restando apenas manuais elogiosos baseados na crença “funcional” do cidadão esclarecido e emancipado, politicamente “vacinado” contra as manipulações. Há um escasso interesse em difundir, no Brasil, o conhecimento da natureza mais profunda dos fenômenos sociais que não sejam baseado na figura do “cidadão esclarecido”, típico da ideologia democrática.

Por isso, o lançamento, no Brasil, de A espiral do silêncio, vem romper um silêncio de quase 40 anos, sob o qual se construiu um clima propício ao uso de toda sorte de técnicas de propaganda e manipulação, usando o medo do isolamento como combustível ao politicamente correto, além de um aparato midiático voltado à intimidação e constrangimento de qualquer resistência às forças atuantes. Felizmente, além do lançamento da obra, muitas outras mudanças tem ocorrido graças às redes sociais e a internet, por onde ainda podem circular informações essenciais para a verdadeira orientação política necessária a qualquer sociedade que almeje algum conhecimento sobre si mesma.

 

Apenas 10% dos jovens confiam na imprensa no Brasil

Entre os brasileiros de 16 e 24 anos, apenas 10% confiam muito na imprensa, 48% confiam pouco e 41% não confiam absolutamente. O Jornal Folha de São Paulo, divulgador da pesquisa, enfatizou a manutenção de 22% de credibilidade da imprensa entre a população geral. O descrédito entre os mais jovens, porém, demonstra um possível efeito nas eleições e na participação política, já que as redes sociais fizeram aumentar a participação dos jovens na política.

As Forças Armadas continuam sendo a instituição mais confiável do país, com 40%. Já a classe política, assim como a imprensa, caiu bastante em direção ao descrédito popular.

A maior queda de credibilidade foi da presidência da República que, em 2012, tinha 33% de credibilidade e hoje somente 3%. Assim como os partidos políticos, que viram sua credibilidade despencar: 2% da população confiam muito nos partidos, 28% confiam pouco e 68% não confiam nem um pouco nos partidos políticos.

A pesquisa, feita pelo Datafolha, ouviu 2.771 pessoas de 21 a 23 de junho. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Credibilidade da mídia e “fake news”

A credibilidade da imprensa, no Brasil, acompanha uma queda que se verifica há décadas em todo o mundo, desde que o advento da internet balançou o modelo de negócio das grandes empresas jornalísticas, que tiveram que recorrer a outras fontes de financiamento. Antes da internet, a imprensa era financiada pela publicidade impressa, que vinha de grandes empresas e de governos. Desde o final da década de 90, porém, os grandes jornais, ancorados ao modelo impresso, precisaram recorrer ao chamado Terceiro Setor (ONGs), de onde passaram a receber influência também do conteúdo.

Como o Terceiro Setor é essencialmente transformador e não se preocupa em oferecer diferenciais informativos, os jornais foram gradativamente caindo no descrédito. A internet, que passou a se uma alternativa mais sincera à informação, começou a preocupar os jornais. Na esteira das denúncias de manipulação, alguns jornalistas viram a possibilidade de aproveitar o “gancho” do fake news, para descredibilizar a internet, o rival que roubou-lhes o financiamento e a credibilidade informativa.