O que é pós-verdade?

Por Victor Bruno*

No final de 2016, seguindo seu costume, os Dicionários Oxford elegeram a palavra que mais descrevia aquele ano. 2016, se lembramos, foi um ano traumático — pelo menos no que tange as sensibilidades políticas e culturais de uma parcela significativa das elites mundiais. Para a venerável entidade lexicográfica, “pós-verdade” era a palavra que mais representava o ano do Brexit e, mais preponderantemente, a eleição do presidente americano Donald Trump.

Uma série de eventos seguiram-se à esteira da emergência disso que se chama “pós-verdade”. Para os inimigos políticos do presidente do Partido Republicano, a frase de Kellyane Conway, uma das suas assessoras, na qual ela dizia que oferecia “fatos alternativos” à narrativa que dizia que a presença de público na posse de Trump empalidecia ante aos números da posse de Barack Obama, foi um prato cheio. Isso foi no início de 2017. Em abril, um grupo de estudantes do Pomona College, na Califórnia, pediu a retirada do conceito de verdade do currículo acadêmico, alegando que o conceito nada mais é do que um “construto euro-ocidental profundamente enraizado no Iluminismo”. Logo, racista e colonialista.

Se nós estivéssemos em outra situação, talvez eu estaria aqui criticando o sistema de educação superior que, afogado no mar de pós-modernismo do século XX e em suas ramificações que entram segundo milênio a dentro, esquece de ensinar o básico da filosofia e o básico da história da filosofia. (Se “verdade” é um conceito iluminista, então Parmenides tinha o dom da profecia, ao falar do “âmago inabalável da Verdade bem redonda” e Cristo roubou para si algo que verdadeiramente pertenceria à Europa do século XVII.) Porém, não estamos em outra situação. À primeira vista, a noção de que a verdade é um conceito inexistente pode parecer perfeitamente absurda, mas quando olhamos mais demoradamente perceberemos que existe todo um sistema de rapto imaginativo e cognitivo que faz com que a unidade da existência — ou seja, a verdade — fique escondida por trás de uma névoa de confusão e paixões. No atual estado de coisas, essa névoa e essas paixões recebem o nome de “subjetividade” e, por ocuparem no atual termômetro cognitivo o posto da verdade (ou por antes de vermos a verdade olharmos essa névoa de confusão), a tal subjetividade é endeusada, e nada pode ocupar seu espaço.

É nesse contexto que entra o conceito de pós-verdade. A definição que o Oxford faz do conceito é altamente significativa (o que me deixa aliviado: se nas ciências humanas a Universidade de Oxford nada produz, parece que na lexicografia eles ainda são bons). Para eles, pós-verdade é um adjetivo que “denota circunstâncias em que fatos objetivos são menos influentes no talhar da opinião pública do que apelos à emoção ou a crenças pessoais.” Nesse paradigma, pós-verdade é o perfeito contrário da verdade. O prefixo “pós” indica algo que supera naturalmente o seu predecessor (no caso, a verdade). Mas o que se batizou de pós-verdade não é isso: é um conceito sintético produzido em laboratório que surge como algo que rivaliza com a realidade sensível da verdade. Verdade, tomada em si, não é “um construto”, como defendem o povo do Pomona College, mas uma realidade; um destino real ao qual muitas estradas já foram construídas na tentativa de se chegar lá. As estradas podem ser construtos; a verdade, o ápeiron, certamente não é.

Desse modo, podemos sublinhar as diferenças entre verdade e pós-verdade em tinta ainda mais carregada. Verdade é um todo, uma bola de existência ao redor da qual construímos as tentativas de apreendê-la. Pós-verdade, sendo sua paródia satânica, é uma situação que formamos à luz das nossas preferências e paixões para que a situação real se pareça mais com a medida da nossa existência (portanto servindo àquele desejo gnosticista de construir o mundo à nossa imagem e semelhança para que nele possamos liderar). Acontece que os nossos desejos e as nossas paixões não existem no mundo real, mas no campo da imaginação; são objetos imaginativos que, privados de hilomorfose (de encarnação, por assim dizer), só podem vir a ser quando falados. Nesse caso, a realidade das suas existências tem outra forma: são instrumentos de retórica.

Aqui a coisa fica mais explícita. Se a pós-verdade é algo que se constrói ao redor de ferramentas retóricas, então ela nada é além de mero discurso, de poder verbal, ou, como diria Paulo Francis, bafo de boca. Se usarmos uma velha formulação dos estudos de comunicação a realidade da pós-verdade se dá num processo em dois tempos, num circuito Emissor -> Receptor. Quer dizer, a pós-verdade é um elemento discursivo cuja construção se dá em duas etapas: primeiro ela se constrói no imaginário do Emissor e uma vez que o Emissor se convence que os seus desejos são a medida do mundo, ele os externaliza em discurso retórico para o Receptor. Mas, lembremos: se fatos objetivos não são importantes no paradigma da pós-verdade, a única coisa que o Emissor tem para convencer o Receptor é a fé na encarnação verbal das suas paixões. Essa fé é aquela fé que Eric Voegelin chamou de “esperança metastática”.

O que temos aqui, por fim, é o império do discurso retórico, do irracionalismo e da manipulação. O Prof. Olavo de Carvalho havia definido o discurso retórico como aquele que “[v]isa, essencialmente, a persuadir alguém a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa. . . .  A influência do discurso retórico é menos profunda, porém mais evidente e imediata, mais traduzível em ações exteriores” (grifos meus). Ou seja, é um discurso imperativo, que mira ações práticas — ações de transformação.

Dessa maneira, voltamos à praxis revolucionária, aquela que visa a transformação antes da compreensão. É o primado da 11.ª Tese contra Feuerbach. Mas uma coisa é certa: para todo aquele que se deixa seduzir pela sua própria névoa de desejo existe um líder maior que controla esse desejo.

 

[*] Victor Bruno é escritor e aluno do Curso Online de Filosofia
de Olavo de Carvalho
. Contribui ocasionalmente com textos
sobre política, filosofia e arte para publicações
como a VoegelinView, a Desistfilm e o
MUBI Notebook.

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

Mas o que é isso, Maria do Rosário?

A Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra da Secretaria dos Direitos Humanos e conhecida como ‘mãe dos marginais’, foi assaltada nesta quarta-feira (27) em Porto Alegre e teve seu carro roubado. O crime ocorreu por volta das 20h30, no bairro Chácara das Pedras.

Segundo o relato do Major Douglas Soares, do 11º batalhão da Polícia Militar, a deputada estava chegando em casa quando foi abordada por três indivíduos que acabaram levando o seu veículo.

A assessoria de imprensa da deputada também confirmou o ocorrido:

“Informamos que a deputada federal Maria do Rosário e seu esposo, Eliezer Pacheco, foram vítimas de assalto na tarde desta quarta-feira (27), em Porto Alegre.

“Além do carro, foram levados pertences pessoais. O boletim de ocorrência já foi realizado. Brigada Militar e Polícia Civil foram acionados e prestaram pronto atendimento.

“Rosário e Eliezer passam bem.”

revista estudos nacionaisMaria do Rosário, já citada em várias listas de delação como suspeita de corrupção, é famosa por defender bandidos e estupradores, assim como é crítica ferrenha da Polícia Militar, defendendo, inclusive, a desmilitarização da polícia. Entretanto, quando foi roubada, recorreu no mesmo momento aos militares.

A deputada também é famosa pela polêmica com o Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), o qual se tornou réu no STF por dizer que a deputada “não merecia ser estuprada”, o ocorrido se deu durante uma discussão, logo após uma sessão da câmara em que Maria do Rosário havia defendido o estuprador Champinha, dizendo que este não merecia ser preso por ser menor de idade e “não saber o que faz”.  Durante a discussão com Bolsonaro, a deputado gritava chamando-o de estuprador e o deputado respondeu: “não vou te estuprar porque você não merece”. Champinha, que chocou o Brasil com seu crime, sequestrou um casal em São Paulo e os levou até uma cabana na floresta, onde durante cinco dias violentou e estuprou Liana Friedenbach (16) em frente ao namorado Felipe Caffé (19),  terminando por degolar a menina com um facão.  Por fim, como disse o comediante Joselito Muller, falta Bolsonaro virar “réu no STF por dizer que a deputada não merecia ser assaltada”, ou melhor, poderíamos dizer que o automóvel da deputada foi ‘ocupado’ e socializado.

 


Fontes:

[1] G1

[2] Estadão

[3] Joselito Muller

 

 

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Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Israel: 10 países planejam mudar suas embaixadas para Jerusalém

Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter reconhecido Jerusalém como capital de Israel e prometido mudar a embaixada de Tel Aviv para a cidade santa, o governo israelense convidou outras nações para fazerem o mesmo.

Durante um anúncio oficial, que ocorreu nesta segunda-feira (25) de natal, a Guatemala anunciou que também fará a mudança da embaixada. Entretanto, Tzipi Hotovely, representante do Ministério das Relações Estrangeiras de Israel, informou que 10 países já entraram em contato e estão se preparando para oficializar a decisão.

Também segunda-feira, a emissora de TV Canal 10 informou que a próxima nação a decretar a mudança de embaixada deve ser Honduras, uma vez que o país estreitou seus laços com Israel, assinando um acordo em que Israel concorda em apoiar as forças armadas de Honduras de uma maneira inimaginável, visando combater, principalmente, o crime organizado.

revista estudos nacionais

Junto com a Guatemala, Honduras foi uma das nove nações que votaram “não” na semana passada quando a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que declara o reconhecimento dos Estados Unidos sobre o status de Jerusalém “nulo e sem efeito”.

Ainda, agências de notícias internacionais informaram que representantes da Romênia e Eslováquia estavam trabalhando para mudar de cidade as suas representações diplomáticas. Outros países, que também estariam negociando com Israel, seriam o Paraguai e o Togo, que votou em favor de Israel na última Assembleia Geral da ONU.

As Filipinas e a República Tcheca também reconheceram, junto aos Estados Unidos, Jerusalém como a capital de Israel, mas ainda não anunciaram o cronograma para suas embaixadas. A Rússia já havia reconhecido Jerusalém Ocidental como capital de Israel em abril, mas nada declarou sobre sua embaixada.

Já a opção do Brasil foi seguir as resoluções das Nações Unidas, e não pretende mudar a embaixada nem reconhecer Jerusalém como Capital de Israel.

Por fim, o Primeiro Ministro de Israel, Netanyahu, prometeu: “Haverá mais países”.


fontes:

Times of Israel

Gospel Prime

Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Resgatando o verdadeiro significado de “cultura”

Por Daniel J. Mahoney

Referências à “cultura” são onipresentes no discurso contemporâneo, embora a palavra tenha perdido quase todo o seu sentido. A palavra que costumava referir-se ao culto exigente da inteligência e da alma humana é, hoje, sinônimo de quase qualquer prática social (baixa ou degradante). Fala-se livremente sobre a cultura do rock, a cultura das drogas e coisas até piores. Raros são aqueles que reconhecem que o respeito salutar pelo pluralismo cultural, pela genuína diversidade humana, não exige relativismo ou abdicação de julgamento moral. Como chegamos a uma situação tão perturbadora?

Para começar, como o filósofo político Leo Strauss sugeriu há muitos anos, a cultura deixou de ser um “absoluto” e, em vez disso, identificou-se com o relativismo indiscriminado. Todos nos tornamos “antropólogos” vulgares, fascinados pela diversidade como um fim em si mesmo – junto do relativismo que muitas vezes a acompanha. Strauss resume provocativamente o ponto de vista dominante: “Todo ser humano fora dos manicômios é um ser humano de cultura, pois ele participa de uma cultura”. Sou, então, levado a perguntar: o que aconteceu com a relação entre o superior e o inferior? O que aconteceu com a capacidade civilizada de discriminar entre melhores e piores modos de vida?

A urbanidade, a civilidade, a mentalidade e a generosidade associadas à genuína cultura deram lugar a uma visão de que toda prática humana é digna do nosso respeito. A cultura é banalizada. Comer um burrito ou usar um sombreiro sem ser mexicano, ou praticar ioga sem ser indiano, pode ser tornar uma fonte de controvérsia para quem pensa sobre a cultura de forma redutiva e relativista. (E, como sabemos, a polícia do politicamente correto está em todos os lugares dos nossos campus universitários). O respeito pela especificidade da cultura exige supostamente uma política de identidade, onde as pessoas se aproximem de maneira mais estreita, espinhosa e sem graça. Qualquer noção de humanidade comum é rapidamente apagada e as práticas baixas de qualquer grupo se tornam sacrossantas e são tidas como grandes críticas sociais (dignas de imitação e admiração).

Respeito Genuíno

O que toda essa postura ideológica tem a ver com o respeito pela genuína cultura humana?

Não precisamos rejeitar o respeito pela dignidade e pelos penosos caminhos trilhados pelas altas culturas do mundo para reconhecer que o melhor pensamento e arte pertencem ao homem enquanto homem. Platão, Homero, Shakespeare, Dante, Goethe, Mozart, Beethoven, pertencem a todas as almas pensativas e discernidas, e não apenas às do Ocidente (o mesmo certamente pode ser dito, em princípio, sobre o melhor pensamento e arte do Oriente). Esses clássicos enriquecem o espírito humano e não são redutíveis às culturas que moldaram inegavelmente a sua formação e as suas aspirações. As culturas e civilizações elevadas se enriquecem enquanto enriquecem o espírito humano.

revista estudos nacionaisOs clássicos da literatura mundial, por exemplo, incrementam a literatura nacional sem, de modo algum, homogeneizar o pensamento e a experiência humana. Pense no auge da literatura russa: Dostoiévski, Tolstoi, Pasternak e Solzhenitsyn são expressões inegáveis da alma russa e dão uma expressão abrasadora à condição tanto humana quanto russa. Mas quem poderia dizer que os Irmãos Karamazov, a Guerra e Paz, o Doutor Zhivago e o Arquipélago Gulag (todos livros russos) só podem falar com os russos? Como Solzhenitsyn argumentou em seu discurso durante o Nobel, a arte literária de ordem elevada tem a capacidade de, se for o caso, transmitir a experiência de um povo e de uma nação para outro, superando a miopia que é coexistente com a condição humana. Dostoiévski luta contra a tentação do niilismo moral; Tolstoi, retrata o nevoeiro da guerra e as vicissitudes da história; Pasternak, relata o destino de homens dignos em uma grande nação, onde sua cultura foi mutilada por revolucionários fanáticos; Solzhenitsyn narra a alma do homem, agarrando a vida querida, sob a tirania ideológica e o reinado desumano da mentira.

Esses livros devem ser lidos por todos os seres humanos cultos e reflexivos. São aquisições preciosas para o Oriente e o Ocidente, para todos aqueles que enfrentam a condição humana, bem como as sombras que acompanham a modernidade. Precisamos refletir sobre a interação entre o universal e o particular, que define a nossa humanidade, em vez de tentarmos ser “cidadãos do mundo” ou praticantes de uma política de identidade que exige que todos os “grupos raciais, de gênero ou sexuais… tenham a sua própria cultura e não se permitam diluir por pessoas de fora”, como o jornalista britânico Brendan O’Neil colocou bem. A última compreensão da cultura – um conjunto de práticas, por mais banais que sejam, são valorizadas apenas por pertencerem a determinado grupo – perdeu toda a conexão com as aspirações espirituais e culturais elevadas. Se a cultura significa alguma coisa, deveria ser o cultivo autoconsciente de “o melhor que foi pensado e dito” dentro da nossa tradição, bem como de outras civilizações e culturas avançadas. A alta cultura é incompatível com o relativismo indiscriminado. Em vez disso, a alta cultura depende do reconhecimento de que nem todas as práticas sociais são intrinsecamente admiráveis. Nem todo ser humano (ou mesmo grupo social) é suficientemente culto. Esse reconhecimento, tão perturbador para o politicamente correto, certamente é o começo da sabedoria.

 

Redefinindo a Cultura

T.S. Eliot fornece algumas reflexões úteis nas páginas finais de seu clássico trabalho de 1948, Notas Sobre a Definição de Cultura. Ele nos lembra que a cultura digna de nome é impensável sem religião, e, no Ocidente, sem a religião cristã. O cristianismo ajudou a criar um cultura comum na Europa, uma vez que todos os europeus (ou os ocidentais, de forma mais ampla) foram profundamente moldados pelos “elementos culturais comuns que o cristianismo trouxe com ele”. Nesta ampla cultura, mesmo os incrédulos eram cristãos. Eliot observa de forma impressionante que “apenas uma cultura cristã poderia ter produzido” incrédulos como Voltaire ou Nietzche. Eles lutaram contra o cristianismo com uma intensidade espiritual e intelectual e a seriedade moral derivada do próprio cristianismo.

Recordando-nos dos altos fundamentos espirituais da cultura autêntica, Eliot comenta que é improvável que a Europa “possa sobreviver ao completo desaparecimento da fé cristã”. Isso é o que os seculares e multiculturais radicais de hoje não percebem. Sem fidelidade às nossas melhores tradições, sem deferência à lei moral ou a uma ordem de coisas acima da vontade humana, a cultura inevitavelmente degenera na anarquia, o inimigo da verdadeira cultura. Uma sociedade que coloca os direitos acima dos deveres, as preferências subjetivas acima da preocupação com o bem comum e que coloca o “alto materialismo da vida cotidiana” sobre o discernimento espiritual, dificilmente se sustentará ou dará origem a uma cultura digna de nome. Eliot, pelo menos, nos aponta para o fato de que a cultura, no sentido elevado e nobre do termo, não tem nada a ver com o relativismo vulgar ou com um desprezo ‘elegante’ pela religião. O grande crítico cultural britânico do século XIX, Matthew Arnold, pensou que a cultura poderia de alguma forma sobreviver ao declínio da fé religiosa. Todavia, Eliot teve dúvidas bem fundamentadas sobre a durabilidade dessa fé na cultura como um substituto da fé em Deus. Cultura e religião (e política decente, posso acrescentar) ficam ou caem juntos.

Eliot também aponta que “a confusão da cultura e da política” podea levar a duas direções problemáticas. Uma cultura que é “intolerante a toda cultura, exceto a sua própria”, pode tornar-se monstruosamente tirânica como a Alemanha de Hitler entre 1933 e 1945. O respeito pelo pluralismo cultural evita os extremos duplos do relativismo cultural e um imperialismo cultural assassino do tipo nazista. O outro erro é pensar que o respeito pela humanidade comum exige “um estado mundial” marcado por uma cultura única e uniforma. Ao mesmo tempo, é preciso respeitar o que é verdadeiramente universal para preservar o intelecto humano. Mais uma vez, somos chamados a refletir seriamente sobre – e fazer justiça – as dimensões “universal” e “particular” de nossa natureza humana comum. Este é um ato de equilíbrio que exige grande prudência intelectual e moral.

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Conservando a Verdadeira Cultura

Por sua parte, os críticos febris da “apropriação cultural” estão preocupados com a cultura em suas dimensões mais triviais. Eles pensam pouco na vida intelectual e no bem-estar da alma. Eles promovem uma política de caráter grosseiro e irritante. Não são dignos de consideração séria.

Thomas Sowell nos lembra em Conquests and Culture (1998) que a escravidão era uma verdadeira “instituição mundial”, enraizada em todas as culturas e continentes por milhares de anos. Foi a religião cristã a primeira a reconhecer a humanidade do escravo (ver a Epístola de Paulo para Filemom). E foi o poder naval britânico que pôs fim ao tráfico de escravos e, eventualmente, à escravidão em todo o mundo. Certamente, a lei moral e a dignidade espiritual do homem devem ser preferíveis a uma cultura bárbara, mesmo que enraizada desde antigamente. Há limites para a diversidade cultura, assim como há limites para o esforço de homogeneizar a experiência política e cultura da humanidade, negar a variedade preciosa de nações, cultura, povos e formas políticas. Como sempre, o desafio é conseguir o equilíbrio certo. Sendo a virtude da prudência, novamente, a coisa mais importante.

Precisamos de uma clareza muito maior sobre o significado desta palavra às vezes escorregadia e amorfa. Seria prudente deixar de usar o termo cultura de forma a prejudicar o respeito pelo culto autêntico da alma e do intelecto humano. A palavra deve tornar-se algo de “absoluto” novamente, não o brinquedo de diversos relativistas morais e culturais.


Autor: Daniel J. Mahoney

Mahoney é professor de política na Assumption College. Ele recebeu seu título de bachareal em ciência política na College of Holy Cross e realizou seu mestrado e doutorado na Catholic University of America. Em 1999, o professor Mahoney recebeu o prestigiado prêmio Prix Raymond Aron. Ele é editor da Perspectives on Political Science e da revista Society. Especialista renomado na filosofia política francesa, suas obras incluem Aleksandr Solzhenitsyn: The Ascent from Ideology, muito aclamado pela crítica.

Traduzido por Raul Effting

 

Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Foro de São Paulo: Descubra quem é o maior inimigo do Brasil

A organização mais perigosa da América Latina precisa ser identificada, como também é preciso revelar quem são os responsáveis pela sua criação e fomento


O Foro de São Paulo, além de ser a razão do governo do PT ter enviado bilhões de reais à Cuba, é fomentador do narcotráfico e da maior crise de assassinatos que já ocorreu no território brasileiro.

“Por quase duas décadas, os jornais e supostos oposicionistas brasileiros esconderam do grande público a existência do Foro de São Paulo, descoberto pelo advogado paulista José Carlos Graça Wagner, que o denunciou publicamente em 1º de setembro de 1997, e não faltou quem rotulasse seus denunciadores como “teóricos da conspiração”. De uns anos para cá, quando o Foro já tinha feito e desfeito governos em toda a América Latina, elegendo presidentes dos países do continente cerca de 15 membros da organização, seu nome começou a aparecer aqui e ali em reportagens, como se o Foro fosse apenas uma entidade como outra qualquer.” [1]

Breve História da Organização

Em setembro do ano de 1967, a ditadura cubana, com apoio da União Soviética, organizou, em Havana, um evento denominado Conferência Tricontinental dos Povos Africanos, Asiáticos e Latino-Americanos, que reuniu 83 grupos de mais de 20 países. O objetivo era “apoiar, dirigir, intensificar e coordenar operações guerrilheiras e terroristas nos três continentes”.[2]
A Resolução Geral, que fora aprovada naquele encontro, serviu de base para o projeto que, mais tarde, viria a ser chamado de Foro de São Paulo, onde foi explicitamente decidido que os males do universo deveriam ser o ‘imperialismo ianque’.
Assim, com o êxito da Conferência Tricontinental, foi criada a OLAS (Organización Latinoamericana de Solidaridad), composta por inúmeros movimentos comunistas e “anti-imperialistas” da América Latina, que compartilhavam dos ideais da Revolução Cubana.

 

Em sua primeira declaração, a OLAS apostou na luta armada e na guerra civil através de guerrilhas como forma de estender a revolução, porém, após as reações dos militares dos países do continente americano, seus planos foram esfriando até que, finalmente, fora decidido que o plano deveria ser abortado e deixado na reserva até que chegasse o momento oportuno de ressuscita-lo.
No ano de 1989, Lula perde as eleições presidenciais para Fernando Collor de Melo e de 31 de maio a 3 de junho de 1990, ocorre o VII Encontro Nacional do PT, quando Lula decide convocar, junto com Fidel Castro, um encontro com todos os partidos e organizações comunistas/socialistas da América Latina, em virtude da crise do comunismo no Leste Europeu, para planejar como poderiam reviver o movimento. O encontro se deu entre os dias 2 e 4 de julho de 1990, e hoje é conhecido por Foro de São Paulo, ainda em plena atividade e realizando reuniões periodicamente. [3]

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As Farc e o Foro de São Paulo

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), organização comunista que surgiu nos anos 60, é conhecida há muito tempo por ser a maior produtora de cocaína do mundo, movimentando, apenas no Brasil, R$ 15 bilhões por ano. Acontece que esta organização terrorista e criminosa, a convite de Fidel Castro e Lula, participou oficialmente do Foro de São Paulo e era possível encontrar o seu nome no site da própria organização, todavia, como a informação passou a vir à tona, ela foi ‘retirada’ do ar.

Entretanto, o próprio Hugo Chávez admitia o conluio com as FARC:

No vídeo, Chávez confessa ter conhecido o presidente Lula e um dos então comandantes das Farc, Raúl Reyes — cuja eliminação pelo Exército colombiano no nordeste do Equador ele lamenta e furiosamente critica — na reunião do Foro de São Paulo de 1995, em San Salvador, capital de El Salvador, na América Central:

“Recebi o convite para assistir, em 1995, ao Foro de São Paulo, que se instalou naquele ano em San Salvador. (…) Naquela ocasião conheci Lula, entre outros. E chegou alguém ao meu posto na reunião, a uma mesa de trabalho onde estávamos em grupo conversando, e lembro que colocou sua mão aqui [no ombro esquerdo] e disse: ‘Cara, quero conversar com você.’ E eu lhe disse: ‘Quem é você?’ ‘Raúl Reyes, um dos comandantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.’ Nós nos reunimos nesta noite, em algum bairro humilde lá de El Salvador. (…) E então se abriu um canal de comunicação e ele veio aqui (…) e conversamos horas e horas. Depois, em uma terceira e última ocasião, passou por aqui também.”

As Farc e o PT

Em entrevista à Folha de S. Paulo de 27 de agosto de 2003, Raúl Reyes, comandante das Farc, fez as seguintes declarações:

Folha — O sr. conheceu Lula?

Reyes — Sim, não me recordo exatamente em que ano, foi em San Salvador, em um dos Foros de São Paulo.

Folha — Houve uma conversa?

Reyes — Sim, ficamos encarregados de presidir o encontro. Desde então, nos encontramos em locais diferentes e mantivemos contato até recentemente. Quando ele se tornou presidente, não pudemos mais falar com ele.

Folha — Qual foi a última vez que o sr. falou com ele?

Reyes — Não me lembro exatamente. Faz uns três anos.

Folha — Fora do governo, quais são os contatos das Farc no Brasil?

Reyes — As Farc têm contatos não apenas no Brasil com distintas forças políticas e governos, partidos e movimentos sociais…

Folha — O senhor pode nomear as mais importantes?

Reyes — Bem, o PT, e, claro, dentro do PT há uma quantidade de forças; os sem-terra, os sem-teto, os estudantes, sindicalistas, intelectuais, sacerdotes, historiadores, jornalistas…

Folha — Quais intelectuais?

Reyes — [O sociólogo] Emir Sader, frei Betto [assessor especial de Lula] e muitos outros.” [4]

Cronologia Resumida – PT/FARC/FORO

“· Abril de 2001: O traficante Fernandinho-Beira Mar confessa que compra e injeta no mercado brasileiro, anualmente, duzentas toneladas de cocaína das Farc em troca de armas contrabandeadas do Líbano.

· 7 de dezembro de 2001: O Foro de São Paulo, coordenação do movimento comunista latino-americano, sob a presidência do sr. Luís Inácio Lula da Silva, lança um manifesto de apoio incondicional às Farc, no qual classifica como ‘terrorismo de Estado’ as ações militares do governo colombiano contra essa organização.

revista estudos nacionais

· 17 de outubro de 2002: O PT, através do assessor para assuntos internacionais da campanha eleitoral de Lula, Giancarlo Summa, afirma em nota oficial que o partido nada tem a ver com as Farc e que o Foro de São Paulo é apenas ‘um foro de debates, e não uma estrutura de coordenação política internacional’.

· 1º de março de 2003: O governo petista estende oficialmente seu manto de proteção sobre as Farc, recusando-se a classificá-las como organização terrorista conforme solicitava o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

· 24 de agosto de 2003: O comandante das Farc, Raul Reyes, informa que o principal contato da narcoguerrilha no Brasil é o PT e, dentro dele, Lula, Frei Betto e Emir Sader.

· 15 de março de 2005: Estoura o escândalo dos cinco milhões de dólares das Farc que um agente dessa organização, o falso padre Olivério Medina, afirma ter trazido para a campanha eleitoral do sr. Luís Inácio Lula da Silva. O assunto é investigado superficialmente e logo desaparece do noticiário.

· 2 de julho de 2005: Discursando no 15º. Aniversário do Foro de São Paulo, o sr. Luís Inácio Lula da Silva entra em contradição com a nota de 17 de outubro de 2002, confessando que o Foro é uma entidade secreta, ‘construída para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política’, que essa entidade interferiu ativamente no plebiscito venezuelano e que ali, em segredo, ele próprio tomou decisões de governo junto com Chávez, Fidel Castro e outros líderes esquerdistas, sem dar ciência disto ao Parlamento ou à opinião pública.

· 9 de abril de 2006: O chefe da Delegacia de Entorpecentes da PF do Rio, Vítor Santos, informa ao jornal O Dia que “dezoito traficantes da facção criminosa Comando Vermelho — entre eles pelo menos um da Favela do Jacarezinho e outro do Morro da Mangueira — vão periodicamente à fronteira do Brasil com a Colômbia para comprar cocaína diretamente com guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os bandidos são alvo de investigação da Polícia Federal. Eles ocuparam o espaço que já foi exclusivo de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar”.

· 12 de maio de 2006: O PCC em São Paulo lança ataques que espalham o terror entre a população. Em 27 de dezembro é a vez do Comando Vermelho fazer o mesmo no Rio de Janeiro.

· 18 de julho de 2006: O Supremo Tribunal Federal, sob a pressão de um vasto movimento político orquestrado pelo PT, concede asilo político ao falso padre Olivério Medina, agente das Farc.

· 16 de maio de 2007: O juiz Odilon de Oliveira, de Ponta-Porã, divulga provas de que as Farc atuam no território nacional treinando bandidos do PCC e do Comando Vermelho em técnicas de guerrilha urbana.

· 12 de fevereiro de 2007: As Farc fazem os maiores elogios ao PT por ter salvo da extinção o movimento comunista latino-americano por meio da fundação do Foro de São Paulo.

· Agosto de 2007: Nos vídeos preparatórios ao seu 3º. Congresso, o PT admite que seu objetivo é eliminar o capitalismo e implantar no Brasil um regime socialista; e fornece ainda um segundo desmentido à nota de Giancarlo Summa, ao confessar que o Foro de São Paulo é ‘um espaço de articulação estratégica’ (sic).

· 19 de setembro de 2007: Lula oferece o território brasileiro como sede para um encontro entre Hugo Chávez e os comandantes das Farc.” [5]

Discurso de Lula na celebração de 15 anos do Foro

Este discurso é, segundo Olavo de Carvalho, “a confissão explícita de uma conspiração contra a soberania nacional, crime infinitamente mais grave do que todos os delitos de corrupção praticados e acobertados pelo atual governo; crime que, por si, justificaria não só o impeachment como também a prisão do seu autor”:

“Em função da existência do Foro de São Paulo, o companheiro Marco Aurélio [Garcia] tem exercido uma função extraordinária nesse trabalho de consolidação daquilo que começamos em 1990… Foi assim que nós, em janeiro de 2003, propusemos ao nosso companheiro, presidente Chávez, a criação do Grupo de Amigos para encontrar uma solução tranquila que, graças a Deus, aconteceu na Venezuela. E só foi possível graças a uma ação política de companheiros. Não era uma ação política de um estado com outro estado, ou de um presidente com outro presidente. Quem está lembrado, o Chávez participou de um dos foros que fizemos em Havana. E graças a essa relação foi possível construirmos, com muitas divergências políticas, a consolidação do que aconteceu na Venezuela, com o referendo que consagrou o Chávez como presidente da Venezuela.

Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política.”

Ora, o resultado disso foi desastroso, pois hoje a Venezuela está nas mãos de uma ditadura socialista e, seu povo, enfrentando a fome e a escassez de recursos básicos, além dos assassinatos e perseguições políticas.

Uma pequena conclusão

Entre as ações coordenadas do Foro, não está apenas o levantamento de dinheiro, mas também as cartilhas de educação, de forma a uniformizar as consciências; a promoção da criminalidade; o desarmamento e a supressão das soberanias nacionais.

Assim, vale relembrar que a Constituição Federal ressalta inúmeras vezes que o Brasil é um país soberano e que qualquer interferência estrangeira na soberania da nação é ilegal, ou seja, a participação do PT no Foro já seria motivo para impeachment nos anos anteriores, extinção de diversos partidos e a prisão de diversos políticos, como o Sr. Lula. Vejamos alguns trechos da CF:

Dos Princípios Fundamentais:

“Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I – a soberania;”

Dos Partidos Políticos:

“Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:

[…]

II – proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes;”

Da Ordem Econômica e Financeira:

“Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:

I – soberania nacional;”

Por fim, acima estão alguns artigos básicos da Constituição, posto que há, também, inúmeras sessões do Código Penal e Leis que preveem os crimes contra a soberania.


[1] Veja – Conheça o Foro de São Paulo, o maior inimigo do Brasil

[2] “O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial”, De Paola, Heitor. 2ª Edição, Editora Observatório Latino, 2015, p. 155.

[3] “O Foro de São Paulo”, Salgueiro, Graça. 1ª Edição, Editora Observatório Latino, 2016, p.20. Disponível em Livraria Pius

[4] Folha de São Paulo – ”As Farc têm todo o tempo do mundo”, diz comandante

[5] O perigo sou eu – Olavo de Carvalho

Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Censura: entenda o que está acontecendo nas redes sociais

Há muito se vem falando do crescimento da censura nas redes sociais, e acredite, ela realmente está acontecendo.

Pode-se dizer que a crescente censura é devido aos efeitos causados pela circulação de informação na internet, que abalaram as pernas de muitos poderosos ao redor do mundo, constituindo algo totalmente novo e inesperado. Por exemplo: através do Facebook, o povo Líbio se organizou para a derrubada do sangrento ditador Muammar al-Gaddafi, bilionário da indústria do petróleo; os brasileiros, através de páginas e grupos, deram início a inúmeros protestos que levaram ao Impeachment da ex-presidente Dilma Rouseff. Mas talvez o que mais enfureceu os globalistas e a mídia mundial tenha sido a sua grande derrota através da vitória do presidente americano Donald Trump, deixando mais do que claro o poder das redes sociais ao substituírem o próprio establishment midiático utilizando-se da divulgação de inúmeras notícias que são propositalmente ocultadas pelos jornais de propriedade dos bilionários.revista estudos nacionaisDe fato, o Facebook, o Youtube e a Google são empresas ligadas a esses bilionários, mas sua estrutura tomou proporções que fugiram do controle, levando a sua própria derrota. Então, surge a questão: ”como vamos controlar o negócio sem atrapalhar os nossos planos?”

Acontece que os métodos de controle já estão em ação. Basta perceber a quantidade de queixas e protestos de pessoas que acusam as mídias sociais, principalmente o Facebook,  de censurarem suas ideias, críticas, notícias e apagarem páginas e perfis pessoais.

Censura na Europa

Algo visível é o que está ocorrendo na Europa, não apenas os boicotes da União Europeia aos países que se recusam a receber imigrantes, mas a coordenação com os meios de comunicação para não mostrar ao mundo os efeitos da imigração.

Apenas para efeito de ciência, assista ao pequeno vídeo:

Parece que estamos na Síria, não é? Mas estamos na Alemanha, em Hamburgo!

E cenários como este não cessam de surgir:

Carros sendo incendiados em Paris.

Motim e confronto com a polícia em Paris.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O álbum é enorme e poderíamos mostrar centenas de fotos. Mas que parte disto está sendo noticiado por aí? Muito pouco ou, até mesmo, nada.

Talvez devêssemos voltar ao ano de 2015, quando, durante uma refeição, Mark Zuckerberg (CEO do Facebook) e Angela Merkel (Chanceler da Alemanha) foram pegos de surpresa com um microfone que gravou pequenos trechos de suas conversas.

Depois de Merkel ter perguntado a Zuckerberg sobre os posts ofensivos a respeito da crise dos refugiados, o CEO do Facebook disse: “precisamos trabalhar nisso”.

precisamos-falar-sobre-aborto-livro-pacote-1-exemplar“Você está trabalhando nisso?”, Perguntou Merkel.

“Sim”, o Sr. Zuckerberg teria respondido, antes que a transmissão fosse interrompida.

Também, no último dia 6 de  dezembro, o governo polonês, a fim de reivindicar sua autonomia, fez um vídeo informativo que, infelizmente, foi censurado pelo Youtube.

O vídeo aborda a crise vivida com os imigrantes e a falta e autonomia dos membros da União Europeia, posto que o bloco econômico está, literalmente, suprimindo as identidades nacionais dos países membros e chantageando-os para que recebam imigrantes. O título do vídeo é: “Europa, abra seus olhos e garanta o nosso direito” que, incrivelmente, foi marcado como “inadequado à idade”, e muitos recursos padrão do YouTube para o vídeo foram desativados, incluindo a seção de comentários, compartilhamento, incorporação de opções, contagem e avaliação do usuário.

Esse “estado limitado” do Youtube é conhecido como um purgatório virtual de conteúdo considerado “ofensivo” ou “extremista” pela grande mídia e meios de comunicação – como a “crise de refugiados” e toda a propaganda que a alimenta.

Concluindo: não são apenas pessoas que estão sendo censuradas, mas também as próprias nações, demonstrando que a situação é gravíssima.

Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Sobrinhos de Nicolás Maduro são condenados por tráfico nos EUA

Os sobrinhos do ditador venezuelano foram condenados a 18 anos de prisão pela distribuição de quase 1 tonelada de cocaína nos Estados Unidos

Nesta última quinta-feira (15), a justiça americana condenou os sobrinhos do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, a 18 anos de prisão por tráfico de drogas. Os condenados, Efraín Antonio Campo Flores e Franqui Francisco Flores de Freitas, já haviam sido detidos no país, em 2015, de acordo com a audiência proferida no tribunal federal de Nova York. Ambos são sobrinhos de Cilia Flores, mulher de Maduro. Efraín, por exemplo, foi criado pelo próprio ditador e sua esposa.

revista estudos nacionais

Os traficantes já haviam sido declarados culpados em 18 de novembro de 2016, por importar e distribuir 800 quilos de cocaína pelos Estados Unidos. No entanto, permaneceram aguardando o julgamento definitivo desde então, que ocorreu nesta semana, em Nova York.  A sentença foi prolatada pelo juiz federal Paul Crotty, no distrito sul de Nova York, onde os primos estiveram acompanhados de seus procuradores.

Apesar da sentença de 18 anos de prisão, a promotoria havia pedido ao juiz para que impusesse uma pena não inferior a 30 anos de prisão e multas de 50.000 a 10 milhões de dólares.

Os dois venezuelanos foram detidos no Haiti em 10 e novembro de 2015, por agentes da Agência Antidrogas Americana (DEA), quando foram transportados aos Estados Unidos para serem julgados.

Ambos tinham viajado ao Haiti em um avião particular e sob posse de passaportes diplomáticos, e, segundo o relatado, a viagem teria como objetivo encerrar as negociações para que a cocaína fosse enviada da Venezuela para Honduras e, de lá, até os Estados Unidos.

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

Migração: Suécia se torna a nova capital do estupro

Dados da polícia sueca revelaram que 80% dos estupros são cometidos por imigrantes

Diversas fontes, inclusive da polícia e do governo sueco, demonstraram que 80% dos estupros ocorridos no país estão sendo cometidos por imigrantes e não apenas isso: o número de estupros vem crescendo exponencialmente desde o início da onda migratória de refugiados para a Europa. Essa informação, no entanto, não está sendo repercutida pelos meios de comunicação internacionais. Veja, abaixo, os dados da polícia sueca:

Crescimento das taxas de estupro

Número de estupros por 100 mil habitantes.

A situação é tão preocupante que, apenas no festival de verão deste ano, em Malmo, foram registrados 150 assaltos e 20 estupros. Ocorreram, também, casos extremos, como a gangue que realizou um  ‘estupro coletivo’  de uma menina Sueca, e transmitido ao vivo, pelo Facebook Live. Quando as autoridades chegaram ao local, o crime já havia sido cometido e era tarde demais.

Responsáveis pelo estupro coletivo (atualmente, presos)

Outra questão preocupante é a impunidade, uma vez que há centenas de bairros, chamados de ”NO-GO ZONE” (zona proibida), onde nem a polícia tem acesso diante de tamanha periculosidade e do risco de ser atacada por gangues muçulmanas. Apenas na cidade de Malmo, na Suécia, existem dezenas. Os distritos “NO-GO ZONE” são bairros tomados pelo Islã, e que não estão sujeitos às leis suecas, mas às leis da Shariah. No entanto, o governo sueco ainda não tomou nenhuma medida, muito menos a União Europeia.

Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Clássico do estudo da opinião pública tem sua primeira edição brasileira

A Espiral do Silêncio, escrito em 1982 pela cientista política alemã, Elisabeth Noelle-Neumann, finalmente ganhou a sua primeira edição brasileira. Publicado pela editora Estudos Nacionais, em Florianópolis (SC), o livro, cujo subtítulo é Opinião pública: nosso tecido social, tornou-se um clássico a partir do estudo feito sobre as pesquisas eleitorais nas eleições gerais alemãs de 1976. Diante da discrepância entre o que diziam as pesquisas de opinião e o resultado final das eleições, a autora empenhou seu instituto a compreender o que havia acontecido. Sua hipótese inicial, chamada de hipótese da espiral do silêncio, era a da influência de outros fatores na tomada de posição política, como a percepção do clima de opinião e o medo do isolamento social.

Não foi a primeira vez que se buscou explicar as opiniões a partir de fatores psicológicos e sociais, mas a pesquisa de Neumann deve seu ineditismo à longa pesquisa que buscou confirmar os limites da sua hipótese, fazendo entrevistas com milhares de pessoas e aliando a isso uma incrível e abrangente revisão teórica sobre o tema da opinião pública, a recorrência histórica da expressão e os sentidos em que foi utilizada. O objetivo foi localizar, na história das teorias que se debruçaram sobre a opinião pública, qual delas melhor se prestava à realidade que estava sendo observada.

Importância e atualidade do tema

É conhecido o poder que têm as pesquisas de intenção de voto na influência do eleitorado, sugestionando-o para a opção que parece vencedora. Em alguns países, a pesquisa de intenções de voto é proibida após determinada data das eleições. Isso vem justamente da percepção do seu potencial uso para gerar uma falsa imagem da opinião pública, o que fatalmente influenciaria na direção de uma espécie de “aposta no vencedor”.

Mas além da pesquisa eleitoral, há uma série de crenças sociais, estigmas e preconceitos, tabus e comportamentos ditos normais, vigentes como normalidade, que produzem a ameaça virtual do isolamento social. Fugir desses estigmas faz parte da conduta de quem quer sobreviver em sociedade, já que o isolamento, para o homem moderno e democrático, representa uma espécie de “morte social”.

Em tempos de politicamente correto, vemos muitas condutas vistas como aceitáveis, enquanto que a crítica ou mera contestação de um comportamento pode pôr a baixo uma reputação.

Uma das observações interessantes feitas pela autora é a de que os jornalistas, já naquela época, alinhavam-se prioritariamente à esquerda, enquanto o público geral era mais conservador (apoiavam o partido da União Cristã Democrata). Isso foi confirmado com a análise subsequente das opiniões do público e confrontado com matérias jornalísticas que, em linhas gerais, priorizavam o ponto de vista socialdemocrata (Partido Socialdemocrata e Liberal).

Traduzido e apresentado pelo jornalista e pesquisador Cristian Derosa, autor de A transformação social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda, lançado pela mesma editora, A espiral do silêncio volta a iluminar um tema bastante inconveniente para o mundo democrático: as influências psicológicas e involuntárias na formação da opinião pública, algo ainda visto com certa ressalva por quem prefere acreditar na segurança do modelo democrático.

O livro conta ainda com o prefácio de Alexandre Costa, autor do livro Introdução à Nova Ordem Mundial.

A Espiral do Silêncio – Opinião Pública: nosso tecido social, de Elisabeth Noelle-Neumann, pode ser adquirido no site da Livraria Pius.

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

Silêncio em espiral: o efeito do desconhecimento geral sobre a natureza da opinião pública

“Espiral do Silêncio” se tornou, no Brasil, uma expressão geralmente mal entendida e imprecisa, usada como adjetivo para fenômenos dos mais variáveis e contraditórios, ao sabor de discussões pouco aprofundadas e pautadas pelo desconhecimento do seu significado original. Este é o efeito de dois principais fenômenos: a dificuldade do brasileiro em ler outros idiomas e a ausência de uma edição brasileira da obra original. Este último, felizmente, está sendo remediado.

Para compreender o que, de fato, significa a tese da espiral do silêncio, primeiramente é necessário saber que se trata de um fenômeno, em princípio, natural, que se intensifica com a formação da sociedade de massas e se fortalece quanto mais a integração social, e o consequente medo do isolamento, passam a influenciar na formação das opiniões individuais.

Quase 40 anos depois da sua publicação original, Die Schweigespirale (A espiral do silêncio), escrito pela cientista política Elisabeth Noelle-Neumann, ainda espanta pelo realismo e atualidade da sua análise. Como toda grande descoberta, a tese de Neumann surgiu a partir da surpresa. Um sobressalto diante das discrepâncias entre as pesquisas de intenção de voto, nas eleições, e os votos reais, uma mudança repentina no clima de opinião que tomou o país de assalto às vésperas das eleições alemãs de 1976. Para descobrir o que estaria por trás dessa guinada no último minuto, a autora começou a procurar outros fatores que poderiam influenciar na mudança de opinião dos indivíduos. A sua hipótese, chamada então de espiral do silêncio, era a de que, além do tema das opiniões, as pessoas mantinham sua atenção voltada também ao “clima de opinião” do entorno social. Mas teria, esse clima de opinião, um tamanho poder persuasivo ao ponto de determinar as opiniões finais e, por fim, o voto de um indivíduo? E por que este entorno era assim tão importante? A resposta de Neumann foi confirmada pelo conjunto dos seus estudos: o temor do isolamento social.

Neumann percebeu a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre o conceito de opinião pública, empreendendo uma verdadeira jornada pela história do uso da expressão e suas variações de significado, passando por intelectuais que viam a opinião pública como uma força positiva, negativa, irrelevante ou importantíssima. Com isso, visava se aproximar da natureza verdadeira da opinião pública, como apêndice social, força motriz de pressão e reforço, constrangimento e medo, atuante para a determinação de comportamentos e opiniões. Um estudo como este só podia se tornar um clássico do estudo da opinião pública.

O uso desse conhecimento para a manipulação

O uso corrente da expressão “espiral do silêncio”, como sinônimo de manipulação, embora uma imprecisão grosseira, não deixa de conter algum fundamento, mas de forma indireta. Trata-se do seu desenvolvimento mais avançado, pressupondo obviamente a sua compreensão profunda e consequente uso estrutural e generalizado, algo que, em situações normais, seria difícil de se estabelecer. Acontece que, dado o desconhecimento geral desses fatores, somados à pouca tradição do estudo do tema, no caso do Brasil, sobre a natureza da opinião pública e os fatores formadores das opiniões e comportamentos, o estabelecimento de sistemas de manipulação baseados no controle da opinião pública ficam enormemente facilitados.

O Brasil tem pouca tradição de bons estudos na área da opinião pública, exceto algumas valiosas traduções de manuais de propaganda e relações públicas que enfatizam a natureza mais funcional da transmissão de opiniões e do modo como circulam as ideias entre as pessoas na sociedade de massa. Esses só encontraremos em sebos. O que vem sendo lançado, em profusão, são os manuais de transformação social, que mais valem como cartilhas que ensinam a fazer propaganda de ideias através da mobilização social, cultural etc. A verdade é que o Brasil se tornou um “país alvo” para aplicação de itens essenciais das agendas internacionais e isso explica a ausência de bibliografia aprofundada sobre a natureza real da opinião pública, restando apenas manuais elogiosos baseados na crença “funcional” do cidadão esclarecido e emancipado, politicamente “vacinado” contra as manipulações. Há um escasso interesse em difundir, no Brasil, o conhecimento da natureza mais profunda dos fenômenos sociais que não sejam baseado na figura do “cidadão esclarecido”, típico da ideologia democrática.

Por isso, o lançamento, no Brasil, de A espiral do silêncio, vem romper um silêncio de quase 40 anos, sob o qual se construiu um clima propício ao uso de toda sorte de técnicas de propaganda e manipulação, usando o medo do isolamento como combustível ao politicamente correto, além de um aparato midiático voltado à intimidação e constrangimento de qualquer resistência às forças atuantes. Felizmente, além do lançamento da obra, muitas outras mudanças tem ocorrido graças às redes sociais e a internet, por onde ainda podem circular informações essenciais para a verdadeira orientação política necessária a qualquer sociedade que almeje algum conhecimento sobre si mesma.

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.