Rejeição do brasileiro à Ideologia de Gênero em números

Não é por acaso que grandes grupos, como a Rede Globo, comprometidos com as pautas da agenda internacional, têm escancarando a sua intenção de modificação da mentalidade considerada atrasada da população quando o tema é Ideologia de Gênero, aborto ou quaisquer pautas que agridem a noção natural de família, compartilhada pela maioria da população. O choque entre uma sociedade claramente conservadora, em matéria de moral, e uma mídia progressista vai ganhando contornos de luta ideológica. Mas trata-se da boa e velha guerra cultural, referida por Peter Kreeft.

Mais de 300 mil pessoas assinaram a petição, criada pelo site CitizenGo, para impedir a proeminente ideóloga do gênero, Judith Butler, de palestrar no Sesc Pompéia, em São Paulo. Em 2015, quando ativistas, por meio do Ministério da Educação (MEC) tentaram inserir a Ideologia de Gênero nos planos municipais e estaduais, a população se organizou em estados e municípios para pressionar congressistas regionais a retirar a ideologia dos planos educacionais. Isso fez com que os militantes do gênero desistissem do caminho legislativo e partissem para alternativas mais efetivas, como a Base Nacional Curricular. A rejeição popular à questão de gênero, ainda mais quando associada a cartilhas e dinâmicas escolares para crianças, produziu um imenso alvoroço e tem se tornado cada vez mais evidente.

Contrariamente a isso, empresas como a Google e Facebook tentam dar uma impressão de apoio popular à questão da diversidade, quando na verdade falam apenas para um público restrito e comprometido com o politicamente correto, motivo pelo qual teme ser rejeitado, não pela população, mas por grandes grupos a quem servem. Recentemente, o Google publicou uma matéria que vale a pena ser lida e analisada. Enfatiza o crescimento quantitativo no interesse por temas como a diversidade, racismo e feminismo, tentando indicar, com isso, que esses temas estão na moda e, portanto, são uma “tendência” de interesse na juventude. Para isso, utilizou-se da sua ferramenta Google Trends e concluiu que houve um crescimento de 123% no interesse pelos temas citados e que isso representa uma tendência importante.

No entanto, fazendo uma pesquisa na mesma ferramenta do Google podemos fazer outras observações. Afinal, o que aconteceria se cruzássemos termos como Ideologia de Gênero com Diversidade de Gênero? Palavra odiada pelos ideólogos e ativistas, que não assumem defender uma ideologia, mas uma “teoria”, a recorrência da expressão Ideologia indicaria uma tendência bem mais interessante, que é a da rejeição dos brasileiros, no último ano, ao tema tão querido por eles. Ao mesmo tempo, o interesse por “diversidade de gênero” representaria o interesse em favor da discussão do tema em escolas, criminalização da “homofobia”, entre outras coisas.

O resultado é este:

Crescimento nas buscas de novembro de 2016 a novembro de 2017 (um ano):

Termo “Ideologia de Gênero”
Nov. 2016: 9% de interesse*
Nov. 2017: 57% de interesse
Aumento de 633%

Termo “Diversidade de Gênero”
Nov. 2016: 5% de interesse
Nov. 2017: 20% de interesse
Aumento de 400%

(*) O Google não disponibiliza os números totais de buscas, mas um percentual do aumento ou redução da popularidade, limitando-se a demonstrar o comportamento das buscas e não a quantidade ou total de buscas em valores absolutos.

Cresce a compreensão de que se trata de uma ideologia

O aumento de 633% nas buscas pelo termo “ideologia de gênero”, mostra um crescimento no engajamento da ideia segundo a qual as militâncias LGBT defendem uma ideologia e não uma teoria cientificamente embasada, como querem seus propagandistas. Ao mesmo tempo, o interesse por “diversidade de gênero”, um termo claramente usado pelos apoiadores, também aumentou, mas não representou tanto crescimento mesmo em um contexto favorável, quando meios de comunicação, sites de busca e redes sociais, fazem campanhas atrás de campanhas para a “conscientização”.

A população brasileira, diferente do que tenta mostrar os promotores da diversidade inseridos nessas grandes empresas, não aceita a ideia do gênero como uma tendência positiva, uma vez que cresce ainda mais a tendência crítica, como mostram as reações às exposições do Santander e MAM, posturas como a do sabão em pó OMO, Itaú e outras empresas que financiam a Ideologia de Gênero. Os boicotes estão invadindo as redes sociais, com informações sobre quem será o novo boicotado. Esta não é uma tendência apenas brasileira, mas se espalha por todo o mundo.

Essa reação não parece muito esperada pelas grandes redes de mídia, que continuam tentando passar a ideia de que há uma tendência, ao mesmo tempo em que combatem as reações tachando-as de exóticas e isoladas. O pior propagandista é o que acredita na própria mentira e passa a raciocinar inserido em um quadro imaginário. Diante dessa realidade, nem seria preciso impedir ações ou palestras como a de Judith Butler. Uma situação de vantagem, quando conhecida, pode ser ampliada pela simples ação do outro lado. A sociedade brasileira está cada vez mais convencida da existência de uma poderosa elite que age contra a sociedade e a família. A única arma dos militantes é vencer pelo apoio popular, nem que seja por meio de blefe. E é justamente onde perdem de lavada. Chamem Judith Butler para falar no Congresso e a sociedade ficará ainda mais convencida de onde estão seus valores e onde, definitivamente, eles não estão.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

O passo dialético da Globo

Recentemente, uma grande parcela do povo brasileiro se manifestou contra a Rede Globo depois de a emissora ter fornecido amostras evidentes de sua adesão a crenças como Ideologia de Gênero e aborto, temas amplamente rejeitados pela população, embora apoiados pela classe artística e midiática. Ao declarar sua postura mais claramente e sem medo de desagradar a população, a Globo dá um passo adiante na estratégia psicológica da conformação das opiniões em um quadro dialético. Não se trata mais de apelar para a espiral do silêncio. O jogo da dialética é especialidade de marxistas culturais. E ele funciona.

Devido à nossa educação baseada em crenças burguesas do positivismo liberal e frequentemente mecanicista, temos dificuldade em compreender a luta cultural no aspecto dialético. É preciso que estejam claros alguns conceitos que os marxistas estudam há décadas.

A opinião

A opinião individual é a célula da democracia. Com base nela, formam-se posturas individuais que vão se manifestar analogamente em grupos de interesse e, por sua vez, exercer pressão sobre toda a sociedade. Depois, o conjunto da sociedade vai se manifestar e, então, a sua autoridade é máxima e disso depende a crença no equilíbrio utópico da democracia. Com toda a autoridade política depositada na sociedade, resta aos ativistas influenciar a sua base cultural para que qualquer luta política que se restrinja ao campo político já comece perdida. Para conquistar a base é preciso movimentar os cidadãos individuais por uma série de instrumentos persuasivos que agem na esfera psicológica mais profunda e não meramente política.

Existem dois tipos básicos de persuasão reflexiva na democracia. O primeiro deles é o apelo quantitativo, a autoridade da maioria, o clássico efeito da espiral do silêncio, baseado na alegação de que uma ideia ou proposta é aceita por uma maioria sábia. Pode ser chamado também de efeito democrático, no qual a força persuasiva utilizada é a numérica, mas associando a esse número o caráter de evolução, melhoria ou progresso. A principal força desse tipo de persuasão está na ameaça implícita de isolamento social. Quem não está com todos está sozinho e não deve ser levado em conta. Evidentemente, uma das condições para isso funcionar é a crença compartilhada da autoridade da maioria. Toda a análise de Elisabeth Noelle-Neumann é sobre a influência deste expediente na formação da opinião pública.

Mas há o segundo tipo, o qualitativo ou disruptivo, em que o apelo funciona inversamente ao primeiro. Ao invés de evocar a autoridade da maioria, apela para a credibilidade de grupos de iluminados, intelectuais, acadêmicos, pessoas que estudaram o assunto etc. “Toda unanimidade é burra”, repetem. Assim como no primeiro tipo, para que a ameaça de isolamento funcione, é preciso que o alvo atenda a pelo menos uma condição: precisa ter em alta conta o grupo que fala, do qual quer emprestada a credibilidade ao estar associado a eles. As comunidades profissionais se valem muito deste tipo de argumento de autoridade quando o assunto é comum à sua competência, mesmo que de fato não tenham conhecimento suficiente para formar uma opinião a respeito.

O passo do jogo dialético

Durante décadas, as duas estratégias foram mantidas conjuntamente no tratamento da tensão existente entre elite cultural progressista e povo conservador: ora apelava-se ao número, fraudando enquetes de opinião e estereotipando posturas populares como exóticas e fora de moda, ora denunciando o conservadorismo reinante no império do patriarcado presente nas famílias, consideradas arcaicas e agarradas a antigas crenças religiosas (cujo bode expiatório sempre foi a Igreja Católica, mas mais recentemente passou-se a atacar também evangélicos devido o seu crescimento numérico).

Longos anos de estratégia dedicados a colocar as forças progressistas definitivamente encasteladas nas universidades, redações de jornais, agências de propaganda e em Brasília, já é possível avançar e declarar guerra, iniciada já com décadas de vantagem cultural. O povo, praticamente sem representação, não tem como fazer frente a um aparato midiático totalmente alheio às suas crenças e pressupostos. A comunicação entre os dois lados se tornou impossível e o passo seguinte é a admissão da dualidade, o jogo da dialética. Agora, todo cidadão precisa fazer uma escolha: se está do lado da elite iluminada, artística, criativa, intelectualizada e sábia ou com o povo burro, ignorante, violento, conservador e problemático.

O passo do jogo dialético, porém, como reza a boa estratégia marxista, pode retroceder a qualquer momento, bastando que o seu progresso se veja ameaçado. Em um ir e vir infinito, próprio da mentalidade revolucionária, eles  afirmam não saber exatamente para onde vão, mas sabem que querem a transformação total da sociedade. Essa transformação que é uma outra forma de dizer destruição.

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Zoofilia: como as agendas conquistam a opinião pública

A zoofilia já tem seus apoiadores. Eles são discretos e não têm pressa alguma. Assim como os ativistas pedófilos, sabem que um dia terão a recompensa: terão o tratamento de vítimas de preconceito e sua conduta entrará, aos poucos, na moda entre os jovens

Vimos recentemente a pedofilia ser representada em obras de arte, diante da sociedade brasileira escandalizada. Trata-se do bom e velho “tapa na cara da sociedade”, dito por ativistas em tom de ousadia artística, cujo termo técnico apropriado é “dessensibilização”. O processo de tornar as pessoas mais afeitas a certas ideias se consagra em uma lenta escalada de “expressões de impressões” individualizadas, únicas e pessoais, sempre amparadas pela liberdade de expressão. Seu objetivo, no entanto, é o da mudança na recepção e percepção da realidade.

Utilizando as mesmas técnicas dos ativistas pedófilos e da Ideologia de Gênero, podemos imaginar como seria possível fazer a com que a sociedade aceitasse algo que hoje considera absurdo. Usemos um exemplo que em breve já não será tão absurdo, já que a pedofilia alcançou já o cume do processo, abrindo espaço para outras monstruosidades. Pensemos na zoofilia, uma causa que já possui sua militância teórica há algum tempo. Os direitos dos animais surgiram historicamente para lutar contra todo tipo de abuso ou violência contra animais. Ora, o abuso sexual é uma dessas formas de violência, o que sempre foi tratado com grande rejeição pelos adeptos dos bichinhos. Uma das maiores ONGs de defesa dos animais é a ANDA (Agência de Notícias dos Direitos dos Animais), que repercute notícias sobre maus tratos. Recentemente, a ANDA repercutiu, com indignação, a matéria da ativista Gabriela M. O., para a revista Void, intitulada “Tirem os filhotes da sala“. Na matéria, Gabriela defende abertamente o sexo com animais, dizendo tratar-se de uma manifestação de amor, ampliando o clichê de que amor não tem idade, sexo, tamanho, nem espécie.

Para amparar a sua tese, Gabriela cita o filósofo iniciador das teorias pró-bichos, o australiano Peter Singer que, em um artigo intitulado Deares Pet: On Bestiality, diz que “a relação entre humanos e outras espécies não tem nada de criminoso, desde que seja mutuamente gratificante – e isso inclui o sexo com animais”.

Pergunta: se tanto Gabriela, ativista da revista Void, quanto os ativistas da ANDA se identificam como ativistas pelos direitos dos animais, por que motivo esta última não apoia as ideias inovadoras da sua colega e a considera absurdas e monstruosas? A resposta é muito simples: elas pertencem a estágios diferentes do ativismo. A dialética do absurdo consiste em colocar o tema em pauta mesmo que ele seja muito mal visto. O tempo e a ação discreta baseada na exposição e dessensibilização, vai forçando a formação de opiniões contrárias, lados opostos e um debate em torno do assunto. Os meios de comunicação não são capazes de nos dizer como pensar, mas podem, sem dúvida, nos dizer o que pensar, observou Bernard Cecil Cohen, no livro The Press and Foreign Policy.

A longa campanha contra a pedofilia não fez outra coisa senão abrir espaço para os ativistas que, de posse das provas da campanha de difamação e perseguição perpetrada pela sociedade arcaica e antiquada, surgem, aparentemente do nada, em assalto à “moral e os bons costumes”, que os ingênuos acreditam estar em perfeita saúde e vitalidade. A verdade é que a virgem já foi deflorada há muito tempo.

Continuando nosso esforço imaginativo de previsão, se os ativistas da zoofilia desejam que a sua prática seja mais bem vista, precisam de muita dessensibilização, isto é, notícias de abusos sexuais de animais, mesmo que isso escandalize a sociedade. O escândalo é a própria dessensibilização, que vai ganhando força à medida que estágios anteriores vão se sedimentando no imaginário. Como no caso da pedofilia, é possível estabelecer uma distinção entre o zoófilo abusador, e portanto criminoso, e o pobre coitado do indivíduo que tem uma inclinação, uma atração irrefreável por quatro pernas. Este, obviamente, precisa de um tratamento e, quando não for possível, a sua atividade deve ser, então, tolerada, já que a culpa é do desejo e não dele. O indivíduo vitimado por esse fardo também não deve ser discriminado, podendo no máximo ser encaminhado a tratamento, tal como o usuário de drogas que nem mais pode ser preso.

A sociedade é colocada em uma posição de débito para com o cabriteiro, que passa a ter na opinião pública um algoz temível. A própria palavra zoófilo precisa, então, ser trocada por uma menos ofensiva (que tal “zooafetivo”?) e as uniões entre homens e animais passarão a ser defendidas, quando for prazeroso para o bicho, é claro. Diferente da pedofilia, esta prática não fere alguém que de fato é sujeito de direitos, como a criança, um ser humano, mas um animal. A sociedade, tão protetora e zelosa dos animais passará, então, a defender o abuso e a sodomização de bichinhos. E o fará com o ar de quem defende um direito, usando dessa defesa para incrementar sua personalidade benevolente diante das necessárias aparências do politicamente correto, para que o chefe não o olhe feio. Isso funciona porque as pessoas já estão totalmente prontas para isso.

Qualquer tópico de agenda que prescinda do estágio informativo, isto é, da colocação do tema em pauta, estará fadado ao fracasso. Disso os engenheiros sociais sempre souberam. Mas há um nível de seleção para a informação que deseje cair nas graças da fé pública. Não se trata de uma loteria. Ninguém ganha a mídia sem um aporte sólido. As informações disponibilizadas a jornalistas, seja qual for o tema, em geral vieram de longo esforço intelectual, fruto de décadas de estudo aprofundado e empenho científico. Depois de tudo isso, a instância que colocará o tema nos jornais está já plenamente convencida e nenhum argumento a fará mudar de ideia. A última esfera dessa verdadeira viagem rumo ao público é a política e qualquer ação política que se inicie sem essa retaguarda científica e intelectual, será apenas uma onda passageira usada e ressignificada pelas agendas atuantes para o seu próprio fortalecimento.

Grupos: a engenharia com poucos recursos

Como os pedófilos ou zoófilos, a militância LGBT se tornou uma massa de manobra de movimentos revolucionários que buscam a desestruturação moral da sociedade para a aplicação de leis e mudanças que teriam a moralidade como obstáculo. Esses ativistas se vêem forçados por suas próprias inclinações a lutarem por uma causa comum. O agrupamento de ativistas com desejos e anseios em comum é a primeira etapa de um fortalecimento das militâncias e ampliação de um exército para a guerra cultural. Nada disso seria possível sem a integração de grupos, usados para os estudos de recepção comunicativa.

Os estudos de recepção, na comunicação, começaram já na década de 1960, quando nomes como Paul Lazarsfeld e Kurt Lewin empreenderam longas experiências, dando origem a uma obra de engenharia até hoje utilizada. As chamadas “dinâmicas de grupo”, utilizadas até hoje, seja em empresas, sindicatos ou igrejas, foram e são responsáveis por um processo de integração do indivíduo em um grupo e a sua consequente domesticação. É mais fácil controlar indivíduos quando eles integram grupos. Trata-se de uma medida de economia de recursos que tornou possível a ação em grande escala.

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Outubro Rosa: silêncios sobre riscos da mamografia

 

A dita preocupação com o câncer de mama de campanhas como o Outubro Rosa tem feito um silêncio ensurdecedor sobre os riscos da mamografia. Assim como o que acontece com o câncer de próstata, os exames que prometem prever o câncer trazem estatisticamente mais riscos do que benefícios. No entanto, campanhas como essa lucram milhões com o medo que geram na população.

Entre as iniciativas de grupos como o Inca (Instituto Nacional de Câncer) está a difusão de informações sobre a doença e os modos de prevenção, informando que o Sistema Único de Saúde (SUS) garante a oferta gratuita de exame de mamografia para as mulheres brasileiras em todas as faixas etárias. Mas e os conhecidos riscos deste tipo de exame?

Há muitos artigos científicos que tem influenciado a recusa de médicos em pedir tal exame. Segundo pesquisa publicada no periódico British Medical Journal, a exposição à radiação pode elevar em até cinco vezes as chances de mulheres jovens com uma mutação nos genes responsáveis por controlar a supressão dos cânceres de mama e de ovário desenvolverem a doença.

De acordo com pesquisa de Harvard, sistema de triagem pode detectar cânceres que não provocariam sintomas ou mortes e levar mulheres a tratamentos desnecessários em até 20% dos casos

  • A mamografia tem vários pontos negativos, incluindo os resultados falsos positivos, falsos negativos, o uso da radiação ionizante (que pode provocar câncer) e o fato de que as mamografias não têm impacto visível sobre as taxas de mortalidade
  • Um estudo recente refuta o uso da mamografia como uma ferramenta importante na prevenção do câncer, afirmando que ela não tem nenhum impacto sobre as taxas de mortalidade e causa mais danos às mulheres do que as ajuda.

Segundo o Dr. Mercola,

“para cada 1.000 mulheres que não fazem mamografias, 5 delas morrem de câncer de mama. Para cada 1.000 mulheres que não fazem mamografias, 4 delas morrem de qualquer maneira.

A diferença entre os dois grupos é de 20% (a diferença daquela uma pessoa salva no grupo da mamografia cuja vida foi salva). No outro lado da equação, de cada 1.000 mulheres que fazem as mamografias de rotina durante a vida:

  • METADE recebe um resultado falso positivo. Portanto, embora elas NÃO tenham câncer, cerca de 500 a cada 1.000 mulheres que fazem mamografias sofrem o terror do diagnóstico do câncer de mama
  • 64 fazem biópsias, que podem ser dolorosas e apresentam riscos de efeitos adversos

10 fazem tratamento para o câncer que, na realidade, NÃO é câncer, incluindo cirurgias de mutilação, drogas tóxicas e radiação. Tanto a cirurgia quanto a quimioterpia e radioterapia são perigosas e morrer tratando um câncer que você não tem é uma tragédia dupla”.

A dra. Lucy Kerr dá 10 bons motivos para NÃO se fazer uma mamografia.

Leia um dos estudos brasileiros sobre o tema

Campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul aproveitam-se de uma neurose tipicamente moderna

Todos os anos é a mesma coisa. Chega outubro e somos bombardeados de informações sobre câncer de mama. O movimento começou em 1990, com o objetivo de conscientizar para o perigo da doença, isto é, amedrontar a população e recomendar toda sorte de exames preventivos. A iniciativa deu resultado. Nunca se fez tanto exame preventivo periódico, muito embora a doença não tenha retrocedido um milímetro. A realidade do câncer existe e precisa, de fato, de informação para o tratamento. Mas quando se fala em prevenção, é importante termos em mente algumas coisas que não têm, em si, muito a ver com medicina, mas que nos afetam inevitavelmente todos os dias.

Vivemos uma neurose médica como nunca houve, fruto de um modo de vida atribulado e aterrorizado, mas, principalmente, de uma consciência do real fragmentada em recortes abstratos, sem os quais seria impossível acreditar na comunidade médica ou na indústria farmacêutica do modo como acreditamos. A verdade é que o exame preventivo possui riscos, assim como qualquer exame, que devem ser pesados e confrontados com o risco real da doença. No caso do câncer de mama, o exame da mamografia, há alguns anos, não vem mais sendo recomendado periodicamente, como antes. Isso pouco é falado pelas campanhas tão preocupadas com a doença.

O cúmulo da mentalidade moderna é muito bem representado pela atitude de celebridades como Angelina Jolie, que mutilou os próprios seios devido o medo de desenvolver câncer de mama. 

O caso do Novembro Azul deixaremos para o próximo mês, mas apresenta o mesmo tipo de riscos, que só podem ser justificados por sentimentos de medo e horror à doença. Em um mundo no qual a doença tem quase que um valor moral, não pode haver coisa mais horrível do que o sofrimento e a doença, verdadeira vergonha alheia, já que se tornou comum culpar o doente por seus males, resultados de hábitos detestáveis e pouco “conscientes”.

Engajamento midiático

O motivo de tanto engajamento da mídia para questões de prevenção, como Outubro Rosa, é o financiamento feito pelo Terceiro Setor, as ONGs, que desde o advento da Internet, passaram a substituir as grandes empresas no custeio da publicidade das grandes empresas de mídia. Já que as fundações milionárias estão por trás, não mais somente das grandes empresas, mas das grandes ONGs, as causas são mais caras que os produtos e os jornais precisam, anualmente, mostrar serviço que justifique o seu sustento.

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Redações em espiral: a sociologia do jornalismo

Em uma época em que o reforço psicológico, a auto afirmação, fazem as vezes de valores morais, não há maior apóstolo da credibilidade jornalística do que o próprio jornalista. Ele é, portanto, a vítima mais indefesa e mais submetida às forças psicológicas que se distribuem pela sociedade contemporânea. E, portanto, a quem menos se deve dar crédito.

Toda a vida moderna gira em torno da socialização, do afago a egos cada vez mais sedentos de confirmação, autoimagens hiper sensíveis e à beira do pânico diante da possibilidade de rejeições, medo do isolamento que representaria a morte social. O autoengano, neste sentido, torna-se uma prática diária de sobrevivência. O sociólogo David Riesman diagnosticou esse fenômeno em sua obra A multidão solitária, publicado na década de 1950, no qual destacava a ascensão de um novo caráter social que chamou de alterdirigido, isto é, dirigido pelo outro. Desde a época das suas primeiras observações a respeito, o foco no ambiente social aumentou drasticamente. Hoje, ninguém pode estar totalmente imune ao juízo público. Nas palavras da politóloga Elisabeth Noelle-Neumann, quem mostra-se indiferente à opinião pública é ou um louco ou um santo.

Se estamos todos individualmente submetidos a essa pressão latente, um dos principais veículos responsáveis por disseminar a homogeneização das opiniões e crenças é a grande mídia, representada especificamente pelos meios noticiosos ou pretensamente informativos. Esses meios possuem, eles próprios, um ambiente no qual são produzidas as informações como atividade profissional, mas também social. Assim como nas ruas, nas repartições, no ponto de ônibus, na fila do banco ou no caixa do supermercado, as redações dos jornais fornecem um ambiente social especialmente fértil à transmissão de comportamentos e condutas imitativas. O jornalista está sujeito às mesmas forças que o restante da opinião pública, mas carrega consigo muito mais motivos para depositar credibilidade no seu próprio trabalho, pelas mesmas razões psicológicas presentes no restante da sociedade: a auto-afirmação, o desejo mimético de pertencimento à classe dos informadores e a solidariedade da categoria. Mas há algo mais.

Universidade: onde tudo começa

Formado por pessoas oriundas das universidades, locais em que hoje vigora o vício em álcool, drogas como maconha e opiniões superficiais, o jornalista chega à redação com crenças tanto mais firmes e convictas quanto menos fundamentadas em fatos ou experiências. O ambiente universitário, especificamente o do jornalismo, fundamenta-se na disseminação de uma imagem de sociedade que independe de experiências ou vivências reais. Pelo contrário: toda experiência real deve, por força e pressão do pertencimento à nova classe, ser moldada e ressignificada dentro das categorias presentes na imagem ideológica de sociedade que foi aprendida em sala de aula. E a força persuasiva dessa imagem não está de forma alguma na força dos seus postulados, no rigor da observação, tampouco na credibilidade intelectual ou pessoal do professor. A maior força de persuasão está no próprio compartilhamento das crenças pelos membros do grupo, uma vez que isso fortalece, não a crença ou conjunto de crenças em si mesmos, mas o pertencimento do indivíduo àquela comunidade pretensamente pensante.

O fator catalizador das ideias e opções ideológicas e idealistas está, sem sombra de dúvida, na permanente e onipresente socialização a que o estudante universitário se vê submetido desde a entrada às portas daquilo que crê ser o “templo do conhecimento”. Hoje as universidades estão rodeadas de bares e cervejarias, bem o contrário do que um ingênuo observador poderia supor ao imaginar um campus circundado por livrarias, cafés e museus. A vida universitária de nossas cidades foi, já há algumas décadas, reduzida àquilo que antes era reservado aos estratos mais baixos da vida urbana, às periferias não apenas geográficas mas morais. O mundo ordinário do estudante há muito deixou de ser o das letras e das artes para precipitar-se à mais baixa escala de existência. Uma mudança deste tipo, de graves consequências para milhares de vidas individuais, não pode ser deixado de fora quando tentamos compreender o conteúdo abjeto de notícias advogando crimes como pedofilia, uso de drogas e assassinatos. Também não nos deve impressionar uma decadência deste tipo.

Cada vez mais estudos apontam para uma verdadeira epidemia de depressão e ansiedade em estudantes universitários. Até mesmo casos de esquizofrenia e surtos psicóticos não são raros. A exposição a drogas e socialização constante produz evidentemente um aumento nos níveis de ansiedade e demandas maiores por atividade social, o que no meio universitário é facilmente confundido com estudo, atividade social, ativismo e uma gama de coisas vistas hoje somente em seu caráter positivo.

A redação

Chegada a formatura, o jornalista recém formado se crê no direito de ser contratado pelos jornais proeminentes e, tão logo o consiga, sabe que tem o dever de transformar a sociedade naquilo que seus professores o ensinaram. Mas, chegado ao ambiente social da redação, tudo muda. Até mesmo o idealismo universitário pode ser deixado de lado em nome da adaptação social ao novo grupo. O chefe, o colega, os “famosos” da redação, os exemplos dos quais todos falam, aquele repórter premiado que passa na redação distribuindo brincadeiras íntimas sem, no entanto, aceitar muita proximidade. O recém chegado adoraria ser amigo dele. Eis o objetivo profissional inicial e imediato. Tão logo se tornar aceito e integrante daquelas brincadeiras, será notado pelo editor-chefe. Este é o critério inicial e a demora ou incapacidade de perceber isso pode representar a ruína ou o ostracismo editorial: ser relegado à diagramação ou a algum outro setor já previamente estigmatizado como depósito de inúteis sociais. O inútil social é alguém que não foi capaz de conquistar o sorriso do chefe (ou dos colegas que o fizeram) ou não atraiu para si qualquer interesse ou simpatia, o que indicaria a submissão às ordens dadas sempre em tom de confiança. Ordens estas que significam obviamente opções muito claras em direção a políticas editoriais vindas de cima. Em suma: todos precisam demonstrar afabilidade e flexibilidade extremas, que beiram o puxa-saquismo e a tolerância com humilhações, para comprovar a sua utilidade a um sistema de obediência absurdamente rígido, mas que aparenta ser apenas um jogo social necessário ou inevitável.

O problema por trás do que chamamos muito genericamente de “militância esquerdista nas redações”, não é uma questão ideológica. O que viabiliza toda a transmissão de ideias é, na verdade, a submissão psicológica, a dependência social em que indivíduos são cooptados não em nome de ideais, mas da sua sobrevivência social e profissional. Uma minoria dos jornalistas e repórteres possuem crenças fixas e convictas. A grande massa disforme de profissionais está apenas sujeita a uma rede de ameaças emocionais que forma um sistema psicótico de produção de histéricos em série. Nada disso pode ser possível sem aquela dependência longamente construída na universidade, regada a muito álcool, drogas e uma vida moral pautada pela imitação de comportamentos, incrementos à hipersensibilização, distanciamento da realidade e confusão entre realidade e mundo social abstrato.

Imagem: “O mundo é governado pela opinião”. Gravura publicada em 1641, representando a opinião pública regada pelos jornais, comandada pelo governante.
Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Cura para o fake news: como funciona a guerra da informação

Manchetes da última semana chegaram a contradizer objetivamente a realidade, dando exemplo de uma manipulação intencional e ideológica contra a atividade profissional dos psicólogos e, principalmente, às custas do sofrimento de seus pacientes. O que o jornalismo tem a ver com isso?

A grande mídia brasileira foi responsável, nessa semana, por mais um episódio do grande ‘case de fake news‘: a chamada”cura gay”. A expressão surgiu há alguns anos para caracterizar o projeto de lei que possibilitava o tratamento psicológico de homossexuais que desejassem deixar de sê-lo, o que vinha sendo proibido por órgãos como o Conselho Federal de Psicologia, sob acusação de preconceito. O assunto morreu por algum tempo, enquanto o projeto permanece parado. Voltou a partir de uma ação popular impetrada contra o CFP, e da liminar de um juiz permitindo o tratamento de homossexuais que tivessem interesse.

Mas na última semana, as manchetes chegaram, em diversos casos, a contradizer objetivamente o que de fato ocorreu, mostrando claramente, como que em um exemplo didático, como é feita a guerra da informação por meio do fake news.

O tratamento dado pela mídia acaba sendo um preconceito com as pessoas homossexuais que se encontram em estado de sofrimento com a sua condição. Em nome de uma agenda de “orgulho gay”, a imprensa age de modo irresponsável promovendo mais sofrimento a essas pessoas e negando-lhes o direito de serem tratadas como gostariam.

A alegação central, manifestada em muitos títulos e manchetes da mídia, acusa a decisão de considerar o homossexualismo uma doença que precisa ser curada. Esquecem que quem falou em “cura” foram eles, justamente na tentativa de acusar quem quer que falasse no assunto de preconceituoso. Uma manobra que revela o modo de ação das milícias ideológicas espalhadas pelas redações.

Vejamos os títulos das matérias de cada grande jornal, lembrando que o título é um excelente termômetro do viés midiático, uma vez  que ele permite discernir o tom e a ideia central que o veículo quer imprimir na mente do público.

O tempo – Justiça Federal permite tratar homossexualidade como doença
Veja – Justiça permite tratar homossexualidade como doença
G1 – Justiça gera polêmica: permite tratar homossexualidade como doença
Folha – Justiça concede liminar que permite tratar homossexualidade como doença
F5 – Famosos se manifestam contra a decisão de tratar homossexualidade como doença
Estadão – Juiz libera cura gay por psicólogos

O uso do termo “cura gay” também foi encontrado em diversos veículos, tentando passar a ideia de que a decisão judicial seria preconceituosa e discriminatória:

Época(Globo) – Cura gay: “Reorientar gays é como embranquecer negros contra o preconceito”, diz psicólogo
Correio Braziliense – Ex-alunos de juiz que permitiu cura gay criticam posicionamento do docente

Mas o que diz a decisão do juiz?

O juiz teve o cuidado de declarar em sua decisão que: “a homossexualidade constitui variação natural da sexualidade humana, não podendo ser, portanto, considerada como condição patológica” (grifo nosso).  Portanto, a decisão judicial que motivou o fenômeno midiático, começa mostrando claramente que NÃO cabe falar em “cura gay” ou “homossexualidade enquanto doença”.

A ação foi movida para atender o anseio de pessoas que são homossexuais ou estão confusas e desejam ter auxílio psicológico. Contudo, devido a uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), os psicólogos estavam impedidos de auxiliar esse pacientes.

Por isso, a decisão judicial foi enfática e pontual ao deliberar que não se pode “privar o psicólogo de estudar ou atender àqueles que, voluntariamente, venham em busca de orientação acerca de sua sexualidade, sem qualquer forma de censura, preconceito ou discriminação”. Ou seja, a decisão visa dar um direito aos homossexuais que desejam ter esse tipo de tratamento.

Apesar disso, a esmagadora maioria das manchetes, no início dessa semana, dizia o contrário. Como é o caso da matéria da Exame, no dia 18, redigita como: Justiça do DF permite tratar homossexualidade como doença

 

Artilharia de Fake news perde terreno e dá o braço a torcer

Após gerar grande polêmica na internet, muitas pessoas foram até a decisão judicial e perceberam que a mídia estava forçando a barra. Até mesmo gays, ex-gays e transexuais se manifestaram na internet mostrando que as manchetes estavam completamente fora de contexto. Assim, alguns dias depois do estouro das manchetes, começaram a surgir matérias em grande sites de notícia amenizando o tom e contando com alguma objetividade.

Exame (21/09): Juiz diz que decisão não trata homossexualidade como doença
UOL (21/09): Juiz que autorizou “cura gay” diz que decisão teve interpretação “equivocada”
Diário de Pernambuco: ‘Cura gay’: Juiz afirma que em ‘nenhum momento’ considerou homossexualidade como doença

Fake News e guerra informativa

O funcionamento da mentira, no jornalismo, conta com uma excelente estrutura de justificativas. Os jornais se sentem muito à vontade para afirmar que reportaram “a primeira impressão” e, com isso, repercutir a parte mais sensacionalista, isto é, mais apelativa de um fato. Depois, feito o estrago, trata de aprofundar a questão, dando ares de objetividade e análise crítica. Obviamente, o efeito disso é que, na segunda fase, o público já perdeu o interesse pelo assunto, ficando apenas a sensação inicial, do escândalo da primeira impressão. Esse processo formata, na opinião pública, uma imagem do fato e dos envolvidos, um estereótipo, como diria Lippmann, que em futuras referências ao tema, voltará com toda a força, motivado pela necessidade de simplificação dos personagens e fatos.

Daqui há seis meses, quando por algum motivo os jornais voltarem ao assunto, os leitores recorrerão à imagem mais simplificada da questão, motivados a encaixá-la em um novo episódio da narrativa dada, e não à expressão mais complexa e objetiva do final da cobertura, que seria mais difícil articular. A simplificação, como vemos, é a chave da manipulação e gera uma adequação do leitor à mensagem simplificada e estereotipada, o que facilita todo o processo.

É fácil, portanto, justificar tudo isso como sendo parte da atividade jornalística, o que de fato é verdade. Isso porque os jornalistas internalizaram a técnica e o processo e conseguem usá-lo para os fins da sua agenda ideológica e gostos particulares.

As agendas internacionais se tornaram pauta jornalística garantida desde o final dos anos 1990, quando a atividade jornalística precisou do aporte financeiro do chamado Terceiro Setor, vendo-se refém não mais de venda de produtos dos seus anunciantes, mas da venda das ideias da rede global de ONGs pelo mundo. É o que chamam globalização da comunicação.

 

Colaborou: Marlon Derosa

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Clássico do estudo da opinião pública tem sua primeira edição brasileira

A Espiral do Silêncio, escrito em 1982 pela cientista política alemã, Elisabeth Noelle-Neumann, finalmente ganhou a sua primeira edição brasileira. Publicado pela editora Estudos Nacionais, em Florianópolis (SC), o livro, cujo subtítulo é Opinião pública: nosso tecido social, tornou-se um clássico a partir do estudo feito sobre as pesquisas eleitorais nas eleições gerais alemãs de 1976. Diante da discrepância entre o que diziam as pesquisas de opinião e o resultado final das eleições, a autora empenhou seu instituto a compreender o que havia acontecido. Sua hipótese inicial, chamada de hipótese da espiral do silêncio, era a da influência de outros fatores na tomada de posição política, como a percepção do clima de opinião e o medo do isolamento social.

Não foi a primeira vez que se buscou explicar as opiniões a partir de fatores psicológicos e sociais, mas a pesquisa de Neumann deve seu ineditismo à longa pesquisa que buscou confirmar os limites da sua hipótese, fazendo entrevistas com milhares de pessoas e aliando a isso uma incrível e abrangente revisão teórica sobre o tema da opinião pública, a recorrência histórica da expressão e os sentidos em que foi utilizada. O objetivo foi localizar, na história das teorias que se debruçaram sobre a opinião pública, qual delas melhor se prestava à realidade que estava sendo observada.

Importância e atualidade do tema

É conhecido o poder que têm as pesquisas de intenção de voto na influência do eleitorado, sugestionando-o para a opção que parece vencedora. Em alguns países, a pesquisa de intenções de voto é proibida após determinada data das eleições. Isso vem justamente da percepção do seu potencial uso para gerar uma falsa imagem da opinião pública, o que fatalmente influenciaria na direção de uma espécie de “aposta no vencedor”.

Mas além da pesquisa eleitoral, há uma série de crenças sociais, estigmas e preconceitos, tabus e comportamentos ditos normais, vigentes como normalidade, que produzem a ameaça virtual do isolamento social. Fugir desses estigmas faz parte da conduta de quem quer sobreviver em sociedade, já que o isolamento, para o homem moderno e democrático, representa uma espécie de “morte social”.

Em tempos de politicamente correto, vemos muitas condutas vistas como aceitáveis, enquanto que a crítica ou mera contestação de um comportamento pode pôr a baixo uma reputação.

Uma das observações interessantes feitas pela autora é a de que os jornalistas, já naquela época, alinhavam-se prioritariamente à esquerda, enquanto o público geral era mais conservador (apoiavam o partido da União Cristã Democrata). Isso foi confirmado com a análise subsequente das opiniões do público e confrontado com matérias jornalísticas que, em linhas gerais, priorizavam o ponto de vista socialdemocrata (Partido Socialdemocrata e Liberal).

Traduzido e apresentado pelo jornalista e pesquisador Cristian Derosa, autor de A transformação social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda, lançado pela mesma editora, A espiral do silêncio volta a iluminar um tema bastante inconveniente para o mundo democrático: as influências psicológicas e involuntárias na formação da opinião pública, algo ainda visto com certa ressalva por quem prefere acreditar na segurança do modelo democrático.

O livro conta ainda com o prefácio de Alexandre Costa, autor do livro Introdução à Nova Ordem Mundial.

A Espiral do Silêncio – Opinião Pública: nosso tecido social, de Elisabeth Noelle-Neumann, pode ser adquirido no site da Livraria Pius.

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

Por que existem campanhas como setembro amarelo, outubro rosa, novembro azul

Agora, elegeu-se o mês de setembro como mês da prevenção ao suicídio. Todos os anos existe o Outubro Rosa, Novembro Azul, entre outros. Mas o que faz com que se faça tanta publicidade com campanhas de prevenção a doenças como estas? O cidadão comum tem a impressão de que há uma onda global de benevolência e filantropia, com o fim de ajudar e proteger as pessoas. Na verdade, trata-se de campanhas de agendamento de pensamento, um tipo de engenharia social que nos diz o que pensar em determinados períodos. É claro que, nesses meses, pensamos sobre outros assuntos. Mas nossa mente estará preparada para encarar aqueles temas elencados como os mais relevantes frente a qualquer outro. Mas quem está por trás disso?

Isso aconteceu devido a mudança no padrão da função dos meios de comunicação ditos informativos. O jornalismo deixou de ser informativo para enfatizar a transformação social (conforme apontei no livro A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda). Com o advento da internet, o bolo publicitário das empresas jornalísticas teve que ser dividido. Empresas menores puderam padronizar seus ganhos somente pela internet. Mas as maiores ficaram mais tempo ancoradas no modelo de negócio ligado ao jornal impresso e, durante a década de 1990, tiveram que buscar novas fontes de financiamento. A primeira opção era um setor que vinha crescendo, o Terceiro Setor: as ONGs (Organizações Não-Governamentais). As ONGs são conhecidas por militar por causas diversas. Há uma ONG para cada causa. Mas esse setor enriqueceu com a doação de milionários como Bill Gates, Fundação Ford, Rockefeller e, mais recentemente, Mark Zuckerberg. Esses são os nomes que estão, de fato, por traz daquilo que você encara como prioridade de pensamento quando se baseia no critério midiático, seja impresso e tradicional ou de internet, em nossos dias.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
lançamento de a espiral do silêncio de elizabeth noelle-neumann

Em fase final, edição histórica de A espiral do silêncio será finalizada em agosto

O lançamento oficial da primeira edição de A Espiral do Silêncio, no Brasil, previsto para o mês de agosto, ocorrerá sem grandes atrasos. Os livros serão encaminhados aos compradores entre a última semana de agosto e início de setembro.

Apesar de não ter sido plenamente atingida a meta do financiamento coletivo (50%), o lançamento está confirmadíssimo, e agradecemos, desde já, a todos os colaboradores por tornar possível esse lançamento histórico.

Aos que ainda não colaboraram, ainda há tempo. A campanha ficará aberta até o dia 20 de agosto. Para quem quiser ter seu nome nos agradecimentos, a colaboração fica disponível somente até 12 de agosto, quando será finalizada a editoração do impresso.

Saiba mais sobre a importância do livro A espiral do silêncio para o estudo da sociedade brasileira

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Silêncio em espiral: o efeito do desconhecimento geral sobre a natureza da opinião pública

“Espiral do Silêncio” se tornou, no Brasil, uma expressão geralmente mal entendida e imprecisa, usada como adjetivo para fenômenos dos mais variáveis e contraditórios, ao sabor de discussões pouco aprofundadas e pautadas pelo desconhecimento do seu significado original. Este é o efeito de dois principais fenômenos: a dificuldade do brasileiro em ler outros idiomas e a ausência de uma edição brasileira da obra original. Este último, felizmente, está sendo remediado.

Para compreender o que, de fato, significa a tese da espiral do silêncio, primeiramente é necessário saber que se trata de um fenômeno, em princípio, natural, que se intensifica com a formação da sociedade de massas e se fortalece quanto mais a integração social, e o consequente medo do isolamento, passam a influenciar na formação das opiniões individuais.

Quase 40 anos depois da sua publicação original, Die Schweigespirale (A espiral do silêncio), escrito pela cientista política Elisabeth Noelle-Neumann, ainda espanta pelo realismo e atualidade da sua análise. Como toda grande descoberta, a tese de Neumann surgiu a partir da surpresa. Um sobressalto diante das discrepâncias entre as pesquisas de intenção de voto, nas eleições, e os votos reais, uma mudança repentina no clima de opinião que tomou o país de assalto às vésperas das eleições alemãs de 1976. Para descobrir o que estaria por trás dessa guinada no último minuto, a autora começou a procurar outros fatores que poderiam influenciar na mudança de opinião dos indivíduos. A sua hipótese, chamada então de espiral do silêncio, era a de que, além do tema das opiniões, as pessoas mantinham sua atenção voltada também ao “clima de opinião” do entorno social. Mas teria, esse clima de opinião, um tamanho poder persuasivo ao ponto de determinar as opiniões finais e, por fim, o voto de um indivíduo? E por que este entorno era assim tão importante? A resposta de Neumann foi confirmada pelo conjunto dos seus estudos: o temor do isolamento social.

Neumann percebeu a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre o conceito de opinião pública, empreendendo uma verdadeira jornada pela história do uso da expressão e suas variações de significado, passando por intelectuais que viam a opinião pública como uma força positiva, negativa, irrelevante ou importantíssima. Com isso, visava se aproximar da natureza verdadeira da opinião pública, como apêndice social, força motriz de pressão e reforço, constrangimento e medo, atuante para a determinação de comportamentos e opiniões. Um estudo como este só podia se tornar um clássico do estudo da opinião pública.

O uso desse conhecimento para a manipulação

O uso corrente da expressão “espiral do silêncio”, como sinônimo de manipulação, embora uma imprecisão grosseira, não deixa de conter algum fundamento, mas de forma indireta. Trata-se do seu desenvolvimento mais avançado, pressupondo obviamente a sua compreensão profunda e consequente uso estrutural e generalizado, algo que, em situações normais, seria difícil de se estabelecer. Acontece que, dado o desconhecimento geral desses fatores, somados à pouca tradição do estudo do tema, no caso do Brasil, sobre a natureza da opinião pública e os fatores formadores das opiniões e comportamentos, o estabelecimento de sistemas de manipulação baseados no controle da opinião pública ficam enormemente facilitados.

O Brasil tem pouca tradição de bons estudos na área da opinião pública, exceto algumas valiosas traduções de manuais de propaganda e relações públicas que enfatizam a natureza mais funcional da transmissão de opiniões e do modo como circulam as ideias entre as pessoas na sociedade de massa. Esses só encontraremos em sebos. O que vem sendo lançado, em profusão, são os manuais de transformação social, que mais valem como cartilhas que ensinam a fazer propaganda de ideias através da mobilização social, cultural etc. A verdade é que o Brasil se tornou um “país alvo” para aplicação de itens essenciais das agendas internacionais e isso explica a ausência de bibliografia aprofundada sobre a natureza real da opinião pública, restando apenas manuais elogiosos baseados na crença “funcional” do cidadão esclarecido e emancipado, politicamente “vacinado” contra as manipulações. Há um escasso interesse em difundir, no Brasil, o conhecimento da natureza mais profunda dos fenômenos sociais que não sejam baseado na figura do “cidadão esclarecido”, típico da ideologia democrática.

Por isso, o lançamento, no Brasil, de A espiral do silêncio, vem romper um silêncio de quase 40 anos, sob o qual se construiu um clima propício ao uso de toda sorte de técnicas de propaganda e manipulação, usando o medo do isolamento como combustível ao politicamente correto, além de um aparato midiático voltado à intimidação e constrangimento de qualquer resistência às forças atuantes. Felizmente, além do lançamento da obra, muitas outras mudanças tem ocorrido graças às redes sociais e a internet, por onde ainda podem circular informações essenciais para a verdadeira orientação política necessária a qualquer sociedade que almeje algum conhecimento sobre si mesma.

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.