Bestas rudes do novo conservadorismo

Por Victor Bruno

Qual besta rude, vinda enfim sua hora,
Arrasta-se a Belém para nascer?
— W. B. Yeats, “A Segunda Vinda”

 Intelectualidade no Sol e na sombra

É difícil se falar de um conservadorismo no Brasil. Não só pelos motivos que conhecemos bem (preconceito catedrático, censura ideológica, dominância política de esquerda etc.), mas também por motivos mais delicados e sutis que merecem destaque e estudo; aqui não posso dar senão uma breve pincelada.

As idéias têm a vantagem de poder se desenvolver na escuridão e aridez, como provam as experiências de vida de figuras como Viktor Frankl, o psicólogo judeu prisioneiro em Auschwitz, e Alexander Soljenítsin, o dissidente do comunismo que transformou seu cárcere nos gulags em obra-prima da literatura. Também não podemos esquecer que o mais influente pensador de esquerda do século passado, Antonio Gramsci, compôs o grosso do seu pensamento dentro da cadeia de Mussolini.

Portanto, a idéia de direita — e a idéia conservadora —, não importando o cerceamento ideológico que reina aqui no império tupinambá, também pode aqui criar corpo. O muito comentado, pouco lido e ainda menos entendido Sir Roger Scruton, por ter uma relação muito especial com os países da antiga Cortina de Ferro, nos conta no primeiro capítulo de How to Be a Conservative (lançado no Brasil com o título Como Ser um Conservador, pela Record) a história de intelectuais em países dominados pelo regime comunista que, em meio ao horror vermelho, se reuniam em porões e pequenos apartamentos para dar prosseguimento às suas atividades intelectuais. Intelectuais como Béla Hamvas (foto), que, expulsos da universidade, tiveram que ir trabalhar como mão-de-obra sem qualificação em usinas de energia ou na lavoura. Esses pensadores, diz Scruton, estavam perfeitamente conscientes de que havia um problema muito maior do que o caos político vigente, havia algo ainda mais doloroso e traumático — um trauma de consciência. Esse, assim acreditavam, podia ser atenuado (mas não excluído) se houvesse uma chama de sentido acesa quando os regimes de esquerda fossem derrubados. E assim foi feito. O trabalho de consciência prosseguiu mesmo sob a sobra comunista. A Hungria e a República Tcheca, países visitados por Scruton, fizeram exatamente isso e se deram muito bem. Se hoje não nos referimos a essas duas nações como grandes potências econômicas, tampouco ouvimos falar deles como epicentros de crises políticas ou culturais. Budapeste e Praga, ao contrário do que diz o prefeito londrino Sadiq Khan, são duas metrópoles que não têm o flagelo do terrorismo açoitando suas costas.

Conservadorismo é mais que anti-esquerdismo

A idéia do conservadorismo transcende o momento político presente. Russell Kirk e Titus Burckhardt, para citar dois exemplos, já avisavam que o debate político do dia era uma parcela muito reduzida da abrangência magnânima que a idéia conservadora carrega. Se não há essa noção de transcendência, o potencial conservador se transforma em mero reacionarismo atávico e babão — e reacionarismo, ao contrário do conservadorismo, não tem nem um sentido abrangente de trabalho de oposição e muito menos um aparato de ordem transcendente em seu arcabouço. As posições que o reacionarismo toma — apesar de poderem ser manifestações de conservadorismo — são muitas vezes as mais fugazes possíveis e levam aos paradoxos mais curiosos.

O Brasil tem um grande movimento de fundo conservador (vocalizado em geral pelos mais jovens, como aponta Francisco Escorsim em seu recente texto na Gazeta do Povo) que por várias razões se enrijece e esfarela em mero reacionarismo. Sabemos que, baseado nas pesquisas sobre desarmamento, aborto, na popularidade do findo governo do moribundo (mas ainda influente) Partido dos Trabalhadores e em praticamente todas as idéias defendidas pelos partidos e agentes políticos de esquerda, o Brasil tem uma população que, em sentido genérico, pode se considerar como “conservadora” (e, no fundo, qual não é?). Mas não há uma organização a esse espírito. A população de impulso conservador fica à mercê da impressão mais fugaz, à mercê de hipnotizadores carismáticos com tendências messiânicas. O senso comum — destacado do conhecimento que só a cultura pode oferecer — nada pode contra um vampiro político propulsado pela força da mídia.

E aí está a chave do enigma. Como o Prof. Olavo de Carvalho insiste há décadas, a memória cultural brasileira foi raptada e não sobrou ninguém para servir nem mesmo de baú ambulante no deserto da ideologia. Para citar Escorsim de novo, o povo brasileiro está divorciado da sua cultura e do diálogo com os seus antepassados. Isso perverte toda a possibilidade de um conservadorismo que transcenda o momento político, já que não é possível que se aprofunde a visão fugaz que o momento fugidio nos apresenta.

Um exemplo: num cenário conservador, veria-se o tratamento que a direita auto-intitulada dispensa a Jair Bolsonaro com reticência, pelo menos. Reticência porque ver Bolsonaro como o messias político que precisamos é retornar à década de 2000, quando o país olhava Lula e seu crescimento econômico como a nossa tábua de salvação. Reticência porque messianismo político é o primeiro pecado que os desesperados cometem e é o asfalto da histeria política. E reticência porque já era tempo de saber que não basta colocar uma pessoa “de direita” na presidência de um país para sanar o delicado problema da dominação ideológica num país. Na verdade, não basta nem mesmo para sanar aqueles mais profundos, como corrupção e desmantelamento da máquina estatal. Quem não sabe disso é dorminhoco ou é cínico.

Essa é uma breve imagem do nosso conservadorismo. Nos falta o senso histórico e nos falta o senso cultural. O drama do conservadorismo brasileiro não se concentra na falta de jornais e publicações conservadoras, ou na falta de um partido que carregue esse nome e essa bandeira. O que realmente nos falta é o preenchimento da imaginação, que é a própria essência do esforço conservador.

É preciso que se preencha o “guarda-roupa da nossa imaginação moral”, para usar o famoso termo de Sir Edmund Burke, com as coisas que valham a pena ser preservadas, e esse é, acredito, um esforço sagrado. Para que se componha o guarda-roupa da imaginação moral é preciso que tenhamos um mundo inteiro nas nossas cabeças, e isso significa que precisamos saber profundamente sobre a maior das obras de Deus: a própria Criação. E é exatamente por isso que o conservador preza tanto pela manutenção das coisas: que pecado imenso é se esforçar para compreender a majestade da obra divina, somente para deixar que alguém que acredita saber mais do que Deus a destrua?

Só que nós, homens, temos um handicap. Nós não podemos, como Deus, conhecer as coisas em sua totalidade, tanto as coisas do futuro como as do passado. O homem só conhece as coisas que já foram feitas. Ou seja, temos que viver o passado através das crônicas e dos relatos do que se passou naquele momento quando aquelas ações eram executadas. Temos que abrir uma porta perceptiva para que se realize uma conexão fundamental com o melhor da nossa história — tendo a certeza de que esse trabalho não é para ser finalizado agora.

Logo se vê, portanto, que a tarefa conservadora é infinitamente complicada. O conservadorismo não foi inventado por um “Grande Simplificador”, um teórico que inventa um sistema de crenças no qual todo o funcionamento ideal do mundo está contido; o conservadorismo não foi inventado por ninguém. Talvez por isso seja tão difícil anunciar uma idéia conservadora para as massas: o pensamento conservador não oferece soluções e nem tem um plano; ele se desenrola no tempo, puxando o que há de bom no passado, tomando os grandes feitos como exemplo e preservando a liberdade para as gerações futuras. Antes de ver o mundo horizontalmente, o conservadorismo vê o mundo verticalmente, de cima a baixo, desde o topo do Logos até as profundezas do anticristo. No campo de imaginação conservador há só o drama da humanidade.

Uma esperança

É justamente a ausência desse espírito de meditação e imaginação que mencionei que nos impede de construir uma mentalidade — ou mesmo uma intelectualidade — conservadora no Brasil. (Claro está que mesmo que tivéssemos o espírito meditativo e a imaginação moral, ainda não estaríamos garantidos de que teríamos um conservadorismo poderoso. Não há receituário para as coisas da vida.)

Não é minha intenção criar uma prescrição médica para o lançamento de um conservadorismo verdadeiro no Brasil — de um conservadorismo que seja mais do que um batido tupinambá de antipetismo, idéias liberais austríacas e de conservadorismo anglo-saxão. Minha intenção é somente apontar algumas impressões de um movimento que ainda está em estado latente em nosso país e que precisa superar o simples e recalcitrante antipetismo de última hora (por mais que esse tipo de ação política tenha se tornado extremamente lucrativo desde 2013).

Mas no fim das contas, há uma esperança. Talvez esse desejo imediatista que há no coração do brasileiro de hoje o leve a fazer esse trabalho de investigação da realidade; talvez, chegando a fazer essa investigação, se perceba que existe um senso moral em cada um de nós que transforma a vida humana numa sinfonia de desejos, ações, esperanças e sonhos. Que o destino do homem é servir ao próximo, perdoar e estabelecer um amanhã que não seja ideal, mas livre, e que dessa liberdade germine o melhor possível dentro das nossas capacidades e dentro do mundo que nossos pais deixaram.

Conservadorismo é mais que usar gravata e andar de barba feita: conservadorismo é um compromisso do indivíduo com a ordem transcendente da Criação. É a manutenção do contrato entre os vivos, os mortos e os que vão nascer. O conservadorismo é a própria preservação do sentido da Criação. Falta que entendamos isso e o caminho é terrivelmente longo. Ele não começa hoje: vem do ontem e vai para no fim dos tempos. Portanto, como somos parte — todos nós — do drama da humanidade, algumas coisas nunca mudam e preservam sua atualidade para sempre.

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

Facebook permitirá que funcionários protestem contra Trump

O Facebook informou que não punirá funcionários que ocuparem tempo de sua carga horária para protestar em favor de políticas pró-imigração durante o dia 1 de Maio.  Além dos funcionários, a empresa informou também que vai buscar garantir esse direito de protesto aos seus fornecedores e irá investigar se alguma empresa fornecedora não permitir que seus funcionários façam protestos se desejarem.

A rede social informou a sua política de direitos de protesto no dia 14 de abril por meio de um post em sua intranet.  O Facebook e outras empresas do setor de tecnologia tem criticado fortemente as políticas de segurança nacional de Donald Trump sobre maior controle na imigração.

A maior rede social do mundo vem manifestando fortes posições na política. Há alguns anos crescem acusações de que o Facebook esteja ocultando informações, notícias e opiniões mais conservadoras do Feed de notícias.

O Facebook recebeu fortes críticas de usuários em todo o mundo em episódios como as eleições americanas em 2016 e agora mais recente com o Brexit. Para muitos usuários, a rede social estaria tomando partido e manipulando o top trends ao não considerar os temas mais compartilhados como relevantes simplesmente por não compartilhar da opinião dos usuários da rede social.

Polêmica de tendência do Facebook no passado

Apesar de negar qualquer manipulação do feed de notícias, no início de 2016 o Facebook realizou ajustes em seu algoritmo após diversas reclamações de usuários.

Em maio de 2016 a empresa chegou a demitir funcionários que estariam manipulando o Feed com intensões políticas. Negou que o algoritmo de seu sistema tivesse qualquer viés político, mas admitiu que funcionários podem influenciar dando um viés que favorecesse pautas de esquerda na rede social. A empresa informou que trabalha constantemente em investigações para evitar que ocorram manipulações dessa natureza.

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Atacado por ativistas, ônibus-protesto deixa no ar: quem é intolerante?

Depois de ser proibido pelas autoridades na Espanha, de onde veio, e enfrentar toda sorte de provações, o ônibus-protesto FreeSpeechBus foi apedrejado e hostilizado durante sua intervenção na reunião da ONU, em Nova York, onde se buscava recomendar o aborto e a Ideologia de Gênero como solução global. O ônibus conclui sua turnê com a percepção de que as ideologias não estão nem um pouco interessadas em dialogar com quem acredita em fatos biológicos.

O FreeSpeechBus, o ônibus-protesto que levava escritas frases como “Meninos têm pênis, meninas têm vagina” encerrou sua turnê depois de ser apedrejado nos EUA. Esta é a resposta do mundo que prega a tolerância e a paz enquanto obriga as famílias a aceitarem para seus filhos uma educação sexual que nega fatos biológicos, o que comprovadamente gera problemas psicológicos e sociais nas crianças. Na Europa, há vários anos os pais que impedirem seus filhos pequenos de frequentarem aulas que ensinam masturbação e homossexualismo podem e têm sido punidos pela lei. A pergunta que devemos fazer é: quem acredita na necessidade dessas coisas seria capaz de algo como diálogo e tolerância?

A experiência do FreeSpeechBus responde satisfatoriamente, uma vez que o protesto consistia apenas em afirmar crenças comuns à maior parcela da humanidade. Diferente dos ativistas, o ônibus não estava impondo qualquer punição a quem acreditasse no contrário. Apenas evocava o direito de cada família ensinar seus filhos do modo como acredita que as coisas são.

A Ideologia de Gênero defende que homens e mulheres não possuem uma identidade social baseada na identidade biológica. Para eles, o homem nasce neutro e vai, ao longo da vida, recebendo estímulos sociais que o definem, de fora, como homem ou mulher. Paradoxalmente, acabam defendendo que basear-se na própria biologia para definir sua orientação sexual significa ser escravo da sociedade, mas se você acreditar nas palavras do professor que defende a Ideologia de Gênero, você está sendo livre. Para resolver todos os problemas de ordem sexual, os ativistas propõem a “mudança de sexo”. Mas quando o corpo não combina com a mente, não seria mais fácil mudar a mente do que mudar o corpo? Mas eles querem o poder sobre os corpos de todos. O mesmo ocorre com os defensores internacionais do aborto, do meio ambiente etc.

O totalitarismo das ideologias

Assim como o ambientalismo busca o controle dos recursos utilizando pesquisas a nos informarem da finitude dos recursos e a ameaça de sua destruição por nossa culpa, os defensores do aborto querem controlar o nível populacional usando a justificativa de “conquista de direitos”. Convencem, com isso, mães a matarem seus próprios filhos no ventre. Assim, também os que recomentam a mudança de sexo e, com isso, a desestruturação da personalidade humana, almejam nada menos do que tornar o homem um escravo amorfo, que não exitará em entregar seu próprio corpo aos caprichos da elite dos que estruturam e administram as ideias.

As ideologias, hoje, servem de instrumentos de organização e administração totalitária do mundo. A mesma sanha controladora denunciada pelos críticos da modernidade, culpada da devastação e dos genocídios totalitários que serviram de justificativa para um consenso global, agora servem para a administração total desse consenso.  A pós-modernidade, neste sentido, seria uma “ultra-modernidade” ou “neo-modernidade”, em sentido de uma hipertrofia da utopia controladora que agora se dirige para as consciências. A melhor expressão para resumir esse intento manifestado pela suposta inevitabilidade do fenômeno da globalização, é engenharia social.

 

 

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O fantasma militar-policial e os obstáculos à inteligência brasileira

NOTA: Talvez este artigo soe inoportuno. Em uma época dominada pela esquerda, pode parecer impróprio criticar um pensamento tipicamente de direita, mas é antevendo o uso das fragilidades da mentalidade brasileira pela esquerda que arremeto contra o chavão, inimigo numero um da inteligência de qualquer cor.

Que brasileiro nunca disse ou no mínimo ouviu repetirem que todo político é bandido e que bandido bom é bandido morto. Parece que desde Floriano Peixoto, que fuzilou centenas de opositores, estas frases estão impressas na alma do brasileiro. É possível que a partir da Proclamação da República o brasileiro tenha desenvolvido uma adoração pela força bruta institucional, especialmente quando se trata da do braço forte e mão amiga das FFAA, força policial ou estatal por meio dos santos tentáculos do Poder Judiciário. Embora isso possa estar adormecido por décadas de antimilitarismo e ideologias anti policiais expressas pela mídia esquerdista, essas ideias aparecem de modo permanente na cultura brasileira.

A ideologia policial é o pensamento mais característico no Brasil. Manifesta-se em frases feitas e chavões que têm em comum um certo purismo moral, não raro aplicado seletivamente. Estes pensamentos aparecem de modo caótico no senso comum espalhados pelo país, movidos por uma sensação geral de injustiça. É como uma força quase física que atua no território nacional empurrando cada consciência a ignorar toda reflexão e sucumbir à lógica aparentemente irresistível dos lugares comuns.

Toda incomodidade diante da tensão entre oposições que geram alguma complexidade parece ser aliviada pela repetição dos chavões policialescos, onde o anseio punitivo parece manter certa coesão das personalidades. A sensação de injustiça, impunidade, é remediada pela convicção e certeza do funcionamento das instituições nacionais.

A ideologia policialesca brasileira é estatista em sua base. Possui brutal confiança no aparato jurídico e da aplicação da lei como garantia de realização da utopia do progresso, do rumo certo ao desenvolvimento nacional, o que só se dará por meios essencialmente materiais, não sem o efeito catalizador da moralidade pública.

A corrupção, para o brasileiro, é o grande inimigo da nação. Um monstro que devora e impede o predestinado progresso.

Desde a campanha do “Petróleo é nosso”, passando pelo medo da cobiça estrangeira da Amazônia, até a novíssima faceta da redemocratização da Terceira República, culminando com a luta contra o monstro da inflação, a caça aos marajás, etc. A ascensão da esquerda só não foi e não será completa enquanto bater de frente com essa ideologia popular. E ai está o grande perigo. Uma esquerda policialesca e militarista poderá ser a nossa ruína.

O Brasil foge da sua própria imagem como o diabo da Cruz. Nega a realidade da sua herança portuguesa na cultura ao passo que a vive e revive nos piores detalhes da política. Raymundo Faoro, no clássico da sociologia brasileira Os donos do poder, faz um diagnóstico incrivelmente realista da estrutura mental do brasileiro ao remontar à origem do estado português, no qual a ligação entre os reis e a terra fazia da sociedade um imenso rebanho de súditos fiéis. O paternalismo estatal é herdeiro da fidelidade monárquica que, embora o período imperial tenha tentado dissolver em um parlamentarismo, acabou se potencializando ao longo da República da Espada, a Velha, a Nova, a Terceira…

Todo o paternalismo republicano brasileiro vem do direito divino dos reis, que nos foi legado tão fortemente, justo por nunca ter sido vencido ou mesmo combatido no campo das idéias (campo aliás sem nenhuma tradição no país). O resultado é uma espécie de superstição estatista, na qual o poder é tanto mais venerado quanto mais desconhecida a sua origem. Perdida nos labirintos da história mental do Brasil, o poder que esteve tradicionalmente ligado á propriedade é alienado para a posse total do país e o culto revertido aos donos do poder encastelados no trono da alma brasileira.

A grande fonte de confusão política no Brasil parece ser a dúvida silenciosa: afinal, a quem pertence o país por direito? Os populistas e os oligarcas tentaram substituir o velho direito dos reis expropriados. A neurótica vontade de inventar o futuro por meio da ideologia do progresso parece ter sido o fruto dessa culpa por termos exilado o passado e, com ele, o Brasil de si mesmo. O Brasil é um país que nega e foge de si, a começar pela alegria do carnaval que tenta esconder a nossa natural tristeza portuguesa. Enquanto a beleza da herança cultural é negada, a consequência política dela permanece neurotizadamente presente.

Mas a visão do estado e do bem comum tornou-se supersticiosa e puritana. O político tornou-se aos poucos o símbolo da ineficácia e da corrupção. Com ele, a política, o debate e a própria inteligência. Assim, independe qualquer esforço de conciliação, pois embora o pragmatismo tenha sido o nosso poder moderador de acordo com Paulo Mercadante, permanece a rude revolta em favor do rei absoluto no subsolo moral de nossa consciência. E nesta, um puritanismo moralizante e autoritário tem lugar de teologia política, um sentimento de justiça a qualquer custo.

Uma vertente deste pensamento que coloca o mal no objeto e não na mão que o maneja, é aquele que busca contrapor-se ao demonizar o homem. O erro é o mesmo da superstição que vê no errante o erro, no pecado o demônio, no gato o azar. E por fim, no político vê a corrupção em forma de gente. Ou ainda no bandido individual vê toda a criminalidade que deve ser extirpada. A execução é a resposta mais óbvia para este tipo de lógica.

É ai que encontra paralelos assustadores com a mentalidade revolucionária. Embora os comunistas tenham no mundo se travestido de pacifistas e militantes de direitos humanos, seu intuito é e sempre será sanguinário. Mas o direitista brasileiro pode acabar optando pela via do fascismo stalinista sem perceber, como resposta ao disfarce pacifista dos nacional-socialistas do PT.

Na dúvida, clama pelas Forças Armadas, intervenção militar. Para isso, clama em caixa alta, em gritos e palavras de ordem. Ordem e progresso. O policialesco brasileiro não ama a sociedade brasileira, mas tudo aquilo que historicamente tentou se passar por ela. É isso que vê nas cores verde e amarelo.

Foi esta bandeira verde e amarela que exilou o Imperador e instituiu o golpe da República a partir de uma ditadura militarista que executou inimigos e por pouco não decapitou o próprio Dom Pedro como na França, é o que gostaria de ter feito o jacobino Floriano Peixoto. Não foi a mesma bandeira cultuada antes, aquela cujo verde representa a casa dos Bragança e o amarelo, os Habsburgo. O estado brasileiro precisou exorcizar a sua origem para poder reconstruir uma sociedade à sua imagem e semelhança.

A pior e mais atual consequência desta ideologia é a aposta nas instituições e na insistência em colocar todas as soluções nas mãos do estado, cujo instrumento para efetivá-las só pode ser a reunião de mais poderes. O nacionalismo, dizia Lênin, embora inimigo do socialismo, reúne incrível “reserva de energia revolucionária”, que pode ser usada quando for necessário. Mesmo que o nacionalismo brasileiro no fundo não exista, essa caricatura de nacionalismo com cores militaristas e estatistas, sempre foi suficiente para a submissão da sociedade aos que usurparam o poder. Não podemos esperar outra coisa de um país que foi erguido em gabinete.

Se não gostamos de socialistas que defendem bandidos utilizando os direitos humanos, não vamos querer estar aí para vermos os socialistas militaristas e policialescos colocando políticos nos paredões mais sanguinários em nome da soberania nacional, do estado forte e da mão amiga.

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

Por que a Igreja Católica é o maior obstáculo à Nova Ordem Mundial

Os utopistas da Nova Ordem Mundial odeiam o Cristianismo como um todo, cujos princípios sempre serão opostos ao poder infinito do globalismo. No entanto, do ponto de vista jurídico, a Igreja Católica é o maior obstáculo ao poder globalista por pelo menos dois grandes motivos:
1) Base espiritual: Trata-se de uma instituição milenar de caráter espiritual e portanto importante coluna do direito natural no ocidente, fator essencialmente limitador de poder;
2) Soberania jurídica: Tem sede no Vaticano, um estado nacional soberano, cujos princípios influenciam o mundo de dentro para fora, mas nada a pode influenciar de fora por conta dessa soberania.
 Estratégia
Uma das estratégias globalistas mais clássicas consiste na superexposição da Igreja e de sua organização de modo a enfatizar contradições e as tensões existentes ou não com o contexto mundial (contexto este que deve ser construído por eles), para assim gerar uma falsa necessidade de interferência do mundo nas questões internas da Igreja.
Walter Lippman, assim como muitos outros teóricos de mídia e de sociologia, chamava a atenção para a existência do que chamava de “pseudo-ambiente”, isto é, um contexto construído especialmente para servir de justificativa para ações efetivas e mudanças drásticas na estrutura do tecido social. Aqui podemos interpretar o pseudo-ambiente como a função de premissa, já que não precisa ser exatamente uma descrição contextual clara, mas manifestar-se em um questionamento que passe a ideia de ser representativo da humanidade e fazer as vezes de uma questão universal e candente.
É evidente que tudo o que se publica jornalisticamente sobre o Papa e a Igreja tem esse objetivo e o Vaticano sabe disso.  Embora em muitos casos a Igreja acredite (estando certa ou errada) conseguir aproveitar-se dessa exposição vendo nela uma oportunidade de levar sua mensagem ao mundo, o fato é que a premissa dessa exposição global está presente nos dois casos, ou seja, os agentes desta exposição dificilmente são os membros da Igreja, mas a mídia submissa ao globalismo. Já que a Igreja não detém eficientemente os meios de controlar o fluxo de exposição, tampouco o viés dos produtos midiáticos, resta a ela responder às questões levantadas pela mídia utilizando-se muitas vezes de premissas fornecidas pelo agente causador da exposição. A resposta da Igreja normalmente nem precisa ser distorcida pelos jornalistas, pois o fato da pergunta já é suficientemente um fator de subjugação da Igreja ao julgamento mundano, o que já caracteriza uma inversão profunda e imperceptível de valores no grosso da audiência. Claro que a situação se complica ainda mais quando até mesmo o próprio Papa parece raciocinar nos termos midiáticos e aparentemente apressar-se a responder e com isso reforçar uma postura de submissão avessa à verdade da fé cristã e da noção de autoridade (dependência exclusiva do Autor da vida). Isso não é uma exclusividade do Papa Francisco, mas o resultado de uma postura que a Igreja tomou há tempos, o que nos parece algo carregado de erros e de aparente ingenuidade, queremos crer.

Por outro lado, se há outra alternativa à Igreja a não ser responder às questões levantadas, dada a situação de impotência diante do colossal poder da grande mídia globalista, não nos caberia indicar, já que compreender o problema me parece o primeiro passo de qualquer tentativa de resolvê-lo. Isso nos deve auxiliar principalmente no julgamento e interpretação das notícias sobre a Igreja, o que deve ser feito levando em consideração seus efeitos e, portanto, seu agente, conforme um simples exercício de associação baseado na pergunta: a quem isso ajuda? Se ajuda aos globalistas e seu poder sobre as mídias já é atestado, claramente se trata de uma ação orquestrada para este fim. E sobre isso há bastante informação disponível que ateste a incrível capacidade das instituições e entidades globalistas de controlar os meios de comunicação. Basta ver o meu artigo sobre o Project Syndicate.

Exemplos temos em demasia. O primeiro deles e mais óbvio são as acusações de pedofilia na Igreja. É sabido que casos reais existem e devem ser combatidos. No entanto, é um traço típico da mentalidade dos meros consumidores de notícias não atentar-se para o contexto em que essas denúncias surgem ou de quem elas vêm. Em um mundo hiper-sexualizado, onde todas as taras sexuais, incluindo homossexualismo, pedofilia, necrofilia, zoofilia, já contam com entidades de defesa e proselitismo sexual vindo da própria ONU e UNESCO, onde a educação sexualizante para crianças tem sido empurrada goela abaixo de todos os países do mundo, nos parece bastante estranho que os mesmos agentes promotores destas obscenidades tentem colocar a Igreja Católica no centro do problema das taras sexuais. Trata-se de uma forma ardilosa de gerar uma falsa necessidade de o mundo fiscalizar a Igreja e sua estrutura, além, é claro, de distrair o mundo dos infindáveis escândalos de pedofilia na própria ONU que são denunciados pelo mundo a fora e superam em muito os da Igreja.

Embora este tipo de assédio jurídico-midiático ocorra com todos os estados nacionais, o Vaticano é o alvo prioritário, por ser o repositório ocidental do que chamamos de direito natural, isto é, a base jurídica que nos permite julgar se uma lei é justa ou injusta, por carregar valores pré-jurídicos. O caso da pedofilia na Igreja esconde ainda uma agenda dupla que é a questão do celibato clerical, algo odiado e cada vez menos compreendido, mas muito mais por força de uma contextualização construída e aceita pela maioria, na qual o ponto mais alto da satisfação humana está na sexualidade e na realização dos desejos. Desejos estes que, para os fins do direito positivo da Nova Ordem Mundial, devem servir de matriz às reivindicações de mais direitos. Só assim, o que se conhece como direito pode ganhar um caráter subjetivo, um passo importante na direção da relativização do direito e, portanto, no sepultamento dos conceitos universais. Afinal, sendo o homem escravo dos próprios desejos, toda a força dispendida à sua realização irá inevitavelmente na mesma direção de conceder aos legisladores mais e mais poder para que garantam seus direitos. Uma artimanha tão velha quanto letal.

Outro exemplo muito claro é a cobertura e a atenção dada pela mídia ao Sínodo dos Bispos, cujo tema foi a família. A expectativa da grande mídia coincide com agendas da ala modernista da Igreja, como a comunhão de recasados (no fundo, mirando no dogma da indissolubilidade do casamento) e a aceitação de uniões entre pessoas do mesmo sexo, o que pressupõe, de fundo, a relativização do conceito de família como algo universal e independente de convenções sociais ou culturais. O maior obstáculo a estas causas é, novamente, o direito natural que, longe de ser um simples paradigma jurídico, é a base sobre a qual se construiu a noção mesma de direito e de democracia ocidentais.

Como vemos, não é possível julgar as notícias pelo seu conteúdo mas pela agenda que ela atende. Muito embora fatos expostos tenham um fundo de verdade, a verdade maior está na malícia dos difusores da informação e não na informação em si. Informações são uma parte muito pequena de uma notícia. O seu miolo, isto é, a sua alma é a intencionalidade, seja de informar ou transformar, dada a amplitude dos efeitos que advém da difusão dos fatos. Afinal, inevitavelmente a difusão de fatos gera novos fatos. Quem controla a difusão evidentemente detém uma parte importante do poder de interpretação sobre os novos fatos gerados.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Hangout com Filipe Alberto: temas diversos

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Como identificar o politicamente correto

A maior utilidade de aprendermos a diferenciar os chavões politicamente corretos de verdadeiras reflexões é a de sanear nossas próprias opiniões e crenças. Depois — e só depois — é que podemos empreender o esforço de sanear as opiniões no entorno social. Isso porque naturalmente perceberemos que a maioria das nossas opiniões SÃO as do entorno social e não nossas, como pensamos.

A verdadeira reflexão parte da expressão e se dirige à compreensão do fenômeno real ao qual ela se refere. Os chavões se caracterizam por não fazer este caminho, mas permanecer no nível da expressão como se fossem a própria realidade. Palavras são tratadas como se expressassem perfeitamente o que se quer dizer, sem as dúvidas e ambiguidades que são inerentes a esta relação entre expressão e realidade.

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Vazio gerado e vazio preenchido

A primeira característica do chavão é ser vazio de significado. Isso quer dizer que não é possível analisar o significado das palavras ou expressões para chegar a uma estrutura razoavelmente coerente. As palavras estão normalmente re-significadas e não correspondem mais ao seu uso tradicional, pois foram carregadas com emoções de adesão ou repulsa quase físicas. Gera-se assim uma caricatura de moralidade apelando apenas ao sentimento moral.

O vazio expressivo e de significado é preenchido, então, com os signos fornecidos pela cultura, o que é feito por meio de imagens, tanto visuais quanto retóricas, de propostas, soluções ou expectativas para o futuro. Quase todo mundo hoje em dia acredita que o futuro será melhor que o passado, por exemplo. Esta crença é facilmente utilizada para agregar valor a toda proposta que difira de algo que já existiu, favorecendo assim um círculo vicioso de mudança social.

A contradição

Outra característica é a contradição do enunciado com a situação de discurso. Por estar vazia de significado, as sentenças politicamente corretas têm somente o papel de estabelecer uma dualidade concorrente que coincida com o gosto do enunciador ou com a defesa do grupo ao qual pertence. Ambas podem ser representadas pela defesa de uma ideologia.

Exemplo: A defesa da tolerância pela utopia de uma sociedade igualitária: ora, tolerar é suportar as diferenças, o que pressupõe que existam. Como pode haver um mundo com igualdade (sem diferenças) e tolerância ao mesmo tempo, se sem diferenças não há o que tolerar? Obviamente frases como esta dizem respeito a aspectos tão gerais que não se aplicam a absolutamente nada, servindo mais como uma solução retórica para a indiferença que reina hoje em relação a tudo o que não seja a satisfação de uma auto imagem.

Estas contradições são muito frequentes no meio católico, entre clérigos e leigos progressistas adeptos de práticas criativas e críticas mas que, paradoxalmente, ficam indignados quando a criatividade e a crítica levam a algum tipo de tradicionalismo. Estes mesmos progressistas, ao mirarem o fogo aos tradicionalistas, criticam a afeição demasiada de fiéis aos “elementos visuais da fé”, como gestos, paramentos litúrgicos, etc, afirmando a necessidade de ouvir ‘Deus por meio do coração”, em um contato mais interno e menos externo, etc. Os mesmos progressistas, porém, aparentemente não vêem nenhuma utilidade nos gestos externos que empreendem como as suas mudanças litúrgicas aparentes.

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Dualismo e inimigos imaginários

Para o politicamente correto, o mundo se divide entre os certos e os errados. Esquecem a complexidade do mundo e a dificuldade inerente à classificação e à descoberta da verdade. Quase sempre é necessário desenhar um boneco para espancá-lo depois, como o empresário ambicioso que odeia o meio ambiente, o carrasco que sente prazer em maltratar animaizinhos, o intolerante que odeia tudo o que é diferente dele, o “racista homofóbico”, o individualista que odeia tudo e a todos, e uma infinidade de estereótipos que dificilmente são nomeados ou apontados mas tidos como pressuposto ou inimigos imaginários. Essa tipologia dualista é necessária para a construção da auto imagem do politicamente correto e do seu grupo ou categoria.

Evidentemente, no Brasil alguns direitistas (especialmente liberais) ficam atentos a estes estereótipos, não para diferenciarem-se deles, mas para representarem o papel criado pelo politicamente correto. Neste sentido é que tenho dito que no Brasil o preconceito costuma acertar na mosca.

 

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

Regime ateu da Coréia do Norte é o país que mais persegue cristãos

Entre os 10 países que mais perseguem cristãos, há ditaduras atéias e regimes teocráticos islâmicos. Mesmo em países onde os cristãos não são perseguidos pelo governo, há perseguição por parte de seitas radicais e grupos paramilitares que cometem atentados terroristas a igrejas todos os dias. Leia mais

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Cubanização da Ilha

Na ilha de Fidel, a propriedade serve a uma função social e quem arrogar-se dono de algum imóvel é automaticamente um inimigo do povo.

Cristian Derosa
Jornal Ilha Capital, junho de 2011

O incêndio do casarão da rua Victor Konder, no centro de Florianópolis (SC), ocorrido no mês de maio, pôs em discussão uma questão polêmica, um problema antigo que assola muitas cidades do país e que, ao que parece, chegou para ficar. A casa, que estava sendo invadida por moradores de rua que freqüentavam o local já há tempos, foi consumida rapidamente pelo fogo pois havia combustível, papéis, roupas velhas, etc. Leia mais

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

1888 | Os 123 anos da Lei Áurea

Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinava a Lei Áurea, pondo fim à escravidão no Brasil.

Sancionada pelo chamado “Gabinete de 10 de março”, formado pelo Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva* e presidido por João Alfredo Correia de Oliveira, do Partido Conservador, a lei foi o ápice de um processo que vinha desde 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, que proibia o intercâmbio de escravos, seguida, em 1871 pela Lei do Ventre Livre e, em 1885, com a Lei dos Sexagenários, que libertava escravos com mais de 60 anos.

A Lei Áurea foi apresentada pelo ministro Rodrigo A. da Silva, dois dias antes quando começou a ser debatida no Senado. Foi votada, aprovada e encaminhada para a assinatura da princesa Isabel no mesmo dia 13 de maio.

Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva

(*) Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva, autor da Lei Áurea, era presidente do Partido Conservador. Seu pai, o Barão do Tietê, também foi lider dos conservadores e sei sogro foi o senador Eusébio de Queirós, autor da lei que proibia o comércio de escravos.


Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.