Novo projeto nuclear de Donald Trump permite respostas imediatas

Um novo projeto nuclear está prestes a ser revelado pela administração Trump. O sistema chamado Hawkish incorpora o desenvolvimento de ogivas pequenas e simples

O novo projeto será informado no documento oficial sobre a postura nuclear do país frente a outras nações, o Nuclear Posture Review (NPR), a ser publicado após o mês de janeiro. É a primeira edição do relatório oficial nos últimos oito anos. Criado em 1994, o NPR costuma informar o número de ogivas e o poderio nuclear total dos Estados Unidos, assim como as metas de produção e projetos.

De acordo com Jon Wolfsthal, ex-assistente especial de Barack Obama no controle de armas e não-proliferação, o último rascunho do projeto Hawkish, continha sugestões bem agressivas, apesar das mais poderosas terem sido descartadas.

“No início, o projeto era muito radical, mas não está mais tão terrível quanto originariamente. Mas ainda é agressivo”, disse Wolfsthal.

Uma das principais mudanças da nova política militar americana está na consideração de possíveis ataques nucleares. Diante do novo NPR, qualquer ataque nuclear contra os EUA poderia desencadear uma resposta rápida e violenta.

Novas ogivas

O governo Trump também quer desenvolver novos tipos de ogivas nucleares. Uma delas poderiam ser usadas em mísseis balísticos Trident D5, utilizados por submarinos, fazendo com que o resultado da explosão apresentasse menor abrangência, úteis para ataques em pequena escala.

A justificativa declarada pelo governo para o desenvolvimento de novos tipos de armas é que, caso a Rússia entre em conflito com membros da OTAN, na Europa Oriental, presumivelmente usaria armas nucleares táticas logo de início, esperando que os EUA hesitem em usar suas armas nucleares mais poderosas em resposta, por medo da repercussão.

No entanto, a postura nuclear russa defende que o país apenas usaria seu arsenal nuclear caso fosse atacada por armas de destruição em massa ou que ataques ameaçassem a existência da Rússia como estado soberano. Segundo o documento russo, a nação usaria armas nucleares táticas contra a OTAN apenas se a OTAN iniciasse uma guerra para derrubar o governo de Moscou.

O documento sobre a postura russa foi atualizado em 2014, em meio a crescente tensão com a OTAN, e alega que as armas nucleares táticas são apenas uma forma de equilibrar a supremacia da aliança internacional com a Rússia.

Wolfsthal questionou a necessidade de se desenvolver ogivas de menor abrangência, alegando que os EUA já possuem tais armas em seu arsenal, sob a forma de bombas de gravidade B61, algumas das quais estão estacionadas na Europa em forma de mísseis cruzeiro lançados pelo ar.


fonte: Infowars

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

Bestas rudes do novo conservadorismo

Por Victor Bruno

Qual besta rude, vinda enfim sua hora,
Arrasta-se a Belém para nascer?
— W. B. Yeats, “A Segunda Vinda”

 Intelectualidade no Sol e na sombra

É difícil se falar de um conservadorismo no Brasil. Não só pelos motivos que conhecemos bem (preconceito catedrático, censura ideológica, dominância política de esquerda etc.), mas também por motivos mais delicados e sutis que merecem destaque e estudo; aqui não posso dar senão uma breve pincelada.

As idéias têm a vantagem de poder se desenvolver na escuridão e aridez, como provam as experiências de vida de figuras como Viktor Frankl, o psicólogo judeu prisioneiro em Auschwitz, e Alexander Soljenítsin, o dissidente do comunismo que transformou seu cárcere nos gulags em obra-prima da literatura. Também não podemos esquecer que o mais influente pensador de esquerda do século passado, Antonio Gramsci, compôs o grosso do seu pensamento dentro da cadeia de Mussolini.

Portanto, a idéia de direita — e a idéia conservadora —, não importando o cerceamento ideológico que reina aqui no império tupinambá, também pode aqui criar corpo. O muito comentado, pouco lido e ainda menos entendido Sir Roger Scruton, por ter uma relação muito especial com os países da antiga Cortina de Ferro, nos conta no primeiro capítulo de How to Be a Conservative (lançado no Brasil com o título Como Ser um Conservador, pela Record) a história de intelectuais em países dominados pelo regime comunista que, em meio ao horror vermelho, se reuniam em porões e pequenos apartamentos para dar prosseguimento às suas atividades intelectuais. Intelectuais como Béla Hamvas (foto), que, expulsos da universidade, tiveram que ir trabalhar como mão-de-obra sem qualificação em usinas de energia ou na lavoura. Esses pensadores, diz Scruton, estavam perfeitamente conscientes de que havia um problema muito maior do que o caos político vigente, havia algo ainda mais doloroso e traumático — um trauma de consciência. Esse, assim acreditavam, podia ser atenuado (mas não excluído) se houvesse uma chama de sentido acesa quando os regimes de esquerda fossem derrubados. E assim foi feito. O trabalho de consciência prosseguiu mesmo sob a sobra comunista. A Hungria e a República Tcheca, países visitados por Scruton, fizeram exatamente isso e se deram muito bem. Se hoje não nos referimos a essas duas nações como grandes potências econômicas, tampouco ouvimos falar deles como epicentros de crises políticas ou culturais. Budapeste e Praga, ao contrário do que diz o prefeito londrino Sadiq Khan, são duas metrópoles que não têm o flagelo do terrorismo açoitando suas costas.

Conservadorismo é mais que anti-esquerdismo

A idéia do conservadorismo transcende o momento político presente. Russell Kirk e Titus Burckhardt, para citar dois exemplos, já avisavam que o debate político do dia era uma parcela muito reduzida da abrangência magnânima que a idéia conservadora carrega. Se não há essa noção de transcendência, o potencial conservador se transforma em mero reacionarismo atávico e babão — e reacionarismo, ao contrário do conservadorismo, não tem nem um sentido abrangente de trabalho de oposição e muito menos um aparato de ordem transcendente em seu arcabouço. As posições que o reacionarismo toma — apesar de poderem ser manifestações de conservadorismo — são muitas vezes as mais fugazes possíveis e levam aos paradoxos mais curiosos.

O Brasil tem um grande movimento de fundo conservador (vocalizado em geral pelos mais jovens, como aponta Francisco Escorsim em seu recente texto na Gazeta do Povo) que por várias razões se enrijece e esfarela em mero reacionarismo. Sabemos que, baseado nas pesquisas sobre desarmamento, aborto, na popularidade do findo governo do moribundo (mas ainda influente) Partido dos Trabalhadores e em praticamente todas as idéias defendidas pelos partidos e agentes políticos de esquerda, o Brasil tem uma população que, em sentido genérico, pode se considerar como “conservadora” (e, no fundo, qual não é?). Mas não há uma organização a esse espírito. A população de impulso conservador fica à mercê da impressão mais fugaz, à mercê de hipnotizadores carismáticos com tendências messiânicas. O senso comum — destacado do conhecimento que só a cultura pode oferecer — nada pode contra um vampiro político propulsado pela força da mídia.

E aí está a chave do enigma. Como o Prof. Olavo de Carvalho insiste há décadas, a memória cultural brasileira foi raptada e não sobrou ninguém para servir nem mesmo de baú ambulante no deserto da ideologia. Para citar Escorsim de novo, o povo brasileiro está divorciado da sua cultura e do diálogo com os seus antepassados. Isso perverte toda a possibilidade de um conservadorismo que transcenda o momento político, já que não é possível que se aprofunde a visão fugaz que o momento fugidio nos apresenta.

Um exemplo: num cenário conservador, veria-se o tratamento que a direita auto-intitulada dispensa a Jair Bolsonaro com reticência, pelo menos. Reticência porque ver Bolsonaro como o messias político que precisamos é retornar à década de 2000, quando o país olhava Lula e seu crescimento econômico como a nossa tábua de salvação. Reticência porque messianismo político é o primeiro pecado que os desesperados cometem e é o asfalto da histeria política. E reticência porque já era tempo de saber que não basta colocar uma pessoa “de direita” na presidência de um país para sanar o delicado problema da dominação ideológica num país. Na verdade, não basta nem mesmo para sanar aqueles mais profundos, como corrupção e desmantelamento da máquina estatal. Quem não sabe disso é dorminhoco ou é cínico.

Essa é uma breve imagem do nosso conservadorismo. Nos falta o senso histórico e nos falta o senso cultural. O drama do conservadorismo brasileiro não se concentra na falta de jornais e publicações conservadoras, ou na falta de um partido que carregue esse nome e essa bandeira. O que realmente nos falta é o preenchimento da imaginação, que é a própria essência do esforço conservador.

É preciso que se preencha o “guarda-roupa da nossa imaginação moral”, para usar o famoso termo de Sir Edmund Burke, com as coisas que valham a pena ser preservadas, e esse é, acredito, um esforço sagrado. Para que se componha o guarda-roupa da imaginação moral é preciso que tenhamos um mundo inteiro nas nossas cabeças, e isso significa que precisamos saber profundamente sobre a maior das obras de Deus: a própria Criação. E é exatamente por isso que o conservador preza tanto pela manutenção das coisas: que pecado imenso é se esforçar para compreender a majestade da obra divina, somente para deixar que alguém que acredita saber mais do que Deus a destrua?

Só que nós, homens, temos um handicap. Nós não podemos, como Deus, conhecer as coisas em sua totalidade, tanto as coisas do futuro como as do passado. O homem só conhece as coisas que já foram feitas. Ou seja, temos que viver o passado através das crônicas e dos relatos do que se passou naquele momento quando aquelas ações eram executadas. Temos que abrir uma porta perceptiva para que se realize uma conexão fundamental com o melhor da nossa história — tendo a certeza de que esse trabalho não é para ser finalizado agora.

Logo se vê, portanto, que a tarefa conservadora é infinitamente complicada. O conservadorismo não foi inventado por um “Grande Simplificador”, um teórico que inventa um sistema de crenças no qual todo o funcionamento ideal do mundo está contido; o conservadorismo não foi inventado por ninguém. Talvez por isso seja tão difícil anunciar uma idéia conservadora para as massas: o pensamento conservador não oferece soluções e nem tem um plano; ele se desenrola no tempo, puxando o que há de bom no passado, tomando os grandes feitos como exemplo e preservando a liberdade para as gerações futuras. Antes de ver o mundo horizontalmente, o conservadorismo vê o mundo verticalmente, de cima a baixo, desde o topo do Logos até as profundezas do anticristo. No campo de imaginação conservador há só o drama da humanidade.

Uma esperança

É justamente a ausência desse espírito de meditação e imaginação que mencionei que nos impede de construir uma mentalidade — ou mesmo uma intelectualidade — conservadora no Brasil. (Claro está que mesmo que tivéssemos o espírito meditativo e a imaginação moral, ainda não estaríamos garantidos de que teríamos um conservadorismo poderoso. Não há receituário para as coisas da vida.)

Não é minha intenção criar uma prescrição médica para o lançamento de um conservadorismo verdadeiro no Brasil — de um conservadorismo que seja mais do que um batido tupinambá de antipetismo, idéias liberais austríacas e de conservadorismo anglo-saxão. Minha intenção é somente apontar algumas impressões de um movimento que ainda está em estado latente em nosso país e que precisa superar o simples e recalcitrante antipetismo de última hora (por mais que esse tipo de ação política tenha se tornado extremamente lucrativo desde 2013).

Mas no fim das contas, há uma esperança. Talvez esse desejo imediatista que há no coração do brasileiro de hoje o leve a fazer esse trabalho de investigação da realidade; talvez, chegando a fazer essa investigação, se perceba que existe um senso moral em cada um de nós que transforma a vida humana numa sinfonia de desejos, ações, esperanças e sonhos. Que o destino do homem é servir ao próximo, perdoar e estabelecer um amanhã que não seja ideal, mas livre, e que dessa liberdade germine o melhor possível dentro das nossas capacidades e dentro do mundo que nossos pais deixaram.

Conservadorismo é mais que usar gravata e andar de barba feita: conservadorismo é um compromisso do indivíduo com a ordem transcendente da Criação. É a manutenção do contrato entre os vivos, os mortos e os que vão nascer. O conservadorismo é a própria preservação do sentido da Criação. Falta que entendamos isso e o caminho é terrivelmente longo. Ele não começa hoje: vem do ontem e vai para no fim dos tempos. Portanto, como somos parte — todos nós — do drama da humanidade, algumas coisas nunca mudam e preservam sua atualidade para sempre.

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“Abuso infantil institucionalizado”, considera autoridade pediátrica sobre o uso de inibidores de puberdade

Com tanta confusão em torno de toda a questão da identidade de gênero, transgênero e disforia de gênero, pode ser esclarecedor ter um verdadeiro especialista para nos fornecer alguns fatos bem constatados sobre o assunto. É exatamente isso que a Dra. Michelle Cretella, presidente do Colégio Americano de Pediatras, fez em um vídeo em que falou coisas reveladoras.

“Nossos corpos é que decidem o nosso sexo”, disse Cretella no vídeo postado pelo The Daily Signal.

“O sexo é biológio e não atribuído. O sexo é determinado no momento da concepção pelo nosso DNA. Está Estampado em cada célula do nosso corpo.”

Este é o lugar onde o mal entendido reside e as crianças pequenas são encorajadas a explorar diferentes identidades de gênero. Mas Cretella argumenta que isso se trata de psiquiatria humana complexa e que a ciência do sexo é biológica e unívoca:

“A sexualidade humana é binária. Existem pelo menos 6500 diferenças genéticas entre homens e mulheres. Hormônios e cirurgias não podem mudar isso. Uma identidade não é biológica, é psicológica. A identidade tem a ver com o pensamento e o sentimento. Pensamento e sentimentos não são biologicamente válidos. Nossos pensamentos e sentimentos podem ser factualmente corretos ou factualmente incorretos.”

E a médica continua a dar ótimos exemplos:

“Se eu entrar no consultório do meu médico, hoje, e dizer ‘ Oi, eu sou Margareth Tatcher’, meu médico irá dizer que eu estou delirando e me dará um antipsicótico. No entanto, se, em vez disso, eu entrar e dizer: ‘eu sou homem’, ele dirá: ‘Parabéns, você é transgênero’.”

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Ela continuou: “Se eu dissesse: ‘Doutor, eu vou me suicidar, pois sou uma pessoa amputada, presa em uma pessoa com pernas normais. Por favor, remova cirurgicamente a minha perna”. Eu seria diagnosticada com transtorno de integridade da identidade corporal. Mas se eu chegar até o mesmo médico e dizer: ‘eu sou homem, inscreva-me para uma mastectomia dupla’, meu médico o fará.”

A Conclusão da Dra. Cretella? “Se você quer cortar um braço ou perna saudável, você está mentalmente doente. Mas se você quer cortar os seios saudáveis, ou o pênis, você é transgênero.”

“Sejamos claros, ninguém nasce transgênero”, acrescentou, dando um exemplo de um jovem que estava sob seus cuidados médicos:

“Eu tinha um garotinho chamado Andy. Ele brincava cada vez mais com brinquedos de meninas e dizia que era uma menina. Eu recomendei que Andy e seus pais fossem a um terapeuta. Muitas vezes, a doença mental é causada por abuso do pai. Porém, neste caso, a criança havia tido uma má percepção da dinâmica familiar e absorveu uma falsa crença.”

À medida que as sessões prosseguiam, ficou claro para o terapeuta que a confusão de gênero de Andy estava enraizada por algumas dinâmicas familiares cruciais.

“No meio de uma sessão, Andy deixou o carrinho de brinquedo de lado e segurou uma boneca barbie, dizendo: ‘mamãe, papai, vocês não me amam quando eu sou um menino’. Quando Andy tinha três anos, sua irmã com necessidades especiais nasceu. Ela exigiu muito mais cuidado e atenção dos pais. Andy percebeu isso como ‘mamãe e papai amam meninas. Se eu quiser que eles me amem novamente, eu tenho que ser uma menina’. Assim, através da terapia familiar, Andy melhorou”.

Porém, nos dias de hoje, os pais de Andy seriam informados de algo completamente diferente:

“Eles ouviriam: ‘isso é o que Andy realmente é. Você deve mudar seu nome e garantir que todos os tratem como uma menina, ou então ele se suicidará’. Conforme Andy chegasse a puberdade, os especialistas o receitariam bloqueadores de puberdade para que ele pudesse continuar a se sentir como uma menina”, explicou Cretella.

A Dra. Cretella rejeita profundamente a prática de injetar bloqueadores de hormônios em crianças pré-adolescentes, dizendo que é uma prática insegura e defendendo que os pais apoiem seus filhos em seu desenvolvimento natural masculino ou feminino.

“A puberdade natural do sexo biológico causa uma grande melhoria na maior parte das crianças confusas com seu gênero”, explicou. “No entanto, estamos castrando quimicamente crianças com confusão de gênero, utilizando bloqueadores de puberdade. Então, nós esterilizamos permanentemente muitas delas, adicionando hormônios sintéticos.”

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Michelle está convencida de que, longe de libertar as crianças para o que elas realmente são, esses tratamentos constituem “abuso infantil institucionalizado”.

“Sejamos claros. Educar todas as crianças da pré-escola diante da mentira de que elas poderiam estar presas em corpos errados interromperia o próprio processo de aprendizagem e conhecimento da realidade. Se uma criança não pode confiar na realidade de seus corpos físicos, quem ou no que elas podem confiar? A ideologia de gênero nas escolas é um abuso psicológico que muitas vezes leva a castração química, esterilização e mutilação cirúrgica. Se isso não é abuso infantil, senhoras e senhores, o que é?”

 


fonte: Faith Wire

Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Rituais satânicos no RS geram debates sobre intolerância religiosa

Bruxos, magos e sacerdotes ocultos, oriundos do submundo das ciências secretas, evocam o poder do politicamente correto para tornar suas práticas aceitáveis em uma sociedade cada vez mais secular, indiferente e materialista

A morte e esquartejamento de duas crianças devido um ritual satânico, em Novo Hamburgo (RS), está gerando polêmica nas redes sociais e na região. Os acusados já foram presos e são conhecidos praticantes de magia negra. O templo em que ocorreu o ritual fica em uma região afastada da cidade de Gravataí, zona metropolitana de Porto Alegre. Outros templos podem ser vistos na rua principal da cidade (foto), onde são contratados rituais como o que vitimou as crianças, para o qual o contratante pagou R$ 25 mil para ter prosperidade imobiliária.

A questão levantou certa indignação na população e nas redes sociais e a associação com terreiros de Umbanda fez com que líderes de terreiros temessem ataques e represálias. Da mesma forma, praticantes de magia reivindicaram certa “isenção” sobre o assunto, alertando que suas práticas de magia não incluem sacrifícios humanos.

Um dos principais porta-vozes da “alta magia” no Rio Grande do Sul é Antônio Augusto Fagundes Filho, conhecido com Mago Fagundes. Trata-se de um dos filho do lendário tradicionalista e poeta gaúcho Nico Fagundes, falecido em 2015. Ele é autor do Livro dos Demônios, em que descreve diabos e os modos de se defender deles. “Os autênticos satanistas, de alto nível cultural e mágico, não precisam de sacrifício humano. Nem de animais. Magia é para ter saúde, felicidade e ficar livre de influências externas”, alerta o bruxo.

Líderes de terreiros de religiões de matriz africana e espírita estão preocupados com ataques e discursos de ódio nas redes sociais, associando-os ao culto ao demônio, coisa que, segundo eles, nada tem de verdadeiro.

A evolução dos debates públicos respeitam, coincidentemente ou não, as etapas de um processo persuasivo de convencimento e modificação da opinião pública. Assim como a “Janela de Overton”, na qual uma proposta é colocada à sociedade por meio de seu aspecto mais aceitável até produzir a aceitação completa, também a teoria do agendamento (agenda setting) demonstra que quando ativistas de uma causa não conseguem mudar nossa opinião, eles simplesmente fazem com que falemos do assunto. A opinião, gradativamente, vai caminhando para o estágio desejado por um processo dialético natural.

As drogas surgiram com a campanha anti-drogas, que era a maneira como a população compreende o assunto e pode debatê-lo. O drogado passou de vagabundo para doente, mediante uma real distinção existente, mas que tem o objetivo de servir aos seus abusos. Da mesma forma, o homossexualismo, a pedofilia. Antigamente, homossexuais eram invariavelmente associados a abusos sexuais de menores. Reforçando a forma como era praticado entre adultos independentes, ganhou status de opção sexual. Da mesma forma, a pedofilia, hoje, ganha status de uma orientação, ainda que doentia. Mas os pedófilos já não são necessariamente um caso de polícia, e sim de saúde.

Agora é a vez do satanismo, adornado pela imagem de estudiosos interessados em ciências secretas, como Antônio Augusto Fagundes, filho de folclorista gaúcho, representa bem a elite midiática do estado gaúcho, da RBS, para quem dá consultorias espirituais para suas produções, como no caso de um documentário sobre a Revolução Federalista, filmado na Ilha de Anhatomirim, em Florianópolis (outro ponto de encontro de práticas esotéricas), para o qual foi feito um ritual para consultar almas de maragatos mortos. No dia seguinte, conta-se, o mar estava tão revolto que quase não conseguiram partir da ilha.


Links:

Jornal NH – Mago condena sacrifícios humanos e líderes de terreiros temem ataques

Jornal NH – Hamburguense pagou R$ 25 mil para sacritificar irmãos em ritual satânico

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Financiamento de filme de Lula é investigado pela Lava Jato

Encontrado e-mail de Marcelo Odebrecht sobre a produção do filme “Lula, o filho do Brasil”

Capa do filme – Lula, O Filho do Brasil

Na última quinta-feira (04), a Operação Lava Jato descobriu mais um possível escândalo ligado ao ex-presidente Lula: o filme que narra a história da sua vida, “Lula, o Filho do Brasil”. O filme estreou em janeiro de 2010 e custou cerca de R$ 17 milhões, contando com o patrocínio de empreiteiras como a Odebrecht, OAS e Camargo Corrêa. As três empreiteiras que patrocinaram o filme estão envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras. Os patrocínios variaram entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão. A polícia federal também está apurando o envolvimento de outros agentes no caso, inclusive o do ex-ministro Antonio Palocci. Em dezembro de 2017, os agentes de polícia já haviam tentado contatar Palocci, que está preso em Curitiba, porém, ele preferiu permanecer em silêncio, uma vez que pretende negociar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

 

Durante a investigação, a Polícia Federal encontrou documentos que abordavam o financiamento do filme, enquanto juntava os e-mails do empresário e delator Marcelo Odebrecht. As mensagens mencionavam os codinomes “italiano”, que está relacionado ao ex-ministro Antonio Palocci, e “seminarista”, relacionado ao ex-ministro Gilberto Carvalho. O diretor do filme sobre Lula, Luiz Carlos Barreto, negou qualquer envolvimento dos ex-ministros nas arrecadações para o filme.

revista estudos nacionais

 

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

Estado Islâmico: Terroristas tiram selfie em Nova York

revista estudos nacionaisO fato ocorreu logo após o grupo terrorista ter requisitado mais ataques com facas e bombas

Semana passada, um homem, que usa um lenço do Estado Islâmico (ISIS) para tapar o rosto, publicou um selfie em frente ao Metropolitan Museum of Art de Nova York com o subtítulo: “Estamos em sua casa”.

A imagem foi carregada em um canal pro-ISIS através do aplicativo de mensagens Telegram no dia 30 de dezembro.

Isso ocorreu logo após um vídeo publicado pelo ISIS, onde os terroristas efetuam vários disparos e pedem por mais ataques com facas e bombas durante o período festivo.

Junto ao vídeo que pedia mais ataques a facas, vinha um cartaz com as seguintes palavras: “É mais barato do que uma motosserra.”

“É mais barato do que uma motosserra”.

O fato não deixa de ser alarmante, veja a imagem abaixo, fotografada na West Street:

West Street de Nova York

Ela foi postada dias antes de Sayfullo Saipov dirigir um caminhão pela ciclovia que corre ao longo da rua, matando oito pessoas durante o Halloween.

Ainda, no mês passado, um motorista de táxi de Staten Island, Akayed Yllah, de 27 anos, por erro técnico, teve problemas ao detonar uma bomba na estação de metrô da rua 42, que explodiu antes do momento adequado. Felizmente, uma única pessoa foi ferida, um imigrante de bengali, de 27 anos de idade, que já está bem.

Imigrante ferido no ataque a bomba no metrô

Durante a investigação do ataque, foi constatado que o motorista de táxi costumava assistir à propagandas do Estado Islâmico, porém, quando interrogado, ele afirmou que agia sozinho em retaliação à agressão militar dos EUA no Oriente Médio.

O atentado da estação de metrô ocorreu perto da Times Square (ponto mais movimentado de Nova York) em menos de 2 meses após o último ataque de caminhão que assassinou 8 pessoas na West Street.

Sobre o ataque na West Street, ele não foi realizado diretamente pelo Estado Islâmico, mas por um imigrante uzbeque, Sayfullo Saipov, que simpatizava com o grupo terrorista.

O imigrante disse, com orgulho, aos investigadores, que ele mesmo tinha alugado o caminhão e utilizado para assassinar os ciclistas e pedestres da ciclovia da West Street. No entanto, apesar de ele ter assegurado que agia sozinho, os agentes antiterroristas dos EUA disseram que irão se certificar.

Saipov, de 29 anos, veio aos EUA legalmente em 2010, do Uzbequistão, local onde ele nunca teve problemas com a lei. Ele morou pela primeira vez em Ohio, onde era motorista de caminhão comercial, depois na Flórida. Apenas recentemente veio para Nova Jersey com sua esposa e filhos, onde trabalhou como motorista de Uber.

Sayfullo Saipov sendo preso pelas autoridades após o atentado.


Fonte: Dailymail.co.uk

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

“Botão nuclear” está em minha escrivaninha, diz Kim Jong-Un

Nesta segunda-feira (01), o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-Un, advertiu os Estados Unidos que o “botão nuclear” está instalado em sua mesa. O fato ocorreu no programa norte-coreano de ano novo, na televisão.

“Todos os estados americanos estão dentro do alcance de nossas armas nucleares, e o ‘botão nuclear’ está sempre na minha mesa. Esta é a realidade, não uma ameaça”, disse Kim.

O ditador ainda se vangloriou dizendo que os EUA “nunca começariam uma guerra contra mim e meu país”, prometendo aumentar a produção em massa de ogivas nucleares e mísseis balísticos em 2018.

“Este ano, devemos nos concentrar na produção em massa de ogivas nucleares e mísseis balísticos para implantação operacional. Essas armas serão usadas somente se nossa sociedade estiver ameaçada”, disse Kim.

revista estudos nacionais

No entanto, o ditador tomou um tom mais reservado ao se dirigir à Coreia do Sul, pedindo negociações imediatas na tentativa de levar Pyongyang para as próximas Olimpíadas de Inverno.

“A participação da Coreia do Norte nos jogos de inverno será uma boa oportunidade para mostrar a unidade do nosso povo, e desejamos que os jogos sejam um sucesso”, disse Kim.

Em 2017, a Coreia do Norte realizou inúmeros testes como parte de seu programa de armas nucleares, sendo o de setembro o mais poderoso. Entretanto, em novembro, o míssil balístico intercontinental (ICBM) Hwasong-15 voou mais longe do que qualquer outro anterior, passando, inclusive, por cima do território japonês.

No último domingo (31), o Almirante Mullen, dos Estados Unidos, afirmou que os países estavam mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

“Estamos realmente mais perto do que nunca, em minha opinião, de uma guerra nuclear com a Coreia do Norte”, disse Mullen. “Não enxergo oportunidades para resolver diplomaticamente esta questao”.

Também, um relatório realizado em dezembro pelo noticiário The Telegraph afirmou que a administração Trump vem elaborando planos para um ataque militar “sangrento” contra Pyongyang, como uma tentativa parar interromper o programa nuclear do país.

 

Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Mas o que é isso, Maria do Rosário?

A Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra da Secretaria dos Direitos Humanos e conhecida como ‘mãe dos marginais’, foi assaltada nesta quarta-feira (27) em Porto Alegre e teve seu carro roubado. O crime ocorreu por volta das 20h30, no bairro Chácara das Pedras.

Segundo o relato do Major Douglas Soares, do 11º batalhão da Polícia Militar, a deputada estava chegando em casa quando foi abordada por três indivíduos que acabaram levando o seu veículo.

A assessoria de imprensa da deputada também confirmou o ocorrido:

“Informamos que a deputada federal Maria do Rosário e seu esposo, Eliezer Pacheco, foram vítimas de assalto na tarde desta quarta-feira (27), em Porto Alegre.

“Além do carro, foram levados pertences pessoais. O boletim de ocorrência já foi realizado. Brigada Militar e Polícia Civil foram acionados e prestaram pronto atendimento.

“Rosário e Eliezer passam bem.”

revista estudos nacionaisMaria do Rosário, já citada em várias listas de delação como suspeita de corrupção, é famosa por defender bandidos e estupradores, assim como é crítica ferrenha da Polícia Militar, defendendo, inclusive, a desmilitarização da polícia. Entretanto, quando foi roubada, recorreu no mesmo momento aos militares.

A deputada também é famosa pela polêmica com o Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), o qual se tornou réu no STF por dizer que a deputada “não merecia ser estuprada”, o ocorrido se deu durante uma discussão, logo após uma sessão da câmara em que Maria do Rosário havia defendido o estuprador Champinha, dizendo que este não merecia ser preso por ser menor de idade e “não saber o que faz”.  Durante a discussão com Bolsonaro, a deputado gritava chamando-o de estuprador e o deputado respondeu: “não vou te estuprar porque você não merece”. Champinha, que chocou o Brasil com seu crime, sequestrou um casal em São Paulo e os levou até uma cabana na floresta, onde durante cinco dias violentou e estuprou Liana Friedenbach (16) em frente ao namorado Felipe Caffé (19),  terminando por degolar a menina com um facão.  Por fim, como disse o comediante Joselito Muller, falta Bolsonaro virar “réu no STF por dizer que a deputada não merecia ser assaltada”, ou melhor, poderíamos dizer que o automóvel da deputada foi ‘ocupado’ e socializado.

 


Fontes:

[1] G1

[2] Estadão

[3] Joselito Muller

 

 

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Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Coreia do Norte provavelmente aceitará negociar, diz ministério sul-coreano

revista estudos nacionaisA Coreia do Sul previu na última terça-feira (27) que a vizinha do norte procuraria iniciar negociações com os Estados Unidos no próximo ano, fornecendo uma perspectiva otimista para 2018, embora Seul (capital da Coreia do Sul) tenha criado uma equipe militar especializada para enfrentar as ameaças nucleares do Norte.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas, por unanimidade, impôs novas sanções à reclusa Coreia do Norte, na última sexta-feira (22), pelo recente teste de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), ação que foi considerada como ato de guerra.

“A Coreia do Norte buscará a negociação com os Estados Unidos. Entretanto, continuará se esforçando para ser reconhecida como uma potência nuclear”, disse o Ministério da Unificação da Coreia do Sul em seu último relatório, todavia, sem oferecer nenhum motivo para a sua conclusão.

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul disse que criou quatro unidades pra operar sob uma política de supervisão da Coreia do Norte, com o objetivo de “dissuadir e responder à ameaça nuclear e de mísseis”.

Quanto aos Estados Unidos, os diplomatas americanos deixaram claro que estão buscando uma solução diplomática, mas o presidente Donald Trump ridicularizou as negociações, dizendo que as mesmas são inúteis e que Pyongyang (capital da Coreia do Norte) deveria desistir de suas armas nucleares antes que possa ser iniciada uma conversa. Já a China – principal aliado de Pyongyang – e a Rússia apoiaram as última sanções da ONU, que buscam limitar o acesso norte-coreano aos produtos petrolíferos fornecidos pelo exterior.


fontes:

[1] Reuters

[2] Infowars

Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Ciência X jornalismo: uma batalha por uma fatia da realidade

É comum que cientistas desdenhem a atividade dos meios de comunicação por “falsearem” suas pesquisas. Mas o contrário também acontece. A falta de conhecimento dos limites da mídia demonstra que dificilmente um ativista das ciências conhece os limites da própria ciência e imagina, de fato, que aquilo que ele chama e enaltece como ciência estuda a mais real e ampla das realidades. Da mesma forma, muitos leitores de jornais ainda se pautam, ingenuamente, pela credibilidade da mídia como se esta fosse um canal puro de informação. Entre eles estão muitos cientistas.
Durante a cobertura da epidemia do Zika Vírus e sua suposta (e ainda não provada) relação com casos de microcefalia, um médico declarou em uma entrevista que o aumento dos diagnósticos de malformações poderia estar relacionado “com a maior atenção dada ao tema”. Ou seja: médicos estariam dando diagnósticos baseados nas manchetes de jornal. Um tal “agendamento” de uma atividade na outra é muito comum e não deixa de causar perplexidade. Mas as duas atividades possuem semelhanças quando o assunto é escolher uma parte da realidade para estudá-la, emitir uma conclusão ou apresentar um relato.
A verdade é que, aquilo que as ciências (naturais ou sociais) e o jornalismo, chamam de realidade são coisas bastante diferentes entre si. Mais do que isso: o que consideram real é algo muito diverso do que seja a própria realidade. Sem pretensões de falarmos sobre a realidade inteira — pois isso exigiria um recorte e de recortes estamos cheios — vejamos como funciona essa palavra “realidade” para ambas as atividades.
Para as ciências, trata-se do que é observável, testável, e portanto repetível. É o universo empírico. Para a mídia, é o que acontece, o que é “fato jornalístico” ou passível de adequar-se aos canais ou linguagens de transmissão. Tanto as causas quanto as consequências e efeitos dos fenômenos, para serem considerados e ganharem alguma atenção, precisam também estar dentro desta faixa de realidade, o que significa dizer que tanto a mídia quanto as ciências naturais não possuem os meios para a compreensão dos seus próprios fenômenos, precisando sempre recorrerem a outra ciência ou a outra linguagem. Ao mesmo tempo, a combinação de diversos canais e linguagens se torna impossível dada a especificidade do recorte do seu objeto, que exige a abstração de tudo o que está fora.
Para que seja possível tal distinção (entre realidade inteira e o seu recorte) é preciso um processo muito conhecido pelos semiólogos: existe o signo (palavra ou símbolo), o significado e a coisa da qual se está falando. Quando alguém se refere a uma mesa, está utilizando a palavra (signo) para gerar na mente do ouvinte uma associação com o significado dela. Estes dois são puramente mentais, embora digam respeito à coisa real que é o objeto da mesa. Mas os objetos reais, isto é, a realidade, só pode ser acessada racionalmente por meio de um signo e um significado.
Esse processo permite que façamos abstrações compartimentando a realidade segundo critérios previamente escolhidos e, com base nestes recortes, se trabalhe neles sem a constante e caótica contingência encontrada no meio natural, na realidade ampla e total na qual estamos inseridos.
Um exemplo clássico é a tabela periódica dos elementos químicos. Obviamente, na natureza os elementos não estão dispostos daquela maneira ordenada que vemos na tabela. Mas tal esquematização é necessária para o estudo daqueles elementos que, separados em quadrados isolados, podem ser abstraídos do caos em que se encontram em estado bruto. Este processo artificial para fins de estudo ocorre também em nossa mente e pode servir, não só ao estudo, mas a interesses transformadores.
Quando falamos em ciência e jornalismo, portanto, estamos falando de realidades diferentes, construídas para funções específicas. As modificações nos seus conceitos significam mudanças em suas funções. A variação das descrições possíveis, portanto, no que diz respeito a atividades como ciência e jornalismo, atende a mudanças na ordem das suas funções e, consequentemente, em uma faixa limitada dos efeitos do seu uso. Evidentemente, quando o jornalismo se torna um meio de transformação apenas, ele não deixa de informar, assim como não deixa de transformar quando prevalece a função informativa. Da mesma forma, a função das ciências também foi convertida em transformadora, desde que Marx disse que a compreensão se dá pela transformação.
Isso é observável na experiência simples do convívio em uma universidade, nas quais a transformação social e o convencimento para a mudança cultural tem prevalência sobre qualquer objetivo de compreensão da realidade. Quando a realidade é objeto de mudança o seu recorte passa a ser instrumental e, portanto, refém de ativismos em uma batalha competitiva na qual cada facção quer transformar a realidade à imagem e semelhança de suas utopias.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.