Clássico do estudo da opinião pública tem sua primeira edição brasileira

A Espiral do Silêncio, escrito em 1982 pela cientista política alemã, Elisabeth Noelle-Neumann, finalmente ganhou a sua primeira edição brasileira. Publicado pela editora Estudos Nacionais, em Florianópolis (SC), o livro, cujo subtítulo é Opinião pública: nosso tecido social, tornou-se um clássico a partir do estudo feito sobre as pesquisas eleitorais nas eleições gerais alemãs de 1976. Diante da discrepância entre o que diziam as pesquisas de opinião e o resultado final das eleições, a autora empenhou seu instituto a compreender o que havia acontecido. Sua hipótese inicial, chamada de hipótese da espiral do silêncio, era a da influência de outros fatores na tomada de posição política, como a percepção do clima de opinião e o medo do isolamento social.

Não foi a primeira vez que se buscou explicar as opiniões a partir de fatores psicológicos e sociais, mas a pesquisa de Neumann deve seu ineditismo à longa pesquisa que buscou confirmar os limites da sua hipótese, fazendo entrevistas com milhares de pessoas e aliando a isso uma incrível e abrangente revisão teórica sobre o tema da opinião pública, a recorrência histórica da expressão e os sentidos em que foi utilizada. O objetivo foi localizar, na história das teorias que se debruçaram sobre a opinião pública, qual delas melhor se prestava à realidade que estava sendo observada.

Importância e atualidade do tema

É conhecido o poder que têm as pesquisas de intenção de voto na influência do eleitorado, sugestionando-o para a opção que parece vencedora. Em alguns países, a pesquisa de intenções de voto é proibida após determinada data das eleições. Isso vem justamente da percepção do seu potencial uso para gerar uma falsa imagem da opinião pública, o que fatalmente influenciaria na direção de uma espécie de “aposta no vencedor”.

Mas além da pesquisa eleitoral, há uma série de crenças sociais, estigmas e preconceitos, tabus e comportamentos ditos normais, vigentes como normalidade, que produzem a ameaça virtual do isolamento social. Fugir desses estigmas faz parte da conduta de quem quer sobreviver em sociedade, já que o isolamento, para o homem moderno e democrático, representa uma espécie de “morte social”.

Em tempos de politicamente correto, vemos muitas condutas vistas como aceitáveis, enquanto que a crítica ou mera contestação de um comportamento pode pôr a baixo uma reputação.

Uma das observações interessantes feitas pela autora é a de que os jornalistas, já naquela época, alinhavam-se prioritariamente à esquerda, enquanto o público geral era mais conservador (apoiavam o partido da União Cristã Democrata). Isso foi confirmado com a análise subsequente das opiniões do público e confrontado com matérias jornalísticas que, em linhas gerais, priorizavam o ponto de vista socialdemocrata (Partido Socialdemocrata e Liberal).

Traduzido e apresentado pelo jornalista e pesquisador Cristian Derosa, autor de A transformação social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda, lançado pela mesma editora, A espiral do silêncio volta a iluminar um tema bastante inconveniente para o mundo democrático: as influências psicológicas e involuntárias na formação da opinião pública, algo ainda visto com certa ressalva por quem prefere acreditar na segurança do modelo democrático.

O livro conta ainda com o prefácio de Alexandre Costa, autor do livro Introdução à Nova Ordem Mundial.

A Espiral do Silêncio – Opinião Pública: nosso tecido social, de Elisabeth Noelle-Neumann, pode ser adquirido no site da Livraria Pius.

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

Por que existem campanhas como setembro amarelo, outubro rosa, novembro azul

Agora, elegeu-se o mês de setembro como mês da prevenção ao suicídio. Todos os anos existe o Outubro Rosa, Novembro Azul, entre outros. Mas o que faz com que se faça tanta publicidade com campanhas de prevenção a doenças como estas? O cidadão comum tem a impressão de que há uma onda global de benevolência e filantropia, com o fim de ajudar e proteger as pessoas. Na verdade, trata-se de campanhas de agendamento de pensamento, um tipo de engenharia social que nos diz o que pensar em determinados períodos. É claro que, nesses meses, pensamos sobre outros assuntos. Mas nossa mente estará preparada para encarar aqueles temas elencados como os mais relevantes frente a qualquer outro. Mas quem está por trás disso?

Isso aconteceu devido a mudança no padrão da função dos meios de comunicação ditos informativos. O jornalismo deixou de ser informativo para enfatizar a transformação social (conforme apontei no livro A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda). Com o advento da internet, o bolo publicitário das empresas jornalísticas teve que ser dividido. Empresas menores puderam padronizar seus ganhos somente pela internet. Mas as maiores ficaram mais tempo ancoradas no modelo de negócio ligado ao jornal impresso e, durante a década de 1990, tiveram que buscar novas fontes de financiamento. A primeira opção era um setor que vinha crescendo, o Terceiro Setor: as ONGs (Organizações Não-Governamentais). As ONGs são conhecidas por militar por causas diversas. Há uma ONG para cada causa. Mas esse setor enriqueceu com a doação de milionários como Bill Gates, Fundação Ford, Rockefeller e, mais recentemente, Mark Zuckerberg. Esses são os nomes que estão, de fato, por traz daquilo que você encara como prioridade de pensamento quando se baseia no critério midiático, seja impresso e tradicional ou de internet, em nossos dias.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

O monstro do isolamento social

Li em algum lugar que o maior temor humano não é a morte, mas a loucura. O caos e a confusão parecem ser bem mais atemorizadores do que a própria morte. Na verdade, a fragmentação total do ser pode ser nada mais que o próprio inferno, a condenação à morte eterna, muito pior do que a morte da vida. Isso porque sem identidade entre as coisas, há uma sensação profunda e dolorosa de solidão, de isolamento. Talvez se originem desse horror metafísico as mais variadas atitudes humanas e sociais, como um vínculo existencial que nos induz à sociabilidade e ao compartilhamento de sentimentos e ações por meio de fatos e relatos.

A maior parte dos comportamentos sociais pode ser explicada pelo medo de um monstro fundamental, que se apresenta, muitas vezes, sob a forma da sensação de estar isolado do corpo social, da vida humana, da normalidade. É o medo da não participação na essência do que é humano. O que pode levar a uma reflexão metafísica e até teológica, porém, pode ser melhor entendido por meio da psicologia social e da forma de recepção do fenômeno das notícias e do desejo pelos valores comuns.

O isolamento social é tema central do livro A Espiral do Silêncio, de Elisabeth Noelle-Neumann, que será lançado no Brasil pela editora Estudos Nacionais no próximo mês. O livro não busca conceituar o isolamento, mas trata dos efeitos sociais que o medo individual pode produzir na sociedade. O temor do ostracismo e da indiferença do entorno social é, sem dúvida, uma das maiores causas dos diversos fenômenos sociais, entre eles a geração de solidariedades grupais pesquisadas de perto por psicólogos sociais como Kurt Lewin, Lazarsfeld, Le Bon e a própria Neumann.

Não é difícil compreendermos algo dos efeitos de tal temor, bastando que leiamos com atenção A Espiral, sobre as nefastas consequências do aproveitamento desse fator para a manipulação coletiva. A busca por ser compreendido é uma busca por ordem. O objetivo da razão é um fetiche moderno, mas amparado no desejo de conhecer. Desejo pode confundir-se com sentimento.

Embora digamos, com certa razão, que o nosso mundo é dependente de um certo sentimentalismo, ele é fruto do racionalismo fanático da modernidade, para o qual a formação da opinião, que pelo menos pareça coerente, é requisito para a tão sonhada emancipação individual. Para se fazer algo é preciso justificar-se diante do mundo. O entendimento não basta. É preciso que a pessoa mais limitada a possa compreender, ou só será alguém para uma minoria irrelevante no somatório da massa, donde o indivíduo retirará sua auto imagem.

Os grupos diversos que se distribuem repetem as características mais comuns nos grupos humanos. Diferem, em geral, muito mais no marketing que fazem de si mesmos do que em alguma real característica em comum. Até porque, essas coisas em comum, quando existem, podem ser evidenciadas em detrimento daquelas menos associáveis ao grupo, menos generalizáveis. A verdade é que as pessoas se generalizam, se agrupam num mesmo saco, devido o medo do isolamento e ostracismo.

Deixemos de lado, por instantes, o isolamento existencial ou metafísico. Avancemos para o seu modo fenomênico mais superficial observando-o onde aparece em última instância: na política.

Quando se fala em isolamento social, fala-se do maior medo que tem o ser humano democrático. O isolamento é confusão, caos. Mais do que isso: um caos no qual se vaga solitário e confundido com os demais elementos difusos. Embora esse isolamento, em si mesmo, possa ser benéfico e libertador, para a maioria das pessoas que respira a massa, ele representa o fim da existência. Porque toda existência na sociedade de massa é uma existência social. Dado um risco dessa magnitude, é preferível estar contra todo o mundo do que estar isolado dele, do que suportar a indiferença dele.

O consumo da notícia produz sensação de coesão e de repertório em comum. A única forma de nos sentirmos unidos e coesos é partilharmos das mesmas informações, o que nos pode levar a coabitar o mesmo corpo valorativo. O tempo, por definição, nos induz a vivermos todos no mesmo presente, nos confina à mesma esfera de existência temporal. Não há maior decepção do que estar no mesmo lugar, com outras pessoas sem que elas nos possam ver. É a invisibilidade. Contra a invisibilidade social, estejamos todos unidos no mesmo assunto ou, se possível, no mesmo fato.

O desejo por atualidade é natural no homem. Ele pode aparecer sob diversas formas, mais ou menos intelectualizadas, mais ou menos refinadas ou simplórias, por meio de chavões, desejos miméticos ou efeitos de manada. Gabriel Tarde fez a distinção entre multidão e público, visando justamente essa gradação no fator de coesão. Do refinado público à simplória multidão, porém, impera uma única e obstinada raiz social: o medo. O medo de perder a humanidade. Esse medo pode se apresentar como o da cidadania, o do politicamente correto ou qualquer outro. Grupos coesos propõe, eles mesmos, os seus politicamente corretos, os seus códigos. Mas nenhum deles é livre para prescindir de algum sentimento de identidade.

O isolamento social, porém, sempre que ocorreu na história humana, foi libertador. Gênios foram isolados. Verdadeiros mestres passaram por longos períodos de isolamento para depois ensinar aos demais o que aprenderam. O talento se aprimora na solidão, dizia Goethe, e o caráter na agitação do mundo. Em períodos de densa coletividade e apelo sentimentalista, seja à razão ou à emoção, não pode ser mais fundamental isolar-se. O medo do isolamento, embora universal em certo sentido, é um apelo psíquico que se coaduna com o físico, o corporal, o instinto de sobrevivência.

Os valores realmente universais, porém, são os que apelam à humanidade presente em todos os homens e atrai, em nós, aquilo para o que existimos. No entanto, nosso sentido de busca pela coesão e participação ofusca um risco que nos devia ser ainda mais caro: o de nossa coabitação com o mundo nos distrair e nos apartar da realidade verdadeiramente universal, representada pelo anseio à verdade e ao que é superior. Afinal, antes da sociedade existe um eu que não é definido socialmente. E deve ser somente a este eu que prestaremos conta. O princípio da individualidade, Aquele que É, só pode ser acessado em nós quando nos separamos daquilo que muda, daquilo que nos promete alívio em nosso presente.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Universidades brasileiras funcionam como incubadoras da Ideologia de Gênero

Nas próximas semanas, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sediará uma palestra da pesquisadora britânica Zowie Davy, no auditório do Centro de Ciências da Saúde (CCS). O evento marca o início de uma parceria com a universidade no projeto chamado “Lesbian, Gay, Bisexual and Transgender (LGBT) Sex-Work Migration and Health Implications”,  junto com o movimento Epicenes: Núcleo de estudos em gênero da UFSC, coordenado pelo professor Rodrigo Moretti.

Eventos como esse acontecem em todas as universidades do Brasil, desde a década de 1990, quando o movimento LGBT, financiado internacionalmente e apoiado pelas conferências da International Lesbianand Gay Association (ILGA). O ILGA abriga em sua estrutura, desde a década de 1980, o grupo em defesa dos direitos à pedofilia, o NAMBLA (North-American Boy-Lovers Association). Há décadas que as universidade do mundo todo fornecem um ambiente propício e amistoso para o desenvolvimento das agendas que têm como objetivo a diluição e finalmente destruição de conceitos jurídicos que possibilitam o entendimento da própria noção de liberdade e democracia, o que não pode prescindir da moldura enganosa da defesa de direitos. Entidades internacionais como a Open Society, de George Soros, investem milhões todos os anos para esta “nobre” causa.

Nas últimas semanas, as redes sociais viram imagens chocantes de uma aula de sexo oral sendo ministrada em uma sala da Universidade de Maringá (PR), diante de atenta plateia. Quem se escandaliza com aquelas imagens certamente não conhece do que é feito o meio universitário brasileiro, há décadas refém de uma miscelânea de delírios ideológicos que remete a comportamentos aparentemente insanos. De fato, a doença mental parece ter se apossado das consciências (se é que ainda existem) de estudantes e professores que mais parecem zumbis de algum filme de horror futurista. Mas quem está por trás dessa estrutura de poder e influência que domina as mentes e almas dos jovens no Brasil e no mundo? A verdade é que uma estratégia de longo prazo dificilmente se deixa perceber tão facilmente.

Na capital catarinense, o projeto Epicenes, que funciona na UFSC, é responsável por realizar, desde 2015, o evento Semana de Combate às Fobias de Gênero na Saúde, realizado em parcerias com grupos de ativistas da UFSC e o Centro de Ciências da Saúde, entre eles o Grupo Acontece (arte e política LGBT), espécie de QG de atividades culturais para a promoção do movimento LGBT. Todas essas iniciativas estão vinculadas ao ativismo gay e o seu afiliado, o ativismo pedófilo. E estes são apenas uma parcela muito pequena de movimentos dessa natureza abrigados na UFSC, assim como em muitas universidades brasileiras. Obviamente, o Brasil apenas repete comportamentos já bem crescidinhos no exterior. Universidades norte-americanas já oferecem bolsas para quem estudar o movimento LGBT e questões de gênero.

Breve histórico dos movimentos

De acordo com pesquisa de Alves Calixto:

Na década de 90, foram criadas ONGs voltadas para a causa LGBT com financiamentos de organismos internacionais, criação de parcerias do movimento com partidos políticos e o poder público. Em 1995 foi realizada a primeira parada do Orgulho LGBT no Brasil a partir da 17ª Conferência Internacional da International Lesbianand Gay Association (ILGA), no Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi criada a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, com 31 grupos fundadores. Atualmente, a ABGLT é uma rede nacional de 308 organizações afiliadas. Fortaleceu-se também a presença na mídia, a participação em movimentos de direitos humanos, a articulação com redes internacional de promoção de direitos humanos e proposituras perante parlamentares em nível federal, estadual e municipal. (SIMÕES E FACHINNI, 2009).

Datam da mesma década, o aparecimento da chamada “teoria queer“, já existente nos EUA desde a década de 1980, iniciada pela teórica feminista Judith Buttler. O significado de queer bem serve para que se compreenda o objetivo dos movimentos dentro da revolução linguística com a qual pretendem desconstruir e, assim, desestruturar a sociedade. Ainda com base nas citações de Alves Calixto:

Queer pode ser traduzido por estranho, talvez ridículo, excêntrico, raro, extraordinário (…). A ideia dos teóricos foi a de positivar esta conhecida forma pejorativa de insultar os homossexuais. Segundo Butler, apontada como uma das precursoras de teoria queer, o termo tem operado uma prática linguística com o propósito de degradar os sujeitos aos quais se refere. “Queer adquire todo o seu poder precisamente através da invocação reiterada que o relaciona com acusações, patologias e insultos” […] Por isso, a proposta é dar um novo significado ao termo, passando a entender queer como uma prática de vida que se coloca contra as normas socialmente aceitas (COLLING, 2011, p. 3).

O ataque ao que se entende como “normas socialmente aceitas” confunde-se facilmente com um golpe não aos valores, mas às realidades das quais eles falam. A revolução linguística vem resolver o problema de Marx, para quem os valores capitalistas estariam lastreados pela moral familiar, religiosa e, consequentemente, pelas verdades admitidas sobre a biologia. A diferença é que Marx acreditava que o socialismo poderia destruir a família naturalmente, o que não ocorreu. A alternativa agora é destruir primeiro a família, já que esta se recusou a morrer nos países em que o socialismo se impôs. É a alternativa cultural do marxismo ortodoxo.

Por que é necessária a destruição da família e perversão das crianças?

Segundo a noção já consagrada pelo que podemos chamar de Ideologia de Gênero (ou teoria da identidade de gênero) mais em voga, “a sexualidade não é compreendida como uma questão pessoal, algo ‘dado pela
natureza’, mas é social, política, histórica aprendida no decorrer da vida de todos os sujeitos sociais”. Esta noção questiona o poder da biologia (ou de fatores externos) na construção da identidade humana. Essa identidade poderia ser puramente “inventada”, com base não numa realidade, mas em desejos retirados da própria cultura. Se a normatividade familiar, referida por eles, é artificial (e má) por ser baseada em uma construção social, muito pior seria a teoria queer, que necessita de um aparato de construção social muito mais agressivo para contrariar a biologia. Mas o argumento de construção social é apenas uma fachada. As “normas socialmente aceitas” não são vistas como más por causa da sua suposta artificialidade, mas por representarem, segundo Marx e Engels, o lastro inicial de toda forma de exploração: a família.

Assim, o pai explora a esposa e, juntos, exploram os filhos. O motor de toda a exploração é sexo, como domínio físico do corpo, segundo as ideias feministas que foram sintetizadas nas teorias de Freud. É por este motivo que feministas como Shulamith Firestone defendem clara e expressamente a liberação sexual das crianças. A destruição não é a única condição para a nova sociedade da liberdade total. O anticoncepcional, a educação estatal para todos, assim como as escolas mistas, tiveram como inspiração as ideias de Firestone, que tinha como objetivo a liberação da mulher para que ela pudesse ser livre da dominação e exploração imposta pela instituição familiar.

Nenhum militante LGBT dirá jamais que deseja destruir a família, mas certamente defenderá que a família tenha o seu conceito ampliado e diversificado, modificado desde a sua base, até que as pessoas não sejam mais capazes de distinguir entre uma família e uma manifestação de pedófilos que grita em frente à Igreja, acusando padres de pedófilos, ao mesmo tempo em que pede a descriminalização da pedofilia. A contradição é a sua arma mais eficiente, pois desarma o inimigo, como disse Butler.

Assim, os ideólogos do gênero transformam a sexualidade em arma política, capaz de destruir seus opositores por dentro e já em tenra idade, privando-os da identidade humana. Sabe-se que a autêntica identidade e personalidade humana só pode se manifestar no masculino ou feminino, isto é, por meio da identificação entre biológico e social, como insiste o filósofo espanhol Julián Marías. A constante deturpação e desidentificação entre as duas realidades (biológica e social), quando fomentada na infância, produz, já sabidamente, resultados catastróficos, não apenas sexuais ou comportamentais, como temos visto, mas cognitivos.

Federico Iadicicco, coordenador do Departamento Vida e Família do partido Fratelli d’Italia, afirma, em entrevista, que uma das razões por trás deste tipo de propaganda, o que Bento XVI chamou de “revolução antropológica”, contra a família e impulsionada por ambientes de poderosa influência financeira, está o poder de influência nas escolhas políticas de algumas das principais potências do mundo.

Definitivamente e de forma inequívoca, o financiamento substancial que grandes multinacionais e ONGs mundiais dão periodicamente a associações LGBT: Apple, Coca-Cola, a Open Society de George Soros, a Fundação MacArthur, a Fundação Ford, a Fundação Goldman, a Fundação Rockefeller, a Kodak, a American Airlines, a Pepsi, a Nike, a Motorola, só para citar alguns. Também é suspeita a atenção especial dos organismos supranacionais à promoção da ideologia de gênero nas escolhas legislativas nacionais. Basta considerar que a Organização Mundial da Saúde arruma tempo para ditar aos países as diretrizes de educação sexual para crianças em vez de lidar com os problemas reais da saúde no mundo.

Os resultados dessa ideologia já podem ser vistos em toda parte. Relatórios médicos e psiquiátricos já apontam a ideologia de gênero e a teoria queer como potenciais causadores de toda sorte de distúrbios e culpados de um crescente número de suicídios entre adolescentes e até crianças. A modificação dos corpos e das mentes destrói toda a capacidade de exercício do livre arbítrio humano, tornando-o um mero escravo de causas que ele não conhece.

Este é certamente um edifício dos horrores, donde se pode compreender a bizarra motivação de verdadeiros monstros que se utilizam da fragilidade de crianças e adolescentes, em sua inocência, para transformá-los em ativistas zumbis. Os verdadeiros inimigos da humanidade, da família e de Deus, não são os militantes que lotam movimentos universitários, mas os teóricos e financiadores que transformam adolescentes em idiotas úteis a causas que apenas os destruirá por dentro e por fora.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

“Pastoral da Diversidade”, em MG, retrata confusão vivida na Igreja Católica

A criação da Pastoral da Diversidade, em Belo Horizonte (MG) é uma das ações que retratam bem a confusão moral vivida pela Igreja Católica. Sucumbindo à pressão do mundo da mídia, religiosos e leigos engajados justificam uma revolução nos valores cristãos por meio de palavras do Papa Francisco.

Depois da 5ª Assembleia do Povo de Deus, que refletiu a realidade concreta das famílias e afirmou a perspectiva de acolhida das suas diversas configurações, o padre Marcus propôs a criação da pastoral, que foi de imediato abraçada pelo reitor do santuário, padre Aureo Nogueira de Freitas. É ele quem afirma: “É hoje uma das mais vivas”.

Os organizadores, entre os quais se inclui o padre Marcus Aurélio Mareano, coordenam as reuniões com debates sobre a família e acolhimento, rezam e possuem até uma missa para organizar e cuidar da liturgia, no terceiro domingo de cada mês. Suas palavras de acolhimento resumem-se a contrariar o ensinamento cristão que condena a prática homossexual. Embora a Igreja sempre tenha acolhido homossexuais a se converterem, obviamente abandonando suas práticas, a nova doutrina pastoral incentivada por iniciativas como essa não pede para que o homossexual deixa de fazer o que faz. Trata-se de um acolhimento contra o preconceito, o que na concepção desses católicos, está em perfeita concordância com o que pede o Papa Francisco quando diz: “Se uma pessoa é gay, busca a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”.

O entendimento oficial da Igreja sobre a família, para estes católicos, já faz parte do passado:

O grupo funciona como qualquer outra pastoral de igreja, como a da Família, dos Casais ou dos Jovens. Eles se encontram a cada 15 dias na paróquia, debatem temas relativos a família e acolhimento, rezam e têm inclusive uma missa para organizar, no terceiro domingo de cada mês. Tudo é acompanhado pelo padre Marcus Aurélio Mareano e pela irmã Maria do Socorro, designados como assessores da pastoral.

A posição da Igreja e a confusão dos fiéis

Mesmo com um entendimento muito claro a respeito do assunto, por parte da doutrina da Igreja, os fiéis se encontram, em geral, confusos sobre como proceder, imperando uma verdadeira diversidade de modos e regras de conduta. O entendimento oficial da Igreja, hoje, vê os homossexuais como pessoas necessitadas de ajuda espiritual e pastoral, mas a orientação é para a vida de castidade e o abandono da vida de pecado. No Código de Direito Canônico, a Igreja considera o homossexualismo como um transtorno psíquico e passível de auxílio da própria Igreja. No entanto, o Conselho Federal de Psicologia, entende que orientar para o abandono da vida homossexual faz parte de uma cultura de preconceito e proíbe o tratamento, mesmo nos casos em que a própria pessoa deseja abandonar o homossexualismo. Esta é a postura dos movimentos inseridos em iniciativas como a da Pastoral da Diversidade e outros como o Diversidade Católica que utilizam-se do nome de católicos para implementar mudanças dentro da Igreja, alterando assim a prática pastoral com fins no entendimento da doutrina.

Os católicos, em geral, se veem perdidos em meio à confusão doutrinal, sem saber o que aceitar ou repudiar, ou até que ponto a Igreja aceita os pecadores e repele suas práticas. Segundo a doutrina, um homossexual é apenas um pecador, não sendo impedido de frequentar missas, mas é privado da comunhão por causa da sua vida de pecado, uma situação objetiva. No entanto, um “casal” homossexual que se apresenta publicamente como tal, embora não possa ser impedido de frequentar missas, pode representar o próprio pecado e o desejo de torná-lo norma por meio do constrangimento dos fiéis. Com o tema do homossexualismo (assim como a realidade do pecado em geral) ausente das homilias, reina a confusão generalizada, onde cada fiel possui um sistema próprio de regras de conduta, para as quais só pode recorrer aos conselhos da mídia e telenovelas sobre o modo correto de se viver.

No livro Adeus Homens de Deus, de Michael Rose, é contada a história do lobby gay dentro dos muros da Igreja Católica, nos EUA, realidade que se espalhou pelo mundo e nem mesmo conta mais com desejo de ser ocultada. Iniciada com o trabalho de padres e bispos responsáveis pela seleção de vocacionados, que por décadas preferem os jovens com tendências homossexuais para serem ordenados, o clero foi infiltrado por um movimento global que reflete a tendência do mundo. Iniciada com a Revolução Sexual, nos anos 1960, o movimento gay internacional inclui, hoje, militantes pelo direito à prática da pedofilia e se inserem em todas as esferas sociais, incluindo as igrejas cristãs.

 

 

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
ministro fachin e relação com jbs PT e CUT

Nomeação de Fachin ao STF teve ajuda da JBS

Ministro Fachin, relator da Lava Jato no STF, admitiu ter pedido ajuda da JBS durante as articulações para sua nomeação para o cargo do Ministro do STF em 2015, segundo informações do jornalista Jorge Bastos Moreno (do jornal O GLOBO).

Segundo o portal Sul21, ao ser procurado para comentar a ligação com Saud, o gabinete de Edson Fachin, relator da Lava Jato, disse que ele não fala sobre casos que estão sob sua relatoria.

A ajuda teria sido solicitada por Fachin ao executivo da JBS Ricardo Saud, era para articulação  junto aos senadores, na prévia da sabatina.

Ricardo Saud é hoje réu na Lava-Jato e assinou delação premiada. Ele era responsável por operacionalizar pagamentos de propina no grupo J&F. Como vêm sendo apurado na Lava-Jato, Saud tem grande envolvimento junto ao mundo jurídico. Nas eleições de 2014, Saud articulou com 100 escritórios de advocacia notas falsas, visando arrecadar recursos para o então ministro do Tribunal de Contas União (TCU), Vital do Rêgo, que na época era candidato a governador da Paraíba pelo PMBD.

Ministro Fachin, nomeação e ligações políticas

Luiz Fachin foi nomeado pela então presidente Dilma em 2015. Havia sido indicado anos antes, pela CUT, para integrar a Comissão da Verdade do Paraná. Fachin foi nomeado logo após a aposentadoria de Joaquim Barbosa. Contou com forte apoio de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, ambos petistas do Paraná, estado onde Fachin fez carreira. Também ganhou apoio de Luiz Martinho (PT – ex prefeito São Bernardo do Campo).

Petistas tentaram nomeá-lo pela primeira vez em 2011, mas na época quem foi nomeado foi o Ministro Luis Roberto Barroso.  Fachin também gravou vídeo na época da campanha de 2014 mostrando apoio e pedindo votos a candidatura de Dilma à presidência.

Polêmicas envolvendo Fachin

O ministro criou uma página na internet para responder críticas que vinham circulando na internet desde que uma nota técnica do Senado apontou dupla atividade profissional, quando ocupou cargo de procurador do Estado no Paraná.

Foi descoberto mais tarde por sites de notícias, que o site criado em defesa de Fachin está registrado em nome de Renato Rojas da Cruz, da UNB, que trabalhou na publicadade da campanha presidencial de Dilma Roussef, quando foi chefe de criação de redes sociais. Em apuração pelo O Globo, Rejato Rojas informou que prestou serviço como freelancer para Fachin. O site FachinSim.com.br encontra-se atualmente fora do ar, mas é possível visualizá-lo pelo website Web.Archive.org. por esse link.

O objetivo do site FachinSim era fazer campanha pelo nome de Fachin frente a sabatina que sofreria no Senado, indicando que fossem enviados e-mails com a hashtag #FachinSim. Como dizia o site:

“A nomeação do professor Luiz Edson Fachin ao STF é um importante passo para uma sociedade mais justa. No dia 12 de maio, Fachin será sabatinado pelos senadores, que precisam aprovar a indicação de seu nome para que ele seja nomeado ministro. Portanto, precisamos fazer a nossa parte e dizer aos senadores que votem #FachinSim.”

Fachin e Barroso: nomeações com objetivos revolucionários?

Assim como o site FachinSim apresentava, a nomeação seria um passo importante para uma sociedade mais justa. O conceito de justiça social, como suscita sua ligação com CUT e PT, segue os padrões e compreensões sociais desses grupos.

Fachin e polêmica do apoio à poligamia

Fachin escreveu o prefácio do livro “Da Monogamia: A Superação como Princípio Estruturante do Direito da Família”. Livro de Marcos Alves da Silva. Como cita reportagem do UOL Notícias, seu prefácio foi interpretado por muitos como uma defesa do direito à poligamia, que é vetado pela Constituição. Em um vídeo posterior, Fachin se defende e diz que isso seria uma interpretação equivocada e que ele não defende a poligamia e não defende a desestruturação da família.

Fachin e polêmica de apoio ao MST

Enquanto procurador do Incra e membro da Associação Brasileira de Reforma Agrária, Fachin foi citado algumas vezes como simpatizante da organização dos sem terra. Em vídeo divulgado na internet o ministro se defendeu dizendo que não tem posições radicais e que respeita o direito de propriedade.

Barroso e polêmica de apoio ao aborto

Em 2016, os ministros Barroso, Fachin e Rosa Weber votaram a favor da revogação da prisão preventiva de funcionários de uma clínica de abortos clandestinos, alegando que não consideravam que era crime se praticada a interrupção da gravidez no primeiro trimestre, justificando a decisão com analogia à leis de outros países em que o aborto é permitido. A decisão repercutiu na Câmara dos Deputados, que reagiu criando uma comissão para legislar em sentido contrário ao decidido pelo tribunal. Também acirrou a discussão do ativismo jurídico do STF em prol da questão do aborto. A questão do aborto é rejeitada pela maioria dos deputados na Câmara. Critica-se ainda, que a Constituição Federal dá o poder de legislar ao legislativo.

Independente do que pensam os ministros sobre a questão do aborto essa posição de buscar sua descriminalização parece estar relacionada ao fato dos três ministros terem sido indicados pelo PT e fazer parte do estatuto do PT a obrigatoriedade de buscar a legalização do aborto. No 3º Congresso do PT,  em 2007, foi aprovada a resolução “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”. Essa resolução obriga todo filiado a acatar e buscar esse objetivo. O Estatuto impõe inclusive punições em caso de não engajamento a causa. Em 2009, dois deputados petistas (Luiz Bassuma e Henrique Afonso) foram punidos pelo Diretório Nacional do PT. O motivo alegado é que eles “infringiram a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto”.

FRIBOI NO SETOR JUDICIÁRIO BRASILEIRO

O site Poder360 apresenta resumo das recorrentes ligações de Joesley e Wesley Batista com a justiça.

– Relação com juízes: conversa gravada com Michel Temer em 07/03/2017, Joesley alega ter 2 juízes sob controle para travar seus processos.
– Procuradores: no mesmo diálogo, Joesley alegou receber informações sigilosas de procuradores da República.
– Procurador-geral da república: O advogado do grupo JBS, Marcelo Miller era um dos braços direitos de Rodrigo Janot, procurador-geral da República.

 

Informações:

Fachin e suas ligações com PT e JBS – Yahoo notícias

Portal Sul21 – Caso da relação do ministro com a JBS

Jota.Info – Sócio do escritório citado em delação e reu por corrupção

2015: Dilma indica Luiz Edson Fachin como Ministro do STF

Site criado para apoiar Fachin foi desenvolvido por ex-publicitário das campanhas do PT

Fatos sobre Edson Fachin – Wikipedia

Fatos sobre Ministro Barroso e aborto – Wikipedia

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

Institutos de pesquisa eleitoral na mira da justiça

Fraudes envolvendo institutos de pesquisa e políticos demonstram uma tamanha promiscuidade com a política que não há como excluir a sua influência premeditada na opinião pública. Afinal, foi para isso que as pesquisas de opinião foram criadas.

Recentemente, em depoimento de delação premiada, o ex-executivo da JBS, Ricardo Saud afirmou que sua empresa repassou propina ao senador Renan Calheiros por intermédio do instituto de pesquisa Ibope, durante as eleições de 2014. De acordo com o delator, a JBS também ajudou o PT comprar o apoio de partidos naquelas eleições, entre eles o PMDB, que ameaçava fazer aliança com Aécio Neves em Minas Gerais. A negociação com o Ibope, a princípio, apenas consistia em notas frias para repasse de propina.

“O Ibope fazia pesquisa para ele [Renan] e eles pagavam com essas propinas. O Ibope recebia propina. Nunca fez serviço para o grupo [JBS]”, afirmou o delator. O Ibope é o principal órgão de pesquisa responsável por resultados eleitorais e de popularidade de políticos. Ainda esta semana divulgou o último índice de popularidade de Temer, que não passaria de 5%, além de apontar Lula como favorito para 2018. A relação do instituto com a JBS, cuja delação incluiu a gravação de Temer que provocou o estopim da crise atual, provocou suspeita sobre suas pesquisas. Mas o Ibope não é o único instituto a se tornar suspeito.

Ainda este ano, a Polícia Federal indiciou Marcos Coimbra, proprietário do instituto de pesquisa Vox Populi na Operação Acônimo, por suspeita de simular um contrato em operação de caixa dois para a campanha de Fernando Pimentel (PT). O Vox Populi costuma fazer pesquisas para partidos e movimentos de esquerda. Recentemente, apontou que 68% da população acreditava que a Operação Lava-Jato está sendo injusta e errando ao acusar Lula. O marqueteiro João Santana, em delação, afirmou que a campanha eleitoral do PT pagou diversos institutos de pesquisa com o dinheiro de empresas como a Andrade Gutierrez.

Portanto, a participação dessas empresas para o financiamento em caixa dois de campanhas, juntamente com o pagamento de institutos de pesquisa com este mesmo dinheiro não declarado, põe em dúvida todas as pesquisas eleitorais.

Os institutos de pesquisa disseram, em sua defesa, que de fato fizeram pesquisas a pedido da JBS para os produtos da empresa, o que justificaria o montante pago por meio deles. Ainda não explica.

Afinal, os institutos de pesquisa estão historicamente ligados à influência da opinião pública. O seu sucesso, no entanto, se deve muito mais ao desconhecimento público a respeito da sua verdadeira função.

Pesquisas de opinião foram criadas para influenciar a opinião pública

As primeiras pesquisas científicas no sentido de avaliar o clima de opinião da sociedade foram orientadas a partir dos estudos de Paul Lazarsfeld, no instituto Mass Comunication Research, financiado pela fundação Rockefeller. Na época, até mesmo Theodor Adorno, da Escola de Frankfurt, fez parte do instituto de pesquisa. Mas desistiu depois de perceber que o objetivo estava mais alinhado a produzir influência na opinião pública do que conhecê-la. Diversos avanços foram feitos na área da pesquisa social sobre o percurso da opinião nas massas, de modo que o grupo de Lazarsfeld passou a ser chamado e consultado por campanhas eleitorais do mundo todo (conheça essa história em A transformação social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda).

Nos anos seguintes, muitos outros avanços foram feitos. Não há mais como dizer que políticos e marqueteiros, assim como organismos internacionais de mediawacht, não conheçam esses estudos ou não saibam do seu principal efeito.

Pelo menos desde o início da década de 1980, cientistas políticos, jornalistas e políticos profissionais conhecem muito bem o efeito e as potencialidades de uso das pesquisas de opinião para o seu proveito. Isso porque data dessa época a primeira publicação da pequisa que virou livro A Espiral do Silêncio, no qual se relaciona e comprova a causalidade intrínseca entre a percepção da opinião geral e a formação do juízo individual.

Na chamada Teoria da Espiral do Silêncio, a cientista política Elisabeth Noelle-Neumann percebeu a incrível coincidência entre o desejo ou não dos indivíduos falarem suas opiniões em público com a sua percepção da hegemonia de determinada opinião. Quando se percebe a opinião majoritária diferente da individual, opta-se pelo silêncio, gerando uma verdadeira espiral onde as opiniões individuais seguem a percepção do clima de opinião. A publicação de pesquisas de opinião, portanto, agem diretamente na determinação da fala pública ou do silêncio.

Em alguns países, as pesquisas eleitorais são proibidas em épocas próximas do pleito, já que sabidamente influenciam a opinião pública, incentivando-a a optar pelo candidato ou corrente que pareça mais apoiado socialmente.

Talvez tenha sido bastante providencial que o livro A espiral do silêncio não tenha sido publicado em língua portuguesa até agora.

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.
legalizacao da maconha artigo informações

Legalização da maconha: Leia este texto antes de opinar

Se você fumou maconha (ou queimou, cheirou, injetou), por favor, leia este texto.

Mas não pegue no volante, porque a erva está relacionada ao aumento do número de colisões fatais, com o dobro de chances de acontecerem. No Colorado, onde a droga é liberada, os acidentes aumentaram 100% de 2007 a 2012, segundo um estudo feito pelo diretor do Instituto de Política de Drogas e professor-assistente no Departamento de Psiquiatria da Universidade da Flórida. Também em Washington, mais do que dobraram os acidentes de trânsito fatais provocados por maconheiros depois que a droga foi legalizada, saltando de 8% em 2013 para 17% em 2014. Não obstante, o limite máximo de Tetra-hidrocarbinol (THC) estabelecido para se dirigir com segurança é extremamente arbitrário e mais difícil de ser mensurado do que o definido para o álcool. Pelo menos é o que afirmam o British Medical Journal e a AAA Foundation for Traffic Safety.

O que é Tetra-hidrocarbinol (THC)?

THC é o principal componente ativo da maconha que tem mecanismo semelhante ao de uma substância produzida no organismo, chamada Anandamida. Ambas ativam receptores canabinóides tipo 1 (CB1) no cérebro, gerando, entre outros processos, um aumento na liberação de dopamina em algumas regiões cerebrais. Contudo, ao contrário da Anandamida, o THC leva de 5 a 8 dias para ser expelido totalmente do sangue, sendo algumas vezes mais potente. O problema, então, é que níveis elevados de dopamina alteram a atividade cerebral, levando a alucinações, delírios, acessos de ira e pânico e à diminuição da percepção de tempo e espaço, alguns dos sintomas típicos da Esquizofrenia e do Transtorno Afetivo Bipolar.

Esquizofrênicos ouvem vozes que incitam o suicídio, ficam sem expressão afetiva, têm visões horripilantes. Pessoas com Transtorno Bipolar alternam entre períodos intensos de depressão e euforia. E a maconha aumenta exponencialmente o risco de se desenvolver ambos os transtornos na fase que vai da adolescência aos 35 anos, segundo estudo da American Medical Association, maior organização americana de médicos e de estudantes de medicina. O estudo chama-se Cannabis Use and Earlier Onset of Psychosis. E também há outro, da mesma associação, cujo título é Neuropsychological Permormance in a Long-term Cannabis Users.

O THC vicia?

Sim. Segundo alguns estudos, dentre eles o Adverse Health Effects o Marijuana Use, do New England Journal of Medicine, 9% das pessoas que experimentaram maconha apenas UMA VEZ tornaram-se dependentes, e de 25 a 50% das que fazem uso diário também.

E a maconha medicinal?

A maconha tem pelo menos 400 componentes químicos, embora a grande maioria deles ainda careça de explicação científica acerca de seus efeitos no organismo. Assim, as pesquisas sobre o tema concentram-se em apenas alguns destes compostos, como é o caso do THC, já tratado acima, e do Canabidiol, ou CBD. Alguns estudos sugerem que o CBD não desencadeia efeitos psicoativos e é válido para o tratamento de inúmeras doenças como a esclerose múltipla, dores neuropáticas, câncer, epilepsia e mal de Parkinson. O importante em relação ao assunto, portanto, é entender que a maconha tem diversos componentes, sendo alguns deles psicoativos e outros não. Os primeiros, como é o caso do THC, geram dependência e acarretam graves disfunções ao sistema neurológico. Os segundos, tal qual o CBD, vêm apresentando efeitos benéficos no tratamento de patologias. Logo, pagar um traficante em troca de maconha ou utilizar os componentes psicoativos da erva é completamente diferente de procurar um médico para que ele receite um medicamento isolado, não-psicoativo, que foi testado e aprovado por organizações médicas e agências de saúde no mundo inteiro.

A liberação das drogas acaba com o tráfico e com a violência?

É fácil supor que a descriminalização das drogas acabaria com a violência e com o tráfico, mas um traficante não está no ramo porque tem um apreço especial pelos entorpecentes. Traficante de verdade sequer fuma maconha. Ele planta, refina, distribui e comercializa porque isso rende lucros exorbitantes. Assim, um indivíduo que dedica sua vida a um crime hediondo – e a outros que precisa cometer para sobreviver – não deixaria de ser bandido porque recebeu autorização estatal para vender drogas. A escolha pelo tráfico é (i)moral antes de ser empreendedora e, por isso mesmo, nada garante que um traficante pediria aposentadoria da vida criminosa porque recebeu chancela do Estado.

No mais, a “droga legalizada” seria muito mais cara do que a “droga ilícita”, porque sobre ela incidiria todo o aparato legal de qualquer atividade econômica, aí incluídos direitos trabalhistas, processos, arrecadação tributária, etc. Então é óbvio que, para manter seus lucros, o traficante seguiria com sua atividade fora da burocracia que fatalmente seria criada com a legalização. Por outro lado, se o Estado monopolizasse para si o comércio, também nada faz supor que os traficantes iriam à falência, já que um bandido será sempre bandido e, portanto, escolherá outro ramo para investir na seleção quase infinita de crimes disponíveis no submundo.

Por isso é que a criminalidade também não diminuiria com a descriminalização. Pelo contrário. Aumentariam não só os crimes de outras modalidades cometidos pelos traficantes como aqueles derivados do vício das pessoas, tais quais agressões e furtos; sem contar a guerra entre os próprios traficantes, que seguiria intacta, como mostram os dados do Observatório Nacional Sobre Violência e Criminalidade do Ministério do Interior, do Uruguai: só no primeiro semestre, os assassinatos saltaram de 139, em 2013 (ano da liberação), para 154 em 2015, sendo 43% desse total oriundo do acerto de contas entre traficantes. No total para 2015, o país teve recorde histórico de homicídios, com 272 mortes

A liberação diminui o consumo?

Acreditar que a descriminalização levaria à redução do consumo é tão ingênuo e desonesto quanto supor que o número de estupros diminuiria se o estupro fosse liberado. É que esse argumento remete à (falsa) ideia de que a repressão leva os usuários a consumirem mais, muito embora a realidade venha exaustivamente demonstrando que a liberação das drogas ELEVA o consumo.

Por exemplo: em 2001, Portugal alterou a lei que criminalizava o uso de drogas, permitindo aos usuários portarem “a quantidade necessária para um consumo médio individual durante dez dias”, que seria algo próximo a 15g de cocaína ou 20g de maconha. Mas uma comparação entre os dados coletados no estudo Sinopse Estatística, do Serviço de Intervenção em Comportamentos de Vício e Dependências (SICAD) em 2001 e em 2014, demonstra o aumento substancial do consumo de drogas, especialmente de maconha e entre adultos de 24 a 35 anos, de 12,9% para 15,9%.

Também outra publicação, o Relatório Europeu Sobre Drogas, publicado pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), revela que o consumo de maconha entre estudantes de 15 a 16 anos subiu de 8% em 2001 para 16% em 2016. E ambos os estudos asseveram que o uso de drogas não só em Portugal, mas em toda a Europa, segue aumentando cada vez mais, inclusive com novos tipos de substâncias surgidas recentemente no mercado.

Mas nem só no Velho Continente o consumo de drogas têm aumentado após a legalização.

No Uruguai, que em 2013 flexibilizou as leis sobre o uso dando ao Estado o controle sobre a produção, consumo e distribuição de maconha, além de permitir o auto-cultivo, o consumo de maconha aumentou consideravelmente entre 2011 e 2015 nas três métricas utilizadas pela Junta Nacional de Drogas (JND), que publicou a VI Encuesta Nacional en Hogares sobre Consumo de Drogas. Entre pessoas de 15 a 65 anos, o consumo por toda a vida passou de 20 para 23%. Nos últimos 12 meses, de 8,3 para 9,3%. E nos últimos 30 dias, de 4,9 para 6,3%. Isso tudo sem contar com os dados do Instituto Técnico Forense, que recebe as drogas apreendidas pelas operações policias. Eles demonstram que a liberação da maconha aumentou o consumo de outras substâncias psicoativas, como o ecstazy e a cocaína, baseado na quantidade cada vez maior de apreensões dessas drogas. Em 2014, foram aprendidos apenas 40g de ecstazy. Um ano depois, 17kg. Por fim, também o Ministério da Saúde uruguaio, em parceria com a JND, apresentou novos dados sobre a apreensão de drogas sintéticas no país, demonstrando que houve um aumento de 7 vezes em relação aos anos anteriores.

A quem interessa a liberação?

Para onde quer que se olhe, a questão das drogas nada tem a ver com garantias individuais ou com saúde pública. Na década de 50, Mao Tse-Tung já proibia o ópio em território nacional sob a alegação de não contaminar o próprio povo, embora tenha entupido os países vizinhos com a droga, isto é, fez dela um armamento químico de guerra. Sessenta anos mais tarde, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA divulga que, em 2015, morreram 52 MIL pessoas por overdose de drogas no país, uma cifra aterrorizante se considerarmos que em regiões de guerra, como a Faixa de Gaza, morrem cerca de 35 mil pessoas ao ano. Nos EUA, portanto, as drogas já são armamentos de destruição em massa, assim como eram na China maoísta, embora com uma singela diferença: a droga chinesa enfraquecia e matava os inimigos; a droga americana enfraquece e mata o próprio povo.

O lobby pela liberação das drogas é e sempre foi uma tentativa de usar a população como cobaia para a engenharia social de intelectuais, burocratas e magnatas de esquerda, usando os entorpecentes como instrumentos de destruição e dominação física e psicológica. Tanto é assim que a própria Open Society Foundation, de George Soros, diz que a política de descriminalização das drogas em Portugal “é o segundo de uma série de relatórios do Programa Global de Políticas sobre Drogas” da fundação. E onde tem George Soros tem sacanagem.

Este é um artigo introdutório sobre o tema. Pretendo avançar na discussão tanto quanto seja possível.

Estudante do curso de medicina pela PUC-SP, pesquisador de temas relacionados a saúde, drogas, política e colaborador do site Estudos Nacionais.

José Dirceu, as leis e a opinião pública

A decisão do STF de revogar a prisão do ex-ministro José Dirceu levanta reflexões interessantes a respeito dos limites da lei na sua relação com a opinião pública. Alguns podem objetar da decisão superior alegando os crimes do político. No entanto, os seus defensores também podem acusar os indignados de estarem apenas repetindo ou seguindo um sentimento coletivo, um certo ódio da opinião pública desenvolvido pelo político e estrategista da esquerda continental, o que evidentemente não pode ser levado em conta no trabalho do STF. Este tipo de defesa foi feita, por exemplo, pelo jurista Ives Gandra da Silva Martins, na época da detenção de Zé Dirceu.

As decisões judiciais de fato devem ser independentes do sentimento da nação – ainda mais quando são determinados por lutas políticas – e devem ser a expressão máxima de justiça. No entanto, a ninguém soará como justa a afirmação de que os tribunais precisam estar atentos à opinião pública com o fim de contrariá-las em busca de uma decisão mais justa. Além disso, é evidente que a decisão do STF proporcionará o retorno à ativa de um dos mais perigosos políticos da história recente do Brasil. Logo após a decisão, José Dirceu já afirmou que fará o PT dar uma guinada à esquerda, isto é, retomar os planos do Foro de São Paulo, organização internacional fundada por Lula e Fidel Castro em 1990 e responsável pela subida ao poder de boa parcela de líderes de esquerda na América Latina.

Muitos movimentos e pautas que ensejaram decisões judiciais ou atos legislativos foram e são motivados por discussões que ocorrem no âmbito da opinião pública. E isso é perfeitamente previsível pelo próprio direito quando diz que a lei é reflexo do costume. Deve-se lembrar apenas que costume não é sinônimo de moda, embora o costume possa estar refletido na opinião pública e contar, inclusive, com o reforço de sentimentos morais da sociedade.

Uma reflexão interessante sobre este assunto está no livro A Espiral do Silêncio, que está sendo lançado pela Estudos Nacionais por meio de financiamento coletivo. Vejamos o que diz Elisabeth Noelle-Neumann sobre essa complexa relação entre opinião pública e as leis.

Um exemplo de como os juízes e a administração reagem de modo precipitado diante da pressão da opinião pública manifestada como concepções ou tendências sociais a respeito de determinadas atitudes, é a campanha contra fumar na presença de não fumantes. Por volta de 1975, porém, a campanha havia crescido tanto que algumas medidas administrativas já aconselhavam ou exigiam a proibição de fumar na presença de não fumantes. Um ano antes, 1974, o tribunal regional de Stuttgart, discordando de sentenças anteriores, concluiu que fumar no interior de um taxi era uma demonstração de falta de respeito com o taxista. A situação culminou com a afirmação do Tribunal Superior Administrativo de Berlim de que os fumantes eram “perturbadores do ponto de vista legal”. Joseph Kaiser, jurista de Friburgo, fez o seguinte comentário: “De repente, sem mais nem menos, o fumante foi relegado a uma categoria definida para efeitos policiais, ou seja, daqueles que se tornaram caso de polícia por representarem um perigo social bem definido. É submetido, portanto, às piores consequências legais. A única condição necessária para fundamentar essa afirmação seria uma prova de que fumantes constituem uma ameaça clara aos não fumantes. Mas isso é precisamente o que não possuímos” (Kaiser, 1975, 2236). Como esta resolução legal foi produzida, neste caso, sem basear-se no uso de provas empíricas, podemos considera-la um processo exclusivo de opinião pública. O comentarista emprega, acertadamente, uma expressão relacionada à moda quando diz que a proteção dos não fumantes está “em voga”.

O livro de Noelle-Neumann foi publicado originalmente em 1977. Os primeiros relatórios científicos que apontavam para os riscos do chamado “fumante passivo” foram publicados alguns anos após as decisões judiciais mencionadas. A pesquisa de A Espiral do Silêncio mostra que antes do surgimento de fundamentações científicas, aquilo que hoje conhecemos como luta antitabagista já se verificava como processo de opinião pública, o que nos faria acrescentar algumas perguntas à questão, como se incluiríamos ou não a ciência no campo das esferas sociais arbitrariamente definidas pela opinião pública, além do âmbito da lei, como ressalta a autora.

Assim, também a questão do aborto, outro tema analisado historicamente em A Espiral do Silêncio, avançou gradativamente no Brasil e no mundo, por meio da influência das pesquisas de opinião na visão que juristas e legisladores acabaram formando suas opiniões sobre o tema.

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Fake News: o jogo Baleia Azul e a histeria coletiva

O suposto “jogo”ou desafio do suicídio, chamado de Baleia Azul ganhou as manchetes de toda a mídia online e offline brasileira nos últimos dias. Isso coincidiu com o sucesso da série 13 Reasons Why do Netflix, que aborda o tema do suicídio na adolescência. Supostas vítimas do jogo aparecem, mas as investigações policiais ainda são inconclusivas.

Surgiu em 2015, por meio de uma notícia falsa que foi publicada em um jornal russo e desmascarada em seguida. A história circulou nos meios de comunicação na Rússia, Cazaquistão e Quirguistão, chegando também a países como a Bulgária. Em fevereiro deste ano, o Centro para a Internet Segura de Sofia, na Bulgária, investigou e chegou à conclusão que era um reavivamento de uma farsa que circulou na Rússia em 2015. “Essa incrível história atrai sites de tablóides, que lucram com visitas, acrescentando mais e mais detalhes e histórias horríveis, que não são apoiados por fatos”, disse o Centro para a Internet Segura para o jornal Balkan Insight.

O assunto, com fotos e vídeos de pessoas mutiladas por causa do jogo, tem circulado por redes sociais, pelo whatsapp, mas não fornece informações claras. Algumas dessas fotos e vídeos já foram desmascaradas por sites especializados em desfazer boatos online. A epidemia de preocupação e histeria, principalmente entre quem tem filhos adolescentes, tem impulsionado a avalanche de mensagens.

Uma das mensagens distribuídas, dizia ser de um participante do jogo informando que cumpriria o desafio proposto, de distribuir balas envenenadas em uma escola. Ele disse o nome das escolas, em Minas Gerais, o que causou grande alvoroço entre pais e diretores da escola. Uma operação da Polícia foi montada, mas tudo não passou de uma ameaça falsa, pois nenhum caso foi relatado.

A temática do suicídio

Embora muitos casos de suicídio estejam sendo seriamente associados ao jogo, de acordo com as informações apuradas até o momento, fica claro que se trata de um exagero para gerar comoção popular. Mas por que motivo alguém disseminaria algo assim? As causas podem ser várias, mas o importante são os alvos mais evidentes.

A temática do suicídio no jornalismo demanda certa atenção quando pretendemos analisar a cobertura da imprensa sobre o assunto. Na prática jornalística, ainda hoje, é praticamente proibido noticiar suicídios. Trata-se de uma convenção profissional, uma espécie de acordo de cavalheiros. Além de ser uma prática obviamente reprovável por todos os vivos, ninguém duvidou jamais que noticiá-la poderia incentivar pessoas já predispostas. Além disso, outro motivo é a óbvia exposição da vida íntima do suicida que uma notícia traria. A outra consequência é a social: a notícia de uma epidemia de suicídios poderia desestabilizar a ordem social, provocando um verdadeiro apocalipse de desesperança e caos. Mas diante disso, será que as notícias diárias sobre a violência já não fazem isso? Segundo os sociólogos tradicionais, não. O suicídio seria a gota d´água. Mas isso está para mudar.

Novas discussões no âmbito do jornalismo prático questionam a renúncia de noticiar casos de suicídios baseando-se em crenças como a manifestada em um artigo da jornalista Carolina Grando, no Observatório da Imprensa:

Da mesma forma que o jornalismo dá conta de cobrir noticiosamente outros temas tabus que figuram entre as manchetes dos jornais diários, como pedofilia ou incesto, contribuindo para a denúncia de práticas ilegais e para informar acerca de outras realidades, as notícias sobre suicídios poderiam obter o mesmo êxito, alcançando senão a finalidade do jornalismo, que é gerenciar a arena simbólica e proporcionar um compartilhamento de informações e experiências, promovendo debate e maior compreensão sobre temas sociais.

Essa afirmação deixa de fora um fato importantíssimo: tanto pedofilia e incesto, quanto o uso de drogas (outro tabu rompido) vêm se tornando pauta de movimentos que reivindicam aceitação pública, exigindo descriminalizações e direitos sociais. Na Alemanha, o incesto já não é crime. A pedofilia da mesma forma, já conta com entidade com status consultivo na ONU, que defende a prática sob o nome de “direitos sexuais para crianças” e as drogas estão prontas para ter seu comércio legalizado, já que o seu uso já é descriminalizado.

A observação da autora do artigo do Observatório da Imprensa é bastante ingênua, fruto de profissionais que acreditam na auto-suficiência do jornalismo como força integradora da sociedade, esquecendo de quando ele responde bovinamente aos estímulos de movimento sociais e influências cujo dinheiro e credibilidade, há décadas, o jornalismo depende.

Toda nova disposição legal, no Ocidente, vem primeiro pela boca inconsequente e submissa dos jornais. A questão do suicídio já conta com discussões aprofundadas em muitos países, mas também no Brasil abordando razões ou personagens que apelam para histórias comoventes. Em matéria da Revista Fórum o “tabu do suicídio” é considerado um atentado contra a laicidade do estado.

O problema da depressão e suas causas

Os problemas alegados pelas notícias assustadoras sobre o jogo Baleia Azul parecem alertas importantes, como o cuidado dos pais com filhos adolescentes, crianças etc. O problema da depressão parece outra sub-pauta levantada, tendo como consequência o suicídio, discussões que servem de alarme social para catalizar reações de pânico diante do aparentemente inevitável e incontrolável. Muitas discussões parecem infrutíferas quando surgem nos meios mais populares, como papos de família, escolas e universidades ou no ambiente de trabalho. Em geral, a tendência é a obediência a um fluxo de pautas recebido gratuitamente, sem qualquer justificativa. A longa exposição a notícias de tragédias e males incontroláveis, porém, gera nas pessoas uma perda de esperança na liberdade humana, fazendo com que algumas pessoas já predispostas a isso, comecem a sugerir controles absolutos sobre as atitudes humanas.

A depressão cada vez mais é vista como doença de ordem puramente química, quanto mais notícias, impulsos e todo tipo de estímulos as pessoas recebem desde a infância. O mundo moderno, com a presença constante de tecnologias de altíssima velocidade, complexidade e incognoscibilidade, produz evidentemente uma ansiedade que pode ser mortal. Os motivos da depressão ninguém sabe ao certo. Mas é extremamente sintomático que os defensores mais ardorosos da “causa química” admitam ser portadores de algum grau do problema.

É evidente que todas as causas para a depressão estão presentes na nossa sociedade. Famílias desestruturadas, secularização crescente da educação e das famílias, cultura juvenil destruidora e desequilibrada. Mas afinal, onde estavam os preocupados com a adolescência de hoje na época de festivais como Woodstock?

Já faz algum tempo que portadores desse problema dizem, ao serem perguntados se estão bem, “estou quimicamente bem”. Isso nos leva a perguntar sobre a responsabilidade da indústria farmacêutica e de psiquiatras que têm respostas químicas para todos os problemas, o quanto de dinheiro estão levando ao transformar milhares de pessoas em escravos de medicamentos. E até que ponto esses medicamentos não terão também a sua efetividade política, moral e social sobre a democracia quando decidirmos sobre questões importantes. Será que ouviremos um sonoro “sou quimicamente a favor”?

 

 


Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.