Máquina de fazer dinheiro: a indústria milionária do aborto

MÁQUINA DE FAZER DINHEIRO[1]
Artigo de Dr. Hélio Angotti Neto,  publicado no site do SEFAM – Seminário de Filosofia Aplicado à Medicina, em 14/11/2016.

O aborto é uma máquina de fazer dinheiro. Comece com um bebê ainda no útero de sua mãe, acrescente um carniceiro abortista ávido por verdinhas e obtenha mais duas vítimas sem muito esforço: a mãe e seu filho abortado. Equação sangrenta e lucrativa, pelo menos para o abortista.

Não exagero. Ou você realmente acha que médicos – se podemos chamá-los assim – matam fetos e bebês por caridade de suas alminhas santas?

Tome por exemplo a megaempresa abortista Planned Parenthood (PP), fundada pela eugenista Margareth Sanger, de quem falarei mais adiante e cujo legado de eliminação racial ainda perdura. Veja alguns números:

– Realizou 323.999 abortos em 2014, isto é, ceifou 888 vidas por dia ou uma vida a cada 97 segundos. Um prodígio da carnificina.[2]

– Foi responsável por um terço dos abortos realizados nos Estados Unidos em 2011 (333.964 em 1,06 milhões de mortes).[3]

– De 2011 a 2014 fez 1.312.728 abortos e ofereceu mais 1,3 milhões de kits de contracepção de emergência (isto é, mais abortos farmacológicos).[4]

Verdade seja dita, o aborto é o holocausto contemporâneo dos indefesos.

Toda essa casuísta genocida é justificada, ou pelo menos amenizada, por meio de desculpas como aquela que afirma ser o aborto somente uma atividade minoritária entre os muitos serviços de saúde prestados pela PP. Pelo menos isso funciona como fator de alívio na cabeça de muitos abortistas.

Tais serviços de saúde incluiriam campanhas de prevenção contra o câncer de mama, acompanhamento pré-natal e referência para adoção. Porém, antes que uma lágrima comovida escorra do canto de algum olho de crocodilo, tenho que revelar que tais serviços têm caído de forma consistente nos últimos anos.[5]

A sangrenta realidade é que 94% do que a PP faz é abortar.[6]

Apesar de divulgarem a cifra mágica de 3% de serviços ligados ao aborto, uma análise da distorção estatística revela a marota manipulação de dados. Um pacote de serviço de pré-natal é contado, em cada visita, como um serviço isolado. Um atendimento com diversos procedimentos conta como um serviço isolado para cada procedimento. Nesse superfaturamento macabro, o principal serviço da PP – o aborto – é maquiado.[7]

A PP é tão boa em praticar a maldade que até ousam estipular uma cota de quantos bebês precisam morrer por ano.[8] Stálin, com suas cotas de deportados para Gulags na Sibéria, ficaria orgulhoso.

Apesar de a PP declarar-se como uma organização sem fins lucrativos, seu orçamento no biênio 2014-2015 foi de 1,3 bilhões de dólares.[9] Dessa montanha de dinheiro, 554 milhões de dólares saíram dos cofres públicos, sustentados por muitos cristãos a favor da vida.[10]

Como se não bastasse o lucro imoral obtido com a matança de milhões, a PP ainda foi capaz de faturar com a venda de pedaços de bebês e fetos. É um açougue de gente![11]

Mas se não deu tempo de abortar, sem problemas. Há como lucrar enquanto são crianças, como mostra a cumplicidade com a prostituição infantil. Abortemos as crianças das crianças.[12]

Com tanto dinheiro na jogada, é claro que os abortistas lutarão com unhas e dentes – ou melhor, curetas e aspiradores – para que a fonte jamais seque. Embora se declarem apartidários, promovem intenso lobby e injetam dinheiro na campanha de candidatos abortistas em todas as instâncias políticas.[13]

De volta ao legado racista e eugenista da senhora Sanger, tão celebrada por progressistas como Hillary Clinton, nota-se que 79% das instalações abortistas ficam nas periferias onde habitam afrodescendentes e latinos.[14] Minorias perfazem 64% dos abortos nos Estados Unidos e para cada criança branca abortada são abortadas cinco crianças negras.[15] Há inclusive uma disposição em aceitar doações especialmente destinadas ao aborto seletivo de determinados grupos étnicos.[16]

A próxima vez que você questionar sobre a razão de o aborto ser tão defendido por certos grupos de interesse, tenha em mente que, ao contrário de cuidar por meio da cura, do alívio e do consolo, matar é extremamente fácil, e muito lucrativo também.

Hélio Angotti Neto


Referências:

[1] Artigo baseado no relatório do Family Research Council, de janeiro de 2016, disponível em: http://downloads.frc.org/EF/EF15F70.pdf

[2] “Planned Parenthood, 2014-2015 Annual Report,” Planned Parenthood Federation of America, accessed January 5, 2016, https://www.plannedparenthood.org/files/2114/5089/0863/2014-2015_PPFA_Annual_Report_.pdf

[3] “Induced Abortion in the United States,” Guttmacher Institute, July 2014, accessed July 24, 2015,

http://www.guttmacher.org/pubs/fb_induced_abortion.html; “Planned Parenthood, Care. No matter what, 2011-2012 Annual Report,” Planned Parenthood Federation of America, accessed January 5, 2016,

http://www.plannedparenthood.org/files/4913/9620/1413/PPFA_AR_2012_121812_vF.pdf

[4] “Planned Parenthood, Care. No matter what, Annual Report 2011-2012,” Planned Parenthood Federation of America, accessed January 5, 2016, http://www.plannedparenthood.org/files/4912/9620/1413/PPFA_AR_2012_121812_vF.pdf ; “Planned

Parenthood, Care. No matter what, Annual Report 2012-2013,” Planned Parenthood Federation of

America, accessed January 5, 2016, http://www.plannedparenthood.org/files/7413/9620/1089/ARFY13_111213_vF_rev3_ISSUU.pdf ;

“Planned Parenthood, Our Health. Our Decisions. Our Moment, Annual Report 2013-2014,” Planned

Parenthood Federation of America, accessed January 5, 2016, http://www.plannedparenthood.org/files/6714/1996/2641/20132014_Annual_Report_FINAL_WEB_VERSION.pdf ; “Planned Parenthood, 2014-2015 Annual Report,” Planned Parenthood Federation of America, accessed January 5, 2016, https://www.plannedparenthood.org/files/2114/5089/0863/2014-2015_PPFA_Annual_Report_.pdf ; Susan Wills, Esq. “New Studies Show All Emergency Contraceptives Can Cause Early Abortion,” Charlotte Lozier Institute, January 1, 2014, accessed July 24, 2015,

https://www.lozierinstitute.org/emergencycontraceptives/ .

[5] “Planned Parenthood, 2011-2012 Annual Report,” p. 2-3; “Breast Health Initiative,” Planned Parenthood, accessed July 24, 2015, http://www.plannedparenthood.org/about-us/newsroom/breast-healthinitiative ; “Planned Parenthood and Mammograms,” Fact Check, October 18, 2012, accessed July 24, 2015, http://www.factcheck.org/2012/10/planned-parenthood-and-mammograms/ ; “Cecile Richards Lied About Mammograms, Finally Comes Clean,” Breitbart, accessed October 6, 2015, http://www.breitbart.com/big-government/2015/09/30/cecile-richards-lied-mammograms-finallycomes-clean/

[6] “Planned Parenthood, 2011-2012 Annual Report,” accessed July 24, 2015, p. 5.

[7] Abby Johnson, “Planned Parenthood Business Model All About Abortion,” LifeNews.com, April 5, 2011, accessed July 24, 2015, http://www.lifenews.com/2011/04/05/abby-johnson-planned-parenthoodbusiness-model-all-about-abortion/ ; Planned Parenthood, 2014-2015 Annual Report,” accessed January 5, 2016, p. 30.

[8] “Exposed: Former Planned Parenthood Director Says It Has Abortion Quotas,” LifeNews.com, accessed

October 8, 2015, http://www.lifenews.com/2014/04/16/exposed-former-planned-parenthood-directorsays-it-has-abortion-quotas/

[9] Planned Parenthood, 2014-2015 Annual Report,” accessed January 5, 2016, p. 34.

[10] Planned Parenthood, 2014-2015 Annual Report,” accessed January 5, 2016, p. 32-33.

[11] “Investigative Footage,” The Center for Medical Progress, accessed July 24, 2015, http://centerformedicalprogress.org/cmp/investigative-footage ; Abby Ohlheiser, “Congressional, state investigations into Planned Parenthood underway after undercover video goes viral,” The Washington Post, July 15, 2015, accessed July 24, 2015, http://www.washingtonpost.com/news/acts-of-faith/wp/2015/07/15/congressional-stateinvestigations-into-planned-parenthood-underway-after-undercover-video-goes-viral

[12] “Exposing Planned Parenthood’s Cover-up of Child Sex Trafficking,” Live Action, accessed July 24, 2015, http://liveaction.org/traffick

[13] “Planned Parenthood,” The Sunlight Foundation, Influence Explorer, accessed July 24, 2015,

http://influenceexplorer.com/organization/planned-parenthood/a3bf2b2a33a84534a706a2d04c52de95

[14] “Map Guide,” Protecting Black Life, accessed October 20, 2015, http://www.protectingblacklife.org/pp_targets/

[15] Susan A. Cohen, “Abortion and Women of Color: The Bigger Picture,” Guttmacher Policy Review 11, (Summer 2008): 3, accessed July 24, 2015, http://www.guttmacher.org/pubs/gpr/11/3/gpr110302.html

[16] The Planned Parenthood Racism Project, Live Action, accessed July 24, 2015, http://liveaction.org/theplanned-parenthood-racism-project/

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.
autanasia-no-canada-contra-a-vida-humana

A disbioética contra a vida humana – por Dr. Hélio Angotti Neto

No periódico DIGNITAS, do Center for Bioethics and Human Dignity (Volume 23/3), Edward Grant, professor do renomado Centro Pellegrino de Bioética Clínica da Universidade de Georgetown, relata o avanço da eutanásia e do suicídio assistido sobre diversos países.
Sua preocupação é que matar o paciente torne-se, inevitavelmente, numa das formas elencadas mais fáceis, baratas e frequentes de lidar com pacientes graves.
disbioética da eutanasia dr. hélio angotti neto

George Weigel, do Centro de Políticas Públicas e Ética de Washington

Em seu artigo, reproduz o relato do autor George Weigel:
Durante o acampamento de verão de minha paróquia no interior de Quebec, três anciões receberam o diagnóstico de câncer no hospital local, um estabelecimento interiorano a uma hora de viagem de carro do centro urbano de Ottawa e ainda mais distante da super secular Montreal. Porém, após a informação do diagnóstico, a primeira questão perguntada para cada uma dessas pessoas foi ‘você quer fazer eutanásia?’ É isso o que o sistema canadense de eutanásia alcançou em apenas poucos meses: colocou a eutanásia no topo das opções do cardápio proposto para pessoas gravemente doentes. (destaques do próprio autor)
Grant se questiona sobre como os novos médicos serão ensinados nesse contexto. Serão eles instruídos a oferecer a eutanásia como qualquer outra opção ou até mesmo como a primeira opção? Serão eles pressionados para corte de gastos monetários e emocionais com a eliminação dos “casos difíceis”?
Respeitarão aqueles que alegam objeção de consciência?
Por, Dr. Hélio Angotti Neto
Artigo original publicado originalmente no site do SEFAM – Seminário de Filosofia aplicado à Medicina, em 30 de dezembro de 2016.
Informações:
GRANT, Edward R. Cracks in the wall: confronting the legalization of physician-assisted suicide and euthanasia. DIGNITAS, 2016, Volume 23(3), p.1, 4-6.
Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.
aborto em caso de estupro no brasil foto

[Dossiê] Aborto em caso de estupro beneficia estupradores e aumenta o trauma

Apesar do aborto em caso de estupro ser amplamente defendido como um grande direito das mulheres, poucos sabem a realidade desses casos. Pesquisas científicas ao redor do mundo vêm analisando o drama vivido pelas mulheres que sofrem violência sexual e engravidam em sua decorrência e veem a experiência do aborto como extremamente traumática. Além disso, muitas são forçadas a abortar, sendo vítimas mais uma vez.

Uma pesquisa feita com 192 mulheres, descrita no livro Victims and Victors, verificou que:

– Aproximadamente 80% das mulheres que fizeram aborto por conta de estupro alegam que o aborto foi uma solução errada para seu problema;
– Em quase todos os casos de aborto em caso de estupro a decisão do aborto foi tomada pelo violentador, para ocultar seu delito e continuar abusando sexualmente da vítima após o aborto;
– Nenhuma mulher que deu à luz ao bebê manifestou arrependimento da decisão tomada. Nenhuma delas disse que preferia ter abortado.

Diversos estudos têm demonstrado que a experiência do aborto por si, já traz uma série de consequências negativas e graves à saúde física e mental para uma grande parcela das mulheres. A pesquisa focada nas vítimas de abuso sexual mostra que os danos psicológicos ficam ainda mais acentuados nesses casos.

Quem toma a decisão do aborto?

A pesquisa mostra, que na maioria dos casos não é a mulher que toma a decisão de abortar. Dentre as 192 mulheres pesquisadas, a maior parte daquelas que abortou alegou ter sofrido forte pressão da família, companheiros, amigos e dos médicos para fazer o aborto e não desejavam abortar.

Grupo de mulheres vítimas de estupro e incesto que engravidaram assinam petição aos Legisladores americanos

A petição foi assinada por dezenas mulheres vitimas de incesto ou estupro que engravidaram e manifestam-se veementemente contra a agenda abortista. A petição tem o nome de 38 dessas mulheres e destaca que outras tantas integrantes do grupo, preferiram não se identificar.

Trata-se de um manifesto contra a exploração recorrente dessas trágicas experiências, pelos políticos e lobistas da indústria do aborto, que apenas usam esses casos para sensibilizar a opinião pública e aprovar leis que vão ao encontro de seus interesses.

Na petição, o grupo de mulheres vítimas de violência, ressalta que esses políticos e lobistas que dizem estarem representando-as, jamais pararam para ouvi-las e dar qualquer suporte às vítimas de incesto ou estupro. Argumentam que eles desconhecem completamente as necessidades dessas vítimas.

A petição destaca que muitas delas levam a gravidez adiante criando seus filhos. Outras tantas entregam seus filhos para adoção, e outras recorrem ao aborto. Comprova ainda, ao declara que dentre as que abortaram, muitas foram forçadas a fazer o aborto por ‘amigos’, companheiros, familiares, empregadores ou médicos, ao invés de lhes ser dado o devido apoio emocional para tratar seu trauma e cuidar dos filhos. Destacam ainda que “para muitas de nós, o trauma físico e emocional causado pelo aborto é igual ou ainda pior do que o trauma do estupro ou incesto”.

Estupradores tem se beneficiado com a facilidade do acesso ao aborto

Nos EUA, tem sido cada vez mais comum que os estupradores só passem a ser rastreados e presos depois que a vítima já abortou duas, três ou até 10 vezes.

Vasta documentação, processos judiciais e pesquisas mostram que o ‘direito’ ao aborto em caso de estupro vem sendo usado contra as mulheres nos EUA. Quanto mais liberal e mais fácil o acesso ao aborto, maiores podem ser os danos para as mulheres.

“Direito” ao aborto em caso de estupro é usado contra as mulheres nos EUA.

Em 2002, a Justiça do estado do Arizona condenou uma das filiais da Planned Parenthood por sua negligência quanto ao caso de uma menina de 13 anos de idade, que vinha sofrendo abuso sexual e o fato só foi notificado às autoridades quando a menina voltou à clínica para fazer o seu segundo aborto em seis meses. A promotoria alertou que a menina poderia ter sido poupada de meses de abusos sexuais e da traumática experiência de um segundo aborto se a clínica tivesse informado às autoridades sobre o primeiro aborto. O abusador, que era irmão da vítima, foi preso a partir da notificação feita somente quando do segundo aborto.

Veja a seguir uma série de casos registrados que foram compilados pelo site TheUnchoice, do Elliot Institute, nos EUA.

Em New Orleans, um homem de 41 anos foi condenado por violentar as duas filhas de sua namorada e usar o aborto para encobrir seu crime. As vítimas, que eram gêmeas, permaneceram sendo violentadas por 7 anos, desde os 10 até os seus 17 anos de idade. Uma das vítimas informou que tinha feito dois abortos, um quando tinha 15 e novamente quando tinha 17 anos de idade. O estuprador foi quem às obrigou a fazer o aborto e pagou os custos do primeiro aborto. A mãe da vítima pagou pelos custos do segundo aborto.

Fonte original: “Man Uses Abortion to Cover Up Sisters’ Rapes,” Pro-Life Infonet, April 13, 2003, attributed to New Orleans Times Picayune.

No estado de Baltimore, os pais de três adolescentes foram condenados por abuso sexual e coação ao aborto. O pai das vítimas às violentou por um período de pelo menos nove anos. As vítimas foram obrigadas a fazer pelo menos 10 abortos e pelo menos cinco desses abortos foram feitos na mesma clínica de abortos.

Fonte original: Jean Marbella, “Satisfactory explanations of sex crime proved elusive,” Baltimore Sun, Oct. 31, 1990; M. Dion Thompson, “GBMC, doctor suspected nothing amiss,” Baltimore Sun, Oct. 31. 1990; “Family Horror Comes to Light in Story of Girls Raped by Father,” Baltimore Sun, November 4, 1990; Raymond L. Sanchez, “Mother Sentenced in Rape Case,” Baltimore Sun, Dec. 6, 1990

No estado do Kansas, registrou-se o caso de uma menina foi abusada sexualmente por 10 anos e foi obrigada a fazer pelo menos quatro abortos. O agressores era o seu padrasto. Ela voltava para casa após o aborto e continuava a ser violentada. O caso foi descoberto porque por um grupo de pessoas pró-vida, quando a menina foi até a clínica de abortos e encontrou o grupo que lá manifestava. Nos quatro abortos anteriores a clínica jamais denunciou o caso às autoridades.

Fonte original: The Newsletter of Life Dynamics, Inc. (www.LifeDynamics.com), Edition 2, 2008, p. 4.

Leia também: abortos provocam sérios danos físicos psicológicos para as mulheres

A verdadeira ajuda para vítimas de incesto e estupro

Em 1979, a Dra. Sandra Mahkorn, fez uma pesquisa sobre como dar suporte às vítimas de estupro que ficaram grávidas. Incrivelmente, até hoje há poucas pesquisas feitas nessa área que não envolvam simplesmente a proposta do aborto como “única solução”.

A pesquisa mostrou que primeiramente, a mulher precisa de apoio psicológico para superar os sentimentos e traumas da experiência do estupro ou incesto. A pesquisa verificou também, que quando questionadas sobre ‘o que elas consideravam mais difícil’, a maioria respondeu que era a pressão social. Também foi visto que logo após à violência sofrida e ao diagnóstico da gravidez, muitas sentem raia e aversão ao bebê. Mas conforme a gestação evolui, as mulheres passam a ter sentimentos positivos sobre o filho que estão esperando. Com isso, a grande maioria das mulheres tem uma visão bastante positiva de si mesmas e de seu filho quando chega ao final da gestação, sendo para elas, uma criança muito bem vinda.

A pesquisadora ainda destaca:

“A crença de que a gravidez após o estupro devastará emocional e psicologicamente a vítima reflete o equívoco comum … [o estudo mostra] que a gravidez não impede a resolução do trauma da violência sexual; em vez disso, com apoio amoroso, atitudes sem julgamento e empatia,  é possíveis dar as respostas emocionais e psicológicas saudáveis que ela necessita.”

Outra pesquisadora, Dra. Ingrid Skop, membro da Faculdade de Obstetrícia e Ginecologia dos Estados Unidos, fala sobre alguns dos casos mais delicados de gestação resultantes de incesto ou estupro, que são os casos que ocorrem com meninas ainda muito jovens. Traduzimos parte de sua fala sobre esses casos.

Como mãe de uma menina de 11 anos, senti-me muito triste ao ouvir o caso da menina de 10 anos de idade no Paraguai, que ficou grávida em decorrência de incesto. É natural que, quando ouvimos trágicas situações como essas, queiramos voltar o relógio para essa menina inocente. Mas isso não é possível. A pergunta que deve ser feita é: o que devemos fazer agora?

Como obstetra, alerto que a gestação para uma criança tão nova traz um risco elevado. Estatísticas mostram que há maiores risco de nascimento prematuro nesses casos, nascimento de criança com baixo peso, maior risco de anemia e subnutrição do bebê.

Por outro lado, o aborto também trazem riscos substanciais para essa menina. Submetida ao aborto, sofreria com risco de infecção, hemorragia, perfuração do útero, podendo torna-la infértil, danos ao colo do útero aumentando risco de gestações futuras terminar em nascimento prematuro, e em casos mais raros, risco de morte.

Os riscos emocionais e psicológicos são difíceis de se quantificar, e para uma menina nova vítima de incesto, é provável que possa sofrer de depressão e transtorno de estresse pós-traumático devido ao aborto. Enquanto ela possivelmente não esteja ciente de tantos riscos que o aborto à expõe, ela certamente sabe que há um bebê em seu ventre. No segundo trimestre ela pode inclusive senti-lo chutar. Meninas nessa idade normalmente amam bebês. Nesse contexto, forçá-la a terminar a gestação em aborto é algo que provavelmente trará grandes traumas emocionais.  Por outro lado, permitir que ela tenha o bebê pode proporcionar-lhe algum conforto, afinal, sabemos que muitos casos superam as dificuldades e tem desfechos positivos dessa forma.

Frequentemente o aborto é apresentado como uma falsa escolha. A escolha nessa situação não está entre o aborto e uma gestação de alto risco. Desde que seu caso obteve atenção internacional, eu tenho certeza de que há muita gente desejando proporcionar todo o cuidados e conforto necessário para essa menina, caso ela queira continuar a gestação. Com suporte social adequado, boa alimentação, cuidados pré-natais, certamente ela permanecerá saudável para ter seu bebê. Alternativa de “adoção aberta” pode permitir ainda, que a mãe mantenha relacionamento com a criança.

Situação no Brasil

Hoje no Brasil, diversos hospitais realizam abortos em casos de gestação decorrente de estupro. A norma técnica do Ministério da Saúde desobriga a apresentação de Boletim de Ocorrência (B.O.) do abuso sexual, permitindo que os estupradores possam continuar abusando sexualmente das vítimas após o aborto. Noticiado amplamente pela mídia escrita e televisiva, os grandes veículos de comunicação claramente buscam divulgar o máximo possível que o aborto está disponível de forma gratuita e sem necessidade de B.O., como forma de expandir essa prática.

O programa da Globo,  Profissão Repórter veiculado em agosto de 2017,  mostra que tem objetivo claro de ‘incentivar a expansão do aborto’ nesses casos e admite que a maioria dos abusadores estão dentro da casa das vítimas. Ao mesmo tempo simplesmente ignora o terrível fato de que a vítima vai voltar para casa e provavelmente voltará a ser abusada diariamente após o aborto. Insistem ainda, que os hospitais precisam fazer o aborto sem a necessidade de apresentação de B.O. O que se pretende com isso? dar plena liberdade para os estupradores?

Segundo informações do Diário Catarinense, citando fonte do Ministério da Saúde, 86% dos abortos feitos em hospitais no Brasil não contaram com apresentação de B.O.  Conhecendo um pouco da realidade da questão do aborto em outros países, surgem algumas perguntas:

  • Como fazer com que 86% dessas mulheres parem de ser violentadas?
  • Apenas fornecer o aborto e ainda sem B.O., não fará com que a elas sejam ainda mais violentadas?
  • O poder público restringir-se-á ao fornecimento do aborto e será negligente com a violência sexual?

Muitas mulheres vítimas de estupro e incesto que optaram por seguir em frente com a gestação de seus filhos mostram-se satisfeitas e testemunham suas histórias de superação. O apoio da família e sociedade mostra-se fundamental nesse processo. O apoio à elas não consiste em fornecer o aborto. Isso é um equívoco.

Finalizo essa breve pesquisa e traduções compartilhadas aqui, com uma história real de superação. O vídeo abaixo mostra a comovente história de uma menina que ainda adolescente, sofreu violência sexual e engravidou. Optou por dar ao seu filho o direito de nascer e sua vida mudou para sempre, em alegrias e conquistas. (Vídeo disponibilizado pelo no Choices4Life).

Informações:

Principais fontes:AfterAbortion.org  –  pesquisa de Elliot Institute , Petição para legisladores americanos Forced Abortion in America – a special report – em inglês, 26 páginas – (todos os direitos reservados a Elliot Institute-USA)

Fontes complementares: LifeSiteNews – What About Abortion in Cases of Rape and Incest? Women and Sexual Assault e Choices4life – Three 10 Year Olds Pregnant After Rape

 

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.
relação entre aborto e nascimento prematuro

Aborto aumenta o risco de nascimento prematuro em futuras gestações

Uma revisão sistemática de estudos científicos sobre esse tema, realizada por Gabrielle Saccone e colaboradores, avaliou mais de 150 estudos publicados nas últimas quatro décadas, aos quais demonstram que a experiência do aborto provocado aumenta consideravelmente os riscos da mulher ter partos prematuros em futuras gestações.

Estudos vêm mostrando que as taxas de nascimento prematuros estão crescendo nos últimos anos em diversos países do mundo onde o aborto é legalizado. O alerta é importante porque bebês nascidos antes da hora tem maiores riscos de sofrer com diversos tipos de complicações e alguns desses riscos podem se estender por toda sua vida. Países com maior incidência de aborto como Índia, China, Paquistão, EUA, estão entre os que tem mais incidência de nascimentos prematuros no mundo, segundo ranking da OMS.

O aborto espontâneo por sua vez, não provoca o aumento do risco nas futuras gestações. Isso porque é a abertura forçada do útero, natural de muitos procedimentos de aborto induzido, que tem grande potencial de provocar os danos. Com a abertura do útero prejudicada, o órgão torna-se menos capaz de suportar a crescente pressão que ocorre no decurso das gestações que virão. Em gestações futuras, na medida que o nascituro cresce, maior é a pressão. Com o útero prejudicado pela experiência de abortos induzidos, o nascimento prematuro passa a ter seu risco extremamente aumentado.

As consequências em geral, são nascimento significativamente prematuros, trazendo elevados riscos ao bebê e às gestante. Atualmente, 1 em cada 10 nascimentos nos EUA são prematuros. Essa taxa é três vezes maior entre as mulheres negras, que acabam abortando nos EUA três vezes mais do que brancas e latinas, conforme estatísticas de aborto disponíveis.

A revisão de Saccone e colaboradores traz fortes conclusões da associação do aborto induzido com subsequentes gestações com nascimento prematuro.

Dentre as pesquisas realizadas, há estudos que também verificaram aumento desse risco após abortos feitos com misoprostol (Mirmilstein e colaboradores).

Um dos estudos dessa área, publicado no The Lancet (veículo traz grande quantidade de publicações em favor da agenda pró-legalização e expansão do aborto), analisou 7,7 mil mulheres de oito países da Europa e verificou um aumento de 285% no risco de nascimento prematuro nas gestações em que a gestante havia passado por aborto induzido, em comparação com mulheres que tinham dado a luz em gestação anterior.

Informações:

LozierInstitute.org – abortion increases risk of pre-term birth new publication

LozierInstitute.org – abortion and preterm birth educational campaign recognizes the well documented link

(em inglês) Matéria sobre aumento na taxa de prematuros nos EUA

(em inglês) Matéria sobre aumento na taxa de prematuros na Índia

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.