Rejeição do brasileiro à Ideologia de Gênero em números

Não é por acaso que grandes grupos, como a Rede Globo, comprometidos com as pautas da agenda internacional, têm escancarando a sua intenção de modificação da mentalidade considerada atrasada da população quando o tema é Ideologia de Gênero, aborto ou quaisquer pautas que agridem a noção natural de família, compartilhada pela maioria da população. O choque entre uma sociedade claramente conservadora, em matéria de moral, e uma mídia progressista vai ganhando contornos de luta ideológica. Mas trata-se da boa e velha guerra cultural, referida por Peter Kreeft.

Mais de 300 mil pessoas assinaram a petição, criada pelo site CitizenGo, para impedir a proeminente ideóloga do gênero, Judith Butler, de palestrar no Sesc Pompéia, em São Paulo. Em 2015, quando ativistas, por meio do Ministério da Educação (MEC) tentaram inserir a Ideologia de Gênero nos planos municipais e estaduais, a população se organizou em estados e municípios para pressionar congressistas regionais a retirar a ideologia dos planos educacionais. Isso fez com que os militantes do gênero desistissem do caminho legislativo e partissem para alternativas mais efetivas, como a Base Nacional Curricular. A rejeição popular à questão de gênero, ainda mais quando associada a cartilhas e dinâmicas escolares para crianças, produziu um imenso alvoroço e tem se tornado cada vez mais evidente.

Contrariamente a isso, empresas como a Google e Facebook tentam dar uma impressão de apoio popular à questão da diversidade, quando na verdade falam apenas para um público restrito e comprometido com o politicamente correto, motivo pelo qual teme ser rejeitado, não pela população, mas por grandes grupos a quem servem. Recentemente, o Google publicou uma matéria que vale a pena ser lida e analisada. Enfatiza o crescimento quantitativo no interesse por temas como a diversidade, racismo e feminismo, tentando indicar, com isso, que esses temas estão na moda e, portanto, são uma “tendência” de interesse na juventude. Para isso, utilizou-se da sua ferramenta Google Trends e concluiu que houve um crescimento de 123% no interesse pelos temas citados e que isso representa uma tendência importante.

No entanto, fazendo uma pesquisa na mesma ferramenta do Google podemos fazer outras observações. Afinal, o que aconteceria se cruzássemos termos como Ideologia de Gênero com Diversidade de Gênero? Palavra odiada pelos ideólogos e ativistas, que não assumem defender uma ideologia, mas uma “teoria”, a recorrência da expressão Ideologia indicaria uma tendência bem mais interessante, que é a da rejeição dos brasileiros, no último ano, ao tema tão querido por eles. Ao mesmo tempo, o interesse por “diversidade de gênero” representaria o interesse em favor da discussão do tema em escolas, criminalização da “homofobia”, entre outras coisas.

O resultado é este:

Crescimento nas buscas de novembro de 2016 a novembro de 2017 (um ano):

Termo “Ideologia de Gênero”
Nov. 2016: 9% de interesse*
Nov. 2017: 57% de interesse
Aumento de 633%

Termo “Diversidade de Gênero”
Nov. 2016: 5% de interesse
Nov. 2017: 20% de interesse
Aumento de 400%

(*) O Google não disponibiliza os números totais de buscas, mas um percentual do aumento ou redução da popularidade, limitando-se a demonstrar o comportamento das buscas e não a quantidade ou total de buscas em valores absolutos.

Cresce a compreensão de que se trata de uma ideologia

O aumento de 633% nas buscas pelo termo “ideologia de gênero”, mostra um crescimento no engajamento da ideia segundo a qual as militâncias LGBT defendem uma ideologia e não uma teoria cientificamente embasada, como querem seus propagandistas. Ao mesmo tempo, o interesse por “diversidade de gênero”, um termo claramente usado pelos apoiadores, também aumentou, mas não representou tanto crescimento mesmo em um contexto favorável, quando meios de comunicação, sites de busca e redes sociais, fazem campanhas atrás de campanhas para a “conscientização”.

A população brasileira, diferente do que tenta mostrar os promotores da diversidade inseridos nessas grandes empresas, não aceita a ideia do gênero como uma tendência positiva, uma vez que cresce ainda mais a tendência crítica, como mostram as reações às exposições do Santander e MAM, posturas como a do sabão em pó OMO, Itaú e outras empresas que financiam a Ideologia de Gênero. Os boicotes estão invadindo as redes sociais, com informações sobre quem será o novo boicotado. Esta não é uma tendência apenas brasileira, mas se espalha por todo o mundo.

Essa reação não parece muito esperada pelas grandes redes de mídia, que continuam tentando passar a ideia de que há uma tendência, ao mesmo tempo em que combatem as reações tachando-as de exóticas e isoladas. O pior propagandista é o que acredita na própria mentira e passa a raciocinar inserido em um quadro imaginário. Diante dessa realidade, nem seria preciso impedir ações ou palestras como a de Judith Butler. Uma situação de vantagem, quando conhecida, pode ser ampliada pela simples ação do outro lado. A sociedade brasileira está cada vez mais convencida da existência de uma poderosa elite que age contra a sociedade e a família. A única arma dos militantes é vencer pelo apoio popular, nem que seja por meio de blefe. E é justamente onde perdem de lavada. Chamem Judith Butler para falar no Congresso e a sociedade ficará ainda mais convencida de onde estão seus valores e onde, definitivamente, eles não estão.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

A Escola de Franfkurt: satanismo, feiúra e revolução

Por Murilo Resende Ferreira

A mídia e a Escola de Frankfurt

Um dos grandes paradoxos da civilização moderna é a coexistência de uma prosperidade material desconhecida junto à crescente feiúra e brutalidade social. As antigas formas de convivência social foram completamente devastadas e trocadas por diversões alucinadas onde uma música fabricada em laboratório hipnotiza e brutaliza os participantes. Nas ocasiões mais calmas, inexiste a antiga arte da conversa, da música e da poesia: só o que vemos são zumbis grudados em suas TVs e celulares. Muitos consideram que isso é uma evolução cultural natural, e até mesmo algo desejável e “progressista”. Mas em uma perspectiva histórica mais ampla, essa tirania da feiúra se mostra completamente injustificada. No final do século e no começo do século 20, a humanidade talvez tenha passado por um de seus maiores períodos criativos, com desenvolvimentos magníficos na música clássica, na literatura, na filosofia e em vários outros campos, e, pelo menos até a Segunda Guerra Mundial, esses desenvolvimentos tinham ampla reverberação na cultura popular. Como se deu uma queda tão rápida? Como chegamos ao mundo em que tudo é cultura, em que os estudantes universitários desejam proibir os grandes clássicos da literatura por não se encaixarem nos ditames do politicamente correto? O centro de onde irradiou essa verdadeira conspiração foi o Instituto de Pesquisa Social, popularmente conhecido como a Escola de Frankfurt.

Após a Revolução Comunista na Rússia em 1917, a crença geral do comunismo internacional era de que a revolução se espalharia como fogo por todo o mundo. Como isso não aconteceu, a Internacional Comunista deu início a uma série de iniciativas que buscavam compreender os motivos. Uma delas era liderada por Georg Lukács, um aristocrata húngaro, filho de um dos maiores banqueiros do Império Austro-Húngaro. Como comissário de cultura do breve regime comunista de Budapeste em 1919, ele descobrira um interessante fenômeno em relação à doutrinação ideológica. Um de seus projetos consistia na doutrinação marxista das crianças e adolescentes dos bairros mais pobres de Budapeste. Apesar da pesada carga de aulas e estudos, ele percebia que os jovens, ao saírem das salas de aula logo retomavam seus terços e sua devoção aos sacerdotes. Inspirado no pansexualismo de Sigmund Freud, ele optou por uma abordagem diferente: começaria com cursos de educação sexual. À medida que os cursos se espalharam, e incitaram alguns jovens a relações extraconjugais ou ao mero desafio das normas morais tradicionais, Lukács percebeu que os que entravam em conflito com suas igrejas e famílias logo estavam dispostos a aceitar qualquer tipo de doutrina que lhes fosse ensinada. Um dos motivos que levou à rápida queda do regime foi implantação por Lukács da educação sexual obrigatória, do acesso à contracepção, e do relaxamento da lei do divórcio, o que enfureceu a população devotamente católica da Húngria.

Lukács foi enviado para a Alemanha em 1922, onde liderou um encontro de sociólogos e intelectuais comunistas que viria a se tornar o Instituto de Pesquisa Social, a maior arma de guerra psicológica já desenvolvida pelo comunismo internacional. Para Lukács, o comunismo só invadiria o Ocidente com um movimento de características demoníacas, que fizesse prevalecer o sentimento de que fomos abandonados por Deus. A revolução só ocorreu na Rússia porque o país era há muito dominado por uma versão gnóstica do Cristianismo, como aparece nos escritos de Dostoievski. O que diferenciava o Ocidente da Rússia era principalmente a crença na sacralidade do indivíduo e sua capacidade de discernir a vontade divina através do uso progressivo da razão e da inteligência. A tarefa da Escola de Frankfurt consistiria então em destruir o legado judaico-cristão, por meio de uma abolição da cultura e a criação de novas formas culturais que levariam a uma alienação crescente da população e um novo barbarismo. Num período de três décadas, o Instituto de Pesquisa Social conseguiria o patrocínio das seguintes instituições para sua “causa”: universidades americanas e alemãs, a Fundação Rockfeller, a CBS(canal de TV americano), o Comitê Judeu-Americano, vários serviços de inteligência americanos, a Organização Internacional do Trabalho, etc..

Logo Stálin, enfurecido com o caráter cosmopolita do Instituto, cortou todo o financiamento soviético, uma atitude que expressa a relação de amor e ódio entre o nascente marxismo cultural e a ortodoxia do comunismo-leninismo. Uma outra grande figura do Instituto era Herbert Marcuse. Ele começou como um comunista, tornou-se um protegido de Heidegger no exato momento em que este se tornava um nazista; na América serviu à OSS, o embrião da CIA, e se tornou o analista chefe de política soviética durante o período de Joseph McCarthy; na década de 60 houve uma nova virada, e ele se tornou o guru mais importante da Nova Esquerda, e terminou seus dias fundando o Partido Verde na Alemanha Ocidental. Em tudo isso só há uma tentativa de responder à pergunta: quem poderá nos salvar da civilização ocidental?

O empreendimento de maior sucesso da escola de Frankfurt foi a influência maciça sobre o desenvolvimento da programação de rádio e TV da modernidade. Isso se deu a partir dos trabalhos de Theodor Adorno e Walter Benjamin. Em 1924, Adorno se mudou para Viena, para estudar com os compositores atonais Alban Berg e Arnold Schonberg, e se associou ao círculo ocultista ao redor do marxista renegado Karl Kraus. Ali ele entrou em contato com as idéias de Otto Gross, um discípulo extremista de Freud. Gross, um viciado em cocaína, tinha desenvolvido a teoria de que a saúde mental só seria atingida no Ocidente através de uma renascença do antigo culto de Astarte, que destruiria o monoteísmo e a família burguesa.

Um dos primeiros problemas em que se engajaram Adorno e Benjamin foi o da criação de uma base materialista sólida para a estética. O inimigo de ambos era Gottfried Leibniz, que era acima de tudo um antidualista, um inimigo da divisão gnóstica de corpo e mente, e que também afirmara a liberdade criativa humana. Para o marxismo, que tudo enxerga como fruto de uma teia de relações sociais, essa perspectiva é claramente um problema. Benjamin afirma então que a preponderância da mente racional é um erro, um triste legado de Sócrates. De fato, na origem de tudo está a capacidade de dar nomes às coisas, tomada aqui como uma espécie de imposição linguístico-social que nunca pode ter certeza de sua base objetiva. A tentativa de expressar a realidade é completamente distorcida pela natureza das relações de classe. Ao historicizar e relativizar dessa forma a busca da verdade, o conceito antiquado de bem e mal também pode ser esquecido. Foi por isso que Benjamin defendeu o que chamou de “Satanismo” dos simbolistas e surrealistas franceses, pois considerava que o cerne do Satanismo é o culto do mal como instrumento político, como instrumento de combate contra o diletantismo moralizante da burguesia. O objetivo de uma elite cultural na sociedade capitalista moderna deve ser a destruição da concepção da arte como imitação consciente do Deus criador; é preciso mostrar que a iluminação religiosa é, na verdade, uma iluminação profana, uma inspiração materialista e antropológica que pode ser iniciada pela maconha, pelo ópio e outras drogas. É preciso também criar novas formas culturais que aumentem a alienação da população, pois o povo precisa entender o quão alienante é viver sem o socialismo. Na música, por exemplo, ninguém deve acreditar que é possível compor hoje como Mozart e Beethoven; a composição deve ser atonal, diz Adorno, pois a atonalidade é doentia, e “o caráter doentio, dialeticamente, é ao mesmo tempo a cura…”. O objetivo da arte moderna deve ser a destruição do caráter elevador da arte, para que o homem, privado de sua ligação com o divino, só enxergue a revolta política como opção criativa. Trata-se de fomentar e organizar o pessimismo com instrumento político. Benjamin colaborou com Bertold Bretcht nesse sentido, e as peças teatrais que daí surgiram buscam desmoralizar e deixar a platéia gratuitamente irritadiça.

A análise feita por Adorno e Benjamin também é a base teórica de quase todas as tendências estéticas politicamente corretas que dominam as universidades. O pós-estruturalismo de Roland Barthes, Michael Foucault, e Jacques Derrida, a semiótica de Umberto Eco e o Desconstrucionismo de Paul de Man têm todos como fonte o trabalho de Benjamin. A novela Em Nome da Rosa, de Umberto Eco, é , por exemplo, nada mais que uma ode a Benjamin. Atualmente todos já têm a experiência de universitários alucinados que dizem que Monteiro de Lobato, Shakesperare e Platão são racistas, machistas e homofóbicos, e que isso é a única coisa que importa em suas obras. Mas a origem profunda dessa loucura é a tese de Benjamin-Adorno de que o que importa na obra artística é o contexto inconsciente das relações e tensões sociais. O abandono dos clássicos em prol de autores negros e feministas é bom porque a tradição é somente um conglomerado de falsos nomes, um logocentrismo que reflete a dependência que a burguesia tem de suas palavras. Se essas palavras de ordem universitárias parecem retardadas, é porque foram calculadas para serem. Adorno acreditava que as gerações vindouras seriam receptivas a esse tipo de propaganda porque seriam completamente retardadas pela reprodução mecânica da arte.

Antes do século 20, a distinção entre arte e entretenimento era muito maior. A experiência artística poderia ser divertida, mas era fundamentalmente ativa e não passiva. Era preciso fazer a escolha consciente de ir a um concerto, comprar um livro ou ir a uma exibição de arte. Não havia um acesso facilitado e até forçado às grandes formas culturais. A grande arte exigia um poder de concentração máximo e amplo conhecimento do assunto tratado. Naqueles tempos, a memorização da poesia e de peças de teatro e a reunião da família para um recital caseiro de piano eram a norma até no campo. As pessoas não aprendiam a “apreciar” a música, mas sim a executá-la. No entanto, as novas tecnologias contêm um potencial dialético de manipulação das massas na perspectiva marxista. O fato de que uma sinfonia de Beethoven pode ser infinitamente reproduzível leva a uma dessacralização da experiência e uma alienação crescente. Segundo Adorno, trata-se de um processo de desmitologização. Esta nova passividade diante do que antes exigia um esforço monstruoso poderia levar ao fracionamento da composição musical em partes “divertidas”, que poderiam ser então “fetichizadas” na memória do ouvinte, enquanto as partes difíceis seriam esquecidas.  O ouvinte atomístico e dissociado é infantilizado, só que seu primitivismo não é o dos primitivos, mas sim dos forçosamente retardados.

Esse retardo conceitual indicava que que a programação das rádios poderia determinar as preferências. Se você tocar Mozart e Caetano Veloso na mesma rádio, tudo acabará mesclado como “música de rádio” na cabeça do ouvinte. Idéias agressivas e novas também poderiam ser introduzidas através da homogeneização da indústria cultural, que seria assim explorada pelas forças “progressistas”.  Foram estas percepções que provavelmente justificaram o apoio maçiço que o Instituto recebeu do establishment americano depois de sua transferência para os Eua em 1934. Em 1937, a Fundação Rockfeller começou a financiar uma pesquisa sobre os efeitos sociais das novas formas de mídia de massas, particularmente o rádio, que ficou popularmente conhecida como o “Projeto do Rádio”. O diretor do projeto era Paul Lazersfeld, o filho adotivo do economista austro-marxista Rudolph Hilferding, e antigo colaborador do Instituto de Pesquisas Sociais. Dentre os colaboradores estavam Frank Staton, um P.H.D em psicologia industrial que viria a se tornar presidente da CBS no cume de sua influência e auxiliar influente de Lyndon Johnson; Herta Herzog, que se casaria com Lazersfelz e se tornaria a primeira diretora de pesquisa da Voz da América; e Hazel Gaudet, um dos principais diretores de pesquisas políticas dos Eua. Theodor Adorno era o chefe da seção musical. O objetivo era testar a tese de Adorno-Benjamin e mensurar o potencial da grande mídia para a lavagem cerebral.

O sucesso foi estrondoso. Uma das primeiras descobertas foi a do formato seriado de programação de novelas. Antes se acreditava que o sucesso desse formato se restringia a mulheres das classes baixas, que precisavam de um escapismo para suas vidas entediantes. Herta Herzog descobriu que não havia a menor correlação com o status socioeconômico e nem mesmo com o conteúdo. O fator determinante era a forma seriada; as pessoas se viciavam no formato, no desejo de saber o que irá acontecer na próxima semana. Descobriu-se que era possível até dobrar a audiência de uma peça de rádio dividindo-a em fragmentos. Não é nem preciso dizer como a indústria do entretenimento se apropriou desse insight. O próximo estudo do projeto foi uma investigação do terror causado pela transmissão que Orson Welles fez de A Guerra dos Mundos em 1938. A despeito de vários alertas sobre o caráter fictício da peça, aproximadamente 25% dos ouvintes acreditaram que era um relato real. Os pesquisadores descobriram que a maioria dos que entraram em pânico não acreditaram que marcianos estavam invadindo e sim os alemães. Os ouvintes já estavam condicionados pelas outras notícias e pela quebra do noticiário em pequenos boletins alarmistas. Welles usou essa técnica em seu programa, simulando que se tratava de uma série de boletins urgentes no meio de uma programação musical. A técnica de seriação das novelas, transplantada para o noticiário, funcionava perfeitamente.

Adorno e o Projeto do Rádio chegaram à conclusão de que a repetição do formato era a chave para a popularidade. O sucesso era determinado pela escolha e o formato da programação. Se um contexto familiar fosse mantido, qualquer conteúdo poderia se tornar aceitável. E nós, que padecemos com o funk e o sertanejo universitário, podemos atestar esse diagnóstico. A maior descoberta do projeto foi “Little Annnie” o apelido dado ao sistema de análise programas de Stanton-Lazersfelz. Os métodos anteriores de pesquisa de audiência eram bastante ineficazes e se limitavam a perguntar ao fim de um programa se a audiência estava satisfeita ou não e pedir uma opinião sobre o conteúdo. Isso não levava em conta a percepção atomizada do sujeito moderno, e exigia a análise racional de uma experiência irracional. O Projeto desenvolveu então um aparelho em que a pessoa podia registrar a intensidade do seu gosto e desgosto a cada momento de um programa. Ao comparar os gráficos, os pesquisadores puderam avaliar quais situações ou personagens provocavam um estado momentâneo de prazer. Essa descoberta transformou toda a indústria do entretenimento; os resultados das análises de programação e a audiência têm uma correlação que se aproxima de 85%. É por isso que hoje temos uma sensação de dejá vu em qualquer programa de TV. São os mesmos personagens e situações que se repetem indefinidamente, e somente o cenário se altera, pouco importando se é a Idade Média ou o espaço sideral. E a grande verdade é que o conteúdo estúpido e erótico da indústria do entretenimento não é uma necessidade natural, mas algo que foi planejado.

Esses esforços de manipulação da população geraram a pseudociência da pesquisa de opinião pública. Atualmente, tudo na mídia é direcionado por pesquisas de opinião, mesmo quando os jornalistas e senhores da mídia juram desejar estimular a liberdade de opinião e pensamento. A idéia da opinião pública como corte julgadora de tudo e todos é ademais absurda e irracional, pois nega a idéia da mente racional individual. A verdade é fruto do pensamento correto, e não do fato que 50,1% das pessoas concordam ou não com determinada asserção.

As técnicas de manipulação das pesquisas de opinião são inteiramente baseadas na psicanálise e se tornaram padrão em todo o mundo. Tudo gira ao redor do projeto de estudo da personalidade autoritária desenvolvido por Max Horkheimer, diretor do Instituto de Pesquisa Social pelos idos de 1942. Segundo Horkheimer, o objetivo era entender o preconceito com o objetivo de erradicá-lo. Nova traços de personalidade foram mensurados, incluindo o grau de convencionalismo, de agressão autoritária a pessoas que violam valores convencionais, de projetividade sobre os perigos do mundo e de preocupação com a sexualidade. A partir dessas mensurações foram construídas várias escalas: a escala E de etnocentrismo, a escala PEC de conservadorismo político e econômico, a escala A-S de antissemitismo e a escala F de fascismo. Surge um novo tipo ideal weberiano: a personalidade autoritária. Um observador mais benigno diria que a pesquisa provou que a população americana era conservadora, mas os mestres da Escola de Frankfurt viram nos resultados a prova de um fascismo irredutível e perigoso, oriundo da própria civilização cristã. A pesquisa foi popularizada por Hanna Arendt no seu famoso livro As Origens do Totalitarismo: todo mundo é um fascista em potencial.

Esse método de interpretação de pesquisas de opinião e personalidade é dominante até hoje nas ciências sociais e também em todos os grandes institutos de pesquisa, que surgiram motivados exatamente por essas novas descobertas e projetos.  É ele também que perpassa todo o marketing das campanhas políticas, e por isso o maior medo de um político moderno é o “extremismo”, ou o fascismo na linguagem frankfurtiana. E não para por aí: todo o desenvolvimento da propaganda e da televisão nas décadas de 50 e 60 foi iniciado por pessoas treinadas nas técnicas frankfurtianas de alienação em massa, incluindo os diretores das grandes redes de televisão. Essa popularidade da Escola de Frankfurt advém do fato incrível de que as teorias da escola foram oficialmente aceitas pelo governo americano durante a Segunda Guerra Mundial, ao mesmo tempo em que este dizia combater a ameaça comunista. A OSS, o embrião da CIA, era basicamente composto de frankfurtianos, dentre eles: Carl Schorske, Franz Neumann, Herbert Marcuse, Paul Baran, Otto Kirchheimer, Leo Lowenthal, Sophie Marcuse, Siegfried Kracauer, Norman Brown, Barrington Moore Jr, Gregory Bateson e Arthur Schlesinger. Um dos primeiros projetos da OSS, liderado por Marcurse, foi o uso de técnicas de lavagem cerebral para desnazificação da Alemanha do pós-guerra. Horkheimer, que recebeu dupla nacionalidade, sendo naquele momento o único indivíduo que era ao mesmo tempo alemão e americano, foi enviado à Alemanha para reformar todo o sistema universitário, tendo como fruto toda uma geração de pensadores antiocidentais como Hans-Georg Gadamer e Jurgen Habermas. Nos Eua, a influência intelectual da Escola de Frankfurt se fez sentir no fato de que a sociologia se tornou o curso universitário mais procurado durante a década de 60 e nas revoltas estudantis que marcaram a época.

Um outro braço das operações frankfurtianas chegou até às experiências da CIA com drogas psicodélicas.  O LSD se tornou a droga de uso da própria agência e dos antigos membros do Instituto de Pesquisa Social. Foi Gregory Bateson, por exemplo, que levou o poeta Allen Ginsberg a participar de um experimento da Marinha com o LSD em Palo Alto, California. Esses alucinógenos tornam a vítima completamente antissocial e autocentrada, preocupada somente com objetos, que ganham uma aura monstruosa e ilusiva. As drogas produzem instantaneamente o estado de espírito desejado e propagado pela Escola de Frankfurt. Os famosos protestos de 1968 foram simplesmente frutos de décadas de atividade frankfurtiana e muitas drogas, não espantando que ao fim Herbert Marcuse tivesse emergido como o grande líder da revolta dos loucos. O visual de cabelos longos, a comida macrobiótica, a libertação sexual: tudo já tinha sido testado em comunidades ocultistas relacionadas com a Escola de Frankfurt, como a comuna de Ascona antes de 1920. O documento fundador da contracultura da década de 60 foi o Eros e Civilização de Marcuse, publicado em 1955 e financiado pela Fundação Rockfeller. Para Marcuse, o homem ocidental é unidimensional, e a única salvação é a libertação absoluta do erotismo em uma rebelião contra a racionalidade tecnológica. Foi ele que criou, na nova edição de 1966, o famoso slogan “faça amor, não faça guerra”. O objetivo era propagar a perversidade polimórfica e o pansexualismo como ideal civilizacional. Wilhem Reich, um membro mais marginal e louco da Escola de Frankfurt, chegou a dizer que o Nazismo fora causado pela monogamia. A educação primária foi dominada por um seguidor de Reich, A.S Neill, um ateísta militante e membro da Sociedade Teosófica, cujas teorias pregavam a rebelião aberta dos alunos contra os professores. Seu livro Summerhill atingiu a marca de 2 milhões de unidades vendidas em 1970 e se tornou leitura obrigatória de mais de 600 cursos universitários, influência que permanece até hoje. A libertação sexual da Escola de Frankfurt sempre foi um instrumento de controle político que visava transformar as pessoas em categorias objetivas através da despersonalização sexual. A partir daí, não somos mais indivíduos, mas negros, mulheres ou homossexuais. Tudo o que hoje chamamos de ideologia de gênero tem sua raiz em Marcuse, Fromm, Reich e outros agregados da Escola de Frankfurt.

Essa popularização da vida como um ritual pessimista e erótico é base do horror da vida moderna. Os herdeiros de Frankfurt dominam completamente as universidades e treinam os alunos em seus rituais de purgação politicamente corretos. A intolerância universitária é uma implementação da tolerância libertadora de Marcuse: toda a tolerância com a esquerda, nenhuma com a direita. Toda a arte foi erotizada e brutalizada até o ponto em que é impossível assistir um concerto de Mozart sem indicações de um contexto erótico. Crianças de 5 anos assistem em casa a filmes de terror com imagens que petrificariam os mais entusiasmados frequentadores do Coliseu romano. Fica claro que sem a destruição dessa verdadeira abominação da desolação, não será possível qualquer ressurgência da civilização ocidental em sua tradição judaico-cristã.

Fontes

Minnicino, Michael. The Franfkurt School and Political Correctness. Disponível em: https://www.schillerinstitute.org/fid_91-96/921_frankfurt.html

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

Os cortes na inexpressiva ciência brasileira

Muita produção e pouca relevância tem sido a marca de um sistema acadêmico que há décadas não cumpre o que promete.

O corte do financiamento no Programa Ciência Sem Fronteiras motivou uma já esperada choradeira do meio acadêmico nacional, umbilicalmente dependentes das verbas públicas para a sua produção científica, entre outras coisas. As críticas mais previsíveis começam com o tradicional refrão “fora Temer”. Acontece que os cortes no financiamento acadêmico no Brasil começaram em 2015, durante o governo Dilma, justamente com base na percepção trazida pelos já históricos e costumeiros resultados de estudos sobre a relevância nanica da nossa produção científica.

Já em 2013, a Folha de S. Paulo trazia os lamentáveis resultados que mostravam queda vertiginosa da qualidade do trabalho científico brasileiro apesar do crescimento das suas publicações e de todo o investimento governamental. Isso significa que nem mesmo a tradicional pratica esquerdista de agradar o meio acadêmico para mantê-los sob sua influência suportou o tamanho da picaretagem.

Se a onda do “produtivismo” tem transformado até cursos de administração em verdadeiras nulidades nacionais, imagine a irrelevância dos cursos de história e filosofia. Thomaz Wood Jr., professor de Administração da FGV, chama a atenção, em artigo crítico, para o foco na produção e busca suas origens e influência internacional:

A baixa relevância para a prática tem sido objeto de reflexão de um corpo crescente de pesquisadores. O foco em pesquisa, fomentado originalmente pela Fundação Ford, parece ter criado uma torre de marfim, um sistema autoreferenciado, sustentado por eventos, revistas, sistemas de incentivo e modos de carreira que isolam os pesquisadores da prática.

A verdade é que os últimos governos reduziram as universidade a centrais sindicais, escritórios de movimentos de subversão cultural e educacional a serviço de agendas internacionais das quais esses governos almejam receber recompensas. Um verdadeiro império ideológico que criou condições de sobrevivência até mesmo independentes da ideologia, porque até a filiação ideológica, no Brasil, perde para o oportunismo diante de tamanhas tentações.

Citando o famoso relatório da Nature, o físico e professor da Unicamp, Rogério Cezar de Cerqueira Leite, lembra que “a [revista científica] Nature nos acusa, em primeiro lugar, de produzir mais lixo do que conhecimento em ciência. Nas revistas mais severas quanto à qualidade de ciência, selecionadas como de excelência pelo periódico, cientistas brasileiros preenchem apenas 1% das publicações”. O artigo do professor, publicado na Folha e em vários outros sites, foi recebido com indignação por seus colegas acadêmicos. Mas não é possível esconder a verdade.

“O que a Nature generosamente omite são as publicações em revistas não indexadas, que contêm número significativo de publicações brasileiras, um verdadeiro lixo acadêmico”, escreve Leite.

Versão acadêmica do problema

Parte da resposta ou justificativa para a relevância anã da produção brasileira está nos “níveis de exclusão social do Brasil”. Ou seja, estão chamando o povo brasileiro que paga seus salários de ignorante e afirmando que, por isso, não sabe valorizar a sua relevância. Terão que aplicar o mesmo raciocínio às maiores universidades do mundo, que concordam com a inutilidade da produção acadêmica tupiniquim.

Até mesmo a auto-análise acadêmica demonstra indigência cognitiva para explicar o motivo de seus erros e da falta de interesse mundial sobre a produção dos nossos “cientistas”.

Um ensaio publicado pelo Fórum da Reflexão Universitária, da Unicamp, tenta analisar os motivos por trás de “a ciência e a mentalidade científica ainda não estarem incorporadas de modo pleno na sociedade”. O artigo leva o título de: Desafios da pesquisa no Brasil: uma contribuição ao debate. Segue um trecho:

Quando a universidade distribui recursos internamente, estimula áreas de pesquisa, monta laboratórios ou contrata, ela se envolve inevitavelmente com julgamentos de qualidade e relevância. Hoje, assiste-se a uma alteração na política nacional de financiamento, cujo critério dominante parece deixar de ser a qualidade e passa a ser a relevância. Entretanto, como o julgamento da qualidade, o julgamento da relevância está sujeito a erros terríveis, talvez ainda maiores. É de fundamental importância que o conjunto das ações e programas de apoio seja balanceado, não inviabilizando os programas de fomento tradicionais, que não são condicionados a critérios de relevância direta e imediata ¾ perigo embutido no novo modelo.

Na primeira frase já podemos acrescentar um lapso imperdoável no raciocínio do autor (es): De fato, quando a universidade os recursos ela se envolve inevitavelmente com julgamentos de qualidade, mas também, inevitavelmente, com outra questão que o artigo prefere deixar debaixo do tapete: a solidariedade grupal, motivada pela necessidade de apoio dos pares, o que sem dúvida é mais eficiente para angariar recursos do que “qualidade e relevância”. Isso já denunciava Pierre Bordieu em seu Homo Academicus. Mas obviamente preferem aprisionar a crítica de Bordieu dentro dos muros da universidade, quando muito.

Em segundo lugar, é curioso separar os conceitos de qualidade e relevância. De fato, há essa distinção. Mas a separação só acontece mesmo dentro da universidade brasileira, onde uma publicação pode ser julgada boa, porém, inútil. Afinal, nem mesmo todos os elogios dos seus amigos professores terão o poder de tornar uma pesquisa internacionalmente relevante. Isso porque a maior parte da nossa produção acadêmica destina-se somente a treinar o aluno para, em um futuro hipotético (e pouco provável) trabalhar em pesquisas sérias e relevantes para o mundo.

Os relatórios globais, é claro, não levam em conta as milhares de fraudes acadêmicas por meio de citações falsas, plágios, trabalhos roubados, feitos por encomenda etc. Sem contar os problemas metodológicos que incluem questões morais. É comum professores de metodologia instruírem os alunos a direcionar a pesquisa para confirmar as premissas iniciais no momento da investigação, por meio da criação de categorias de análise, um tipo de desonestidade mais sofisticada e que acontece no mundo todo. Mas no Brasil há o incremento invencível da “hermenêutica da brasilidade (ou jeitinho brasileiro). Também não estão sendo consideradas as fraudes do Programa Ciência Sem Fronteiras, que além de servir de êxodo de bons estudantes, também tem sido ao longo dos anos motivo de preocupação devido o aumento de processos por não conclusão dos estudos. Muito mais benefício traria um programa que trouxesse professores do exterior para contribuir com o sistema universitário.

Evidentemente, dentro de toda a diversidade e permissividade dos trabalhos acadêmicos, é possível encontrar honrosas exceções. No entanto, as melhores iniciativas são aquelas que lançam luz à cegueira científica de um meio social que busca maliciosamente se confundir com um método para atrair para si uma autoridade que não possui. Afinal, uma coisa é o método científico e seus princípios, outra bem diferente é o meio social em que ele é praticado, cujos sistemas internos de interesse e satisfação muitas vezes deixam de lado qualquer princípio científico ou até mesmo moral.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Professora é perseguida por não aderir a paralisação

A professora Audrey Pires, da rede estadual de Minas Gerais tem sofrido ameaças após a repercussão da sua decisão de não participar da paralisação contra a proposta da reforma da Previdência no início do mês de março deste ano.

A polêmica começou quando Audrey concedeu uma entrevista à Radio Itatiaia (MG), ocasião em que o radialista tomou partido da professora. Isso teria causado ainda mais indignação na categoria que aderiu à paralisação. O Sindicato dos servidores obteve direito de resposta na rádio.

No dia 21 de março, a professora postou em seu twitter:

“Estou sofrendo forte retaliação devido à entrevista que dei ao jornalista Carlos Viana, na rádio Itatiaia. Não esperava que fosse diferente”.

Audrey alega que as ameaças, em geral, se baseavam em coisas que ela não disse. Muitas alegavam que ela teria chamado professores de vagabundos, entre outras coisas que, segundo ela, não foram ditas em momento algum.

No dia seguinte à entrevista, o telefone da escola não parou.

“Eu cheguei a atender uma ligação em que a pessoa dizia que eu era vagabunda, desgraçada…”, conta Audrey.

Mas, segundo ela, muitas pessoas também se manifestaram a seu favor, como pais e até professores. Ela afirma ainda que, muitos outros professores eram contra a paralisação, “mas preferiram seguir a maioria”, conta.

Veja a entrevista completa feita pelo Terça Livre:

 

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Estudo relaciona hiperatividade e deficit de atenção a escolaridade precoce

Um estudo encontra fortes evidências de que o atraso em colocar crianças no jardim de infância pode ser extremamente benéfico para a sua saúde mental, além de prevenir transtornos como déficit de atenção, hiperatividade, entre outros. O estudo recomenda ainda que crianças possam passar mais tempo em casa. Isso é o que mostra o mais recente estudo da Universidade de Stanford, nos EUA.

De acordo com o professor Thomas Dee, co-autor da pesquisa, atrasar em um ano, em relação à idade recomendada, pode aumentar significativamente a capacidade de concentração e de auto controle nos anos seguintes, o que pode garantir melhor desenvolvimento escolar da criança.

“Nós observamos que o atraso de um ano no envio das crianças para o jardim de infância reduziu 73% os casos de hiperatividade e deficit de atenção em crianças até 11 anos de idade”, diz o professor.

O início da vida escolar tem sido cada vez mais cedo no Brasil e em muitos países do mundo, em obediência a recomendações governamentais. Relatórios da UNESCO recomendam aos governos que implementem ações neste sentido para conter o analfabetismo e a evasão escolar. O estudo da Stanford, no entanto, demonstra que essas medidas podem não ser tão eficazes quando o assunto é saúde mental das crianças.

Transtornos comuns preocupam os pais

stanford estudo sobre deficit de atenção e hiperatividade crianças na escolaA hiperatividade e o deficit de atenção reduzem o autocontrole nas crianças, podendo ocasionar menor capacidade de aprendizagem. Estudo da Stanford mostra que as crianças que têm menores níveis de deficit de atenção ou de hiperatividade tiram melhores notas na escola.

Em países como a Alemanha, crianças iniciam o jardim de infância mais tarde e os dados coletados lá mostraram que as elas não ficam atrasadas por causa disso. Pelo contrário, demonstram melhor desempenho escolar nos anos seguintes.

Nos Estados Unidos, as crianças costumavam iniciar no jardim aos 5 anos de idade. Atualmente, 20% das crianças inicia o jardim aos seis anos. Essas crianças tem demonstrado, na média, melhores desempenhos e maior autoconfiança, reforçando dados da pesquisa.

Foco nos benefícios para a criança

O estudo não fornece provas definitivas sobre a relação entre a idade de início e o desempenho posterior, mas indica grande tendência. A pesquisa de Stanford focou nos possíveis benefícios para a saúde mental das crianças.

A pesquisa foi feita com bases de dados governamentais de crianças de 7 a 11 anos para delimitar a pesquisa. A partir desses dados iniciais, aprofundaram a pesquisa junto a 52.241 pais de crianças na faixa de 7 anos de idade; depois, junto a 35.902, foram pesquisados quando os filhos alcançaram 11 anos de idade, nos quais foi observado o seu desempenho em sala de aula.

“Esse estudo traz um conforto para esses pais”, diz o pesquisador. “E para os que ainda estão por tomar essa decisão, o estudo fornece importantes informações a serem consideradas”.

O pesquisador destaca contudo, essas decisões envolvem diversos outros fatores e esse estudo se concentra em uma única área.

Mais tempo em casa

O estudo indicou ainda que prolongar o tempo que as crianças ficam em casa antes de enviar para a escola também traz benefícios. Acredita-se que esses resultados podem servir de subsídio para um exame mais amplo sobre metodologias do jardim de infância e seus aspectos pedagógicos. Os dados podem apontar na direção de uma dinâmica mais voltada a brincadeiras do que a um ensino mais estruturado nos primeiros anos da infância.

Standford.edu, Quartz

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.