A sabedoria segundo Tomás de Aquino

Robert M. Woods*

Frequentemente, durante uma discussão em sala de aula, ou até num discurso na igreja, o tema sabedoria costuma ser abordado. Geralmente, a definição é apresentada como uma prática ou como um ensinamento aplicado. Mas eu, particularmente, gostaria que a definição de sabedoria de Tomás de Aquino predominasse no dia-a-dia da civilização ocidental. Na verdade, as Artes Liberais teriam surtido um efeito muito melhor ao longo dos tempos, caso a definição tomista tivesse sido a única a ser ensinada e vivida.

Para Tomás e a maioria dos filósofos que precederam o mundo moderno, a filosofia era essencialmente o “amor à sabedoria”. Participar da prática filosófica consistia numa busca fiel pela sabedoria, onde quer que fosse encontrada. O entendimento primário da verdade era afirmar o que algo era realmente, ao invés de dizer aquilo que não era. Em um sentido mais amplo, a sabedoria significava uma profunda compreensão da verdade das coisas. A filosofia não era um olhar relativo, nem uma manipulação ideológica, mas uma busca diligente para entender o bem, o verdadeiro e o belo.

Tomás afirma na Suma Contra os Gentios I, 2:

“Entre os estudos humanos, o da sabedoria é o mais perfeito, o mais sublime, o mais útil e o mais alegre.

O mais perfeito, porque enquanto o homem entrega-se ao estudo da sabedoria já vai participando, de algum modo, da verdadeira beatitude. Por isso, diz o sábio: Feliz o homem que permanece na sabedoria (Eclo 14, 22).

O mais sublime, porque por ele o homem aproxima-se o mais possível da semelhança de Deus, o qual fez todas as coisas sabiamente (Sl 103, 24). E porque a semelhança é causa do amor, o estudo da sabedoria nos une de modo precípuo a Deus, pela amizade. Por esta razão se diz no livro da Sabedoria: A sabedoria é um tesouro infinito para os homens que, ao usarem dele, fazem-se participantes da amizade de Deus (Sb 7,14).

O mais útil, porque pela própria sabedoria chega-se ao reino da imortalidade, conforme se lê no mesmo livro: O desejo da sabedoria conduz ao reino eterno (Sb 6,21).

O mais alegre, finalmente, porque está também escrito neste livro: A sua companhia não é amarga, nem enfadonha é sua convivência, mas alegre e cheia de gáudio (Sb 8,16).”

 

Também vale a pena notar que, entre os maiores filósofos da tradição intelectual ocidental, não houve ninguém mais comprometido com a oração do que Tomás. Como grande exemplo, ele não apenas buscou a sabedoria como parte de seus esforços brilhantes e intelectuais, mas também rezou diariamente por sabedoria.

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Isso pode surpreender a sociedade pós-iluminismo, saber que, antes do iluminismo, a sabedoria estava intimamente ligada ao divino. Para aqueles filósofos, raciocinar, refletir, imaginar, conjecturar, era parte do que significava agir fielmente em conformidade com a imagem de Deus. Sobre as quatro causas expostas por Aristóteles e aderidas por Tomás, a sabedoria era entendida como a compreensão da causa final (fim último). Infelizmente, quase tudo foi perdido na ciência e na filosofia de hoje.

É possível que uma das razões pela qual a Filosofia seja ridicularizada por tantos, hoje, como irrelevante e desatualizada, seja por ela ter perdido a direção há algumas centenas de anos e não ter encontrado o caminho de volta. Se filosofia ainda significasse a combinação entre o teórico e o prático, entre a reflexão e a ação moral adequada, pode-se imaginar que haveria muitos mais que a amariam e viveriam com sabedoria.

 

 

Tradução: Raul Effting

[*] Robert é Colaborador Sênior do site Imaginative Conservative. Ele é o diretor da Covenant School, em Dallas, Texas, e leciona no programa de pós-graduação da Universidade de Faulkner. Seus trabalhos são publicados em inúmeros periódicos e ele escreve regularmente em seu site Musings of a Christian Humanist.


Fonte: The Imaginative Conservative

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

“Abuso infantil institucionalizado”, considera autoridade pediátrica sobre o uso de inibidores de puberdade

Com tanta confusão em torno de toda a questão da identidade de gênero, transgênero e disforia de gênero, pode ser esclarecedor ter um verdadeiro especialista para nos fornecer alguns fatos bem constatados sobre o assunto. É exatamente isso que a Dra. Michelle Cretella, presidente do Colégio Americano de Pediatras, fez em um vídeo em que falou coisas reveladoras.

“Nossos corpos é que decidem o nosso sexo”, disse Cretella no vídeo postado pelo The Daily Signal.

“O sexo é biológio e não atribuído. O sexo é determinado no momento da concepção pelo nosso DNA. Está Estampado em cada célula do nosso corpo.”

Este é o lugar onde o mal entendido reside e as crianças pequenas são encorajadas a explorar diferentes identidades de gênero. Mas Cretella argumenta que isso se trata de psiquiatria humana complexa e que a ciência do sexo é biológica e unívoca:

“A sexualidade humana é binária. Existem pelo menos 6500 diferenças genéticas entre homens e mulheres. Hormônios e cirurgias não podem mudar isso. Uma identidade não é biológica, é psicológica. A identidade tem a ver com o pensamento e o sentimento. Pensamento e sentimentos não são biologicamente válidos. Nossos pensamentos e sentimentos podem ser factualmente corretos ou factualmente incorretos.”

E a médica continua a dar ótimos exemplos:

“Se eu entrar no consultório do meu médico, hoje, e dizer ‘ Oi, eu sou Margareth Tatcher’, meu médico irá dizer que eu estou delirando e me dará um antipsicótico. No entanto, se, em vez disso, eu entrar e dizer: ‘eu sou homem’, ele dirá: ‘Parabéns, você é transgênero’.”

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Ela continuou: “Se eu dissesse: ‘Doutor, eu vou me suicidar, pois sou uma pessoa amputada, presa em uma pessoa com pernas normais. Por favor, remova cirurgicamente a minha perna”. Eu seria diagnosticada com transtorno de integridade da identidade corporal. Mas se eu chegar até o mesmo médico e dizer: ‘eu sou homem, inscreva-me para uma mastectomia dupla’, meu médico o fará.”

A Conclusão da Dra. Cretella? “Se você quer cortar um braço ou perna saudável, você está mentalmente doente. Mas se você quer cortar os seios saudáveis, ou o pênis, você é transgênero.”

“Sejamos claros, ninguém nasce transgênero”, acrescentou, dando um exemplo de um jovem que estava sob seus cuidados médicos:

“Eu tinha um garotinho chamado Andy. Ele brincava cada vez mais com brinquedos de meninas e dizia que era uma menina. Eu recomendei que Andy e seus pais fossem a um terapeuta. Muitas vezes, a doença mental é causada por abuso do pai. Porém, neste caso, a criança havia tido uma má percepção da dinâmica familiar e absorveu uma falsa crença.”

À medida que as sessões prosseguiam, ficou claro para o terapeuta que a confusão de gênero de Andy estava enraizada por algumas dinâmicas familiares cruciais.

“No meio de uma sessão, Andy deixou o carrinho de brinquedo de lado e segurou uma boneca barbie, dizendo: ‘mamãe, papai, vocês não me amam quando eu sou um menino’. Quando Andy tinha três anos, sua irmã com necessidades especiais nasceu. Ela exigiu muito mais cuidado e atenção dos pais. Andy percebeu isso como ‘mamãe e papai amam meninas. Se eu quiser que eles me amem novamente, eu tenho que ser uma menina’. Assim, através da terapia familiar, Andy melhorou”.

Porém, nos dias de hoje, os pais de Andy seriam informados de algo completamente diferente:

“Eles ouviriam: ‘isso é o que Andy realmente é. Você deve mudar seu nome e garantir que todos os tratem como uma menina, ou então ele se suicidará’. Conforme Andy chegasse a puberdade, os especialistas o receitariam bloqueadores de puberdade para que ele pudesse continuar a se sentir como uma menina”, explicou Cretella.

A Dra. Cretella rejeita profundamente a prática de injetar bloqueadores de hormônios em crianças pré-adolescentes, dizendo que é uma prática insegura e defendendo que os pais apoiem seus filhos em seu desenvolvimento natural masculino ou feminino.

“A puberdade natural do sexo biológico causa uma grande melhoria na maior parte das crianças confusas com seu gênero”, explicou. “No entanto, estamos castrando quimicamente crianças com confusão de gênero, utilizando bloqueadores de puberdade. Então, nós esterilizamos permanentemente muitas delas, adicionando hormônios sintéticos.”

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Michelle está convencida de que, longe de libertar as crianças para o que elas realmente são, esses tratamentos constituem “abuso infantil institucionalizado”.

“Sejamos claros. Educar todas as crianças da pré-escola diante da mentira de que elas poderiam estar presas em corpos errados interromperia o próprio processo de aprendizagem e conhecimento da realidade. Se uma criança não pode confiar na realidade de seus corpos físicos, quem ou no que elas podem confiar? A ideologia de gênero nas escolas é um abuso psicológico que muitas vezes leva a castração química, esterilização e mutilação cirúrgica. Se isso não é abuso infantil, senhoras e senhores, o que é?”

 


fonte: Faith Wire

Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Ciência X jornalismo: uma batalha por uma fatia da realidade

É comum que cientistas desdenhem a atividade dos meios de comunicação por “falsearem” suas pesquisas. Mas o contrário também acontece. A falta de conhecimento dos limites da mídia demonstra que dificilmente um ativista das ciências conhece os limites da própria ciência e imagina, de fato, que aquilo que ele chama e enaltece como ciência estuda a mais real e ampla das realidades. Da mesma forma, muitos leitores de jornais ainda se pautam, ingenuamente, pela credibilidade da mídia como se esta fosse um canal puro de informação. Entre eles estão muitos cientistas.
Durante a cobertura da epidemia do Zika Vírus e sua suposta (e ainda não provada) relação com casos de microcefalia, um médico declarou em uma entrevista que o aumento dos diagnósticos de malformações poderia estar relacionado “com a maior atenção dada ao tema”. Ou seja: médicos estariam dando diagnósticos baseados nas manchetes de jornal. Um tal “agendamento” de uma atividade na outra é muito comum e não deixa de causar perplexidade. Mas as duas atividades possuem semelhanças quando o assunto é escolher uma parte da realidade para estudá-la, emitir uma conclusão ou apresentar um relato.
A verdade é que, aquilo que as ciências (naturais ou sociais) e o jornalismo, chamam de realidade são coisas bastante diferentes entre si. Mais do que isso: o que consideram real é algo muito diverso do que seja a própria realidade. Sem pretensões de falarmos sobre a realidade inteira — pois isso exigiria um recorte e de recortes estamos cheios — vejamos como funciona essa palavra “realidade” para ambas as atividades.
Para as ciências, trata-se do que é observável, testável, e portanto repetível. É o universo empírico. Para a mídia, é o que acontece, o que é “fato jornalístico” ou passível de adequar-se aos canais ou linguagens de transmissão. Tanto as causas quanto as consequências e efeitos dos fenômenos, para serem considerados e ganharem alguma atenção, precisam também estar dentro desta faixa de realidade, o que significa dizer que tanto a mídia quanto as ciências naturais não possuem os meios para a compreensão dos seus próprios fenômenos, precisando sempre recorrerem a outra ciência ou a outra linguagem. Ao mesmo tempo, a combinação de diversos canais e linguagens se torna impossível dada a especificidade do recorte do seu objeto, que exige a abstração de tudo o que está fora.
Para que seja possível tal distinção (entre realidade inteira e o seu recorte) é preciso um processo muito conhecido pelos semiólogos: existe o signo (palavra ou símbolo), o significado e a coisa da qual se está falando. Quando alguém se refere a uma mesa, está utilizando a palavra (signo) para gerar na mente do ouvinte uma associação com o significado dela. Estes dois são puramente mentais, embora digam respeito à coisa real que é o objeto da mesa. Mas os objetos reais, isto é, a realidade, só pode ser acessada racionalmente por meio de um signo e um significado.
Esse processo permite que façamos abstrações compartimentando a realidade segundo critérios previamente escolhidos e, com base nestes recortes, se trabalhe neles sem a constante e caótica contingência encontrada no meio natural, na realidade ampla e total na qual estamos inseridos.
Um exemplo clássico é a tabela periódica dos elementos químicos. Obviamente, na natureza os elementos não estão dispostos daquela maneira ordenada que vemos na tabela. Mas tal esquematização é necessária para o estudo daqueles elementos que, separados em quadrados isolados, podem ser abstraídos do caos em que se encontram em estado bruto. Este processo artificial para fins de estudo ocorre também em nossa mente e pode servir, não só ao estudo, mas a interesses transformadores.
Quando falamos em ciência e jornalismo, portanto, estamos falando de realidades diferentes, construídas para funções específicas. As modificações nos seus conceitos significam mudanças em suas funções. A variação das descrições possíveis, portanto, no que diz respeito a atividades como ciência e jornalismo, atende a mudanças na ordem das suas funções e, consequentemente, em uma faixa limitada dos efeitos do seu uso. Evidentemente, quando o jornalismo se torna um meio de transformação apenas, ele não deixa de informar, assim como não deixa de transformar quando prevalece a função informativa. Da mesma forma, a função das ciências também foi convertida em transformadora, desde que Marx disse que a compreensão se dá pela transformação.
Isso é observável na experiência simples do convívio em uma universidade, nas quais a transformação social e o convencimento para a mudança cultural tem prevalência sobre qualquer objetivo de compreensão da realidade. Quando a realidade é objeto de mudança o seu recorte passa a ser instrumental e, portanto, refém de ativismos em uma batalha competitiva na qual cada facção quer transformar a realidade à imagem e semelhança de suas utopias.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Novembro Azul: o silêncio em torno dos riscos do exame de próstata

Assim como no caso do Outubro Rosa, a campanha do Novembro Azul ainda se baseia no silêncio a respeito dos mais recentes estudos sobre a eficácia dos exames. Além de estatisticamente inútil na prevenção, os exames, quando produzem diagnóstico de falso positivo, implicam em muitos riscos à saúde do homem, como incontinência urinária e impotência sexual. Por estas e outras razões que o Instituto Nacional de Câncer não recomenda os exames em pessoas saudáveis.

“Há chances de morte por infecção – cerca de uma pessoa a cada mil – e sangramentos. Ao passar pelo tratamento, cerca de 20% dos homens adquirem incontinência urinária e 60% ficam impotentes”

Nos primeiros dias do mês de novembro já começam as informações e alertas sobre a doença, considerada a segunda maior causa de morte por câncer em homens. A justificativa para a recomendação é clara: o exame de próstata previne o câncer, que pode ser tratado antes que seja “tarde demais”, fazendo-o por meio do mantra que diz: “a única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce”. O alerta, em tom amedrontador, não tem como não funcionar. As pessoas mais fragilizadas com questões de saúde correm aos hospitais e laboratórios para realizar os exames.

Pesquisadores da Universidade Case Western Reserve (Cleveland-EUA) avaliaram a eficácia do exame preventivo de câncer de próstata, o conhecido PSA (Antígeno Prostático Específico). A conclusão a que chegaram é que os riscos da triagem superam seus benefícios. Isso porque o agressivo tratamento posterior levaria à diminuição da qualidade de vida do paciente.

O problema é que, além dos riscos, o aumento no número de exames de rotina não tem feito diminuir o número de mortes pela doença, como mostra o quadro abaixo, publicado no British Medical Journal, em 2011:

Em uma nota à imprensa, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família & Comunidade, advertiu que a campanha Novembro Azul tem insistido em ir contra as recomendações dos estudos mais sérios do mundo. Um trecho da nota, diz:

Em 2012, o United States Preventive Services Task Force (USPSTF) passou a contraindicar o rastreamento de câncer de próstata baseado em PSA para homens estadunidenses de qualquer idade. Em 2013, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) passou a recomendar que não se organizassem programas de rastreamento para o câncer da próstata, e que homens que demandassem espontaneamente a realização de exames de rastreamento fossem informados por seus médicos sobre os riscos e benefícios associados a esta prática, “por existirem evidências científicas de boa qualidade de que o rastreamento do câncer de próstata produz mais dano do que benefício”. Na verdade, desde 2010, o Ministério da Saúde já duvidava da indicação desses exames, por não haver evidências científicas suficientes para justificá-lo.

Richard Ablin, pesquisador de patologia e imunologia da Universidade de Medicina do Arizona, responsável pela descoberta do PSA, em 1970, em um artigo para o New York Times, diz que “em alguns casos o exame de PSA é importante. Após tratamento, um aumento da substância pode indicar o retorno do tumor em outro órgão. Homens com histórico de câncer na família devem fazer esse exame regularmente – um aumento elevado pode significar câncer.  No entanto, o meio médico se apropriou dos exames que levaram a um gasto público desastroso causado pelo aumento de consultas, exames e tratamentos a medida que a população envelhece. Com o crescimento da expectativa de vida mundial, é esperado que o número de casos novos aumente cerca de 60% até o ano de 2015″.

Segundo o Dr. Ablin, os riscos já começam na biópsia. São feitas 15 perfurações na glândula através do reto, por onde também é feito o exame de toque. Há chances de morte por infecção – cerca de uma pessoa a cada mil – e sangramentos. Ao passar pelo tratamento, cerca de 20% dos homens adquirem incontinência urinária e 60% ficam impotentes.

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Outubro Rosa: silêncios sobre riscos da mamografia

 

A dita preocupação com o câncer de mama de campanhas como o Outubro Rosa tem feito um silêncio ensurdecedor sobre os riscos da mamografia. Assim como o que acontece com o câncer de próstata, os exames que prometem prever o câncer trazem estatisticamente mais riscos do que benefícios. No entanto, campanhas como essa lucram milhões com o medo que geram na população.

Entre as iniciativas de grupos como o Inca (Instituto Nacional de Câncer) está a difusão de informações sobre a doença e os modos de prevenção, informando que o Sistema Único de Saúde (SUS) garante a oferta gratuita de exame de mamografia para as mulheres brasileiras em todas as faixas etárias. Mas e os conhecidos riscos deste tipo de exame?

Há muitos artigos científicos que tem influenciado a recusa de médicos em pedir tal exame. Segundo pesquisa publicada no periódico British Medical Journal, a exposição à radiação pode elevar em até cinco vezes as chances de mulheres jovens com uma mutação nos genes responsáveis por controlar a supressão dos cânceres de mama e de ovário desenvolverem a doença.

De acordo com pesquisa de Harvard, sistema de triagem pode detectar cânceres que não provocariam sintomas ou mortes e levar mulheres a tratamentos desnecessários em até 20% dos casos

  • A mamografia tem vários pontos negativos, incluindo os resultados falsos positivos, falsos negativos, o uso da radiação ionizante (que pode provocar câncer) e o fato de que as mamografias não têm impacto visível sobre as taxas de mortalidade
  • Um estudo recente refuta o uso da mamografia como uma ferramenta importante na prevenção do câncer, afirmando que ela não tem nenhum impacto sobre as taxas de mortalidade e causa mais danos às mulheres do que as ajuda.

Segundo o Dr. Mercola,

“para cada 1.000 mulheres que não fazem mamografias, 5 delas morrem de câncer de mama. Para cada 1.000 mulheres que não fazem mamografias, 4 delas morrem de qualquer maneira.

A diferença entre os dois grupos é de 20% (a diferença daquela uma pessoa salva no grupo da mamografia cuja vida foi salva). No outro lado da equação, de cada 1.000 mulheres que fazem as mamografias de rotina durante a vida:

  • METADE recebe um resultado falso positivo. Portanto, embora elas NÃO tenham câncer, cerca de 500 a cada 1.000 mulheres que fazem mamografias sofrem o terror do diagnóstico do câncer de mama
  • 64 fazem biópsias, que podem ser dolorosas e apresentam riscos de efeitos adversos

10 fazem tratamento para o câncer que, na realidade, NÃO é câncer, incluindo cirurgias de mutilação, drogas tóxicas e radiação. Tanto a cirurgia quanto a quimioterpia e radioterapia são perigosas e morrer tratando um câncer que você não tem é uma tragédia dupla”.

A dra. Lucy Kerr dá 10 bons motivos para NÃO se fazer uma mamografia.

Leia um dos estudos brasileiros sobre o tema

Campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul aproveitam-se de uma neurose tipicamente moderna

Todos os anos é a mesma coisa. Chega outubro e somos bombardeados de informações sobre câncer de mama. O movimento começou em 1990, com o objetivo de conscientizar para o perigo da doença, isto é, amedrontar a população e recomendar toda sorte de exames preventivos. A iniciativa deu resultado. Nunca se fez tanto exame preventivo periódico, muito embora a doença não tenha retrocedido um milímetro. A realidade do câncer existe e precisa, de fato, de informação para o tratamento. Mas quando se fala em prevenção, é importante termos em mente algumas coisas que não têm, em si, muito a ver com medicina, mas que nos afetam inevitavelmente todos os dias.

Vivemos uma neurose médica como nunca houve, fruto de um modo de vida atribulado e aterrorizado, mas, principalmente, de uma consciência do real fragmentada em recortes abstratos, sem os quais seria impossível acreditar na comunidade médica ou na indústria farmacêutica do modo como acreditamos. A verdade é que o exame preventivo possui riscos, assim como qualquer exame, que devem ser pesados e confrontados com o risco real da doença. No caso do câncer de mama, o exame da mamografia, há alguns anos, não vem mais sendo recomendado periodicamente, como antes. Isso pouco é falado pelas campanhas tão preocupadas com a doença.

O cúmulo da mentalidade moderna é muito bem representado pela atitude de celebridades como Angelina Jolie, que mutilou os próprios seios devido o medo de desenvolver câncer de mama. 

O caso do Novembro Azul deixaremos para o próximo mês, mas apresenta o mesmo tipo de riscos, que só podem ser justificados por sentimentos de medo e horror à doença. Em um mundo no qual a doença tem quase que um valor moral, não pode haver coisa mais horrível do que o sofrimento e a doença, verdadeira vergonha alheia, já que se tornou comum culpar o doente por seus males, resultados de hábitos detestáveis e pouco “conscientes”.

Engajamento midiático

O motivo de tanto engajamento da mídia para questões de prevenção, como Outubro Rosa, é o financiamento feito pelo Terceiro Setor, as ONGs, que desde o advento da Internet, passaram a substituir as grandes empresas no custeio da publicidade das grandes empresas de mídia. Já que as fundações milionárias estão por trás, não mais somente das grandes empresas, mas das grandes ONGs, as causas são mais caras que os produtos e os jornais precisam, anualmente, mostrar serviço que justifique o seu sustento.

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

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A disbioética contra a vida humana – por Dr. Hélio Angotti Neto

No periódico DIGNITAS, do Center for Bioethics and Human Dignity (Volume 23/3), Edward Grant, professor do renomado Centro Pellegrino de Bioética Clínica da Universidade de Georgetown, relata o avanço da eutanásia e do suicídio assistido sobre diversos países.
Sua preocupação é que matar o paciente torne-se, inevitavelmente, numa das formas elencadas mais fáceis, baratas e frequentes de lidar com pacientes graves.
disbioética da eutanasia dr. hélio angotti neto

George Weigel, do Centro de Políticas Públicas e Ética de Washington

Em seu artigo, reproduz o relato do autor George Weigel:
Durante o acampamento de verão de minha paróquia no interior de Quebec, três anciões receberam o diagnóstico de câncer no hospital local, um estabelecimento interiorano a uma hora de viagem de carro do centro urbano de Ottawa e ainda mais distante da super secular Montreal. Porém, após a informação do diagnóstico, a primeira questão perguntada para cada uma dessas pessoas foi ‘você quer fazer eutanásia?’ É isso o que o sistema canadense de eutanásia alcançou em apenas poucos meses: colocou a eutanásia no topo das opções do cardápio proposto para pessoas gravemente doentes. (destaques do próprio autor)
Grant se questiona sobre como os novos médicos serão ensinados nesse contexto. Serão eles instruídos a oferecer a eutanásia como qualquer outra opção ou até mesmo como a primeira opção? Serão eles pressionados para corte de gastos monetários e emocionais com a eliminação dos “casos difíceis”?
Respeitarão aqueles que alegam objeção de consciência?
Por, Dr. Hélio Angotti Neto
Artigo original publicado originalmente no site do SEFAM – Seminário de Filosofia aplicado à Medicina, em 30 de dezembro de 2016.
Informações:
GRANT, Edward R. Cracks in the wall: confronting the legalization of physician-assisted suicide and euthanasia. DIGNITAS, 2016, Volume 23(3), p.1, 4-6.

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Noah Wall o menino sem cérebro aprendeu a falar e a andar

Menino que nasceu ‘sem cérebro’ surpreende a medicina, fala e vai à escola

Inglaterra: Nascido com 2% do cérebro e com diagnóstico médico de que não viveria por muito tempo, a família, que não optou por um aborto frente aos diagnósticos médicos, vê agora seu filho de quatro anos com capacidade de falar, contar até 10 e frequentar a escola.

Devido a uma rara complicação na espinha bífida e grave hidrocefalia, Noah Wall, surpreende a cada ano.

Os médicos diziam que ele não sobreviveria e provavelmente morreria no parto. Os pais haviam sido aconselhados a abortar, mas se recusaram.  Um documentário feito sobre a vida de Noah mostra o incrível desenvolvimento do menino.

O cérebro do menino tem se desenvolvido no espaço onde antes era ocupado pelo fluído cerebral. Por causa de sua condição, ele dependia completamente cadeira de rodas até pouco tempo. A reportagem no site Mirror ressalta o momento em que o menino pergunta para sua mãe “você está bem?”, ao vê-la chorando emocionada.

Noah Wall o menino sem cérebro aprendeu a falar e a andar

A família de Noah busca estimular ao máximo o cérebro do menino e os resultados estão se mostrando muito satisfatórios. O desenvolvimento cerebral dos últimos anos se mostrou acima de todas as expectativas. Um ano atrás, quando o menino tinha 3 anos, um exame indicou um crescimento de 80% no cérebro. Um resultado inacreditável que surpreendeu todos os médicos.

O menino agora passa por uma série de cirurgias nos quadris e tratamentos, na tentativa de fazê-lo capaz de andar um dia. O pai do menino diz: “Estamos determinados a fazer Noah capaz de andar”. No Facebook do menino, em postagens recentes, é possível acompanharmos as fotos do menino dando os primeiros passos com ajuda equipamentos e em tratamento. Um  vídeo emocionante mostra ele movendo a perna na cama.

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Um documentário completo sobre a história do menino sem cérebro foi produzido pelo Canal 5 (Channel 5), no ano passado, disponível em inglês.

Siga o perfil do menino no Facebook   e visite seu blog.

Informações:
Mirror.co.uk; Aleteia(en)

 

 

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

quando a vida humana começa a ciencia responde embriao

Quando começa a vida humana? A ciência responde

Ana C. V. DerosaFarmacêutica e doutora em farmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Farmacêutica e doutora em farmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina.