Influência islâmica no governo Temer preocupa diante de ataques em SP

A bomba da última terça-feira (2) preocupou os brasileiros. O ataque de muçulmanos a manifestantes, evento que foi tratado pela mídia como uma mera briga entre críticos à nova Lei de Migração e imigrantes palestinos, no centro de São Paulo, acendeu um alerta sobre a presença dos muçulmanos no país. Há alguns anos, ações no centro de SP e em diversas capitais já chamam a atenção da população. Assim como em outros pontos do país, crescem conversões à religião de Maomé.

Mas a atividade islâmica pode ter recebido mais um estímulo importante com a entrada do novo secretário de Assuntos Estratégicos da presidência, Hussein Kalout, que é presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (FAMBRAS).

À frente da Federação, Hussein dá cursos e palestras sobre o mundo islâmico e a sua presença no Brasil. Atuava como especialista em Oriente Médio em colunas no jornal Folha de SP e concedeu muitas entrevistas e conferências sobre o tema.

Com a sua nomeação, em fevereiro deste ano, o projeto islâmico conta agora com apoio governamental. A FAMBRAS difunde a cultura islâmica desde 1979 no Brasil. Mas com seu presidente ocupando a pasta dos Assuntos Estratégicos, suas ações poderão alcançar uma maior abrangência.

Em março deste ano, a entidade se reuniu com o Ministério da Educação para apresentar sugestões e ações afirmativas em benefício da população islâmica no país. Na oportunidade, foi apresentado o projeto de construção do ALNUR – CENTRO DA CULTURA, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA CIVILIZAÇÃO MUÇULMANA, que segundo a FAMBRAS, contribuirá na “civilização muçulmana no Ocidente” por meio de um curso oferecido pela entidade intitulado “Mundo Islâmico”. Foi proposto que o Ministério da Educação leve seus representantes ao curso em 2017. Para isso, um programa com dados da última edição do curso foi entregue ao Ministro.

As conversões

As conversões ao islamismo no Brasil têm crescido nos últimos anos. Segundo o sheik Rodrigo Rodrigues, que conduz as orações na mesquita no centro da capital paulista, as conversões de brasileiros ao islamismo têm se tornado mais frequentes. “Acho que todo sábado duas ou três pessoas se convertem aqui. Nós não registramos, porque acreditamos que a conversão é pessoal e espontânea”, disse à BBC Brasil.

O Censo 2010 do IBGE falava em cerca de 30 mil praticantes da religião no país, mas a Fambras estima que o número tenha saltado de 600 mil em 2010 para entre 800 mil e 1,2 milhão de fiéis em 2015.

A maior parte dos brasileiros, segundo o sheik paulistano, busca informações a partir de relatos da imprensa sobre conflitos envolvendo países de maioria muçulmana. “Elas querem saber o que é o islã, quem era Bin Laden, o que é Charlie Hebdo (revista francesa que, em janeiro, teve vários funcionários assassinados em ataque extremista). E quando leem algo sobre o islamismo e escutam os muçulmanos, pensam ‘pô, não é nada disso que eu imaginava. E acabam se convertendo'”, afirma.

Com a chegada de mais imigrantes de origem muçulmana ao país nos últimos anos, vindos de países como Síria, Líbano, Nigéria e Gana, romances com estrangeiros também atraem brasileiras curiosas aos centros islâmicos.

O que é a FAMBRAS

A Fambras foi fundada em 1979 por Hajj Hussein Mohamed El Zoghbi. À época, os mais importantes líderes de associações muçulmanas do país se reuniram em Brasília, e manifestaram total apoio para a criação de uma entidade que se comprometesse com o fortalecimento e unificação de suas instituições. A maior preocupação da Federação era ajudar a manter vivas as práticas do Islam.

Desde então, a FAMBRAS atua no âmbito religioso, social, econômico e diplomático. Dentro destas esferas, a instituição desenvolve projetos para a divulgação do Islam, ações educacionais e assistenciais, tanto em benefício da comunidade muçulmana quanto das comunidades carentes do Brasil.

A entidade foi primeira a implantar o conceito e o sistema halal no país (sistema de abate de animais segundo a Sharia, lei islâmica). Em 1981, após uma visita do ministério Awkaf do Egito e da Liga Muçulmana, sediada em Meca, a FAMBRAS passou a estruturar esse mercado no Brasil. Hoje o mundo sabe que o Brasil é o maior exportador de carne de frango e bovino halal do mundo. Somente por meio desse sistema de abate e tratamento alimentar foi possível, ao Brasil, exportar alimentos ao mundo árabe.

A organização possui sólidas parcerias com entidades islâmicas internacionais, que auxiliam direta e indiretamente, disponibilizando bolsas para o Hajj, cursos em países islâmicos, fazendo a impressão dos livros distribuídos nos Dawas, no Brasil, colaborando na doação de alimentos para o Iftar das mesquitas etc. Foi através dessas parcerias que, ao longo de sua trajetória, a FAMBRAS intermediou a construção de 37 mesquitas no país.

Hoje, a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil se configura como a mais importante referência sobre o islamismo no país, e um dos principais modelos em certificação e difusão do conceito halal no mundo.

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.
maduro anuncia nova constituinte golpe socialista

Maduro convoca Assembleia Constituinte chavista

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro anunciou nessa segunda-feira (01/05) a formação de uma Assembleia Constituinte para “reformar o Estado e redigir uma nova Constituição”.

Para oposição, a constituinte é a consumação do golpe de Estado contínuo de Maduro.

Segundo o governo, a Assembléia Constituinte será composta por 500 membros. Dos 500 membros, 200 a 250 deverão ser membros eleitos pela classe trabalhadora, informou o governo, embora sem mais detalhes sobre esse processo eleitoral. Até o momento não foi informada a data prevista para esta eleição.

Maduro exigiu dos apoiadores para que seja constituída “uma maioria chavista” neste processo. Informou que será uma “constituinte chavista”.

Atualmente a Venezuela já adota o modelo de conselhos comunitários e com esta constituinte o governo pretende dar maior poder a esses conselhos. A oposição alega que os conselhos são parte da manipulação que dá amparo às medidas anti democráticas de Maduro, uma vez que os conselhos são em maioria movimentos que apoiam o governo de forma irrestrita.

Os conselhos comunitários são a máxima expressão do socialismo e comunismo no século XXI.  Os mesmos instrumentos utilizados na Revolução Francesa e na União Soviética (os famosos Sovietes).

A ideia conceitual dos conselhos comunitários parece trazer democracia, mas a história tem mostrado que fazem parte de um processo de manipulação que visa legitimar ditadura. Os conselhos dizem representar a comunidade mas são manipulados de cima para baixo por poucos grupos.

 

Conselhos comunitários no Brasil

Em 2014 a presidente Dilma tentou inserir os conselhos comunitários por meio de um decreto. Chamado de decreto bolivariano, o Decreto 8.243 foi porém, rejeitado pelo Congresso naquele ano. Os deputados na época alegaram que os conselhos comunitários caracteriza uma invasão de competência.

O Decreto vetado consistia em estabelecer que órgãos da administração federal abrigassem estes conselhos, como “representantes de sociedade civil”. Metade dos membros destes conselhos, no decreto brasileiro, seria indicado pelo governo federal. A outra metade por ONGs e sindicatos (muitas vezes, ligados ao governo petista).

A tentativa de aprovação dos conselhos comunitários ocorrida em 2014 pode ser considerada na história recente do país a maior investida contra democracia, mas que, graças a voz do congresso, foi barrada.

Informações

2017 – Maduro convoca assembleia constituinte na Venezuela – Folha UOL

2014 – A utopia dos conselhos comunitários da venezuela

2014 – O decreto bolivariano de Dilma – Veja

2014: Oito Partidos pressionam para barrar Decreto sobre Conselhos Populares – O Globo

 

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.

Atos violentos de uma greve que não afetará reformas

A greve geral, convocada pela CUT para esta sexta-feira (28) não teve tanta adesão como esperavam os organizadores. Movimentada pelas centrais sindicais, com o apoio de diversos movimentos de esquerda, o objetivo era literalmente “parar o país”, o que de fato não ocorreu da forma como queriam. A pauta é a oposição às reformas trabalhista e da Previdência, que estão para ser aprovadas pelo governo. Para os sindicalistas, um dos pontos críticos das propostas é o fim da contribuição sindical obrigatória, o que provavelmente imporá mudanças na estrutura sindical do país.

Embora em alguns lugares, o trânsito tenha sido interrompido, isso ocorreu por meio de interrupções forçadas com pneus queimados, e não pelo excesso de manifestantes, que preferiram usar da sua truculência habitual para impor à população a sua vontade de poder. Em muitos estados foram registrados atos violentos por parte de movimentos sindicais durante a paralisação. No aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, pessoas que tentavam embarcar foram agredidas fisicamente por manifestantes. Estradas e acessos urbanos foram bloqueados. Na USP, houve confronto com a PM.

Além do governo, especialistas afirmam que nada mudará com tais atos. As reformas sofrerão poucas mudanças, se sofrerem. Tudo vai depender do arranjo feito no Congresso com os parlamentares. Há consenso entre muitos analistas sobre a viabilidade e a necessidade de tais reformas, de modo que atos violentos apenas demonstram que os opositores mantém as mesmas respostas para todas as questões, sem apresentar soluções e negando-se a acreditar nos dados apresentados não só pelo governo, mas por diversas entidades. Isso porque, para os manifestantes, o ideal é “quebrar a máquina”, pois a máquina é o capitalismo. É preciso gerar a crise do capitalismo para que ganhe a causa socialista.

Estratégia da data favorável

A estratégia utilizada pelos movimentos foi a de abranger toda a população utilizando uma data próxima a um feriado, produzindo um feriadão. O objetivo, com isso, era gerar a ilusão de uma maior adesão popular. Em algumas cidades, carros de som com poucas pessoas em torno chamavam a população a participar.

Do mesmo modo, a pauta bastante generalista e repleta de desinformação, cuidava para que quem quisesse ser visto como zeloso pelos direitos dos trabalhadores e dos mais necessitados, aderisse pelo menos em apoio formal, às pautas dos grevistas.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
reforma da previdencia rural

Reforma da previdência: trabalhador rural passa a ter auxílio doença com apenas 5% de contribuição

Marlon Derosa Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.

Ativistas atribuem a crise iniciada em 2014 à gestão Temer iniciada em 2016

Apesar do Brasil viver a maior crise de sua história, alguns sites veem os cortes orçamentários feitos pelo Governo Temer sem qualquer relação com o descontrole de gastos da gestão de Dilma.

Diversos sites brasileiros têm reportado uma notícia divulgada no site da revista científica Nature. A notícia no site da Nature (03/04/2017), fala sobre os recentes cortes orçamentários feito pelo governo brasileiro na educação.

Apesar da matéria deixar claro que a situação do Brasil é a pior recessão de toda a sua história, e que a crise iniciou em meados de 2013 e 2014, a interpretação de alguns sites brasileiros é de que o governo Temer seja o principal responsável.

A matéria em inglês enfatiza, porém, que os cortes no orçamento da educação vêm ocorrendo desde 2014. Na lista de matérias relacionadas à esse assunto, no site da Nature, há uma outra matéria publicada em 2015.

A notícia de 30/09/2015 mostra que desde 2013 o Brasil vêm sofrendo desaceleração econômica e portanto a partir de 2014, cortes no orçamento da educação.

O artigo cita ainda, que o orçamento proposto pela então presidente Dilma para 2016 “apenas piora a situação que já estava ruim”. Pois depois da Presidente Dilma ter feito corte de R$ 2 bilhões de reais em maio de 2015, cortou 24% o orçamento de 2016 (orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI).

Um dos cientistas brasileiros entrevistados na matéria de 2015 comentava “Alguns institutos federais não tem dinheiro para pagar nem as despesas básicas como eletricidade e serviços de limpeza”. E completa, que até setembro de 2015, institutos federais não haviam recebido nem 50% dos recursos que lhes havia sido destinado naquele ano.

Diversas conferências internacionais haviam sido canceladas, segundo informou um acadêmico da Universidade Federal de Minas Gerais, em 2015.

O artigo de 2015 traz uma grande lista de fatos que demonstra a trágica situação de crise financeira e cortes sucessivos no orçamento da educação em 2014 e 2015. No final do artigo, finaliza dizendo que a desaceleração econômica, sem sinais de recuperação, demonstravam que a situação deveria piorar ainda mais nos próximos anos. O pessimismo que tinham na época sobre a situação econômica durante o governo Dilma demonstrou-se procedente. De fato a situação já era grave 4 anos atrás.

Apesar de estarmos cientes em 2015 sobre um péssimo prognóstico econômico, e dos prognósticos de cortes para os próximos exercícios fiscais, muitos ficaram surpresos com os cortes que ocorreram. Além disso, hoje alguns têm demonstrado incertezas sobre a causa do problema econômico.

O site FalandoVerdades.com.br, traz como título do artigo de 05 de abril de 2017 “Principal revista científica do mundo diz que Temer e PSDB destruíram Ciência Brasileira”.

Essa informação não consta no site da revista Nature. Por outro lado, a notícia no site da Nature deixa claro que trata-se de uma situação que vêm se agravando há alguns anos. Ainda que tivesse sido dito, não se trata de uma publicação de um artigo científico na revista Nature, mas sim uma matéria publicada na área de notícias do site da revista. O nome do site e a grosseira mentira apresentada no título do artigo demonstram canalhice sem tamanho.

Outros sites trouxeram matérias semelhantes, como o LivrePensamento.com, que traz o título “Temer e o golpe contra a ciência”.

No site do LivrePensamento há um texto ainda mais deturpado. Segundo o site, “A revista de divulgação científica mais respeitada do mundo, a Nature, acaba de publicar um artigo onde destaca o horror da comunidade científica com a destruição total promovida pelo regime Temer.”

Não muito diferente foi a manchete do site Brasil247, que em meio há diversos banners de propaganda que o site cultiva, diz em seu título que a Nature publicou que o Temer destruiu a ciência brasileira.

Preocupação com a verdade

A era da informação trouxe talvez uma das mais terríveis guerras da informação da história.   O jogo é claramente manipular a informação de acordo com seus interesses. As notícias têm suas redações e interpretações adulteradas valendo-se da certeza de que a maioria esmagadora dos leitores não farão uma análise mais apurada e não farão consultas na fonte primária. Alguns distorcem um pouco a informação original, outros transformam em outra informação completamente diferente, distanciando-se gravemente da realidade dos fatos.

Temos visto as mesmas estratégias sendo usadas pela grande mídia em muitas questões diferentes. Preocupa muito o resultado dessa guerra.

 

Informações:

Notícia site Nature – Crise econômica (2015)

Notícia site Nature – Cortes na Educação (2017)

Notícia no site “Falando Verdades”

Notícia no site “Pensamento Livre”

Notícia no site cheio de propagandas – “Brasil 247”

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.

Os cortes na inexpressiva ciência brasileira

Muita produção e pouca relevância tem sido a marca de um sistema acadêmico que há décadas não cumpre o que promete.

O corte do financiamento no Programa Ciência Sem Fronteiras motivou uma já esperada choradeira do meio acadêmico nacional, umbilicalmente dependentes das verbas públicas para a sua produção científica, entre outras coisas. As críticas mais previsíveis começam com o tradicional refrão “fora Temer”. Acontece que os cortes no financiamento acadêmico no Brasil começaram em 2015, durante o governo Dilma, justamente com base na percepção trazida pelos já históricos e costumeiros resultados de estudos sobre a relevância nanica da nossa produção científica.

Já em 2013, a Folha de S. Paulo trazia os lamentáveis resultados que mostravam queda vertiginosa da qualidade do trabalho científico brasileiro apesar do crescimento das suas publicações e de todo o investimento governamental. Isso significa que nem mesmo a tradicional pratica esquerdista de agradar o meio acadêmico para mantê-los sob sua influência suportou o tamanho da picaretagem.

Se a onda do “produtivismo” tem transformado até cursos de administração em verdadeiras nulidades nacionais, imagine a irrelevância dos cursos de história e filosofia. Thomaz Wood Jr., professor de Administração da FGV, chama a atenção, em artigo crítico, para o foco na produção e busca suas origens e influência internacional:

A baixa relevância para a prática tem sido objeto de reflexão de um corpo crescente de pesquisadores. O foco em pesquisa, fomentado originalmente pela Fundação Ford, parece ter criado uma torre de marfim, um sistema autoreferenciado, sustentado por eventos, revistas, sistemas de incentivo e modos de carreira que isolam os pesquisadores da prática.

A verdade é que os últimos governos reduziram as universidade a centrais sindicais, escritórios de movimentos de subversão cultural e educacional a serviço de agendas internacionais das quais esses governos almejam receber recompensas. Um verdadeiro império ideológico que criou condições de sobrevivência até mesmo independentes da ideologia, porque até a filiação ideológica, no Brasil, perde para o oportunismo diante de tamanhas tentações.

Citando o famoso relatório da Nature, o físico e professor da Unicamp, Rogério Cezar de Cerqueira Leite, lembra que “a [revista científica] Nature nos acusa, em primeiro lugar, de produzir mais lixo do que conhecimento em ciência. Nas revistas mais severas quanto à qualidade de ciência, selecionadas como de excelência pelo periódico, cientistas brasileiros preenchem apenas 1% das publicações”. O artigo do professor, publicado na Folha e em vários outros sites, foi recebido com indignação por seus colegas acadêmicos. Mas não é possível esconder a verdade.

“O que a Nature generosamente omite são as publicações em revistas não indexadas, que contêm número significativo de publicações brasileiras, um verdadeiro lixo acadêmico”, escreve Leite.

Versão acadêmica do problema

Parte da resposta ou justificativa para a relevância anã da produção brasileira está nos “níveis de exclusão social do Brasil”. Ou seja, estão chamando o povo brasileiro que paga seus salários de ignorante e afirmando que, por isso, não sabe valorizar a sua relevância. Terão que aplicar o mesmo raciocínio às maiores universidades do mundo, que concordam com a inutilidade da produção acadêmica tupiniquim.

Até mesmo a auto-análise acadêmica demonstra indigência cognitiva para explicar o motivo de seus erros e da falta de interesse mundial sobre a produção dos nossos “cientistas”.

Um ensaio publicado pelo Fórum da Reflexão Universitária, da Unicamp, tenta analisar os motivos por trás de “a ciência e a mentalidade científica ainda não estarem incorporadas de modo pleno na sociedade”. O artigo leva o título de: Desafios da pesquisa no Brasil: uma contribuição ao debate. Segue um trecho:

Quando a universidade distribui recursos internamente, estimula áreas de pesquisa, monta laboratórios ou contrata, ela se envolve inevitavelmente com julgamentos de qualidade e relevância. Hoje, assiste-se a uma alteração na política nacional de financiamento, cujo critério dominante parece deixar de ser a qualidade e passa a ser a relevância. Entretanto, como o julgamento da qualidade, o julgamento da relevância está sujeito a erros terríveis, talvez ainda maiores. É de fundamental importância que o conjunto das ações e programas de apoio seja balanceado, não inviabilizando os programas de fomento tradicionais, que não são condicionados a critérios de relevância direta e imediata ¾ perigo embutido no novo modelo.

Na primeira frase já podemos acrescentar um lapso imperdoável no raciocínio do autor (es): De fato, quando a universidade os recursos ela se envolve inevitavelmente com julgamentos de qualidade, mas também, inevitavelmente, com outra questão que o artigo prefere deixar debaixo do tapete: a solidariedade grupal, motivada pela necessidade de apoio dos pares, o que sem dúvida é mais eficiente para angariar recursos do que “qualidade e relevância”. Isso já denunciava Pierre Bordieu em seu Homo Academicus. Mas obviamente preferem aprisionar a crítica de Bordieu dentro dos muros da universidade, quando muito.

Em segundo lugar, é curioso separar os conceitos de qualidade e relevância. De fato, há essa distinção. Mas a separação só acontece mesmo dentro da universidade brasileira, onde uma publicação pode ser julgada boa, porém, inútil. Afinal, nem mesmo todos os elogios dos seus amigos professores terão o poder de tornar uma pesquisa internacionalmente relevante. Isso porque a maior parte da nossa produção acadêmica destina-se somente a treinar o aluno para, em um futuro hipotético (e pouco provável) trabalhar em pesquisas sérias e relevantes para o mundo.

Os relatórios globais, é claro, não levam em conta as milhares de fraudes acadêmicas por meio de citações falsas, plágios, trabalhos roubados, feitos por encomenda etc. Sem contar os problemas metodológicos que incluem questões morais. É comum professores de metodologia instruírem os alunos a direcionar a pesquisa para confirmar as premissas iniciais no momento da investigação, por meio da criação de categorias de análise, um tipo de desonestidade mais sofisticada e que acontece no mundo todo. Mas no Brasil há o incremento invencível da “hermenêutica da brasilidade (ou jeitinho brasileiro). Também não estão sendo consideradas as fraudes do Programa Ciência Sem Fronteiras, que além de servir de êxodo de bons estudantes, também tem sido ao longo dos anos motivo de preocupação devido o aumento de processos por não conclusão dos estudos. Muito mais benefício traria um programa que trouxesse professores do exterior para contribuir com o sistema universitário.

Evidentemente, dentro de toda a diversidade e permissividade dos trabalhos acadêmicos, é possível encontrar honrosas exceções. No entanto, as melhores iniciativas são aquelas que lançam luz à cegueira científica de um meio social que busca maliciosamente se confundir com um método para atrair para si uma autoridade que não possui. Afinal, uma coisa é o método científico e seus princípios, outra bem diferente é o meio social em que ele é praticado, cujos sistemas internos de interesse e satisfação muitas vezes deixam de lado qualquer princípio científico ou até mesmo moral.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

A direita cresce a olhos vistos

Já não é possível negar. As redes sociais são de direita. A esquerda treme e tenta, por meio do aparato político, conter a maré e impor censura, mas ao que parece, as consciências não estão ao seu alcance.

Um relatório publicado no início de março pela ePoliticSchool (EPS), mostra que o número de interações (curtidas e compartilhamentos) em páginas de direita chegou a 14,7 milhões no período, mais que o dobro dos 7,1 milhões registrados em páginas de esquerda. A pesquisa, realizada em 150 páginas de influenciadores, mídia, políticos e partidos, apontou também que 60,5% dos fãs das páginas analisadas eram ligados a correntes de direita.

O relatório fornece uma importante fonte de observação da evolução dos debates no Brasil, principalmente em um momento de ferrenha luta política que se inicia nas redes e acaba despontando para o mundo real.

Apesar de toda a tentativa de caracterizar os opositores da esquerda como militaristas, autoritários, fascistas ou disseminadores de ódio, o número de pessoas que se identificam com rótulo da direita ou conservadores tem crescido no Brasil, principalmente entre os mais jovens.

A única maneira de negar isso é fechando os olhos, como a maior parte da mídia tem feito. No entanto, a matéria recente do Estadão não deixa dúvidas para aqueles que precisam do aval da grande imprensa para acreditar em alguma coisa.

A mudança no padrão de posições políticas no Brasil está sendo impulsionado pelas redes sociais, a partir dos protestos que crescem desde 2013, no país, e culminaram com o Impeachment, em 2016. Longe de ser um movimento exclusivamente virtual, essa nova direita questiona a hegemonia da esquerda construída ao longo das últimas décadas e que abrange a cultura, o meio intelectual e consequentemente a política. Essa direita identifica claramente a corrupção do sistema político à presença histórica de movimentos e políticos de esquerda.

Principalmente entre os mais jovens, cresce um interesse por conhecimento das causas do problema e das possíveis soluções. O fato mais relevante apontado pelas pesquisas nas redes sociais é justamente a perda da vergonha de se dizer de direita ou conservador, em um país onde o termo direitista sempre foi facilmente relacionado a fascista e até nazista, devido a hegemonia cultural da esquerda.

Movimentos que se dizem conservadores surgem inicialmente com o anti-petismo, evoluindo a posturas liberais e por fim conservadoras, motivadas por um outro movimento em direção a um retorno da espiritualidade cristã, em correntes mais conservadoras e tradicionais, que também defendem uma mudança na feição atual da Igreja Católica no Brasil, histórica apoiadora da esquerda e uma das instituições por trás da fundação do PT.

Leia o relatório completo da EpoliticSchool

OBS.: Evidentemente, utilizamos aqui os termos direita e esquerda de modo mais genérico e um ângulo de visibilidade de maior abrangência possível para fins de demonstrar uma evidente tendência.

 

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Sigilo de fontes não se aplica a “veículo de propaganda política”, diz justiça

Em nota, a Justiça Federal não aceitou a alegação da defesa do blogueiro Eduardo Guimarães, que pedia proteção constitucional do “sigilo de fonte”, por considerá-lo “veículo de propaganda política”.

O blogueiro, que é filiado ao PCdoB, foi acusado de vazar informações sigilosas da operação Lava-Jato ao divulgar que Lula estava prestes a ser detido em condução coercitiva, em maio de 2016.

A Justiça Federal ressaltou que apenas quem exerce a profissão de jornalista, “com ou sem diploma”, têm direito à proteção constitucional do sigilo de fonte. Segundo a nota, Guimarães não é jornalista e o seu blog é “veículo de propaganda política”. Eduardo Guimarães é filiado ao PCdoB e foi candidato a vereador na cidade de São Paulo nas eleições de 2016. Durante a campanha, Lula gravou um vídeo pedindo votos para ele.

“Diligências foram autorizadas com base em requerimento da autoridade policial e do MPF. Neste contexto, apura-se a conduta de agente público e das pessoas que supostamente teriam divulgado informações sigilosas e que poderiam ter colocado investigações em risco”, diz nota da assessoria de imprensa da Justiça Federal de Curitiba.

O blogueiro de esquerda Carlos Eduardo Cairo Guimarães, responsável pelo Blog da Cidadania, foi levado para a sede da PF em São Paulo para confirmar a fonte que lhe passou dados prévios da ação antes que ela fosse deflagrada.

Guimarães costuma fazer postagens críticas à Lava Jato alinhadas com a retórica dos partidos de esquerda que acusam a operação de abusos e espetacularização.

No início deste ano, Moro entrou com uma representação contra Guimarães na PF por ameaça depois que o blogueiro postou em seu Twitter: “delírios de um psicopata investido de um poder discricionário como Sergio Moro vão custar seu cargo, sua vida”.

A bancada petista de SP suspendeu os trabalhos legislativos nesta quarta (22) em protesto contra a detenção do blogueiro. Pelas redes sociais, Lula e Dilma manifestaram solidariedade e apoio a Guimarães.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, cuja liderança é formado por três petistas, emitiu nota condenando a ação.

“Sérgio Moro não pode tomar as informações veiculadas no blog objeto de investigação. Além de violar o direito fundamental da liberdade de expressão e negar o sigilo de fonte, o juiz vale-se de sua posição para intimidar aqueles que denunciam a ilegalidade de suas práticas”, diz o texto.

Veja na íntegra, nota da Justiça Federal:

O senhor Carlos Eduardo Cairo Guimarães é um dos alvos de investigação de quebra de sigilo de investigação criminal no âmbito da Operação Lava Jato, ocorrida antes mesmo de buscas e apreensões.

Neste contexto, apura-se a conduta de agente público e das pessoas que supostamente teriam divulgado informações sigilosas e que poderiam ter colocado investigações em risco. Eduardo Guimarães não foi preso, mas conduzido coercitivamente para prestar declarações e já foi liberado.

Pelas informações disponíveis, o Blog da Cidadania é veículo de propaganda política, ilustrado pela informação em destaque de que o titular seria candidato a vereador pelo PCdoB pela a cidade de São Paulo. Juntos aos cadastros disponíveis, como ao TSE, o próprio investigado se autoqualifica como comerciante e não como jornalista.

As diligências foram autorizadas com base em requerimento da autoridade policial e do MPF de que Carlos Eduardo Cairo Guimarães não é jornalista, independentemente da questão do diploma, e que seu blog destina-se apenas a permitir o exercício de sua própria liberdade de expressão e a veicular propaganda político-partidária.

Não é necessário diploma para ser jornalista, mas também não é suficiente ter um blog para sê-lo. A proteção constitucional ao sigilo de fonte protege apenas quem exerce a profissão de jornalista, com ou sem diploma. A investigação, por ora, segue em sigilo, a fim de melhor elucidar os fatos.

Leia a nota na íntegra do MPF do Paraná

Nesta data, no âmbito da operação Lava Jato, foram executadas diligências policiais com a finalidade de aprofundar apurações relacionadas ao crime de obstrução da justiça. Dentre os motivos das providências, estão provas de que um blogueiro informou diretamente aos investigados a existência de medidas judiciais sob sigilo e pendentes de cumprimento. Esse vazamento para os investigados ocorreu antes mesmo da publicação das informações no blog, portanto a diligência não foi motivada pela divulgação das informações à sociedade. Além disso, as providências desta data não tiveram por objetivo identificar quem é a fonte do blogueiro, que já era conhecida, mas sim colher provas adicionais em relação a todos os envolvidos no prévio fornecimento das informações sigilosas aos investigados.

O Ministério Público Federal reforça seu respeito ao livre exercício da imprensa, essencial à democracia. Reconhece ainda a importância do trabalho de interesse público desenvolvido por blogueiros e pela imprensa independente. Trata-se de atividade extremamente relevante para a população, que inclusive contribui para o controle social e o combate à corrupção.

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.
aborto

Câmara votará fundo de programa abortista

[URGENTE]

O PL 7371/2014, nada mais busca que obter recursos para investir na campanha abortista. Apesar do teor do PL não dizer isso claramente, basta ver seu objetivo e alinhamento a falsa política de combate a violência contra a mulher.

Logo no Art. 1º o PL diz que os recursos pleiteados serão destinados a financiar a  Política Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres.

Porém, ao consultar o documento oficial da Política Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, vemos na página 10, por exemplo, que tal Política Nacional está em consonância com a Convenção de Belém (1994).

Vamos ver então o que diz o documento oficial da Convenção de Belém (1994).

os países que têm  leis  proibitivas  ao  direito  ao  aborto  legal  e  seguro, os  que criminalizam  a  interrupção  voluntária  da  gravidez  e  que  não  têm políticas  efetivas de erradicação da mortalidade materna desrespeitam a  Convenção¹. E  aqueles  que  limitam  ou  proíbem  o  acesso  das mulheres  aos  serviços  de  saúde  sexual  e  reprodutiva,  por  ação  ou omissão, praticam violência institucional contra as mulheres. “GRIFO NOSSO

¹ Convenção de Belém do Pará (1994). Citado em  Seminário América Latina: Cultura, História e Política – Uberlândia-MG (2015)
Fica então pleno e evidente o entendimento: Os recursos do PL 7371/2014 tem objetivo de, dentre outras ações, financiar campanha para legalização do aborto em todas as situações. Pior ainda, os que propõem tal política  consideram que a nossa Constituição Federal e a maior parte da população, por defender a vida como direito inviolável (CF  Artigo 5º), é uma violência institucional contra as mulheres.
[give_profile_editor]
Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.