Financiamento de filme de Lula é investigado pela Lava Jato

Encontrado e-mail de Marcelo Odebrecht sobre a produção do filme “Lula, o filho do Brasil”

Capa do filme – Lula, O Filho do Brasil

Na última quinta-feira (04), a Operação Lava Jato descobriu mais um possível escândalo ligado ao ex-presidente Lula: o filme que narra a história da sua vida, “Lula, o Filho do Brasil”. O filme estreou em janeiro de 2010 e custou cerca de R$ 17 milhões, contando com o patrocínio de empreiteiras como a Odebrecht, OAS e Camargo Corrêa. As três empreiteiras que patrocinaram o filme estão envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras. Os patrocínios variaram entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão. A polícia federal também está apurando o envolvimento de outros agentes no caso, inclusive o do ex-ministro Antonio Palocci. Em dezembro de 2017, os agentes de polícia já haviam tentado contatar Palocci, que está preso em Curitiba, porém, ele preferiu permanecer em silêncio, uma vez que pretende negociar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

 

Durante a investigação, a Polícia Federal encontrou documentos que abordavam o financiamento do filme, enquanto juntava os e-mails do empresário e delator Marcelo Odebrecht. As mensagens mencionavam os codinomes “italiano”, que está relacionado ao ex-ministro Antonio Palocci, e “seminarista”, relacionado ao ex-ministro Gilberto Carvalho. O diretor do filme sobre Lula, Luiz Carlos Barreto, negou qualquer envolvimento dos ex-ministros nas arrecadações para o filme.

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Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

Mas o que é isso, Maria do Rosário?

A Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra da Secretaria dos Direitos Humanos e conhecida como ‘mãe dos marginais’, foi assaltada nesta quarta-feira (27) em Porto Alegre e teve seu carro roubado. O crime ocorreu por volta das 20h30, no bairro Chácara das Pedras.

Segundo o relato do Major Douglas Soares, do 11º batalhão da Polícia Militar, a deputada estava chegando em casa quando foi abordada por três indivíduos que acabaram levando o seu veículo.

A assessoria de imprensa da deputada também confirmou o ocorrido:

“Informamos que a deputada federal Maria do Rosário e seu esposo, Eliezer Pacheco, foram vítimas de assalto na tarde desta quarta-feira (27), em Porto Alegre.

“Além do carro, foram levados pertences pessoais. O boletim de ocorrência já foi realizado. Brigada Militar e Polícia Civil foram acionados e prestaram pronto atendimento.

“Rosário e Eliezer passam bem.”

revista estudos nacionaisMaria do Rosário, já citada em várias listas de delação como suspeita de corrupção, é famosa por defender bandidos e estupradores, assim como é crítica ferrenha da Polícia Militar, defendendo, inclusive, a desmilitarização da polícia. Entretanto, quando foi roubada, recorreu no mesmo momento aos militares.

A deputada também é famosa pela polêmica com o Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), o qual se tornou réu no STF por dizer que a deputada “não merecia ser estuprada”, o ocorrido se deu durante uma discussão, logo após uma sessão da câmara em que Maria do Rosário havia defendido o estuprador Champinha, dizendo que este não merecia ser preso por ser menor de idade e “não saber o que faz”.  Durante a discussão com Bolsonaro, a deputado gritava chamando-o de estuprador e o deputado respondeu: “não vou te estuprar porque você não merece”. Champinha, que chocou o Brasil com seu crime, sequestrou um casal em São Paulo e os levou até uma cabana na floresta, onde durante cinco dias violentou e estuprou Liana Friedenbach (16) em frente ao namorado Felipe Caffé (19),  terminando por degolar a menina com um facão.  Por fim, como disse o comediante Joselito Muller, falta Bolsonaro virar “réu no STF por dizer que a deputada não merecia ser assaltada”, ou melhor, poderíamos dizer que o automóvel da deputada foi ‘ocupado’ e socializado.

 


Fontes:

[1] G1

[2] Estadão

[3] Joselito Muller

 

 

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Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Foro de São Paulo: Descubra quem é o maior inimigo do Brasil

A organização mais perigosa da América Latina precisa ser identificada, como também é preciso revelar quem são os responsáveis pela sua criação e fomento


O Foro de São Paulo, além de ser a razão do governo do PT ter enviado bilhões de reais à Cuba, é fomentador do narcotráfico e da maior crise de assassinatos que já ocorreu no território brasileiro.

“Por quase duas décadas, os jornais e supostos oposicionistas brasileiros esconderam do grande público a existência do Foro de São Paulo, descoberto pelo advogado paulista José Carlos Graça Wagner, que o denunciou publicamente em 1º de setembro de 1997, e não faltou quem rotulasse seus denunciadores como “teóricos da conspiração”. De uns anos para cá, quando o Foro já tinha feito e desfeito governos em toda a América Latina, elegendo presidentes dos países do continente cerca de 15 membros da organização, seu nome começou a aparecer aqui e ali em reportagens, como se o Foro fosse apenas uma entidade como outra qualquer.” [1]

Breve História da Organização

Em setembro do ano de 1967, a ditadura cubana, com apoio da União Soviética, organizou, em Havana, um evento denominado Conferência Tricontinental dos Povos Africanos, Asiáticos e Latino-Americanos, que reuniu 83 grupos de mais de 20 países. O objetivo era “apoiar, dirigir, intensificar e coordenar operações guerrilheiras e terroristas nos três continentes”.[2]
A Resolução Geral, que fora aprovada naquele encontro, serviu de base para o projeto que, mais tarde, viria a ser chamado de Foro de São Paulo, onde foi explicitamente decidido que os males do universo deveriam ser o ‘imperialismo ianque’.
Assim, com o êxito da Conferência Tricontinental, foi criada a OLAS (Organización Latinoamericana de Solidaridad), composta por inúmeros movimentos comunistas e “anti-imperialistas” da América Latina, que compartilhavam dos ideais da Revolução Cubana.

 

Em sua primeira declaração, a OLAS apostou na luta armada e na guerra civil através de guerrilhas como forma de estender a revolução, porém, após as reações dos militares dos países do continente americano, seus planos foram esfriando até que, finalmente, fora decidido que o plano deveria ser abortado e deixado na reserva até que chegasse o momento oportuno de ressuscita-lo.
No ano de 1989, Lula perde as eleições presidenciais para Fernando Collor de Melo e de 31 de maio a 3 de junho de 1990, ocorre o VII Encontro Nacional do PT, quando Lula decide convocar, junto com Fidel Castro, um encontro com todos os partidos e organizações comunistas/socialistas da América Latina, em virtude da crise do comunismo no Leste Europeu, para planejar como poderiam reviver o movimento. O encontro se deu entre os dias 2 e 4 de julho de 1990, e hoje é conhecido por Foro de São Paulo, ainda em plena atividade e realizando reuniões periodicamente. [3]

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As Farc e o Foro de São Paulo

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), organização comunista que surgiu nos anos 60, é conhecida há muito tempo por ser a maior produtora de cocaína do mundo, movimentando, apenas no Brasil, R$ 15 bilhões por ano. Acontece que esta organização terrorista e criminosa, a convite de Fidel Castro e Lula, participou oficialmente do Foro de São Paulo e era possível encontrar o seu nome no site da própria organização, todavia, como a informação passou a vir à tona, ela foi ‘retirada’ do ar.

Entretanto, o próprio Hugo Chávez admitia o conluio com as FARC:

No vídeo, Chávez confessa ter conhecido o presidente Lula e um dos então comandantes das Farc, Raúl Reyes — cuja eliminação pelo Exército colombiano no nordeste do Equador ele lamenta e furiosamente critica — na reunião do Foro de São Paulo de 1995, em San Salvador, capital de El Salvador, na América Central:

“Recebi o convite para assistir, em 1995, ao Foro de São Paulo, que se instalou naquele ano em San Salvador. (…) Naquela ocasião conheci Lula, entre outros. E chegou alguém ao meu posto na reunião, a uma mesa de trabalho onde estávamos em grupo conversando, e lembro que colocou sua mão aqui [no ombro esquerdo] e disse: ‘Cara, quero conversar com você.’ E eu lhe disse: ‘Quem é você?’ ‘Raúl Reyes, um dos comandantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.’ Nós nos reunimos nesta noite, em algum bairro humilde lá de El Salvador. (…) E então se abriu um canal de comunicação e ele veio aqui (…) e conversamos horas e horas. Depois, em uma terceira e última ocasião, passou por aqui também.”

As Farc e o PT

Em entrevista à Folha de S. Paulo de 27 de agosto de 2003, Raúl Reyes, comandante das Farc, fez as seguintes declarações:

Folha — O sr. conheceu Lula?

Reyes — Sim, não me recordo exatamente em que ano, foi em San Salvador, em um dos Foros de São Paulo.

Folha — Houve uma conversa?

Reyes — Sim, ficamos encarregados de presidir o encontro. Desde então, nos encontramos em locais diferentes e mantivemos contato até recentemente. Quando ele se tornou presidente, não pudemos mais falar com ele.

Folha — Qual foi a última vez que o sr. falou com ele?

Reyes — Não me lembro exatamente. Faz uns três anos.

Folha — Fora do governo, quais são os contatos das Farc no Brasil?

Reyes — As Farc têm contatos não apenas no Brasil com distintas forças políticas e governos, partidos e movimentos sociais…

Folha — O senhor pode nomear as mais importantes?

Reyes — Bem, o PT, e, claro, dentro do PT há uma quantidade de forças; os sem-terra, os sem-teto, os estudantes, sindicalistas, intelectuais, sacerdotes, historiadores, jornalistas…

Folha — Quais intelectuais?

Reyes — [O sociólogo] Emir Sader, frei Betto [assessor especial de Lula] e muitos outros.” [4]

Cronologia Resumida – PT/FARC/FORO

“· Abril de 2001: O traficante Fernandinho-Beira Mar confessa que compra e injeta no mercado brasileiro, anualmente, duzentas toneladas de cocaína das Farc em troca de armas contrabandeadas do Líbano.

· 7 de dezembro de 2001: O Foro de São Paulo, coordenação do movimento comunista latino-americano, sob a presidência do sr. Luís Inácio Lula da Silva, lança um manifesto de apoio incondicional às Farc, no qual classifica como ‘terrorismo de Estado’ as ações militares do governo colombiano contra essa organização.

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· 17 de outubro de 2002: O PT, através do assessor para assuntos internacionais da campanha eleitoral de Lula, Giancarlo Summa, afirma em nota oficial que o partido nada tem a ver com as Farc e que o Foro de São Paulo é apenas ‘um foro de debates, e não uma estrutura de coordenação política internacional’.

· 1º de março de 2003: O governo petista estende oficialmente seu manto de proteção sobre as Farc, recusando-se a classificá-las como organização terrorista conforme solicitava o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

· 24 de agosto de 2003: O comandante das Farc, Raul Reyes, informa que o principal contato da narcoguerrilha no Brasil é o PT e, dentro dele, Lula, Frei Betto e Emir Sader.

· 15 de março de 2005: Estoura o escândalo dos cinco milhões de dólares das Farc que um agente dessa organização, o falso padre Olivério Medina, afirma ter trazido para a campanha eleitoral do sr. Luís Inácio Lula da Silva. O assunto é investigado superficialmente e logo desaparece do noticiário.

· 2 de julho de 2005: Discursando no 15º. Aniversário do Foro de São Paulo, o sr. Luís Inácio Lula da Silva entra em contradição com a nota de 17 de outubro de 2002, confessando que o Foro é uma entidade secreta, ‘construída para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política’, que essa entidade interferiu ativamente no plebiscito venezuelano e que ali, em segredo, ele próprio tomou decisões de governo junto com Chávez, Fidel Castro e outros líderes esquerdistas, sem dar ciência disto ao Parlamento ou à opinião pública.

· 9 de abril de 2006: O chefe da Delegacia de Entorpecentes da PF do Rio, Vítor Santos, informa ao jornal O Dia que “dezoito traficantes da facção criminosa Comando Vermelho — entre eles pelo menos um da Favela do Jacarezinho e outro do Morro da Mangueira — vão periodicamente à fronteira do Brasil com a Colômbia para comprar cocaína diretamente com guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os bandidos são alvo de investigação da Polícia Federal. Eles ocuparam o espaço que já foi exclusivo de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar”.

· 12 de maio de 2006: O PCC em São Paulo lança ataques que espalham o terror entre a população. Em 27 de dezembro é a vez do Comando Vermelho fazer o mesmo no Rio de Janeiro.

· 18 de julho de 2006: O Supremo Tribunal Federal, sob a pressão de um vasto movimento político orquestrado pelo PT, concede asilo político ao falso padre Olivério Medina, agente das Farc.

· 16 de maio de 2007: O juiz Odilon de Oliveira, de Ponta-Porã, divulga provas de que as Farc atuam no território nacional treinando bandidos do PCC e do Comando Vermelho em técnicas de guerrilha urbana.

· 12 de fevereiro de 2007: As Farc fazem os maiores elogios ao PT por ter salvo da extinção o movimento comunista latino-americano por meio da fundação do Foro de São Paulo.

· Agosto de 2007: Nos vídeos preparatórios ao seu 3º. Congresso, o PT admite que seu objetivo é eliminar o capitalismo e implantar no Brasil um regime socialista; e fornece ainda um segundo desmentido à nota de Giancarlo Summa, ao confessar que o Foro de São Paulo é ‘um espaço de articulação estratégica’ (sic).

· 19 de setembro de 2007: Lula oferece o território brasileiro como sede para um encontro entre Hugo Chávez e os comandantes das Farc.” [5]

Discurso de Lula na celebração de 15 anos do Foro

Este discurso é, segundo Olavo de Carvalho, “a confissão explícita de uma conspiração contra a soberania nacional, crime infinitamente mais grave do que todos os delitos de corrupção praticados e acobertados pelo atual governo; crime que, por si, justificaria não só o impeachment como também a prisão do seu autor”:

“Em função da existência do Foro de São Paulo, o companheiro Marco Aurélio [Garcia] tem exercido uma função extraordinária nesse trabalho de consolidação daquilo que começamos em 1990… Foi assim que nós, em janeiro de 2003, propusemos ao nosso companheiro, presidente Chávez, a criação do Grupo de Amigos para encontrar uma solução tranquila que, graças a Deus, aconteceu na Venezuela. E só foi possível graças a uma ação política de companheiros. Não era uma ação política de um estado com outro estado, ou de um presidente com outro presidente. Quem está lembrado, o Chávez participou de um dos foros que fizemos em Havana. E graças a essa relação foi possível construirmos, com muitas divergências políticas, a consolidação do que aconteceu na Venezuela, com o referendo que consagrou o Chávez como presidente da Venezuela.

Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política.”

Ora, o resultado disso foi desastroso, pois hoje a Venezuela está nas mãos de uma ditadura socialista e, seu povo, enfrentando a fome e a escassez de recursos básicos, além dos assassinatos e perseguições políticas.

Uma pequena conclusão

Entre as ações coordenadas do Foro, não está apenas o levantamento de dinheiro, mas também as cartilhas de educação, de forma a uniformizar as consciências; a promoção da criminalidade; o desarmamento e a supressão das soberanias nacionais.

Assim, vale relembrar que a Constituição Federal ressalta inúmeras vezes que o Brasil é um país soberano e que qualquer interferência estrangeira na soberania da nação é ilegal, ou seja, a participação do PT no Foro já seria motivo para impeachment nos anos anteriores, extinção de diversos partidos e a prisão de diversos políticos, como o Sr. Lula. Vejamos alguns trechos da CF:

Dos Princípios Fundamentais:

“Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I – a soberania;”

Dos Partidos Políticos:

“Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:

[…]

II – proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes;”

Da Ordem Econômica e Financeira:

“Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:

I – soberania nacional;”

Por fim, acima estão alguns artigos básicos da Constituição, posto que há, também, inúmeras sessões do Código Penal e Leis que preveem os crimes contra a soberania.


[1] Veja – Conheça o Foro de São Paulo, o maior inimigo do Brasil

[2] “O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial”, De Paola, Heitor. 2ª Edição, Editora Observatório Latino, 2015, p. 155.

[3] “O Foro de São Paulo”, Salgueiro, Graça. 1ª Edição, Editora Observatório Latino, 2016, p.20. Disponível em Livraria Pius

[4] Folha de São Paulo – ”As Farc têm todo o tempo do mundo”, diz comandante

[5] O perigo sou eu – Olavo de Carvalho

Escritor, pesquisador e cientista político, estudou Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Políticas na UNINTER. É autor do livro “Perdão e Penitência” e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2014. Atualmente, é colunista no Estudos Nacionais.

Quem são e o que representam os presidenciáveis de 2018 para o Brasil de sempre

Bolsonaro e Lula são antagônicos porque representam algo de verdadeiro sobre o Brasil. Para ambos os lados, um representa o melhor e o outro, o pior. Dória e Huck, assim como Serra, Aécio, junto da maioria das opções apresentadas ao longo de nossa história, representam a doce mentira sempre usada para disfarçar nossa verdadeira face. Não há coisa mais insuportável para o brasileiro do que contemplar sua face no espelho.

A despeito do que tantos dizem e se perguntam sobre quem é o brasileiro, desde os patriarcas do Império, passando pelos tradicionalistas que se opunham aos modernistas de 1922, somos apenas portugueses com algo de franceses. Um pouco de América Latina ainda nos faz falta. Mas a nossa índole concreta tem pouco a ver com o Brasil que a mídia nos apresenta e nos ensina, que fomos ensinados inclusive a amar, desde o Estado Novo e a bossa nova. O país do novo, porém, sempre alegre e saltitante, tem mais da depressiva bossa nova do que dos alegres carnavais. A imagem de um palhaço triste na sarjeta combina melhor as duas nações que se digladiam dentro de nossas esperanças políticas. Brasileiro, como o português, resume-se num triste fado (ou tango), cuja lamentação nunca cessa e entorpece uma alegria fingida e tímida, em um otimismo falso que disfarça a profunda desilusão com este mundo. Digo isso para introduzir o entendimento da natureza verdadeira da nossa mentira e da nossa hipocrisia.

Toda campanha presidencial precisa pintar um líder, um guia da nação, um brasileiro típico, algo que pressupõe uma imagem da nação. Historicamente, essa imagem sempre foi um resumo de nosso próprio conflito: a resposta para a desilusão só pode ser uma solução total, final e triunfante. Mas se o triunfo não pode esperar, deveria ser preciso defini-lo. Mas uma definição nos poria no caminho de um realismo filosófico oposto ao oportunismo dos vendedores de soluções, que se nutrem da esperança e do sonho, marcas do nosso romantismo. Seja a vassorinha que vai varrer a sujeira (nem que seja para debaixo do tapete) ou o caçador de marajás, o romantismo ibérico se nutre de utopias estáticas e fora do tempo, cuja fronteira com o real se pode empurrar indefinidamente para a frente.

O suposto mito do conservadorismo português, que temeroso da entrada das ideias iluministas na colônia, empenhou alguns esforços contra a instalação de universidades por aqui, não é de todo infundado. Tem a seu favor não só uns tantos livros de história, mas a própria inexistência do pensamento reflexivo, o que os monarquistas militantes creditam somente ao monstro republicano. Ao baixo nível de instrução, some-se o sentimentalismo do nosso povo, ao mesmo tempo dócil e varonil.

Com uma vitória indefinida, o sentimentalismo de um país romântico e sem instrução só pode se fixar na emoção mais forte, o que evidentemente varia conforme os tempos, a estação do ano ou a lentidão do trânsito.

Nossos presidenciáveis sempre se dividiram entre dois tipos básicos de promessas: a do fim da corrupção e a do início do reinado do progresso

Assim como uma grande parte dos presidentes do século XX, Lula chegou ao poder prometendo o fim definitivo da corrupção e da concupiscência. Com o apoio da Igreja Católica, apelando ao moralismo da indignação, o Partido dos Trabalhadores apenas utilizou um mecanismo consagrado. A esquerda brasileira teve o mérito de compreender melhor a essência do brasileiro, enquanto a direita apenas obedecia os estímulos naturais. O conservadorismo nacional, como dito por Paulo Mercadante, é o da conciliação, do arranjo artificial dos poderes, em um país tradicionalmente comandado e dirigido pelas elites que dominam (ou usurpam) o Estado. O patrimônio nacional, da união, como propriedade do rei, do monarca, é sagrado, como o seu direito. Raymundo Faoro não nos deixa dúvidas quanto à tradição portuguesa monárquica no entendimento da propriedade, no Brasil. Tudo pertence ao Estado, portanto, tudo é sagrado assim como o Estado. Tudo pode e tudo nos convém, mas o roubo do dinheiro público merece a pena de morte.

Essa esquerda que se tornou o próprio estamento burocrático a pretexto de combatê-lo, desaprendeu, com o poder, a agir na realidade, porque acreditou na mentira midiática dos direitos infinitos e, assim, perdeu o fio que o conectava ao povo, à sua base popular. Mas Lula, com a força da sua personalidade, não representa a esquerda, mas o Brasil. Sua personalidade transmite algo de verdadeiro no brasilianismo: a sua malícia e ao mesmo tempo sua indignação emotiva e moral contra a injustiça. Assim como Bolsonaro.

Jair Bolsonaro representa o Brasil de sempre, aquele país que é comandado, não pela força da personalidade, mas pela personalidade de força. A força da ordem e do progresso é amalgamada na força da indignação. A indignação contra o “roubo do país” perpetrado pelo PT, a desilusão com Lula. A opção Bolsonaro tem a mesmíssima motivação da opção Lula de décadas atrás. Ambos pareciam opções radicais e absurdas à primeira vista, o que foi sendo modificado pelas contingências da situação atual. Ambos representam a imagem tipicamente brasileira e não oferece qualquer ameaça ao intelecto o brasileiro médio. Como lembra Olavo de Carvalho, o ódio do brasileiro ao conhecimento o faz partidário de qualquer pessoa cuja inteligência não o humilhe suficientemente para tornar o eleitor menor que o eleito. “Se ele, que é simples, pode, então eu posso me achar alguma coisa”. Como vemos, a tristeza depressiva e portuguesa do brasileiro não chega a ter o charme de um fado.

Ciro Gomes também simboliza essa natureza brasileira, embora de maneira mais ideológica. Mas é em Dória e Luciano Huck (surgido como opção de emergência), que aparece a cara da mentira midiática sobre a essência tupiniquim. A sugestão de Huck, logo descartada, provavelmente diante da percepção da impopularidade, demonstra justamente o desespero da tentativa de manutenção da mentira. Isso não significa, porém, que rumamos  ao reino da verdade. A mentira tem a perna curta, mas nunca cessa de dar os seus pulinhos.

Cultura brasileira na mídia: a cara do Brasil

Tanto Dória quanto Huck representaram, na verdade, tentativas de impedir o levante de Lula ou de Bolsonaro, justamente por estes representarem o desmoronamento das imagens erguidas sobre o país. Engana-se quem crê que a mídia foi, alguma vez, de fato, lulista. A mídia apenas exerceu seu tradicional papel conciliador com o poder. A imagem de Lula nunca foi agradável aos analistas políticos, embora corroborasse parte da imagem do brasileiro coitadinho que sempre se tentou fazer. Mas o coitadinho é uma imagem real usada e abusada pelas elites tipicamente brasileiras, mas que cataliza uma parte importante da essência do brasileiro. A imagem do brasileiro batalhador, alegre e de bem com a vida, popularizada hoje em dia pela Globo, é oposta ao coitadismo. Dória é o representante do que o brasileiro gostaria de ser, de como a mídia o pinta. Do mesmo modo, Huck é o Brasil Mulambo, do Esquenta, do espetáculo da pobreza, do palhaço e do caldeirão da alegria, que ajuda o pobre para mostrar que tem uma personalidade solidária, mas não sofre, não é pobre e é exemplo. É a diversidade das soluções para satisfazer o desejo brasileiro pelo pai dos pobres, o salvador da pátria.

Dória é o Brasil norte-americano, do empreendimento e da eficiência, algo que Ciro tenta utilizar com cara esquerdista. Bolsonaro é o Brasil da ordem e do progresso, do petróleo e do nióbio, país rico e soberano, braço forte e mão amiga! O inimigo agora é outro: a corrupção tomou a cara do socialismo e vice-versa. Mas a sua personalidade encanta o Brasil com a sinceridade e espontaneidade do seu jeito de falar. Apesar da personalidade cativante, para alguns, Bolsonaro conta com um contexto bem mais favorável em um país sensível às próprias emoções do momento. O contexto que Lula precisa pintar é o do golpe, do avanço da direita, algo compartilhado apenas pela esquerda, uma parcela muito pequena da população. Para a grande maioria, a única força de Lula é sua personalidade brasileira. Por isso, as opções para a esquerda estão acabando, fazendo-os retomar seus métodos tradicionais.

A luta contra um governante que encarne, de alguma maneira, a natureza do brasileiro (para o bem ou para o mal), motiva todo tipo de estratégia, buscando substitui-lo pelas opções que dialoguem com o mundo e suas novas utopias.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Redações em espiral: a sociologia do jornalismo

Em uma época em que o reforço psicológico, a auto afirmação, fazem as vezes de valores morais, não há maior apóstolo da credibilidade jornalística do que o próprio jornalista. Ele é, portanto, a vítima mais indefesa e mais submetida às forças psicológicas que se distribuem pela sociedade contemporânea. E, portanto, a quem menos se deve dar crédito.

Toda a vida moderna gira em torno da socialização, do afago a egos cada vez mais sedentos de confirmação, autoimagens hiper sensíveis e à beira do pânico diante da possibilidade de rejeições, medo do isolamento que representaria a morte social. O autoengano, neste sentido, torna-se uma prática diária de sobrevivência. O sociólogo David Riesman diagnosticou esse fenômeno em sua obra A multidão solitária, publicado na década de 1950, no qual destacava a ascensão de um novo caráter social que chamou de alterdirigido, isto é, dirigido pelo outro. Desde a época das suas primeiras observações a respeito, o foco no ambiente social aumentou drasticamente. Hoje, ninguém pode estar totalmente imune ao juízo público. Nas palavras da politóloga Elisabeth Noelle-Neumann, quem mostra-se indiferente à opinião pública é ou um louco ou um santo.

Se estamos todos individualmente submetidos a essa pressão latente, um dos principais veículos responsáveis por disseminar a homogeneização das opiniões e crenças é a grande mídia, representada especificamente pelos meios noticiosos ou pretensamente informativos. Esses meios possuem, eles próprios, um ambiente no qual são produzidas as informações como atividade profissional, mas também social. Assim como nas ruas, nas repartições, no ponto de ônibus, na fila do banco ou no caixa do supermercado, as redações dos jornais fornecem um ambiente social especialmente fértil à transmissão de comportamentos e condutas imitativas. O jornalista está sujeito às mesmas forças que o restante da opinião pública, mas carrega consigo muito mais motivos para depositar credibilidade no seu próprio trabalho, pelas mesmas razões psicológicas presentes no restante da sociedade: a auto-afirmação, o desejo mimético de pertencimento à classe dos informadores e a solidariedade da categoria. Mas há algo mais.

Universidade: onde tudo começa

Formado por pessoas oriundas das universidades, locais em que hoje vigora o vício em álcool, drogas como maconha e opiniões superficiais, o jornalista chega à redação com crenças tanto mais firmes e convictas quanto menos fundamentadas em fatos ou experiências. O ambiente universitário, especificamente o do jornalismo, fundamenta-se na disseminação de uma imagem de sociedade que independe de experiências ou vivências reais. Pelo contrário: toda experiência real deve, por força e pressão do pertencimento à nova classe, ser moldada e ressignificada dentro das categorias presentes na imagem ideológica de sociedade que foi aprendida em sala de aula. E a força persuasiva dessa imagem não está de forma alguma na força dos seus postulados, no rigor da observação, tampouco na credibilidade intelectual ou pessoal do professor. A maior força de persuasão está no próprio compartilhamento das crenças pelos membros do grupo, uma vez que isso fortalece, não a crença ou conjunto de crenças em si mesmos, mas o pertencimento do indivíduo àquela comunidade pretensamente pensante.

O fator catalizador das ideias e opções ideológicas e idealistas está, sem sombra de dúvida, na permanente e onipresente socialização a que o estudante universitário se vê submetido desde a entrada às portas daquilo que crê ser o “templo do conhecimento”. Hoje as universidades estão rodeadas de bares e cervejarias, bem o contrário do que um ingênuo observador poderia supor ao imaginar um campus circundado por livrarias, cafés e museus. A vida universitária de nossas cidades foi, já há algumas décadas, reduzida àquilo que antes era reservado aos estratos mais baixos da vida urbana, às periferias não apenas geográficas mas morais. O mundo ordinário do estudante há muito deixou de ser o das letras e das artes para precipitar-se à mais baixa escala de existência. Uma mudança deste tipo, de graves consequências para milhares de vidas individuais, não pode ser deixado de fora quando tentamos compreender o conteúdo abjeto de notícias advogando crimes como pedofilia, uso de drogas e assassinatos. Também não nos deve impressionar uma decadência deste tipo.

Cada vez mais estudos apontam para uma verdadeira epidemia de depressão e ansiedade em estudantes universitários. Até mesmo casos de esquizofrenia e surtos psicóticos não são raros. A exposição a drogas e socialização constante produz evidentemente um aumento nos níveis de ansiedade e demandas maiores por atividade social, o que no meio universitário é facilmente confundido com estudo, atividade social, ativismo e uma gama de coisas vistas hoje somente em seu caráter positivo.

A redação

Chegada a formatura, o jornalista recém formado se crê no direito de ser contratado pelos jornais proeminentes e, tão logo o consiga, sabe que tem o dever de transformar a sociedade naquilo que seus professores o ensinaram. Mas, chegado ao ambiente social da redação, tudo muda. Até mesmo o idealismo universitário pode ser deixado de lado em nome da adaptação social ao novo grupo. O chefe, o colega, os “famosos” da redação, os exemplos dos quais todos falam, aquele repórter premiado que passa na redação distribuindo brincadeiras íntimas sem, no entanto, aceitar muita proximidade. O recém chegado adoraria ser amigo dele. Eis o objetivo profissional inicial e imediato. Tão logo se tornar aceito e integrante daquelas brincadeiras, será notado pelo editor-chefe. Este é o critério inicial e a demora ou incapacidade de perceber isso pode representar a ruína ou o ostracismo editorial: ser relegado à diagramação ou a algum outro setor já previamente estigmatizado como depósito de inúteis sociais. O inútil social é alguém que não foi capaz de conquistar o sorriso do chefe (ou dos colegas que o fizeram) ou não atraiu para si qualquer interesse ou simpatia, o que indicaria a submissão às ordens dadas sempre em tom de confiança. Ordens estas que significam obviamente opções muito claras em direção a políticas editoriais vindas de cima. Em suma: todos precisam demonstrar afabilidade e flexibilidade extremas, que beiram o puxa-saquismo e a tolerância com humilhações, para comprovar a sua utilidade a um sistema de obediência absurdamente rígido, mas que aparenta ser apenas um jogo social necessário ou inevitável.

O problema por trás do que chamamos muito genericamente de “militância esquerdista nas redações”, não é uma questão ideológica. O que viabiliza toda a transmissão de ideias é, na verdade, a submissão psicológica, a dependência social em que indivíduos são cooptados não em nome de ideais, mas da sua sobrevivência social e profissional. Uma minoria dos jornalistas e repórteres possuem crenças fixas e convictas. A grande massa disforme de profissionais está apenas sujeita a uma rede de ameaças emocionais que forma um sistema psicótico de produção de histéricos em série. Nada disso pode ser possível sem aquela dependência longamente construída na universidade, regada a muito álcool, drogas e uma vida moral pautada pela imitação de comportamentos, incrementos à hipersensibilização, distanciamento da realidade e confusão entre realidade e mundo social abstrato.

Imagem: “O mundo é governado pela opinião”. Gravura publicada em 1641, representando a opinião pública regada pelos jornais, comandada pelo governante.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Cura para o fake news: como funciona a guerra da informação

Manchetes da última semana chegaram a contradizer objetivamente a realidade, dando exemplo de uma manipulação intencional e ideológica contra a atividade profissional dos psicólogos e, principalmente, às custas do sofrimento de seus pacientes. O que o jornalismo tem a ver com isso?

A grande mídia brasileira foi responsável, nessa semana, por mais um episódio do grande ‘case de fake news‘: a chamada”cura gay”. A expressão surgiu há alguns anos para caracterizar o projeto de lei que possibilitava o tratamento psicológico de homossexuais que desejassem deixar de sê-lo, o que vinha sendo proibido por órgãos como o Conselho Federal de Psicologia, sob acusação de preconceito. O assunto morreu por algum tempo, enquanto o projeto permanece parado. Voltou a partir de uma ação popular impetrada contra o CFP, e da liminar de um juiz permitindo o tratamento de homossexuais que tivessem interesse.

Mas na última semana, as manchetes chegaram, em diversos casos, a contradizer objetivamente o que de fato ocorreu, mostrando claramente, como que em um exemplo didático, como é feita a guerra da informação por meio do fake news.

O tratamento dado pela mídia acaba sendo um preconceito com as pessoas homossexuais que se encontram em estado de sofrimento com a sua condição. Em nome de uma agenda de “orgulho gay”, a imprensa age de modo irresponsável promovendo mais sofrimento a essas pessoas e negando-lhes o direito de serem tratadas como gostariam.

A alegação central, manifestada em muitos títulos e manchetes da mídia, acusa a decisão de considerar o homossexualismo uma doença que precisa ser curada. Esquecem que quem falou em “cura” foram eles, justamente na tentativa de acusar quem quer que falasse no assunto de preconceituoso. Uma manobra que revela o modo de ação das milícias ideológicas espalhadas pelas redações.

Vejamos os títulos das matérias de cada grande jornal, lembrando que o título é um excelente termômetro do viés midiático, uma vez  que ele permite discernir o tom e a ideia central que o veículo quer imprimir na mente do público.

O tempo – Justiça Federal permite tratar homossexualidade como doença
Veja – Justiça permite tratar homossexualidade como doença
G1 – Justiça gera polêmica: permite tratar homossexualidade como doença
Folha – Justiça concede liminar que permite tratar homossexualidade como doença
F5 – Famosos se manifestam contra a decisão de tratar homossexualidade como doença
Estadão – Juiz libera cura gay por psicólogos

O uso do termo “cura gay” também foi encontrado em diversos veículos, tentando passar a ideia de que a decisão judicial seria preconceituosa e discriminatória:

Época(Globo) – Cura gay: “Reorientar gays é como embranquecer negros contra o preconceito”, diz psicólogo
Correio Braziliense – Ex-alunos de juiz que permitiu cura gay criticam posicionamento do docente

Mas o que diz a decisão do juiz?

O juiz teve o cuidado de declarar em sua decisão que: “a homossexualidade constitui variação natural da sexualidade humana, não podendo ser, portanto, considerada como condição patológica” (grifo nosso).  Portanto, a decisão judicial que motivou o fenômeno midiático, começa mostrando claramente que NÃO cabe falar em “cura gay” ou “homossexualidade enquanto doença”.

A ação foi movida para atender o anseio de pessoas que são homossexuais ou estão confusas e desejam ter auxílio psicológico. Contudo, devido a uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), os psicólogos estavam impedidos de auxiliar esse pacientes.

Por isso, a decisão judicial foi enfática e pontual ao deliberar que não se pode “privar o psicólogo de estudar ou atender àqueles que, voluntariamente, venham em busca de orientação acerca de sua sexualidade, sem qualquer forma de censura, preconceito ou discriminação”. Ou seja, a decisão visa dar um direito aos homossexuais que desejam ter esse tipo de tratamento.

Apesar disso, a esmagadora maioria das manchetes, no início dessa semana, dizia o contrário. Como é o caso da matéria da Exame, no dia 18, redigita como: Justiça do DF permite tratar homossexualidade como doença

 

Artilharia de Fake news perde terreno e dá o braço a torcer

Após gerar grande polêmica na internet, muitas pessoas foram até a decisão judicial e perceberam que a mídia estava forçando a barra. Até mesmo gays, ex-gays e transexuais se manifestaram na internet mostrando que as manchetes estavam completamente fora de contexto. Assim, alguns dias depois do estouro das manchetes, começaram a surgir matérias em grande sites de notícia amenizando o tom e contando com alguma objetividade.

Exame (21/09): Juiz diz que decisão não trata homossexualidade como doença
UOL (21/09): Juiz que autorizou “cura gay” diz que decisão teve interpretação “equivocada”
Diário de Pernambuco: ‘Cura gay’: Juiz afirma que em ‘nenhum momento’ considerou homossexualidade como doença

Fake News e guerra informativa

O funcionamento da mentira, no jornalismo, conta com uma excelente estrutura de justificativas. Os jornais se sentem muito à vontade para afirmar que reportaram “a primeira impressão” e, com isso, repercutir a parte mais sensacionalista, isto é, mais apelativa de um fato. Depois, feito o estrago, trata de aprofundar a questão, dando ares de objetividade e análise crítica. Obviamente, o efeito disso é que, na segunda fase, o público já perdeu o interesse pelo assunto, ficando apenas a sensação inicial, do escândalo da primeira impressão. Esse processo formata, na opinião pública, uma imagem do fato e dos envolvidos, um estereótipo, como diria Lippmann, que em futuras referências ao tema, voltará com toda a força, motivado pela necessidade de simplificação dos personagens e fatos.

Daqui há seis meses, quando por algum motivo os jornais voltarem ao assunto, os leitores recorrerão à imagem mais simplificada da questão, motivados a encaixá-la em um novo episódio da narrativa dada, e não à expressão mais complexa e objetiva do final da cobertura, que seria mais difícil articular. A simplificação, como vemos, é a chave da manipulação e gera uma adequação do leitor à mensagem simplificada e estereotipada, o que facilita todo o processo.

É fácil, portanto, justificar tudo isso como sendo parte da atividade jornalística, o que de fato é verdade. Isso porque os jornalistas internalizaram a técnica e o processo e conseguem usá-lo para os fins da sua agenda ideológica e gostos particulares.

As agendas internacionais se tornaram pauta jornalística garantida desde o final dos anos 1990, quando a atividade jornalística precisou do aporte financeiro do chamado Terceiro Setor, vendo-se refém não mais de venda de produtos dos seus anunciantes, mas da venda das ideias da rede global de ONGs pelo mundo. É o que chamam globalização da comunicação.

 

Colaborou: Marlon Derosa

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

Influência islâmica no governo Temer preocupa diante de ataques em SP

A bomba da última terça-feira (2) preocupou os brasileiros. O ataque de muçulmanos a manifestantes, evento que foi tratado pela mídia como uma mera briga entre críticos à nova Lei de Migração e imigrantes palestinos, no centro de São Paulo, acendeu um alerta sobre a presença dos muçulmanos no país. Há alguns anos, ações no centro de SP e em diversas capitais já chamam a atenção da população. Assim como em outros pontos do país, crescem conversões à religião de Maomé.

Mas a atividade islâmica pode ter recebido mais um estímulo importante com a entrada do novo secretário de Assuntos Estratégicos da presidência, Hussein Kalout, que é presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (FAMBRAS).

À frente da Federação, Hussein dá cursos e palestras sobre o mundo islâmico e a sua presença no Brasil. Atuava como especialista em Oriente Médio em colunas no jornal Folha de SP e concedeu muitas entrevistas e conferências sobre o tema.

Com a sua nomeação, em fevereiro deste ano, o projeto islâmico conta agora com apoio governamental. A FAMBRAS difunde a cultura islâmica desde 1979 no Brasil. Mas com seu presidente ocupando a pasta dos Assuntos Estratégicos, suas ações poderão alcançar uma maior abrangência.

Em março deste ano, a entidade se reuniu com o Ministério da Educação para apresentar sugestões e ações afirmativas em benefício da população islâmica no país. Na oportunidade, foi apresentado o projeto de construção do ALNUR – CENTRO DA CULTURA, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA CIVILIZAÇÃO MUÇULMANA, que segundo a FAMBRAS, contribuirá na “civilização muçulmana no Ocidente” por meio de um curso oferecido pela entidade intitulado “Mundo Islâmico”. Foi proposto que o Ministério da Educação leve seus representantes ao curso em 2017. Para isso, um programa com dados da última edição do curso foi entregue ao Ministro.

As conversões

As conversões ao islamismo no Brasil têm crescido nos últimos anos. Segundo o sheik Rodrigo Rodrigues, que conduz as orações na mesquita no centro da capital paulista, as conversões de brasileiros ao islamismo têm se tornado mais frequentes. “Acho que todo sábado duas ou três pessoas se convertem aqui. Nós não registramos, porque acreditamos que a conversão é pessoal e espontânea”, disse à BBC Brasil.

O Censo 2010 do IBGE falava em cerca de 30 mil praticantes da religião no país, mas a Fambras estima que o número tenha saltado de 600 mil em 2010 para entre 800 mil e 1,2 milhão de fiéis em 2015.

A maior parte dos brasileiros, segundo o sheik paulistano, busca informações a partir de relatos da imprensa sobre conflitos envolvendo países de maioria muçulmana. “Elas querem saber o que é o islã, quem era Bin Laden, o que é Charlie Hebdo (revista francesa que, em janeiro, teve vários funcionários assassinados em ataque extremista). E quando leem algo sobre o islamismo e escutam os muçulmanos, pensam ‘pô, não é nada disso que eu imaginava. E acabam se convertendo'”, afirma.

Com a chegada de mais imigrantes de origem muçulmana ao país nos últimos anos, vindos de países como Síria, Líbano, Nigéria e Gana, romances com estrangeiros também atraem brasileiras curiosas aos centros islâmicos.

O que é a FAMBRAS

A Fambras foi fundada em 1979 por Hajj Hussein Mohamed El Zoghbi. À época, os mais importantes líderes de associações muçulmanas do país se reuniram em Brasília, e manifestaram total apoio para a criação de uma entidade que se comprometesse com o fortalecimento e unificação de suas instituições. A maior preocupação da Federação era ajudar a manter vivas as práticas do Islam.

Desde então, a FAMBRAS atua no âmbito religioso, social, econômico e diplomático. Dentro destas esferas, a instituição desenvolve projetos para a divulgação do Islam, ações educacionais e assistenciais, tanto em benefício da comunidade muçulmana quanto das comunidades carentes do Brasil.

A entidade foi primeira a implantar o conceito e o sistema halal no país (sistema de abate de animais segundo a Sharia, lei islâmica). Em 1981, após uma visita do ministério Awkaf do Egito e da Liga Muçulmana, sediada em Meca, a FAMBRAS passou a estruturar esse mercado no Brasil. Hoje o mundo sabe que o Brasil é o maior exportador de carne de frango e bovino halal do mundo. Somente por meio desse sistema de abate e tratamento alimentar foi possível, ao Brasil, exportar alimentos ao mundo árabe.

A organização possui sólidas parcerias com entidades islâmicas internacionais, que auxiliam direta e indiretamente, disponibilizando bolsas para o Hajj, cursos em países islâmicos, fazendo a impressão dos livros distribuídos nos Dawas, no Brasil, colaborando na doação de alimentos para o Iftar das mesquitas etc. Foi através dessas parcerias que, ao longo de sua trajetória, a FAMBRAS intermediou a construção de 37 mesquitas no país.

Hoje, a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil se configura como a mais importante referência sobre o islamismo no país, e um dos principais modelos em certificação e difusão do conceito halal no mundo.

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

maduro anuncia nova constituinte golpe socialista

Maduro convoca Assembleia Constituinte chavista

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro anunciou nessa segunda-feira (01/05) a formação de uma Assembleia Constituinte para “reformar o Estado e redigir uma nova Constituição”.

Para oposição, a constituinte é a consumação do golpe de Estado contínuo de Maduro.

Segundo o governo, a Assembléia Constituinte será composta por 500 membros. Dos 500 membros, 200 a 250 deverão ser membros eleitos pela classe trabalhadora, informou o governo, embora sem mais detalhes sobre esse processo eleitoral. Até o momento não foi informada a data prevista para esta eleição.

Maduro exigiu dos apoiadores para que seja constituída “uma maioria chavista” neste processo. Informou que será uma “constituinte chavista”.

Atualmente a Venezuela já adota o modelo de conselhos comunitários e com esta constituinte o governo pretende dar maior poder a esses conselhos. A oposição alega que os conselhos são parte da manipulação que dá amparo às medidas anti democráticas de Maduro, uma vez que os conselhos são em maioria movimentos que apoiam o governo de forma irrestrita.

Os conselhos comunitários são a máxima expressão do socialismo e comunismo no século XXI.  Os mesmos instrumentos utilizados na Revolução Francesa e na União Soviética (os famosos Sovietes).

A ideia conceitual dos conselhos comunitários parece trazer democracia, mas a história tem mostrado que fazem parte de um processo de manipulação que visa legitimar ditadura. Os conselhos dizem representar a comunidade mas são manipulados de cima para baixo por poucos grupos.

 

Conselhos comunitários no Brasil

Em 2014 a presidente Dilma tentou inserir os conselhos comunitários por meio de um decreto. Chamado de decreto bolivariano, o Decreto 8.243 foi porém, rejeitado pelo Congresso naquele ano. Os deputados na época alegaram que os conselhos comunitários caracteriza uma invasão de competência.

O Decreto vetado consistia em estabelecer que órgãos da administração federal abrigassem estes conselhos, como “representantes de sociedade civil”. Metade dos membros destes conselhos, no decreto brasileiro, seria indicado pelo governo federal. A outra metade por ONGs e sindicatos (muitas vezes, ligados ao governo petista).

A tentativa de aprovação dos conselhos comunitários ocorrida em 2014 pode ser considerada na história recente do país a maior investida contra democracia, mas que, graças a voz do congresso, foi barrada.

Informações

2017 – Maduro convoca assembleia constituinte na Venezuela – Folha UOL

2014 – A utopia dos conselhos comunitários da venezuela

2014 – O decreto bolivariano de Dilma – Veja

2014: Oito Partidos pressionam para barrar Decreto sobre Conselhos Populares – O Globo

 

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

Atos violentos de uma greve que não afetará reformas

A greve geral, convocada pela CUT para esta sexta-feira (28) não teve tanta adesão como esperavam os organizadores. Movimentada pelas centrais sindicais, com o apoio de diversos movimentos de esquerda, o objetivo era literalmente “parar o país”, o que de fato não ocorreu da forma como queriam. A pauta é a oposição às reformas trabalhista e da Previdência, que estão para ser aprovadas pelo governo. Para os sindicalistas, um dos pontos críticos das propostas é o fim da contribuição sindical obrigatória, o que provavelmente imporá mudanças na estrutura sindical do país.

Embora em alguns lugares, o trânsito tenha sido interrompido, isso ocorreu por meio de interrupções forçadas com pneus queimados, e não pelo excesso de manifestantes, que preferiram usar da sua truculência habitual para impor à população a sua vontade de poder. Em muitos estados foram registrados atos violentos por parte de movimentos sindicais durante a paralisação. No aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, pessoas que tentavam embarcar foram agredidas fisicamente por manifestantes. Estradas e acessos urbanos foram bloqueados. Na USP, houve confronto com a PM.

Além do governo, especialistas afirmam que nada mudará com tais atos. As reformas sofrerão poucas mudanças, se sofrerem. Tudo vai depender do arranjo feito no Congresso com os parlamentares. Há consenso entre muitos analistas sobre a viabilidade e a necessidade de tais reformas, de modo que atos violentos apenas demonstram que os opositores mantém as mesmas respostas para todas as questões, sem apresentar soluções e negando-se a acreditar nos dados apresentados não só pelo governo, mas por diversas entidades. Isso porque, para os manifestantes, o ideal é “quebrar a máquina”, pois a máquina é o capitalismo. É preciso gerar a crise do capitalismo para que ganhe a causa socialista.

Estratégia da data favorável

A estratégia utilizada pelos movimentos foi a de abranger toda a população utilizando uma data próxima a um feriado, produzindo um feriadão. O objetivo, com isso, era gerar a ilusão de uma maior adesão popular. Em algumas cidades, carros de som com poucas pessoas em torno chamavam a população a participar.

Do mesmo modo, a pauta bastante generalista e repleta de desinformação, cuidava para que quem quisesse ser visto como zeloso pelos direitos dos trabalhadores e dos mais necessitados, aderisse pelo menos em apoio formal, às pautas dos grevistas.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

reforma da previdencia rural

Reforma da previdência: trabalhador rural passa a ter auxílio doença com apenas 5% de contribuição

Marlon DerosaPesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.