Com aborto legalizado, clínicas ilegais ainda fazem metade dos abortos na África do Sul

A legalização do aborto não tem impedido que abortos ilegais e inseguros ocorram na África do Sul. Entidade médica estima que metade dos abortos são feitos em clínicas improvisadas.

Em Joanesburgo, é comum encontrar anúncios de clínicas de abortos nos postes e muros, com oferta de aborto clandestino fácil e com preço acessível. O Royal College of Obstetricians & Gynecologists estima que metade dos abortos na África do Sul são feitos em “clínicas” ilegais.

O aborto é legalizado na África do Sul desde 1996, sem qualquer restrição até o sexto mês de gestação. Após a 24ª semana de gravidez o aborto é permitido apenas se a vida da mãe ou do feto estiverem em risco.

No país o aborto legal é realizado em hospitais públicos e clínicas médicas privadas, regulamentadas. A rede pública porém não é capaz de atender a população nem mesmo nos procedimentos que visam dar a saúde física da população no tratamento de doenças e acidentes.  Moradores de regiões distantes das grandes cidades também sofrem por falta de acesso aos centros médicos.

Com 50% de abortos fora do sistema legal, as estatísticas de abortos na África do Sul indicam uma situação de calamidade.

Apenas com os números oficiais, vemos que entre 1991 a 1996, o número de abortos anuais variava entre 1.024 e 1.600. Em 1996, ano da legalização, o número subiu para 26.519, depois em 1997 chegou a 40 mil abortos. Desde 2004 são registrados mais de 80 mil abortos por ano, até 2014, último número de nossa apuração, em que o número foi de 89.126 abortos, dentro do sistema legal de abortos.

Se a estimativa então é que 50% ocorram de forma clandestina, o número total seria superior a 170 mil abortos ao ano.

Dilemas do aborto gratuito em países subdesenvolvidos

Fala-se muito no discurso pró-escolha, sobre a necessidade de se legalizar o aborto e fornecê-lo de forma gratuita e segura na rede pública de saúde.

Se em países como EUA já existem problemas nesta questão, imaginem em países em desenvolvimento como o Brasil ou com a realidade da África do Sul.

A África do Sul sofre com problemas graves de saúde pública. A malária e outras doenças contagiosas atacam a uma parcela significativa da população. No ranking da OMS, o sistema de saúde da África coloca o país na posição 182, da lista que contém 191 países. O Brasil está na posição 78, no meio da lista.

No Brasil, há filas de milhares de pessoas esperando para cirurgias, faltam leitos em hospitais, as filas são tão longas em algumas cidades que o paciente morre na espera. Também faltam medicamentos para as pessoas em diversos pontos do países, incluindo medicamentos de uso crônico em doenças de alta gravidade.

Na hora de optar pela compra de um medicamento para tratamento de doenças graves e os medicamentos abortivos, qual será a opção do estado? A escolha do estado será a de salvar a vida dos mais necessitados ou terminar com a dos menos desejados?

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Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.
obamacare presidente trump aborto

Fim do ‘ObamaCare’ corta US$ 390 milhões da indústria do aborto

Em vitória apertada a Câmara dos EUA revogou a lei chamada de ObamaCare nesta quinta-feira (4), com placar de 217 a 213.

Com a nova lei, a maior clínica de aborto dos Estados Unidos enfrentará uma baixa em investimentos estatais na ordem de $390 milhões de dólares. O orçamento total era $450 milhões, ou seja, 86% da verba governamental que Obama repassava a clínica foi cortado.

Polêmica sobre o ObamaCare

Institutos de pesquisa vêm analisando anualmente as questões polêmicas do ObamaCare, como o financiamento ao aborto para população mais pobre. Este financiamento vinha sendo feito de forma camuflada dentro das verbas governamentais que são repassadas aos planos de saúde financiar este tipo de procedimento em todo o país.

As alterações aprovadas nesta lei não revogam o ObamaCare, mas alteram elementos na política orçamentária.

Como funciona(va) na prática

Nos EUA não há objetivamente (ou teoricamente) um sistema público de saúde. Apesar de ser composto apenas por organizações privadas, o governo do EUA gasta em torno de 17% do PIB em financiamento ao sistema de saúde, por meio de subsídios. Há ainda as chamadas ‘clínicas populares’, que funcionam graças ao repasse de verbas governamentais. Sem um sistema público de saúde, o governo americano, em 2010, ficou em quarto lugar no mundo na lista dos países que mais gastam com saúde. Para efeito de comparação, no Brasil, após cortes de orçamento ocorridos em 2015 fechou o ano de 2016 com 9% do PIB comprometido com a saúde pública.

Os subsídios da saúde então, são verbas que o governo repassa aos hospitais, clínicas e médicos, para reduzir o custo final do serviço para os cidadãos americanos.

Nos EUA, os cidadãos contratam planos de saúde individualmente ou por meio do empregador, de forma semelhante aos planos privados aqui no Brasil. Há porém uma diferença. O ObamaCare tornou obrigatória a contratação de planos (ou seguros) de saúde por todos os cidadãos. Se não contratar, poderá pagar US$ 695 dólares de multa por adulto da família ou 2,5% de sua renda anual como multa. A multa aumenta todo ano.

O ObamaCare busca assim, desde sua concepção, controlar o mercado de planos de saúde e por meio de subsídios (recursos de pagadores de impostos) subsidiar as empresas para que o custo dos seguros saúde fiquem mais acessíveis para a população, considerando cada faixa de renda. Os subsídios são proporcionais, visando ajudar mais os que tem menos renda. Os planos de saúde recebem verbas governamentais e contribuições dos cidadãos, com ‘um financiamento misto’.

Financiamento público do aborto

Uma lei publicada em 1976 e ajustada em 1990, determina que não pode haver financiamento ao aborto e contracepção por meio dos recursos do governo. Afinal, os recursos governamentais são os recursos dos pagadores de impostos, incluindo pagadores de impostos que abominam a ideia do aborto e ‘contracepção’.

Com as regras do chamado ObamaCare, criou-se uma brecha. Foram criados categorias de planos de saúde especiais que operam fora desta regra, permitindo então cobrir os gastos dos hospitais e clínicas com medicamentos e operações para viabilizar abortos. Contudo, os recursos destinados para financiamento ao aborto tem sido camufladas em meio a grandes remessas de subsídio do governo para as clínicas, visando não alarmar a população e movimentos contra a prática.

A revogação desta lei corta quase que a totalidade do financiamento público para estes procedimentos.

Panorama geral sobre as mudanças

Como dito, a lei foi apenas alterada. Dentre as alterações destacam-se:

– fim da obrigatoriedade de todos os cidadãos em contratar um plano de saúde;
– permite que planos de saúde cobrem 30% a mais de pessoas que fiquem sem seguro saúde por dois meses ou mais, como uma forma de incentivo para que a população não abra mão dos seguros.
– redução de impostos e subsídios, que visam facilitar o acesso a jovens adultos.
– cobertura obrigatória: com a nova lei, seguradoras não podem recusar planos de saúde ou cobrar taxas extras para pessoas com histórico de doenças ou que não atendessem a determinados critérios prévios. Em 2016 o ObamaCare beneficiada 20 milhões de pessoas; com esta mudança a estimativa sobe para 50 milhões de pessoas até 2019.
– Aumento da faixa de renda para acesso ao “Medicaid”. Esta alteração aumenta o acesso aos seguros saúde para mais 15 milhões de americanos.
– Empresas com mais de 50 funcionários serão obrigadas a oferecer planos de saúde, sob pena de multa. Empresas menores também podem oferecer benefícios aos funcionários e ter benefícios fiscais como recompensa;

Por que ObamaCare?

Comentários finais:  é no mínimo estranho o governo ter um programa chamado ObamaCare. De fato este não é o nome correto, mas o nome pegou e o então presidente adotou como parte de seu marketing pessoal.

O Site Huffingtonpost.com é um dos tantos que não gostou nem um pouco e discorda do uso deste nome. O nome correto é Affordable Health Care Act. Apesar do ex-presidente Obama ter atuado como motivador da lei ele não a criou sozinho. E ninguém chama o Social Security Act de “RooseveltCare”.

O termo ObamaCare surgiu durante a proposta da lei como um termo pejorativo, cunhado pelos Republicados.  Contudo, conforme artigo do The Washington Post, Stephanie Cutter, RP da campanha de Obama entendeu que este termo poderia ser usado de forma positiva, como marketing pessoal de Obama. Para reforçar o marketing, as campanhas e também alguns veículos de comunicação usam o termo ObamaCare para números e fatos positivos sobre a regulamentação; e o termo correto quando divulgam informações neutras ou negativas.

Informações  e referências

Issue Analysis – Abortion Funding and Obamacare (2016 edition) – Charlotte Lozier Institute(FRC) and Family Research Council (CLI)

Como realmente funciona o sistema de saúde americano

Free Clinics – BPHC

ObamaCareAbortion.com

ObamaCareFats.com – contracepção e aborto e o ObamaCare

O Globo – sobre as alterações (2017)

Huffingtonpost.com

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.
ministro irlandes fecha centro de apoio a gestantes aborto

Aborto: Ministro Irlandês fecha centro de apoio a mulheres

O Ministro da Saúde da Irlanda fechou centro de apoio a gestantes, que ajudava a orientar as mulheres a terem seus bebês evitando abortos.

O centro de apoio a gestantes Human Life International (HLI), oferece apoio às gestantes por meio de aconselhamento psicológico e fornecimento de exames de ultrassom gratuitos às gestantes.

A acusação é de que estes centros de apoio fornecem “informações enganosas” sobre riscos para a saúde da mulher sobre o aborto e com isso estariam pressionam a mulher a ter seu filho.

As “informações enganosas” contam com diversos artigos científicos e evidências médicas que os amparam. O ministro da saúde da Irlanda rejeita aceitar estas pesquisas.

Um desses estudos, rejeitado pelos ativistas pró-escolha, foi publicado pela Associação Americana de Pediatria em 2015. No estudo, a Associação analisou evidências que apontaram fortes evidências da relação entre aumento de risco de câncer de mama e abortos induzidos.

Nesse caso, a Associação Americana de Pediatria usou, dentre outras técnicas de pesquisa, a meta-análises (metodologias de alto padrão de qualidade em pesquisa científica), comparou 36 diferentes estudos da área médica que demonstram haver evidências consistentes de que o aborto induzido está relacionado com o aumento no risco de câncer.

Em função disso a Associação Americana de Psiquiatria passou a recomendar que esta informação seja fornecida ás mulheres, para que decidam sobre sua gravidez de posse de informações e possíveis riscos às quais estarão expostas.

Informações:

Estudo Associação Americana Pediatria (em inglês)

Artigo LifeSiteNews (em inglês)

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.

CNBB emite nota “Pela vida, contra o aborto”

Brasília (Rádio Vaticana)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu uma nota nesta terça-feira (11/04) intitulada “Pela vida, contra o aborto”, na qual condena o movimento do Supremo Tribunal Federal que, atropelando o Congresso Nacional, procura legislar em favor da descriminalização do aborto.

Os bispos reafirmam a posição clara da Igreja “em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural” e, condena “todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil”.

A nota critica a ideia do “aborto seguro”, baseada no argumento da falta de condições adequadas para a realização de abortos. “É preciso assegurar às mulheres pobres o direito de ter seus filhos. Ao invés de aborto seguro, o Sistema Público de Saúde deve garantir o direito ao parto seguro e à saúde das mães e de seus filhos”, dizem os Bispos.

Os bispos ainda lembram que “A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis”.  E afirmam: “A sociedade é devedora da mulher, particularmente quando ela exerce a maternidade”.

A CNBB pede: “O Projeto de Lei 478/2007 – “Estatuto do Nascituro”, em tramitação no Congresso Nacional, que garante o direito à vida desde a concepção, deve ser urgentemente apreciado, aprovado e aplicado”. E conclama: as “comunidades a unirem-se em oração e a se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humana”.
Leia a Nota na íntegra:

 

PELA VIDA, CONTRA O ABORTO

“Não matarás, mediante o aborto, o fruto do seu seio”
(Didaquê, século I)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, através da sua Presidência, reitera sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural . Condena, assim, todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil.

O direito à vida é incondicional. Deve ser respeitado e defendido, em qualquer etapa ou condição em que se encontre a pessoa humana. O direito à vida permanece, na sua totalidade, para o idoso fragilizado, para o doente em fase terminal, para a pessoa com deficiência, para a criança que acaba de nascer e também para aquela que ainda não nasceu. Na realidade, desde quando o óvulo é fecundado, encontra-se inaugurada uma nova vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano. Contém em si a singularidade e o dinamismo da pessoa humana: um ser que recebe a tarefa de vir-a-ser. Ele não viria jamais a tornar-se humano, se não o fosse desde início . Esta verdade é de caráter antropológico, ético e científico. Não se restringe à argumentação de cunho teológico ou religioso.

A defesa incondicional da vida, fundamentada na razão e na natureza da pessoa humana, encontra o seu sentido mais profundo e a sua comprovação à luz da fé. A tradição judaico-cristã defende incondicionalmente a vida humana. A sapiência  e o arcabouço moral  do Povo Eleito, com relação à vida, encontram sua plenitude em Jesus Cristo . As primeiras comunidades cristãs e a Tradição da Igreja consolidaram esses valores . O Concílio Vaticano II assim sintetiza a postura cristã, transmitida pela Igreja, ao longo dos séculos, e proclamada ao nosso tempo: “A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis” .

O respeito à vida e à dignidade das mulheres deve ser promovido, para superar a violência e a discriminação por elas sofridas. A Igreja quer acolher com misericórdia e prestar assistência pastoral às mulheres que sofreram a triste experiência do aborto. O aborto jamais pode ser considerado um direito da mulher ou do homem, sobre a vida do nascituro. A ninguém pode ser dado o direito de eliminar outra pessoa. A sociedade é devedora da mulher, particularmente quando ela exerce a maternidade. O Papa Francisco afirma que “as mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. ‘Indivíduo’ quer dizer ‘que não se pode dividir’. As mães, em vez disso, se ‘dividem’ a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer” .

Neste tempo de grave crise política e econômica, a CNBB tem se empenhado na defesa dos mais vulneráveis da sociedade, particularmente dos empobrecidos. A vida do nascituro está entre as mais indefesas e necessitadas de proteção. Com o mesmo ímpeto e compromisso ético-cristão, repudiamos atitudes antidemocráticas que, atropelando o Congresso Nacional, exigem do Supremo Tribunal Federal-STF uma função que não lhe cabe, que é legislar.

O direito à vida é o mais fundamental dos direitos e, por isso, mais do que qualquer outro, deve ser protegido. Ele é um direito intrínseco à condição humana e não uma concessão do Estado. Os Poderes da República têm obrigação de garanti-lo e defendê-lo. O Projeto de Lei 478/2007 – “Estatuto do Nascituro”, em tramitação no Congresso Nacional, que garante o direito à vida desde a concepção, deve ser urgentemente apreciado, aprovado e aplicado.

Não compete a nenhuma autoridade pública reconhecer seletivamente o direito à vida, assegurando-o a alguns e negando-o a outros. Essa discriminação é iníqua e excludente; “causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto” . São imorais leis que imponham aos profissionais da saúde a obrigação de agir contra a sua consciência, cooperando, direta ou indiretamente, na prática do aborto.

É um grave equívoco pretender resolver problemas, como o das precárias condições sanitárias, através da descriminalização do aborto. Urge combater as causas do aborto, através da implementação e do aprimoramento de políticas públicas que atendam eficazmente as mulheres, nos campos da saúde, segurança, educação sexual, entre outros, especialmente nas localidades mais pobres do Brasil. Espera-se do Estado maior investimento e atuação eficaz no cuidado das gestantes e das crianças. É preciso assegurar às mulheres pobres o direito de ter seus filhos. Ao invés de aborto seguro, o Sistema Público de Saúde deve garantir o direito ao parto seguro e à saúde das mães e de seus filhos.

Conclamamos nossas comunidades a unirem-se em oração e a se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humana.

Neste Ano Mariano Nacional, confiamos a Maria, Mãe de Jesus, o povo brasileiro, pedindo as bênçãos de Deus para as nossas famílias, especialmente para as mães e os nascituros.
Brasília-DF, 11 de abril de 2017.

 

Cardeal Sergio da Rocha

Arcebispo de Brasília

Presidente da CNBB

 

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ

Arcebispo de São Salvador

Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Leonardo U. Steiner, OFM

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário-Geral da CNBB

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Teóloga feminista promove aborto dentro da Igreja Católica

A teologia feminista é parte de uma revolução cultural que ainda está em seus primeiros passos (Ivone Gebara)

A teóloga feminista Ivone Gebara admite que o feto abortado “é um bebezinho”. Mesmo assim, defende a legalização do aborto sem restrições e dá palestras em instituições católicas pelo Brasil e pelo mundo.

Em 1995, a irmã Ivone Gebara foi condenada a dois anos de silêncio pelo Vaticano. Neste período, ela deveria ficar na Europa estudando teologia e não lhe foi permitido dar entrevistas nem ministrar aulas. Ao final deste período, Gebara voltou à sua atividade de militante pelo aborto. Ela faz parte do Conselho Consultivo da ONG internacional Católicas pelo Direito de Decidir e dá palestras em diversos centros de estudos católicos. Como é o caso do Centro de Retiros São Lourenço de Brindisi, em Porto Alegre (RS), que sedia eventos sobre teologia feminista, ecologia, entre outros assuntos.

Os eventos realizados no Rio Grande do Sul são promovidos por: AEC-RS, Celadec, Ceca e Cebi com apoio da EED, Christian Aid, Missionszentrale der Franziscaner (Alemanha) e Adveniat, organismos internacionais.

Em 1993, portanto antes de penalizada pela Santa Sé, ela concedeu uma entrevista à revista Veja, na qual afirmou abertamente que o aborto não é pecado e que deve ser legalizado para todas as situações, sem limites e não somente em casos de violência sexual. Diferente da maioria das feministas de hoje, ela não questiona se o nascituro é vida ou não. Para ela:

“hoje acho que a mãe tem, sim, algum direito sobre a vida que carrega no útero. O feto não pode sobreviver sem ela e, nessa osmose primordial, é lícito considerar que não tem sua própria vontade”, diz.

Na entrevista, ela já usava os argumentos conhecidos nossos hoje, de que mulheres ricas fazem aborto à vontade, mas as pobres é que precisam. Exatamente como o doutor Drauzio Varela, que pede a morte dos pobres via aborto, a fundadora da Planned Parenthood, Margareth Sanger, também defendia o aborto para os pobres, por considerá-los geneticamente perigosos para o resto da população.

Para ela, portanto, o Quinto Mandamento (não matarás) vale apenas para quem já nasceu, mesmo que o feto seja entendido como uma vida humana, como ela mesma admite. O mandamento só não vale para os pobres. Trata-se de uma abominação dentro da Igreja. A aniquilação da vida humana no período de mais vulnerabilidade, para Gebara, justifica-se quando a mãe acha que não tem condições psicológicas para criar o filho. Seria preciso que a “irmã” visse com os próprios olhos uma criança sendo dilacerada pelo desejo de comodidade de adultos?

Mas ao contrário de muitas ex-abortistas que voltaram atrás após presenciar um aborto, Ivone Gebara conta já ter presenciado e visto o feto morrendo na sua frente.

Ela admite:

“Fiquei impressionada. É um bebezinho, é como se estivesse tirando a chance de aquela vida florescer. O aborto é violento. É sempre uma opção traumática, nunca um caminho de alegria. Mas é uma violência que existe e, como tal, deve ser legislado”, diz a teóloga.

Ivone Gebara considera um dos grandes avanços da teologia feminista inventada por ela é o fato de haverem mulheres ensinando teologia. Vem daí, segundo ela, a mudança do costume de usar a palavra “homem” para designar humanidade. “Irmãos e irmãs”, entre outros hábitos da oratória eclesial foram incorporações diretas da contribuição desta linha teológica.

A teologia feminista nasceu dentro da Teologia da Libertação e busca questionar o patriarcado dentro da Igreja, o que consideram expresso na designação masculina de Deus. “Deus não é masculino ou feminino”, diz. “Ele é tudo”.

Abortismo católico

A insistente presença de Ivone Gebara nos meios católicos é e sempre será escandalosa, por mais que venham dias ainda mais sombrios, quando padres e leigos começarem a advogar abertamente o macabro “direito” ao infanticídio dentro das igrejas. Palestrando em seminários e congressos teológicos pelo Brasil e pelo mundo, Gebara planta sementes de uma erva venenosa que, em breve, florescerá para o horror de toda a cristandade, mais ainda das almas inocentes dos que morrem sem o batismo, as crianças gestadas no ventre de suas mães.

É certo que, dada a continuidade de sua missão maligna, teremos altos cargos da Igreja a defender essa atrocidade. Isso, no entanto, por mais culpados que tenham sido os advogados da ideia, pesará sobre os ombros dos que silenciaram ou afirmaram desdenhosamente a sua desesperança com o clero e os leigos.

 


Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
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França criminaliza informar sobre riscos do aborto

França aprova lei que criminaliza a divulgação de informações sobre riscos relacionados ao aborto, por quem não se intitule abertamente pró-vida.

Em 16/02/17, o governo da França alterou uma lei já existente fazendo com que qualquer pessoa ou organização que se manifeste ou divulgue informação sobre riscos relacionados ao aborto pode ser processada. A pena é de dois anos de prisão ou multa de 30 mil euros. A pena também vale para informações divulgadas na internet.

O ministro dos Direitos das Mulheres, Laurence Rossignol, argumenta que “grupos pró-vida poderão expressar suas opiniões hostis sobre o aborto, contanto que sejam honestos sobre quem eles são, o que fazem e o que pretendem (sic)”.

Segundo o ministro, qualquer site pró-vida que não explicitar a sua posição quanto a questão do aborto, está manipulando a mente das mulheres.

Sites como o IVG.net (em francês), que trazem informações como testemunhos, artigos de médicos e psiquiatras sobre os efeitos do aborto, por não se autointitularem um grupo pró-vida, estarão contra a lei.

Ao mesmo tempo, enquanto sites como o IVG são alvos da lei, o Ministério da Saúde da França tem um site oficial com orientações sobre os procedimentos para “interrupção de gravidez indesejada”.

Evolução das leis

A lei aprovada este ano (2017) é uma evolução da lei que havia sido aprovada em 2001, pelo governo do socialista Hollande. Naquele ano, o governo havia aprovado uma lei que visava “proteger” as mulheres contra “pressões psicológicas e morais” feita por qualquer grupo que afirme que a prática do aborto seja moralmente errada. Essa lei havia sido criada para proibir que ativistas pró-vida falassem com mulheres sobre as questões morais e os riscos envolvidos em um aborto e proibia que ativistas pró-vida fizessem movimentos de rua, próximos a clínicas de aborto. A lei foi proposta após grupos pró-aborto terem verificado que os resultados do Google sobre aborto traziam também sites de grupos pró-vida que buscavam dar apoio às mulheres que desejassem não abortar e levar em frente a maternidade.

Agora com nova redação, a legislação torna mais amplo o entendimento da infração e abrange qualquer manifestação que possa ser considerada ‘manipulação’. Contudo, a avaliação, de que a informação é uma manipulação de mentes ficará a cargo do governo, que apoia abertamente o aborto e considera hostil qualquer informação divulgada sobre riscos relacionados ao aborto.

Considerações

O aborto na França foi legalizado em 1975. As estatísticas disponíveis mostram que o número de abortos anuais passou de 33,4 mil em 1975 para 203 mil em 2015. Em 1975 vemos que 4% das gestações eram interrompidas por aborto; desde 1989, todos os anos mais de 20% das gestações no país terminam em um aborto. Tais números demonstram padrões similares às estatísticas dos demais países como Suécia, EUA, Austrália e Reino Unido.

Frente à esses dados, torna-se ainda mais absurda as alegações pró-legalização, no Brasil, com falsa justificativa de que a “com a legalização será possível dar a devida orientação as mulheres”; ou “que a questão da moralidade do aborto  não está em jogo”, e que os que advogam o “direito da mulher” querem apenas “dar-lhes a possibilidade de fazer um aborto seguro”. O fato é que a grande maioria dos que advogam esses direitos não querem dar orientação e apoio às mulheres, chegando ao ponto inclusive de condenar aqueles que querem proteger as mulheres. Em diversos outros países os grupos pró-aborto vêm se manifestando de forma contrária à ações que visam dar orientação e apoio às mulheres.

Informações:

Dailywire News

The New American

LifeSite News

Estatísticas – artigo

Estatísticas – números desde 1975

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.

Planalto se posiciona contra o aborto

O governo Michel Temer se manifestou contra a legalização do aborto até o terceiro mês de gestação em documento em resposta à Advocacia Geral da União (AGU). O documento a firma claramente que ”a vida do nascituro deve prevalecer sobre os desejos das gestantes”. O governo se posicionou também contrário ao aborto de bebês diagnosticados com microcefalia.

No texto, o governo defende que “a vida do nascituro deve prevalecer sobre os desejos das gestantes”. Para o Planalto, a legislação atual, que proíbe a prática com poucas exceções, é adequada. Ao abordar as “trágicas estatísticas” que envolvem as mulheres que abortam clandestinamente, o governo afirma: “Não são o Estado nem as leis que constrangem as mulheres às práticas abortivas clandestinas e arriscadas”.

Diz o documento:

“Entre o sacrifício da existência de um nascituro e o sacrifício dos desejos (ou interesses ou vontades) da gestante, a opção que melhor atende à moralidade social e a ética política, é aquela que preserva a expectativa de nascer do feto (ou de existir do nascituro) em desfavor dos interesses da mulher”.

Num dos trechos do documento de seis páginas, o governo diz: “A mulher deve ser protegida e acolhida, jamais acossada. Mas a vida do nascituro deve prevalecer sobre os desejos das gestantes”.

A ministra Grace Mendonça (AGU) confirmou ontem ao Estadão ter recebido a nota técnica do Palácio do Planalto com posicionamento contrário à liberação do aborto. Grace afirmou que vai preparar a sua manifestação com base no documento. “É praxe seguir o posicionamento do Palácio. A fala do presidente vai estar na peça que vamos trabalhar. Com esse subsídio que eles enviaram para nós, vamos trabalhar nas informações do presidente para  encaminhar ao Supremo. Até terça-feira nós enviaremos a resposta, talvez até antes”, disse a ministra.

Trechos do documento do Planalto

“Não se ignoram as angústias e os sofrimentos das gestantes que não desejam prosseguir em uma gravidez, mas o valor social protegido é a vida do nascituro”.

“Isso significa que o ordenamento jurídico brasileiro já tem dado um devido e adequado tratamento para essa delicada questão individual”.

“A mulher deve ser protegida e acolhida, jamais acossada. Mas a vida do nascituro deve prevalecer sobre os desejos das gestantes”.

“Nas democracias republicanas que se revelam sociedades civilizadas e decentes nenhum assunto é tabu inviolável e que não possa ser objeto de debates, deliberações e rediscussões permanentes. Por isso que de tempos em tempos há eleições”.

“Com efeito, no Parlamento já tramitam projetos legislativos sobre o tema. Os representantes políticos da sociedade brasileira têm optado pela proteção dos interesses dos nascituros. Se acaso houver mudança de orientação, essa alteração deve ser feita via debate político-parlamentar, com a devida vênia”.

“Entre o sacrifício da existência de um nascituro e o sacrifício dos desejos (ou interesses ou vontades) da gestante, a opção que melhor atende à moralidade social e a ética política, é aquela que preserva a expectativa de nascer do feto (ou de existir do nascituro) em desfavor dos interesses da mulher, salvo nas hipóteses normativas já enunciadas”.

 

Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.

‘Teologia feminista’ já faz parte da estrutura da Igreja no Brasil

Aborto, ordenação de mulheres, “desconstrução da moral cristã tradicional”, ampliação dos direitos sexuais e reprodutivos e ideologia de gênero. Estes são os objetivos da ‘Teologia Feminista’ (TF), que já se infiltrou na estrutura da Igreja Católica através de mulheres ativistas da Teologia da Libertação (TL). Essa infiltração dentro da Igreja tem sido cada vez mais evidente por meio da aproximação de ONGs como as Católicas Pelo Direito de Decidir, financiadas pelas fundações internacionais Ford e McArthur.

Apesar de escandalosa, essa infiltração parece gozar de pouca atenção ou conhecimento do clero católico que, ou desconhece ou faz pouco caso. A verdade é que a Teologia da Libertação, ideologia praticamente hegemônica nos seminários católicos ainda hoje no Brasil, não parece contar com instrumentos para combater esse problema.

Em 2015, quando a Ideologia de Gênero estava sendo amplamente rejeitada pela maioria da população brasileira, o clero progressista da Igreja, envolvido com o marxismo da Teologia da Libertação, ajudou, por meio da CNBB, a expurgar o monstro que avançava (e ainda avança) sobre as nossas escolas. Mas isso aconteceu porque a vertente cultural da revolução marxista não contava ainda com a adesão da Teologia da Libertação, baseada nas abordagens mais ortodoxas e econômicas, classicamente ligada aos pobres. É exatamente isso que a Teologia Feminista pretende mudar.

Segundo Dom Estêvão Bittencourt, “a Teologia Feminista, cultivada na Europa e nos Estados Unidos, chega a reivindicar a extinção das diferenças de trato para mulheres e homens na sociedade, tecendo teorias sobre o andrógino primitivo para justificar suas teses”.

Ecumenista por natureza, há 25 anos mantém o curso de extensão de Teologia Feminista em universidades luteranas. Na Igreja Católica, essa abordagem aparentemente inovadora tem sido recebida com entusiasmo em eventos itinerantes sediados em conventos e mosteiros pelo país, contando com a presença de ONGs feministas como as Católicas pelo direito de decidir. O que devia ser escandaloso para a maioria dos católicos, parece , no entanto, ocorrer debaixo dos olhos de todos.

Por meio de congressos regionais, há alguns anos a ONG Católicas Pelo Direito de Decidir (CDD) faz-se presente na estrutura da Igreja Católica e já conta com grupos de trabalho plenamente estabelecidos. É o caso da Estef – Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana, das Faculdades Est e do Cebi, em Porto Alegre, que tem sediado o Encontro Estadual de Teologia Feminista desde 2015.

O encontro do ano passado (2016), teve como tema: Teologia Feminista Superando violências. Os objetivos do encontro promovido pelos institutos de teologia do Rio Grande do Sul foi “partilhar reflexões e práticas para a superação de violências de gênero (…) proporcionar a convivência e conhecimento das pessoas que atuam na superação da violência de gênero e de fomentar criação de redes de diálogo em Teologia Feminista”.

Mas a infiltração da ONG ‘Católicas’ (CDD) na Igreja Católica é bastante discreta. Seus eventos ocorrem por meio de leigos e clérigos progressistas ligados a organizações de feição esquerdista e apoiadoras de políticas de gênero dentro da Igreja, ideias abertamente rejeitadas pela Igreja Católica. Daí a sua discrição.

 

Nascida no seio da Teologia da Libertação

A Teologia Feminista, no Brasil, nasceu dentro dos debates da Teologia da Libertação, entre lideranças femininas que não encontravam respostas da TL para suas reivindicações. Algumas alas da Teologia da Libertação rejeitam expressamente a mentalidade abortista, como é o caso de algumas regionais da CNBB, que manifestaram-se contra as CDD.

Internacionalmente, pode-se datar o início da Teologia Feminista a partir do trabalho de Elisabeth Cady Staton, protestante e militante do movimento sufragista. Por volta dos anos de 1895-1898, Staton publica, em colaboração com um grupo de mulheres protestantes que realizavam estudos bíblicos, a Bíblia da Mulher (Woman´s Bible). Estabeleceram-se aí a relação militância e religião como parte constitutiva da Teologia Feminista.

Em 1911, na Grã Bretanha, um grupo chamado Aliança Joana D’arc, reivindica a igualdade entre mulheres e homens e criticava a visão única e hegemônica de um Deus somente masculino. A  crítica desse movimento direcionava-se à visão androcêntrica de Deus e expressava-se na frase: “Orai a Deus, e Ela os ouvirá.”

Na América Latina, a Teologia Feminista começou a tomar corpo nos anos de 1960 e 1970. Ivone Gebara, Elza Tamez, Maria Pilar Aquino entre outras, foram algumas referências para a região.

A vertente atual baseia-se principalmente na reivindicação do aborto, o que fazem por meio da tentativa de demonstrar que a Igreja nem sempre condenou a prática e que, portanto, não se trata de uma condenação baseada em uma moral objetiva, mas dependente da época. A principal publicação neste sentido é do livro Uma história não contada: a história das ideias sobre o aborto na Igreja Católica. O livro é uma tentativa de comprovar o relativismo moral no cristianismo.

A TF como é hoje pode ser considerada um produto direto da atuação das Católicas Pelo Direito de Decidir. De sua declaração de princípios, destacamos três:

a) Desconstruir, nas bases da tradição cristã, uma cultura que oprime as pessoas nos âmbitos da sexualidade e da reprodução;

b) Construção de um discurso “ético-teológico feminista pelo direito de decidir”;

c) Promoção de diálogo com a sociedade sobre a religião e a vida das mulheres.

O clero católico, mesmo alertado do perigo desta ONG abortista de financiamento internacional, parece estar fazendo vista grossa a esta escandalosa invasão que causará, em breve, a aceitação do aborto por parte dos fieis leigos e até mesmo do clero.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
rejeição ao aborto no brasil e no mundo

Rejeição ao aborto cresce para 87% no Brasil, segundo pesquisa

A rejeição da população sobre a questão do aborto aumentou. Em 2016, o mesmo instituto verificou que 84% da população Brasileira era contra ao aborto.

A pesquisa foi realizada em diversos países e permite comparações entre países. A pesquisa mostrou que nos países em que o aborto é legalizado a aprovação da população sobre a prática é muito maior.

Na Suécia, em que aborto é prática legalizada desde 1938, a aprovação da população sobre a prática é de 77%.

Na Hungria, onde o aborto foi legalizado em 1955, a aprovação foi de 67% e na França, que legalizou 1975, a aprovação sobre é de 67%.

Os números mostram que quanto mais antiga a lei sobre o aborto, maior é a aceitação da população sobre o aborto.

Outro padrão verificado nesta linha é com relação ao percentual de abortos por número de gestações ao ano.

Na Suécia, 24,9% das gestações terminam em aborto em 2015. Na Hungria, o percentual verificado foi de 17,4%, em 2013, e na França a parcela de gestação terminada em aborto foi de 15,3% no ano de 2013.

A pesquisa foi realizada em 20 de janeiro e 3 de fevereiro de 2017, em 24 países. No total, foram entrevistadas 17.551 pessoas, sendo adultos de 18 a 64 anos nos Estados Unidos e 16 a 64 anos nos demais países. A margem de erro estimada é de 3,5%.

Sobre a Ipsos

A empresa Ipsos atua em 88 países na área de pesquisas. Ocupa a terceira posição na indústria, sendo uma das maiores empresas de pesquisa eleitoral no mundo e atua também na área de publicidade, fidelização de clientes, marketing, mídia, opinião pública e coleta de dados. Site da empresa no Brasil: www.ipsos.com.br

Fontes:

Estudo e estatísticas de abortos Suécia – Estudos Nacionais

Estatísticas de abortos na Hungria – Números

Estatísticas de abortos na França – Números

Pesquisa Instituto Ipsos 2016

Resumo da pesquisa Ipsos 2017

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.

Legalização e pressão social são maiores causas do aborto, diz estudo

A cultura do aborto, incentivada pelo ativismo “pró-escolha”, tem sido responsável por indicar às mulheres o que elas devem escolher. Essa é uma das conclusões do estudo publicado pelo americano David C. Reardon, Aborted Women, Silent no More (ainda não traduzido para o português). O livro apresenta uma série de estudos e pesquisas com centenas de mulheres que passaram pela experiência de um aborto, além de trazer um diagnóstico do mercado de abortamentos nos Estados Unidos.

Segundo o estudo, 83% dos abortos não são realizados por escolha individual da mulher. Além disso, 75% das mulheres alegam que não teriam feito aborto se a prática não fosse legalizada. Os dados levantaram ainda que apenas 3% dos abortos nos EUA são feitos por motivo de violência sexual.

A pesquisa foi feita com 252 mulheres de 42 estados dos Estados Unidos, com depoimentos de 20 mulheres e dados de estudos sociológicos e jornalísticos com mulheres que fizeram aborto.

Reardon intercala capítulos de estudos, análises estatísticas e depoimentos de mulheres. O livro traz, pela primeira vez, um estudo com dados que vão além das limitações temporais e geográficas.

O estudo traz o dado alarmante de que 83% dos abortos não foram realizados por escolhas da mulher. A maioria das mulheres alega que não teria recorrido ao aborto se não fosse a pressão recebida por diversas pessoas, como namorados, esposo, amigos, médicos, membros da família etc.

As pressões sociais e da família em favor do aborto foram classificadas, em 55% dos casos, como “muito fortes”. Além disso, segundo o estudo, 75% das mulheres alegam que não teriam feito um aborto se a prática não contasse com o respaldo legal do Estado, isto é, se não fosse legalizado no país.

Para a maioria das mulheres, o conselheiro da clínica de aborto é visto como promotor do aborto. Treinado para dissuadir a ideia de “bebê”, usam eufemismos como “esvaziar o útero”, “problema fetal”, evitando explicações sobre o desenvolvimento do feto ou sobre as dimensões morais da decisão. Os conselheiros das clínicas encorajam a cliente referindo-se ao feto como um “amontoado de células”.

Sequelas físicas e mentais

Reardon demonstra em seu livro que o aborto não é de forma alguma psicologicamente terapêutico. Ao contrário, mostra-se causa de uma série de problemas de origem física e psicológica para as mulheres.

No âmbito dos problemas físicos, estatísticas mostram  que procedimentos de curetagem ou aborto por vácuo, usados em 90% dos abortos, possuem 12% de chances de ocasionar danos físicos ao corpo da mulher.

Dentre as complicações graves mais comuns relacionadas ao aborto por vácuo estão a infecção, excesso de perda de sangue, embolia, perfuração do útero, lesões cervicais, complicações em anestesia, convulsões, hemorragias e choque endotóxico. Dentre as complicações menos graves incluem-se: infecções, febres, calafrios, queimaduras de segundo grau, dores, vômito, perturbações gastrointestinais e ciclos menstruais dolorosos.

Evidências de estudos de diversos países demonstram ainda grande ocorrência de complicações percebidas meses ou anos após o aborto. O estudo destaca, maiores índices de câncer, complicações nas gravidezes subsequentes, sangramento etc.

Os efeitos psicológicos são igualmente devastadores. Uma análise cuidadosa de dados de pacientes e estatísticas de saúde, bem como depoimentos de mulheres após a experiência do aborto demonstram um grande número de mulheres que passam a sofrer de depressão, ansiedade, distúrbios sexuais e de sono, estresse, perda da autoestima, abuso de álcool e drogas, pensamentos suicidas ou mesmo atitudes.

O livro mostra um estudo publicado no American Journal of Psychiatry, onde 50% das mulheres que fizeram um aborto viam a experiência como negativa. Outro estudo, mostrou que 26% das mulher sentem-se culpadas e 12% estava sofrendo de sérios problemas psicológicos.

Com uma análise de diversos estudos científicos o autor conclui que a grande maioria das mulheres que realizam um aborto terão que lidar com problemas como insônia, ansiedade, sentimento de isolamento e até mesmo de síndrome do “bebê fantasma”, que é quando a mulher passa a “ter visões” do bebê abortado quando olha para outras crianças.

Estupros

Embora a discussão sobre direito ao aborto inicie sempre a justificativa dos casos de violência sexual, o estudo mostra que esses casos correspondem a um pequeno percentual: em torno de 3% dos abortos nos Estados Unidos.

Isso põe a claro a estratégia ativista no mundo. Nos países onde a prática não é legalizada, a estratégia dos grupos pró-aborto foca-se na violência sexual, já que normalmente a legislação permite o abortamento para esses casos. Os ativistas visam, com isso, ampliar a necessidade e diminuir restrições.

A decisão da mulher

Uma vez demonstrado que 83% das mulheres sentiram-se forçadas a fazer o aborto, o livro coloca alguns questionamentos sobre a cultura envolvida na questão do aborto.

O livro traz como anexo um artigo de uma mulher. Ela é Nancyjo Mann, fundadora de uma organização internacional de defesa da vida.

Ela critica que a defesa de muitos grupos feministas e “pró-escolha” está baseado em um paradigma “tradicional e machista”, uma vez que estimulam uma cultura dualista que impõe às mulheres que elas devem escolher entre maternidade ou carreira.  Nesse discurso, ironicamente a mentalidade “pró-escolha” dita o que a mulher deve ou não escolher.

Segundo Nancyjo Mann, as mulheres não devem ter que escolher entre carreira ou maternidade, e sim receber condições para exercerem sua maternidade quando desejarem ao invés de receber pressões para escolher a dita liberdade por meio de um aborto.

Negócios antes da medicina

O capítulo 8 do livro, chama-se “Negócios antes da medicina” (Business Before Medicine). Nesse capítulo o autor penetra em uma análise completa do mercado de abortamentos dos Estados Unidos e outros países, mostrando quão lucrativo tornou-se para as clínicas, que passam a ver prioritariamente os negócios e depois a saúde psicológica ou os danos físicos que a mulher terá de arcar nos anos seguintes a um aborto.

Além disso, instituições internacionais e governos tem investido grandes volumes de dinheiro público nas causas relacionadas em prol a expansão do aborto.

Em um dos depoimentos trazidos no livro, há a história de uma adolescente que teve ajuda do conselheiro (vendedor) da maior clinica de aborto dos Estados Unidos, a Planned Parenthood, para fazer o aborto sem que seus pais soubesse. A clínica buscou a adolescente em casa com uma van escolar. Como ela se atrasou para voltar para casa o funcionário da clínica ainda forjou uma carta com explicações para seus pais ficarem mais tranquilos, acobertando o que a adolescente havia feito.

A Planned Parenthood ficou conhecida mundialmente por funcionários do alto escalão flagrados em negociações para venda de órgãos de fetos abortados, no ano de 2015.

O livro está disponível apenas em inglês, como e-book ou livro físico.

Título: Aborted Women: Silent No More
Autor: David C. Reardon
Editora: Wstchester, IL:Crossway Books. 373 páginas.

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