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Não é preciso ter religião para ser contra o aborto, confirma Data Folha

Entre os que se identificam como “sem religião ou agnósticos”, 41% acha que a mulher deve se presa por cometer o crime de aborto; entre os que se identificam como católicos, 35% acha que a mulher deve ser presa.  Os números indicam que posicionamentos relacionados a questão do aborto são independentes da pessoa ter ou não uma religião, estando baseado no conhecimentos sobre ciência e direitos humanos do nascituro. Entre os que se identificam como ateus, 14% acham que a mulher que comete aborto deve ser presa.

De acordo com a pesquisa:

  • 42% dos brasileiros acha que aborto não deveria ser permitido em caso de estupro;  
  • 41% dos brasileiros que se identificam “sem religião ou agnósticos” são contra a legalização do aborto.

Os dados do Data Folha ajudam a desfazer o mito de que a posição contra a legalização do aborto seria baseada em questões religiosas. A presença de ateus, agnósticos, pessoas sem religião e humanistas em grupos pró-vida tem crescido ao redor do mundo, principalmente nas últimas décadas, diante dos avanços científicos que evidenciam, cada vez mais, que a vida inicia na concepção, enfatizando a humanidade do embrião e do feto no período da gestação e por conta dos diversos fracassos da legalização do aborto na proteção de direitos das mulher em diversos países do mundo.

Leia também: Quando começa a vida humana? a ciência responde

O posicionamento de ateus ou agnósticos sobre a questão é ilustrado por declarações de muitos agnósticos e ateus famosos, como o filósofo ateu Dom Marquis ou o escritor Robert M. Price, autor do livro “Jesus está morto”. Price declarou: “o aborto é um assassinato qualificado”. A jovem Kelsey Hazzard, ateia e ativista pró-vida, ressalta:

A indústria do aborto quer que você pense que pessoas como eu não existem. Eles gostariam que você acreditasse que o movimento pró-vida é exclusivamente composto de homens brancos e mais velhos.

A doutrinação ideológica é o que mais afeta o debate, já que em muitos países o debate avançou para a situação em que a maior parte dos ativistas “pró-escolha” já admitiram que de fato vida inicia na concepção. Assim, militantes seguem mudando de argumento de tempos em tempos, conforme convém à causa.

Sobre a pesquisa do Data Folha

precisamos-falar-sobre-aborto-livro-pacote-1-exemplarA pesquisa, realizada entre 29 a 30 novembro de 2017, em 192 municípios ouviu 2.765 pessoas utilizou um formato de perguntas curioso e que cabe ser analisado com critério. A pesquisa não pergunta objetivamente se a pessoa é “contra ou a favor da legalização do aborto de forma mais ampla”. Evita-se esse tipo de pergunta nessas pesquisas porque o resultado seria desfavorável aos financiadores da pesquisa, uma vez que uma parcela muito maior se manifestaria contra a legalização do aborto. O foco dessa pesquisa foi na pergunta “A mulher que faz o aborto deveria ir para a prisão?

Nas pesquisas do Data Folha, entre 1994 e 2010, a pergunta era mais completa e focava o problema da legalização ou não do aborto, “com todas as letras”. Obviamente, isso tratava a questão de forma mais completa e permitia que os entrevistados dessem sua opinião sobre a legalização do aborto, que é o tema central do debate. Nessas pesquisas antigas perguntava-se:  “Atualmente no Brasil, o aborto só é permitido em dois casos: gravidez resultante de estupro e para salvar a vida da mulher. Na sua opinião, a Lei a) deve ser ampliada; b) deve continuar como está; ou c) deveria proibir aborto em qualquer caso).”

Com essa pergunta mais completa apenas 10% da população se manifestava favorável a ampliação da lei. Ou seja, 90% contra legalizar o aborto. Isso fazia com que a repercussão dos dados da pesquisa prejudicassem os interesses de seus contratantes.

A alteração no formato de perguntas usado nessas pesquisas recentes é um movimento que vem sendo verificado também pelas pesquisas contratadas pelas Católicas pelo Direito de Decidir (CDD) ao IBOPE, que parecem na verdade ter indicado “o caminho a seguir”, no campo da pesquisa de opinião sobre o tema. Assim, se por um lado o Data Folha não apresenta quem é o contratante da pesquisa, a CDD deixa isso bem mais claro, como podemos ver na capa do relatório da pesquisa do IBOPE disponível no site da ONG.

pesquisa catolicas pelo direito de decidirPara quem ainda não sabe, a International Planned Parenthood Federation (IPPF) é a federação da maior clínica de abortos do mundo, a Planned Parenthood. A IPPF é responsável pela estratégia global dos negócios da clínica de abortos, investindo em pesquisas, ONGs, campanhas e em ativistas ditos “pró-escolha”.

A logomarca em rosa, é da International Women’s Health Coalition (IWHC). Uma ONG internacional que movimenta bilhões de dólares graças as doações que recebe de diversas fundações internacionais e de clínicas de aborto. A vice-presidente da IWHC atualmente é a conhecida ativista “pró-escolha” Débora Diniz, que é, muito curiosamente, grande parceira do Ministério da Saúde e a personalidade mais frequentemente consultada pela grande mídia para falar sobre o assunto.


Vieses da pergunta usada na pesquisa: a mulher que faz aborto deve ir para prisão?

Quando alguém responde afirmativamente, que a mulher deve ser presa, é correto concluir que o entrevistado é contra a legalização do aborto. Contudo, se o entrevistado responde negativamente, que a mulher não deve ir para a prisão, não é possível afirmar que ele é favorável a legalizar o aborto.

Isso porque existe o mecanismo da impunibilidade, vigente hoje nos casos de estupro e para salvar a vida da mãe, por exemplo. O mecanismo da impunibilidade, ou não punição, mantém o ato como crime, sendo apenas dispensada a pena da prisão para a mulher e médicos envolvidos.

Além da questão da dispensa da punição, ha também o fator emocional que é trazido na pergunta que foca a “punição da mulher“. Certamente que alguns (ou muitos) dos que dizem que a mulher não deve ser punida após o aborto, se forem questionados sobre a ampliação do acesso ao aborto irão se manifestar de forma contrária, já que o tema é bem mais amplo e complexo.

Assim o viés da pergunta é fortemente pró-legalização.  Na análise dos dados da pesquisa deve-se ter sempre em mente esse problema de formato, propositalmente plantado pela pesquisa.


Análises com e sem viés

O que foi visto nos últimos dias, nas manchetes da Folha de São Paulo, Poder360, jconline (grupo UOL), Bol, O Povo e diversos outros grandes veículos é o uso do viés pró-legalização, em absoluto! Em todos esses veículos a manchete é de que “cresceu o apoio à descriminalização do aborto” no Brasil.

Em 2016, 23% achava que a mulher não deveria ir para a prisão; agora na pesquisa de 2017, 36% respondeu dizendo que “a mulher não deveria ir para a prisão”. Como a pergunta da pesquisa não trata a opinião do brasileiro sobre a alteração legal em específico, nem mesmo especificado casos ou critérios para a legalização, é leviano afirmar que cresceu o apoio aos projetos de descriminalização do aborto. Os critérios desses projetos nem mesmo foram apresentados.

– Seria isso um crescimento no apoio da legalização para até 10 semanas de gestação sob alegação de transtorno mental? problemas financeiros? ou seria a legalização até a 24ª semana sem necessidade de qualquer justificativa? ou ainda, até o nono mês de gestação, como defende a ex-candidata à presidência dos EUA, a senhora Hillary Clinton. Estariam incluídos nessa “descriminalização” o direito ao aborto para seleção do sexo do bebê para casais que preferem ter filhos homens, como ocorre em tantos países?


Manchete sem viés

Os dados que destacamos na manchete desse artigo e na introdução não contém os problemas de viés que apontamos nos outros veículos. Por que? Como dito, se o entrevistado se manifesta favorável a punição da mulher, certamente ele é contra a legalização. Mas, se o entrevistado se manifesta contra a punição da mulher, ele pode ou não ser favorável a legalização.

Assim, é correto afirmar inclusive, que NO MÍNIMO 41% dos que se declaram sem religião ou agnósticos são contra legalizar o aborto. Afinal, todos os 41% que são favoráveis que haja punição são contra a legalização. Mas, é possível que alguns dos outros 53% que se manifestaram contrários a punição possam estar considerando a questão da impunibilidade ou podem terem sido afetado pela questão emocional do formato da pesquisa.

Alguns defensores do causa da “descriminalização” do aborto podem argumentar que a descriminalização é diferente de legalização; que a descriminalização retira o caráter penal, convertendo duras penas para punições mais brandas, como multas, sanções administrativas ou serviço comunitário. Isso pode ser válido para o debate sobre a descriminalização dos grafites ou pichações, mas não para o aborto. Em termos práticos, na questão do aborto, a simples impunibilidade exclusiva para gravidez em caso de estupro já passou a ser chamada de “aborto legal”, inclusive pelo Ministério da Saúde e o serviço é oferecido sem necessidade de  B.O. em dezenas de hospitais públicos do Brasil.

Se a pesquisa questiona aos entrevistados se eles são “a favor da legalização do aborto” a esmagadora maioria se posiciona contrário a legalização. Diversas pesquisas demonstraram isso e foi por isso que os institutos resolveram mudar a forma de perguntar.  O instituto Ipsos perguntou dessa forma em 2016 e verificou que 87% do brasileiro era contra a legalização.

O fator emocional ou a perda do foco da pergunta usada na pesquisa do Data Folha pode ter forte influência na resposta, pois foca no sofrimento da mulher, induzindo o entrevistado. É quase como perguntar: “você é a favor de que a mulher tenha sua vida arruinada, seja presa, espancada na cadeia quase diariamente, por vários anos, tudo isso depois de ter passado pelo trauma de um aborto que poderá inclusive lhe trazer um câncer de mama no futuro?”.

Também é razoável inferir, que muitos entrevistados que se identificou como ‘ateu’ se manifestassem contrários a legalização se a pergunta tivesse sido focada na ampliação da lei, apresentando ainda os critérios (ou melhor dizendo requintes de crueldade, como idade a gestacional que pode trazer a necessidade de legalizar aborto inclusive por método de desmembramento (mutilação) de partes do feto já formado ou mesmo elevando o risco do feto ter que ser morto com parte de seu corpo fora do corpo da mãe, como ocorre em muitos países).

Também é correto afirmar que no mínimo 42% é contrário a permissibilidade do aborto em caso de estupro.

Leia também: Aborto em caso de estupro beneficia estupradores e aumenta o trauma


Clima duplo de opinião pública

Por que foi feita manipulação no formato da pergunta da pesquisa e a grande mídia “não entendeu” o risco do viés na hora de fazer a manchete?

Elisabeth Noelle-Neumann demonstrou, no livro A Espiral do Silêncio, como é criado o clima duplo de opinião e qual seu efeito. Resumidamente, busca-se utilizar dos veículos de comunicação de massa para criar uma falsa sensação de que muitas pessoas têm uma determinada opinião. Embora isso seja falso, impacta na consciência de muitas pessoas, que por achar que pensam diferente da maioria da população, acabam preferindo evitar o assunto (e se calam. Daí o termo espiral do silêncio). Nesse processo, muitos podem inclusive mudar de opinião, na esperança de estar “junto da maioria”. Por isso é importante, para a causa abortista, contorcer alguns dados e manchetes, como fez a Folha de São Paulo e outros veículos.


Informações:

Folha.Uol; Americanzagazine; Patheos.com

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

imagem do artigo Ativismo pró-aborto, das universidades ao ministério da saúde

Ativismo pró-aborto: das Universidades ao Ministério da Saúde

A militância pela legalização do aborto no Brasil, alinhada aos objetivos de grandes fundações internacionais, dominou os ambientes acadêmicos por décadas. Sua ideologia, seus eufemismos e estudos acadêmicos fraudados subsidiam políticas públicas e contam agora com apoio de funcionários públicos, no Ministério da Saúde, que abrigam o trabalho de militantes de ONGs criadas e mantidas pela indústria internacional do aborto.


Objetivos por trás do suposto “problema de saúde pública”

Organizações internacionais e ONGs nacionais tem dispensado um gigantesco esforço para que a pauta do aborto seja tratado como um problema de saúde pública.O tratamento do assunto como “Problema de saúde pública”, contudo, não veio a partir de constatações científicas, mas a partir de uma estratégia de controle populacional, montada por grandes fundações e organizações, nos EUA, na década de 1970.

precisamos-falar-sobre-aborto-livro-pacote-1-exemplarCom objetivo claro a ser atingido, foi traçada uma estratégia de divulgar no ambiente social e político, em todos os países, que restrições ao aborto (aborto ilegal) seria um problema de saúde pública. Foi a partir desse objetivo que começaram a ser feitos investimentos em pesquisas científicas e no debates sobre a questão. Isso está claramente expresso no Memorando emitido à Casa Branca, em 1974, que se baseava no Relatório Kissinger.

O tema central do memorando era a implantação de ações para controle populacional nos países pobres. Para isso, o documento, à época classificado como confidencial, alertava: “nenhum país poderá reduzir seu crescimento populacional sem recorrer ao aborto”. Foi a partir disso que cresceram os investimentos de fundações como Rockefeller, Ford e McArthur, para estabelecer centros de pesquisas nesses países. Aníbal Fagundes, da UNICAMP, foi um dos primeiros pesquisadores agraciados com investimentos para pesquisas sobre estudos populacionais, necessárias para subsidiar o debate que culminaria posteriormente com ações concretas pró-legalização do aborto.

A estratégia dos estudos demograficos, focada diretamente na ideia de controle populacional mostrou-se pouco eficaz com o passar do tempo. Mas ela era necessária também, para evoluir em pesquisas posteriores a ideia do direito sexual e do suposto problema de saúde pública. Passaram então a dispensar maior foco na pauta da saúde sexual e reprodutiva e na ideia de que o aborto é um problema de saúde pública.

Em 1968, a pauta do controle populacional foi comprada pela ONU, graças ao apoio de bilionários como David Rockefeller, Fundação Ford e outros. Anos mais tarde, a ONU e a OMS passaram a priorizar o tema dos direitos sexuais e reprodutivos, que nada mais é do que um eufemismo para aborto. Hoje vemos a ONU e OMS fortemente engajadas e debatendo os supostos problemas de saúde pública, chegando a fazer recomendações para que os países legalizem o aborto.

A militância de ONGs financiadas com recursos de clínicas de abortos em parceria com o Ministério da Saúde

Um livro publicado pelo Ministério da Saúde, em 2009, é prova concreta e nos permite ver claramente como a militância pró-legalização do aborto, o discurso e a estratégia global e o ministério da saúde agora, caminham juntos. Mostra também, como foi importante o financiamento de pesquisas científicas para subsidiar o debate em prol da legalização do aborto, nas últimas décadas. O livro intitulado 20 anos de pesquisas sobre aborto no Brasil, elaborado e distribuído pelo Ministério da Saúde, teve como responsável pela coordenação e redação geral a ativista pró-aborto Débora Diniz, que é fundadora da ONG Anis Bioética e Vice Presidente de uma Organização Internacional que investe em diversas ONGs pró legalização e pró-aborto em diversos países do mundo, graças ao financiamento das mesmas fundações internacionais que figuram na triste história da engenharia social pelo controle populacional – McAthur, Ford, Rockefeller, Bill e Melinda Gates e outras.

O livro traz agradecimentos a Aníbal Fagundes, OMS, Ministério da Saúde, grupos feministas e uma série de outros ativistas pró-aborto. Trata-se de um discurso pró-aborto, do inicio ao fim, demonstrando que o Ministério da Saúde não pode mais ser considerado um mecanismo de todo isento nesse debate.

Na redação do livro, destacam que “o fio condutor da síntese foi o de recuperar dados que lançassem luzes sobre a tese do aborto como uma questão de saúde pública no Brasil”. Ou seja, um grande esforço, precedido por décadas de investimento internacional em centros de pesquisa e pesquisadores,  para então, caracterizar para a opinião pública, que o aborto ilegal seria um problema de saúde pública. Repito: o livro foi publicado e distribuído pelo Ministério da Saúde. Na página 11, manifesta-se claramente em favor da legalização do aborto (página 11).

Durante toda a redação da publicação do Ministério, ativista redatora, desenrola um discurso nitidamente pró-legalização do aborto, e utiliza dados como lhe convém para defender sua pauta. Trata superficialmente diversos temas, selecionando aquilo que é bom para os objetivos de seus financiadores e de sua ONG, a Anis Bioética. Ao tratar sequelas do aborto, por exemplo, apega-se exclusivamente aos óbitos maternos pós-aborto, focando percentuais e recortes estatísticos, para evitar dizer que na verdade o total de óbitos maternos por aborto ilegal, em 2008, foi de 66 óbitos, ainda que nem todos esses 66 óbitos são confirmados como sendo fruto de aborto clandestino, já que dentro desses 66, há o registro Aborto NE = causa Não Especificada.

Negligencia também toda a literatura internacional sobre complicações físicas e psicológicas decorrentes de abortos legais, e o fato indiscutível, de que após a legalização do aborto, os números de sua ocorrência aumentam vertiginosamente, aí sim, criando um problema de saúde pública verdadeiro.

Leia também:

o Caso Rebeca e os problemas de saúde que as mulheres sofrem após o aborto

Aborto e câncer de mama: décadas de estudos sendo ignorados

Além do apoio evidente do Min. da Saúde, Débora Diniz parece ter também um bom trânsito no IBGE, que disponibilizou recursos para suas pesquisas em 2016. Assim, com apoio governamental e de fundações internacionais, uma avalanche de pesquisas tem sido realizadas para subsidiar o debate ideológico pró-aborto. Com isso, o ambiente acadêmico sobre o assunto foi dominado, no Brasil, sendo mostrado apenas um lado, permitindo inclusive, qualquer tipo de fundamentação e qualquer tipo de estudo dito científico, para subsidiar as discussões. Nem mesmo as universidades cristãs tem publicado pesquisas em sentido contrário.

O trabalho de Diniz mostra o que todos sabem. As universidades estão infestadas de pesquisadores buscando justificar àquilo que acreditam por sua ideologia, de extrema esquerda, e aquilo que agrada aos financiadores de bolsas e centros de pesquisa como Fundações Rockefeller, McAthur, Ford e tantas outras.

Um dos trabalhos citados é de Monteiro e Adesse, pesquisadores que mostraram em outras pesquisas, total inaptidão com estimativa de abortos, mas por conta do apoio massivo de ONGs e da grande mídia, subsidiam o debate com a mirabolante estimativa de 1 milhão de abortos clandestinos no Brasil.

As publicações de Monteiro e Adesse, aqui citadas e criticadas, foram baseados em estudos do Instituto Alan Guttmacher, instituição que lucra milhões (ou bilhões) com abortos no mundo. Diniz adiciona em seu trabalho, publicado e distribuído pelo Ministério da Saúde, referências bibliográficas de estudos feitos pela maior clínica de abortos do mundo, a Planned Parenthood.


Informações:

Livro 20 anos de pesquisa sobre aborto no Brasil. Min. da Saúde. 2009. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/livreto.pdf

Memorando à Casa Branca, em inglês Disponível em <http://pdf.usaid.gov/pdf_docs/PCAAB500.pdf>. Acesso em 11 dez. 2017.

Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas. Trata-se de um centro de pesquisa da Unicamp que se realiza pesquisas, cursos, eventos e presta consultoria na área de saúde reprodutiva (aborto). Inicialmente dedicava-se a pesquisa sobre os problemas populacionais.Possui diversas publicações em defesa do aborto. Mais informações disponíveis em <http://www.cemicamp.org.br>. Acesso em 13 dez. 2017.

Falácia dos Números de óbitos maternos abortos, veja estudo completo.

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

caso rebeca pede ao STF direito de abortar

O caso ‘Rebeca’ e os problemas de saúde que mulheres sofrem após o aborto – #PelaFilhadeRebeca

O caso Rebeca, da gestante que teve o pedido de abortar seu filho negado pelo STF, repete a estratégia padrão, usada para legalizar o aborto em diversos países do mundo. As organizações se valem de uma situação desse tipo e do ativismo judiciário para contornar o poder legislativo. Funcionou nos EUA, no Canadá e em tantos outros lugares, consagrando-se como uma receita para legalização do aborto.

Dentro dessa receita está o apoio massivo dos grandes veículos de comunicação, que já bastante descredibilizados, não tem mais pudores de esconder que não passam de “folhetos feministas radicais“, ou melhor dizendo, promotores de ideias globalistas muito bem financiados. No site da Marie Claire, integrante do grupo Globo, quem escreve é a própria Debora Diniz, conhecida militante da causa pró-aborto.

Os argumentos apresentados pela “especialista” seriam cômicos se não fosse triste o fato de estarem sendo publicados em veículos de comunicação que atinge a tantas pessoas. Debora Diniz tenta responder a pergunta: “Por que não dar a criança para adoração?”. A “especialista” argumenta que o que Rebeca carrega em seu útero são células transparentes que sequer são captadas pela imagem do ultrassom, e por isso não pode destinar as células para adoção. Argumenta também que as pessoas que estão criticando Rebeca não procuram as milhares de crianças na fila de adoção para por em prática seus conselhos.

Esquece-se de considerar, a nossa especialista, que no Brasil há mais casais na fila de adoção do que crianças esperando por adoção. Também parece desconhecer completamente a evolução gestacional e a tecnologia de ultrassom, uma vez que na sétima semana de gravidez, o filho (ou a filha) de Rebeca já tem um coração pulsando e já tem maozinhas, com os dedos dos pés e das mãos em fase final de desenvolvimento, estando apenas ligados por uma membrana. Ele se move constantemente e pula, como uma criança e não tem nada de transparente, ele é perfeitamente visível no exame de ultrassom. Hoje, dia três de dezembro, provavelmente seu filho já entrou na 8ª semana e já tem o nítido aspecto humano, com os dedos do pé e da mão formados e tem os primeiros movimentos voluntários de seus membros.  Por fim, talvez seja importante avisar Débora Diniz, que as adoções são feitas após o nascimento das crianças, pois ela parece desconhecer também esta parte do processo.

Se Débora Diniz “desconhece” questões tão básicas sobre o desenvolvimento humano, também não deve estar ciente das pesquisas de Shahbazi et. al. (2016), que demonstrou  a autonomia do embrião ainda antes mesmo da nidação(implantação). Ou seja, desde o primeiro dia após a concepção. Ou ainda, as mais recentes descobertas da fetologia e da embriologia, como a pesquisa de Belle et. al. (2017), que mostrou que embriões sentem dor já na 7ª semana de gestação.

A principal alegação para o pedido de autorização ao aborto, no caso Rebeca, é o sofrimento psicológico que Rebeca estaria passando. Alega que sua situação é complicada:  tem um salário baixo; possui outros dois filhos (com vida extrauterina); e está fazendo faculdade, com bolsa integral do Prouni. Assim, com o nascimento do terceiro filho ela teria que trancar a faculdade e “sofreria muito”.

Vamos desconsiderar o fato de que é um completo absurdo colocar o bem estar e perspectivas de crescimento profissional acima da vida de um ser humano, e vamos analisar somente seu bem estar e sofrimento psicológico.

Sofrimento psicológico

A psiquiatra e pesquisadora Martha Shuping trabalha, há mais de 30 anos, com mulheres que se arrependeram de ter feito um aborto e sofrem terríveis dramas psicológicos (MacNair, 2013). Ela verificou que a maioria delas foi iludidas pela venda do aborto como uma solução fácil para suas vidas e essa decisão trouxe terríveis sofrimentos psicológico para muitas delas. Uma delas, no consultório pedindo ajuda psicológica, declarou:

Três anos após meu segundo aborto eu comecei a ter pesadelos em que eu me via em um cemitério pedaços de bebês e segurando um bebê em meus braços, chorando pelos bebês que eu perdi. Eu estava… segurando um bebê e tentando fazer ele voltar a viver.

A psiquiatra comenta ainda, sobre a pesquisa de Roe et. al. (2004) que verificou que 46% das mulheres americanas que fizeram um aborto no passado sofrem com flashbacks. As imagens das cenas do aborto voltam a sua mente, como terríveis pensamentos intrusivos. No outro lado do mundo, na Bielorrússia, outra pesquisa mostrou que os flashbacks ocorrem mesmo em uma sociedade onde a população é predominantemente ateia e não havia,na época da pesquisa, qualquer movimentação ou manifestações de grupos pró-vida, mostrando que o trauma, os flashbacks e os pesadelos não acontecem por conta de uma cultura que defende a vida. Nesse pequeno país que fica na divisa com a Rússia, 76% das mulheres pesquisadas relataram flashbacks sobre a experiência do aborto.

revista estudos nacionaisA pesquisa verificou também que após o aborto, 25% das mulheres alegou sentir dificuldade de estar próxima de bebês (Rue et. al. 2004). Uma mulher chegou a pedir demissão do emprego quando viu que sua colega de trabalho estava grávida e sua barriga começava a crescer.

Algumas mulheres relataram sofrer flashbacks terríveis da experiência do aborto para realizar um simples exame ginecológico, fazendo com que ficassem até mesmo anos sem fazer exames para evitar os flashbacks (Burke e Reardon, 2002).

Será que Rebeca está ciente dessas consequências?

O livro Complications, de Gentles, Lanfranchi e Ring-Cassidy mostra também que os problemas psicológicos gerados pelo aborto provocam um significativo aumento na probabilidade da mulher cometer suicídio. São diversas pesquisas científicas que demonstram isso.

Mas se informações de pesquisas e de uma psiquiatra com 30 anos de experiência no tratamento de mulheres traumatizadas pelo aborto não são capazes de convencer mentes extremamente obstinadas, podemos nos valer de casos próximos da nossa realidade.

A cantora paraibana Zezé Luz, hoje em seus 50 anos de idade, conta em detalhes o drama e o sofrimento psicológico real que passou a sofrer após ter feito um aborto, quando tinha 19 anos.  (matéria completa no site Sempre Família)

Elba Ramalho também fez um aborto e se arrependeu profundamente. A artista mostra como a sua história foi semelhante a casos como o da Rebeca. Elba Ramalho explica:

Quando fiz o aborto, era jovem e não tinha informação, achava que era livre e podia tudo. Devagar fui tomando consciência do que tinha feito, do que era o aborto. Considero a mesma coisa que matar uma pessoa.

A entrevista com a Elba Ramalho, disponível no site Hora de Santa Catarina deixa uma importante mensagem sobre a questão do aborto:

Falta amor no mundo. Considero um infanticídio legalizado o que está acontecendo na humanidade, uma cultura de morte que está sendo disseminada. Quando comecei a pesquisar sobre o assunto, descobri que por trás do aborto existe uma grande indústria que financia isso, e as pessoas precisam saber.

Risco associados ao aborto: saúde física

Talvez Rebeca também não esteja ciente dos riscos para saúde física que pretende se expor ao fazer um aborto, que tirará a vida de seu filho. São diversos os estudos que mostram que mulheres tornam-se inférteis durante um  “aborto seguro”, feito em clínicas especializadas onde o aborto é legal. Em gestações futuras, as mulheres passam a ter um risco aumentado de nascimento prematuro ou nascimento do bebê abaixo do peso (menos de 2500 gramas), o que expõe o filho e a mãe a uma série de riscos de saúde.

O risco de câncer de mama também aumentará significativamente para Rebeca, se ela seguir em frente e abortar seu filho.

O caso de Zezé Luz, comprova quão elevados são os riscos para a saúde da mulher. Depois que ela fez o aborto teve que fazer a curetagem. Contudo, descobriu anos mais tarde, que o procedimento da curetagem, feito em um hospital, havia provocado uma perfuração na camada do seu endométrio.

A indústria e o falso direito das mulheres

Por fim, Rebeca também precisa ver que ela está sendo usada por uma indústria que move bilhões de dólares e que se o aborto for legalizado no Brasil, os número de abortos crescerão continuamente por anos, constituindo-se um verdadeiro holocausto de bebês em formação, degradando a sociedade brasileira moralmente e provocando um verdadeiro problema de saúde pública.

Para os militantes profissionais do direito ao aborto não há nenhuma preocupação com o direito das mulheres. Trata-se de uma bandeira falsa.  Em muitos países onde o aborto legal, a legalização do aborto retirou o direito de milhares de mulheres, que serão forçadas a abortar, por seus patrões, por seus companheiros amigos e familiares, depois de estabelecida a cultura do aborto no Brasil.

Leia o artigo: Abortos forçados: a maior chaga do movimento pró-escolha

Em todos os países que o aborto é legal ocorrem abortos de meninas simplesmente pelo fato de serem mulheres. Na Índia e na China o número de fetos do sexo feminino sendo abortados é assustador. Esse é o verdadeiro feminicídio, que as ONGs feministas nunca condenam. Milhares de casais optam pelo aborto, já que ele legal e de fácil acesso, quando ficam sabendo que esperam uma menina, para tentar engravidar mais uma vez, na expectativa de que consigam conceber um menino.  O bebê de Rebeca já tem sexo definido, desde a concepção. Será que ela não está grávida de uma menina? Será que Receba tem consciência do que está participando?

 


Referências:

Belle et. al (2017). Tridimensional Visualization and Analysis of Early Human Development. Disponível em http://www.cell.com/cell/fulltext/S0092-8674(17)30287-8

Gentles, Lanfranchi e Ring-Cassidy (2013). Complications: Abortion’s Impact on Women. The deVeber Institute for Bioethics and Social Research.

Keith L. Moore (2008). Embriologia Básica. 7ª edição. São Paulo: Saunders.

Reardon, D. C., Coleman, P. K., & Cougle, J. (2004) Substance use associated with prior history of abortion and unintended birth:  A national cross sectional cohort study. American Journal of Drug and Alcohol Abuse, 26, 369-383.

Rue, V.M., Coleman, P.K., Rue, J.J. & Reardon, D.C. (2004). Induced abortion and traumatic stress: a preliminary comparison of American and Russian women. Medical Science Monitor, 10(10), SR5-16.

Rachel M. MacNair (2013). Peace Psychology Perspectives on Abortion.

Speckhard, A., & Mufel, N. (2003). Universal responses to abortion?  Attachment, trauma, and grief responses in women following abortion. Journal of Prenatal &Perinatal Psychology & Health Volume,18e(1), 3-37.

 

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

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Abortos forçados: a maior chaga do movimento “pró-escolha”

Embora o direito ao aborto seja pauta reivindicada por grupos que dizem defender os direitos das mulheres, os direitos de milhares delas tem sido retirado com a legalização do aborto em diversos países do mundo e também no Brasil, mostrando que a legalização do aborto traz consequências drásticas e caracteriza-se um grande fracasso como luta pelo direito das mulheres.

Com a legislação mais permissiva ocorre a banalização do aborto e sua facilidade de acesso favorece que mulheres sejam forçadas a abortar contra a sua vontade.

Entenda

Os casos de abortos forçados ocorrem em todos os países que tem o aborto legal e também, em menor quantidade, onde o aborto é crime. Nos EUA, são diversos casos que são registrados. Existem abundantes registros de casos em que os pais, empregadores ou o próprio pai do bebê exige que a mulher aborte porque a gestação “não veio em boa hora”.

Nas empresas, gerentes e patrões fazem pressão para que a mulher “interrompa” a gravidez, já que para a empresa interessa evitar a ausência da funcionária no período de licença maternidade. Veja alguns casos e relatos aqui.

A quantidade de abortos forçados é tão significativa que foi criado um site chamado “The Unchoice” (sem escolha, ou não escolhido, em inglês). O site theunchoice.com, do Elliot Institute, demonstra documentos e relatos de centenas de casos de mulheres que tiveram que abortar contra a sua própria vontade.

Uma pesquisa feita no Nepal verificou que 12% das mulheres havia abortado porque foram obrigadas pelo seus companheiros ou familiares. A pesquisa feita por David Reardon, no livro Victms and Victors mostra que, nos Estados Unidos, a maioria das mulheres que fizeram um aborto foram forçadas de alguma forma.

O aborto forçado foi também institucionalizado na China, onde o governo força as mulheres a abortar com vistas no controle populacional e sob as mais variadas formas de ameaça.

EUA – Abortos em caso de estupro

É comum que mulheres que foram estupradas e engravidaram queiram ter o bebê mas que acabem abortando porque seu companheiro ou seus familiares fazem fortíssimas pressões para isso, não aprovando que ela tenha um filho do agressor e até ameaçando não receber bem ao bebê caso ela não aborte.

Muitas mulheres estupradas, ao engravidarem, são levadas pelo próprio agressor até a clínica de abortos. Como sabemos, grande parte dos casos de violência sexual podem vir de pessoas próximas, que tem certo convívio com a vítima. Nesse contexto, por coação e controle psicológico, a vítima é abusada de forma recorrente e ao engravidar continua sendo controlada e é coagida a fazer o aborto. Com a facilidade de acesso ao aborto legal, a vida do abusador tornou-se muito mais fácil. Com o recurso do aborto, o crime não é descoberto e a vítima continua sendo coagida e abusada, sofrendo o agora o trauma em dobro: abusada e abortada.

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Existem muitos casos que a justiça americana descobriu apenas depois que a vítima havia sofrido mais de cinco ou dez anos os abusos sexuais e como consequência, havia acumulado diversos abortos em seu histórico, contra a sua vontade.

No Brasil

Casos como esses também estão crescendo no Brasil. Como o aborto se tornou facilitado no Brasil para casos de estupro (mesmo sem comprovação, B.O.) certamente muitas mulheres são violentadas de forma recorrente e estão passando por este drama em nosso país.

Em consulta a algumas ONGs e associações de apoio a gestantes, no Brasil, confirmamos que uma parcela significativa de mulheres grávidas vive, hoje, o drama de querer ter seus bebês, mas ser rejeitada pela família, que pressiona a mulher a fazer o aborto, ameaçando não dar apoio à gravidez e à maternidade. Quando a gravidez é fruto de estupro, a pressão é ainda maior, muitas vezes deixando a mãe sem escolha. A família ou o companheiro obriga ela a abortar.

Segundo uma assistente social que trabalha com apoio a gestante no Brasil, “em grande parte dos casos as gestantes querem ter o filho, mas a família não aceita. É nessa hora que ela precisa do nosso apoio”, explica.  As casas de apoio a gestantes, no Brasil, são poucas e não contam com qualquer apoio do governo ou leis de incentivo e chegam a sofrer perseguição de grupos a favor da legalização do aborto, que querem fechar essas casas.

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Com a legislação atual do Brasil, que permite o aborto em caso de estupro e sem Boletim de Ocorrência, ficou mais fácil aos agressores. Eles mesmos podem levar a vítima ao hospital e garantir que seus crimes serão encobertos. Além disso, nas cartilhas do Ministério da Saúde eles não recomendam que o hospital adote posturas de investigação para verificar se se trata de um caso de abuso sexual recorrente para comunicar à polícia.

 

Sabemos que casos de abortos forçados são recorrentes em todo o mundo. Na regra atual, toda mulher atendida no serviço de abortamento ‘legal’, no Brasil, teria sido vítima de abuso sexual, cometido provavelmente por alguém próximo à família.  O fato dos hospitais serem orientados a não solicitar qualquer investigação ao atenderem as vítimas de estupro permite aos abusadores perpetuar seus crimes e expõe milhares de mulheres a abusos reiterados. Contudo, nenhum grupo feminista irá se preocupar com esse sofrimento.

Os legisladores e o Ministério da Saúde estão sendo cúmplices morais de milhares de crimes de estupro recorrente e abortos forçados pelo país.

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INFORMAÇÕES E LINKS

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

Aborto e câncer de mama: décadas de estudos sendo ignorados

Os primeiros estudos científicos que mostraram o aborto induzido como fator de aumento de risco para o câncer de mama foram realizados em 1957 (1). Estudos vêm sendo publicados há mais de meio século com alertas sobre essa forte relação. Os estudos mais recentes, feitos nos últimos 10 a 15 anos, em todo o mundo, têm comprovado a consistência desse antigo alerta, que ao que tudo indica, é propositalmente ignorado pelos veículos de comunicação e grandes organizações que têm entre seus clientes, investidores e financiadores, grandes fundações e empresas ligadas à indústria bilionária do aborto.

Estamos no Outubro Rosa e apesar de todas essa bibliografia e histórico de pesquisas científicas ninguém fala sobre o assunto no Brasil.

1. Entenda como funciona

Durante uma gravidez o corpo da mulher passa por alterações extremamente significativas, incluindo obviamente, alterações do desenvolvimento dos seios que deverão estar preparados para amamentação ao final da gravidez.

O aborto não interrompe apenas a gravidez, mas todas essas alterações. A interrupção ocasionada pelo aborto deixa os seios da mulher semi-transformados, consequentemente instável e mais vulnerável.

No processo de maturação da mama, inerente à gestação, aumentam-se os níveis de estrogênio, que estimulam o crescimento. O crescimento se dá pela função de estímulo à divisão celular feita pelo estrogênio. Assim, se ocorrer porventura uma anomalia nesse processo de divisão celular, há o risco de se iniciar um câncer.

O estrogênio juntamente com outros hormônios preparam o corpo da mulher para amamentação, desenvolvendo aglomerados de tecidos mamários conhecidos como lóbulos. Estes hormônios aumentam o número de lóbulos no seio e depois passam por um processo de maturação. Eles desenvolvem-se do seu estado básico,  menos estáveis (conhecidos como lóbulos tipo 1 ou tipo 2) até os estados mais maduros, que são mais estáveis (chamados lóbulos tipo 3 e tipo 4).

Os lóbulos mais maduros são significativamente menos propensos a serem causadores de qualquer problema. Mas quando todo o processo da gravidez é interrompido inesperadamente por um aborto, todo este desenvolvimento é também interrompido deixando desestabilizado este processo hormonal e celular. Os lóbulos que ainda estão nos seus estados mais básicos (tipo 1 e 2), e por isso mais instáveis, têm seu desenvolvimento interrompido inesperadamente.

A imagem abaixo ilustra essas fases de maturação durante a primeira gestação.

relação entre o câncer de mama e aborto - estudos cientificos

Na 20ª semana de gestação, por exemplo, a mama passou a ter o dobro do tamanho.

Após a 20ª semana, esses lóbulos tornam-se menos instáveis e menos vulneráveis.

Após a 32ª semana de gestação, os lóbulos se desenvolveram até o tipo 4, já são capazes de produzir leite e seu estágio de maturação protegem a mulher contra o câncer de mama.

Com o nascimento, os módulos tipo 4 passam por um processo de retorno ao tipo 3, mantendo as alterações epigenéticas que protegem a mulher contra o desenvolvimento de câncer de mama.

2. Os estudos epidemiológicos

Em 2014, pelo menos 28 estudos epidemiológicos foram publicados em diversos países do mundo. Em 21 estudos, verificou-se um aumento significativo na ocorrência de câncer de mama em mulheres que fizeram um aborto.

Uma análise completa de dezenas de artigos científicos sobre o assunto foi publicada pela maior cirurgiã especializada em câncer de mama nos Estados Unidos, e uma das mais antigas pesquisadoras sobre o assunto, Dra. Angela Lanfranchi, em parceria com o Ph.D Patrick Fagan, de  133 páginas.

Outro importante estudo analisou em profundidade esta relação, e foi publicado na revista “Cancer Causes and Control“, pelo Dr. Yubei Huang e equipe. Trata-se de uma meta-analise que avaliou 36 pesquisas científicas sobre esta relação, na China. Este último estudo aponta que na média geral, pode-se considerar que a experiência do aborto aumenta em 44% o risco de desenvolvimento de câncer de mama.

O estudo verificou que quando a mulher passou por 2 abortos, o risco aumenta para 76%. Nos casos de mulheres que já fizeram três abortos, infelizmente cada vez mais comum nos países onde é legalizado, o risco calculado no estudo foi para 89%.

Vale lembrar e exemplificar, que no Reino Unido, apenas em 2015, conforme dados do governo, 38% dos abortos foram feitos em mulheres que já tinham feito 1 aborto antes. Nos Estados Unidos, em média 40% dos abortos ao ano são feitos por mulheres que já fizeram 1 ou 2 abortos na sua vida.

Outro estudo com significativa abrangência foi publicado em 2007. O estudo analisou registros oficiais de casos de câncer de mama em oito países da Europa: Inglaterra, Gales, Escócia, Irlanda do Norte, República da Irlanda, Suécia, República Checa, Finlândia e Dinamarca. O estudo apresenta, em forma de gráfico, a correlação entre a incidência de câncer de mama e o aumento dos índices de aborto para cada 1000 mulheres, com os dados da Inglaterra e País de Gales, no período de 1998 a 2004.

O gráfico demonstra o crescimento do aborto e de casos de câncer de mama com comportamento extremamente similares.

evolução da correção entre cancer de mama e aborto

A estudo apresenta como conclusão final, com base em diversas evidências, que é possível afirmar que o crescimento dos casos de câncer de mama se deve ao aumento do número de abortos. Contudo esse estudo não utilizou-se de históricos de cada paciente. Oos estudos citados por Dra Angela Lanfranchi e pelos pesquisadores da China analisou o histórico médico dos pacientes, mostrando-se métodos mais consistentes. O estudo do Reino Unido vem no sentido de confirmar, por outro método, àquilo que dezenas de estudos mais aprofundados já tinham apontado.

3. Estudos científicos vêm respondendo aos críticos

Alguns estudos têm sido publicados criticando a ligação do câncer de mama com o aborto induzido. A tese principal argumenta que os estudos que indicam a relação entre aborto e maior incidência de câncer de mama estaria sofrendo viés porque dentro do grupo de mulheres do ‘grupo de controle’ (mulheres que não tiveram câncer de mama), poderiam haver mulheres que fizeram um aborto mas omitiram essa informação, devido à possível preconceito em torno da questão do aborto. Na hipótese desses autores, os resultados que indicam haver forte relação entre aborto e câncer não seriam suficientemente consistentes.

3.1. Primeiramente, esse viés só poderia acontecer se as mulheres do grupo controle, em todos os estudos (são dezenas), omitissem terem feito abortos e as mulheres do grupo análise, por algum motivo, resolvessem não omitir essa informação.  Ou seja, tal especulação não é minimamente razoável. Considerando a grande quantidade de estudos, realizados em tantos locais distintos no mundo, fica a pergunta: qual a probabilidade de que em todos os estudos, somente as mulheres do ‘grupo controle’ resolvessem omitir terem feito um aborto? Por que as mulheres do grupo análise não omitiram a informação ? É completamente surreal essa hipótese.

Ademais, os 36 estudos feitos na China e os 14 estudos feitos na Índia teriam baixíssimas chances de sofrer com esse viés. Isso porque na China praticamente não existe mais nenhum pudor para se falar em abortos, já que a prática é amplamente difundida.

3.2. Também cabe considerar, que não existe uma indústria milionária antiaborto. Indivíduos e organizações com orientação pró-vida não contam com financiamento de fundações milionárias, ao contrário do que ocorre com grupos pró-aborto, em todo o mundo.

3.3. Alguns partidários da defesa do aborto tentam argumentar que o ativismo pró-vida, apesar de desprovido de qualquer financiamento internacional, conta com o fervor de seus militantes pela defesa da vida. Contudo, vale considerar: a defesa da vida e a oposição ao aborto se dão pelo fato de que a vida inicia na concepção. Se porventura, hipoteticamente, algum estudo comprovasse de forma consistente, que todas essas dezenas de evidências científicas sobre a relação entre câncer de mama e aborto não procedem, ainda assim, nenhum ativista pró-vida precisaria mudar de opinião; pois seu posicionamento é defender a vida iniciada na concepção. Já, por outro lado, se um ativista pró-escolha tiver que admitir que o aborto traz tamanho malefício para as mulheres, sua posição de defesa do aborto fica seriamente comprometida. Talvez haja necessidade de mudar de ideia e não mais defender o aborto. Isso explica a relutância em aceitar esses estudos.

3.3. O National Cancer Institute, nos EUA, juntamente com algumas outras organizações médicas dizem que o aborto induzido “não pode ser relacionado ao aumento de risco de câncer de mama”. Curiosamente, dizem isso fundamentando-se em um simpósio que foi organizado em 2003. Trata-se do Workshop on Early Reproductive Events and Breast Cancer Risks.  A opinião e conclusão que chegaram nesse evento foi de que não haveria evidências suficientes para que seja considerado um fator de risco e que não há motivos para que sejam feitos mais estudos sobre essa correlação. Contudo, o evento contou com a presença de 100 cientistas e nenhum cientista que tem defende haver uma relação entre câncer de mama e aborto foi chamado para falar no evento. Tratou-se de um debate com membros selecionados para que não houvesse discordância nesse aspecto.

Contraditoriamente, a Associação Americana de Médicos alerta que as mulheres devem ter o direito de saber sobre todos os alertas que a comunidade científica tem feito, antes de tomar sua decisão sobre qualquer procedimento médico.

4. A maior evidência para ligação do câncer de mama e aborto: estudos feitos na Índia

Não bastasse as fortes evidências dos estudos produzidos na Europa e China, um estudo realizado na Índia parece trazer ainda mais elementos para indicar a correlação.

Isso porque neste vasto país, com mais de 1 bilhão de habitantes, o câncer de mama apresenta-se na população geral com baixos índices. Especialistas explicam que um dos fatores que pode explicar os baixos índices de câncer de mama na Índia é o fato de que as mulheres se casam e têm filhos mais cedo do que a média de outros países, e a amamentação é um fator positivo que diminui os riscos do desenvolvimento de câncer de mama (a constatação sobre a redução do risco de câncer devido à amamentação não traz polêmica entre os médicos. Trata-se de uma questão ‘pacificada’).

É nesse cenário da Índia fica ainda mais fácil verificar a diferença entre os riscos de desenvolvimento de câncer de mama.

São diversos estudos que apontam haver fortes indícios de ligação da experiência do aborto com o aumento no risco do câncer de mama. O LifeSiteNews analisou 14 estudos científicos sobre o tema e verificou que, na média geral, os estudos apontam que a experiência do aborto pode aumentar em 439% o risco de câncer de mama.

Em vista disso, analisei individualmente, 12 dos 14 estudos citados no LifeSiteNews, buscando diretamente em cada artigo avaliar sua consistência metodológica, sua qualidade, representatividade, e claro, conferindo se efetivamente essas foram as conclusões tiradas em suas  pesquisas. Com isso, montei o resumo abaixo, em forma de tabela, onde trago algumas informações básicas destes estudos e os links para quem desejar lê-los na sua íntegra e contribuir no debate em torno da questão. Estão todos em inglês.

N

Publicado por / Instituição / Revista / Grupo e Ano da publicação e Link

Região Grupo controle Grupo análise Aumento de risco apurado
1 Department of Surgery and Radiology, University College of Medical Sciences & GTB Hospital, Delhi, India (2011)
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22830135
N.Kaur 123 115
  • 179%
2 Journal of Ayub Med Coll. (2011)
Oncology clinic – Hospital of Karachi, Pakistan
http://medind.nic.in/jav/t11/i4/javt11i4p163.pdf
Paquistão 224 224
  • 580%
3 Indian Journal of Cancer(2011)
http://www.indianjcancer.com/text.asp?2011/48/3/303/84928
Bhopal (MP) India 215 215
  • 91%
4 Wolrd Journal of Pharmacy and Pharmaceutical Sciences -2014
http://www.wjpps.com/wjpps_controller/abstract_id/1454
West Bengal – India 127 108
  • 966%
5 Radiotherapy and Medicine, JIPMER (Hospital especializado) – 2013
http://www.indianjcancer.com/article.asp?issn=0019-509X;year=2013;volume=50;issue=1;spage=65;epage=70;aulast=Balasubramaniam
152 152
  • 108%
6 Hospital Aurangabad, Maharashtra, India – 2014
http://www.ibimapublishing.com/journals/ENDO/2014/872124/872124.pdf
U.Talkalar – India 220 220
  • 180%
7 Cancer Epidemiology – The International Journal of Cancer Epidemiology, Detection and Prevention (ELSEVIER) – 2010
http://www.issues4life.org/pdfs/20100226_prolonged.pdf
Sri lanka – India 203 100
  • 242%
8 J Dhaka Medicine College – 2013.
http://www.banglajol.info/index.php/JDMC/article/viewFile/15628/11078
Bangladesh – India 262 262
  • 1.962%
9 New Delhi Hospital, Departments of Surgery/Surgical Oncology – 2013 – http://www.indianjcancer.com/text.asp?2013/50/4/316/123606 A.S. Bhadoria 320 320
  • 626%
10 Indian J. Prev. Soc. Med. Vol 39. – 2008
medind.nic.in/ibl/t08/i1/iblt08i1p71.pdf
M. Rai 65 65
  • 121%
11 Department of Surgical Oncology, GKNM Hospital, Coimbatore-641037, India. 2012

http://indianjournals.com/ijor.aspx?target=ijor:ajrssh&volume=2&issue=3&article=002

K.S. Santhy 200 200
  • 22%
12 Indian Journal of Community Medicine – 2013

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3714949/

R. Kamath 94 94
  • 475%

No Globalismo não se aceita nenhuma crítica ao aborto

Nos Estados Unidos, em apenas 8 estados existem leis que exigem que as mulheres sejam alertadas, antes de decidir fazer um aborto, sobre a existência de estudos que apontam haver um aumento no risco de câncer de mama após o aborto.

As pressões políticas e comerciais contribuem fortemente para que o tema não seja falado e não se alerte sobre esse risco. Uma agente importante no debate é a Fundação Susan G. Komen, que atua em campanhas de prevenção e conscientização ao câncer de mama nos EUA. A fundação tem como fundadora Nancy Brinker, que foi membro do conselho da Planned Parenthood. Atualmente, o site da Fundação Susan G. Komen mostra que mantêm seu trabalho graças aos parceiros: Fundação Ford e Bank of America. Sobre a ligação da Fundação Ford com a causa abortista creio ser desnecessário falar, tamanha abundância de citações, evidências e projetos de expansão ao acesso ao aborto no mundo todo, que são subsidiados com investimento da Fundação Ford. Sobre o Bank of America, a instituição financeira contribui para pelo menos 16 organizações pró-aborto nos Estados Unidos.

Quando o assunto é aborto, no discurso globalista, nenhuma crítica pode ser levantada.  Para sustentar a ideia do direito ao aborto os seus partidários não aceitam que seja imputada nenhum ponto negativo da prática do aborto, como se fosse um ato genuinamente bom e benéfico e que só traz benefícios.

Leia também: Máquina de fazer dinheiro: a indústria milionária do aborto

Fontes e informações:

1. Segi M, e outros. An epidemiological study on cancer in Japan. GANN. 1957; 48: 1-63.

2. Artigo sobre relação aborto e câncer de mama – com diversas referências bibliográficas/livros e artigos

3.LifeSiteNews – Meta Analysis of 36 Chinese studies shows abortion increases breast cancer

4. Angela Lanfranchi, M.D., FACS, and Patrick Fagan, Ph.D, “Breast Cancer and Induced Abortion: A Comprehensive Review of Breast Development and Pathophysiology, the Epidemiologic Literature, and     Proposal for Creation of Databanks to Elucidate All Breast Cancer Risk Factors”
Disponível em PubMed http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25189012 e  em: http://www.bcpinstitute.org/papers/ILM_Vol%2029_No1_1-133.pdf

5. P. Carroll, “The Breast Cancer Epidemic: Modeling and Forecasts Based on Abortion and Other Risk Factors” Journal of American Physicians and Surgeons (2007) http://www.jpands.org/vol12no3/carroll.pdf

6. Site AfterAbortion.org: risco relacionado ao aborto

8. Cancro de mama – artigo – aborto.com.br

9. [um dos estudo que tentou criticar a ligação entre aborto e câncer de mama] 1998 Nov;53(11):708-14.  The alleged association between induced abortion and risk of breast cancer: biology or bias?

 

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

a Russia espalhou seus erros pelo mundo - o holocausto abortista

A Rússia espalhou seus erros pelo mundo: o primeiro holocausto abortista

A história do aborto na Rússia está fora de todos os padrões vistos no mundo. Foi o primeiro país a legalizar o aborto, sob o comando de Lênin, e seus números são estratosféricos. Assim como a Rússia espalhou ideologias socialistas-comunistas pelo mundo, ajudou a popularizar, ao longo do século XX, a terrível ideia de legalizar o aborto. O seu exemplo motivou uma onda de adesões ao aborto pelo mundo.

Em 1926, a Rússia superou 126 mil abortos por ano. Em 1936, foram 800 mil aborto e 5 anos depois e, em 1941, há um vácuo nas estatísticas. Os dados disponíveis sobre o ano de 1940 indicam ter havido 500 mil abortos. As estatísticas retornam em 1954, quando a Rússia registrou 3,4 milhões de abortos apenas naquele ano. O processo de “desestanilização” da União Soviética durou anos e a cultura stalinista do socialismo-comunismo, impregnada, foi o grande motor que fez com que o número alarmante de abortos permanecesse na casa dos milhões por décadas. Em 1963, foram registrado mais de 5,4 milhões de abortos.

Com o fim da Guerra Fria, em 1991, o número de abortos passou a cair, permanecendo com 3,6 milhões de abortos anuais. Hoje em dia, dados de 2014 registram que a Rússia realiza 929.963 mil abortos por ano, representando 32% das gestações russas.

Utopia abortista

Em 1929, os bolcheviques (membros do Partido Operário Social-Democrata, liderado por Lênin) implantaram o aborto na Rússia. A ideia de Vladimir Lênin, baseada em Engels, era de que a família representa a origem do poder na sociedade burguesa e, por isso, deveria ser destruída enquanto instituição, pois impede os planos da revolução socialista ao manter o lastro do poder e da exploração na alma dos cidadãos. Além disso, com o aborto facilitado, mais mulheres estariam disponíveis como força de trabalho deixando, assim, de serem “propriedades de seus maridos” para serem propriedades do povo (Partido).

Uma matéria recente no The Moscow Times mostra um pouco como a Rússia vê sua própria história.

Em 1929, estimulado pelas ideias comunistas de igualdade de gênero e direito das mulheres, a União Soviética se tornou o primeiro país no mundo a legalizar o aborto.

A máquina de sucção, utilizada em abortos tardios até hoje em todo o mundo, foi desenvolvida nessa época na Rússia.

O aborto foi criminalizado, de 1936 a 1950, devido a inserção de ideias nacionalistas e apelo ao patriotismo, o que durou apenas até meados da década de 1950, quando oficiais soviéticos voltaram a permitir o aborto, permanecendo a legislação atual. Com o passar do tempo, a legalização consagrou o aborto como uma prática social.

Na URSS o aborto era largamente usada como forma de contracepção. Os números de abortos começaram a reduzir mas continuam até os dias de hoje em níveis extremamente anormais. Depois da China, a Rússia tem os níveis mais altos de aborto no mundo. Em 2015, 930 mil abortos ocorreram no país – e isso, somente os números oficiais -, pois estima-se que há um grande número de abortos feitos fora do sistema médico. O número de abortos anuais pode ser até duas vezes maior, dizem especialistas Russos.” (The Moscow Times)

Segundo a matéria, Ekaterina Schulman, cientista política especializada em problemas sociais da Rússia acredita que a proibição do aborto provocaria uma catástrofe social.

Oficiais do Governo rejeitam as iniciativas e ideias de criminalização do aborto porque seriam financeiramente inviáveis, devido ao fato de que o número de pessoas que dependem do governo aumentaria muito. A Deputada Olga Golodets, por outro lado, diz que a redução do número de abortos seria de grande ajuda para o problema demográfico da Rússia.

Ações para redução do aborto na Rússia

Apesar de 80% da população russa se autointitular Cristã Ortodoxa, apenas 10% é praticante e leva a sua vida conforme os princípios da religião. Dentro dessas limitações, a Igreja Ortodoxa tem forte atuação em ações de conscientização e redução das práticas do aborto.

Em 2011, o governo russo adotou diversas medidas para enfrentar o problema da baixa taxa de natalidade do país. As medidas adotadas incluíam por exemplo, exigência de que clínicas e organizações que realizam abortos destinem 10% de suas verbas de marketing para campanhas de conscientização sobre os riscos à saúde da mulher quando realiza um aborto. Leis também tornaram ilegal descrever o aborto como um procedimento médico seguro à vida da mãe.

Foi também instituído o “Dia da família, amor e da fé”, em parceria com a Igreja Ortodoxa.

A Rússia viu sua população decrescer de 1992 até 2012, na ordem de centenas de milhares a cada ano. O país sofre tendo a menor densidade populacional do mundo.

(Colaborou: Cristian Derosa)

Informações:

Aborto na Rússia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Aborto_na_R%C3%BAssia

História da Rússia – https://en.wikipedia.org/wiki/Abortion_in_Russia#1936-1955

Estatísticas sobre o aborto – http://www.johnstonsarchive.net/policy/abortion/ab-russia.html

Matéria – The Moscow Times – Debate sobre o aborto na Rússia
https://themoscowtimes.com/articles/russias-abortion-debate-is-back-55545 e http://www.liveactionnews.org/the-abortion-ripple-effect-russias-tragic-abortion-tale/

Estatísticas sobre o país – https://en.wikipedia.org/wiki/Demographics_of_Russia#Vital_statistics

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

clinica de aborto legal nos estados unidos em pessimas condições de trabalho

Aborto seguro? Saiba como são as clínicas de aborto legal nos EUA

Relatório do departamento de saúde do estado da Pensilvânia traz assustadora lista de irregularidades encontradas na clínica de abortos Hillcrest Women’s Medical Center, estado da Pensilvânia.

Dentre as irregularidades descritas no relatório de 8 de julho, incluem-se:

  • medicamentos vencidos;
  • falta de documentação e credenciais dos médicos;
  • medicamentos armazenados em refrigeradores com temperatura inapropriada;
  • condições sanitárias inadequadas: as deficiências incluíam manchas no teto (substância marrom não identificada); estofamento rasgado nas mesas de exames e quintal com mato alto sem nenhum cuidado.

O relatório do departamento estadual contém 12 páginas e foi datado de 8 de julho mas até agora, final de agosto, a clínica ainda estava em funcionamento. O fechamento da clínica ocorreu somente agora, quase dois meses e meio após a emissão do relatório, porque as autoridades receberam denúncias.

As irregularidades encontradas na clínica trazem um risco altíssimo para todo procedimento médico feito em suas dependências. É o aborto legal sendo feito de forma completamente insegura, colocando em risco a vida de todas as pacientes.

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Teoria versus prática: aborto legal não é necessariamente mais seguro que aborto clandestino.

Apesar do principal argumento pela legalização do aborto em todo o mundo ser exatamente a falta de segurança devido às péssimas condições das clínicas clandestinas, os EUA, 44 anos após a legalização, ainda vive problemas de clínicas de aborto sem as mínimas condições de operação.

A pergunta que surge imediatamente é: se vemos fatos como esses nos EUA quase 5 décadas após a legalização do aborto, o que não seria visto no Brasil se a prática fosse legalizada?

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Informações:
National Rigjt to Life News – 25 de agosto de 2017

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

Comprovado: proibição total do aborto no Nicarágua reduz 59% óbitos maternos

Após proibição total do aborto Nicarágua reduz a mortalidade materna em 59%

Dez anos após a revogação da lei que permitia o “aborto terapêutico”, Nicarágua registra uma dramática redução na taxa de mortalidade materna. O decréscimo prova a falsidade do mito de que milhares de mulheres morrem porque o aborto é ilegal em alguns países, teoria defendida por militantes ‘pró-escolha’ e por organizações internacionais com negócios no mercado de aborto legal.

Em 30 de maio de 2017, o Ministério da Saúde (MINSA) da Nicarágua apresentou os registros de mortalidade do seu país relativo aos últimos 10 anos. Os números mostram aquilo que todo ativista pró-legalização temia. Após a proibição total do aborto, houve uma redução de 59% na taxa de mortalidade materna. Em 2006, ocorreram 93 óbitos maternos para cada 100.000 nascimentos. O número caiu para 59 óbitos em 2011 e agora em 2016, registraram 38 mortes maternas para cada 100.000 nascimentos.

A Nicarágua também atingiu com sucesso a meta do milênio para redução da mortalidade materna estipulada pela Organização Mundial da Saúde(OMS). Em 2011, o país recebeu o prêmio “American Prize“, da OMS.

Legislação sobre aborto no Nicarágua

No país, o aborto é completamente ilegal, inclusive em caso de estupro e risco de saúde para a mulher. Em 2006, o país votou uma lei que proibiu toda e qualquer prerrogativa para o aborto, após campanhas que tiveram o apoio de igrejas e organizações sociais. Na época da alteração da legislação, grupos ligados aos direitos humanos lamentaram a alteração legal e alertaram que isso representaria um aumento na mortalidade materna do país para os próximos anos. Dez anos mais tarde, vemos que esses prognósticos não estavam apenas incorretos,  mas que ocorreu exatamente o contrário.

Alguns membros da comunidade médica, na época, também contribuíram para a alteração legal que baniu o aborto. O obstetra e líder do movimento “Sim para a vida”, Rafael Cabrera, argumentou, em 2006, que a ciência médica havia avançado o suficiente para trazer o feto à vida extrauterina sem colocar em risco a saúde da mãe e que, por isso, mesmo em caso de gestações com risco de vida da gestante, não era necessário matar o feto. “Nós não acreditamos que uma criança precisa ser destruída sob o pretexto de que a mãe possa, talvez, morrer”, explicava o médico.

A história mostrou agora, 10 anos depois, que as previsões desse médico estavam corretas. É possível salvar as gestantes e os bebês. A medicina serve para salvar vidas e não para destruí-las.

Lições que podem ser aprendidas com essa experiência

Proibição do aborto leva à queda de mortalidade materna: assim como o Chile registrou queda substancial na mortalidade materna e no número de abortos desde 1989, quando criminalizou a prática, a experiência da Nicarágua mostra, mais uma vez, que a proibição do aborto não gera mais mortalidade materna e gestão da saúde pública se faz promovendo saúde e não abortos.

Engajamento pró-vida tem importante função social: a experiência também mostra que toda a sociedade pode e deve participar na luta pela vida. Não fosse a articulação e campanha feita pelas igrejas e organizações pró-vida, em 2006, a Nicarágua não teria proibido o aborto. A participação da comunidade médica na luta pela vida também mostrou-se essencial.

Informações:

Em inglês – Notícia do The Guardian em 2006 mostra ativistas errando em seus prognósticos de que a mortalidade materna subiria com a criminalização total do aborto

Em Inglês – LifeSiteNews – sobre a divulgação dos resultados de 2006 a 2016

 

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

Novos dados do governo do Uruguai mostram 35% de aumento no número de abortos

O Governo Uruguaio divulgou recentemente os números dos abortos ocorridos em 2016. Foram realizados um total de 9.719 abortos legais no ano de 2016. O número é 35% maior do que o verificado em 2013, primeiro ano após a legalização.

A apresentação completa do governo pode ser acessada pelo site do Ministério da Saúde do Uruguai.

Desde a legalização, no final de 2012, os números de abortos no Uruguai só crescem, acumulando alta de 35% desde o primeiro ano da legalização.

2013 = 7.171
2014 = 8.537
2015 = 9.362
2016 = 9.719

Ao analisar mais profundamente, os números parecem indicar que a tendência de crescimento no número de abortos permanece forte, uma vez que o número mensal de abortos ocorridos dentro do ano de 2016 também é crescente. No primeiro trimestre de 2016, ocorriam entre 750 a 770 abortos por mês. No segundo trimestre, o número variou na faixa de 800 abortos mês. Nos últimos dois trimestres em praticamente todos os meses ocorreram mais de 800 abortos, chegando a superando 900 em setembro. Esse comportamento traz um prognóstico ainda mais negativo. Se mantida tendência das variações mensais é provável que o país registrará ao término de 2017 um número de abortos ainda maior.

estatisticas sobre numeros de abortos no uruguai desde a legalização

Números de abortos legais ocorridos no Uruguai desde a legalização. Fonte: Ministério da Saúde do Uruguai.

O que motivou as mulheres a abortar no Uruguai em 2016

Os dados do governo mostram que 98,97% dos abortos foram por decisão da mulher. Os casos de violência sexual representaram 0,01%, ou seja, 1 aborto. Anomalia fetal incompatível com a vida representou 0,04% (4 abortos)  e risco de saúde para a mulher0,05%  (5 abortos).

estatisticas sobre numeros de abortos no uruguai desde a legalização

Motivo dos abortos legais ocorridos no Uruguai a cada ano. Fonte: Ministério da Saúde do Uruguai.

Consultas obrigatórias antes do aborto são obrigatórias

No Uruguai são previstas 4 consultas obrigatórias antes do procedimento de aborto ser realizado. Entre as consultas, é dado um tempo para a gestante pensar melhor sobre sua decisão e também é feito exame de ultrassom. Trata-se de medida obrigatória, e as estatísticas mostram que os procedimentos evitaram 585 abortos (6% do total). Apesar de ser um percentual pequeno, esses procedimentos são feitos em alguns países. Nos Estados Unidos, grupos pró-escolha lutaram para banir esse procedimento e hoje o Texas é um dos poucos estados que ainda tem esse procedimento.

Um projeto de lei com modelo semelhante foi proposto no Brasil recentemente, visando dar maior suporte e acesso aos exames para as gestantes que procuram o aborto por terem sido vítimas de estupro, situação a qual no Brasil é possível realizar aborto sem penalização. Apesar de ser um procedimento que salva vidas, muitos foram os críticos. O projeto brasileiro foi além, ao também dar suporte e orientação para caso a gestante deseje repensar sua situação e já iniciar procedimentos para adoção. O projeto de lei não é federal, trata-se de lei do Distrito Federal. Por completo desconhecimento da realidade de outros países e das consequências da legalização do aborto, muitos foram os críticos.

Legalização do aborto no Uruguai e em outros países

Como visto na esmagadora maioria dos países que legalizou o aborto no mundo, o crescimento no número de abortos ocorre de forma muito substancial. Como as experiências de outros países também mostram, após registrar aumento no número de abortos por diversos anos consecutivos após legalização, alguns países trataram de reduzir estatísticas. Com isso, receia-se que o mesmo ocorra no Uruguai, quer seja com ocultação direta de abortos, quer seja com as técnicas mais sutis, de não obrigar as clínicas e hospitais a fornecerem números sobre aborto. Esses fatos culminam, de uma forma ou de outra, em relatórios do governo com menos abortos e menos desconforto para os envolvidos na legalização e fornecimento do serviço.

Apesar de ainda não ter surgido nenhuma investigação e indícios de ocultação dos números, o governo do Uruguai ainda se posiciona, ao tratar do assunto, como defensor da legalização do aborto e expansão do seu acesso. No relatório do ano anterior, o governo ainda citava a hipotética (ou miraculosa) redução no número de abortos, que tentavam sustentar. Tratava-se da comparação dos números atuais de abortos com um estudo especulativo feito mais de 10 anos antes, que ‘estimava’ que ocorriam em torno de 33 mil abortos clandestinos ao ano. A ideia de que, passada a legalização os 33 mil abortos clandestinos milagrosamente se transformaram “apenas” 7 mil (dado do primeiro ano) foi percebida pela população como totalmente descabida. Para evitar o desconforto de tentar sustentar tão inusitada e ilógica situação, o relatório do ministério da saúde uruguaio mais recente passou a não fazer mais referências a esses números estimados no passado.

Informações:

Ordenanza Ministerial 369/04

Modificaciones en normativa sobre Interrupción Voluntaria del Embarazo (IVE)

Divulgação do Governo do Uruguai (apresentação)

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.

EUA tenta aprovar leis para dificultar ocultação de complicações em abortos legais

EUA busca dificultar ocultação de complicações em abortos e mortes maternas

O estado do Texas está tentando aprovar uma lei que obriga clínicas e hospitais, que fazem serviço de aborto, a informar o departamento de saúde estadual sobre complicações ocasionadas por seus procedimentos.

Apesar do aborto ser legalizado há 44 anos nos Estados Unidos, o país ainda vive uma situação de desconhecimento sobre o número total de abortos realizados todos os anos, sendo necessário avaliar a situação dos abortamentos no país por meio de números pouco confiáveis e parciais (incompletos).

Diversas investigações já foram realizadas no país visando tentar mapear e inibir atitudes de prestadores de serviço de abortos na ocultação de complicações pós-aborto legal.

Veja também: Clínicas de abortos nos EUA ocultam casos de complicações pós-aborto.

A proposta do Republicano Giovanni Capriglione é exigir que clínicas e hospitais informem o departamento de saúde estadual, em até 3 dias úteis, sobre quaisquer complicações relacionadas aos procedimentos de aborto, tais como óbito materno, perfuração uterina, infecção ou morte do bebê fora do útero.

Os nomes dos aborteiros e pacientes ficariam sob sigilo. Os prestadores de serviço de aborto que não cumprissem a lei, teriam de pagar US$ 500 dólares em multa, e reiterado descumprimento da lei por 3 vezes, estaria sujeito a perda da licença da unidade e da licença profissional do aborteiro.

O objetivo da lei é viabilizar que seja possível que o governo e a população do Texas tenham melhores estatísticas sobre a taxa de complicações dos procedimentos de abortos legais. Para os defensores da lei, as informações confiáveis são fundamentais para que as pessoas possam decidir conscientemente sobre o aborto.

Missuori:Lei semelhante vem sendo desrespeitada no em outro estado

O departamento de saúde do estado de Missuori vem lutando para resolver o problema e exigir das clínicas que forneçam as informações sobre complicações pós-aborto. No estado de Missuori existe uma lei para forçar prestadores de serviços ao fornecimento dessas informações, contudo, vem sendo negligenciado o seu cumprimento. Sob nova gestão, o departamento de saúde do estado de Missuori está dedicando esforços especiais para resolver o descumprimento da legislação.

A Dra. Lenora Berning alerta: “O aborto é um dos procedimentos cirúrgicos mais frequentes nos EUA, mas é um dos menos regulados. É o único procedimento cirúrgico que conheço, em que o médico que faz o procedimento não é responsável por dar acompanhamento pós-operatório e não se envolve em quaisquer complicações que ocorram por conta do procedimento.”

Informações:

Statesman.com

Departamento de Saúde do estado de Missuori

Pesquisador e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius. Organizador e coautor do livro “Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades”.