Aborto e câncer de mama: décadas de estudos sendo ignorados

Os primeiros estudos científicos que mostraram o aborto induzido como fator de aumento de risco para o câncer de mama foram realizados em 1957 (1). Estudos vêm sendo publicados há mais de meio século com alertas sobre essa forte relação. Os estudos mais recentes, feitos nos últimos 10 a 15 anos, em todo o mundo, têm comprovado a consistência desse antigo alerta, que ao que tudo indica, é propositalmente ignorado pelos veículos de comunicação e grandes organizações que têm entre seus clientes, investidores e financiadores, grandes fundações e empresas ligadas à indústria bilionária do aborto.

Estamos no Outubro Rosa e apesar de todas essa bibliografia e histórico de pesquisas científicas ninguém fala sobre o assunto no Brasil.

1. Entenda como funciona

Durante uma gravidez o corpo da mulher passa por alterações extremamente significativas, incluindo obviamente, alterações do desenvolvimento dos seios que deverão estar preparados para amamentação ao final da gravidez.

O aborto não interrompe apenas a gravidez, mas todas essas alterações. A interrupção ocasionada pelo aborto deixa os seios da mulher semi-transformados, consequentemente instável e mais vulnerável.

No processo de maturação da mama, inerente à gestação, aumentam-se os níveis de estrogênio, que estimulam o crescimento. O crescimento se dá pela função de estímulo à divisão celular feita pelo estrogênio. Assim, se ocorrer porventura uma anomalia nesse processo de divisão celular, há o risco de se iniciar um câncer.

O estrogênio juntamente com outros hormônios preparam o corpo da mulher para amamentação, desenvolvendo aglomerados de tecidos mamários conhecidos como lóbulos. Estes hormônios aumentam o número de lóbulos no seio e depois passam por um processo de maturação. Eles desenvolvem-se do seu estado básico,  menos estáveis (conhecidos como lóbulos tipo 1 ou tipo 2) até os estados mais maduros, que são mais estáveis (chamados lóbulos tipo 3 e tipo 4).

Os lóbulos mais maduros são significativamente menos propensos a serem causadores de qualquer problema. Mas quando todo o processo da gravidez é interrompido inesperadamente por um aborto, todo este desenvolvimento é também interrompido deixando desestabilizado este processo hormonal e celular. Os lóbulos que ainda estão nos seus estados mais básicos (tipo 1 e 2), e por isso mais instáveis, têm seu desenvolvimento interrompido inesperadamente.

A imagem abaixo ilustra essas fases de maturação durante a primeira gestação.

relação entre o câncer de mama e aborto - estudos cientificos

Na 20ª semana de gestação, por exemplo, a mama passou a ter o dobro do tamanho.

Após a 20ª semana, esses lóbulos tornam-se menos instáveis e menos vulneráveis.

Após a 32ª semana de gestação, os lóbulos se desenvolveram até o tipo 4, já são capazes de produzir leite e seu estágio de maturação protegem a mulher contra o câncer de mama.

Com o nascimento, os módulos tipo 4 passam por um processo de retorno ao tipo 3, mantendo as alterações epigenéticas que protegem a mulher contra o desenvolvimento de câncer de mama.

2. Os estudos epidemiológicos

Em 2014, pelo menos 28 estudos epidemiológicos foram publicados em diversos países do mundo. Em 21 estudos, verificou-se um aumento significativo na ocorrência de câncer de mama em mulheres que fizeram um aborto.

Uma análise completa de dezenas de artigos científicos sobre o assunto foi publicada pela maior cirurgiã especializada em câncer de mama nos Estados Unidos, e uma das mais antigas pesquisadoras sobre o assunto, Dra. Angela Lanfranchi, em parceria com o Ph.D Patrick Fagan, de  133 páginas.

Outro importante estudo analisou em profundidade esta relação, e foi publicado na revista “Cancer Causes and Control“, pelo Dr. Yubei Huang e equipe. Trata-se de uma meta-analise que avaliou 36 pesquisas científicas sobre esta relação, na China. Este último estudo aponta que na média geral, pode-se considerar que a experiência do aborto aumenta em 44% o risco de desenvolvimento de câncer de mama.

O estudo verificou que quando a mulher passou por 2 abortos, o risco aumenta para 76%. Nos casos de mulheres que já fizeram três abortos, infelizmente cada vez mais comum nos países onde é legalizado, o risco calculado no estudo foi para 89%.

Vale lembrar e exemplificar, que no Reino Unido, apenas em 2015, conforme dados do governo, 38% dos abortos foram feitos em mulheres que já tinham feito 1 aborto antes. Nos Estados Unidos, em média 40% dos abortos ao ano são feitos por mulheres que já fizeram 1 ou 2 abortos na sua vida.

Outro estudo com significativa abrangência foi publicado em 2007. O estudo analisou registros oficiais de casos de câncer de mama em oito países da Europa: Inglaterra, Gales, Escócia, Irlanda do Norte, República da Irlanda, Suécia, República Checa, Finlândia e Dinamarca. O estudo apresenta, em forma de gráfico, a correlação entre a incidência de câncer de mama e o aumento dos índices de aborto para cada 1000 mulheres, com os dados da Inglaterra e País de Gales, no período de 1998 a 2004.

O gráfico demonstra o crescimento do aborto e de casos de câncer de mama com comportamento extremamente similares.

evolução da correção entre cancer de mama e aborto

A estudo apresenta como conclusão final, com base em diversas evidências, que é possível afirmar que o crescimento dos casos de câncer de mama se deve ao aumento do número de abortos. Contudo esse estudo não utilizou-se de históricos de cada paciente. Oos estudos citados por Dra Angela Lanfranchi e pelos pesquisadores da China analisou o histórico médico dos pacientes, mostrando-se métodos mais consistentes. O estudo do Reino Unido vem no sentido de confirmar, por outro método, àquilo que dezenas de estudos mais aprofundados já tinham apontado.

3. Estudos científicos vêm respondendo aos críticos

Alguns estudos têm sido publicados criticando a ligação do câncer de mama com o aborto induzido. A tese principal argumenta que os estudos que indicam a relação entre aborto e maior incidência de câncer de mama estaria sofrendo viés porque dentro do grupo de mulheres do ‘grupo de controle’ (mulheres que não tiveram câncer de mama), poderiam haver mulheres que fizeram um aborto mas omitiram essa informação, devido à possível preconceito em torno da questão do aborto. Na hipótese desses autores, os resultados que indicam haver forte relação entre aborto e câncer não seriam suficientemente consistentes.

3.1. Primeiramente, esse viés só poderia acontecer se as mulheres do grupo controle, em todos os estudos (são dezenas), omitissem terem feito abortos e as mulheres do grupo análise, por algum motivo, resolvessem não omitir essa informação.  Ou seja, tal especulação não é minimamente razoável. Considerando a grande quantidade de estudos, realizados em tantos locais distintos no mundo, fica a pergunta: qual a probabilidade de que em todos os estudos, somente as mulheres do ‘grupo controle’ resolvessem omitir terem feito um aborto? Por que as mulheres do grupo análise não omitiram a informação ? É completamente surreal essa hipótese.

Ademais, os 36 estudos feitos na China e os 14 estudos feitos na Índia teriam baixíssimas chances de sofrer com esse viés. Isso porque na China praticamente não existe mais nenhum pudor para se falar em abortos, já que a prática é amplamente difundida.

3.2. Também cabe considerar, que não existe uma indústria milionária antiaborto. Indivíduos e organizações com orientação pró-vida não contam com financiamento de fundações milionárias, ao contrário do que ocorre com grupos pró-aborto, em todo o mundo.

3.3. Alguns partidários da defesa do aborto tentam argumentar que o ativismo pró-vida, apesar de desprovido de qualquer financiamento internacional, conta com o fervor de seus militantes pela defesa da vida. Contudo, vale considerar: a defesa da vida e a oposição ao aborto se dão pelo fato de que a vida inicia na concepção. Se porventura, hipoteticamente, algum estudo comprovasse de forma consistente, que todas essas dezenas de evidências científicas sobre a relação entre câncer de mama e aborto não procedem, ainda assim, nenhum ativista pró-vida precisaria mudar de opinião; pois seu posicionamento é defender a vida iniciada na concepção. Já, por outro lado, se um ativista pró-escolha tiver que admitir que o aborto traz tamanho malefício para as mulheres, sua posição de defesa do aborto fica seriamente comprometida. Talvez haja necessidade de mudar de ideia e não mais defender o aborto. Isso explica a relutância em aceitar esses estudos.

3.3. O National Cancer Institute, nos EUA, juntamente com algumas outras organizações médicas dizem que o aborto induzido “não pode ser relacionado ao aumento de risco de câncer de mama”. Curiosamente, dizem isso fundamentando-se em um simpósio que foi organizado em 2003. Trata-se do Workshop on Early Reproductive Events and Breast Cancer Risks.  A opinião e conclusão que chegaram nesse evento foi de que não haveria evidências suficientes para que seja considerado um fator de risco e que não há motivos para que sejam feitos mais estudos sobre essa correlação. Contudo, o evento contou com a presença de 100 cientistas e nenhum cientista que tem defende haver uma relação entre câncer de mama e aborto foi chamado para falar no evento. Tratou-se de um debate com membros selecionados para que não houvesse discordância nesse aspecto.

Contraditoriamente, a Associação Americana de Médicos alerta que as mulheres devem ter o direito de saber sobre todos os alertas que a comunidade científica tem feito, antes de tomar sua decisão sobre qualquer procedimento médico.

4. A maior evidência para ligação do câncer de mama e aborto: estudos feitos na Índia

Não bastasse as fortes evidências dos estudos produzidos na Europa e China, um estudo realizado na Índia parece trazer ainda mais elementos para indicar a correlação.

Isso porque neste vasto país, com mais de 1 bilhão de habitantes, o câncer de mama apresenta-se na população geral com baixos índices. Especialistas explicam que um dos fatores que pode explicar os baixos índices de câncer de mama na Índia é o fato de que as mulheres se casam e têm filhos mais cedo do que a média de outros países, e a amamentação é um fator positivo que diminui os riscos do desenvolvimento de câncer de mama (a constatação sobre a redução do risco de câncer devido à amamentação não traz polêmica entre os médicos. Trata-se de uma questão ‘pacificada’).

É nesse cenário da Índia fica ainda mais fácil verificar a diferença entre os riscos de desenvolvimento de câncer de mama.

São diversos estudos que apontam haver fortes indícios de ligação da experiência do aborto com o aumento no risco do câncer de mama. O LifeSiteNews analisou 14 estudos científicos sobre o tema e verificou que, na média geral, os estudos apontam que a experiência do aborto pode aumentar em 439% o risco de câncer de mama.

Em vista disso, analisei individualmente, 12 dos 14 estudos citados no LifeSiteNews, buscando diretamente em cada artigo avaliar sua consistência metodológica, sua qualidade, representatividade, e claro, conferindo se efetivamente essas foram as conclusões tiradas em suas  pesquisas. Com isso, montei o resumo abaixo, em forma de tabela, onde trago algumas informações básicas destes estudos e os links para quem desejar lê-los na sua íntegra e contribuir no debate em torno da questão. Estão todos em inglês.

N

Publicado por / Instituição / Revista / Grupo e Ano da publicação e Link

Região Grupo controle Grupo análise Aumento de risco apurado
1 Department of Surgery and Radiology, University College of Medical Sciences & GTB Hospital, Delhi, India (2011)
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22830135
N.Kaur 123 115
  • 179%
2 Journal of Ayub Med Coll. (2011)
Oncology clinic – Hospital of Karachi, Pakistan
http://medind.nic.in/jav/t11/i4/javt11i4p163.pdf
Paquistão 224 224
  • 580%
3 Indian Journal of Cancer(2011)
http://www.indianjcancer.com/text.asp?2011/48/3/303/84928
Bhopal (MP) India 215 215
  • 91%
4 Wolrd Journal of Pharmacy and Pharmaceutical Sciences -2014
http://www.wjpps.com/wjpps_controller/abstract_id/1454
West Bengal – India 127 108
  • 966%
5 Radiotherapy and Medicine, JIPMER (Hospital especializado) – 2013
http://www.indianjcancer.com/article.asp?issn=0019-509X;year=2013;volume=50;issue=1;spage=65;epage=70;aulast=Balasubramaniam
152 152
  • 108%
6 Hospital Aurangabad, Maharashtra, India – 2014
http://www.ibimapublishing.com/journals/ENDO/2014/872124/872124.pdf
U.Talkalar – India 220 220
  • 180%
7 Cancer Epidemiology – The International Journal of Cancer Epidemiology, Detection and Prevention (ELSEVIER) – 2010
http://www.issues4life.org/pdfs/20100226_prolonged.pdf
Sri lanka – India 203 100
  • 242%
8 J Dhaka Medicine College – 2013.
http://www.banglajol.info/index.php/JDMC/article/viewFile/15628/11078
Bangladesh – India 262 262
  • 1.962%
9 New Delhi Hospital, Departments of Surgery/Surgical Oncology – 2013 – http://www.indianjcancer.com/text.asp?2013/50/4/316/123606 A.S. Bhadoria 320 320
  • 626%
10 Indian J. Prev. Soc. Med. Vol 39. – 2008
medind.nic.in/ibl/t08/i1/iblt08i1p71.pdf
M. Rai 65 65
  • 121%
11 Department of Surgical Oncology, GKNM Hospital, Coimbatore-641037, India. 2012

http://indianjournals.com/ijor.aspx?target=ijor:ajrssh&volume=2&issue=3&article=002

K.S. Santhy 200 200
  • 22%
12 Indian Journal of Community Medicine – 2013

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3714949/

R. Kamath 94 94
  • 475%

No Globalismo não se aceita nenhuma crítica ao aborto

Nos Estados Unidos, em apenas 8 estados existem leis que exigem que as mulheres sejam alertadas, antes de decidir fazer um aborto, sobre a existência de estudos que apontam haver um aumento no risco de câncer de mama após o aborto.

As pressões políticas e comerciais contribuem fortemente para que o tema não seja falado e não se alerte sobre esse risco. Uma agente importante no debate é a Fundação Susan G. Komen, que atua em campanhas de prevenção e conscientização ao câncer de mama nos EUA. A fundação tem como fundadora Nancy Brinker, que foi membro do conselho da Planned Parenthood. Atualmente, o site da Fundação Susan G. Komen mostra que mantêm seu trabalho graças aos parceiros: Fundação Ford e Bank of America. Sobre a ligação da Fundação Ford com a causa abortista creio ser desnecessário falar, tamanha abundância de citações, evidências e projetos de expansão ao acesso ao aborto no mundo todo, que são subsidiados com investimento da Fundação Ford. Sobre o Bank of America, a instituição financeira contribui para pelo menos 16 organizações pró-aborto nos Estados Unidos.

Quando o assunto é aborto, no discurso globalista, nenhuma crítica pode ser levantada.  Para sustentar a ideia do direito ao aborto os seus partidários não aceitam que seja imputada nenhum ponto negativo da prática do aborto, como se fosse um ato genuinamente bom e benéfico e que só traz benefícios.

Leia também: Máquina de fazer dinheiro: a indústria milionária do aborto

Fontes e informações:

1. Segi M, e outros. An epidemiological study on cancer in Japan. GANN. 1957; 48: 1-63.

2. Artigo sobre relação aborto e câncer de mama – com diversas referências bibliográficas/livros e artigos

3.LifeSiteNews – Meta Analysis of 36 Chinese studies shows abortion increases breast cancer

4. Angela Lanfranchi, M.D., FACS, and Patrick Fagan, Ph.D, “Breast Cancer and Induced Abortion: A Comprehensive Review of Breast Development and Pathophysiology, the Epidemiologic Literature, and     Proposal for Creation of Databanks to Elucidate All Breast Cancer Risk Factors”
Disponível em PubMed http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25189012 e  em: http://www.bcpinstitute.org/papers/ILM_Vol%2029_No1_1-133.pdf

5. P. Carroll, “The Breast Cancer Epidemic: Modeling and Forecasts Based on Abortion and Other Risk Factors” Journal of American Physicians and Surgeons (2007) http://www.jpands.org/vol12no3/carroll.pdf

6. Site AfterAbortion.org: risco relacionado ao aborto

8. Cancro de mama – artigo – aborto.com.br

9. [um dos estudo que tentou criticar a ligação entre aborto e câncer de mama] 1998 Nov;53(11):708-14.  The alleged association between induced abortion and risk of breast cancer: biology or bias?

 

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.
a Russia espalhou seus erros pelo mundo - o holocausto abortista

A Rússia espalhou seus erros pelo mundo: o primeiro holocausto abortista

A história do aborto na Rússia está fora de todos os padrões vistos no mundo. Foi o primeiro país a legalizar o aborto, sob o comando de Lênin, e seus números são estratosféricos. Assim como a Rússia espalhou ideologias socialistas-comunistas pelo mundo, ajudou a popularizar, ao longo do século XX, a terrível ideia de legalizar o aborto. O seu exemplo motivou uma onda de adesões ao aborto pelo mundo.

Em 1926, a Rússia superou 126 mil abortos por ano. Em 1936, foram 800 mil aborto e 5 anos depois e, em 1941, há um vácuo nas estatísticas. Os dados disponíveis sobre o ano de 1940 indicam ter havido 500 mil abortos. As estatísticas retornam em 1954, quando a Rússia registrou 3,4 milhões de abortos apenas naquele ano. O processo de “desestanilização” da União Soviética durou anos e a cultura stalinista do socialismo-comunismo, impregnada, foi o grande motor que fez com que o número alarmante de abortos permanecesse na casa dos milhões por décadas. Em 1963, foram registrado mais de 5,4 milhões de abortos.

Com o fim da Guerra Fria, em 1991, o número de abortos passou a cair, permanecendo com 3,6 milhões de abortos anuais. Hoje em dia, dados de 2014 registram que a Rússia realiza 929.963 mil abortos por ano, representando 32% das gestações russas.

Utopia abortista

Em 1929, os bolcheviques (membros do Partido Operário Social-Democrata, liderado por Lênin) implantaram o aborto na Rússia. A ideia de Vladimir Lênin, baseada em Engels, era de que a família representa a origem do poder na sociedade burguesa e, por isso, deveria ser destruída enquanto instituição, pois impede os planos da revolução socialista ao manter o lastro do poder e da exploração na alma dos cidadãos. Além disso, com o aborto facilitado, mais mulheres estariam disponíveis como força de trabalho deixando, assim, de serem “propriedades de seus maridos” para serem propriedades do povo (Partido).

Uma matéria recente no The Moscow Times mostra um pouco como a Rússia vê sua própria história.

Em 1929, estimulado pelas ideias comunistas de igualdade de gênero e direito das mulheres, a União Soviética se tornou o primeiro país no mundo a legalizar o aborto.

A máquina de sucção, utilizada em abortos tardios até hoje em todo o mundo, foi desenvolvida nessa época na Rússia.

O aborto foi criminalizado, de 1936 a 1950, devido a inserção de ideias nacionalistas e apelo ao patriotismo, o que durou apenas até meados da década de 1950, quando oficiais soviéticos voltaram a permitir o aborto, permanecendo a legislação atual. Com o passar do tempo, a legalização consagrou o aborto como uma prática social.

Na URSS o aborto era largamente usada como forma de contracepção. Os números de abortos começaram a reduzir mas continuam até os dias de hoje em níveis extremamente anormais. Depois da China, a Rússia tem os níveis mais altos de aborto no mundo. Em 2015, 930 mil abortos ocorreram no país – e isso, somente os números oficiais -, pois estima-se que há um grande número de abortos feitos fora do sistema médico. O número de abortos anuais pode ser até duas vezes maior, dizem especialistas Russos.” (The Moscow Times)

Segundo a matéria, Ekaterina Schulman, cientista política especializada em problemas sociais da Rússia acredita que a proibição do aborto provocaria uma catástrofe social.

Oficiais do Governo rejeitam as iniciativas e ideias de criminalização do aborto porque seriam financeiramente inviáveis, devido ao fato de que o número de pessoas que dependem do governo aumentaria muito. A Deputada Olga Golodets, por outro lado, diz que a redução do número de abortos seria de grande ajuda para o problema demográfico da Rússia.

Ações para redução do aborto na Rússia

Apesar de 80% da população russa se autointitular Cristã Ortodoxa, apenas 10% é praticante e leva a sua vida conforme os princípios da religião. Dentro dessas limitações, a Igreja Ortodoxa tem forte atuação em ações de conscientização e redução das práticas do aborto.

Em 2011, o governo russo adotou diversas medidas para enfrentar o problema da baixa taxa de natalidade do país. As medidas adotadas incluíam por exemplo, exigência de que clínicas e organizações que realizam abortos destinem 10% de suas verbas de marketing para campanhas de conscientização sobre os riscos à saúde da mulher quando realiza um aborto. Leis também tornaram ilegal descrever o aborto como um procedimento médico seguro à vida da mãe.

Foi também instituído o “Dia da família, amor e da fé”, em parceria com a Igreja Ortodoxa.

A Rússia viu sua população decrescer de 1992 até 2012, na ordem de centenas de milhares a cada ano. O país sofre tendo a menor densidade populacional do mundo.

(Colaborou: Cristian Derosa)

Informações:

Aborto na Rússia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Aborto_na_R%C3%BAssia

História da Rússia – https://en.wikipedia.org/wiki/Abortion_in_Russia#1936-1955

Estatísticas sobre o aborto – http://www.johnstonsarchive.net/policy/abortion/ab-russia.html

Matéria – The Moscow Times – Debate sobre o aborto na Rússia
https://themoscowtimes.com/articles/russias-abortion-debate-is-back-55545 e http://www.liveactionnews.org/the-abortion-ripple-effect-russias-tragic-abortion-tale/

Estatísticas sobre o país – https://en.wikipedia.org/wiki/Demographics_of_Russia#Vital_statistics

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.
clinica de aborto legal nos estados unidos em pessimas condições de trabalho

Aborto seguro? Saiba como são as clínicas de aborto legal nos EUA

Relatório do departamento de saúde do estado da Pensilvânia traz assustadora lista de irregularidades encontradas na clínica de abortos Hillcrest Women’s Medical Center, estado da Pensilvânia.

Dentre as irregularidades descritas no relatório de 8 de julho, incluem-se:

  • medicamentos vencidos;
  • falta de documentação e credenciais dos médicos;
  • medicamentos armazenados em refrigeradores com temperatura inapropriada;
  • condições sanitárias inadequadas: as deficiências incluíam manchas no teto (substância marrom não identificada); estofamento rasgado nas mesas de exames e quintal com mato alto sem nenhum cuidado.

O relatório do departamento estadual contém 12 páginas e foi datado de 8 de julho mas até agora, final de agosto, a clínica ainda estava em funcionamento. O fechamento da clínica ocorreu somente agora, quase dois meses e meio após a emissão do relatório, porque as autoridades receberam denúncias.

As irregularidades encontradas na clínica trazem um risco altíssimo para todo procedimento médico feito em suas dependências. É o aborto legal sendo feito de forma completamente insegura, colocando em risco a vida de todas as pacientes.

Leia tambémClínicas ocultam casos de complicações pós-aborto nos EUA

Teoria versus prática: aborto legal não é necessariamente mais seguro que aborto clandestino.

Apesar do principal argumento pela legalização do aborto em todo o mundo ser exatamente a falta de segurança devido às péssimas condições das clínicas clandestinas, os EUA, 44 anos após a legalização, ainda vive problemas de clínicas de aborto sem as mínimas condições de operação.

A pergunta que surge imediatamente é: se vemos fatos como esses nos EUA quase 5 décadas após a legalização do aborto, o que não seria visto no Brasil se a prática fosse legalizada?

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EUA busca dificultar ocultação de complicações em abortos e mortes maternas

[Investigação] Mortalidade materna por aborto nos EUA é ocultada pela indústria e governos

Informações:
National Rigjt to Life News – 25 de agosto de 2017

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.
Comprovado: proibição total do aborto no Nicarágua reduz 59% óbitos maternos

Após proibição total do aborto Nicarágua reduz a mortalidade materna em 59%

Dez anos após a revogação da lei que permitia o “aborto terapêutico”, Nicarágua registra uma dramática redução na taxa de mortalidade materna. O decréscimo prova a falsidade do mito de que milhares de mulheres morrem porque o aborto é ilegal em alguns países, teoria defendida por militantes ‘pró-escolha’ e por organizações internacionais com negócios no mercado de aborto legal.

Em 30 de maio de 2017, o Ministério da Saúde (MINSA) da Nicarágua apresentou os registros de mortalidade do seu país relativo aos últimos 10 anos. Os números mostram aquilo que todo ativista pró-legalização temia. Após a proibição total do aborto, houve uma redução de 59% na taxa de mortalidade materna. Em 2006, ocorreram 93 óbitos maternos para cada 100.000 nascimentos. O número caiu para 59 óbitos em 2011 e agora em 2016, registraram 38 mortes maternas para cada 100.000 nascimentos.

A Nicarágua também atingiu com sucesso a meta do milênio para redução da mortalidade materna estipulada pela Organização Mundial da Saúde(OMS). Em 2011, o país recebeu o prêmio “American Prize“, da OMS.

Legislação sobre aborto no Nicarágua

No país, o aborto é completamente ilegal, inclusive em caso de estupro e risco de saúde para a mulher. Em 2006, o país votou uma lei que proibiu toda e qualquer prerrogativa para o aborto, após campanhas que tiveram o apoio de igrejas e organizações sociais. Na época da alteração da legislação, grupos ligados aos direitos humanos lamentaram a alteração legal e alertaram que isso representaria um aumento na mortalidade materna do país para os próximos anos. Dez anos mais tarde, vemos que esses prognósticos não estavam apenas incorretos,  mas que ocorreu exatamente o contrário.

Alguns membros da comunidade médica, na época, também contribuíram para a alteração legal que baniu o aborto. O obstetra e líder do movimento “Sim para a vida”, Rafael Cabrera, argumentou, em 2006, que a ciência médica havia avançado o suficiente para trazer o feto à vida extrauterina sem colocar em risco a saúde da mãe e que, por isso, mesmo em caso de gestações com risco de vida da gestante, não era necessário matar o feto. “Nós não acreditamos que uma criança precisa ser destruída sob o pretexto de que a mãe possa, talvez, morrer”, explicava o médico.

A história mostrou agora, 10 anos depois, que as previsões desse médico estavam corretas. É possível salvar as gestantes e os bebês. A medicina serve para salvar vidas e não para destruí-las.

Lições que podem ser aprendidas com essa experiência

Proibição do aborto leva à queda de mortalidade materna: assim como o Chile registrou queda substancial na mortalidade materna e no número de abortos desde 1989, quando criminalizou a prática, a experiência da Nicarágua mostra, mais uma vez, que a proibição do aborto não gera mais mortalidade materna e gestão da saúde pública se faz promovendo saúde e não abortos.

Engajamento pró-vida tem importante função social: a experiência também mostra que toda a sociedade pode e deve participar na luta pela vida. Não fosse a articulação e campanha feita pelas igrejas e organizações pró-vida, em 2006, a Nicarágua não teria proibido o aborto. A participação da comunidade médica na luta pela vida também mostrou-se essencial.

Informações:

Em inglês – Notícia do The Guardian em 2006 mostra ativistas errando em seus prognósticos de que a mortalidade materna subiria com a criminalização total do aborto

Em Inglês – LifeSiteNews – sobre a divulgação dos resultados de 2006 a 2016

 

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.

Novos dados do governo do Uruguai mostram 35% de aumento no número de abortos

O Governo Uruguaio divulgou recentemente os números dos abortos ocorridos em 2016. Foram realizados um total de 9.719 abortos legais no ano de 2016. O número é 35% maior do que o verificado em 2013, primeiro ano após a legalização.

A apresentação completa do governo pode ser acessada pelo site do Ministério da Saúde do Uruguai.

Desde a legalização, no final de 2012, os números de abortos no Uruguai só crescem, acumulando alta de 35% desde o primeiro ano da legalização.

2013 = 7.171
2014 = 8.537
2015 = 9.362
2016 = 9.719

Ao analisar mais profundamente, os números parecem indicar que a tendência de crescimento no número de abortos permanece forte, uma vez que o número mensal de abortos ocorridos dentro do ano de 2016 também é crescente. No primeiro trimestre de 2016, ocorriam entre 750 a 770 abortos por mês. No segundo trimestre, o número variou na faixa de 800 abortos mês. Nos últimos dois trimestres em praticamente todos os meses ocorreram mais de 800 abortos, chegando a superando 900 em setembro. Esse comportamento traz um prognóstico ainda mais negativo. Se mantida tendência das variações mensais é provável que o país registrará ao término de 2017 um número de abortos ainda maior.

estatisticas sobre numeros de abortos no uruguai desde a legalização

Números de abortos legais ocorridos no Uruguai desde a legalização. Fonte: Ministério da Saúde do Uruguai.

O que motivou as mulheres a abortar no Uruguai em 2016

Os dados do governo mostram que 98,97% dos abortos foram por decisão da mulher. Os casos de violência sexual representaram 0,01%, ou seja, 1 aborto. Anomalia fetal incompatível com a vida representou 0,04% (4 abortos)  e risco de saúde para a mulher0,05%  (5 abortos).

estatisticas sobre numeros de abortos no uruguai desde a legalização

Motivo dos abortos legais ocorridos no Uruguai a cada ano. Fonte: Ministério da Saúde do Uruguai.

Consultas obrigatórias antes do aborto são obrigatórias

No Uruguai são previstas 4 consultas obrigatórias antes do procedimento de aborto ser realizado. Entre as consultas, é dado um tempo para a gestante pensar melhor sobre sua decisão e também é feito exame de ultrassom. Trata-se de medida obrigatória, e as estatísticas mostram que os procedimentos evitaram 585 abortos (6% do total). Apesar de ser um percentual pequeno, esses procedimentos são feitos em alguns países. Nos Estados Unidos, grupos pró-escolha lutaram para banir esse procedimento e hoje o Texas é um dos poucos estados que ainda tem esse procedimento.

Um projeto de lei com modelo semelhante foi proposto no Brasil recentemente, visando dar maior suporte e acesso aos exames para as gestantes que procuram o aborto por terem sido vítimas de estupro, situação a qual no Brasil é possível realizar aborto sem penalização. Apesar de ser um procedimento que salva vidas, muitos foram os críticos. O projeto brasileiro foi além, ao também dar suporte e orientação para caso a gestante deseje repensar sua situação e já iniciar procedimentos para adoção. O projeto de lei não é federal, trata-se de lei do Distrito Federal. Por completo desconhecimento da realidade de outros países e das consequências da legalização do aborto, muitos foram os críticos.

Legalização do aborto no Uruguai e em outros países

Como visto na esmagadora maioria dos países que legalizou o aborto no mundo, o crescimento no número de abortos ocorre de forma muito substancial. Como as experiências de outros países também mostram, após registrar aumento no número de abortos por diversos anos consecutivos após legalização, alguns países trataram de reduzir estatísticas. Com isso, receia-se que o mesmo ocorra no Uruguai, quer seja com ocultação direta de abortos, quer seja com as técnicas mais sutis, de não obrigar as clínicas e hospitais a fornecerem números sobre aborto. Esses fatos culminam, de uma forma ou de outra, em relatórios do governo com menos abortos e menos desconforto para os envolvidos na legalização e fornecimento do serviço.

Apesar de ainda não ter surgido nenhuma investigação e indícios de ocultação dos números, o governo do Uruguai ainda se posiciona, ao tratar do assunto, como defensor da legalização do aborto e expansão do seu acesso. No relatório do ano anterior, o governo ainda citava a hipotética (ou miraculosa) redução no número de abortos, que tentavam sustentar. Tratava-se da comparação dos números atuais de abortos com um estudo especulativo feito mais de 10 anos antes, que ‘estimava’ que ocorriam em torno de 33 mil abortos clandestinos ao ano. A ideia de que, passada a legalização os 33 mil abortos clandestinos milagrosamente se transformaram “apenas” 7 mil (dado do primeiro ano) foi percebida pela população como totalmente descabida. Para evitar o desconforto de tentar sustentar tão inusitada e ilógica situação, o relatório do ministério da saúde uruguaio mais recente passou a não fazer mais referências a esses números estimados no passado.

Informações:

Ordenanza Ministerial 369/04

Modificaciones en normativa sobre Interrupción Voluntaria del Embarazo (IVE)

Divulgação do Governo do Uruguai (apresentação)

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.
EUA tenta aprovar leis para dificultar ocultação de complicações em abortos legais

EUA busca dificultar ocultação de complicações em abortos e mortes maternas

O estado do Texas está tentando aprovar uma lei que obriga clínicas e hospitais, que fazem serviço de aborto, a informar o departamento de saúde estadual sobre complicações ocasionadas por seus procedimentos.

Apesar do aborto ser legalizado há 44 anos nos Estados Unidos, o país ainda vive uma situação de desconhecimento sobre o número total de abortos realizados todos os anos, sendo necessário avaliar a situação dos abortamentos no país por meio de números pouco confiáveis e parciais (incompletos).

Diversas investigações já foram realizadas no país visando tentar mapear e inibir atitudes de prestadores de serviço de abortos na ocultação de complicações pós-aborto legal.

Veja também: Clínicas de abortos nos EUA ocultam casos de complicações pós-aborto.

A proposta do Republicano Giovanni Capriglione é exigir que clínicas e hospitais informem o departamento de saúde estadual, em até 3 dias úteis, sobre quaisquer complicações relacionadas aos procedimentos de aborto, tais como óbito materno, perfuração uterina, infecção ou morte do bebê fora do útero.

Os nomes dos aborteiros e pacientes ficariam sob sigilo. Os prestadores de serviço de aborto que não cumprissem a lei, teriam de pagar US$ 500 dólares em multa, e reiterado descumprimento da lei por 3 vezes, estaria sujeito a perda da licença da unidade e da licença profissional do aborteiro.

O objetivo da lei é viabilizar que seja possível que o governo e a população do Texas tenham melhores estatísticas sobre a taxa de complicações dos procedimentos de abortos legais. Para os defensores da lei, as informações confiáveis são fundamentais para que as pessoas possam decidir conscientemente sobre o aborto.

Missuori:Lei semelhante vem sendo desrespeitada no em outro estado

O departamento de saúde do estado de Missuori vem lutando para resolver o problema e exigir das clínicas que forneçam as informações sobre complicações pós-aborto. No estado de Missuori existe uma lei para forçar prestadores de serviços ao fornecimento dessas informações, contudo, vem sendo negligenciado o seu cumprimento. Sob nova gestão, o departamento de saúde do estado de Missuori está dedicando esforços especiais para resolver o descumprimento da legislação.

A Dra. Lenora Berning alerta: “O aborto é um dos procedimentos cirúrgicos mais frequentes nos EUA, mas é um dos menos regulados. É o único procedimento cirúrgico que conheço, em que o médico que faz o procedimento não é responsável por dar acompanhamento pós-operatório e não se envolve em quaisquer complicações que ocorram por conta do procedimento.”

Informações:

Statesman.com

Departamento de Saúde do estado de Missuori

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[Investigação] Mortalidade materna por aborto nos EUA é ocultada pela indústria e governos

Há décadas, investigações tem revelado uma série de polêmicas relacionadas a mortalidade materna nos EUA. Artigos científicos da área da saúde também questionam os motivos dos altos níveis de mortalidade materna nos Estados Unidos, o que não condiz com a qualidade do sistema de saúde do país.

O departamento de saúde dos EUA admite, em seu site oficial, que não tem um diagnóstico preciso sobre o motivo dos índices de mortalidade acima do esperado.

Diz o site do CDC: The reasons for the overall increase in pregnancy-related mortality are unclear.

Embora as estatísticas que são divulgadas oficialmente pelo Departamento de Saúde (CDC) não apontem mortalidade materna relacionadas aos abortos legais, diversos fatores levantam suspeitas e tem dado origem à investigações. Dentre os fatores que levantam suspeita, destacam-se, e agravam-se cumulativamente:

1) altos níveis gerais de mortalidade materna apesar da tecnologia e qualidade do sistema de saúde;
2) falta de clareza sobre as causas da mortalidade materna pelo Departamento de Saúde(CDC);
3) simpatia por parte de membros do CDC com a indústria do aborto – tendo inclusive casos de ex-funcionários de clínicas de aborto sido contratados para trabalharem no CDC;
4) óbitos por aborto registrados em diferentes estados  e que não foram inseridos no relatório do governo;
5) mensagens entre membros do CDC e clínicas de aborto sobre mortes maternas relacionadas a abortos.

Enquanto isso, a OMS, Fundação McArthur e Rockefeller e Instituto Allan Guttmacher investem em pesquisas para dizer que o aborto precisa ser legalizado nos países em desenvolvimento porque o aborto clandestino é a origem da mortalidade materna.  Embora sejam incapazes de apurar com exatidão os próprios números,  de abortos legais feitos em seus modernos sistema de saúde, essas instituições americanas ditas isentas insistem em dizer que sabem os números de abortos clandestinos na Colômbia,  México, Brasil e tantos outros países alvos na agenda pró-aborto.


Uma investigação antiga, feita em 1989 acompanhou três casos de mulheres que morreram naquele ano logo após passarem por procedimentos de aborto. Surpreendentemente, nenhuma dessas mortes apareceu na estatísticas divulgadas pelo governo.

Tratam-se dos casos do óbito de Erica Richardson de 16 anos, falecida horas após um aborto legal, vítima de perfuração no útero, Gladys Estanislao e Debra Gray, também falecidas logo após o aborto devido a complicações, conforme relata o livro de Sherlock(1996). Todas residentes do estado de Maryland, um dos Estados que atualmente não fornece nenhuma informação sobre número de abortos realizados no seu Estado para o governo federal ou Instituto Guttmacher.

No mesmo ano de 1989, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) divulgou um total de 12 mortes relacionados a casos de aborto legal em todo o país.

Conforme estudo disponível no site afterabortion.org, do Elliot Institute, dos EUA, uma ampla investigação foi feita diante de suspeitas dessa natureza e revelou que de fato, há um número significativo de óbitos maternos que está sendo ocultado pela indústria milionária dos abortos, contando ainda com apoio das autoridades. Veja tradução de parte do artigo do Elliot Institute, abaixo:


Investigação aprofundada mostra mais casos ocultos

Copyright Elliot Institute, PO Box 7348, Springfield, IL 62791-7348.

Na década de 80, Kevin Sherlock, um repórter investigativo especializado em pesquisas com documentos públicos fez uma extensa revisão de certificados de óbitos de mulheres em idade reprodutiva em Los Angeles, capital da Califórnia.

Ele analisou os laudos de autópsias e encontrou 29 mortes ocasionadas por abortos no estado de Los Angeles. Ao comparar com os relatórios do governo ele verificou que apenas quatro desses casos haviam sido considerado nas estatísticas da Califórnia.

Usando técnica similar, Sherlock por fim documentou 30 a 40% mais óbitos maternos decorrentes de abortos legais em todo o país, do que o apurado nas estatísticas oficiais do Departamento de Controle de Doenças (CDC) do Governo Federal. (3)

Sherlock admite ainda que toda sua pesquisa foi realizada sem qualquer assistência do CDC, tendo ainda sofrido tentativas de obstruções por parte do órgão no processo de exame dos registros e documentos. Ressaltou ainda, que apesar dos limitados recursos que contou em sua pesquisa, e de todos os esforços da indústria do aborto e da cooperação governamental em ocultar dados acerca de mortes relacionadas ao aborto legal, sua pesquisa documenta apenas uma pequena parte das mortes que podem realmente ter ocorrido.

O pesquisador obteve registros de uma mensagem de Steven C. Joseph, comissário de departamento de saúde de Nova Iorque em junho de 1987, onde alertava ‘amigos’ que tinha na indústria do aborto para tomarem cuidado com o uso geral de anestesias, uma vez que havia registrado entre  1981 e 1984 um total de 30 mortes relacionadas a abortos em Nova Iorque e um terço delas (dez óbitos), por conta de questões envolvendo a anestesia, e que no resto do país, apenas 10% dos óbitos estavam relacionados com anestesias.

Essa mensagem é uma clara evidência de que as autoridades tem conhecimento de que a mortalidade materna decorrente de abortos legais é superior ao que é divulgada como número oficial. No mesmo período (1981 a 1984), em que o diretor do departamento de saúde enviou a mensagem sobre os 30 óbitos ocorridos na cidade de Nova Iorque, o relatório oficial do governo federal apresenta apenas 42 óbitos por aborto legal em todo o país.

Além disso, a mensagem também sugere que o comissário do departamento de saúde teve acesso a informação de outros 146 óbitos por aborto legal para o mesmo período, fora da cidade de Nova Iorque. Somando as informações das duas mensagem, citando óbitos dentro e fora de Nova Iorque, seriam então um total de 176 óbitos decorrentes de abortos legais. Ou seja, número 419% maior do que o divulgado no relatório do governo.

Leia também: Clínicas de abortos nos EUA ocultam casos de complicações pós-aborto

Outros casos corroboram com essa pesquisa(4). É o caso da morte de Barbara Lee Davis, por hemorragia, logo após uma cirurgia de aborto no primeiro trimestre de gravidez.  O departamento de saúde pública do estado de Illinois admitiu “Infelizmente está acontecendo todos os dias em Chicago, e nós mal ficamos sabendo sobre isso” (5). Um ano depois dessa declaração, uma investigação em apenas quatro clínicas de aborto em Chicago verificou-se, via jornal Chicago-Sun Times, que ocorreram 12 óbitos em consequência de abortos legais e os mesmos também não aparecem nas estatísticas oficiais do estado (6).

Mas como pode essas organizações e o governo estar ocultando tantos óbitos por aborto legal?

Antes da legalização, óbitos por aborto ilegais eram analisados cuidadosamente e relatados oficialmente como resultado de atividade ilegal (7).
Atualmente, nos EUA, o aborto não é somente legal mas é politicamente protegido. Toda o o serviço de gestão e acompanhamento das informações sobre aborto no departamento do governo é realizado por partidários da causa do aborto legal e inclusive contratam profissionais da indústria do aborto para trabalhar no departamento. É como contratar consultores da empresa de cigarro Philip Morris para trabalhar na divisão do governo que gerencia informações sobre câncer. Obviamente, os relatórios do governo estão mais preocupados em proteger a saúde da indústria americana de abortos do que em proteger a vida das mulheres americanas(8).

Ao mesmo tempo, óbitos decorrentes de abortos legais também vem sendo ocultados pela Organização Mundial da Saúde(OMS), pela metodologia do código do CID 12. A regra criada pela OMS agrega num mesmo código CID, os casos de embolismo, por exemplo, com casos de óbito por abortos legais. De acordo com a pesquisadora Isabelle Bin (9).

“o óbito por aborto é como que uma categoria “fantasma”, de forma que  é impossível de segregar mortes por aborto legal. Com a codificação utilizada, qualquer tentativa de registrar abortos legais no sistema do Centro Nacional de Estatísticas da Saúde de Washington D.C., produz uma “mensagem de rejeição”. Apenas um número muito pequeno de óbitos por aborto são de fato qualificados e validados nessa metodologia para serem informados como óbito por aborto.”

Artigo original em inglês disponível no site AfterAbortion, por David C. Reardon, Ph.D., Copyright Elliot Institute, PO Box 7348, Springfield, IL 62791-7348,  traduzido para o português, com adaptações e dados complementares por Marlon Derosa.

Matéria original:  AfterAbortion.org

Referência de citações(originais, em inglês):

1. Kevin Sherlock, Victims of Choice, (Akron, OH: Brennyman Books, 1996) 134-135.

2. James A. Miller, “‘Safe and Legal’–Back in New York and Maryland,” HLI Reports, 11(2):8-9, Feb, 1993.

3. Sherlock, Victims of Choice, 115-117.

4. For a more complete discussion with additional examples, see Reardon, Aborted Women Silent No More, 109-113, 282-293.

5. Ann Saltenberger, Every Woman Has a Right to Know the Dangers of Legal Abortion (Glassboro, NJ: Air-Plus Enterprises, 1982, 27.

6. Pamela Zekman and Pamela Warrick, “The Abortion Profiteers,” Chicago Sun-Times, special reprint 3 December 1978 (original publication 12 November, 1978)

7. Reardon, 282-293.

8.For a more extensive review of CDC complicity, negligence, and conflicts of interest, see Mark Crutcher, Lime 5, (Denton, TX: Life Dynamics, 1996), 135-170.

9. Isabelle Bégin, “World-wide Abortion Statistics Scam Exposed,” Reality, Oct. 1999.

 


Leia também:

Clínicas de abortos nos EUA ocultam casos de complicações pós-aborto

A falácia dos números do aborto no Brasil

‘Mercado’ de abortos clandestinos continuam após a legalização em diversos países

Estudo – Fatos, polêmicas e a série história dos números de aborto nos Estados Unidos

Hospitais e clínicas de abortos sabotam fornecimento de números de  abortos legais no Canadá

 

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.

Clínicas de abortos nos EUA ocultam casos de complicações pós-aborto

Desde 1979 o estado de Missuori, nos EUA, exige que clínicas e hospitais que prestam serviços de abortamentos informem todos os casos de complicações à saúde da mulher relacionadas aos procedimentos.

Apesar disso, muitas clínicas e hospitais não tem fornecido informações a esse respeito. “Isso é inaceitável”, denuncia o Diretor do Departamento de Saúde do Estado, o ginecologista e obstetra Randall W. Williams.

O diretor do Departamento tem 30 anos de experiência como obstetra e ginecologista e alerta, que todo de abortos envolvem riscos à saúde e complicações potenciais às mulheres. Segundo o especialista sênior, as pessoas devem ser alertadas sobre esses riscos antes de tomar a decisão de realizar um aborto.

Investigação sobre o assunto levanta polêmica no Senado dos Estados Unidos

Em 2016, uma investigação foi instaurada e identificou que a maior clínica de abortos dos Estados Unidos  orienta seus funcionários ocultar todo tipo de informação acerca de complicações relacionadas aos procedimentos de abortos.

Foram identificados documentos internos da clínica onde funcionários são orientados que em caso de complicações relacionadas ao aborto, a ambulância não deve ligar as sirenes, mesmo se isso significar locomoção lenta no trânsito. O objetivo disso é viabilizar que as viaturas transitem sem chamar atenção e dificultar que tais ocorrências sejam percebidas e noticiadas.

Além disso, a Planned Parenthood treina funcionários para fornecer apenas informações gerais quando tratado sobre casos dessa natureza com funcionários do serviço de emergência 911.

Os pacientes também são orientados logo após os abortos, para que, em caso de complicações e emergências, não ligue para o serviço de emergência 911 mas sim, diretamente para a Planned Parenthood.

O antigo diretor do Departamento de Saúde, Gail Vasterling, é suspeito de ter feito ‘vista grossa’ para o caso do hospital St. Louis Planned Parentood, que por 8 anos não passou pelas inspeções de segurança, tendo 39 casos de violação de regras de segurança e 210 incidentes registrados.

Espera-se que com o novo diretor, que está condenando estas práticas, a fiscalização seja mais efetivas.

Polêmicas sobre ocultação de complicações dos abortos legais pela Planned Parenthood mobilizam internautas

Vídeo abaixo, em inglês, mostra gravações e documentos que identificaram 4 casos de complicações em um período de 3 meses. Todos na mesma unidade St Louis Planned ParentHood no estado de Missuori.

A ambulância da clínica retira o paciente de sua residência cobrindo toda a operação com um grande pano.

 

Informações:

Site denuncia casos ocultados pelas clínicas (em inglês)

AbortionDocs.org – Site organiza documentos sobre os casos (em inglês)

Nota no site do Departamento de Saúde de Missuori (em inglês)

Operation Rescue – sobre a Investigação do Senado (em inglês)

LifeSiteNews – informações sobre o caso (em inglês)

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Com aborto legalizado, clínicas ilegais ainda fazem metade dos abortos na África do Sul

A legalização do aborto não tem impedido que abortos ilegais e inseguros ocorram na África do Sul. Entidade médica estima que metade dos abortos são feitos em clínicas improvisadas.

Em Joanesburgo, é comum encontrar anúncios de clínicas de abortos nos postes e muros, com oferta de aborto clandestino fácil e com preço acessível. O Royal College of Obstetricians & Gynecologists estima que metade dos abortos na África do Sul são feitos em “clínicas” ilegais.

O aborto é legalizado na África do Sul desde 1996, sem qualquer restrição até o sexto mês de gestação. Após a 24ª semana de gravidez o aborto é permitido apenas se a vida da mãe ou do feto estiverem em risco.

No país o aborto legal é realizado em hospitais públicos e clínicas médicas privadas, regulamentadas. A rede pública porém não é capaz de atender a população nem mesmo nos procedimentos que visam dar a saúde física da população no tratamento de doenças e acidentes.  Moradores de regiões distantes das grandes cidades também sofrem por falta de acesso aos centros médicos.

Com 50% de abortos fora do sistema legal, as estatísticas de abortos na África do Sul indicam uma situação de calamidade.

Apenas com os números oficiais, vemos que entre 1991 a 1996, o número de abortos anuais variava entre 1.024 e 1.600. Em 1996, ano da legalização, o número subiu para 26.519, depois em 1997 chegou a 40 mil abortos. Desde 2004 são registrados mais de 80 mil abortos por ano, até 2014, último número de nossa apuração, em que o número foi de 89.126 abortos, dentro do sistema legal de abortos.

Se a estimativa então é que 50% ocorram de forma clandestina, o número total seria superior a 170 mil abortos ao ano.

Dilemas do aborto gratuito em países subdesenvolvidos

Fala-se muito no discurso pró-escolha, sobre a necessidade de se legalizar o aborto e fornecê-lo de forma gratuita e segura na rede pública de saúde.

Se em países como EUA já existem problemas nesta questão, imaginem em países em desenvolvimento como o Brasil ou com a realidade da África do Sul.

A África do Sul sofre com problemas graves de saúde pública. A malária e outras doenças contagiosas atacam a uma parcela significativa da população. No ranking da OMS, o sistema de saúde da África coloca o país na posição 182, da lista que contém 191 países. O Brasil está na posição 78, no meio da lista.

No Brasil, há filas de milhares de pessoas esperando para cirurgias, faltam leitos em hospitais, as filas são tão longas em algumas cidades que o paciente morre na espera. Também faltam medicamentos para as pessoas em diversos pontos do países, incluindo medicamentos de uso crônico em doenças de alta gravidade.

Na hora de optar pela compra de um medicamento para tratamento de doenças graves e os medicamentos abortivos, qual será a opção do estado? A escolha do estado será a de salvar a vida dos mais necessitados ou terminar com a dos menos desejados?

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Notícias, artigos e estudos sobre a realidade brasileira e o contexto internacional. Selo editorial especializado em comunicação, sociologia e história recente do Brasil.
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Fim do ‘ObamaCare’ corta US$ 390 milhões da indústria do aborto

Em vitória apertada a Câmara dos EUA revogou a lei chamada de ObamaCare nesta quinta-feira (4), com placar de 217 a 213.

Com a nova lei, a maior clínica de aborto dos Estados Unidos enfrentará uma baixa em investimentos estatais na ordem de $390 milhões de dólares. O orçamento total era $450 milhões, ou seja, 86% da verba governamental que Obama repassava a clínica foi cortado.

Polêmica sobre o ObamaCare

Institutos de pesquisa vêm analisando anualmente as questões polêmicas do ObamaCare, como o financiamento ao aborto para população mais pobre. Este financiamento vinha sendo feito de forma camuflada dentro das verbas governamentais que são repassadas aos planos de saúde financiar este tipo de procedimento em todo o país.

As alterações aprovadas nesta lei não revogam o ObamaCare, mas alteram elementos na política orçamentária.

Como funciona(va) na prática

Nos EUA não há objetivamente (ou teoricamente) um sistema público de saúde. Apesar de ser composto apenas por organizações privadas, o governo do EUA gasta em torno de 17% do PIB em financiamento ao sistema de saúde, por meio de subsídios. Há ainda as chamadas ‘clínicas populares’, que funcionam graças ao repasse de verbas governamentais. Sem um sistema público de saúde, o governo americano, em 2010, ficou em quarto lugar no mundo na lista dos países que mais gastam com saúde. Para efeito de comparação, no Brasil, após cortes de orçamento ocorridos em 2015 fechou o ano de 2016 com 9% do PIB comprometido com a saúde pública.

Os subsídios da saúde então, são verbas que o governo repassa aos hospitais, clínicas e médicos, para reduzir o custo final do serviço para os cidadãos americanos.

Nos EUA, os cidadãos contratam planos de saúde individualmente ou por meio do empregador, de forma semelhante aos planos privados aqui no Brasil. Há porém uma diferença. O ObamaCare tornou obrigatória a contratação de planos (ou seguros) de saúde por todos os cidadãos. Se não contratar, poderá pagar US$ 695 dólares de multa por adulto da família ou 2,5% de sua renda anual como multa. A multa aumenta todo ano.

O ObamaCare busca assim, desde sua concepção, controlar o mercado de planos de saúde e por meio de subsídios (recursos de pagadores de impostos) subsidiar as empresas para que o custo dos seguros saúde fiquem mais acessíveis para a população, considerando cada faixa de renda. Os subsídios são proporcionais, visando ajudar mais os que tem menos renda. Os planos de saúde recebem verbas governamentais e contribuições dos cidadãos, com ‘um financiamento misto’.

Financiamento público do aborto

Uma lei publicada em 1976 e ajustada em 1990, determina que não pode haver financiamento ao aborto e contracepção por meio dos recursos do governo. Afinal, os recursos governamentais são os recursos dos pagadores de impostos, incluindo pagadores de impostos que abominam a ideia do aborto e ‘contracepção’.

Com as regras do chamado ObamaCare, criou-se uma brecha. Foram criados categorias de planos de saúde especiais que operam fora desta regra, permitindo então cobrir os gastos dos hospitais e clínicas com medicamentos e operações para viabilizar abortos. Contudo, os recursos destinados para financiamento ao aborto tem sido camufladas em meio a grandes remessas de subsídio do governo para as clínicas, visando não alarmar a população e movimentos contra a prática.

A revogação desta lei corta quase que a totalidade do financiamento público para estes procedimentos.

Panorama geral sobre as mudanças

Como dito, a lei foi apenas alterada. Dentre as alterações destacam-se:

– fim da obrigatoriedade de todos os cidadãos em contratar um plano de saúde;
– permite que planos de saúde cobrem 30% a mais de pessoas que fiquem sem seguro saúde por dois meses ou mais, como uma forma de incentivo para que a população não abra mão dos seguros.
– redução de impostos e subsídios, que visam facilitar o acesso a jovens adultos.
– cobertura obrigatória: com a nova lei, seguradoras não podem recusar planos de saúde ou cobrar taxas extras para pessoas com histórico de doenças ou que não atendessem a determinados critérios prévios. Em 2016 o ObamaCare beneficiada 20 milhões de pessoas; com esta mudança a estimativa sobe para 50 milhões de pessoas até 2019.
– Aumento da faixa de renda para acesso ao “Medicaid”. Esta alteração aumenta o acesso aos seguros saúde para mais 15 milhões de americanos.
– Empresas com mais de 50 funcionários serão obrigadas a oferecer planos de saúde, sob pena de multa. Empresas menores também podem oferecer benefícios aos funcionários e ter benefícios fiscais como recompensa;

Por que ObamaCare?

Comentários finais:  é no mínimo estranho o governo ter um programa chamado ObamaCare. De fato este não é o nome correto, mas o nome pegou e o então presidente adotou como parte de seu marketing pessoal.

O Site Huffingtonpost.com é um dos tantos que não gostou nem um pouco e discorda do uso deste nome. O nome correto é Affordable Health Care Act. Apesar do ex-presidente Obama ter atuado como motivador da lei ele não a criou sozinho. E ninguém chama o Social Security Act de “RooseveltCare”.

O termo ObamaCare surgiu durante a proposta da lei como um termo pejorativo, cunhado pelos Republicados.  Contudo, conforme artigo do The Washington Post, Stephanie Cutter, RP da campanha de Obama entendeu que este termo poderia ser usado de forma positiva, como marketing pessoal de Obama. Para reforçar o marketing, as campanhas e também alguns veículos de comunicação usam o termo ObamaCare para números e fatos positivos sobre a regulamentação; e o termo correto quando divulgam informações neutras ou negativas.

Informações  e referências

Issue Analysis – Abortion Funding and Obamacare (2016 edition) – Charlotte Lozier Institute(FRC) and Family Research Council (CLI)

Como realmente funciona o sistema de saúde americano

Free Clinics – BPHC

ObamaCareAbortion.com

ObamaCareFats.com – contracepção e aborto e o ObamaCare

O Globo – sobre as alterações (2017)

Huffingtonpost.com

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