Suspeitas sobre Ibope e Datafolha compromete credibilidade dos números

Suspeitas sobre Ibope e Datafolha compromete credibilidade dos números

28/09/2018 0 Por Cristian Derosa

Possibilidade de fraudes em pesquisas faz cair a credibilidade de institutos ligados a emissoras interessadas em benefícios recebidos em governos petistas

Os dois institutos de pesquisa mais famosos, Ibope e Datafolha, têm seus números divulgados toda semana pelos meios de comunicação. Mas os dados apresentados têm enfrentado descrédito e constante suspeita em grande parte do eleitorado, situação oposta à verificada em jornalistas e políticos, por exemplo. A falta de confiança nessas empresas não é a toa. O primeiro fato que comprometeria a credibilidade deles é o repasse bilionário do governo federal petista às suas empresas contratantes, Globo (Ibope) e Grupo Folha (Datafolha), o que explicaria a grande credibilidade jornalística que recebem.

Em 2013, uma CPI do Ibope foi criada na Assembléia Legislativa do Paraná, para apurar possíveis fraudes nas eleições à prefeitura de Foz do Iguaçu, em 2012. Como resultado, os membros da comissão apontaram que há “fortes indícios de fraude”. Além disso, o Ibope também foi motivo de escândalo no caso dos contratos com a JBS, nos quais o instituto teria participado de esquema de propina.

Em todo o Brasil, vídeos com fraudes nos questionários estão sendo divulgados, como o caso de uma cidade do interior da Paraíba, em que o entrevistador do Ibope apresentava um questionário faltando o nome de uma candidata local, em pesquisa solicitada por um canal de televisão local. Ou um outro vídeo que mostra entrevistadoras negando-se a entrevistar após ver adesivos de determinado candidato em seu carro.

Os institutos já vinham sendo criticados por incluir o nome de Lula, condenado e preso na Operação Lava Jato, nas intenções de voto, o que só deixou de acontecer com o impedimento formal da sua candidatura pelo TSE. O candidato que seria o vice da chapa, Fernando Haddad, começou a decolar nas intenções de voto tão logo houve o impedimento, indicando uma grande transferência de votos do ex-presidente preso.

Jornalistas mentem descaradamente ou não sabem interpretar dados estatísticos

Há tempos que a mídia brasileira se tornou refém dos números apresentados por estes institutos, considerando-os quase como oráculos que preveem o futuro dos cenários eleitorais. Ou, no mínimo, verdadeiros diagnósticos fotográficos e precisos de um momento eleitoral, o que de nenhuma forma poderia ser. Por definição, números estatísticos são probabilísticos e retratam uma situação real apenas na amostragem escolhida. É assim em qualquer estudo científico. Mas na interpretação desses dados, jornalistas da grande mídia se mostram pouco hábeis para relacionar números com a realidade, abusando de expressões como “cenários impossíveis”, o que caberia melhor a palavra “improvável, segundo os dados apresentados pelo instituto”.

A verdade é que todos os cenários possíveis apresentados dependem, em última análise, da veracidade de instituições cuja credibilidade fica a cargo da própria imprensa. Os jornalistas que desejam dar ainda mais credibilidade aos dados que preferem, tratam os números como se fossem previsões de tendências da moda, ou seja, determinações vindas de cima.

A maior suspeita vista por eleitores se refere a um conjunto de suspeitas que inclui as urnas eletrônicas. Afinal, se pode haver uma fraude nos votos ou na sua apuração, as pesquisas de intenção de votos precisariam tornar o resultado fraudulento verossímil à população.