Quem é Geoffrey Robertson, advogado de Lula na ONU

Geoffrey Robertson, advogado britânico que representa Lula na Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ONU, também defende Julian Assange e afirma que o processo contra o ex-presidente viola garantias fundamentais

Na última quarta-feira (24), um observador internacional esteve presente no julgamento do TRF4, em Porto Alegre. É o advogado britânico Geoffrey Robertson, representante internacional de Lula nas Nações Unidas. Embora o advogado não represente Lula no caso do TRF4, o pedido para que Robertson participasse do julgamento foi atendido pelo desembargador federal Leandro Paulsen, na última sexta-feira (19).

O advogado teve a alternativa de acompanhar o julgamento em uma sala reservada, próximo a uma tradutora, conforme deferiu o desembargador João Pedro Gebran. Ele também foi o único estrangeiro presente na sala de audiência, a qual é reservada apenas para advogados de defesa, os réus, a acusação e os desembargadores.

Durante o julgamento, Geoffrey lutou bravamente contra o sono, chegando a cochilar algumas vezes, mas acabou se levantando e tomando um café.

Robertson chamou Moro de “egomaníaco” e sistema jurídico brasileiro seria “inquisitorial”

Em agosto de 2017, Robertson afirmou ser difícil o ex-presidente escapar de uma condenação. Ele também criticou o juiz Sérgio Moro, que considera “egomaníaco”. “Moro ama publicidade”, afirmou Robertson. Para ele, “Moro se comporta como um Eliot Ness”. Ness é o agente americano que conseguiu prender Al Capone, nos anos de 1930.

No final do ano passado, o advogado também criticou a manifestação do presidente do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz. Segundo ele, o magistrado demonstrara entender como correta a condenação do petista por Moro. Lenz poderá exercer influência sobre os colegas, disse ele. “É ridículo, o presidente prejulgou. Como Lula terá direito a uma apelação justa?”

O defensor de Lula chamou o sistema jurídico brasileiro de “inquisitorial”, pois, segundo ele, o magistrado é, ao mesmo tempo, promotor e juiz; o que seria uma “aberração”.

Ativista e defensor de Julian Assange

Geoffrey é famoso por seu ativismo pelos Direitos Humanos, tendo representado muitos casos na ONU. Defendeu o jornal britânico The Guardian, o lutador de boxe Mike Tyson, e, atualmente, defende Julian Assange, responsável pelo site do Wikileaks.

O advogado também é conhecido por suas ideias anti-católicas e considera-se assumidamente de esquerda. Em seu livro “Memórias”, declara que “a lei pode servir como um alavanca para a libertação”, alegando que esta é a filosofia que orienta toda a sua carreira.

De acordo com um perfil feito pelo jornal The Independent,

o foco de Robertson se deslocaria para os direitos humanos e a responsabilização dos governos. Na década de 1990, ele defendeu os quatro diretores da fábrica de ferramentas Matrix Churchill acusados ​​de fornecer ilegalmente armas a Saddam Hussein. O julgamento entrou em colapso depois que o juiz rejeitou as tentativas por parte do governo de suprimir documentos-chave. Um inquérito judicial subsequente descobriu que ministros tinham realmente encorajado a venda de armas. 

. Robertson esteve no centro das atenções novamente quando defendeu o jornal The Guardian num processo de difamação movido por Neil Hamilton, do Partido Conservador.

[…]

Robertson escreveu livros polêmicos. Um deles era um julgamento do papa e do Vaticano, outro um trabalho histórico acadêmico sobre John Cooke, o advogado que assumiu a tarefa de processar Charles I após a Guerra Civil inglesa.

. Robertson não é para todos os gostos. Direitistas não gostam dele. Católicos ficam irritados com seu antipapismo. E o apoio de longa data ao intervencionismo militar humanitário como um meio de levar os criminosos de guerra e violadores dos direitos humanos à justiça levou-o a uma posição um pouco estranha sobre o Iraque. Na edição de 2006 de seu livro “Crimes Against Humanity” ele fala da “retidão moral de derrubar Saddam Hussein e a ilicitude dos meios utilizados para fazê-lo”, com a implicação de que o erro de George W. Bush foi apenas de usar a justificativa errada para o invasão.

revista estudos nacionais

Sentença

No julgamento, os desembargadores, além de manterem a condenação expedida pelo Juíz Sérgio Moro, aumentaram a pena de 9 anos e 6 meses para 12 anos e 1 mês, com início em regime fechado.

Por fim, como a decisão da 8ª turma de recursos foi unânime, o réu fica impossibilitado de reverter a condenação em segunda instância, podendo apenas utilizar o recurso de embargos de declaração, o qual somente solicita ao juíz uma explicação de algo que tenha ficado vago na sentença.

Em terceira instância, Lula ainda poderá tentar recorrer ao STF ou ao STJ, porém pode já estar preso. Ainda, devido a unanimidade dos desembargadores, é improvável que o STF ou o STJ aceite analisar o recurso.


Escrito por: Raul Effting.

Fontes:

[1]Rede Brasil Atual

[2]clicRBS

[3]VEJA

[4]Diário do Centro do Mundo

[5]G1

[6]G1

 

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