Figo Rio 2018: participantes sentam no chão e assistem desvalorização de obstetras na cena de parto

Figo Rio 2018: participantes sentam no chão e assistem desvalorização de obstetras na cena de parto

19/10/2018 0 Por Marlon

Participantes precisam sentar no chão para palestras sobre medicina enquanto sobram cadeiras em salas com o tema do aborto. Em outra sala, obstetras ouvem que sua participação na cena de parto não é tão importante, gerando polêmica e insatisfação.

O congresso mundial de obstetrícia e ginecologia Figo Rio 2018 tem recebido críticas por diversos motivos. Essa semana, o CREMERJ (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) emitiu nota frente as denúncias e reclamações da classe médica sobre o evento. A nota está disponível no site do CREMERJ.

O evento tem custo de participação elevado e participantes sentam no chão

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Participantes do congresso têm reclamado, na internet, que a organização do evento reservou as maiores salas para as palestras e cursos sobre aborto – que ficaram vazias – preenchidas basicamente por pequenos grupos de militantes e entusiastas do aborto legal e, ao mesmo tempo, a organização superlotou pequenas salas onde haviam temas de fato relevantes para os médicos.

Alguns reclamam de terem de ficar horas em filas para as diversas atividades do evento, que também conta com patrocínio das maiores empresas do ramo farmacêutico e do ramo do aborto legalizado no mundo.

Alguns mais críticos avaliam que o foco na questão do aborto por parte da organização do evento pode ter sido a causa da falta de planejamento na infraestrutura da organização – “muita preocupação com militância e pouca com a organização e os temas médicos“, foi um comentário visto em um grupo de WhatsApp.

Evento para obstetras dá foco na importância das parteiras

Uma das críticas foi foco na chamada linha de parto humanizado sem a presença de médico. Em um slide de uma apresentação, destaca-se a frase (em inglês) “Todas as mulheres precisam de uma parteira, algumas precisam de um obstetra também“. Os médicos obstetras que foram ao evento pagaram aproximadamente 3 mil reais para participar.  Alguns sentiram-se frustrados ao ver o foco exagerado no trabalho de parteiras e na abordagem que valoriza mais parteiras do que médicos.

O tema do parto humanizado, tendência em alta no Brasil, divide opiniões. Críticos argumentam que alguns grupos transformaram a humanização do parto em algo que vai além da melhoria nas condições de parto e “tudo virou violência obstétrica”, tornando o tema parte de uma ideologia.

Como destacado em artigo recente, a tendência e reivindicação do parto humanizado tem sido incluído dentro da narrativa de ONGs que tradicionalmente lutam pela legalização do aborto, o que pega muitos defensores da humanização do parto de surpresa, já que boa parte dos defensores da humanização tem opinião contrária ao aborto legal.  Aparentemente a indústria do aborto internacional vem obtendo vantagens com isso, como ilustra a aprovação de uma lei estadual na na Califórnia que passou a permitir que enfermeiros, parteiras e médicos assistentes realizem abortos, após experimento feito em clínicas da Planned Parenthod. Isso obviamente reduz o custo para os empresários do ramo do aborto legal.