FHC propõe ideário para novo bloco de poder no Brasil

O sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso traça os caminhos possíveis para a esquerda global e propõe a criação de um “polo democrático popular e progressista” como mecanismo de condução segura das transformações sociais ao fim desejado pela Nova Ordem Mundial.

Um dos políticos mais influentes do Brasil, representando, por aqui, a elite financeira da esquerda internacional e as utopias de controle da Nova Ordem Mundial, Fernando Henrique escreveu Crise e Reinvenção da Política no Brasil, a partir de conversas com Miguel Darcy, assessor do Instituto FHC e Sérgio Fausto, sobre a situação do Brasil.

Em busca de uma solução para a crise de representatividade da política brasileira, FHC delineia o panorama global das mudanças estruturais vindas com a sociedade globalizada. De modo geral, o problema a ser resolvido seria uma nova forma de organizar a sociedade que se torna cada vez mais complexa. A institucionalização dessa nova estrutura, diz ele, demanda a invenção de novos mecanismos, o que por sua vez é condicionado à criação de um novo bloco de poder. Seu livro centra-se no problema da representação na política brasileira, mas afirma que tal crise se dá também na sociedade global e que, portanto, não se restringe às causas brasileiras ligadas à corrupção política.

Diante do que chama de crise da democracia representativa, não vê como necessária a abolição da representatividade, o que seria a opção por uma democracia mais direta, mas o “profundamento da democracia”, com novas formas de ouvir as ruas e criar meios institucionais para isso. Importante destacar que, no jargão sociológico de FHC, assim como no da esquerda em geral, institucionalizar pode ser traduzido como estabelecer certo controle, de modo a assimilar a ação e definir a linguagem.

As mudanças estruturais a que o autor se refere estão no léxico marxista, assim como toda a base da sua sociologia. Ernesto Laclau, em Hegemonia e estratégia socialista: por uma política democrática radical, chama a atenção para as transformações no sujeito histórico classe, recorrendo às reflexões de outros autores marxistas sobre a unidade de classe e a sua possível transformação (ou encarnação simbólica) em outros grupos sociais (raça, gênero, etnia, tribo urbana etc). É dessa nova estrutura a que FHC se refere.

O sociólogo e ex-presidente filia-se aos grandes ideólogos do século XX, da Sociedade Fabiana, que viam com receio o crescimento descontrolado da sociedade de massas. Na sua concepção, portanto, crise significa a perda parcial do controle ou compreensão dos processos sociais que devem, como condição para a construção de uma nova ordem, permanecer sob as mãos ou olhos de um sistema compreensivo e administrativo.

A única forma de resolver o problema da crise, diz ele, seria restabelecer os laços de confiança entre governantes e governados por meio de uma “mensagem inspiradora”. Isso seria necessário para se “captar as mudanças de valores e de comportamentos, que se dão mais no plano da sociedade que da política”, defende FH. Isso confirma a preferência do interesse internacional pelas transformações sociais e culturais como motor de revoluções, muito mais do que as mudanças ocasionadas pela política. De fato, analistas liberais que debruçam-se sobre candidatos, eleições ou ciclos de crescimento econômico como indicadores de mudanças de longo prazo continuarão na mais completa escuridão, embora acreditem estar lidando com a realidade em mutação ou mesmo mudando alguma coisa.

FHC chama a atenção para as demandas percebidas de uma nova agenda para o Brasil, algo capaz de “nos unir como país”, valorizar “certa ideia de Brasil”. É preciso, segundo ele, fazer reparos na política que se distanciou da vida para apelar para um novo reencontro. Neste sentido, é preciso dar um sentido à ação das pessoas.

O livro propõe-se como um ideário a ser adotado não por um partido político específico, mas por um bloco que o autor chama de “polo democrático popular e progressista”. Um bloco formado por “partidos, setores da sociedade e movimentos sociais” que se oponha às noções ultrapassadas tanto da velha esquerda quanto do autoritarismo da nova direita.

Os três grandes obstáculos a essa missão salvadora do Brasil, são, primeiro, os liberais da direita: adoradores do mercado e de certo individualismo, mas preocupados e sensíveis a questões coletivas como o meio ambiente. São os defensores da meritocracia que anseiam por decência na política. Em segundo, a velha esquerda, com objetivos estatistas e burocráticos e, por fim, o corporativismo, que abrange tanto grandes empresas como a estrutura partidária brasileira.

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