Discurso de “golpe da direita” promete unir e radicalizar esquerda

A prisão do ex-presidente Lula, no último sábado (7), reforçou a narrativa de “golpe da direita”, provocando a convocação de manifestações para os próximos meses em todo o Brasil, além de uma ampla articulação para consagrar o discurso do “golpe”, que unirá toda a esquerda em metas comuns.

No sábado à noite, imediatamente após a prisão de Lula, o site do Partido dos Trabalhadores publicou uma nota de solidariedade das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), demonstrando um radicalismo nunca antes visto. As Farc já são membros discretos do Foro de São Paulo, entidade criada por Lula, em 1990, desde seu início. Nos últimos anos, o grupo terrorista teve seu nome retirado da lista de membros devido a circunstâncias políticas e midiáticas.

Manifestações pelo país

Com isso, uma carta publicada aos apoiadores do ex-presidente foi divulgada com um cronograma de manifestações pelo país. A carta, publicada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, foram republicadas em diversos sites da esquerda. A carta é clara ao apontar a crença e o discurso que deve unir todos os movimentos:

“A prisão de Lula é parte essencial do golpe que está em curso contra o povo brasileiro. A ofensiva conservadora que liderou o impeachment contra a presidenta Dilma, provocou o assassinato de Marielle Franco, se manifesta também na prisão do Presidente Lula. Lula é um preso político, sua prisão inaugura um novo ciclo do golpe e nos desafia a ampliar nossa capacidade de luta e resistência”.

Veja abaixo os protestos marcados:

11 de Abril: Dia Nacional de Mobilização em Defesa de Lula Livre.
11 Abril: Manifestações em todas as embaixadas do Brasil no exterior.
10 e 11 de Abril: Ato com juristas em Brasília.
17 de Abril: Dia nacional de mobilização contra a Rede Globo.
26 de Abril: Ato em defesa da Petrobras no Rio.
1º de Maio: Dia do trabalhador/a em defesa dos Direitos e Liberdade para Lula.

Além disso, os movimento pretendem buscar apoio internacional, não apenas na América Latina.

Na próxima semana, a ex-presidente Dilma Rousseff fará uma viagem internacional com o objetivo de denunciar o “golpe” que estaria vitimando Lula e ela. Na terça-feira (10), Dilma fala em conferência na Casa de América em Madri. Dois dias depois, a ex-presidenta recebe a Medalha Centenário da Real Academia Europeia de Doutores, em cerimônia no Colégio de Advogados, em Barcelona.

Na semana que vem, entre os dias 16 e 18, Dilma fará palestras respectivamente nas universidades americanas de Berkeley, Stanford e San Diego, na Califórnia.  No domingo (8), a ex-presidenta disse que Lula se tornou “um preso político”, vitima de “perseguição implacável”, e classificou a prisão como “injusta e cruel”. Em nota, Dilma diz que a “mídia golpista”, que nega o status de preso político a Lula, “finge não enxergar a ascensão do fascismo no País e a violência da extrema direita”.

Dilma afirma que o Brasil “segue dividido”, com risco de implementação em definitivo de um “Estado de Exceção”, e que Lula foi preso porque é líder na corrida presidencial.

Nova estratégia

Grande parte do discurso político dessa “nova esquerda” que nasce após a prisão de Lula, porém, foi desenhada no próprio discurso do ex-presidente em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no último sábado. Lula convocou toda a esquerda a se unir em seu nome, como uma ideia. No palanque, Lula não deu tanta atenção a Gleisi Hoffman (PT) ou Lindbergh Faria (PT), mas levantou o braço de Manuela D’Avila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL). O Partido dos Trabalhadores, ao mesmo tempo, radicaliza seu discurso e procura unir-se à esquerda no discurso de “Lula é preso político”.

Convoca uma série de ações para pressionar o STF a revogar a prisão:

Propostas de Mobilização Unitárias e Nacionais

1- Construir um Acampamento Nacional em Brasília na Praça dos Três Poderes, em frente ao STF pela Liberdade Lula. Fazê-lo de forma permanente até conquistar a sua liberdade.
2- Fortalecer o Acampamento instalado no dia de hoje em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba. Estimular caravanas de várias cidades, em especial do Sul e Sudeste, em regime de revezamento, para manifestar solidariedade e participar dos debates políticos-culturais.
3- Estimular em todas as capitais onde for possível a realização de Acampamentos em locais centrais, que sejam um polo de Agitação e Propaganda na cidade, denunciando a prisão política de Lula.
4- Estimular desde hoje a realização de pichações com a palavra de ordem “Lula Livre”, “Liberdade para Lula”. Nas capitais onde for possível, organizar Brigadas de Agitação e Propaganda, grupos que ficarão permanentemente fazendo a disputa ideológica na sociedade.
5- Realização de um ato massivo pela Liberdade de Lula neste Domingo, 8 de Abril no Rio de Janeiro.
6- Convocar no dia 11 de Abril, dia de sessão no STF, um dia Nacional de Mobilização em Defesa de Lula Livre.
7- Construir no dia 11 de Abril, através de nossas articulações internacionais, manifestações em todas as embaixadas do Brasil no exterior.
8- Convocar centenas de juristas, advogados e militantes dos direitos humanos à Brasília para os dias 10 (à tarde) e 11 de abril, para realizar audiências no STF e um ato político no Senado Federal. A atividade esta sendo organizado pela Frente de Juristas pela Democracia.
9- Construir no dia 17 de Abril, marco de 2 anos do Golpe, um dia nacional de mobilização contra a Rede Globo.
10- Participar da Manifestação Nacional convocada no dia 26 de Abril no Rio de Janeiro, para defender a Petrobras, durante a Assembleia ordinária da empresa.
11- Construir um 1º de Maio unitário e massivo em defesa dos Direitos e Liberdade para Lula.
12- Realizar escrachos nas empresas e Bancos vinculados ao golpismo (Riachuelo, Bahamas).
13- Debater no Fórum das Centrais a construção de uma Paralisação Nacional em data a ser definida.

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