Bolsonaro causa pânico entre ambientalistas da ONU

Bolsonaro causa pânico entre ambientalistas da ONU

21/08/2018 7 Por Cristian Derosa

Retirada do Brasil da ONU e do Acordo de Paris causa irritação em Erik Solheim, chefe de meio ambiente das Nações Unidas

A imprensa internacional não está muito tranquila com a possível eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência em outubro. Depois da revista britânica The Economist, os receios vieram também do Financial Times, que comparou Bolsonaro ao ditador turco Erdogan na economia. As comparações com Donald Trump também continuam, como no caso dos ambientalistas, que tremeram ao saber que o presidenciável poderá tirar o Brasil do Acordo de Paris e até mesmo da ONU.

O destaque para essa questão vem do site Climate Change News: “A retirada de um importante país em desenvolvimento, que abriga a maior floresta tropical do mundo, seria um duro golpe para a cooperação climática internacional. Embora não tenha sido confirmado, o Brasil deveria sediar a cúpula climática da ONU em 2019”, diz o artigo.

A postura de Bolsonaro, segundo o artigo, despertou a ira do chefe de meio ambiente da ONU, Erik Solheim. “A rejeição do Acordo de Paris é uma rejeição da ciência e do fato”, disse Solheim. “É também uma promessa falsa, porque os políticos que apresentam a ação climática como um custo para a sociedade entenderam tudo errado.”

O artigo lembra que o Brasil tem sido um parceiro fiel dos acordos climáticos e alertou que recentemente o próprio ministro do meio ambiente emitiu um comunicado informando o cumprimento da meta em emissões florestais para 2020.

Mas especialistas parecem minimizar o problema, duvidando de que Bolsonaro realize a promessa. De fato, um possível governo de Bolsonaro deve estar pronto para enfrentar dificuldades como o milionário lobby ambientalista que domina o Brasil há várias décadas. É o que fica claro na declaração de André Guimarães, chefe do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam): “Honestamente, acho que há muito pouca chance de que [uma retirada] aconteça”, disse ele. “Meu palpite é que, mesmo que Bolsonaro vença e queira mudar o acordo, não será uma tarefa fácil”, promete o ambientalista.

O medo cresce

O medo da candidatura cresce ao verem que o candidato do PSL andou compartilhando em sua rede social, vídeos do climatologista Ricardo Felício, crítico da teoria básica do Efeito Estufa.

O pânico global se acentua ainda mais diante de declarações dos filhos de Bolsonaro. O artigo do Climate Change News destaca a declaração de Eduardo Bolsonaro, que caracterizou o Acordo de Paris como plano globalista. Já Flavio Bolsonaro se refere à ideia de “aquecimento global” como uma fraude.

Agora imagine o horror da esquerda financeira que lucra milhões de dólares com o lobby das mudanças climáticas e influencia nas decisões de países em desenvolvimento no mundo todo, ao ver uma foto de Eduardo Bolsonaro junto do executivo Steve Bannon, um dos donos do Breitbart News, ex-conselheiro de Trump e grande defensor da saída da Casa Branca dos acordos climáticos.

Quem quer defender a Amazônia?

Entre investidores, executivos das Nações Unidas, organizações ambientalistas e governos da Europa, há uma infinidade de organismos que pressionam o Brasil para a participação de acordos ambientais. O motivo de tudo isso é obviamente a Amazônia, considerada “pulmão do mundo”. Mas diferente dos planos dessa elite composta de ONGs de todos os países, que pretende defender as florestas brasileiras contra os próprios brasileiros, uma das mais caras tradições da classe militar brasileira, representada em parte por Jair Bolsonaro, é justamente a defesa da floresta contra a cobiça estrangeira. Temos aí uma briga acirrada pela frente, caso o capitão da reserva seja mesmo o próximo presidente.