A sensibilidade da política de “discurso de ódio” do Facebook

A sensibilidade da política de “discurso de ódio” do Facebook

14/09/2018 0 Por Cristian Derosa
[aviso: este post contém ironia]

Fui bloqueado por 30 dias devido uma piadinha com os tradicionalistas, na qual enumerava algumas de suas sandices e, ao final, acrescentava: “alguns são até bichas”. A palavra horrorizou os censores da rede social, que analisaram cuidadosamente o contexto da frase e concluíram meu intuito difamatório e odioso contra minorias discriminadas.

Da outra vez, recebi uma reprimenda por inadvertidamente suspeitar da masculinidade dos barbudinhos do movimento “Queer ser homenzito?”. A verdade é que o facebook definitivamente não está preparado para a nossa sinceridade. Prefere que postemos fotos de gatos, de vídeos engraçados (desde que não ofensivos contra uma minoria) ou façamos campanha para alguma causa nobre e humanitária com potencial de humanizar as redes.

Deve nos comover a sensibilidade do dr. Zuck e sua equipe de emoticons, cujas maquininhas julgam com uma justiça nem tão cega. Em meu perfil, como no de tantos amigos, tenho feito certa defesa de Bolsonaro. Mas ficarei todo o restante das eleições fora do face, assim como o Mito no hospital.

Mas se me uno com honra à comunidade dos perseguidos, não o farei me servindo do expediente vitimista ou persecutório, pois sei da minha própria insignificância e a considero irremediável nesta vida, mesmo que eu afirme mil vezes chamando o Zuck de ditador desgraçado, o que ele evidentemente é (ditador!). A minha influência nas redes sociais, se existir, também não vai parecer mais limpinha nem as minhas motivações mais santas. Violei os termos de discurso de ódio da plataforma e o faria de novo. Mas isso não quer dizer que uma empresa privada, na qual depositei voluntariamente os meus dados, não tenha o direito de me mandar para o exílio e pensar um pouco sobre a minha conduta odiosa.

E a Revista?

É verdade que já pensei suficientemente na minha conduta moral nas redes e continuo indignado com o castigo, dado o momento inconveniente que o bloqueio me é imposto: estamos a lançar a quarta edição da Revista Estudos Nacionais, uma revista impressa que ainda não ultrapassou a meta de se igualar à Veja (na verdade, estamos bem longe ainda). Para falar bem a verdade, estamos quase fechando a revista por falta de anunciantes.. e de vendas mesmo. A meta é apenas um sonho, claro, mas como diz o poeta, todos os sonhos vêm de Deus (sic).

Agora falando sério: uma publicação impressa conservadora precisa de muito investimento para fazer o conservador médio sair do facebook e pagar por textos que se apresentam na forma física, esta velharia do jornalismo. No entanto, acreditamos no projeto e estamos dispostos a insistir nele. Mas este momento não é só véspera de uma edição qualquer e sim da edição definitiva para a continuidade do projeto.

Ao leitor do nosso site que se sensibilizou com meu bloqueio (não vou chorar aqui, não adianta!), compre nossa revista, assine! Não queremos ter que trazê-la para o formato digital, o que significaria apenas cobrar por uma parte do nosso site. Mas o faremos se for necessário. Você tem certamente muitos familiares, colegas ou vizinhos, que só acreditam na grande mídia, certo?. Pois bem, uma revista impressa tem muito mais credibilidade do que a internet e nosso objetivo é justamente substituir aquela credibilidade. É só ver a diferença entre os conteúdos do site e da revista. Esta última consegue ser básica para o iniciante e profunda para o avançado, enquanto reservamos ao site as notícias, estudos e informações mais urgentes. É um grande esforço que dispendemos e ninguém acreditaria no que fazemos dadas as nossas condições atuais. Mas eu disse que não choraria, então peço apenas que me deixem fazer mais um último comercial:

Nestes dias de bloqueio, após encerrar a edição da revista, irei divulgá-la na página dos Estudos Nacionais na ingrata rede. E também prometo gravar alguns vídeos para tentar imitar o que fez o professor Olavo ao ser bloqueado (não, o bloqueio do meu perfil não é um fato bombástico de censura e não tentarei insinuar isso por meio de joguinho de cena). Como eu disse outras vezes, o bloqueio nos permite muito mais liberdade do que a plena circulação de ideias do facebook.