Atos violentos de uma greve que não afetará reformas

A greve geral, convocada pela CUT para esta sexta-feira (28) não teve tanta adesão como esperavam os organizadores. Movimentada pelas centrais sindicais, com o apoio de diversos movimentos de esquerda, o objetivo era literalmente “parar o país”, o que de fato não ocorreu da forma como queriam. A pauta é a oposição às reformas trabalhista e da Previdência, que estão para ser aprovadas pelo governo. Para os sindicalistas, um dos pontos críticos das propostas é o fim da contribuição sindical obrigatória, o que provavelmente imporá mudanças na estrutura sindical do país.

Embora em alguns lugares, o trânsito tenha sido interrompido, isso ocorreu por meio de interrupções forçadas com pneus queimados, e não pelo excesso de manifestantes, que preferiram usar da sua truculência habitual para impor à população a sua vontade de poder. Em muitos estados foram registrados atos violentos por parte de movimentos sindicais durante a paralisação. No aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, pessoas que tentavam embarcar foram agredidas fisicamente por manifestantes. Estradas e acessos urbanos foram bloqueados. Na USP, houve confronto com a PM.

Além do governo, especialistas afirmam que nada mudará com tais atos. As reformas sofrerão poucas mudanças, se sofrerem. Tudo vai depender do arranjo feito no Congresso com os parlamentares. Há consenso entre muitos analistas sobre a viabilidade e a necessidade de tais reformas, de modo que atos violentos apenas demonstram que os opositores mantém as mesmas respostas para todas as questões, sem apresentar soluções e negando-se a acreditar nos dados apresentados não só pelo governo, mas por diversas entidades. Isso porque, para os manifestantes, o ideal é “quebrar a máquina”, pois a máquina é o capitalismo. É preciso gerar a crise do capitalismo para que ganhe a causa socialista.

Estratégia da data favorável

A estratégia utilizada pelos movimentos foi a de abranger toda a população utilizando uma data próxima a um feriado, produzindo um feriadão. O objetivo, com isso, era gerar a ilusão de uma maior adesão popular. Em algumas cidades, carros de som com poucas pessoas em torno chamavam a população a participar.

Do mesmo modo, a pauta bastante generalista e repleta de desinformação, cuidava para que quem quisesse ser visto como zeloso pelos direitos dos trabalhadores e dos mais necessitados, aderisse pelo menos em apoio formal, às pautas dos grevistas.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
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